Minha estranha obsessão
4 As irmãs Walker
Notas iniciais
Levantei exatamente às 12:30 para conseguir me arrumar. Fiz uma trança em meu cabelo ruivo e tomei mais um banho quente tentando aliviar o frio.
Todos estavam me avisando sobre Dereck, seria ele o mocinho ou o mafioso? E Lauren? Por que ela pediu para eu me distanciar dele? Não tenho motivo para isso.
Não estava mais com dor. O que poderia favorecer muita coisa.
Abri o armário e não tinha exatamente nada para vestir. Peguei minha calça jeans preta, uma blusa azul e minha jaqueta.
Fiquei sentada em um banco na janela do meu quarto, esperando Dereck aparecer e meia hora depois do combinado, ele pareceu.
—Como vai a dor de cabeça? –Ele me perguntou assim que eu abri a porta.
—Como sabe?
—Você me contou.
—Não con...
—Vamos? -Ele me interrompeu
—Vamos.
Entramos no seu carro e ele parecia muito preocupado, olhando para os lados toda hora, sem necessidade. Com certeza estávamos indo para o outro lado da cidade. Deixei um recado para minha mãe antes de sair avisando que voltaria tarde.
—O que aconteceu?
—Ãh? Nada, estamos quase chegando.
—Tudo bem.
Dereck parou em um estacionamento de um restaurante bem incomum. Paredes de madeira, janelas escuras e uma aparência nada convidativa.
—Coloca isso. –Em sua mão estava um colar branco com um pingente de uma pedra azul escura.
—Para que?
—Cala boca e coloca logo.
Coloquei o cordão e não me senti diferente. Entramos no restaurante e consegui ouvir o barulho de um sino. Todos olharam para mim e me senti uma presa.
Dereck segurou minha mão e me puxou até uma mesa afastada. Ele ficou encarando o chão até que a garçonete veio até nós.
—O que vão querer?
—O de sempre, e para ela, pode trazer uma porção de batata frita e um refrigerante.
A garçonete deixou seu bloquinho cair no chão fazendo meus ouvidos estremecerem e minha dor de cabeça voltar.
—Por que você trouxe uma mundana para cá? –Disse ela para Dereck provavelmente se referindo a mim.
—Ela está com o cordão. Esse é o nosso segredo. Agora, traga o que eu pedi, Ficker.
Todos do restaurante voltaram suas atenções para o que estavam fazendo.
—O que é uma pessoa mundana?
—Significa mortal para nós.
—E vocês são o que?
—Imortais.
—Isso é sério?
—Sim. –Disse rindo.
—O que vocês são?
—Imortais.
—Estou falando sério Dereck.
—Eu também estou. Desde que nascemos, somos predestinados a ganhar algo a mais. Não sei se com vocês é assim. Mas com nós, imortais sim. Temos alguns poderes, cada um com um. Alguns veem através das paredes num raio de 30 metros, tem uma audição e podem ouvir algo em até um quilometro. Outros, podem causar influencias através de sonhos. Ficker por exemplo consegui sentir uma mundana usando magia para não ser identificada.
—Como se fossem super-heróis?
—Sua imaginação é ridícula.
—Continue.
—A dor de cabeça que você sentiu é apenas o começo. O sonho, eu que causei em você. Sua pele tocou na minha durante a aula. Isso é ilegal. Um mundano não pode se relacionar com um imortal.
—Estamos contra as regras?
—Estamos.
Depois de horas de uma conversa mundana entre dois amigos. Cancelamos o pedido e ele me levou para casa. Chegando em frente ao meu portão. Ele parou o carro e trancou a porta.
—O que foi?
—Preciso te contar uma parte da história.
—É ruim?
—Sempre existe uma parte ruim em cada coisa que fazemos. Nesse caso, é a diretora Elisa Walker. Ela e Lauren são irmãs. Não mãe e filha como deve ter imaginado. Esse colar que está usando era da bisavó delas. Tem um significado muito grande para elas, ele possui uma magia antiga, que pode transformar uma pessoa mundana à imortal enquanto ela estiver usando o cordão. Apenas uma pessoa como Ficker poderia te reconhecer como uma mundana com esse colar. Tome cuidado, com as Walker. Elas não querem o seu bem.
—Tchau.
—E mais uma coisa, você não vai conseguir dormir essa noite. Sugiro ler um livro para passar o tempo mais rápido.
—Por que?
—Você que quis fazer amizade comigo.
Sai do carro de Dereck e minha dor de cabeça havia passado. Entrei em casa e minha mãe não havia chego ainda. Da porta, dei um tchau para Dereck e o assisti dando partida no carro indo para um lugar que eu não fazia a mínima ideia.
Subi as escadas e deitei na minha cama tentando descansar. Tive uma pequena sensação de que tinha alguém me observando. Levantei e fiquei no meio do quarto olhando para o teto até que ouvi um sussurro.
“Você não achou mesmo que uma mundana talvez pudesse ser amiga de um imortal não é?”
—Quem está ai?
“Nossa, olha como ela é tola.”
—Eu não tenho medo de você.
“Tem certeza?”
Senti uma pontada de medo a cada letra que ouvi daquele sussurro.
—Quem é você e o que quer comigo?
“Não está lembrada de mim? Nos encontramos na escola hoje.”
—Elisa Walker.
Quando pronunciei o nome dela, fui jogada para a janela e senti uma forte dor na nuca quando cai no chão.
—Como ousa dizer meu nome, sua idiota.
—D-desculpe.
—Vamos ver de onde paramos...
—Você não vai conseguir isso sozinha.
—E quem disse que eu estou sozinha?
As luzes rapidamente se acenderam e Lauren apareceu se olhando no meu espelho.
—O que vocês querem de mim?
—Nada. Apenas brincar com você.
Com apenas um mover de mãos, Elisa me jogou para a estante de livros e senti mais uma vez uma forte dor na nuca e minha cabeça latejando.
—Me deixem em paz, por favor.
—Só se você nos der o colar.
—Nunca.
Mais uma vez fui jogada para a janela. Senti uma forte dor nas costelas e mais uma vez uma dor na cabeça. Coloquei minha mão na minha cabeça e percebi que estava sangrando.
—Acho que ele não te contou toda a história não é?
—O que quer dizer?
—Um imortal só se relaciona com uma mundana a não ser que eles sejam destinados a viverem juntos.
Mais uma vez, ouvi um sussurro.
“Rápido, vamos, tem alguém vindo.”
E elas sumiram, me deixando no chão frio, com dor e ferimentos.
Nunca pensei que elas poderiam fazer isso comigo, o que as pessoas são capazes de fazer apenas por causa de um tipo de magia ou apenas um simples colar me assustou.
Com o tempo, senti meu corpo ficando cada vez mais fraco. De longe consegui ver um vulto subindo as escadas. Senti suas mãos em meus cabelos e sua voz chamando a emergência.
—Vai ficar tudo bem Taylor. Toma isso.
Ele abriu minha boca e colocou um líquido verde na minha boca. Em segundos, a dor foi se aliviando, mas o sangramento na minha cabeça ainda continuava.
Eu poderia a qualquer momento, morrer. Eu não sou uma protagonista de um filme clássico onde existem finais felizes, sou apenas Taylor Syker, uma garota normal, que teve uma história, igual todo mundano tem. Eu poderia morrer, mas pensar nisso, não é uma boa ideia. A única coisa que consegui ver foram os olhos de Dereck.
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