Miraculous - Amor Revelado
8 Sentimentos confusos
Os dias passaram voando! Marinette já se acostumara àquela rotina de visitar a casa de Adrien para o ensaio e estava amando! Principalmente o tempo que passavam juntos depois. Eles sempre faziam um lanchinho, geralmente se deliciando com os quitutes que Marinette trazia da padaria e conversavam bastante sobre variados assuntos. Adrien havia ficado muito preocupado com ela por causa do ataque do akuma. Ele havia ligado para seu celular diversas vezes naquela noite, porém, com tudo que aconteceu, ela sequer havia se lembrado do telefone que estava no modo silencioso dentro da sua mochila.
Por causa disso ele agora não mais a deixava ir embora sozinha. Quando ele tinha algum compromisso agendado, ele pedia o Gorila para deixá-la em casa antes e ela podia desfrutar mais um tempinho com ele na curta viagem até sua casa. Ele sempre se despedia dela com um beijo suave no rosto, o que a deixava nas nuvens. Quando ele não tinha que sair, pedia ao motorista que a levasse, mesmo Marinette tentando recusar, ele fazia questão e era muito obstinado quando queria algo, ela pode perceber.
Mas em meio a tudo aquilo Marinette sabia que o que era bom durava pouco tempo. Eles combinaram o último ensaio para aquela tarde. No dia seguinte Adrien iria à casa dela para prepararem as sobremesas escolhidas para apresentarem na exposição que aconteceria dali a dois dias apenas! A ansiedade e expectativa cresciam no coração de Marinette.
Alya e Nino iriam participar do último ensaio. Eles ainda não haviam visto como ficara a canção e Alya queria registrar tudo para fazer um making off. Nino já estava com quase tudo pronto para o som e iluminação, mas também precisava dar uma olhada no ensaio a fim de montar um cenário, como ele dizia, digno de Hollyood!
E lá estavam eles na sala de música da mansão Agreste. Adrien e Nino conversavam sobre os detalhes do palco e do som. Alya e Marinette estavam sentadas na poltrona luxuosa e também falavam sobre a exposição:
— Amiga você já desenhou o vestido que vai usar?
— Claro Alya! Já até mandei para a costureira.
— Está brincando comigo? Por que não me mostrou o desenho? – Alya fingiu-se de ofendida, mas já sabia a resposta da amiga
— Porque é surpresa! – Marinette sorriu misteriosa
— Você quer me matar né? Mas eu tenho certeza de que será lindo!
— Obrigada por colocar tanta fé em mim Alya. Se não fosse você, acho que nada disso estaria acontecendo!
— Não me agradeça ainda porque uma coisa importante que faz parte de meus planos ainda não aconteceu – A ruiva chegou mais perto e sussurrou – O beijo de amor entre você e o nosso amigo loiro ali.
Marinette enrubesceu
— Alya! Você é impossível!
Elas riram, despertando a curiosidade dos garotos
— Qual é a graça em donzelas? – Nino brincou
— Papo de garotas Nino! Fique fora disso! – A ruiva respondeu lançando uma piscadela pra ele.
Nino corou na mesma hora, exatamente como Marinette havia feito momentos antes.
— Então chega de papo e vamos ao nosso ensaio final. — Adrien se aproximou da poltrona e deu a mão para Marinette se levantar. Ela sorriu, fazendo o coração do modelo acelerar.
Eles fizeram o último ensaio dando o melhor de si. Adrien e Marinette realmente formavam uma dupla e tanto. Tinham sintonia, se entendiam apenas com o olhar. Ele sabia o momento exato em que ela queria mais intensidade nos acordes e quando ela iria subir o tom da música. Era maravilhoso assisti-los. Alya e Nino se entreolharam de um jeito que dizia: Eles foram feitos um para o outro!
É claro que Nino não podia dizer uma palavra a Adrien sobre isso, senão Alya arrancaria seu couro. Ela era muito leal e apesar de vez ou outra querer dar um empurrãozinho, incluindo pedindo a ajuda do moreno, ela jamais iria interferir na decisão de Marinette em como e quando contar a Adrien que o amava.
Os amigos aplaudiram o casal de músicos ao final da canção.
— Nossa! Vocês não fazem idéia de como está linda essa música! Vocês arrasam! – Alya elogiou orgulhosa dos amigos
— É verdade! – Nino concordou com a ruiva – Essa apresentação vai ser um estouro!
Marinette e Adrien se entreolharam. Os dois sorriram timidamente e fizeram o movimento formal de agradecimento ao público que haviam ensaiado, dando as mãos e curvando-se.
Pouco tempo depois, Alya, Nino e Marinette já estavam de saída e pararam no hall de entrada da mansão para se despedirem. Estavam muito animados e falavam sem parar sobre a apresentação. Toda aquela agitação foi interrompida pela abertura da porta e a entrada imponente de Gabriel Agreste.
O famoso designer olhou para os garotos e cumprimentou friamente
— Boa tarde!
Eles responderam em uníssono
— Boa tarde senhor Agreste!
— Vejo que estão bastante... Animados com o trabalho da escola.
— Estamos sim pai. Hoje foi nosso último ensaio – Adrien respondeu com uma ponta de tristeza. Sentiria falta dos ensaios e da conversa com Marinette.
A garota de olhos azuis olhou para o homem a sua frente. Adrien havia lhe contado que o pai tinha gostado da música que ela escolhera para a exposição e que ele cogitara a possibilidade de ouvir Adrien tocá-la no piano. Em um impulso Marinette falou:
— O senhor irá nos prestigiar na exposição certo senhor Agreste? – Ela corou um segundo depois que perguntou. "Você está maluca Marinette? Por que lhe perguntou isso?"
Por alguma razão, Gabriel, ao invés da costumeira frieza na voz e no olhar, olhou para Marinette com a expressão mais neutra, quase esboçando um leve sorriso.
— Eu vou tentar Marinette.
Ela foi mais além. Não acreditava no que estava fazendo!
— Por favor, senhor Agreste! Significaria muito para todos nós que o senhor comparecesse. Seria muito importante! O senhor promete que vai se esforçar?
Ele a olhou um pouco surpreso com a ousadia da garota. Isso sim o fez sorrir discretamente. Lembrou-se quase que instantaneamente de sua esposa.
— Está bem mocinha. Eu farei o possível para ir — Ele logo se recompôs daquele momento de vulnerabilidade pela lembrança da sua amada — Me dêm licença. – Subiu as escadas apressadamente.
Adrien ficou de boca aberta com a cena! Ver seu pai sorrir era um evento bastante incomum. Virou-se para Marinette
— Como você fez isso?
Marinette deu de ombros. Ela sequer sabia o que tinha feito.
Adrien a surpreendeu com um abraço apertado.
— Obrigado Marinette!
— E-eu... Hã... d-de nada... – Ela sabia o quanto seria importante para ele se o pai fosse à exposição, talvez por isso tenha tirado aquela coragem não se sabe de onde para falar com Gabriel.
Eles se despediram e combinaram de Adrien ir à casa de Marinette na tarde do dia seguinte para prepararem os doces.
***
Naquela noite, Lady Bug iria patrulhar. Já estava a caminho da torre Eifel, para encontrar-se com Cat Noir. Estava feliz e bem disposta para o trabalho. Seu relacionamento com Adrien havia evoluído muito. Tudo bem que ela ainda não havia conseguido se declarar para ele... Apesar das longas conversas que tinham, nenhum dos dois falava sobre seus sentimentos. Mas ela já começava a vislumbrar uma oportunidade de se declarar e seria em breve. Só de pensar nisso seu coração já dava cambalhotas. Qual seria a reação dele quando lhe dissesse que o amava...
Cat Noir já estava na Torre Eifel e vislumbrava a bela paisagem da cidade. Ele estava feliz com os últimos acontecimentos na sua vida. A amizade com Marinette estava cada vez mais forte e isso era muito importante pra ele. Ela era especial! Lembrou-se do que ela havia feito à tarde na sua casa. Praticamente havia intimado seu pai a comparecer a exposição. E o mais surpreendente era que o temido Gabriel Agreste parecia ter gostado da garota de cabelos negros e olhos azuis. Até sorrira para ela! Sensacional!
Ela com certeza sabia o quanto era importante pra ele que seu pai fosse e teve a coragem de pedi-lo para ir. Havia feito isso por ele! Seu coração se encheu de admiração e gratidão por ela.
De longe ele viu Lady Bug se aproximando. O sangue já começou a correr mais rápido em suas veias. Estava confuso por nutrir sentimentos tão intensos por duas garotas diferentes. Iria enlouquecer com aquilo!
— Ora ora my lady. – Beijou a mão da joaninha como de costume – Está atrasada!
— Uma Lady nunca se atrasa gatinho! Chega na hora certa. Você é quem se adiantou!
— Sempre com uma resposta na ponta da língua.
Ela riu
— Qual é o plano? – Ele perguntou ansioso. Queria gastar bastante energia, pois estava elétrico aquela noite
— Uau, estou vendo que tem alguém bastante animado para o trabalho! – Ela caçoou
Ele deu de ombros
— Apenas querendo descarregar a adrenalina que me atinge quando vejo você!
Ela ficou boquiaberta
— Meu Deus Chat Noir! Acho que a pancada que levou na cabeça no seu último combate foi forte demais! Suas cantadas estão piorando a cada dia!
— Essa doeu – Ele disse colocando a mão no coração de forma dramática fazendo-a rir
— Vamos trabalhar gatinho! Faremos a rota juntos dessa vez. Qualquer coisa diferente que perceber, um sinaliza para o outro.
— Excelente my lady, vamos lá!
Eles foram pulando pelos telhados das casas e prédios da cidade. Eram rápidos, faziam movimentos sincronizados, saltavam com precisão e facilidade pelos obstáculos. Corriam de encontro ao vento cortante o que fez com que Lady Bug pensasse rapidamente que logo chegaria o inverno.
Para Chat Noir aquela corrida era estimulante. Fazer todo esse exercício o ajudava a descarregar todo stress das suas atividades diárias e estar com sua lady era melhor ainda. Ela o instigava a transpor seus limites, o desafiava com o olhar, o induzia a ir mais longe. Ela era quase como um combustível que o fazia correr mais rápido e saltar mais alto. Ela também era seu alvo, que parecia inatingível! Pararam um pouco no alto de um prédio para visualizar melhor a região. Estavam ofegantes!
— Parece cansado gatinho! – Caçoou — Já quer parar?
— Você também não está assim tão tranqüila my lady! – Ela riu e ele se aproximou – Mas parece feliz!
Ela sentiu a proximidade dele e ficou em estado de alerta, mas percebeu pelo tom de voz que ele estava sendo sincero
— Tem razão, eu estou! Não vou deixar Hawk Moth tirar minha alegria e nem bagunçar a minha cidade!
— Assim que se fala my lady. Estamos juntos nessa!
Ela sabia. E querendo ou não ela se sentia segura com aquele gato por perto. Sem pensar apoiou as costas contra o peito dele e continuou a contemplar a cidade.
Chat Noir tremeu com aquela proximidade. Sua vontade era de rodear aquela cintura com os braços e fazer uma trilha de beijos pelos ombros e pescoço dela. Mas sabia que ela poderia se afastar, então apenas pôs uma das mãos sobre o ombro da joaninha, sem muito alarde para que ela não repelisse seu toque. Seu faro felino detectou um aroma suave, um perfume que lhe era familiar, mas não conseguiu identificar muito bem. Ficaram assim por alguns momentos até que ela se virou e disse
— Vamos voltar! Parece que tudo está tranqüilo.
— Como quiser minha Bugboo! – Ele concordou e a voz saiu rouca
Ela fez uma careta
— Quem chegar por último é um rato! – Ela riu e correu na frente dele
— Eu odeio ratos! – Murmurou e correu o mais rápido que pode para alcançá-la
Chegaram praticamente ao mesmo tempo. Lady Bug com alguns milésimos de segundo de vantagem.
— Ganhei gatinho! De novo!
— Você saiu antes de mim, então tecnicamente eu fui mais rápido porque chegamos juntos!
— O que? Ridícula essa explicação! – Ela riu
— Admita my lady o gatinho aqui é muito rápido! – Ele a puxou para seus braços só para vê-la desvencilhar-se com o costumeiro empurrão.
— É... Rápido até demais! Chega de brincadeiras, preciso ir! Até mais
— Até mais minha Bugboo. – Ele a viu partir e suspirou. Estava mais elétrico agora do que quando começou a patrulhar!
Precisava acalmar sua mente e coração pensou Chat Noir se detendo mais um pouco na torre Eiffel. Plagg não ia ficar muito feliz mas ele tinha uma idéia do que fazer. Ele começou a saltar rumo ao destino que estava em sua mente. Ao se aproximar da sacada da casa dos Dupain-Cheng, Chat Noir viu que a luz do quarto de Marinette ainda estava acesa naquela hora. Não era de se admirar que ela chegava atrasada na escola quase todos os dias. Com um perfeito salto felino pulou para dentro da pequena sacada.
Marinette havia acabado de se destransformar. Tikki comia cookies na espreguiçadeira enquanto ela separava algumas peças de roupa, preparando-se para tomar banho e dormir. Estava cogitando se lavava o cabelo ou não quando ouviu passos logo acima de sua cabeça, tinha alguém na sacada. Ela fez sinal de silencio para Tikki e subiu as escadas, empurrando a portinhola. Deu de cara com a figura de Chat Noir que já estava pronto para bater na porta.
— Chat! Nossa, você tem que parar de ficar me assustando assim sabia?
— Não foi minha intenção princesa – Ele sorriu estendendo a mão pra ela subir
— O que faz aqui? – Ela perguntou irritada. Será que não ficaria livre desse gato nem mesmo em sua forma civil? – Não tem uma cidade para salvar?
— Estou vindo da patrulha e garanto que os cidadãos parisienses estão seguros – Ele se aproximou um pouco mais e sentiu o perfume de baunilha – Eu vim saber como você está. O seu machucado, já sarou? – Aquilo era uma desculpa bem fraca considerando que Adrien já a tinha visto e discretamente avaliara que o ferimento estava cicatrizando. Mas ela não sabia disso, então decidiu que era a melhor desculpa que tinha.
Marinette olhou para o braço direito que quase não incomodava mais. Chat Noir havia feito um ótimo trabalho com o curativo, tinha que admitir, mesmo ela o achando intrometido naquela noite, do mesmo modo que achava agora.
— Estou bem – mostrou-lhe o braço e a pequena cicatriz que havia ficado – Viu? Já não tem mais nada.
Ele pegou no braço dela e passou os dedos suavemente pela leve cicatriz. As lembranças daquela fatídica tarde vieram rapidamente a sua mente, mas ele afastou o pensamento. Ela estava bem e era isso que importava.
— Fico feliz — Ainda segurando o braço dela, ele a olhou de cima a baixo. O pijama azul era quase do mesmo tom de seus olhos e realçava ainda mais a pele branca, mas o que mais lhe chamou a atenção foram os cabelos negros como a noite. Estavam soltos e brilhavam descendo pelo pescoço dela até os ombros. Ele ficou tentado a afundar suas mãos neles para descobrir se eram tão macios quanto aparentavam.
— Bom – ela desviou seu olhar dos penetrantes olhos verdes e se afastou um pouco do toque que a tinha feito estremecer levemente – Acho que você pode ir tranqüilo, eu estou bem e preciso dormir. Amanhã eu acordo cedo.
Ele sorriu.Percebeu que ela estava louca para se livrar dele, mas não se incomodou com isso.
— Está bem princesa – pegou na mão dela e depositou um beijo suave – Eu já vou!
Ela sentiu-se um pouco culpada por quase expulsá-lo dali. Antes que ele soltasse sua mão ela segurou firme a dele.
— Chat Noir, espere! – Diante do olhar confuso que ele lhe lançou, ela sorriu docemente – Obrigada por se preocupar comigo e... Vir me ver.
— Para mim é um prazer princesa... Sempre! – Ele não estava mentindo.
— Até breve Marinette.- Ele pulou da sacada
Ela suspirou com um sorriso bobo nos lábios. Gato intrometido!
***
Adrien ainda sorria enquanto se lembrava da cara de Marinette ao vê-lo na sacada de novo. Ele havia chegado a poucos minutos e aplacado a ira de Plagg com um generoso pedaço de queijo fedido que o kuami havia devorado em poucos segundos e depois se afundara na cama, não sem antes resmungar que não havia mais respeito com seus poderes.
Adrien estava bem mais relaxado agora, ver Marinette como Chat Noir era diferente! Ela se soltava muito mais, não ficava tão envergonhada e isso também lhe dava mais coragem para se aproximar dela. Ele se lembrou de como estava linda essa noite e adormeceu com a imagem dela na cabeça.
Adrien tocava o piano na sala de música da mansão. Estava sozinho. A música era forte e ele dedilhava as teclas com intensidade. Em sua mente se passavam várias imagens das batalhas que havia travado ao lado de sua lady. A imagem dela predominava seus pensamentos! Sempre linda, forte, corajosa. Ela corria e ele tentava alcança-la mas era inútil, ele não conseguia chegar até ela. Ele estava frustrado!
De repente sentiu mãos macias tocarem seus ombros. Ele parou de tocar o piano e se virou. Marinette tinha o olhar doce, os cabelos soltos nos ombros e um sorriso terno nos lábios que imediatamente acalmou a tempestade em seu interior. Ela acariciou seus cabelos e sem nada dizer o abraçou recostando a cabeça em seu peito. Ele passou a acariciar os cabelos negros que eram tão macios e o cheiro de baunilha e flores invadiu suas narinas embaralhando seus sentidos. Ela olhou pra ele e sorriu, colocou os braços em volta do seu pescoço e ele a segurou pela cintura. “Me beije Adrien... Eu estou aqui, não sofra mais. Fique comigo”. Ela fechou os olhos esperando que seus lábios se tocassem. Ele não podia mais resistir...
***
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