Minutos
10 FIM – Finalmente, Calmaria. ( Part 1 )
Notas iniciais
Não lhe era interessante olhar fixamente a cara da noiva, então o Shinigami desviou o olhar, que irônicamente caiu de forma aleatória no espelho do quarto. Um espelho de corpo inteiro que o surpreendeu quando pôde ver á si mesmo. Com um suspiro, voltou á encarar a mulher que andava em sua direção, com um sorriso de quem diz \'Seu grande bobo\', carinhosamente. Ela se sentou ao seu lado, ainda sorrindo.
– Existem coisas que são melhores enquanto não sabemos que existem, nee?
– Deve ser. Lembre-se, eu não sei do que estamos falando.
A mulher riu, abraçando o braço do homem ao seu lado.
– Estou grávida...
– Eu sei.
– Eu sei que você sabe.
– Qual a graça disso?
Brincou, abandonando a carranca e esquecendo qualquer nervosismo do dia.
***
Kid olhou pra varanda do próprio quarto, se acostando em um dos lados do portal que lhe dava a vista. O sol havia se posto á pouco tempo, e havia uma noite de Lua e estrelas no céu, iluminada e bonita. O garoto não evitou um sorriso espalhar em seu rosto. Na mão, uma pequena caixa de veludo. Ele á abriu, com um sorriso contente com si mesmo, ao ver o anel ali. Era idêntico ao que sempre usara, e havia insistido várias vezes e inventado vários motivos para que seu pai lhe desse mais um par.
Quer dizer, o Shinigami Pai não precisava saber dos detalhes, ora.
Ainda sentia as maçãs do rosto ficarem avermelhadas com a idéia de qualquer um ver no dedo de Crona um anel.
Uma aliança, exata e idênticamente moldada a partir da dele.
Nossa. Ainda se perguntava se estava se amarrando muito cedo, mas percebera que essa era a saga da família Shinigami – Quanto mais cedo se casar, melhor. Resolveu esquecer esse detalhe e começar a se preocupar com a resposta de Crona. Apesar de improvável, ainda existia a hipótese dela negar, ou simplesmente aceitar por ser o tipo de resposta padrão de pessoas com tanta falta de confiança e auto-estima. Suspirou de novo, andando em direção á porta do quarto e enfiando a pequena caixa bem fundo no bolso da espécie de bermuda que costumava usar em casa.
Saiu do quarto, fechando a porta atrás de si e vendo Liz pernambulando, olhando para o chão, tipo de coisa que nunca fazia. A animação de Liz e Patty sempre foram tão grandes, coisa que admirava tanto, e agora parecia tão perturbada... O que teria acontecido?
– Liz?
– Hum?
Ela levantou de repente a cabeça, percebendo que era com ela.
– Você parece estranha. O que houve?
– .. Nandemonai.
– Não parece nada.
– Eu só me sinto meio sonolenta.. E meu pé está doendo...
– Ah, é mesmo...! Hahaue disse que não era aconselhado caminhar, Liz. Vá pra cama, sim? Já está noite.
– EU vou, mas e você? Está indo pra onde? Você sabe, estava indo na direção do quarto de Crona... O seu é bem ali, esqueceu?
Desconversou, notando a direção em que estava seguindo. Kid corou um pouco, e um sorriso arteiro escapou.
– Não me esqueci, não.
Riu, dando as costas á Liz e seguindo os corredores da Shikedai.
***
Ele chegou á porta de Crona, e se sentiu meio estranho. Pegou a caixinha de veludo com um sorriso, sentindo um certo par de olhos azuis de uma certa gêmea o espiando. Ele quase pode ouvir o arfar da mesma, de longe. Ele riu, abrindo a porta e deixando a pequena espiã para trás.
Agora seria apenas ele, e Crona.
– Crona...? Hum, Crona?
Quando ele entrou no quarto a qual Crona estava hospedada, não vira ninguém. Ela não estava nem ao menos no tal \'Senhor Canto\'. Adentrou mais um pouco o quarto pouco iluminado, e pôde vê-la no canto da cama, agarrada aos joelhos, cercada por almofadas. Assim que ouviu a voz de Kid, ela afastou as almofadas e foi mais pro meio da cama, com uma face curiosa e meio assustada ao mesmo tempo. Assim que confirmou que era mesmo o Shinigami, afastou de vez as almofadas e saiu do canto da cama. Ela sabia que Kid se sentia aborrecido de vê-la em qualquer espécie de canto, ou recolhida. Não que ele tenha reclamado, mas ele faz a mesma expressão — mesmo que por um instante — de quando as coisas estão assimétricas, então Crona deduziu que era um ato que devia ser eliminado.
Ao menos na frente de Kid.
– K-Kiddo-kun... Eu... Eu... Hum. O-Oi.
Kid estranhou desde o princípio todo o nervosismo de Crona, e se perguntou se Liz havia entupido a cabeça dela de besteiras durante a tarde. Provavelmente, Liz havia dito coisas desnecessárias á pobre Crona.
Coisas sobre sexo.
Coisas que, óbviamente, ele não tinha a mínima da mínima intenção de fazer com Crona áquela noite, após tudo que acontecera durante o dia.
Mesmo assim, agradeceu internamente. Se Liz realmente havia conversado com ela, isso pouparia uma futura conversa vergonhosa.
– Crona... Você sabe porque eu pedi para dormir com você, hoje?
– Bom... Liz me disse algumas coisas... Foi... Por aquilo?
Crona fez uma careta de quem não entendia muito do assunto, o qual fazia sentido. Após suspeitas confirmadas, Kid riu, balançando a cabeça negativamente.
– Qualquer coisa que Liz tenha dito, não é. Na verdade, acho que ninguém saberia responder...
Ele se sentou ao seu lado, na cama, e mostrou a caixinha á ela, ainda sem abri-la, porque sabia que Crona não entenderia de primeira. Assim que Crona pareceu confusa, Kid sorriu, abrindo a caixa e indicando com o dedo o anel, e indicando para o seu também, mostrando que eram idênticos.
– Aqui. Está vendo? Esse, é igual á esse. É uma aliança.
– A-Aliança?
– É. Aliança de noivado. Isso significa que quero casar com você, Crona, se você quiser o mesmo. Enquanto não nos casamos, você usa o anel, para indicar o compromisso.
– ... D-D-Demo, isso...
Kid podia ver a respiração dela se tornar levemente ofegante, seus olhos ficarem maiores e um pouco marejados, olhando para o anel.
– Isso significa que é a única que quero beijar, Crona. Enquanto eu for o único para você também. Se você aceitar, então, seremos... noivos.
Sussurrou paciente, sentindo a face corar. A garota continuava com um olhar descrente, olhando como o anel brilhava sobre a pouca luz do lugar. As lágrimas lhe escorriam sem permissão, e logo subiu o olhar com admiração. As costas estavam arqueadas e lhe doíam, mas no momento ela se sentia lidando com coisas mil vezes mais importantes.
Depois de Maka lhe trazer o mar, Death The Kid lhe trazia os peixes e as estrelas. Um céu pra se admirar, e uma história pra se construir. Uma história pra se construir em conjunto, como dois em um só. Como nos filmes que Maka lhe dera, em que viu e admirou pessoas se amando e sendo felizes, e Kid se mostrava o homem das oportunidades, que lhe abria as portas para viver uma daquelas histórias de filme, que sempre lhe foram tão distantes e impossíveis.
As lágrimas de alguém que compreendia um mundo novo foram secadas rapidamente, por um alguém que oferecia o mesmo com carinho e paciência, como um professor explicando um aluno com dificuldade. O que simplificava bem essa situação.
– V-Você pode negar, se quiser. Nós vamos continuar juntos, mesmo assim!
O garoto murmurou, se sentindo meio afobado pelas lágrimas que não paravam nunca de escorrer pela pele rósea, macia. Tentou ajudá-la a parar de chorar, limpando as lágrimas. Se sentiu tranquilo novamente quando as mãos da garota se ergueram para sobrepor as dele, de forma carinhosa. Um dos poucos atos tão espontâneos que Crona costumava fazer.
– E-Eu... — Ela fungou, ainda soluçando demais — Eu quero ser... Noiva... Noiva do Kiddo-kun — Ela fungou mais e mais, se agarrando aos ombros dele como alguém se agarra á uma bóia no meio do mar. Agora, seria noiva... Depois de um tempo, seria esposa. Imaginar esse tipo de coisa á fazia pensar que estava sonhando, com uma espécie de mundo perfeito completamente fora da realidade.
Será que não estava mesmo? Não sabia responder. Não sabia nem responder qual seu nome, se alguém á perguntasse naquele momento. Simplesmente se sentia feliz e voando, com os braços de quem ama á protegendo de qualquer coisa. Era só o que precisava.
Finalmente, um pouco de calmaria.
Era o que precisava.
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