Miraculous - Decisões de um Coração Partido
5 Esclarecimentos
POV Adrien
O relógio marcava 23h47 minutos, eu não estava conseguindo dormir, apenas encarando o teto.
— Adrien? — Plagg me chamou — Tá acordado?
— Sim, Plagg — respondi e ele se aproximou
— Eu tô com fome — ele falou e dessa vez não parecia ser gula
— Não tô com nenhum queijo aqui — respondi me sentando
— Tudo bem, vou pegar um pra comer — Plagg falou e eu assenti
Ele voou atravessando a porta, como não estava conseguindo dormir decidi ir atrás do Plagg. Fui até a cozinha e o vi sobre o balcão comendo um pedaço de queijo e vi a Tikki que comia um biscoito ao lado dele.
— Oi Adrien — Tikki falou sorrindo
— Oi Tikki — retribui o sorriso me aproximando, me sentei no banco em frente ao balcão que eles estavam
— Não consegue dormir? — ela perguntou me olhando e mordeu um pedaço do biscoito
— Não — admiti olhando-a
— Foi muita informação em pouco tempo — Plagg comentou e mordeu o pedaço do queijo
— O que aconteceu com ela nesse tempo? — perguntei olhando-os, eles se entre olharam em uma conversa silenciosa e me olharam
— Acredito que isso seja um assunto que deveria conversar com ela — Tikki falou me olhando e assenti
— Podem me dizer como ela se tornou a guardiã? — perguntei e ela assentiu
— Depois do coma, a ordem dos guardiões avaliaram a Mari — Tikki falou me olhando — Como ela não apresentava sinais de... loucura, o Mestre Fu teve a permissão para continuar a prepara-la.
— Continuar? — perguntei intrigado
— Desde o momento que o Mestre Fu permitiu que a Mari, recrutasse novos heróis, ele a estava preparando pra der guardiã — Plagg respondeu
— Depois de tudo que aconteceu, a Mari ter sobrevivido foi um milagre — Tikki falou sorrindo — O Mestre Fu e a Ordem dos Guardiões acreditaram que ela será a guardiã mais poderosa que já existiu.
— Tanto que a Ordem a quer prepara-la pra ser a guardiã suprema — Plagg comentou como se não fosse nada e comeu o queijo.
— O que isso quer dizer? — perguntei curioso
— Eles estão preparando-a para assumir a liderança da Ordem dos Guardiões — Tikki respondeu — Por isso ela é a responsável por esse templo.
— Há quanto tempo começou? — perguntei olhando-a
— Há uns cinco anos — ela respondeu e terminou de comer o biscoito
— De onde acha que surgiu a ideia de espalhar as caixas dos Miraculous? — Plagg perguntou — De ensinar a adolescentes a seguirem o caminho certo para usar o poder dos Miraculous para ajudar as pessoas?
— Foi a Marinette? — perguntei e eles assentiram
— Anda assistindo TV, Adrien? — Tikki perguntou e não entendeu o motivo da pergunta — O índice de missões bem sucedidas da polícia envolvendo reféns aumentou no mundo inteiro.
— Já se perguntou como esse lugar é mantido? — Plagg perguntou e eu neguei
— A Mari convenceu a Ordem a permitir que os portadores pudessem ajudar em situações que a polícia não daria conta sozinha — Tikki falou — O governo de cada lugar que possui um novo templo, ajuda a manter o lugar.
— Pro governo, aqui é uma espécie de abrigo pra jovens apoiado pelos heróis — Plagg completou — Mas sempre no anonimato.
— Não podemos correr o risco de saberem que os Miraculous estão por aí — Tikki falou — Pessoas com más intenções poderiam tentar rouba-los como foi feito com o Miraculous do Tigre.
— Ela sempre procurando cuidar de todos — murmurei com um sorriso discreto — Algumas nem o tempo pode mudar.
Fiquei em silêncio por alguns segundos até que ouvi o som de passos no corredor, olhei na direção e vi a Marinette que parou ao me ver ali. Acabei olhando-a por completo, ela usava uma camisola preta de tecido leve que terminava no meio das coxas, por cima estava um robe do mesmo material aberto, desviei o olhar antes que ela notasse.
— Desculpe — ela murmurou fechando o robe e amarrando para que ficasse fechado — Achei que todos estavam dormindo.
— Tudo bem — falei enquanto ela se aproximava
— Aceita uma água? — ela perguntou indo em direção ao armário
— Claro — disse, ela pegou dois copos colocou água me entregou um — Obrigado.
— Não consegue dormir? — ela perguntou e tomou um gole de água
— Tentei, mas não consegui — respondi sinceramente e tomei um pouco de água
— Desculpa — ela murmurou pondo o copo no balcão — Não queria ter tirado vocês das suas vidas, mas eu...
— Não pode colocar a vida das crianças em risco — conclui e ela assentiu
— Eles contam comigo — Marinette falou preocupada
— Me contaram das suas ideias em relação aos templos e o trabalho de ajuda — falei mudando de assunto e ela me olhou — É realmente impressionante.
— Obrigada — ela falou corando um pouco e sorri — Quem contou?
— Eles — respondi indicando os kwamis que estavam conversando na outra ponta do balcão e ela sorriu
— Tagarelas — ela falou sorrindo
— Antes que eu esqueça — falei e ela me olhou — Que história foi aquela de Marine?
— Ao sair do templo, eu precisava recomeçar — ela respondeu com sinceridade — E como a Marinette Dupain-Cheng havia sido dada como morta, precisava de uma nova identidade, um novo passado.
— E como se chama agora? — perguntei enquanto ela abria um pote de biscoito colocando entre nós dois
— Marine Chain-Fu — ela respondeu, comeu um biscoito — Escolhi esse sobrenome em homenagem ao Mestre
— Há quanto tempo? — perguntei olhando-a e peguei um biscoito
— Quase seis anos — ela respondeu baixando o olhar pro balcão e suspirou
— Gostei do novo nome, é tão bonito quanto o original — falei e ela me olhou — Mas pra mim sempre será a Marinette.
Ela deu um sorriso discreto e comeu outro biscoito.
— Sinto muita falta dele — ela falou sem me olhar
— Sei como se sente — falei lembrando da falta de que fez na última década, ela tremeu levemente e algumas lágrimas escorreram
Me levantei e fui para o lado dela e a abracei
— Me perdoa — ela pediu chorando e me abraçou apoiando a cabeça no meu peito — Não queria ter feito vocês passarem por essa situação.
— Você tá aqui agora — sussurrei tentando conforta-la — É o que importa.
— Senti muito a falta, gatinho — ela falou e eu sorri
— Eu também, Princesa — sussurrei e ficamos ali até que ela se acalmasse
Quando ela se acalmou desfizemos o abraço e ela secou as lágrimas.
— Obrigada por estar aqui — ela falou se levantando do banco
— É bom ter você de volta — falei olhando-a e ela sorriu
— Acho melhor irmos dormir, já está ficando tarde — ela falou colocando os copos na pia
— Isso é um convite, senhorita Dupain-Cheng? — provoquei fechando o pote de biscoito
Ela parou e se virou na minha direção.
— Seu comentário foi tanto indiscreto, não acha, senhor Agreste? — ela perguntou me olhando
— Depende do ponto de vista — falei me aproximando dela
— E qual seria o seu? — ela perguntou tranquilamente
— Que existem coisas que o tempo não é capaz de mudar — falei parando na frente dela.
Ficamos em silêncio, nos olhando nos olhos, até que ela desviou.
— Preciso ir dormir — ela falou se afastando alguns passos, mas segurei sua mão fazendo-a parar
— Mari, espera — falei olhando-a
— Amanhã será um dia bem cheio — ela falou se soltando delicadamente — Tenta descansar, Adrien. Boa noite.
Ela se virou e seguiu em direção ao corredor
— Boa noite — sussurrei mesmo sabendo que ela não ouviria
Na manhã seguinte
Quando eu acordei, toquei de roupa e fui ao banheiro fazer minha higiene, no momento em que retornei ao quarto, ouvi um barulho vindo da cozinha, fui até lá e só encontrei a Alya e Nino.
— Bom dia — Eles falaram quando me viram
— Bom dia — respondi me aproximando — Onde está a Mari?
— Acabou de sair com o Guilhermo — Alya respondeu simplesmente
— Hmm — falei e me sentei pra comer em silêncio
— Tá tudo bem, Adrien? — Nino perguntou e simplesmente assenti — Não parece
— Eu já disse que tô bem — falei olhando-o
— Calma, Adrien — Alya falou me olhando — Ele só fez uma pergunta.
— Me desculpe — falei me acalmando
— O que aconteceu? — Nino perguntou
— Nada — respondi e voltei a comer
— Acho que o Adrien tá com ciúme da Mari e o Guilhermo — Alya falou e eu a olhei permanecendo em silêncio.
Voltei a comer e não troquei mais nenhuma palavra com eles. Quando terminamos e fomos limpar a louça, a porta da sala foi aberta e um garoto de uns 16 anos entrou.
— Bom dia — ele falou fazendo uma leve reverência — Solicitaram que se trocassem e me acompanhassem até a sala de treinamento.
Ele se aproximou entregando uma bolsa pra cada um de nós.
— Bom dia — respondi olhando-o — Como se chama?
— Murilo — ele respondeu e assenti
— Voltamos logo, Murilo — falei e nos direcionamos aos respectivos quartos.
Abri a bolsa e vi que tinha um conjunto moletom calça e casaco academia, calcei meu tênis, sai do quarto e segundos depois Alya e Nino também apareceram, mas o da Alya eta diferente, ao invés da calça era um short. Nossas roupas tinha a cor dos nossos uniformes quando nos tranformavamos. Fomos para a sala e o garoto se levantou do sofá olhando na nossa direção.
— Podemos? — ele perguntou e assenti
Ele nos guiou para o elevador, descemos para o térreo, Murilo nos guiou pelos corredores até chegarmos a sala de treinamento. Era uma sala grande, havia tatames, onde alguns já estavam treinando defesa pessoal, havia uma parede com espadas de madeira e bastões, para serem usadas em treinamento.
— Bem vindos — Guilhermo falou nos olhando — Preparados para o treino?
— Claro, mas acho que lutar contra os garotos não será algo muito justo — falei olhando-o
— Não subestimar o adversário é essencial — ouvimos a voz da Marinette e nos viramos na direção dela
Ela usava um conjunto de casaco e short moletom preta com detalhes em vermelho, tênis branco, o cabelo amarrado em um rabo de cavalo.
— Vamos ver se estão enferrujados — ela falou se aproximando
— Vamos lutar contra você? — Alya perguntou e ela negou com a cabeça
— Se transformem, mas vão lutar sem os poderes especiais — ela falou, nos transformamos e ela olhou as crianças — Preciso de três voluntários.
Três adolescentes se aproximaram, o Murilo, a Bianca e outro que não sabia o nome. Todos eles carregavam um bastão de madeira
— O objetivo de vocês, vai ser tirar o Miraculous deles — Marinette falou — Vão para o tatame. Começam ao meu sinal.
Fomos e ela foi para o lado do Guilhermo assistir a luta.
— Quem vocês escolhem? — a Bianca falou — A Raposa é minha.
— Fico com o gatinho — Murilo falou
— Porque eu tenho que ficar com o lento? — O garoto perguntou olhando os outros dois
— Ei, eu tô ouvindo — Nino reclamou
— Por que escolhemos primeiro, Gustavo — Bianca respondeu simplesmente
— Só mais uma coisa — Marinette falou e todos nós a olhamos — Peguem leve com eles.
— Não se preocupe, My Lady — falei olhando-a e ela deu um sorriso torto
— Não falei isso pra vocês — ela respondeu e os adolescentes a nossa frente deram ar de riso.
— Muito engraçada, Mari — resmungo voltando a atenção para os garotos
Seria a luta mais fácil de todas.
— Comecem — Marinette falou e os garotos correram na nossa direção.
Preparei meu bastão para acerta o Murilo, ele se inclinou para trás deslizando pelo chão, se levantou rapidamente e com o bastão dele derrubou a Rena Rouge de costas no chão com uma pancada nas pernas.
Ao mesmo tempo, Bianca que havia escolhido a Rena, correu na direção do Carapace para dar um chute, mas ele se protegeu com o escudo, ela usou isso como impulso pra dar um mortal para trás esticando a mão, ela conseguiu saltar por cima da Rena e tirar o seu Miraculous.
Enquanto Nino se protegeu da Bianca a Gustavo foi na direção dele dando um chute em seu rosto, fazendo-o cair pelo golpe não esperado, antes que ele se recuperasse o Gustavo tirou o Miraculous dele.
Murilo após derrubar a Alya veio na minha direção, usando o bastão, ele lutava bem, Bianca veio me atacar, mas desviava dos seus golpes, estava tão distraído com a ofensiva deles dois que não percebi o Gustavo se preparando pra dar um rasteira, só o notei depois que estava no chão. Bianca usou o bastão para me acertar e tive que virar para o lado, com esse movimento o Gustavo conseguiu segurar meu braço esquerdo de uma forma que qualquer movimento forte, causaria uma fratura, Bianca conseguiu me dar uma chave no braço direito onde estava o anel, sempre forçando a minha mão para não fechar e o Murilo se aproximou puxando o anel desfazendo a transformação.
Assim que eu não era mais o Chat Noir eles me soltaram e consegui me levantar. Marinette se aproximou e olhou o celular.
— Menos de cinco minutos — ela falou simplesmente — Foi o tempo que três adolescentes levaram pra tirar os Miraculous dos maiores heróis de Paris.
— Eles são treinados para isso — Nino falou
— Assim como os capangas que levaram as crianças — ela rebateu simplesmente
— Conseguíamos lidar com Hawk Moth, vamos conseguir vencer esses caras — Alya falou, desviei o olhar, Mari percebeu e se aproximou dela
— Esses caras são piores que o Hawk Moth, Se ele fez o que fez foi pra ter a família de volta — ela falou séria — Esses caras não tem propósito nenhum a não ser propagar o caos com o poder dos Miraculous. Hawk Moth nunca tentou nos matar, mas se esses caras conseguirem tirar seus Miraculous, tenham certeza que eles os matarão.
Parei olhando-a, ela defendeu o meu pai, mesmo com todo mal que ela causou, todos os perigos que corremos por causa dele, ela ainda conseguia entende-lo.
— Devolvam a eles os Miraculous — Marinette falou se afastando
As crianças se aproximaram e devolveram os Miraculous. Observei a Mari olhar o celular como se lesse alguma coisa, falou algo com o Guilhermo que assentiu antes que ela saísse. Ele se aproximou do tatame onde estávamos.
— Retomem o treino com os outros — ele falou e as crianças assentiram
— Sim, Mestre — falaram em unissom antes de saírem
— Mestre? — perguntei intrigado
— Mari, Miguel e eu, fomos treinados no Templo do Tibete para sermos guardiões — ele respondeu simplesmente — Mari é a principal guardiã da caixa que está aqui e Miguel e eu somos auxiliares.
— Pelo que a Mari disse, acha que o Miguel... — Alya não concluiu a pergunta
— Eu não sei, mas torcemos para que ele esteva vivo — Guilhermo falou simplesmente e suspirou — Vamos seguir com o treino, o tempo tá passando e precisam estar preparados quando a hora chegar.
Nos posicionamos, dessa vez sem as transformações, ele era um ótimo instrutor, passamos algumas horas ali até sermos dispensados.
Fale com o autor