Notas iniciais
A menina Cresceu

Quando eu abri os olhos e acordei eu já estava de frente a Universidade ‘’QTP’’. Miguel estava olhando a vista enquanto todos acordavam e ao mesmo tempo ele manuseava o celular com bastante frequência.

Parecia que alguém muito importante estava falando com ele, por quê ele fazia muitas caretas ao responder as mensagens do WhatsApp. Desci do carro puxando a Lua que ainda estava com cara de sono e fui andando com ela para minha casa. Enquanto isso. Miguel levava o Pedro para sua casa e eu olhava aquele Chevrolet Spin preto partindo na minha direção.

— Até que você usa a cabeça pra alguma coisa Cinderela!

Lua falou segurando minha mão.

— Ao contrario de você Lua eu penso em tudo o que eu vou fazer, eu sei controlar meus impulsos.

Falei passando a mão nos cabelos.

Enquanto Lua e eu subíamos as escadas da minha casa notei que tinha escutado uma voz familiar, mas estranha, então tirei as botas e basicamente mandei Lua tirar as delas e abri a porta. Quando eu abri a porta minha mãe correu pra me abraçar como aquelas cachorras quando perde seu filhote que no caso era eu.

Ela me abraçou tão forte que todas as minhas bochechas ficaram vermelhas de tanto amassos e Ícaro estava do lado do pai na minha casa sentado no sofá.

— Filha, você está bem?

Ela falou pegando no meu corpo todo.

— Mãe! Eu estou bem, mas a senhora está me tratando como uma criança...

Falei segurando as mãos dela.

— Você sempre vai ser minha bebê filha.

Ela falou enquanto Lua ria

— Aí, que saco. Como a senhora viu estou muito bem agora me diz porque Ícaro e seu pai estão fazendo aqui?

Falei amarrando os cabelos.

— Digamos que a gente precisa conversar com você, Ícaro, o pai dele.

Ela falou passando as mãos no cabelo.

— Mas antes da gente conversa manda essa sua amiga selvagem embora.

Ele falou enquanto se levantava de terno preto, cabelo branco, cara de pálido, olhos castanhos e com aproximadamente 43 anos ou mais.

— Meu estilo não define meu caráter velho babão.

Lua falou jogando a bota na janela.

— Gente, calma. Mãe, controla esse senhor porque a Lua vai dormir aqui e se ela não ficar comigo eu não fico.

Falei segurando os braços da Lua.

— Pai, tenha mais respeito pelos outros.

Ícaro falou para seu pai.

— Filha, a gente quer que você namore o Ícaro...

Mamãe falou me olhando sorrindo.

— Por que eu faria isso mesmo?

Perguntei me ajoelhando e encarando a minha mãe.

— Filha, nossa situação financeira não é das melhores, mas se você namora o Ícaro vai ter tudo que sempre sonhou e ajuda sua mamis aqui.

Ela falou meio entristecida.

— Sabia que você fazia tudo que o papai mandava.

Lua falou puxando Ícaro pela gravata.

— Solta ele Lua, violência não vai adiantar.

Falei apartando os dois.

— Eu sei que você gosta de um tal de ‘’Miguel’’ e que se meteu em várias encrencas por ele.

Minha mãe falou de cabeça baixa.

— E aonde o Ícaro e seu amado pai entrar nessa história?

Falei cruzando os braços.

— Anahí, sua mãe fez um acordo que quando você completar 18 anos se casaria com meu filho por questões de ser amigo da família.

O pai do Ícaro falou com uma convicção estranha.

— Sério que a senhora vai obrigar sua filha a se casar com esse pirralho só por causa de status social?

Lua falou segurando minha mão.

— Filha, é pro seu bem.

Minha mãe falou chorando.

— Eu não quero, eu não vou.

Falei chorando.

— Ícaro e seu pai hipócrita saiam daqui agora, ou eu mato os dois em 30 segundos.

Lua falou enquanto eu chorava.

Sai subindo as escadas chorando e me deitei na cama, parecia que tudo na minha vida estava dando errado. Me deitei sobre a cama e minhas lágrimas caiam bastante ao ponto de eu engolir as lágrimas e apaguei.

Quando abri os olhos novamente senti um estranho gosto metálico na boca. As lágrimas martelavam com força no telhado dos meus pensamentos, e a distância do meu coração se ouvia longe, muito longe.

Virei a cabeça e senti alguém me tocar de repente, para em seguida relaxar mais uma vez. Levei segundos pra saber que quem me tocava me fazendo acorda era a Lua. A gente estava no meu quarto deitado eu podia sentir seus cabelos loiros sobre a minha testa. Como a mão dela se curvava em volta do meu rosto e seu polegar traçava círculos nas minhas bochechas. A cada circulado completado, Lua acariciava o meu rosto devagar.

— Cinderela, você sabe que não precisa fazer aquilo né?

Ela falou com seus olhos castanhos vibrando.

— Sabe, o meu problema é que todo mundo acha que só por causa que eu vivia bem ou tinha um ótimo status eu necessariamente tenho que casar com alguém que tenha dinheiro.

Falei chorando.

— Ei, você não é assim.

Lua falou.

— Eu estou cansada de todo mundo achar que sou feita de porcelana, poxa, assim como você e os demais eu quero depender do meu dinheiro. Sei que não vou comprar aquelas bolsas caras, mas, eu quero ser independente...

Falei abraçando a Lua.

— Nossa, como minha Cinderela mudou pra melhor.

Me encostei ao lado do travesseiro e continuei a chorar.

— Lua, você pode me zua quantas vezes quiser, mas hoje não.

Falei estirando os braços.

— Tá bom, hoje não, olha que eu vou cobrar.

Lua falou alisando meus cabelos e rindo.