Moira

15 (Bônus) O Nó Que Não Foi Desfeito


Notas iniciais
Olá, meus queridos! Tudo bem? Por aqui, o sol desapareceu e a chuva segue há vários dias. Tudo úmido, muito trânsito e a gripe invadindo as casas, inclusive a minha. Mas faz parte, não é? Precisamos de chuva… só não nessa frequência, mas... faz parte! Bom, vamos ao capítulo, que traz algumas informações importantes.


POV Haymitch

Meu pai sempre dizia que “as leis escritas são leis, mas as leis não escritas são os costumes do povo”. Era um conceito muito comum nos anos cinquenta e que ele carregou pela vida inteira. A parte irônica é que, mais de setenta anos depois, ainda encontro pessoas que pensam exatamente da mesma forma.

Gente que tem dificuldade de entender que tradições e costumes são importantes. Fazem parte da identidade de um povo, mantêm histórias vivas, memórias e até mesmo laços familiares, mas não estão acima da lei. E muito menos foram feitos para substitui-las. O problema é que, na maioria das vezes, essas mesmas tradições acabam sendo moldadas por algo muito menos nobre do que as pessoas gostam de admitir. Como dinheiro, interesse e poder.

Coriolanus Snow é um exemplo clássico disso, um homem que adora discursar sobre origens, tradição e legado familiar, mas que sempre valorizou os próprios negócios mais do que qualquer um desses conceitos e falas moldadas para parecerem bonitas.

E, ironicamente, estou prestes a ficar perigosamente perto desse homem através de uma união que não devia acontecer. Nos últimos meses não consigo tirar isso da cabeça, a sensação constante de não saber se estou fazendo a coisa certa. De ter me envolvido com algo que não era necessariamente da minha conta, de ter mexido com algo que pode colocar em risco a felicidade de uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Meu filho.

"O que eu estou fazendo?" Virei o restante do whisky de uma vez só, estava sozinho no escritório, observando o álbum de fotografia sobre a mesa enquanto deixava as incertezas tomarem conta da minha cabeça.

Effie e Peeta eram tudo para mim, tudo.

Então por que eu tinha entrado naquela loucura em vez de deixar o passado enterrado onde deveria estar? A resposta era simples demais e tinha plena consciência disso. Eu tinha feito aquilo por ela, porque Katniss e Prim eram netas dela.

Quarenta e cinco anos atrás tinha sido inevitável me apaixonar por Anastasia. Estudávamos juntos desde o primário. Ela era bonita, inteligente e tinha aquele tipo de sorriso que fazia qualquer lugar parecer melhor, que me fazia sentir melhor.

E, apesar de vir de uma das famílias mais respeitadas da região, nunca pareceu se importar com o fato de eu ser apenas o filho do viúvo dono de um pequeno restaurante. Mas ela nunca foi o problema, o problema era que eu sabia exatamente como o mundo funcionava. Minha família vivia naquela região havia gerações. Eu era grego como a maior parte dos homens da cidade, algo muito valorizado em uma época em que isso era quase um requisito. Ainda assim, para os pais dela, eu jamais seria o partido mais atraente.

Principalmente quando o herdeiro de um dos maiores vinhedos da região entrou na disputa. Nós nos amávamos e tínhamos planos. Falávamos sobre o futuro como fazem todos os jovens que acreditam que o amor é suficiente para resolver qualquer problema, mas no fim, ela fez o que esperavam dela e obedeceu ao pai.

E eu assisti enquanto a mulher que eu amava se casava com um homem dezoito anos mais velho, que a exibiu para todos como o troféu mais valioso que havia conquistado. E nesse momento a vida me ensinou que, às vezes, amor simplesmente não basta. Vê-la se casar foi horrível e acabou comigo. Não é fácil ter o coração partido aos dezoito anos, mas não havia nada que eu pudesse fazer além de lidar com a dor e seguir em frente.

Fui para o exército e, quando meu pai faleceu durante aquele período, me vi sozinho no mundo. Resolvi focar na única coisa que ainda estava sob meu controle, os negócios. Muitos me achavam louco e acreditavam que eu acabaria destruindo tudo o que meu pai havia construído, mas não existe um único dia em que tenha me arrependido de vender o restaurante e a casa que herdei para abrir um novo e menor em Thessaloniki.

Aquilo me fez bem, não tirou Anastasia do meu coração, mas me fez amadurecer. Recebi algumas cartas dela ao longo dos dois primeiros anos e, embora nunca tenha respondido nenhuma, li todas as que chegaram mais de uma vez. Todas as linhas em que ela dizia ainda me amar. Os relatos de como Snow a tratava com respeito e parecia amá-la, mas de como ela não conseguia corresponder aquele sentimento. O lamento sincero pela morte do meu pai. Os sonhos que precisou abandonar para ser apenas uma esposa, porque o marido não queria que ela fosse nada além disso. A tristeza pela professora que nunca se tornaria. O desejo de ser mãe que insistia em não se realizar.

E, por fim, as duas últimas cartas.

Nelas, ela contava sobre a gravidez e sobre o desejo de que eu fosse o pai da criança que esperava com tanta ansiedade. E eu desejei o mesmo. Porque aquele também era um sonho nosso. Algo construído nas tardes em que eu segurava sua mão e a abraçava enquanto ela falava da família de, no mínimo, três filhos que queria ter.

Talvez ela tivesse continuado a escrever.

Talvez, com o tempo, tivesse aprendido a amar Snow.

Talvez tivesse me esquecido, mas isso é algo que nunca vou saber.

A notícia da morte dela no parto me devastou, ela tinha apenas vinte e um anos e tantos sonhos pela frente. Ela teria sido uma mãe brilhante, a maternidade seria o único sonho realizado em meio a todos os planos que precisou abandonar ao longo daqueles anos. A única coisa que aquele casamento estúpido não havia conseguido tirar dela.

Naquele dia eu chorei e bebi por tudo o que não fomos e por tudo o que nunca seríamos.

Pela mulher doce que amei tanto.

Pela mulher cujo fio da vida foi curto demais.

Os anos seguintes foram um misto de negócios e romances passageiros em tentativas fracassadas de esquecer meu primeiro amor. Os negócios cresceram de forma fantástica e, para a surpresa de muita gente, mesmo sem ter um curso superior, em pouco mais de sete anos eu já tinha, além do restaurante em Thessaloniki, uma unidade em Larissa. Também consegui comprar novamente o estabelecimento de Thalessi e reformá-lo, embora sem mudar muito do que meu pai havia deixado. Era uma forma de honrar sua memória.

Voltar para minha cidade natal foi uma decisão difícil, mas, aos vinte e sete anos, eu sabia que precisava parar de viver com uma mala pronta para a próxima viagem e criar raízes em algum lugar. E, no fundo, eu amava aquela cidade. Thalessi era meu lar e, de uma forma estranha, voltar para lá trazia uma sensação de paz que eu não encontrava em nenhum outro lugar. Era lá que queria criar meus filhos um dia. E não podia continuar evitando aquilo por causa do meu passado.

Então enfrentei meus fantasmas. Ver a pequena Eleutheria foi como voltar vinte anos no tempo e encontrar Anastasia aos sete anos novamente. Ela tinha os mesmos cabelos escuros, os mesmos olhos atentos e até algumas expressões que eu reconheceria em qualquer lugar. Claro, havia muito da família Snow ali. Ainda assim, não pude deixar de enxergar a semelhança.

Era de conhecimento de todos que Snow tinha a filha como seu maior tesouro. A última lembrança viva da mulher que dizia ter amado, muitos acreditavam que ele se casaria novamente, mas isso nunca aconteceu. Talvez porque nenhuma outra mulher pudesse ocupar o lugar que Anastasia havia deixado ou talvez porque ele simplesmente gostasse mais da ideia da esposa perfeita que perdeu do que da realidade de construir uma nova vida.

E somente anos depois que minha vida teve uma verdadeira reviravolta. Que aconteceu no momento em que eu menos esperava.

Era verão em Santorini. Eu havia acabado de inaugurar mais um restaurante, o primeiro em uma cidade litorânea, e depois de meses sem tirar uma folga, apenas trabalhando e resolvendo problemas, decidi aproveitar um dia de sol. Foi quando a vi.

Dizer que ela era bonita não seria suficiente, ela tinha um sorriso impossível de ignorar e um olhar tão azul que parecia competir com o mar à nossa frente. Quando me apresentei a Effie Trinket, achei que ela fosse apenas uma turista estrangeira. Para ser justo, foi justamente esse pensamento que me deu coragem para me aproximar. Mas ela não era, morava em Atenas e cursava Direito. Estava passando o verão em Santorini com algumas amigas antes de iniciar o último ano da faculdade. Saímos juntos nos dias que seguiram à nossa primeira conversa. E então aconteceu algo que eu não esperava. O que parecia apenas um típico romance de verão começou a se transformar em algo muito maior.

Depois de tantos anos, eu me vi apaixonado novamente. Effie trouxe cor à minha vida de uma forma que eu já não acreditava ser possível. Ela era completamente diferente de Anastasia, tanto na aparência quanto na personalidade.

Enquanto Anastasia havia crescido ouvindo que devia respeitar os mais velhos e aceitar as decisões tomadas por eles e se tornou alguém que aceitava o que lhe era imposto sem questionar. Effie foi criada em uma casa onde questionar fazia parte da educação. Filha de um juiz que enfrentou a própria família para se casar com uma brasileira, ela cresceu cercada por discussões sobre leis, justiça e direitos. Aprendeu desde cedo que tradição tem valor, mas que isso não significa aceitar tudo sem contestar. Ela acreditava que as coisas podiam mudar e lutava por isso. Não aceitava um não sem antes tentar transformá-lo em um sim. Defendia suas opiniões com convicção e perseguia seus objetivos com uma determinação que eu admirava cada vez mais.

Para ser sincero, Effie sempre foi singular. Nunca conheci alguém com tanta espontaneidade e brilho, ela sempre foi do tipo que ama intensamente e demonstrava isso com absoluta naturalidade. Alguém que acreditava nas coisas certas e lutava por elas sem medo. Então, no ano seguinte, me vi fazendo viagens constantes para Atenas.

Conheci os amigos dela, e seus lugares favoritos. E não demorou para que ela me levasse para conhecer os pais. Foi ao lado deles que assisti ao momento em que ela fez seu juramento oficial na cerimônia de formatura. Ainda me lembro da expressão orgulhosa do pai dela e das lágrimas da mãe.

E foi depois de toda a algazarra da família do lado de fora da faculdade, seguindo uma tradição sobre a qual eu só tinha ouvido falar, que tive ainda mais certeza do que já sabia. Não importava quantos quilômetros me separassem dela durante o estágio em Atenas. Não importavam as viagens constantes. Ela era a mulher com quem eu queria passar o resto da vida. Então me vi de joelhos, com o anel que carregava havia dias no bolso.

Nosso casamento aconteceu menos de seis meses depois da formatura. Durante o ano seguinte nos equilibramos entre nossas rotinas distintas e as viagens constantes entre Atenas e Thalessi. Só depois que Effie passou no exame da Ordem após concluir o estágio que mudamos definitivamente para minha cidade natal.

Obviamente muita gente comentou nossa união. Segundo eles, um homem de trinta e sete anos se casar com uma jovem de dezoito em um casamento organizado pelas famílias era algo perfeitamente normal. Mas eu me casar com uma mulher doze anos mais nova só podia significar interesse da parte dela. Nunca demos atenção a esse tipo de comentários , as pessoas não nos conheciam. E certamente não entendiam o que existia entre nós.

Antes mesmo da mudança já falávamos sobre filhos. Effie queria uma família grande e eu daria a ela tudo o que estivesse ao meu alcance se isso significasse vê-la sorrir. Por isso, quando descobrimos a primeira gravidez, achei que finalmente tudo estava se encaixando.

Eu estava feliz, minha vida já não era apenas trabalho e investimentos. Eu tinha uma família novamente.

Então, três semanas depois, aconteceu. Os médicos disseram que acontecia.

Que não havia um motivo específico.

Que ela era jovem.

Que poderíamos tentar novamente em alguns meses.

Mas dois anos e três abortos depois, nos vimos diante do diagnóstico que nenhum de nós queria ouvir.

Aborto de repetição.

Após uma série de exames, os médicos concluíram que minha esposa tinha dificuldades para manter uma gestação. Ela ficou devastada.

E, pela primeira vez desde que a conheci, eu não sabia o que fazer. Vi o brilho dos olhos dela diminuir. Vi aquele sorriso constante desaparecer aos poucos. E quando ela disse que não queria tentar novamente, eu apenas concordei.

Os médicos já haviam deixado claro que insistir poderia colocar a saúde dela em risco, Nos anos seguintes, minha mulher mergulhou no trabalho, não apenas nos casos do escritório onde atuava como advogada, mas também nos meus negócios. Ela se tornou meu braço direito, a pessoa que estava ao meu lado em cada decisão importante. Aquela que me apoiava mesmo quando todos diziam que eu estava louco por continuar expandindo algo que já era lucrativo.

Quando completamos sete anos de casamento, e acabado de inaugurar o sexto restaurante, já não falávamos mais sobre filhos.

Talvez um dia considerássemos a adoção... Talvez não.

Mas logo após à inauguração, descobrimos uma gravidez completamente inesperada. E nos vimos novamente divididos entre a alegria e o medo.

Estávamos apavorados, eu sabia que ela não suportaria passar por mais uma perda sem contar o medo de perdê-la. Porque naquele momento a ideia de alguma coisa acontecer com ela me aterrorizava muito mais do que qualquer outra coisa.

No momento em que ela me entregou aquele teste positivo, fiz uma promessa silenciosa. Faria tudo o que estivesse ao meu alcance para proteger aquela gravidez. E, acima de tudo, para protegê-la. Fomos para Atenas consultar os melhores especialistas que conseguimos encontrar.

Também ajudava ter meus sogros por perto. Minha sogra havia estado ao lado da filha em todas as perdas anteriores, oferecendo colo quando eu já não sabia o que dizer.

Mas, daquela vez, estávamos todos nós lutando juntos.

Médicos.

Família.

Porque, apesar de ser filha única, Effie vinha de uma família consideravelmente grande, com uma quantia razoável de primos e tios. Todos fazendo o possível para levar aquela gestação o mais longe que conseguíssemos.

Peeta nasceu com apenas vinte e oito semanas. Tão pequeno e frágil que me deixou apavorado. Os médicos falavam em porcentagens e possibilidades e não existe nada mais aterrorizante para um pai do que ouvir o futuro do filho ser descrito em números.

Os setenta dias seguintes foram angustiantes. Quando Effie recebeu alta, chorou por horas ao perceber que voltaria para casa sem o nosso filho nos braços. E todas as noites, quando precisávamos deixar o hospital, ela acabava adormecendo entre lágrimas.

Eu também sofria, mas alguém precisava permanecer forte. Então fazia o que podia, segurava sua mão, repetia que ele era um lutador e mesmo não sendo muito religioso, rezava em silêncio para que aquilo fosse verdade.

A família inteira seguiu firme, sem perder a esperança, sem deixar que nós a perdêssemos também. Os mais religiosos acendiam velas e faziam promessas aos santos. Outros pesquisavam tudo o que podiam sobre prematuros, sempre procurando histórias com finais felizes para nos dar esperança.

Ninguém nos deixou enfrentar aquele período sozinhos. E talvez tenha sido isso que nos manteve de pé. No dia em que meu garoto recebeu alta, me senti o homem mais feliz do mundo. Nada, até então, se comparava à sensação de finalmente tê-lo nos braços sem fios, aparelhos ou médicos ao redor.

Effie estava radiante e vê-la sorrir daquele jeito depois de tantos meses de medo tornou aquele momento ainda mais especial. Claro que uma única comemoração jamais seria suficiente, não para os Trinket.

Havia comida demais.

Música demais.

E gente demais

Ainda permanecemos em Atenas por mais cinco meses até que os médicos finalmente liberassem Peeta para viajar. Só então voltamos para casa, para o começo de uma nova vida. E não me surpreendi ao saber dos comentários maldosos de que minha esposa havia me traído e tido um filho fora do casamento. Devo admitir que as pessoas têm uma criatividade impressionante. Pelos rumores, soube até mesmo que eu não poderia ter filhos e que, por isso, havia perdoado minha esposa e a levado para ter o bebê longe da cidade.

Claro que Peeta ter herdado quase todos os traços da família da minha esposa apenas alimentou as fofocas. Os comentários continuaram por mais de dois anos, até serem substituídos por um fato verídico. O casamento de Eleutheria Snow com Arvid Everdeen surpreendeu a todos.

Ela era a garotinha do papai. Todos acreditavam que seguiria os costumes da família e acabaria se casando com alguém escolhido por ele. Em vez disso, os boatos diziam que havia abandonado a certeza de uma vida confortável ao lado de um político para morar na parte mais pobre da cidade. Nunca fui de encontrá-la pelas ruas, mas o destino a levou ao meu restaurante em uma noite em que eu estava por lá.

Ela parecia feliz ao lado do marido.

"Senhor Mellark?"

"Sim?" Ela me observou por um instante. Não entendi o motivo daquele olhar, mas foi breve. Logo em seguida, sorriu.

"Eleutheria Everdeen. E este é meu marido, Arvid." Sorri e estendi a mão, fingindo não saber quem ela era. Fingindo não perceber a ironia de ter diante de mim a realização do maior sonho da mulher que um dia amei.

"É um prazer conhecê-los."

"Na verdade, eu queria parabenizá-lo. Seu restaurante é ótimo."

"Ah, a experiência é mérito do chef. Ele é um cozinheiro muito talentoso."

"Com certeza. Mas a estrutura, o ambiente, a forma como este lugar parece acolher a todos... acredito que isso reflita o proprietário. Parabéns." Sorri sem saber exatamente o que responder.

"Obrigado." Ela retribuiu o sorriso, voltou para o lado do marido e seguiu seu caminho.

Os anos seguintes foram tranquilos. Effie não voltou a trabalhar comigo na administração dos restaurantes, tampouco exerceu novamente sua carreira como advogada. Ainda assim, continuava ao meu lado em todas as decisões importantes.

Ela queria ser mãe em tempo integral e eu nunca me opus à sua escolha. Nossa prioridade era Peeta e ela esteve presente em cada momento da infância dele. Embora muitas pessoas insistissem em vê-la como uma mulher egoísta, preocupada apenas com festas, roupas e gastos extravagantes, a verdade era que, como mãe, Effie sempre foi impecável.

Da mesma forma, muitos acreditavam que Peeta seria um garoto mimado e solitário por ser filho único. Como de costume, os rumores estavam errados. É claro que sempre fiz questão de lhe dar o melhor que podia. Mas também nos preocupamos em ensiná-lo sobre o valor do dinheiro e, acima de tudo, sobre o valor das pessoas.

Nunca arriscamos tentar ter outro filho, ainda assim, Peeta nunca esteve sozinho. Além dos primos de segundo grau, ele tinha uma irmã em Delly Cartwright. Filha da nossa governanta, ela era apenas algumas semanas mais velha que ele e os dois eram inseparáveis.

Delly cresceu dentro da nossa casa e nunca nos importamos com a proximidade que existia entre eles. Pelo contrário. Os Cartwright sempre fizeram parte da família. Adrasteia e o marido trabalhavam comigo desde que retornei à cidade, muito antes de me casar. Ela e Effie se deram tão bem que, em pouco tempo, Adrasteia se tornou o braço direito da minha esposa.

E, de forma igualmente natural, ajudou a criar meu filho com o mesmo carinho e dedicação que dava à própria filha. Talvez por isso a amizade entre as duas crianças tenha surgido sem esforço. Eles aprenderam tudo juntos. Dividiram brinquedos, trocavam os primeiros pedaços de bolo nos aniversários, estudaram na mesma escola, viajaram juntos durante as férias e passavam boa parte do tempo incentivando um ao outro nas pequenas aventuras que consideravam grandes feitos.

Confesso que, em algum momento, cheguei a imaginar que aquela amizade pudesse se transformar em algo mais no futuro, mas não demorei a perceber que eles não se enxergavam dessa forma.

Peeta e Delly eram família. Praticamente irmãos. Passavam boa parte do tempo implicando um com o outro, trocando confidências e formando alianças sempre que queriam escapar de alguma regra imposta pelos adultos.

E, no fim das contas, sabiam que poderiam contar um com o outro para qualquer coisa.

Foi então que, pouco mais de oito anos atrás, o fatídico acidente de carro que matou Arvid Everdeen e deixou Eleutheria com graves sequelas neurológicas parou a cidade.

Era trágico demais, eles eram jovens e tinham duas filhas. Uma delas ainda era um bebê. Logo os boatos começaram a correr. As meninas não tinham outra família além do velho Snow e, ao que tudo indicava, ele não tinha qualquer interesse em assumir a guarda delas.

O que não me surpreendeu, afinal ele havia renegado a própria filha. E ainda mantinha aquelas ideias ultrapassadas sobre linhagem e sobrenomes, fosse lá o que realmente movesse aquele homem.

Então, depois de anos, Anastasia voltou a ocupar meus pensamentos. Aquelas eram as netas dela, então me vi usando alguns contatos para descobrir qual seria o destino das meninas. Soube que estavam provisoriamente na casa de vizinhos da família enquanto o serviço social avaliava a situação.

Katniss tinha apenas doze anos. Prim ainda era um bebê.

E aparentemente um casal de outra cidade tinha grandes chances de ficar com o bebê.

Naquela noite contei tudo a Effie. Ela sabia do meu passado, de toda a história. Não era segredo. Pelo contrário, ela tinha maturidade suficiente para entender que Anastasia fazia parte do meu passado, enquanto ela era meu presente e meu futuro.

“Querido, eu entendo o que está sentindo, mas não é tão simples.”

“Duas meninas podem ser separadas e você me diz que não é simples? Temos condições. Você é uma ótima mãe. Podemos fazer isso.”

“Seria ótimo. Com nosso filho praticamente um adulto, talvez até fosse bom voltar a ter um bebê em casa depois de tantos anos. Mas a lei não funciona assim.” No fundo eu sabia disso, ainda assim...

“Talvez seu pai possa ajudar.”

“Meu pai não está acima da lei, Haymitch. E mesmo que estivesse, não é algo que se resolva da noite para o dia.” Ela segurou minha mão antes de continuar. “Legalmente falando, não existe nenhum vínculo entre nós e essas meninas. Não somos parentes. Não somos padrinhos. Nunca manifestamos interesse em adoção. Não podemos simplesmente aparecer e dizer que queremos ficar com elas.” Eu não gostei da resposta.

“Então é isso? Vão separar duas irmãs e ninguém pode fazer nada?”

“Não foi isso que eu disse.” Ela apertou minha mão. “Mas você precisa entender que querer ajudar e poder ajudar são coisas diferentes.” E era exatamente esse o problema, pela primeira vez em muito tempo, me vi de mãos atadas.

“O que eu posso fazer?” Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

“Por mais que o avô seja uma pessoa horrível, ele é a melhor chance de manter aquelas meninas juntas.”

Talvez, mas eu conhecia Snow. Ou pelo menos achava que conhecia. Toda a raiva que ele carregava da filha parecia girar em torno da mesma coisa. Tradições e dinheiro, foi então que o pensamento surgiu.

“É isso. Nós temos dinheiro.” Effie estreitou os olhos.

“Haymitch, não podemos comprar essas meninas.”

“Não é isso. Toda a raiva dele vem do fato de Eleutheria ter quebrado o ciclo. Ela se casou com um homem sem sobrenome influente, sem fortuna, sem nada do que ele considera importante.”

“E?”

“Se eu mostrar a ele que ainda existe uma vantagem em manter as netas por perto, ele vai pensar duas vezes.” Minha esposa continuou me encarando.

“Que vantagem?”

“Temos um filho.” A expressão dela mudou imediatamente.

“Haymitch...”

“Escuta. Temos um sobrenome respeitado agora. Temos dinheiro. Temos negócios. Para alguém como Snow, isso tem valor.”

“Aonde você quer chegar?”

“Se ele acreditar que a neta pode, um dia, se casar com Peeta, ele vai enxergar exatamente o que sempre quis enxergar.” Effie piscou algumas vezes. “Uma possibilidade de acordo de casamento.”

“Haymitch... não.”

“Ele quer uma família perfeita. Quer tradição. Quer sobrenomes importantes. Estou dizendo que podemos usar isso.”

“Pera aí.” Ela levantou uma das mãos. “Não vamos casar nosso filho de dezesseis anos com ninguém.”

“Não estou dizendo que vamos casar os dois.”

“Haymitch...”

“Estou dizendo que vamos deixar Snow acreditar que temos interesse nesse casamento.”

“Como é que é?”

“Exatamente isso. Deixamos ele entender o que quiser entender.”

“Você enlouqueceu.”

“Peeta vai embora da cidade em algumas semanas. O intercâmbio para o Brasil já está organizado. Depois vem o Exército, depois a faculdade. E mesmo que ele não estude em Atenas, as opções que vem considerando não são aqui perto. Ele vai passar anos fora se preparando para assumir os negócios da família.”

“Não sabemos se ele vai assumir os negócios. Sempre deixamos claro que essa escolha será dele.”

“E isso não mudou. Mas Snow não sabe disso. Eu só preciso dar a entender que vejo essa união com bons olhos e continuar enrolando.”

“E quando Snow descobrir?”

“Quando isso acontecer, as meninas já estarão sob a guarda dele e juntas há anos.”

“Seu plano é mentir para Coriolanus Snow.”

“Meu plano é manter duas irmãs juntas.” Ela me encarou por alguns segundos.

“Continua sendo uma mentira.”

“Talvez. Mas é uma mentira que posso consertar depois.”

“Haymitch...”

“Não é como se eu estivesse prometendo nosso filho em casamento. Quando chegar a hora certa cancelamos o acordo e Peeta decide o que quer fazer da própria vida. Como sempre foi.”

“E você acha que Snow vai aceitar isso?”

“Acho que Snow vai ouvir exatamente o que quer ouvir e já não vai ser mais problema nosso. Pelos meus cálculos a mais velha será uma adulta.”

Então, após muita conversa, decidimos tentar. E não foi surpresa quando Snow fingiu estar profundamente preocupado com o destino das netas e anunciou que iria buscá-las. Segundo ele, eram sua única família. Eu sabia que não era verdade. Mas também sabia que não importava.

O que importava era que Katniss e Prim permaneceriam juntas. Depois que tudo foi resolvido e as meninas já estavam sob sua guarda, sentamos para formalizar o tal acordo. A única coisa que eu não esperava era que, anos depois, meu próprio filho decidisse manter um acordo que, da minha parte, nunca foi real.

O destino só podia estar zombando da minha cara já que pouco mais de um ano e meio atrás, Peeta voltou para Kallisttria para o memorial de Adrasteia.

Eu estava decidido a conversar com Snow sobre o fim daquela história. Afinal, não fazia sentido manter um acordo antigo e eu esperava que, em breve, meu filho começasse a aparecer mais em casa, principalmente depois que o estágio acabasse.

Mas então aconteceu.

“Vocês não vão acreditar.”

“Não mesmo”, Delly respondeu, sentando-se ao lado de Effie no sofá da casa que havíamos alugado para passar aqueles dias.

“O que aconteceu?”, perguntei.

“Lembram da mulher que eu disse que vi?” Concordei com a cabeça. Uma semana antes ele tinha visto uma jovem na universidade quando foi buscar Delly e, desde então, não falava de outra coisa.

“Enfim, você tomou coragem e foi falar com ela?”, perguntei.

“Não.”

“Qual é, filho. Você é um Mellark. Tem que ter um pouco mais de confiança.” Effie revirou os olhos. “Olha para sua mãe. Linda desse jeito. Eu me aproximei dela porque tinha confiança. E veja como deu certo.”

“Você achou que nunca mais me veria.”

"Detalhes. Olha, você tem a confiança de um Mellark e a beleza dos Trinket. O que pode dar errado?" Peeta nos ignorou.

"Não tenho problemas de confiança, pai. Eu ia me aproximar. Mas antes queria descobrir algumas coisas."

"Claro que queria", Delly comentou.

"E foi aí que Delly entrou na história para me ajudar."

"Vocês ainda fazem isso?", Effie perguntou, divertida e os dois concordaram. "Fofo."

"Enfim", interrompi. "O que vocês descobriram?" Peeta abriu um sorriso.

"Que ela é comprometida. Parece que tem um noivo." A animação na voz dele não combinava nem um pouco com as palavras que dizia.

"Que pena, filho", minha esposa comentou com gentileza. "Não era para ser."

"Essa não é a parte interessante." Troquei um olhar com Effie.

"Então qual é?"

"Ela mora em Thalessi."

"Tá..."

"O nome dela é Katniss Everdeen. A neta mais velha de Coriolanus Snow." Senti meu corpo inteiro congelar.

Não.

Não podia ser.

"Ou seja, pelo visto, o noivo dela sou eu."

"Não. Não é." A resposta saiu rápida demais.

"Pai..."

"Esse acordo não é real. Você sabe disso." E sabia mesmo.

Nunca escondi dele o que tinha acontecido. Peeta conhecia toda a história. Sabia por que eu havia procurado Snow. Sabia que o motivo era manter Katniss e Prim juntas. E sabia que eu pretendia encerrar aquela farsa assim que encontrasse uma forma de fazê-lo.

"Eu sei." Pela primeira vez ele pareceu sério. "Sei que você nunca teve a intenção de me obrigar a casar com ninguém. E também sei que não está fazendo isso."

"Então pronto."

"Mas e se for o destino?" Minha cabeça chegou a doer.

"Você não acredita em destino." Minha voz saiu um tom acima do normal.

"Querido...", Effie murmurou, aproximando-se de mim. Peeta apenas deu de ombros.

"Talvez eu devesse começar a acreditar."

"Qual é a chance disso acontecer?", continuei.

"Exatamente, pai. Qual é a chance? De todas as mulheres da Grécia, de todas as mulheres da universidade, justamente ela chamou minha atenção." Balancei a cabeça.

"Ótimo. É uma história engraçada."

"Pai..."

"Não. Escuta. Você volta para Atenas, eu resolvo essa história com Snow e tudo segue seu rumo." Peeta sorriu, aquele sorriso tranquilo que costumava aparecer sempre que tinha certeza de alguma coisa.

Porque, de todas as coisas que poderia ter herdado de mim, ele acabou herdando justamente a ousadia, essa falta de medo de arriscar.

"E se eu não quiser que você resolva?" O silêncio tomou conta da sala, minha esposa me lançou um olhar cauteloso. E eu já não gostava nem um pouco da direção que aquela conversa estava tomando.

"Peeta."

"Estou falando sério."

"Você nem conhece essa garota."

"Talvez não. Mas ela chamou minha atenção como nenhuma outra até agora."

"Você mesmo disse, até agora. Logo aparece outra." Ele se recostou no sofá.

"E se não aparecer?" Fechei os olhos por um instante.

“Peeta...”

“Se não aparecer, eu quero conhecer a Katniss. Eu sabia que você não ficaria feliz, mas não estou dizendo que vou casar com ela amanhã.” Ele me olhou nos olhos com atenção. “Só estou dizendo para deixar as coisas como estão. Não vou largar tudo. Vou voltar para Atenas, concluir o estágio, fazer a prova da Ordem e depois voltar para casa como planejado. Aí a gente vê no que dá.” Respirei fundo. “Se eu conhecer outra pessoa, ótimo. Você cancela tudo e eu sigo minha vida. Mas, se isso não acontecer, quero ao menos ter a chance de conhecê-la. Ver onde isso pode dar.” Olhei para ele por alguns segundos.

Além da aparência, ele havia herdado de Effie a capacidade de correr atrás do que queria e não aceitar um não com facilidade. E era muito bom nisso. Sabia que não desistiria sem lutar. Então apenas concordei, torcendo para que esquecesse.

Torcendo para que outra mulher chamasse sua atenção. Mas obviamente não aconteceu.

Quando voltou para casa, nada o fez desistir da ideia de conhecer a mulher que, segundo ele, ainda ocupava seus pensamentos. Ainda mais depois de descobrir que Snow estava negociando uma nova proposta de casamento para a neta.


E aquele jantar terminou da pior forma possível. Com meu filho entregando a droga de um anel para uma mulher com quem havia conversado pela primeira vez naquela noite.

“É loucura.” Comecei a andar de um lado para o outro do quarto. “Casar com ela é uma loucura.”

“Ele não a esqueceu”, Effie respondeu calmamente enquanto saía do banheiro e passava creme nas mãos. “E você viu o sorriso dele hoje. Está na cara que gosta dela.”

“Ele não a conhece.”

“Nem eu conhecia você direito quando me apaixonei.” Ignorei o comentário.

“Ele vai sofrer.”

“Talvez.” Parei de andar.

“Talvez?”

“Em qualquer relacionamento existe esse risco. E ela pode vir a gostar dele no futuro. Além do mais, ele já é um homem, Haymitch. E esse casamento pode nem acontecer.”

“Você ouviu Snow hoje. Ele está pressionando. Quer resolver isso logo. E agora surgiu aquela história de um acordo com os Alexandridis.” Ela concordou enquanto arrumava os travesseiros. “Peeta não vai deixar Katniss se casar com aquele idiota. Eu conheço meu filho.”

“Eu também.”

“Principalmente agora que descobriu que ela pretende obedecer ao avô. ”Effie suspirou.

“Ninguém merece aquele destino. Os Alexandridis são péssimos. Olham para todo mundo como se fossem superiores.”

“Exatamente.”

“E as meninas parecem ótimas. Prim foi uma graça.” Ela se sentou na cama.

“Eu devia intervir.”

“Amor...”

“Somos os pais dele.”

“Sim.”

“Então ele tem que nos ouvir e nos obedecer.”

“Ouvir e obedecer são coisas diferentes.” Aquilo me fez parar.

“Effie. Se formos contra isso, ele não vai seguir em frente.”

“Você está se escutando?” Franzi a testa.

“Ele valoriza a família. Se formos firmes, ele vai entender.” Ela me olhou seria.

“Você, mais do que qualquer pessoa, sabe que esse não é o caminho.” Desviei o olhar. “E eu não vou magoar meu filho impondo regras sobre a vida amorosa dele.” Suspirei.

“Desculpa. Eu sei. Mas sinto que ele não está pensando direito.”

“Peeta tem vinte e seis anos.” Ela bateu de leve no colchão, indicando que eu me sentasse ao seu lado. “Já morou sozinho, fez intercâmbio fora do país.”

“Você foi ao Brasil três vezes naquele ano para visitá-lo.” Ela ignorou a interrupção e continuou.

“A questão é que confiamos nele para estudar longe de casa, para tomar decisões sobre a faculdade, sobre o futuro dele. E olha só onde ele chegou.” Sentei ao lado dela. “Está construindo uma carreira. Tomou decisões importantes sem a nossa interferência.”

“Faculdade, moradia, trabalho...” concordei. “Ele sempre foi responsável.” Ela segurou minha mão.

“Não somos o tipo de pais que impõe esse tipo de coisa. E não podemos decidir isso por ele.”

“Estamos falando de um casamento.”

“Também estamos falando da vida dele.”

“Isso é para sempre.”

“Já ouviu falar em divórcio?” Olhei para ela, incrédulo.

“Ótimo. Porque é exatamente o que toda família ortodoxa sonha ouvir.”

“Nós não somos tão religiosos assim.”

“Sua família é.”

“Sim. E também é composta por um monte de advogados. Alguns deles ganham a vida justamente com divórcios.” Revirei os olhos.

No fundo, ela estava achando aquilo bonito. Eu conseguia perceber.

“Você está gostando disso.”

“Um pouco.”

“Effie.”

“O quê? Nosso filho viveu anos na mesma cidade sem ver essa mulher. Então a encontra por acaso em outra cidade e não consegue esquecê-la.”

“Isso não é bonito. Isso é preocupante.” Ela riu.

“Eu sabia que era você pouco tempo depois da nossa primeira conversa.” Ela então se inclinou e beijou meus lábios.

“Querida...”

“O quê? É verdade e acredite, a função dos pais é se preocupar. Os meus também se preocuparam.”

“Eles não tinham motivo.” Ela arqueou uma sobrancelha.

“Não? A única filha saindo com um homem mais velho, de outra cidade, enquanto ainda estava na universidade?” Abri a boca para responder, mas não encontrei argumento. “Pois é.” Ela sorriu novamente. “Mas eu só sabia que queria viver tudo com você. E meus pais acabaram aceitando.” Balancei a cabeça.

“Peeta parece com você.”

“Fisicamente. Eu sei. Passei minhas melhores características para ele.”

“Não só fisicamente.” Ela ergueu uma sobrancelha.

“Isso é uma crítica?”

“Não.” Sorri apesar de mim mesmo. “Eu amo você. E amo tudo o que ele herdou de você.”

“Mas?”

“Podia ter herdado um pouco menos de teimosia.” Ela riu.

“Discordo.” Suspirei.

“Eu devia acabar com isso agora.”

“Não devia.”

“Ele não pode fazer isso.”

“Pode.” Fechei os olhos por um instante.

Depois de anos inventando um acordo falso para salvar duas crianças, meu filho tinha decidido se interessar justamente pela única pessoa que não deveria.

O destino realmente estava zombando da minha cara.


Notas finais
É isso! Espero que tenham gostado. E temos um casamento no próximo sábado! Deixem a opinião de vocês. O que estão achando? Beijos e otima semana!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.