Notas iniciais
As vilãs foram criadas por leitores nos comentários ;)

Debaixo da máscara

Soluço P.O.V

As pessoas pareciam realmente felizes conosco ali, eu e a Nad não costumamos ficar muito entre o povo e eu não sabia o quão agradecidas elas estavam. Talvez eu visse o Fúria da Noite mais como uma espécie de emprego do que como algo que pudesse mudar as coisas.

Nad estava mais quieta do que de costume, paradinha ali com um sorrisinho no rosto apenas. Talvez ela seja tímida para plateias, coisa que eu não duvido depois de meses se escondendo das câmeras, mas eu estava com uma sensação estranha faz um tempinho, dragões parecem ter uma espécie de sexto sentido às vezes…

Meu pai… Stoico estava discursando sobre nossos últimos meses enquanto as pessoas aproveitavam para olha bem para nós pela primeira vez, acenamos para algumas pessoas também e elas ficavam surpresas. Eu compreendia que poderia ser meio assustador ver duas pessoas de dois metros altura, olhos selvagens, escamas e garras usando uma máscara bem ali perto de você, então estava tentando parecer meio amigável, mas me perguntava onde estaria Heather naquela hora.

Estava bem difícil ser um herói e ter qualquer tipo de vida social, faz mais de uma semana que eu não os vejo… Sinto falta do refeitório, de conversar até madrugada uns com os outros, das brincadeiras que já fizemos, sinto falta de tudo… No fundo, sei que não deveria ter saído daquele jeito, a primeira coisa que pensei fora que tem mais gente que precisa do Fúria da Noite do que do Soluço.

Sinto falta da Astrid, é estranho não acompanhá-la até em casa, sinto falta dos fones de ouvida que estávamos quase sempre dividindo, é estranho também não ir toda quarta-feira para biblioteca ensinar física para ela, o senso de humor dela era divertido… Mas eu não sei se sentia alguma coisa por ela até nos separarmos, embora com a Nadder aqui do meu lado, meu coração batia um pouco mais forte.

— [...] Queríamos poder agradecer mais, porém não existem as palavras certas para expressar nossa gratidão, obrigado, em nome de Berk, obrigado Fúria da Noite e Nadder Mortal. Vocês são heróis, os anjos da guarda desta nação.

Voltei para a realidade apenas nas últimas frases do discurso, rira por dentro, ignoro meu pai até como Fúria. Talvez não tenhamos jeito mesmo…

Stoico nos vestiu duas medalhas e abriu caminho com a intenção de que eu falasse alguma coisa, eu não sou muito bom com discursos para ser sincero, talvez não seja para mim. Entretanto, vale uma tentativa.

Tudo estava indo bem, mas quando eu abri a boca para falar…

— Argh! — Gritou Nadder caindo no chão. Uma flecha acertara seu braço.

— Nadder!

Iria correr até ela, mas uma flecha passou cortando o ar na minha frente e quando me virei vi que era… a Nadder.

Ela aterrissou de seu voo no meio do palco e mirou seu arco na outra Nadder ferida (eu também estou muito confuso com tantas Nadders, uma só já me deixa louco).

— Quem é você? E o que está fazendo com minha aparência?

Mesmo sangrando e com uma flecha apontada para a garganta, a outra riu e respondeu:

— O seu fim!

Quando percebemos que estávamos encrencados era tarde demais.

Eu fui acertado na nuca e tudo escureceu, a última coisa que eu vi fora Nadder gritando meu nome e ajoelhando-se ao meu lado.

***

Ai, minha cabeça...

Abro meus olhos. Estava algemado numa cadeira, havia uma luz, igual à um holofote sobre mim. Tudo parecia escuro e empoeirado, o cheiro não era dos mais agradáveis, mas havia muitas coisas aleatórias espalhadas no chão.

Ouço uma voz atrás de mim, um gemido.

Algo se mexeu contra minhas mãos algemadas.

Era a Nadder.

— Nad? Nad, você está bem?

— Fury… — Ela tentou responder com dificuldade — Onde... estamos?

— Não sei, mas vamos sair dessa. Sempre damos um jeito.

— Ora, ora, ora… — Ouço aplausos — Fúria da Noite e Nadder Mortal, os heróis desta metrópole, os vigilantes, ou melhor, os anjos da guarda de Berk!

Risadas.

— Que dupla de idiotas.

Duas garotas surgem na luz. Uma delas tinha cabelos azuis-esverdeados que deixariam qualquer Rapunzel orgulhosa, vestida com algo cheio de desenhos de dragões e a outra tinha cabelo branco com mechas pretas, rosas azuis e roxas…. muitas cores, seu corpo parecia ser feito de metal num formato de raposa vestindo um vestido preto.

— Então, Sving. O que fazemos com esses dois, agora?

— Pegamos os Miraculous e, depois de entregarmos para Drago, você pode se divertir com eles, Nightmare Moon.

— Acham mesmo que Drago as deixarão ir? vocês não sabem quem ele é! Só sentem o ódio dele, nada mais!

As duas sorriem maldosamente e a Nightmare se aproxima de mim dizendo:

— Não resista.

Quando olhei nos seus olhos senti uma hipnose, mas quando percebi era tarde demais Berk estava em chamas, Nadder estava morta no chão, meus amigos corriam assustados no meio do caos sangrando, as pessoas choravam, Banguela também estava caído ao lado da Nad… Tudo havia acabado. Era o fim.

Pisquei.

Tudo voltara ao normal.

E meu Miraculous estava nas mãos de Nightmare Moon que ia na direção da Nadder. Ela fez o mesmo, mas Nadder gritou, as coisas que ela poderia ter visto não podem se comparar as minhas. Aquele fora o pior Nano Dragão que eu já vi em alguém.

Estava começando a me destransformar.

Era o fim.

As duas sorriem para mim.

— Se serve de alguma coisa, saiba que não poderia ter sido mais fácil.

Sving se transforma em mim, no Fúria, e volta-se para Nightmare.

— Entregue os Miraculous para Drago, eu despisto a polícia.

— Considere feito, mas e quanto a esses dois?

— Deixe-os aí. Ouvindo a cidade deles sendo destruída sem poder fazer nada — Responde Sving e então ela se aproxima de mim — Sabe, se tem uma coisa que Berk irá descobri, do mesmo jeito que descobri, é que as pessoas abandonam umas as outras da pior forma.

As duas se separam e minha destrasnformação está completa.

Não queria aceitar, mas esse era o fim.

Não sou nada sem meus poderes, não poderia ajudar em nada.

— Me desculpa, Nad.

— Cale a boca! Acha mesmo que vai ser assim tão fácil? Até parece que não me conhece!

Sua voz normal era extremamente familiar.

Ela mexe o braço ou algo assim, não consegui ver porque estava de costas para ela, mas escuto um som de chamada telefônica.

— Alô? Graças aos deuses você atendeu, eu te amo! — Aquilo me doeu — Estou encrencada, preciso de sua ajuda agora!

Acho que vamos acabar sendo salvos pelo namorado da Nadder.

— Como vamos pedir ajuda se não sabemos onde estamos? — Pergunto.

— Eu sei onde estamos, Fury — Ela responde vitoriosa voltando a falar no telefone — Estamos na escola de luta clandestina do Bocão, por favor, chegue aqui o mais rápido que puder, tudo bem?

A ligação é encerrada.

— Wow! Sem máscara ou poderes, mas ainda salva o dia. Queria ser como você! — Digo.

— Fury, fomos escolhidos não pelo o que podemos fazer com os nossos poderes, mas o que podemos fazer sem eles, os próprios deuses nos escolheram — ela segura minha mão algemada — Você pode salvar o dia com ou sem os seus poderes, eu acredito em você ok?

Estava vermelho, estava feliz por ela ter dito aquilo, estava… Meu coração batia muito forte no peito naquele momento. Seguro sua mão, forte.

— Ok — respondo — Para quem você ligou?

— Uns amigos…

— Nossa, que tipo de pessoas andam com a garota Nadder? Acho que vou poder te julgar pelos amigos a partir de hoje, hein?

— Oh, você não se atreveria.

— Será que não?

Sim, o mundo estava se achando e nós estávamos fazendo graça, mas o que você acha que os heróis fazem em situações como esta? Obviamente, vocês não sabem nada sobre heróis, não é?

Escuto o barulho de uma moto se aproximando, a porta estava do lado da Nadder. Duas pessoas estavam montadas na mesma, uma delas era Heather e a outra teve o bom senso de usar capacete.

— Eu não acredito… Depois de todo esse tempo vocês…

— Heather, não temos tempo para isso! — Nadder grita.

— Nad, está certa — intervenho — Drago não pode pegar os Miraculous.

Heather sorriu enquanto o motoqueiro se aproximou exitante em nos desamarrar.

— Com certeza não vai ser a primeira surpresa de vocês dois hoje — Comentou ele.

As algemas se afrouxaram e eu me dei conta de que veria Nadder pela primeira vez e percebi não queria isso. Não era pelo fato de nos proteger pela máscara, não era pela velha desculpa de “é melhor que não saibamos, pode nos por em perigo”. O real motivo era de que eu era louco por essa garota e sabia que ela se decepcionaria quando visse que o Fúria da Noite é apenas um adolescente magricela tentando terminar o ensino médio.

Por isso eu evitei olhar para ela, não me virei para vê-la de jeito nenhum. Eu… sou desapontante.

Mas quando eu a ouvi me chamar pelo nome, eu a reconheci.

— Soluço… — Ela murmura ofegante.

— Astrid… — Levanto a cabeça e me viro para vê-la — Era você… todo esse tempo era você?

Talvez eu tenha escolhido mal o tom das palavras, ela recuou. Parecia desconfortável por ser ela. Mas eu corri até Astrid e a abracei, tirando seus pés do chão a puxando pela cintura para cima.

— É você… Nad.

Ela me abraçou forte.

— Lembrando que ele já beijou você! — Heather se intromete.

Astrid ri no meu ombro e beija minha bochecha.

Olho para Heather, ela estava abraçada com Asgard. Ele pedia desculpas baixinho para que ela ouvisse, eu estava feliz por ter meus amigos de volta, não importa o que acontecesse, ficamos juntos no final.

Astrid e eu nos separamos do abraço.

— Vamos lá pegar nossos dragões de volta?

Notas finais
A Astrid estava usando aqueles aparelhos que prendem no ouvido que serve para ligações, eu não sei bem o nome daquilo, não (deuses, como isso é embaraçoso). Ela usa sempre antes de se transformar, eu não narrei isso porque... eu pensei nessa ideia atrasadamente. Até o próximo fim de semana ;) Obrigada pelo apoio nos comentários! YAY! NÃO VAI SER FÁCIL, MAS UNIDAS IREMOS LUTAR (Temp, essa foi pra tu fofa)!