Notas iniciais
Muito muito curtinho. Can I explain me below?

Sem perceber, os dois dias passaram voando e Daiki retornou a sua casa. Surpreendeu-se ao chegar e encontrar a casa organizada, bem diferente de como deixara ao sair e só imaginou que haveriam duas pessoas que seriam tão sistemáticas a ponto de fazer isso. Agradeceu mentalmente e agradeceria física quando os encontrasse. O dia transcorreu sem muitos problemas. Voltou a contatar o técnico do time pelo qual jogava, aceitando pacientemente (um pequeno passo para homens normais, mas uma pisada de gigante para Aomine) o sermão de uma hora e meia pelo telefone onde escutou todas as reclamações desde que entrara no time. Ao término, seu ouvido latejava, só que ele sentia-se satisfeito por sua própria maturidade. Ainda falou com Satsuki via vídeo já que, por causa da carreira de analistas de sistemas da Napple, era obrigada a viajar pelos países fazendo um database sobre os resultados de mercado. Tinha garantido que tudo estava bem e sentia-se mal por deixar uma das melhores amigas preocupada consigo. Depois de falar com todos que deixaram mensagens acerca de seu sumiço, pediu a uma equipe que limpasse meticulosamente o apartamento enquanto ele saía para arranjar uma roupa decente para a festa. Não demorou muito em suas compras, perdendo tempo apenas para um almoço solitário num restaurante vazio para que não o importunassem. Ainda passou num salão para que cortassem o cabelo e fizessem a barba da maneira que gostava.
Ao fim do dia, estava relaxado o suficiente. Se vestia sem pressa, ao som de um jazz instrumental, fechando cada botão de sua blusa social e (tentando) dar um nó na gravata vermelha-sangue de seda. Quando, por fim, desistiu e jogou o paletó por cima de sua blusa off-white, a campainha interferiu em seus pensamentos e ele se pôs a atender.
— Quem é você?
— Sua dama de companhia. — respondeu a mulher, abrindo seu meio sorriso malicioso com lábios carmesins. Ele a analisou de cima a baixo. — Está gostando do que vê? Posso te mostrar mais se quiser. — Sakura piscou um dos olhos ametistas de um jeito atrevido que o fez rir.
— Mesmo depois de tudo que contei, ainda insiste em flertar comigo?
— Vou te fazer virar hétero. — ela disse, pretensiosa, invandindo o apartamento dele. — Ou ao menos, te tornar espada. Quem sabe assim, você corta dos dois lados.
— Cale a boca, Sakura, ou vai me obrigar a calá-la? — a mulher estacou, se virando pouco a pouco com os traços cheios de malícia.
— Depende. Como você pretende calar minha boca? — Daiki jogou a gravata embolada na garota, que pegou-a com os dedos finos.
— Brincadeiras a parte, você está bonita. — ela usava um vestido de um único ombro; no busto, haviam pedrarias em tons de areia e abaixo deste, o vestido caía em ondas suaves de chiffon em tons que variam de nude a um levemente amarelado. Seus longos cabelos tinham sido presos num elegante coque e em seu rosto havia uma maquiagem simples, à exceção dos lábios vermelhos.
— Obrigada. Você está mais bonito que o usual. — disse Sakura, se aproximando dele. Envolveu a gola da blusa com a gravata e seus dedos ágeis fizeram um nó bonito. Ela alisou o tecido de seda até prendê-lo com um alfinete de ouro por dentro da blusa. — Pronto para a noite, cavalheiro? — o moreno sabia que o ela mais queria era que ele estivesse bem, então assentiu com um sorriso e estendeu o braço para tomá-la como dama.

Cerca de meia hora após, se encontravam na festa, cada um com seu copo de bebida em mãos. Volta e meia, Aomine era abordado por alguns fãs para tirar umas fotos que, sob os olhares ameaçadores de Sakura, ele fazia. Ela própria era parada por algumas pessoas que a reconheciam e isso roubava longos minutos de conversa que diminuiam o tédio da noite. Ambos já tinham posado para revistas de fofocas como um casal só pela diversão de provocar os repórteres.
— Tem tanta gente bonita aqui. — comentou ela, suspirando sonhadoramente. — Vai acabar essa noite sozinho.
— Mal anunciamos o início de namoro e você já quer me trocar por outro, Sakura? Que coisa feia. — sussurrou ele no ouvido da garota, fazendo-a estremecer.
— Não me faça sonhar que você está virando hétero ou eu te arrastarei para aquele banheiro e terminaremos a noite ali. — replicou ela, enfiando o indicador no peito largo dele como se o acusasse. — Não tem amigos além de mim, não? — ele tinha cumprimentado Kise ao longe, pois este estava ocupado com as diversas entrevistas, fotos e toda a obrigação que a empresa o obrigava a cumprir. Ele parecia sozinho, mas não queria se deixar por seus próprios desejos. Não estava nem um pouco interessado em conhecer Misaki e só o faria pela felicidade do loiro.
Não passando muito mais que quinze minutos, finalmente pareceram libertar Kise, ao mesmo tempo que Kuroko e Kagami chegavam. O casal estava absorto numa conversa sobre a temporada de basquete que nem pareceram notar a chegada dos três. Porém, de relance, Aomine os enxergou e acenou com a cabeça para eles.
— Estão vindo. — sussurrou. O tempo verbal intrigou Sakura, que girou o corpo para encontrá-los.
O relógio congelou por um instante para três pessoas no salão. Aos três, pareciam que estavam numa sala a parte, isolada de pessoas e sons. Quando o olhar de Sakura recaiu sobre o ruivo, ela arregalou suas orbes ametistas ao mesmo tempo que soltava um suspiro sôfrego. Suas mãos pálidas se prenderam ao peito onde o coração esquecia uma batida e a respiração tornava-se frágil. A reação de Kagami foi travar seus passos animados e o sorriso lentamente escorreu pelos lábios, que se fecharam numa linha apertada para impedir que tanto o suspiro quanto a saliva escorresse diante da beleza daquela mulher que há tanto não via.
Kise reagiu de maneira parecida a de Kagami, travando sua fala contente e gesticulações exageradas. Seus olhos caramelados se arregalaram num segundo para cerrarem em outro ao mesmo tempo que sua boca ficava ressecada. E, como um gatilho de uma arma sendo disparado, algo aconteceu em sua cabeça para que tudo viesse a tona, transbordando imagens por seus olhos de cada cena. O sangue fugiu ao rosto, deixando-o gelado e pálido e ele se apoiou em Kuroko, que o olhou assustado.
— Taiga-kun.
— Sakura-chan.
— Quem é você?
As três falas soaram ao mesmo tempo e todos no grupo se entreolharam, visivelmente confusos. Sakura inspirou fundo e desviou o olhar para Aomine, que estava tão assustado quanto ela. Ele segurou os ombros dela, mas a garota se esquivou.
— Com licença a todos. — disse ela, cumprimentando-os da forma tradicional japonesa antes de se virar para Daiki. — Vou ao toillet, Dai-chan.
— Você está bem? — Sakura gesticulou qualquer coisa inteligível e deixou o grupo. Mas seus passos não passaram despercebidos a Taiga que se projetou para a frente, mas foi parado por Aomine, que lançou um olhar questionador. — BaKagami...
— Por favor. — pediu ele e sua voz era uma súplica contida que era difícil de negar. O amigo cedeu passagem e se virou para o terceiro do grupo que o encarava com olhos arregalados e a boca tampada com os dedos pálidos.
— Kise. — o loiro recuou um passo e tropeçou sem querer, esbarrando num garçom que se desequilibrou e derramou bebidas sobre o modelo. Eles haviam se tornado o centro das atenções e o moreno sequer sabia o motivo. Ele estendeu a mão para o loiro, que negou com um tapa violento que surpreendeu aos espectadores.
— Não encoste em mim, Aomine. Você não tem o direito de fazê-lo. — o moreno franziu a testa e olhou para Kuroko, que parecia tão perdido quanto ele. Ficou em pé sozinho e, de uma forma um tanto artística, desenhou um sorriso sobre os lábios finos e rosados. Pediu desculpas ao garçom com cortesia antes de deixar o salão a passos apressados.
— O que está acontecendo aqui, Aomine-kun? — questionou Kuroko, quando as pessoas começaram a dispersar.
— Eu não faço ideia. — replicou, alisando os cabelos recém-cortados. — Tetsu, o que eu faço? — o menor apertou a ponte do nariz.
— Você vai atrás do Kise-kun. Eu levo Yukino-kun para casa se for necessário. — Aomine assentiu e se afastou, mas o outro o chamou. O homem de cabelos azuis-claros estendeu o punho fechado para o homem de cabelos azuis-escuros. — Ganbatte ne, Aomine-kun. — o mais alto tocou levemente o punho e começou a correr. Quem o visse agora, perceberia o sorriso minúsculo no rosto dele e o empenho em seu olhar.
Foi até o lado de fora do salão e chegou a tempo de ver o carro de Kise se afastar com certa pressa. Ele foi atrás do próprio.

Notas finais
Heeey! Desculpa! Eu sei que é um protótipo de capítulo de tão curto que está, mas poxa. Eu não queria postar tudo hoje. Quero finalizar tanto Even Flow quanto Miss Missing You, Kise juntas! Então não me bate, viu? E CÊS VIRAM A CAPA NOVA? FICOU LINDA! Meus milhões de beijos a Ruki por essa maravilha, viu? E pelos comentários lindos que recebi em cada capítulo! Muito muito obrigada mesmo!