POV Adrien

Quando acordei na manhã seguinte, não vi a Mari na cama, me sentei olhando em volta. Me levantei e sai do quarto, ouvi a voz da Mari, ainda era cedo, provavelmente a Alya e o Nino ainda estariam dormindo, segui o som da voz dela até a sala de estar.

— Claro, estaremos com tudo preparado... obrigada — ela falou encerrando a chamada

— Algum problema? — perguntei e ela me olhou

— O delegado quer vim o quanto antes para mostrar as imagens para as crianças — ela falou colocando o celular no mesinha — Vou chamar o Guilhermo e acordar os demais.

— Posso ajudar em algo? — perguntei olhando-o

— Peço que não saiam daqui, ninguém pode saber que estão nesta casa — ela disse me olhando — Avisa ao Nino e a Alya, chamo vocês assim que tivermos mais alguma informação.

— Está bem — falei simplesmente

— Obrigada — ela falou pegando o celular novamente e pareceu digitar algo

— Ei! — falei me aproximando dela — Sei que está ansiosa, mas tenta ficar calma. Se estiver agitada as crianças podem ficar também.

— Tudo bem, você tem razão — ela falou e suspirou pesadamente, a abracei e beijei o topo da cabeça dela

— Vai dar tudo certo — sussurrei e ela assentiu contra o meu peito

— Obrigada — ela falou parecendo mais tranquila

— Se precisar da gente, me liga — falei e ela assentiu se afastando

Ela seguiu para o quarto dela e fui para o quarto que eu estava hospedado, Plagg dormia na almofada e me deitei na cama encarando o teto, não demorou até que eu ouvisse os passos da Mari pelo corredor indo em direção a sala, suspirei pesadamente, me sentei na cama passando a mão pelo cabelo e me levantei da cama e comecei a caminhar de um lado para o outro.

— Vai acabar fazendo um buraco no chão se continuar assim — ouvi a voz do Plagg e me virei na direção dele

— Desculpa ter te acordado — falei me sentando na cama

— O que tá acontecendo? — Plagg voou pousando ao meu lado

— É a Mari — falei e ele revirou os olhos

— Problemas no paraíso? — ele perguntou ironicamente e foi minha vez de rolar os olhos

— Não começa, Plagg — O repreendi e ele me olhou — Ela está muito agitada, o delegado vai trazer as imagens hoje para as crianças verem

— Não é pra menos ela tá assim — Plagg murmurou

— O que quer dizer? — perguntei olhando-o e ele pareceu ficar tenso — O que está escondendo, Plagg?

— Eu quis dizer que é natural — Plagg falou se afastando — Ela é responsável por cada criança e kwami que vive nessa casa.

— Tem razão — falei e passei as mãos pelo cabelo — Mas me deixa louco saber que não posso fazer nada para ajudá-la.

— Acha que não está conseguindo ajudá-la? — Plagg perguntou me olhando — Venha comigo.

Ele começou a me guiar pelo corredor em direção ao elevador

— Plagg, pra onde está me levando? — perguntei quando ele entrou no elevador

— Você vai ver, vem logo — ele falou e eu entrei no elevador

Ele apertou o botão e o elevador começou a descer, quando parou as portas abriram, Plagg saiu e o acompanhei, ele iria me levar para a área externa da mansão.

— Está me levando pra clareira? — perguntei e ele negou com a cabeça e continuou

Seguimos por uma trilha para dentro da floresta durante uns quinze minutos, até que ele parou e vi para onde ele olhava

— O que aconteceu aqui? — falei olhando em volta assustado

Tinha árvores caídas, marcas de garras nos troncos, outras pareciam ter sido reduzidas a pó, era muita destruição.

— Marinette — Plagg respondeu e o olhei surpreso — Depois que não conseguiu encontrar as crianças, ela se transformou na Lady Noir e descontou toda raiva na floresta.

— Não pode ser — sussurrei olhando a destruição

— Ela estava em desequilíbrio, Adrien — Plagg falou — Ela vinha aqui e repetia os ataques de ódio praticamente todos os dias.

— Ela parecia tão bem — falei sem desviar os olhos da paisagem a minha frente

— Ela parou de vim depois que você chegou — Plagg falou e o olhei — O Guilhermo temia que se ela continuasse assim os guardiões a expulsassem do templo

— O que minha chegada tem haver com isso? — perguntei sem entender

— Você continua lerdo, não é, garoto? — Plagg falou revirando os olhos — Você trouxe o equilíbrio que ela precisava, assim como Yin Yang, um equilibra o outro, assim como são destinados ao outro.

— Como é? — perguntei surpreso

— Não sabia? — Plagg perguntou cruzando os braços — Os portadores da destrui e da criação são destinados a ficar juntos.

— Você não podia ter me dito isso quando eu tinha 15 anos? — perguntei olhando-o e sorriu

— Pra você espantar a Ladybug de vez? — ele provocou me olhando — Você era muito meloso com Adrien e muito atirado como Chat Noir.

— Isso era culpa sua — rebati olhando-o

— Minha? Garoto, eu só te dava os poderes e una roupa de couro colada — Plagg falou com sarcasmo — Mas parece que a máscara, te dava coragem pra fazer coisas que não conseguia como Adrien.

— Isso é sério? — perguntei, ele assentiu e levei as mãos ao rosto — Como eu podia falar aquelas coisas?

— E eu que sei? — ele falou se divertindo

— Vamos voltar — falei após balançar a cabeça negativamente

Plagg sentou no meu ombro e ficamos todo o percurso em silêncio, quando estávamos indo em direção ao elevador ouvimos a voz de uma das garota do templo.

— Para! — ela parecia agitada

— Plagg, mostrar as garras — falei me transformando em Chat Noir

— Você tem certeza? — ouvi a voz da Mari

— Tenho, eu vi ele — a garota falou firme

Bati na porta e entrei

— Está tudo bem? — perguntei e a Mari me olhou surpresa — Desculpem a invasão.

— Chat Noir, há quanto tempo não o vemos — o delegado falou me olhando

— Estive resolvendo alguns assuntos nos últimos anos — falei apertando a mão dele — Vim ajudar no caso das crianças.

— Claro, imaginei isso — O delegado falou — Uma das garotas acredita ter reconhecido um dos elementos

— Eu sei que é ele — Bianca afirmou

— Você precisa se acalmar, em momentos de pressão como passou pode acabar se confundindo — O delegado falou e Bianca se levantou se aproximando da tela

— Eu sei que é ele por causa disso — ela falou apontando para o corte na cabeça — Eu acertei na cabeça dele com um pedra quando ele tentou me pegar. Foi assim que consegui fugir.

— Salve essa imagem, vamos começar a investigar esse cara — O delegado falou pro policial que assentiu — Assim que tivermos alguma notícia, entramos em contato.

— Estaremos aguardando — Guilhermo falou enquanto o policial salvava a imagem — Poderia deixar as imagens?

— Porquê? — o policial questionou intrigado

— São horas de imagens, ainda tem coisas que não vimos — Guilhermo falou simplesmente — Se pudéssemos deixar as crianças vendo, talvez elas reconheçam alguém.

— Não podemos deixar essas imagens — o delegado falou — Muito menos deixar crianças assistindo evidente sem supervisão.

— Mas, senhor... — Marinette começou a falar

— E se eu me encarregar de supervisionar as crianças — sugeri olhando o delegado — Eu ligo se alguma delas reconhecerem mais alguém.

— Está bem — o delegado cedeu — Que ninguém saiba que autorizei isso.

— Isso não sairá daqui — assegurei olhando-o

— Vamos indo — ele falou e o policial que acompanhava se aproximou deles

— Eu os acompanho até a saída — Guilhermo falou se aproximando

Eles saíram e todos ficamos quietos na sala. Não demorou até consegui ouvir o som do carro se afastando, segundos depois o Guilhermo entrou.

— Estão dispensados — Marinette falou olhando as crianças — Tentem descansar um pouco.

— Não devemos continuar assistindo as imagens? — Bianca perguntou e Mari sorriu para ela

— Você foi incrível — Mari se aproximou olhando-a nos olhos — Vai com os outros, tomaremos conta a partir daqui.

— Está bem, Mestre — Bianca falou e saiu da sala

— Vou chamar a Rena Rouge e o Carapace — Guilhermo falou e saiu da sala

— Esconder garras — desfiz a transformação

— "E se eu me encarregar de supervisionar as crianças. Eu ligo se alguma delas reconhecerem mais alguém." — Mari falou me imitando — Pensou rápido.

— Sabe como funciona, My Lady — falei em tom convencido — Ninguém resiste ao charme desse gato, nem mesmo a incrível Ladybug.

— Tá passando muito tempo com o Plagg — Mari falou com tom de riso

— Não me responsabilizo pelas ações do meu portador — Plagg falou virando a cara

— E agora? — perguntei me aproximando e indiquei a imagem congelada na tela

— Temos um rosto, vamos a procura — Mari falou simplesmente e a porta foi aberta

— Atrapalhamos? — Guilhermo falou e Mari revirou os olhos

— Descobriram alguma coisa? — Alya perguntou nos olhando

— A Bianca reconheceu um dos caras — respondi olhando-a

— Então a polícia irá procura-lo — Nino falou simplesmente — Quando localizarem poderemos resgatar as crianças.

— Não podemos esperar a polícia — Mari falou — Cada segundo é precioso, teremos que fazer isso por conta própria.

— Tem algo em mente? — Guilhermo questionou

— Sim e precisaremos de ajuda — Marinette respondeu olhando-o — Precisamos de alguém que entenda de tecnologia e que possa nos dar alguns atalhos.

— O Max — falei após lembrar do que aconteceu quando a mãe dele foi akumatizada

— Eu vou buscar o Pegasus — Guilhermo falou saindo da sala

— O Max era o Pegasus? — Alya perguntou surpresa e assentimos

— Vamos subir, alimentar bem nosso kwamis — Mari falou se levantando — Porque teremos que ficar transformados a partir do momento que o Max chegar.

— Nossas identidades precisam ser segredos — Nino falou repetindo o que a Mari nos dizia anos atrás

— Principalmente a da Mari — concordei olhando-a

— O Guilhermo não irá demora muito — Mari falou e fomos para o andar da Mari

Quando chegamos, ficamos alguns minutos no andar cuidando dos nossos kwamis, o celular da Mari tocou e ela se levantou para atender na varanda do andar, a observei e notei que ela parecia um pouco agitada, quando encerrou a ligação, ela parecia conter a raiva.

— Está tudo bem? — Alya perguntou olhando-a

— Sim — ela respondeu simplesmente e olhou a kwami — Está pronta?

— Estou — Tikki se aproximou dela

— Tikki, transformar — ela falou e se transformou na nossa frente

— Que incrível — Alya murmurou vendo o novo traje da Ladybug

Agora era um macacão de duas cores, na parte de cima era perto com detalhes vermelhos, na parte de baixo era todo preto e tinha uma espécie de saia vermelha com bolinhas pretas, a máscara ainda era a mesma, o cabelo que antes estava solto ficou em um rabo de cavalo. Tinha também uma espécie de botas pretas, com um pequeno salto grosso e o ioiô continuava preso na cintura.

— Porque seu traje mudou? — Nino perguntou

— Acho que mudei mais que vocês nos últimos anos — Mari respondeu e foi em direção ao elevador — O Max já está aqui, quando estiverem prontos se transformem, nos encontramos na sala.

Ela falou e logo depois as portas do elevador se fechou.

Esperamos nossos kwamis se alimentarem e nos transformamos, não demorou para sairmos, quando o elevador se abriu, nos encaminhamos pelo corredor, mas paramos quando ouvimos as vozes do Guilhermo e da Mari.

— Será que é tão difícil entender que tô preocupado com você? — Guilhermo perguntou quase gritando

— Isso não te dá o direito de ligar para os guardiões para me proibir de participar do resgate das crianças — ela rebateu no mesmo tom

— Você tá muito envolvida nessa missão, Marine — Guilhermo falou alterado

— Está dizendo que não sou capaz de cumprir com meu dever? — ela perguntou irritada.

— Mas que droga, Marine — Guilhermo quase gritou — Você está abalada, não está bem desde que levaram a...

— Presta muita atenção, Guilhermo — Mari falou seria — Você gostando ou não, eu sou a responsável por este templo, sou a guardiã da caixa dos Miraculous e você não tem o direito de passar por cima da minha autoridade. Estamos entendidos?

— Sim, guardiã — Guilhermo falou a contra

Nos olhamos e seguimos rapidamente em direção a sala, antes que eles saíssem. Aquela conversa estava muito estranha, nós ficamos próximos a porta da sala, aguardando a chegada deles.

A Ladybug desceu acompanhada do Monkey King (Guilhermo usando o Miraculous do macaco) e se aproximaram de nós, visivelmente o clima entre eles estava pesado.

— Podemos ir? — Ladybug perguntou e assentimos

Ela foi na frente e abriu a porta da outra sala.

— Ladybug? — Max perguntou surpreso

— Há quanto tempo, Max? — ela perguntou sorrindo

— Pensei que estivesse morta — Max falou olhando-a

— Era mais seguro para Paris que pensassem isso — ela falou simplesmente — O Monkey King te explicou a situação?

— Sim, estou ciente dos últimos acontecimentos — Max respondeu ajeitando o óculos

— Ele disse o que precisamos que faça? — ela perguntou e ele assentiu

— O Markov já está trabalhando nisso — Max falou confiante — Em pouco tempo conseguiremos encontrá-lo.

— Obrigada, Max — Ladybug falou e ele assentiu

— Eu que agradeço por confiar em mim, mesmo depois de todos esses anos — Max disse sorrindo

— Iremos preparar tudo, assim que tivermos a localização entraremos em ação — Ladybug falou e assentimos — Max, se precisar de qualquer coisa, nós avise.

— Nesse momento tudo que quero e encontrar a localização das crianças — Max falou nos olhando

— Acredite, Max — falei e ele me olhou — É o que todos nós queremos.

— E nós vamos conseguir — Rena Rouge falou firme

— Se me dão licença, preciso resolver um assunto antes — Ladybug falou nos olhando

— E vou ajudar o Markov — Max falou se retirando

— Está tudo bem, My Lady? — perguntei olhando-a e ela assentiu

— Está, mas preciso me reunir com a ordem dos guardiões — ela falou e vi o Guilhermo desviar o olhar — Eles querem ter uma conversa.

— Precisa de alguma coisa? — perguntei olhando-a

— Se eu não estiver de volta quando localizarem as crianças, me ligue — ela falou me olhando e assenti

— Tudo bem — falei e beijei a mão dela como costumava fazer — Cuidamos de tudo até você voltar.

— Obrigada, gatinho — ela falou e saiu