Mistérios do ensino médio

7 Os mistérios de Dan


Notas iniciais
Olá pessoas lindas que estão lendo minha fic, eu demorei para postar esse capítulo, mas foi por uma boa causa, estou arrumando os capítulos anteriores, tentando colocar mais descrição à história, salvei algumas fotos fake para representar os personagens, da forma como imaginei desde o começo. Em breve vou editar todos os capítulos já postados e acrescentar essa descrição que me falta, não vai interferir na história, são só detalhes a mais mesmo. E agora, se deliciem com um dos meus capítulos favoritos. A propósito, a fic está bem na metade, acho que vai acabar lá pelo capítulo 14 +-. Beijocas e por favor comentem ;)

A noite na casa da Ju, foi realmente muito boa, eu não sabia mas seus pais estavam fora em uma reunião de negócios, os pais dela trabalham muito e são raros os momentos que vejo eles. Não havia muitos adultos ali, apenas uma empregada que mora com eles e seu marido que é o jardineiro da casa, então, com toda aquela liberdade, pegamos uma garrafa de vinho da adega do seu pai e abrimos na garagem.

Para evitar problemas fiz um acordo com o meu irmão.

— Se você contar que eu bebi, te mato Caio! — ameacei.

— Então, deixa eu beber também. — ele chantageou.

Bebemos um pouco, mas não o suficiente para alguém ficar bêbado.

Julia parecia estar na bad, me senti triste por ela e tentei animá-la, mesmo sem muita vontade, já que nos últimos dias eu me sentia sua rival. Com o término da garrafa de vinho, ela ofereceu os banheiros da casa para tomarmos banho, estávamos em cinco pessoas, e eram três banheiros. Vitor, Daniela e Caio tomaram primeiro, enquanto isso Julia me chamou para seu quarto, na intenção de me mostrar alguma coisa.

Subimos para o andar dos quartos e o maior deles era o dela, decorado com papel de parede rosa e desenhos de coroa dourada, o quarto dela era do tamanho de dois cômodos da minha casa, mas não tinha muita diferença do meu em relação a bagunça. Ela me levou até uma escrivaninha no canto do quarto e ao lado de uma janela e me falou:

— Eu preciso te mostrar uma coisa, você vai me achar idiota.

— Tudo bem, pode mostrar. — respondi curiosa.

Abriu uma gaveta da escrivaninha e pegou o que parecia ser uma foto, colocou sob o apoio do móvel e eu pude identificar quem era o rosto da foto. Era Dan, distraído e olhando para o lado, dava para ver que a foto tinha sido tirada sem avisar.

Ela realmente estava apaixonada e chegar a essa conclusão era doloroso.

— Ju, você gosta mesmo dele? — perguntei, mas já sabia da resposta.

— Eu gosto e metade da sala também. — ela respondeu desanimada.

— E o professor Charles? — questionei.

— Eu não sei, gosto também, mas não me imagino apresentando ele como meu namorado. — ela falou e aproximou a foto beijando-a.

— E se imagina apresentando o Dan como seu namorado? — eu queria chorar, mas engoli a seco esperando sua resposta.

— Sim, acho que o que mais me agrada é pensar em apresentar ele para TODO MUNDO como meu namorado. — deu ênfase ao "todo mundo".

Por um momento parecia que ela não falava de uma pessoa, e sim um objeto que queria esbanjar que tinha. Comecei a sentir um pouco de raiva disso, então tomei coragem para dizer a ela que eu também estava no grupo de admiradoras do Dan.

— Quer saber, eu também gosto dele. — confessei e fiquei esperando sua reação.

Não demonstrando nenhuma surpresa, Julia arrumou seus cabelos compridos e negros formando um coque e mostrando mais seu belo rosto fino e delicado, tinha olhos de um verde intenso e uma boca carnuda, imaginei se Dan enxergava ela como uma garota bonita. Por fim, disse:

— Eu já sabia, por isso te chamei aqui. — Ju começou a falar — Sei que desde o começo do ano você quer ter seu primeiro beijo, e acho que talvez também queira ter uma experiência como a que eu tive com o professor Charles.

Corei e tentei desviar o olhar, como ela sabia que eu desejava isso? Nunca tinha comentado com ninguém sobre minhas intenções. Tentei encarar minha amiga e apenas confirmei com um balançar de cabeça, não dava para enganá-la, nem dava para eu continuar me enganando. Eu sentia vergonha por querer isso, mas senti mais vergonha ainda quando ela pediu:

— Mas, eu não quero que Dan seja essa pessoa para você, nem primeiro beijo, nem primeira vez. — Ju me olhou nos olhos, como se pedisse por sua vida — Por favor, você vai ter que me prometer.

Pensei o quanto isso soava egoísta, ela não quer que eu corra atrás dele, não quer minha concorrência, mas por quê? Eu nunca tinha gostado de ninguém, e como minha melhor amiga, devia saber disso. Não consegui dizer nada e ficamos em silêncio por um tempo, ela me encarando com uma expressão de que esperava uma resposta. Até que o silêncio foi cortado pela voz grave e irritante do meu irmão:

— Cadê todo mundo? — ele gritou do banheiro social.

Eu e Julia fomos ao seu encontro, descendo as escadas devagar, por um momento pensei que se eu não dissesse nada, poderia ser jogada degraus abaixo. Talvez tenha sido só impressão, mas foi um pouco assustador.

Meu irmão estava na sala de estar, com uma toalha enrolada na cintura e seu peito magrelo a mostra, Julia veio ao seu encontro primeiro e foi recebida por perguntas:

— O que eu vou vestir? Você tem roupas masculinas? Eu não vou vestir roupa de mulher. Minhas roupas sumiram, posso ficar peladão?- perguntava e eu me arrependia de ter aceitado passar a noite ali.

Julia riu, passou por ele esbarrando no seu ombro, sumiu da sala por um instante e alguns segundos depois voltou segurando um monte de roupas.

— Aqui estão suas roupas. Estão lavadas e secas. — disse entregando as roupas para ele.

— Poxa, que rápido! — exclamou surpreso, será que ele nunca havia ouvido falar de lavadora e secadora? Pensei por um instante.

Caio voltou ao banheiro e se vestiu, logo Daniela e Vitor também apareceram dos outros banheiros da casa e, Julia e eu fomos tomar banho nos banheiros recém vagos.

Tomei um banho rápido, por mais luxuoso que fosse o banheiro, estava com receio da água ficar fria ou vermelha durante o banho. Por que eu sentia que estava fazendo algo errado? Me questiona internamente. Terminado o banho, coloquei as roupas limpas que tinha recebido de Julia, era um pijama de unicórnio dela, ficou justo e um tanto comprido em mim, mas dobrei as mangas e a barra da calça e ficou quase perfeito.

Voltei para a sala onde estavam Caio sentado relaxado no sofá e Daniela escorada nas costas de Vitor que estava deitado de lado no tapete de urso no chão. Quando cheguei, estavam falando de Dan:

— Sou só eu ou vocês também acham estranho ele ser tão rico e estudar na nossa escola? — Vitor perguntou para os dois presentes.

Sentei do lado de Caio e continuei ouvindo a conversa.

— Não tem nada a ver, olha só a Ju, também é rica e estuda com a gente -Daniela respondeu de forma despreocupada.

— Mas a Ju não tem motorista particular, é diferente. Ele parece ser bem mimado, não pode passar a noite aqui, aposto que tem pais super protetores, coisa de gente podre de rica. — Insistiu Vitor.

— Eu ouvi meu nome? — Julia entrou na sala e sentou do meu lado. Encarou Vitor com seus olhos verdes expressivos, o garoto então tentou convencê-la:

— Ju, você também acha estranho Dan não poder dormir aqui? Ele tem motorista particular, sabia disso? — perguntou e ela ficou pensativa olhando para o nada.

— Nossa, deixa disso Vitor, se o menino é rico, deixa ele, melhor assim, meus pais querem mesmo que eu me case com um cara rico — Daniela respondeu rindo, mas ninguém correspondeu a sua brincadeira.

Julia se mostrou incomodada com o comentário da loira, lançou um olhar de desprezo e depois ignorou-a criando um ar sem graça.

— Eu não sei o que vocês tanto gostam nesse japa. — Caio comentou e dessa vez foi ele que foi fuzilado pelo olhar da dona da casa. — É sério, eu acho que ele é gay!

As meninas arregalaram os olhos para o meu irmão, como se ele tivesse gritado algo. Eu não dei atenção, estava pensando na questão que Vitor levantou, dele ser rico e estudar na nossa escola.

— Ele não é gay — Julia respondeu com convicção.

— Você está certo Caio, ele parece mesmo, todas as meninas dão bola para ele e ele não está nem aí — Vitor concordou e dessa vez foi ele que foi banalizado.

— Mas ele não é gay mesmo, haha — Daniela disse e riu escandalosamente.

— Não, ele não é! — Julia insistiu e acrescentou se virando para Caio — E as garotas olham para ele porque ele é lindo, tem um corpo maravilhoso, além de ser muito gentil, é claro. Quando você crescer, vai ser trocado por caras assim!

Caio pareceu não se abalar com o comentário dela, apenas franziu as sobrancelhas e sacudiu a cabeça. Vitor então fez uma observação, que tivemos que concordar:

— Como sabe que ele tem um corpo maravilhoso? Até hoje ele nunca foi para a aula sem blusão e o mais estranho é que ele sempre está com uma blusa diferente do uniforme e ninguém reclama.

Isso era verdade, Dan nunca foi só com a camiseta do uniforme, sempre estava com uma blusa de frio por cima da roupa, mesmo em dias que não fossem frios.

— É o estilo dele gente, parem de encanar — Daniela defendeu cutucando Vitor.

— Tudo bem, mas a questão principal é: Por que ele está estudando em uma escola pública, sendo tão rico como é? — Vitor perguntou olhando para Julia.

— Não sei, talvez pelo mesmo motivo que eu, é mais fácil de passar. — respondeu com desdém.

Dessa vez foi minha vez de entrar na conversa:

— Pode ser, mas ele é bem inteligente também, tiramos 10 no trabalho em dupla de química. — disse e senti um olhar frio de Julia.

— É verdade, vocês fizeram trabalho juntos! — exclamou Vitor — Você lembra o sobrenome dele? É de alguma família famosa?

Tentei me lembrar, naquele dia que fizemos trabalho, Dan preencheu o cabeçalho da folha com seu nome e depois o meu, mas não conseguia lembrar se havia colocado seu sobrenome também.

— Acho que ele não colocou o sobrenome — respondi.

— Que desconfiança, do jeito que estão falando parece até que ele é um assassino. — comentou Daniela

— Ele até pode ser, e vocês aí apaixonadas por um cara que nem conhecem! -

Vitor comentou e Caio riu concordando.

As garotas e eu nos entreolhamos e ficamos em silêncio por alguns segundos refletindo, como se isso pudesse fazer sentido.

— É, vocês nunca assistiram o filme "A órfã"? — Caio perguntou. — É uma mulher que finge ser criança para matar as pessoas que adotam ela. — ele continuou e nós não entendemos nada.

— O que está querendo dizer? — Julia perguntou confusa.

— Esse japa aí, ele pode estar fingindo que é pobre para matar vocês, pode ser até de uma yakuza. — ele respondeu com ar preocupado.

— Uma o quê? — perguntei.

— Yakuza, é gangue japonesa internacional. Talvez ele até minta a idade, deve ser velho igual a órfã e olha que japoneses conseguem enganar. — Caio respondeu e nos entreolhamos de novo.

— Hahaha, pare de falar besteira garoto — Daniela disse a Caio cutucando sua perna.

Para amenizar o clima pesado e estranho contra Dan, Julia perguntou se a gente queria ver um filme, faltava dez para meia noite e ninguém tinha muito sono, aceitamos e ela conectou a rede de filmes da tv a cabo, assistimos "AI — Inteligencia Artificial", não lembro de como termina, acho que peguei no sono antes do final.

Notas finais
Espero que tenham gostado, da próxima vez que eu postar já vou ter arrumado os capítulos anteriores e provável que tenha mais imagens também. Beijinhos ;*