Notas iniciais
Esse capítulo ficou bem sem sal, eu acho.. é a primeira vez que as ideias vem na minha cabeça de uma vez, já sei o fim da fic mas to enrolando no meio, me perdoem ;^;

— Relaxa Dan, eu não quero te pegar! — disse rindo.

Ele corou e desviou o olhar penetrante de olhos negros, quase perdeu a pose de seguro de si, depois me olhou nos olhos de uma forma asfixiante e disse:

— Eu quero.

O que foi aquilo? Ele disse "eu quero". Senti uma coisa esquisita no estômago, achei que ia vomitar, meu rosto estava muito quente e eu não sei por quanto tempo fiquei estática, sem reação.

Logo ouvi vozes conhecidas que me despertaram do choque.

— Ei, onde vocês estavam? — era Vitor, ele veio correndo e parecia suado. Vitor é um garoto alto e forte, ele foi escolhido como capitão do time de basquete da nossa sala mas age como capitão de todos os times, até da equipe de torcida das garotas.

— Estamos aqui, não precisa correr. — respondeu Dan oferecendo um guardanapo para ele limpar o rosto.

Atrás de Vitor, Julia e Daniela vinham em passos longos. As duas gostavam do Dan, fiquei imaginando como reagiriam se eu acabasse ficando com ele. Não, não seria nada bom.

— Vocês sumiram, o que houve? — Daniela perguntou.

— Nada, eu estava dizendo para a Ca que posso dar aulas de taekwondo para o irmão dela. — disse Dan.

— Que legal, eu também queria aprender. — falou Vitor com voz animada e eufórica.

As garotas ficaram pensativas por uns segundos e depois dispararam.

— Nossa, eu também vou querer. — Julia nem respirou para falar.

— Eu também! Você pode me ensinar também Dan? — perguntou Daniela fazendo biquinho.

— Claro, ensino todos vocês. — concordou sorrindo e olhando para todos.

Isso foi estranho, Dan estava animado para as aulas e no mesmo dia tentou marcar um horário na quadra da escola que daria para todos irem, inclusive meu irmão que estuda a tarde, mas a direção da escola não facilitava as coisas. Foi aí que Julia teve uma ideia:

— Bom, minha casa é grande e tem um pátio que dá para fazer as aulas. O que acham?

Para a minha surpresa Dan aceitou de primeira, fiquei frustrada por ele não ter aceito minha casa quando ofereci e as aulas eram só para meu irmão.

O nosso grupo ficou até a hora da saída planejando as aulas de luta, eu ainda estava quieta, mais que o normal.

Marcamos a primeira aula para o próximo sábado, chegando em casa ia falar com Caio, mas ele já tinha ido para a escola.

Cheguei bem cansada, então almocei rápido e fiquei na sala vendo tv, passava um filme na sessão da tarde chamado "Meu primeiro amor", eu estava lutando para manter os olhos abertos até que caí no sono deitada no sofá.

Tive um sonho.

Eu passeava pela rua, não sei exatamente onde estava, mas tinha areia na calçada e o asfalto era de um cinza desbotado, as casas não pareciam casa e sim galpões enormes. Ouvi uma voz me chamando:

— Ca! Venha cá!!! — parecia a voz da Julia.

No susto corri em direção ao som da voz, parece que vinha de um galpão na esquina. Não lembro como entrei mas em um piscar de olhos eu já estava no andar de cima, continuei ouvindo a voz dela, dessa vez mais perto.

— Vem, por favor, você precisa ver isso. — o tom de súplica tinha sumido, agora era como um pedido.

De longe vi uma porta e corri até lá, chegando perto peguei na maçaneta para girar e abrir, mas ela caiu na minha mão.

Não consegui abrir a porta, mas podia ouvir vozes lá dentro:

— Não chame ela, nosso show é particular — era Dan falando.

— Julia? — chamei e um silêncio dominou.

Ouvi gemidos e risadas, depois Julia respondeu:

— Você não tem ideia do quanto ele é ótimo na cama, nunca vai saber. — as risadas voltaram.

Eu entrei em desespero e comecei a chorar, saí de perto da porta em direção a uma pilastra de madeira que ficava quase suspensa no andar, na pilastra consegui identificar desenhos de cadeias ionicas simples e compostas como Dan havia me ensinado. O que é tudo isso?

Senti uma mão repousar no meu ombro e virei para trás assustada.

— Me desculpa, eu nunca quis te magoar.

— Você ficou com a minha melhor amiga! Eu te odeio! — falei desviando o olhar, não queria encarar ele.

— Não sou o monstro que imagina, preciso te mostrar meu verdadeiro eu.

Antes que eu pudesse responder, Dan me socou no peito bem forte, tão forte que mesmo tentando me segurar na pilastra caí para trás ultrapassando o fim do chão do andar, acho que tive uma queda de uns três metros. Mas como era um sonho, consegui me levantar sem dificuldades, só sentia aquela dor fantasma que sentimos nos sonhos.

— EU TE ODEIO! — gritei a plenos pulmões para o nada.

— Eu te amo. — ele respondeu mas não sei de onde vinha sua voz.

Localizei um vulto cinza bem longe, e depois outro logo atrás, ao se aproximarem percebi que era Julia e Nina, vinham correndo rápido em minha direção, até que do meio delas surgiu Daniela, mas elas não pareciam normais.

— Ca você tem que correr! — era Dan falando.

— O quê? Não vou te ouvir, eu te odeio! — respondi rispidamente.

— Elas são zumbis, corre! — ele pegou minha mão e puxou. E do nada estávamos correndo pela rua do início do sonho.

A areia levantava e me impedia de enxergar Dan, mas eu corria sem soltar da sua mão.

— Estamos seguros aqui. — ele parou em frente a uma cabine telefônica e me puxou para dentro.

— O que está acontecendo? — perguntei confusa.

— É uma epidemia, todos viraram zumbis. — respondeu com uma voz triste.

— Você está mentindo, zumbis não existem! — gritei e algo do lado de fora começou a bater no vidro da cabine.

A areia ainda atrapalhava nossa visão mas pela altura dava para identificar o vulto de Julia tentando entrar de qualquer jeito ali.

— Como isso aconteceu? Essa não é a Ju? — disparei perguntas sem respirar.

— É sim, mas está morta. — Dan disse e em seguida tirou uma arma do cós da calça, atirou direto na cabeça dela.

— NÃOOOO! — gritei e ele me olhou triste.

— Você matou ela! Qual o seu problema? — perguntei.

— E antes disso vocês ficaram — continuei — aposto que você que fez ela virar zumbi!

— Ca, ela me obrigou, me desculpe. Eu só quero te proteger. — lágrimas caiam dos seus olhos molhando seu rosto enquanto falava. Senti remorso por ter brigado com ele. — Por favor, me perdoe. — ele falou e me entregou a arma. Sempre imaginei que armas fossem pesadas mas aquela era leve, peguei-a pelo cabo e coloquei no chão.

Encarei o rosto de Dan por uns momentos, estava vermelho de chorar, os cabelos caindo nos olhos, ele ainda era lindo.

— Não quero mais sofrer por você. — disse por fim.

— O que você quer fazer? — perguntou me olhando de forma penetrante.

— Não sei. — respondi.

Ele aproximou seu rosto do meu, dava para sentir sua respiração calma e quente. Fechei os olhos e senti seus lábios de forma intensa.

Notas finais
Não foi dessa vez que nossa protagonista perde o bv, quer dizer.. só em sonho né hehe