Quando Mana abriu os olhos, não sabia onde estava. O mundo rodava. Estava atordoado, sentia dores de cabeça.
- O...onde eu estou...?
- Oh, Mana-chan! Que bom que está acordado!
- Gackt...?
Os olhos do mais novo percorreram o local. Estava numa sala grande, com muitos quadros e livros. Haviam-no colocado em um pequeno sofá de couro verde. Viu uma plaquinha sobre a mesa; apertou os olhos para ler o nome ali inscrito. U. Kamimura. Era a sala do diretor. Levou a mão à testa, buscando uma vaga recordação do que havia acontecido para que ele estivesse ali. Imaginando a confusão do lolita, Gackt se pôs a explicar:
- Você desmaiou assim que encontrou um... um... — fez uma pausa. Ainda sentia-se culpado pelo ocorrido.
- Há quanto tempo estou desmaiado?
- Há cerca de meia hora. Sinto muito, Mana-chan... eu devia ter revisado as gavetas com antecedência, me... me desculpe.
- Não, Gackt. Está tudo bem... acho.
- Oh, você acordou! — a voz de Kami irrompeu junto à porta. — Cheguei a ficar preocupado. Como se sente, Mana-chan?
- Estou bem. Me perdoe pelo transtorno.
Envergonhado, o lolita abaixou a cabeça. Kami divertiu-se com a ingenuidade do rapaz, embora não tivesse deixado transparecer.
- Ora ora, o que é isso! Todos temos algum problema na vida, não é?
Mana tornou a olhar nos olhos do diretor. Ele parecia tão confiante, tão seguro de si, que o lolita sentiu-se contagiado. Sorriu novamente.
- Isso mesmo, é assim que quero vê-lo enquanto estiver trabalhando aqui. Gackt, por favor, leve-o para casa.
- Sim senhor. Venha, Mana-chan — estendeu a mão para o lolita, que levantou-se com certa dificuldade e quase tombou uma segunda vez.
- Mana-chan?
- Pois não, monsieur?
- Se não estiver melhor, não precisa vir trabalhar ainda. Aguardarei até que esteja em condições.
Kami sorriu. Sentindo as bochechas adquirirem a coloração vermelha que tanto odiava, Mana não disse nada. Apenas assentiu com a cabeça e saiu da sala, auxiliado por Gackt.
O diretor aproximou-se da janela, observando o lolita sendo posto no carro e Gackt entrando logo em seguida. Um novo sorriso maléfico estampou-se em seus lábios. Tinha de admitir que o tal Mana era um caso muito intrigante. Um estranho gosto por vestir-se de mulher, e medo de armas de fogo? Que outros segredos aquele rapazinho teria?
"Um único revólver lhe deixa num estado lamentável, não é, pequeno Mana? O que aconteceria com vários deles...?"
Apertou um botão num pequeno interfone na parede.
- Közi? Poderia vir aqui um minuto?

- Tenho certeza de que ele não vai mais me querer lá, Gackt.
- Não diga isso, Mana. Kami-san é um homem de grande coração, não creio que ele vá querer demití-lo por uma coisa como essa, ainda mais algumas horas depois de tê-lo aceito. E a culpa não foi sua. Mas não sei, juro que não sei o que aquele revólver estava fazendo lá, eu jamais...!
- Gackt! — Mana desferiu um soco no ombro do motorista. — Já chega. Acredito em você. Agora não falemos mais disso, oui?
- Você acredita em todo mundo, Mana. — O secretário sorriu. Mana quis protestar, fez bico, mas acabou por sorrir também. Ele tinha razão. — Bom, o que me diz de comer alguma coisa? Eu pago!
- Nous pouvons nous asseoir près de la fenêtre?¹
- Como quiser, mon petit².
Gackt adorava aquela animação súbita nos olhos do menor. Ele era tão doce, tão bonito... e sofria tanto. Por que não tentava se aproximar de um outro alguém? Por que não deixava alguém se aproximar? Alguém como...
- Ei, Gackt!
- Ahn?
- Por que está tão aleatório? Vai acabar batendo o carro e nos matando! — o lolita deu uma risada gostosa.
- Nada, não é nada de mais. Queria me dizer algo?
- Conte-me mais sobre o trabalho.
- Trabalho... Pois bem...
Gackt suspirou por um momento e se pôs a falar das funções do novo ajudante, embora a contragosto. Exibia um sorriso amarelo; tinha de se conformar. Sabia que, durante o trajeto, era só daquilo que eles falariam.


Não muito longe da galeria, Közi adentrava uma conceituada doceria.
- Deseja algo, senhor? — perguntou a pessoa no balcão.
- Meu patrão deseja uma caixa de chocolates — pediu, mecanicamente. — Do melhor que tiverem. Para presente.

Notas finais
Encheção de linguiça só pra mostrar um pouquinho mais do Gackt e começar com as safadezas do Kami. :3 q

N.T.:
1- Podemos nos sentar perto da janela?
2- Meu pequeno
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.