Miniskirt
1 Saltos altos, meia-calça preta, minissaia vermelha
Notas iniciais
Aquilo a estava influenciando, com toda certeza.
No meio da aula, involuntariamente, a menina cruzara as pernas cantando para si mesma a letra de “Miniskirt”. Em sua mente, ela estava no lugar da professora que explicava desleixadamente a matéria de história enfiada em uma calça jeans três números menor e em uma blusa de botão o dobro disso. Se ela tivesse corpo, tudo ótimo, contudo junte um corpo mal feito com péssimo senso de vestimenta e uma voz nada melíflua e pense no resultado.
– “My risky high heels, with black stocking”.
Ela cantarolava baixinho enquanto mordia a tampa da caneta pensando no videoclipe. O garoto atrás de si (algum nome parecido com Luiza) a encarava tão forte que ela podia sentir a pele da nuca esquentando com a intensidade. Ora, ela não tinha culpa se amava demais essa música.
“Lá estava ela, Milena Choa, entrando na sala e logo sendo encarada pela turma de segundo ano que conversava animadamente sobre as férias e a professora que faltara. Eles estavam felicíssimos, uma vez que não gostavam nada da professora de história. No entanto, ainda assim eles não estavam muito animados com uma substituta.
Mal sabiam eles que a substituta era muito mais do que esperavam.
Ela era baixinha e magrinha, porém sua postura a fazia parecer muito mais altiva. Nos pés, saltos altos vermelhos; nas pernas, uma meia-calça preta diáfana; modelando o corpo, uma saia de cintura alta combinando com os sapatos e em seu tronco a blusa de botão branca estava desabotoada o suficiente para insinuar algo que ela não tinha e ao mesmo tempo não ser vulgar. Ela carregava consigo certo charme.
O gloss transparente provocava os lábios naturalmente vermelhos, e a armação negra fazia seus olhos pequenos brilharem com algo que poderia ser chamado de diversão unilateral. Ela estava encantada com os olhares que recebia, a maior parte deles surpresos e admirados.
– Bom dia. – Ela pronunciou, enquanto pousava sua bolsa carmesim na mesa e ajeitava os curtos cabelos loiros, voltando o olhar para a classe que respondia desajeitada. Uma risada cativante fluíra naturalmente enquanto se apresentava, e com um gesto pediu a todos que fizessem o mesmo.
Enquanto os primeiros alunos lutavam para encontrar a voz, ela arrastou uma cadeira para o meio do palanque alto onde os professores geralmente ficavam de pé e cruzou as pernas, fazendo a minissaia vibrante se destacar com sua beleza estonteante.
Ah, e sua voz melodiosa ecoava enquanto enchia a sala de aula de cultura histórica.”
– Senhorita Choe, senhorita Choe. Thaís Choe de Oliveira, quer fazer o favor de prestar atenção quando eu chamo sua atenção?
– “If you continue ignorin’ me...” – Continuou de sussurrar, seus olhos negros voltando-se para cima encontrando o olhar nada atraente da real professora de história. – Desculpe, o que disse?
– Coordenação.
– Por que?
– Acho que sabe muito bem o porquê. – Ela disse enquanto agarrava o ombro da aluna e praticamente a empurrava em direção a porta. Delicadeza nunca foi o seu forte, ela era mesmo uma professora truculenta.
– Só um momento, eu preciso dizer algo. – Thaís falou rapidamente, pensando que, uma vez fora de sala, nada poderia ficar pior.
– Diga-me, depois vá direto à Coordenação. Tenho certeza de que a Aline vai recebe-la com biscoitos quando chegar lá. – “A velha piada da coordenadora e seus biscoitos para os alunos que saíram de sala não tem graça”, Choe pensou ao mesmo tempo que sua mente desabafava em alto e bom som.
– Da próxima vez que fizer compras, tente arranjar alguma roupa que valoriza sua beleza em vez de algo que a faz parecer uma palhaça.
Com isso se virou e foi ter com a Aline, todavia não se segurou e andou pondo um pé na frente do outro, ostentando suas pernas bem feitas escondidas pela calça bufante e grossa do uniforme, terminando finalmente de cantar sua música.
“I don’t know where I’ll bounce off”
Fale com o autor