Missão Rank-S: Se Apaixonar Pelo Kazekage
5 O Terraço e o Descompasso
Local: Terraço do hospital de Suna
Horário: 21h40.
O céu está nu. Exposto.
Estrelas bordadas no escuro com a precisão de um deus entediado e apaixonado por detalhes.
O vento sopra com ternura — nem quente, nem frio. Apenas... presente.
Como se o deserto estivesse respirando mais leve naquela noite.
Akari está sentada no chão de pedra quente, encostada contra a muralha que cerca o hospital.
Há uma jarra de água ao seu lado e um pergaminho aberto sobre as pernas dobradas.
Os cabelos, presos num coque improvisado e desalinhado, soltam mechas teimosas que dançam com o vento como se soubessem segredos.
Ela está anotando algo.
Ou fingindo anotar.
Às vezes, escrever é só uma desculpa pra não pensar em voz alta.
E então… ele vem.
Gaara.
Sem barulho. Sem passos.
Como se tivesse brotado da sombra do hospital.
Ou da própria noite.
Akari o nota de relance, mas não se assusta. Nem se surpreende.
Há uma familiaridade incômoda naquela presença calma e magnética.
Do tipo que chega e, mesmo em silêncio, muda o clima.
Akari (sem desviar os olhos do pergaminho):
— O Kazekage agora também faz ronda hospitalar?
Gaara (encostando de leve na parede ao lado dela, braços cruzados):
— Vim garantir que o clima não afete sua recuperação... adaptativa.
Ela ergue uma sobrancelha. Um deboche leve.
Ele mantém o rosto impassível. Finge que não notou a provocação.
Mentira. Notou sim. Ele nota tudo.
Ambos olham para o céu.
Longos segundos.
Nada se move — e tudo se mexe.
Gaara (voz baixa, mas firme):
— Quando o céu está assim, é sinal de que o deserto confia.
Ele mostra sua calma só pra quem ele escolhe.
Akari (rindo baixo, quase com doçura):
— E eu achando que era só ausência de nuvens.
Silêncio.
Mas não aquele silêncio tenso.
É o tipo raro — o confortável.
Aquele que só existe entre duas pessoas que sabem que não precisam preencher o espaço com palavras pra serem ouvidas.
Ele a observa. De lado. Com cuidado.
Como quem quer tocar, mas não pode.
Ou não deve.
Ou teme o que pode acontecer se tocar.
Akari (pensando, com os olhos fixos em uma estrela específica):
"Ele sempre olha como se estivesse lendo algo por trás de mim. Como se... eu dissesse mais do que falo."
Gaara (pensando, com o coração um pouco mais exposto do que gostaria):
"Ela fala mais do que percebe. E sente menos do que eu gostaria."
O vento sopra de novo.
Leva uma mecha solta do cabelo dela pra frente do rosto.
Ela sopra de volta. Ele sorri. Só um pouco.
Só o suficiente pra saber que, mesmo no deserto...
há coisas que florescem.
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