Miraculous Dragons
21 We will always find each other
Nós sempre vamos nos encontrar
— Nós vamos achá-la, não se preocupe – Dizia Heather tentando me consolar.
— Eu a procurei a noite inteira, vasculhei tudo... Nada, nem sequer um rastro – Não conseguia controlar minhas lágrimas, estava chorando como nunca antes.
— Vamos lá, Soluço – Consolava Banguela deitado na minha cabeça – Eu deixo você comer um pouco do meu sushi.
Heather tentava me consolar enquanto Asgard vasculhava a cidade atrás de Astrid. Havíamos ligado para os nossos pais dando desculpas e telefones falsos apenas para dizer que não voltaríamos para casa naquela noite, tínhamos de achá-la. Meu pai ficaria furioso, mas, para a minha “sorte”, ele não estava em casa e só explodiria de raiva tarde da noite, quando chegasse em casa.
Ficamos na escola de lutas do Bocão mesmo, Heather e Asgard trouxeram o equipamento para cá e limpamos o andar de baixo que estava sendo inutilizado. Estávamos cansados, exaustos na verdade, quando não aguentaram mais, Heather e Asgard deitaram nos sacos de dormir que conseguimos, exceto por mim.
Passei a noite inteira olhando para a tela do computador, não conseguiria dormir de qualquer modo e sei que se dormisse teria pesadelos. Sei disso porque mal durmo, às vezes tenho pesadelos com a minha mãe. Sinto falta dela. Não iria perder Astrid do mesmo jeito que a perdi.
Mas mesmo com toda a preocupação e determinação, caí no sono sobre a mesa...
.
..
...
Um som estranho me incomodava.
[...]
Espera, não estou em casa.
[...]
— Argh!
Acordei.
Era Astrid, bem ali na tela do computador. Alguém estava a machucando, ela gritava de dor... mas como ela era forte, não havia uma lágrima em seu rosto.
Ela olhou para a câmera e, por um momento, pareceu que olhávamos um para o outro. Senti meu coração fraquejar. A imagem desapareceu dando lugar a um texto: “Quanto vale a vida da Nadder Mortal para você? Venha buscá-la, venha sozinho” e em seguida o endereço.
Não tinha escolha.
Eu tenho que salvá-la.
Eu a amo.
Saí sem que ninguém notasse, com o sol nascendo no horizonte.
***
Viggo a prendeu num antigo depósito à beira mar, sem guardas, sem obstáculos ou qualquer proteção, apenas Viggo sentado em frente à Astrid. Ele falava algo enquanto a observava, ela ainda estava com seu miraculous, ainda era a Nadder acorrentada, amarrada e adormecida.
Ele estava me esperando, não adiantaria nenhuma surpresa. Tinha de salvá-la.
E assim como Viggo queria, eu fiz. Entrei pelas portas abertas, arrebatadas...
— Ah, Fúria da Noite, que bom que está aqui! Já estava pensando que estava com medo, que essa garota não valia a pena...
— Nadder é o que importa para mim, solte-a.
Ele ri.
— Você não está entendo –As portas se fecham – Drago mandou que eu matasse você...
— O quê?
— Entenda – disso Viggo levantando-se e revelando uma arma – Drago está criando um exército para se revoltar contra os deuses e, não é nada pessoal, mas ele não quer dois heróisinhos em seu caminho.
— Os Miraculous...
— Não, não! – Viggo me interrompe, estava sem saída. Só entre quatro paredes – Se deixarmos vocês vivos, com as pedras intactas, os heróis só iriam renascer, entende? As pedras continuam, as pessoas também. Mas se matamos os heróis, juntos, num tiro só e quebrando suas pedras, eles morrem e nunca mais renascem. Como pode ver é bem específico, mas, não se preocupe, eu sou um excelente atirador.
Viggo segura meu braço com tanta força, que caio sobre Astrid adormecida, ele mira, mas, antes que atirasse, um espinho atinge sua perna.
Viggo cai no chão largando a arma.
— Você está me esmagando... – Astrid sussurra.
Viro-me surpreso, era tão bom ouvir sua voz.
— Astrid! – A abraço – Obrigado, Thor!
A solto das correntes e cordas. Ela parecia pouco consciente, mas seus olhos não focavam em mim.
— Cuidado! – Ela se põe na minha frente e é atingida por uma bala.
— Droga! – Grita Viggo – A cure!
Nadder sangrava muito, estava pálida e inconsciente. Quando viro, Viggo havia desaparecido deixando um contador... não, uma bomba.
— Nad – Eu chorava – Nad, não se preocupa. Vou dar um jeito nisso, vem.
Pego minha espada, uso meu poder de cura e sua respiração volta junto com aqueles olhos brilhantes. Ela olha para a bomba e, em um segundo, estávamos lá fora.
Entretanto a bomba explodiu e ela ainda estava se curando. Fomos cada um jogado para um lado.
— Astrid!
— Soluço! – Ela tentou me alcançar, mas estávamos caindo sem controle, estava chovendo.
Caí na água, sorte que estávamos do cais, mas só os deuses sabem onde Astrid caíra e meu miraculous dizia que eu só tinha alguns segundos antes de me tornar um garoto normal, só que molhado.
Nadei até a superfície, tinha que achar Astrid...
— Astrid... tenho que achá-la – Dizia.
Meu telefone vibrou no bolso. Havia uma mensagem da Astrid.
Asty 06h07min A.M
“Sweet Dragon?”
Eu 06h07min A.M
“Estou a caminho”
Foi então que eu corri, corri como nunca antes na vida. Não importava mais os problemas, me pai, a escola, estar preso... estava correndo para encontrar minha liberdade. A garota que dividia os fones de ouvido comigo, que tinha a incrível habilidade me fazer rir sempre, a que eu beijei no topo de Berk, a que estava sempre ao meu lado... Eu amo essa garota, amo tudo nela, até mesmo os defeitos.
O caminho poderia ser longo, o que passamos não fora fácil, mas estou começando a acreditar no porquê fora escolhido. Se alguém acreditasse que eu poderia ser um herói era ela.
Finalmente cheguei ao hotel, era bem em frente à doceria Sweet Dragon, onde eu a conheci. E, assim que cheguei lá, recuperando o fôlego, a vejo chegando. Astrid corria e, quanto mais perto chegava, mais seus braços se erguiam para mim.
A recebo em meus braços, estávamos sem fôlego.
— Eu achei que não fosse te ver de novo... depois que me apagaram, eu...
— Está tudo bem... – digo com dificuldade – Estamos juntos, estamos aqui...
Astrid olha pra mim chorando de alegria e enchendo minha bochecha de beijos.
— Você é meu herói, sabia?
— E isso é tudo o que eu quero ser.
Dizendo isso, eu a beijo. Coisa que eu queria fazer de novo faz muito tempo.
Astrid e eu estávamos juntos agora. Eu a abraçava pela cintura para perto e ela segurava meu rosto com carinho, a chuva caía, mas nós não ligávamos, deixe esse problema para aqueles que estavam atrasados, para aqueles que não tinham tempo de aproveitar aquele momento.
Uma trovoada nos assustou.
Rimos.
— Eu fiquei tão preocupado com você, te procurei por todo o lugar – Seguro seu rosto – Então prometi a mim mesmo que te diria isso assim que te visse...
— Huh? – Ela faz uma expressão confusa.
— Eu amo você.
Astrid arregala os olhos azuis e ri nos meus braços.
— Eu estou falando sério, Milady.
— Eu sei – ela deita as mãos sobre o meu peito – amo você também.
Astrid fica na ponta dos pés e beija minha testa.
***
Astrid estava adormecida nos meus braços, eu estava a levando para casa como Fúria.
Entramos pela janela, seu quarto era a cara dela, com um arco num canto e flechas inacabadas que a treinadora dela devia estar mandando fazer.
A deito na cama. Astrid abre um pouco os olhos.
— Desculpa – Digo – Não queria acordar você?
— Já está saindo? – Ela pergunta se aconchegando.
— Sim, tivemos dias difíceis, precisamos descansar.
— Talvez sair assim não seja a melhor ideia – Astrid segura minha mão.
— O que você propõe? – Pergunto tirando uma mecha de sua franja do seu rosto.
— Tire uma soneca aqui e depois você vai – A essa altura ela falava com os olhos fechados.
Sorri para ela.
— Ok, dê um espacinho para mim.
Banguela me destransforma, ele também estava cansado e se aconchegou no meu peito, senti algo também sobre o meu ombro, era a dragoa da Astrid, ela era muito bonitinha, como um passarinho pontudo sorrindo pra mim.
E, diferente de passar noites sozinho num quarto grande e frio, posso dizer que prefiro fiar assim. Coberto de edredons, com a Astrid me abraçando e dragões usando nossos corpos como travesseiro.
Não podia imaginar lugar melhor do que aqui...
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