Minha Última Fantasia... Até Recomeçar
7 Capítulo 6 - Esconderijo
– Você perdeu noção da coisas Cloud! – Gritava Barret no andar de baixo.
– Não perdi. – respondia sério como sempre fora.
– Você trouxe um Soldier pra cá, eles vão descobrir o lugar e estaremos mortos.
– Não vão descobrir, conheço esse Soldier, se não me engano se chama Mark, Mark Mo alguma coisa.
– Como você pode confiar em alguém que você nem ao menos conhece?!
O loiro dava de ombros deixando o negro furioso. Essas foram as primeira vozes que Marry ouviu enquanto despertava, sua cabeça latejava como se estivessem batendo com um martelo nela, a dor a consumia enquanto levava uma das suas mãos na cabeça só assim percebendo que estava sangrando. Um estrondo de porta se fechando com força ecoou em seu cérebro provocando uma careta de dor. Passos abafados podiam ser ouvidos, aos poucos sua visão foi se tornando mais clara podendo visualizar o quarto em que se encontrava.
Não era nada muito chique, era bem simples para falar a verdade. Havia duas camas no recinto, duas camas de solteiro, na mesinha ao lado da cama uma foto de duas crianças muito bonitas, as paredes brancas eram iguais as de sua casa o que a deixava mais tranqüila. Mas foi aí que nossa pequenina entrou em desespero, essa não era sua casa e nem muito menos uma casa conhecida, tocou mais uma vez sua cabeça e ficou um pouco mis aliviada por ainda estar de peruca. A porta do quarto foi aberta e ela fingiu dormir, estava com medo de que a descobrissem.
– Ah meu Deus, você está sangrando. – a voz para ela não era nada estranha, pelo contrário era até familiar e gostosa de se ouvir.
Na mesma hora ela abriu os olhos, o encontro dos azul com o lilás foi inevitável, Cloud se assustou, pois conhecia aqueles olhos de algum lugar, mas não lembrava de serem liláses com verdes, para ele eram apenas lilases.
– Você parece muito com uma pessoa que conheço – o loiro se afastou um pouco.
– Onde estou?
– Calminha aí, você é Mark não é? O Soldier recém formado.
– E daí? Quero ir embora, o que aconteceu comigo?
– Desculpa, vi você em cima do meu amigo e não o reconheci, bati com o cabo da espada na sua cabeça que por sinal está sangrando – as mãos do rapaz foram para a cabeça de Marry.
– Não! Não me toca! – a moça se encolhia com medo de que ele retirasse a peruca.
– Preciso ver o ferimento, não queria te machucar.
– Já vai parar.
– Não vai.
O ex-soldier segurou a mais nova com força prendendo-a na cama com apenas uma mão enquanto a outra vasculhava o falso couro cabeludo, o rosto do mais velho se contorceu numa expressão de não entendimento já que não achara o bendito machucado. Cloud sabia que havia exagerado no golpe e quando viu que era “Mark” tratou de levá-lo para casa, por algum motivo ele confiava no “Mark”.
Nós sabemos que ele irá tirar a peruca não é? Viu só? A peruca está na mão do Cloud que olhava sem entender para a jovem abaixo de si, na mesma hora ele perdeu o ar quando viu quem era e viu que lágrimas caiam dos olhos que o fitavam.
– Mas o que? – Ele deixou a peruca na cama enquanto suspirava e se levantou para pegar ataduras. – Acho que você precisa me explicar algumas coisas Marry.
– Eu na-não tenho que te explicar nada – a voz da moça saia falhada devido ao choro.- Você vai me entregar para a Shinra ou vai me matar agora, o meu segredo morre comigo.
– Como é? Eu vou te entregar para a Shinra? Por qual motivo eu faria isso? E te matar está fora de cogitação. – o banco era posto ao lado da cama e ele sentava passando um pano molhado na cabeça dela tentando se livrar do sangue.
– É claro que vai, você descobriu meu disfarce.
– A única coisa que quero de você é o motivo do disfarce, mas não precisa ser agora, trate de melhorar antes.
Marry optou pelo silêncio enquanto chorava, sabia que tudo estava acabado, tudo mesmo. Tinha certeza que ele a entregaria, ora pense, ela não o conhecia direito ainda, pode muito bem ter esse tipo de pensamento. O rapaz limpava com todo o cuidado o ferimento que já tinha parado de sangrar e enfaixou a cabeça dela.
– Sem choro – isso pode ter parecido grosso para você, mas na verdade ele disse gentilmente, as mãos dela estavam sujas de sangue e as pegou para limpar com o pano atraindo a atenção da garota que já parava de chorar.
– Tinha que ter me deixado lá.
– De jeito nenhum – assim que terminava de limpar as mãos ele passava o seu dedão na lágrima que caia. – Vou fazer algo para você comer.
O jovem rapaz se levantava jogando as gazes ,que tinha utilizado para limpá-la, fora e a toalha utilizada foi parar dentro de um cesto no corredor. Mas foi só ele colocar o pé na escada de madeira que a ouviu perguntar.
– Você conhece o Barret não é?
– Conheço.
– Então... Você faz parte da AVALANCHE.
– Faço e você já deve ter percebido que aqui é o esconderijo.
Os passos ecoaram pela escada e ele a deixou sozinha no quarto a espera da comida. Enquanto nosso Chocobo preparava uma sopa para ela, Marry bolava mil e uma maneiras de sair dali e voltar a sua vida em busca de vingança. Não tardou muito para que Cloud voltasse com um prato de sopa fumegante em suas mãos, ele a ajudava a sentar e um travesseiro foi posto no colo dela para que apoiasse a sopa. Uma curiosidade do nosso ex-soldier que eu andei percebendo, já que conheço bem ele... Ele costuma ser uma pessoa de poucas palavras até com seus amigos, mas com Marry era diferente, ele falava, perguntava, tinha curiosidade de saber sobre ela.
O silêncio dominava o quarto, ela olhava para a sopa sem a mínima vontade de comer. A cama afundou levemente quando Cloud sentou-se próximo a ela atraindo a atenção da mesma.
– Você precisa comer.
– Não preciso.
Sem pensar duas vezes ele pegou o prato e encheu a colher encostado de leve nos lábios dela, suas bochechas explodiram em um vermelho fogo pela ação do homem.
– Abra a boca – os olhos dele a deixava fora de si, uma ligeira vontade de por a mão no rosto dele e sentir a pele dele na sua, a invadiu.
– ... – tudo o que ela fazia era olhá-lo, só voltou a si quando ouviu o som da janela se fechar com a força do vento. – Não que—
A colher foi parar dentro da boca dela e o olhar foi cortado assim que ele pegava outra colherada.
– Me dá o prato, vou comer sozinha.
O rapaz não questionou a decisão dela e apoiou no travesseiro de frente a ela, só levantou quando ela começou a comer e sentou-se na outra cama retirando a própria bota. A moça não entendia o porquê daqueles lindos olhos guardarem uma tristeza tão profunda, ela viu isso desde a primeira vez que seus olhares se encontraram. Logo o mais velho se deitava dando um longo suspiro e o celular dele tocou, só que o Chocobo não tinha a menor vontade de atender.
Ahhh, ele não gosta de falar muito, ainda mais no telefone, esqueci de comentar isso. O aparelho teimava em tocar e foi aí que Marry acordou para a realidade, seu celular. Ela sabia que havia um rastreador, a Shinra iria achá-la, iam matar não só a ela quando descobrissem que estava com o “inimigo”, mas iriam matar Cloud também e isso era a última coisa que queria.
– Cloud... – mas logo foi cortada por ele.
– Deixa o celular tocar, não estou afim.
– Não é isso, é o meu celular! Ele tem um rastreador. – o prato foi deixado na mesa de cabeceira junto do porta retrato.
– Eu sei, a primeira coisa que fiz foi quebrar ele e deixar do outro lado da cidade.
O silêncio reinou novamente, aquilo incomodava ela, estava guardando inúmeras perguntas para si, como: Há quantos dias estava desacordada? Seu companheiro ruivo estava morto? O que é realmente a AVALANCHE? A Shinra vai me achar? E minha gatinha? Ah meu Deus minha Pepeta. Estava absorta em seu mundo de divagações há um tempo e reuniu coragem para perguntar a ele.
– Cloud... Por que você não me matou lá no beco?
O olhar da moça se desviou para o loiro, percebendo então que ele havia caído no sono profundo, um sorriso nasceu em seus lábios enquanto o via dormir tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Desde o momento em que o viu percebeu algo de diferente nele, algo que mexeu consigo. Não perdeu tempo, não ia ficar acordada em nada para fazer e deitou-se logo sendo carregada para o mundo dos seus sonhos, devo dizer que é um mundo bonito, nada como o mundo dela ou o nosso.
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