Mistakes

3 Capítulo 02 — Let Me Be Myself


Notas iniciais
Hello o/ Chego aqui com outra musiquinha pra nós ^_^ Let Me Be Myself, 3 Doors Down: http://letras.mus.br/3-doors-down/1226102/traducao.html Estou escrevendo rápido õó E os capítulos estão ficando cada vez maiores, foi mal >< E eu tenho a leve suspeita que minha inspiração e minha vontade de escrever são diretamente proporcionais ao aumento da quantidade de trabalhos que meus professores me passam ¬¬ Enfim, não liguem pra mim ^^/ Enjoy!

Mistakes

Autora: Iamela Freitas

— Capítulo 02: Let Me Be Myself —

— Anos Atrás —

— Eu vou fazer uma festa sábado à noite. — Silena anunciou praticamente largando sua bandeja com o almoço em cima da mesa.

Annabeth, Piper, Zoë e Clarisse eram as outras garotas sentadas a mesa. Elas se entreolharam, se perguntando se a amiga que havia acabado de chegar tinha enlouquecido.

— Qual o motivo pra uma festa? — Annabeth perguntou, cautelosa.

— Eu não vou. — Zoë disse definitivamente. Todos sabiam que ela era conservadora demais pra ir a qualquer evento que não fosse absolutamente necessário.

— Você não acha que devia falar dessas coisas comigo antes? — Piper perguntou meio indignada. — Eu moro lá, lembra?

— Qual é, todo mundo fica assim no começo, mas todo mundo sabe que as festas da Silena são do caralho. — Clarisse disse voltando a comer seu hambúrguer. — Vou avisar o Chris e a gente dá uma passada lá, Silena.

— Obrigada pelo apoio, Clarisse. — Silena sorriu e se sentou. — Ora, Pips, temos vizinhos novos! Temos recebe-los apropriadamente! E uma festa é uma ótima forma de enturmá-los de vez.

— Acho que eles estão bem, Sil. — Annabeth disse olhando por cima do ombro, e mirou a mesa com os novatos.

Percy estava entre eles. Annabeth e ele tinham trocados poucas palavras nas duas aulas eu tinham em comum: Inglês e Biologia. Em uma ou outra oportunidade ele acabara a apresentando aos outros. Jason, o garoto loiro que ajudara Piper, Nico, aquele que fora pegar a lanterna emprestada — e devolvera, para o espanto de Silena, que achava que nunca mais ia ver a tal lanterna — Beckendorf, o garoto alto que se mudara por último, e Leo, o cara espanhol que era o novo favorito a levar o primeiro prêmio da feira de ciências. Alias, ele exibia um pequeno helicóptero feito com materiais achados ali mesmo no refeitório. Ainda entre os garotos tinha Bianca di Angelo, irmã mais velha de Nico, que preferiu se mudar para um pensionato só pra garotas.

— Por favor, Annabeth, por favorzinho! — Silena fez sua melhor expressão de filhotinho abandonado em manhã de natal. — Você é a sortuda que foi apresentada a todos eles, você tem que ajudar.

Annabeth verificou suas chances de resistir ao pedido de Silena. O máximo que conseguiria era dias de silêncio magoado da amiga, pura chantagem emocional, até que ela concordasse em ajudar. Com um suspiro, resolveu simplificar o drama.

— Eu vou falar com o Percy e chamar todos eles pra festa. — Falou por fim, derrotada, mas sorriu.

— Obrigadinha, Annie! — Silena bateu palmas, animada. E depois se virou pra Piper. — E para de fazer essa cara emburrada. Pelo menos vai ter a chance de se apresentar de verdade para o Jason.

Piper apenas fez uma careta e voltou a se concentrar no seu lanche enquanto as outras garotas riram daquele diálogo. Então começaram a conversar da organização da festa. Apesar de não ir, Zoë concordou em dar uma mãozinha pra arrumar tudo e ir no dia seguinte ajudar na limpeza, desde que pagassem uma fatia de bolo de chocolate pra ela.

No fim do almoço, Annabeth se dirigiu para sala onde havia aulas de Inglês, aula que Percy estaria. Resolveu falar logo com ele. O encontrou já na porta, conversando com Jason. Cumprimentou os dois.

— Oi, Annabeth. — Percy disse com um sorriso.

— Então, garotos, Silena está organizando uma festa, sabem, ela mora na casa ao lado da de Jason, e me pediu que eu convidasse vocês por ela. — Ela disse de forma impessoal, mas educada.

— Silena? É a garota das tranças? — Jason perguntou, cruzando os braços.

— Não, essa é a Piper. Silena é a irmã mais velha dela. — Annabeth não podia esquecer de dizer a Piper que Jason meio que perguntara por ela.

— E depois eu sou o lerdo, heim, Grace? — Percy zombou, mal percebendo que sua colega de turma tinha congelado no lugar.

— Jackson, você esqueceria sua cabeça se ela não tivesse colada no corpo, imbecil. — Jason riu.

— Grace? — Annabeth interrompeu os dois, as mãos remexendo na barra da blusa do seu uniforme. — É seu sobrenome, Jason?

— Ah é, nunca te disse meu nome completo, não é? — Ele respondeu com um sorriso tranquilo. — Jason Grace, ao seu dispor. — Concluiu com um gracejo.

Annabeth riu nervosamente.

— Ah, é que uma amiga minha também tem esse sobrenome, mas ela não mora mais aqui. — A garota voltava a se acalmar, depois do susto.

— Ah sim, Thalia. Já vieram me perguntar dela, a peste é famosa por aqui, heim? — Jason disse como quem estava acostumado a ver pessoas falando de sua irmã. — Será você a Annie que ela tanto falava?

Annabeth congelou novamente, mas se obrigou a agir normalmente.

— Mundo pequeno, heim? — Riu. — Ela disse quando volta? Meio que perdemos contato.

— Não tem data certa ainda. — Foi a resposta. — Ela está se dando bem por lá. — Deu de ombros. — Mas se bem a conheço, logo ela aparece aprontando por aqui de novo.

O sinal tocou, impedindo que a conversa se prolongasse. Jason acenou e foi para a sala dele, e Percy e Annabeth entraram. Percy notou que a sua colega estava estranha, mas não tinha muita intimidade com ela para perguntar alguma coisa. Mas então se obrigou a observá-la atentamente. Ele não assistia a essa aula, de qualquer maneira.

Ele a viu colocar o livro e o caderno em cima da mesa, mas ela não os abriu. Nem fez menção de pegar um lápis ou uma caneta. Percy sabia que Annabeth era uma daquelas alunas que se dedicavam pra valer, então estranhou aquele comportamento. Observou-a desamarrar o cabelo e esconder as laterais do rosto com ele. Percy sentava na fila ao lado dela, mas enquanto Annabeth sentava na primeira fileira, ele sentava na segunda. Mas ele percebeu que ela massageava o pescoço. Estava tensa com alguma coisa.

Percy só não imaginava com o quê. E resolveu deixar pra lá. Mas não conseguiu mais parar de observar a Chase. Olhou para o quadro e viu o professor escrever uma lista enorme de livros que os alunos teriam que ler e então escondeu o rosto na mochila, em uma forte negativa da realidade.

–x-

Os dias passaram e finalmente o sábado chegou, para a alegria de Silena, que não parava um segundo de organizar tudo para a festa. Zoë estava lá para ajudar, assim como Annabeth, Clarisse e Piper. Esta última tinha parado de reclamar e ria com as outras e fazia planos para a festa.

— Acho que vamos ter que trancar os quartos e esconder as chaves, ou a Pips vai arrastar o inocente Jason pra dentro de um e molestar o pobre rapaz! — Silena disse entre risos, espalhando grandes almofadas pelo chão.

— Ei! — Piper deu um empurrão na irmã, enquanto ria e arrumava os copos de plástico vermelho em cima da mesa perto de onde as almofadas ficariam. — A pervertida aqui é a Clarisse, não eu!

— Não se preocupem, Chris e eu temos grana pra ir pro motel hoje! — Clarisse falou com um sorriso malicioso enquanto empurrava o sofá para as paredes e as outras riram.

Até Zoë ria um pouco, apesar de ser contra. Era difícil não acompanhar os risos.

— Use camisinha, pelo menos. — Alertou.

— Não se preocupe, Zoë, esses dois são conhecidos já em todas as farmácias e lojas de conveniências, é só eles chegarem e nem precisam pedir. — Annabeth gargalhou enquanto enchia balões para ficarem espalhados pela casa, alguns ela enchia com gás hélio.

— Silena, quem vai tomar conta do som? — Clarisse perguntou pegando um tapete enrolado que estava encostado na parede e começou a desenrolá-lo no chão, onde iriam colocar uma mesa de sinuca. Se o piso de madeira fosse ralado de alguma maneira, a mãe das duas moradoras daquela casa teria um chilique.

— Eu chamei o Ethan Nakamura. — Foi a resposta.

— E ele vai vir? — Annabeth fez uma careta preocupada. — Ele é do grupo de estudos do Luke, ficar trabalhando enquanto devia tá estudando pro vestibular...

— Ele aceitou, vai ver tá precisando da grana. — Silena deu de ombros, se dirigindo a cozinha. — E uma noite não vai reprova-lo, Luke vem, não é? — Ela gritou do outro cômodo.

Annabeth deu de ombros e resolveu relaxar. Seria uma noite divertida dela, amigos e seu namorado. Quase não pudera ficar com Luke durante a semana por que ele vinha estudando exaustivamente, mas esta noite eles ficariam juntos. Se ela convencesse Silena a dar uma força e liberar um dos quartos, talvez eles até pudessem ter sua primeira noite. Ela se sentia estúpida de apressar isso só por causa do risco da ex-namorada de Luke, Thalia, voltar.

Seu fluxo de pensamentos foi interrompido pelo som da campainha, e ela foi atender a porta. Era Ethan trazendo o equipamento. Ele sorriu e lhe deu um beijo no rosto. Annabeth simpatizava com ele. Era o melhor amigo de Luke. O ajudou a levar o equipamento para dentro e indicou onde iria ficar e ao invés de voltar a sua função, ficou conversando com ele.

— Então, como estão os preparativos para a grande e temida prova? — Annabeth puxou assunto, encostada na parede, de braços cruzados.

— Um horror. — Ele fez uma careta. — Não sei como você aguenta o Luke, é sério, eu vou acabar matando o cara. — Ethan riu, conectando os cabos e montando tudo. — Foi quase impossível fazer ele tirar uma folga.

— Sei bem como é. — Foi a resposta da garota, que sorria. — Estou tendo problemas pra fazer ele assistir um filme. Já disse até que podemos ver um documentário ou algo do tipo que o ajude a estudar, mas... — Se lembrou do quão problemático foi fazer Luke vir a festa, mas no fim ela conseguira.

— É, ele tá um saco. — Ethan disse solenemente. — Tinha que ver como ele ficou quando eu disse que devíamos tirar essa semana de folga. Mas o grupo votou e ele foi voto vencido. Essa semana de campeonato de vídeo-game foi épica. Venci o Luke um monte de vezes.

— Ele não me disse isso. — Annabeth soltou de repente, seu sorriso desaparecendo. Luke não tirara um dia para ficar um pouco que seja com ela, e ele não estava sequer estudando.

— Sabe como ele é orgulhoso, jamais admitiria que perdeu. — Ethan continuava, sem perceber que a amiga falava de outro assunto.

— Ethan, vai ficar bem ai sozinho? Preciso ir ajudar a Piper. — Ela disse de forma automática.

— Tranquilo. — Ele sorriu pra ela, e Annabeth se obrigou a sorrir de volta antes de procurar a amiga.

Encontrou Piper na cozinha, falando no telefone confirmando o horário que tinham marcado para a comida ser entregue. A garota Cherokee só foi notar a presença da amiga quando desligou o telefone.

— O que aconteceu, Annie? — Piper franziu as sobrancelhas, preocupada com a expressão neutra demais da amiga a sua frente.

— Nada, Piper. Não aconteceu nada. — Annabeth sorriu de forma triste, entendendo algo de suas palavras que alguém de fora não entenderia. Por que nada era o que sempre acontecia entre ela e Luke. Deu de ombros. — Então, tem mais serviço pra mim?

–x-

A casa estava lotada. Praticamente todo mundo que foi convidado estava ali. E tinha vários penetras também. Mas ninguém se importava com eles. Annabeth viu Silena conversando com Beckendorf em um canto, e notou qual o verdadeiro motivo da festa. Teria rido e revirado os olhos, mas seu humor estava terrível.

Usava um vestido roxo com o decote quadrado e mangas compridas. A barra do vestido chegava até a metade de suas coxas. Como o clima estava um pouco frio, ela também usava uma legging preta e botas de cano curto da mesma cor. Ela olhou para seu acompanhante, que estava ao seu lado, rindo e conversando com um conhecido. Tão perto e tão longe dela. Vez ou outra Luke olhava para ela e então Annabeth sorria de forma automática, como tinha se acostumado a fazer quando estava preocupada.

Deixou que seus olhos vagassem de novo pela sala, e viu Piper dançando com Jason, Leo olhando abobalhado para uma garota do último ano e Percy fugindo de algumas garotas de torcida. Nico estava com a irmã em uma roda de pessoas que conversavam, mas ele se mantia quieto. E Clarisse se agarrava com Chris em um canto um pouco mais escuro.

— Annie? Annie? — Luke estava chamando e ela nem tinha percebido. Depois de responder com um murmúrio, ele continuou. — Tem algo errado? Você está estranha hoje.

— Não é nada, Luke. — Foi a resposta acompanhada de um sorriso.

Ele franziu as sobrancelhas e cruzou os braços.

— Nem vem, Annabeth, eu te conheço, não é de hoje que eu te conheço, somos amigos de in... — Ele foi interrompido pelo olhar furioso da namorada.

— Para de ficar falando isso, eu não sou só mais sua amiga, Luke, eu sou sua namorada! — Ela praticamente gritou, ignorando as pessoas que estavam por perto, escutando a discussão. — Mas você não me vê assim, não é? Mesmo eu tendo me esforçado tanto por essa relação, você só ficou comigo por pena e pra ter alguém pra te consolar por que a Thalia foi embora.

— Não começa, Annabeth. — Luke virou de lado, irritado. — A Thalia não tem nada haver...

— Ela tem tudo haver, Luke! — Annabeth continuou, incapaz de continuar mantendo tudo aquilo pra si mesma. — Você me disse que ia passar a semana estudando, por isso não teríamos tempo pra sair. Mas Ethan me contou que vocês passaram a semana jogando videogame! Eu não me importo de você passar um tempo com seus amigos, mas e eu? Se fosse a Thalia, ela teria que te expulsar da casa dela todo dia, por que você não iria querer fazer mais nada além de ficar com ela. — A cada palavra, Annabeth ia se sentindo melhor, pelo menos estava falando tudo que vinha entalado na garganta.

— Annie... — Luke começou a tentar argumentar.

— Sabe, eu estava em pânico por que fiquei sabendo que ela talvez volte em breve, e você não está me dando nenhuma segurança e... — Então ela percebeu que ele não tinha ficado surpreso com a notícia. — Você sabia. E nem pensou em me dizer.

— Jason entrou para o time de futebol americano. — Luke disse meio a contragosto, desconfortável. — Quando o treinador fez as apresentações eu notei os sobrenomes.

— Olha pra mim e diz que não está mais apaixonado por ela, Luke. — Annabeth pediu, dessa vez com a voz calma. Viu seu namorado se virar pra ela, com certeza pasmo pela pergunta. — Você me deve isso, depois desses meses que eu vim dedicando a você.

Luke olhou por um instante para Annabeth, instante esse que pareceu infinito, embora talvez só tivesse durado poucos segundos. Em seguida ele olhou para o chão, envergonhado de si próprio.

— Era tudo que eu precisava saber. — Annabeth sorriu e saiu quase correndo. Esbarrou em algumas pessoas e saiu pela porta.

A essa altura, Piper e Jason já vinham se aproximando. A garota não hesitou e se dirigiu para Luke.

— Você é um estúpido. — Disse de forma crua, seus olhos estreitos de raiva.

— Será que eu devo ir falar com ela? — O Castellan perguntou em dúvida, olhando para a porta.

— Não sou muito bom com linguagem corporal, mas pelo jeito que ela saiu, acho que ela não quer ver sua cara nem pintada de ouro. — Jason opinou, as mãos nos bolsos.

Piper suspirou, preocupada.

— Eu vou falar com ela. — Disse.

— Não, pode deixar que eu vou. — Os três se viraram e se depararam com Percy Jackson, se aproximando calmamente. — Meu padrasto me emprestou o carro, eu vou atrás dela e a levo pra casa.

— Não precisa, mas obrigada, Percy. — Piper sorriu.

— Não vai dar pra conversar com ela aqui. — Ele gesticulou para a festa. — E duas garotas sozinhas na rua a essa hora é perigoso. Amanhã vocês conversam.

— E quem é você? — Luke perguntou mal-humorado.

Percy não respondeu Luke. Apenas saiu da casa deixando o outro bem irritado.

–x-

Annabeth tinha ido até uma praça ali perto e se sentou na arquibancada que ficava de frente para um pequeno palco, onde frequentemente artistas de rua ou grupos de teatro se apresentavam. Se abraçou, se arrependendo de não ter trazido um casaco. Estranhamente ela não estava chorando compulsivamente, como achou que ia chorar caso suas suspeitas se confirmassem. Apenas uma ou outra lágrima solitária caia.

Ouviu passos e se virou, assustada, enxugando suas lágrimas rapidamente. Então viu que era Percy, caminhando tranquilamente até ela. Ele ficou em pé uns dois degraus a sua frente e depositou uma lata de Coca-Cola ao seu lado. Então desceu mais uns dois e se sentou, abrindo a outra lata que trazia.

— Se não quiser conversar, finja que eu não estou aqui e leve o tempo que precisar. Quando quiser, eu te levo pra casa. — E então ele se calou.

O primeiro impulso de Annabeth foi de mandar ele embora. Mas então se lembrou de algo que tinha lido em algum lugar a algum tempo. Quando queremos ficar sozinhos, é quando mais precisamos de companhia. E agora ela entendia aquela frase. Ela estava livre para ficar quieta, chorar e coisas do tipo. Mas não estava sozinha. Olhar para as costas de Percy, de alguma forma a acalmou.

— Desculpe. Você está perdendo a festa por minha culpa. — Disse envergonhada, em voz baixa. Sabia que ele ouviria. — Deve estar me achando uma idiota.

— Eu não sou muito de festas. — Ele respondeu. — E eu não te acho idiota. Você só está chateada.

— Luke e eu estamos juntos a quatro meses. — Annabeth começou a falar. Não lhe veio a cabeça coisas como “não é da conta dele” ou “ele não se importa”. Ele era um ouvinte, e ela precisava falar. — Mas antes ele namorava uma amiga nossa, Thalia.

— Irmã do Jason. — Ele murmurou distraidamente, mostrando que estava escutando.

— É. Como Jason deve ter dito, ela está fazendo intercâmbio na Inglaterra. Terminou tudo com o Luke antes de ir. Eu sempre gostei dele. Achei que era minha chance. — Annabeth pegou a lata de Coca-Cola, a abriu e bebeu um pouco. — Eu devia ter dado mais tempo a ele. Mas eu me esforcei tanto pra ficar do jeito que eu achei que ele ia gostar.

— Sabe, Annabeth, eu sei que você é uma garota inteligente. — Percy disse se levantando. Amassou a lata vazia que tinha na mão e a jogou em uma lixeira, como quem joga uma bola de basquete em uma cesta. — Então, não sei como você foi fazer uma besteira dessas.

— Você não entende. — Annabeth balbuciou.

— Não entendo mesmo. — Ele disse sem rodeios. — Vamos fingir que seu plano deu certo e ele gostasse dessa personagem que você criou pra ele gostar. Ia ficar a vida toda fingindo?

Annabeth fez uma careta. Piper tinha lhe dito a mesma coisa milhares de vezes.

— Garotas são muito estranhas. — Ele subia até onde a garota estava, de forma arrastada. — Eu não consigo entender as doideras que vocês fazem.

— Acho que até mesmo a pessoa mais inteligente do mundo fica meio burra quando se trata de sentimentos. — Ela retrucou com um sorriso. — Até Einstein se enrolou todo.

— Não sei de Einstein, mas acho que entendo o que quis dizer. Minha mãe é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fez besteira também. — Percy fez uma careta, meio sem jeito.

— Percy, você, como observador externo, o que acha que eu devo fazer? — Annabeth perguntou séria.

Ele parou no degrau logo abaixo de Annabeth, e ela se levantou, ficando apenas um pouco acima dele. Mas os olhos cinzentos e os olhos verdes se mantinham fixos um no outro.

— Sabe, pedir conselhos pra uma porta é melhor do que pedir conselhos pra mim, nesses casos. — Ele disse com um sorriso, e fez Annabeth rir. — Mas... tem a citação de um livro, que é a citação favorita da minha mãe. Ela tem um quadro com ela escrita lá em casa. A citação é: “Por que você não me diz que ‘se a garota vale a pena, ela teria te esperado’? Não, senhor, a garota que realmente vale a pena não espera por ninguém.”.

Annabeth continuou olhando pra ele, em silêncio, mas Percy desviou os olhos, claramente desconfortável. Era evidente que ele não gostava dessas situações, mas ainda assim, ele estava ali, tentando ajuda-la, mesmo sem saber bem o que fazer.

— Acho que eu vou voltar pra festa. — Ela disse, finalmente. — Acho que tá na hora de parar de esperar pelo Luke.

Percy sorriu, mas não parecia surpreso com a decisão dela.

— Te acompanho até lá então. — falou calmo.

Os dois desceram a arquibancada e andaram em silêncio por um bom tempo. Até que a garota resolveu quebrar o silêncio.

— Obrigada, sério. — Annabeth disse, engolindo um pouco de seu orgulho. — Nem nos conhecemos direito, mas você tá sendo um amigo e tanto.

— Sério? — Ele a interrompeu fazendo uma careta. — Minha mãe me disse que eu não tenho... como é mesmo o nome? Ah, é! Ela diz que eu não tenho tato com as pessoas. — Percy deu de ombros, então olhou meio encabulado para Annabeth. — Mas fico feliz em saber que pelo menos dessa vez não fiz besteira e ajudei de alguma forma. Precisando... vou tentar não estragar tudo. — Ele olhou para frente, não querendo ver a expressão dela.

E por isso não viu Annabeth sorrindo.

— Eu quero ser sua amiga também, idiota. — Foi a resposta dela.

— Ótimo. Quero conhecer a verdadeira Annabeth, e não a Annabeth-namorada-do-Luke. — Percy disse parecendo menos envergonhado.

E a garota percebeu exatamente o que ele queria dizer. Ela também estava ansiosa por isso.

–x-

Annabeth entrou na festa ignorando os olhares das amigas que não esperavam mais vê-la naquela noite. Se despediu de Percy com um sorriso, e ele retribuiu. Depois daquela bronca confusa que ele deu, ela sentiu a estranha necessidade de provar alguma coisa a si mesma. Foi até onde Luke estava, mas não deu tempo dele falar nada, nem ao menos se levantar.

— Luke, eu estou cansada de esperar por você. Acho que passei tempo demais colocando culpa em coisas e pessoas que não tem a menor responsabilidade pelo nosso relacionamento ser assim. Eu sempre fui muito passiva e nunca disse o que precisava. E você, nunca pensou em como eu me sentia e mesmo assim ficou comigo, ainda que apaixonado por outra. — Ela disse muito séria, com os braços cruzados.

— Eu queria fazer você feliz. — Ele disse forçando um sorriso.

— É, Luke, eu estou namorado um cara que pensa em outra, eu sou a imagem da felicidade e realização. — Ela revirou os olhos e puxou o cabelo loiro para o lado esquerdo e ficou brincando com as mechas. — Mas não importa, eu também errei, eu sabia que você não me ama e mesmo assim cismei. Mas eu estou cansada de ficar me esforçando e você não dá um retorno.

Luke se levantou e pegou as mãos de Annabeth.

— Desculpe, Annie, sério. Mas acredite, esse tempo que estamos juntos não foi nada. Se eu achasse que você é como irmã, como eu achava antes, eu não estaria mais continuando com isso. — Ele falava com um sorriso e Annabeth sentiu suas esperanças serem renovadas. — Por que não nos damos outra chance? Só mais uma?

A Chase sorriu, se sentindo mais feliz do que quando se sentira quando Luke lhe pedira em namoro.

— Uma chance não vai matar ninguém. Vamos começar tudo do zero. — Ela disse confiante.

Luke sorriu e a beijou. E Annabeth sentiu que esse beijo foi o mais real que eles deram desde que se beijaram pela primeira vez.

— Dias de hoje —

Annabeth estava realmente quebrando a cabeça para pensar na melhor maneira de falar com Audrey. Uma semana do “prazo” já tinha se passado e ela ainda não havia dito nada. Quando as duas estavam em casa, na maior parte do tempo ou Annabeth ficava observando a filha pensando nas possíveis reações dela, ou ficava em seu escritório lembrando de sua adolescência

Provavelmente a adolescente que ela fora, não teria orgulho da adulta que ela estava sendo. Fora covarde por muito tempo, e nem pensou no sofrimento que poderia estar infligindo a outras pessoas. Ela cortou laços com todos, menos com Piper, e mesmo assim, era muito raro falar com a amiga. Mas também sabia que ninguém podia lhe julgar. Tinha feito isso por sua filha.

Sentada na sua poltrona, durante a noite, em seu escritório, ela observava a cidade de Nova Iorque pela grande janela que ficava atrás de sua mesa. Ela mesma projetara aquele prédio. Ao longe, dava até para ver o mar, apenas uma pequena faixa, a lua cheia brilhando acima dele, bem longe... Ela tocou no vidro, ainda sentada. Sinceramente, ela tinha uma hipótese que escolhera aquele apartamento por motivos puramente masoquistas.

Então o telefone tocou, a despertando. Girou a poltrona, ficando de costas para a janela a apoiou um dos cotovelos na mesa e a mão na testa enquanto atendia.

— Alô? — Massageava as têmporas, de olhos fechados.

— Ah quanto tempo, minha cara. — Uma voz robótica, que ela não ouvia muito tempo soou, a fazendo ficar de pé, em pânico. — Descobri que alguém foi desobediente... Apenas um lembrete: garotas irresponsáveis perdem coisas importantes. — E a ligação foi cortada.

Annabeth voltou a se sentar, colocando o telefone no lugar. Ela devia ter previsto essa ligação. Mas vivia tantos anos em paz com sua filha, que até tinha se esquecido que essa pessoa existia. Mas uma vez tudo virou de cabeça pra baixo. Annabeth tinha que fugir outra vez. Mas dessa vez pra bem longe. A Austrália não deveria ser ruim.

–x-

Audrey sabia que tinha algo de muito errado com a sua mãe. Já fazia bem duas semanas desde que ela recebeu a ligação que a vez chorar — Audrey teve que admitir tal fato — e nesse meio tempo, depois de ficar bem uma semana melancólica pelos cantos, vinha com essa ideia de se mudar pra Austrália.

E como eram só as duas, e ela não conhecia a família da mãe, e muito menos ligaria para seu pai, ela não tinha a quem recorrer e tinha que lidar com a possível insanidade da mãe sozinha.

Chegou na frente do seu prédio com a sacola de compras, e viu um homem que devia ter mais ou menos a idade de sua mãe conversando insistentemente com o porteiro, provavelmente pedindo informações. Ele era bem alto, tinha o cabelo preto bagunçado e a pele bronzeada. Lhe lembrava alguém. Ela ia passar sem dar maior atenção, mas então ouviu um pedaço de frase solta:

— ... o horário que a Sra. Chase estiver... — O desconhecido dizia.

— Está procurando a minha mãe? – Audrey perguntou se virando pra ele.

Ela percebeu que o homem estancou no lugar, com certeza devido ao susto, e fez uma careta. Ela sabia que não tinha o menor tato pra falar com as pessoas. Então observou ele se virar lentamente. E quando olhou nos olhos dele, não pode evitar de sorrir. Eram os olhos mais carinhosos que ela já tinha visto.

— É, eu e ela estudamos juntos no ensino médio. — Ele respondeu se aproximando devagar. — Audrey, não é?

— É, como sabe? — A garota fez uma expressão confusa.

— Eu estava lá quando seu nome foi escolhido. — Foi a resposta, acompanhada por um sorriso.

Audrey frequentemente esquecia que sua mãe ficara grávida dela na adolescência. Annabeth não parecia uma mulher que tivera um filho precocemente.

— Só sei que é o nome de uma atriz. — A garota riu, bagunçando seu cabelo azul com uma das mãos, enquanto o outro braço ainda segurava a sacola de compras.

— Foi seu pai que escolheu seu nome. — O estranho revelou, ainda sorrindo de forma carinhosa. Emocionada, talvez. — Era algo que marcou algo engraçado. Seu avô por parte de mãe e sua avó por parte de pai não se gostaram muito no inicio. Até que descobriram que ambos gostavam de filmes com Audrey Hepburn. E quando os dois foram contar para os pais que Annabeth havia se tornado uma feliz adolescente grávida, levaram um filme da Audrey para assistir com eles antes de dar a noticia.

A essa altura Audrey gargalhava.

— Agora sei por que minha mãe nunca contou essa história. — Disse quando começou a se acalmar. — Até imagino a cena, mamãe devia tá nervosa como cega em tiroteio. — Sorriu. — Ela deve estar chegando. Quer subir e esperar por ela?

— Se não for incomodar. — O estranho disse com um sorriso educado.

Mas seus olhos ainda tinham uma estranha emoção. Mas Audrey nunca teve jeito pra decifrar pessoas.

— Claro que não. — Ela disse em um tom educado. — Alias, qual é o seu nome?

Ela estava cativada por aqueles olhos verdes que eram idênticos aos dela.

— Meu nome é Percy, Percy Jackson.

Notas finais
Hehey, proximo capitulo tem treta! #apanha Enfim, quem me conhece sabe que eu tenho tendência de ferrar com a vida de um personagem específico da fanfic. (ou as vezes, até mais de um LOL) E minha vítima da vez é a Annie, quem vê até parece que eu não gosto da menina. Alguém se lembra que em A Marca de Atena é mencionado que o pai da Annabeth gosta de filmes com a Audrey Hepburn? Agora quanto a Sally gostar, é teoria minha mesmo. Reviews?