Miraculous - Decisões de um Coração Partido
12 Dia Seguinte
Notas iniciais
POV Adrien
Assim que entrei no quarto, fui tomar um banho, foi um dia com agitos e emoções demais. Me vesti uma cueca e uma bermuda, arrumei a almofada do Plagg e deixei um pedaço de queijo para quando ele voltasse, estava ajeitando os lençóis da cama para me deitar quando ouvi leves batidas na porta e a abri vendo a Marinette.
— Desculpa incomodar — ela falou um pouco sem jeito
— Não é incômodo — falei olhando-a e dei espaço — Quer entrar?
— Obrigada — ela respondeu entrando, fechei a porta e ela me olhou — Eu só vim agradecer o que fez pela Emma, sabe... os bonecos.
— Ela conseguiu dormir? — perguntei me sentando na cama e a Mari continuava em pé
— Sim, ela... parecia mais tranquila depois que entregou as pelúcias — ela falou olhando para o e levantou o olhar para mim — Não sabia que eles estavam com você.
— Olha, parece que a grande Guardiã não sabe tudo sobre mim — brinquei e ela deu ar de riso — No dia seguinte ao enterro, fui com a Alya a casa dos seus pais, pedimos para ir ao seu quarto, foi quando vi as cartas e os bonecos, Alya e Nino estão com os deles.
— Entendi — ela falou olhando para o chão
— Tem notícia dos seus pais? — perguntei e ela assentiu
— Sim, estão bem — ela respondeu com um sorriso triste — A nova padaria do papai tá fazendo sucesso.
— Sente falta deles — afirmei olhando-a — Vai lá, conta a verdade a eles.
— E falar o quê? — ela perguntou me olhando — "Oi, mãe! Oi, pai! Sou eu, voltei depois de dez anos fingindo estar morta"?
— Sei que se explicar a eles, irão entender — falei me levantando da cama e me aproximei dela
— Você não conhece meus pais — ela falou simplesmente
— Conheci muito bem eles depois que partiu, eles te amam mais do que tudo — falei olhando-a — Eles ficariam muito feliz em te ver novamente.
— Se eu fizer, eles vão querer voltar a Paris, vão querer que voltemos a ser uma família — Mari falou como se isso explicasse tudo
— E isso por acaso é ruim? — questionei intrigado e ela suspirou passando a mão pelo cabelo
— A Marinette morreu — ela falou me olhando — Se meus pais voltarem para sermos uma família, podem descobrir que estou viva, Lila sabe que sou a Ladybug. Não posso expor os meus pais, o templo e as crianças a esse risco.
— Entendi — falei entendo o ponto de vista dela
— Pedi pro Plagg ficar de olho na Emma com a Tikki caso ela tenha algum pesadelo, tudo bem? — ela perguntou e assenti — Eu preciso ir.
Ela começou a andar em direção a porta
— Ela estava com medo quando a encontramos — falei e a Mari parou para me olhar — Mas assim que soube que você estava lá, a Emma entrou em desespero. Naquele momento eu me vi com 16 anos novamente, vendo você fundir os Miraculous.
Me sentei novamente e Mari deu alguns passos na minha direção.
— Ela correu até aquela sala depois que viu o estado do Miguel, ela temeu pela sua vida — falei e sorri levemente — Eu achava que ninguém conseguiria te amar tanto quanto eu, mas sei que a Emma ama.
— Onde quer chegar? — ela perguntou receosa
— Que eu fico feliz que durante os últimos seis anos teve alguém que te ama dessa forma — falei olhando-a — Só que não vai mais ser assim.
— O quê? — ela perguntou levemente nervosa
— Tudo o que aconteceu hoje, não muda em nada o que eu te disse naquele corredor — falei me aproximando — Não vou te perder outra vez. Não vou mais sair da sua vida.
— Adrien... — ela começou, mas a interrompi
— Sei que pode não ser tão simples, temos que ir com calma para a Emma entender as coisas — falei olhando-a nos olhos — Mas acho que não vai demorar tanto, ela é um garota inteligente.
— E quanto a sua família? — ela falou me olhando — Tem seu pai, sua mãe, você está prestes a assumir a presidência da empresa do seu pai.
— Meus pais ficarão bem — afirmei olhando-a — E isso não afeta em nada a empresa, meu pai passou anos trabalhando. Vai ser até bom, assim podemos manter a nossa vida longe da mídia.
— Tem certeza? — ela perguntou me olhando fixamente
— Nunca tive tão certo — falei firme e a beijei
Foi um beijo breve, mas suave, repleto de carinho e amor.
— Eu te amo, Adrien — ela sussurrou após o beijo
— Também te amo, Mari — sussurrei de volta e ela me deu um selinho
— Amanhã preciso resolver algumas coisas e precisamos dormir — ela disse começando a se afastar, mas a puxei para perto
— Dorme aqui — falei simplesmente
— Adrien — ele falou baixo me repreender
— O quê? — perguntei confuso — Não seria a primeira vez.
— A Emma está do outro lado do corredor — ela falou como se fosse óbvio
— Mais uma razão para dormir aqui é mais próximo caso ela acorde — falei dando de ombros e ela riu — E estou falando de dormir no sentido literal.
— Tá bem — ela falou e fomos até a cama.
Deitei primeiro e ela se acomodou ao meu lado usando o meu peito como travesseiro, a abracei e ela envolveu meu abdômen com o braço, não demorou muito para que o cansaço nos dominasse e a gente dormisse.
Na Manhã Seguinte
Quando acordei notei que a Mari não estava mais no quarto, me levantei fiz minha higiene matinal e coloquei una camisa e fui a cozinha, assim que cheguei vi a Alya e o Nino tomando café da manhã.
— Bom dia — Eles falaram ao me verem
— Bom dia — respondi e olhei em volta — Cadê a Mari?
— Ela foi tomar café no refeitório, disse que iria conversar com as crianças depois da refeição — Alya respondeu enquanto me sentava
— Como foi descobrir tudo? — Nino perguntou me olhando
— Souberam da Emma? — perguntei olhando-os
— Quando o portal foi fechado e a Emma viu o Guilhermo, correu até ele dizendo que estava com medo e que a mãe estava machucada — Alya falou me olhando — Ele tentou acalma-la dizendo que a Marine ficaria bem.
— Depois que cuidamos das crianças ele nos contou que a Emma era filha adotiva da Mari — Nino completou
— Foi um susto bem grande, mas depois de saber o que aconteceu, compreendi a Mari — falei olhando-os
— Eu tinha notado que vocês estavam se aproximando, como vão ficar as coisas? — Alya perguntou me olhando
— Nunca foi segredo para ninguém que sempre fui apaixonado pela Mari, mesmo nos dez anos sem ela — falei com convicção — Eu não vou desistir dela agora. Enquanto ela me quiser na vida dela, eu estarei.
— Bom, a gente sabe que a Mari você conquistou, falta a Emma — Nino falou em tom brincalhão, me fazendo rir
— Já conheceram a Emma? — perguntei olhando-os
— Rapidamente, ela me lembrou a Marinette quando éramos crianças, era muito mais tímida do que quando a conheceu — Nino falou sorrindo levemente com a lembrança
— A Emma é tão fofa! Os olhos dela são idênticos aos da Marinette — Alya falou empolgada — Ela é muito linda.
— Ela tem muito da Marinette — concordei com os dois, a porta da sala foi aberta e olhamos na direção vendo a Emma e a Mari entrando
— Tem mesmo que ir? — Emma perguntou olhando-a tristinha
— Tenho, meu Amor, mas vou fazer de tudo pra não demorar — Mari falou fechando a porta
— Promete? — Emma perguntou
— Prometo — Mari respondeu se virando para ela
— Bom dia — falei e elas olharam na minha direção
— Bom dia, Adrien — Marinette respondeu
— Bom dia — Emma respondeu um pouco sem jeito
— Conseguiu dormir? — perguntei olhando a menina que assentiu
— Vão sair? — Alya perguntou olhando-as
— Eu vou, a Emy vai ficar com o Guilhermo — Mari respondeu
— Não quero que você vá — Emma murmurou se sentando no sofá
— O que aconteceu? — perguntei me levantando
— As crianças querem ir hoje fazer o reconhecimento das pessoas que as sequestraram — Marinette respondeu me olhando — E tenho que ir com eles, mas a Emma quer que eu fique.
— Aquela mulher vai tá lá — Emma falou preocupada — E se ela tentar algo contra você de novo?
— Emma... — Mari falou calma, mas a menina não deixou ela concluir
— Ela disse que quer te matar — Emma falou deixando algumas lágrimas rolarem e a Mari sentou ao lado dela
— O quê? — ela perguntou olhando a filha
— Quando me colocaram no isolamento, ela falou comigo — Emma respondeu chorando — Ela me olhou e falou que faria com você o que fez com o outro guardião.
Emma começou a chorar, Mari estava assustada, mas abraçou a filha, olhei na direção do Nino e da Alya que se aproximavam surpresos assim como eu. Como a Lila pode falar isso para uma criança? O som do soluço da Emma me trouxe de volta a realidade e me aproximei dela.
— Ei, olhe pra mim — pedi e ela o fez — Sei que está com medo, mas não vai acontecer nada a sua mãe. Ela precisa ir porque é o único jeito de ter certeza de que aquele monstro não vai machucar mais ninguém.
— Não quero a mamãe perto dela — Emma falou e assenti
— Eu também não quero, por isso eu vou com ela — afirmei olhando-a — Não vou deixar aquela mulher chegar perto dela novamente.
— Promete? — ela perguntou baixo e me olhando
— É claro. O Chat Noir sempre protege a sua Lady — falei olhando-a e decidi mudar de assunto — Já comeu?
Emma assentiu desviando o olhar e secou as lágrimas enquanto a Mari fazia carinho na filha.
— Não senti muita firmeza — falei e ela me olhou
— Ela só quis tomar suco — Mari falou olhando a filha
— Sabe qual o segredo pra ser um bom Chat Noir? — perguntei, ela me olhou curiosa
— Ser corajoso? — ela perguntou baixo e me olhando
— Também, mas tem uma coisa tão importante quanto — falei olhando-a — Se alimentar bem.
— É? — ela perguntou um pouco confusa
— É claro, porque acha que o Plagg come tanto queijo? — perguntei, ela deu ar de riso e sorri levemente — Ainda não tomei um café, me acompanha?
Emma olhou para a mãe como se pedisse permissão, Mari deu um beijo no topo da cabeça da filha.
— Vai lá — Mari falou, Emma se levantou e segurou minha mão que estava estendida na direção dela, me levantei olhando pra Mari — Obrigada!
Simplesmente pisquei um olho e fui para a cozinha com a Emma. Ela se sentou em uma das cadeiras vagas, vimos a Mari ir em direção ao corredor acompanhada da Alya e do Nino.
— Torradas com geléia? — perguntei olhando-a
— Nutella — Emma respondeu me olhando, preparei a torrada e as coloquei em um prato colocando em frente a ela — Obrigada
— Suco? — perguntei e ela assentiu começando a comer uma torrada
Coloquei suco em um copo deixando em frente a ela. Me sentei e comecei a me servir, Emma comia devagar e parecia pensativa, olhando para um ponto qualquer da mesa
— Uma torrada com Nutella, pelos seus pensamentos — falei e ela me olhou — O que tá te incomodando?
— Nada — ela respondeu desviando o olhar e mordeu um pedaço da torrada
— Não é o que parece — falei olhando-a
— Só não sei porque aquilo tinha que acontecer — ela falou sem me olhar — Porque ela tinha que levar a gente?
Eu parei olhando-a, pensei um pouco e suspirei pesadamente deixando a minha comida de lado.
— Olha, gatinha — falei e ela me olhou — Aquela mulher é uma mentirosa, que tem muito rancor no coração. Quando soube de vocês, achou que poderia atingir a sua mãe levando-os daqui.
— Porque ela quer fazer mal a minha mãe? — ela perguntou baixo e me olhando
— No mundo, infelizmente existem pessoas más, dispostas a fazer muita perversidade, ela não foi a primeira pessoa e nem será a última — falei e a Emma abaixou o olhar — Mas é por isso que os heróis existem. Para deter pessoas ruins como aquela mulher. E enquanto existirem pessoas boas como a sua mãe, o Guilhermo e outros bons portadores, faremos o possível para proteger quem precisa e levar as pessoas ruins a justiça.
— O que vai acontecer com aquela mulher? — Emma questionou
— Ela vai ser julgada e condenada — respondi olhando-a — E vamos garantir que fique muito tempo em um lugar onde ela não possa fazer mal a mais ninguém.
— E quando ela sair? — Emma questionou
— Vamos estar aqui pra proteger vocês — respondi olhando-a nos olhos — Não se preocupe, nem sua mãe e nem eu deixaremos que nem aquela mulher e ninguém faça mal a você ou as outras crianças.
— Obrigada, Adrien — ela falou me olhando
— De nada — respondi sorrindo — Sabe, acho que uma certa gatinha tem que terminar de comer, não é?
— Tá bem — Emma falou, voltou a comer e fiz o mesmo.
Olhando aquela garotinha a minha frente. Me questiono, como a Lila teve coragem de fazer uma coisa dessa? Falar para uma criança que iria matar a mãe dela, isso é tortura psicológica e por quê? Porque não soube lidar com as consequências das mentiras que criou e das péssimas decisões que tomou. Decisão ainda pior foi esse sequestro, colocar em risco a vida de crianças, em busca de uma vingança sem sentido, fruto de uma birra de adolescência.
Sei que a Mari e o Guilhermo darão todo o apoio necessário a essas crianças, sei que eles não as deixaram passarem por essa situação sozinhos, espero apenas que a justiça seja feita e que a Lila pague por todo mal que causou.
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