Momentos de Surto

1 Capítulo 1-Amnésia


Notas iniciais
Nada a relatar.Sei que está pequena,mas tive um trabalhão para juntar isso.

Chuva castigante.Molhando as faces.Estava eu debaixo desta água.A procura de algo.Não sentia mais meus machucados.Só sei que estava fugindo.Ouvia vozes de grito abafados pela chuva.A lógica mentindo para a moral.Uma moral ilógica.O enjôo me invadia.A tontura se aposava.As letras,do cartaz de propaganda,Dançavam ao meu olhar.As vozes abafadas estavam aumentando.Corria sem ao menos lembrar o porquê ou de quem eu estava fugindo.Quando agarraram meu braço,meu coração saltou.Meu estômago caiu para as pernas.Pensei que era o fim.Que iria volta para aquele local.

Não me lembro de mais nada.Acordei em um lugar escuro.Não era aquele local.Uma onda de alívio me afogou.Eu estava em uma cama.As paredes sujas de lodo e lama.Um cheiro de esgoto.De excrementos humanos.Mais a frente via uma televisão quebrada.Senti um bafo quente na minha nuca.Um arrepio invadiu meu corpo.Porém ignorei-o.Me levantei da cama na esperança que minhas pernas suportassem a pressão do peso.

Pisei em um líquido verde.Parecia lodo.Mais a frente via uma sombra brincando sobre a luz de velas.Virei e encontrei um senhor.Não aparentava idade alguma.Era muito velho para pensar em uma idade.Para ele.

Tinha ralos cabelos brancos.Uma longa,suja,e grisalha barba branca.Sua face era chupada pelo tempo.Sua coluna entortada e corcunda.O lugar que podia se chamar de cozinha,era mais sujo que o resto do local.Ele perguntou se eu estava bem e qual era meu nome.Eu disse que não lembrava.Ele resmungou que eu lembrava o cachorro dele,então iria me chamar de Carl.O velho depois disso não disse nada.Apenas saiu andando com uma xícara quebrada na mão direita,e a esquerda nas costas.

Sem saber o que fazer.Segui-o.

Estávamos em um corredor.Já estávamos andando fazia horas.Se não dias.Não tinha mais noção de tempo.Nem de min mesmo.O corredor era escuro e ovalado. Exceto pelo chão plano.Com paredes e teto sujo de lodo verde.Escuro.O cheiro era suportável.Por pouco tempo.Excrementos humanos.

O velho não demonstrava cansaço.Muito menos suor.Apenas continuava andando.Com sua quebrada xícara.Com a vela.Apenas via as costas do velho com sua mão fechada.Até que vi uma luz no horizonte.
Do corredor.

A luz do sol me cegou.Demorei alguns minutos até meus olhos se acostumarem à luz.Aos poucos comecei a identificar as construções borradas.Prédios quebrados e abandonados.Pessoas jogadas no chão.Comendo lixo, e excrementos humanos.Quando notei o espaço ao redor,o velho já estava longe.Muito longe.Apenas me chamando.Corri até ele.Um escorregão foi ao meu encontro.Eu olhava as coisas de um ângulo inferior.

Estava eu de cara no chão.Levantei-me.Olhei onde tinha escorregado.Excrementos humanos.Sujei meus pés descalços de bosta marrom de humanos.O velho apenas olhava-me com um olhar de reprovação.

Olhei para min mesmo.Uma calsa jeans rasgada por ferimentos.Camisa social preta aberta por um abdômen e um peitoral.Músculos não desenvolvidos.Apenas muito machucados.

Encontrei o velho e perguntei seu nome.Ele não respondeu.Somente continuou a andar.Perguntei-lhe onde estávamos.Ele disse que era Nova York.Não sabia onde era isso.Ele não respondeu.Perguntei-lhe o ano e ele respondeu que era o ano de 3020.Não me impressionei.Não lembrava de nada.

O velho me levou à um prédio grande.Não muito diferente do resto da cidade.Onde tinha pessoas iguais a min.Pareciam zumbis machucados.Mente vegetal.Os únicos diferentes eram os soldados na porta.Pareciam saudáveis,porém depressivos.

Andei lentamente até a porta.Os guardas me revistaram do cabelo ao pé.Com certo nojo.Mas me deixaram entrar.

Dentro do prédio,que parecia um pátio,havia cerca de milhões de pessoas.Mortos de fome.Desnutridos.Corpo arroxeado.Cabelos desgrenhados.Um cheiro forte de enxofre.Enxofre misturado com excrementos humanos.

As pessoas,se é que podem ser chamadas disso,me tateavam,tocavam,cheiravam,lambiam.Eu apenas a empurrava.Porém,era uma guerra de um contra milhões.Desisti.Apenas me concentrei em seguir o velho corcunda.

Depois de muitos minutos de caminhada.Já não sentia mais meus pés.Fedidos de bosta.Finalmente chegamos na escada.O prédio era feito de dez andares com largos pátios.

Perdi totalmente a noção de espaço e tempo.A cada andar que eu subia,mais pessoas eu via.Não acabava nunca.Um bando de humanos.Pareciam mortos e ao mesmo tempo vivos.

Quando chegamos no último andar,eu já não sentia meu corpo.Tudo formigava.Olhei minha barriga e descobri o enorme buraco.Cuspia sangue feito cachoeira.

Tentei chamar o velho em vão.Me vi caindo.Observei minha mão arroxeada.Pensei que ia morrer.Já não restava mais sangue no meu corpo.O velho me levantou e ajudou a andar.Ele disse que era para aquentar firme.Faltava pouco.

No ultimo andar,ele bateu na porta.O som era o de costume.Suas mãos enrugadas clicavam na porta.Alguém abriu-a,mas antes que eu visse quem era.Desmaiei.

Acordei.Não sabia o certo.Tudo se mexia.Girava.O som dos batimentos cardíacos na máquina,ecoavam na minha cabeça.A meu lado havia um saco vermelho.Ligado ao meu braço.Devia ser sangue.Meu corpo estava todo enfaixado.Ainda estava sujo.Descalço.Mas ainda vivo.

Vi um vulto corcunda atravessando a porta.Era o velho.Ele me disse que eu tinha dormido por dias.Eu não ligava.O outro ser era estranho.Olhos amendoados e profundos.Sem íris.Cabeça grande.Sem pêlos.Boca pequena.Sem dentes.Não me impressionei.

O velho me falou que era um ser humano evoluído.Ele veio do futuro.Não questionei.Apenas queria explicações.Não sabia de nada do que estava acontecendo.

O velho disse-me que iria contar tudo.Disse também para ter calma e me sentar na cama,afinal estava deitado.A voz rouca dele quicava na minha cabeça.Eu duvidava que eu fosse entender.

-“Tudo começou quando naves,redondas feito bola,quebraram a gravidade e entraram na Terra.Os seres pareciam uns monstros.Não foram nem um pouco silenciosos.Destruíram tudo e raptavam cobaias,frequentemente,para experiências...”

Conforme ele ia falando,imagens horrendas apareciam na minha mente.Como uma tortura.Seres nojentos e mal cheirosos,com rostos maléficos,com agulhas estranhas e lâminas nas mãos.Não aguentava tanta pressão.Fui surpreendido pela voz do homem que parou de contar as história abruptamente.

Notas finais
Mandem review por favor quero saber como está.