Então ficamos ali se abraçando por minutos que para mim pareciam horas.

— Tudo bem querida, depois vamos no hospital para você ver seu pai. Vou preparar o jantar. Vá tomar banho. — disse ela enquanto enxugava as lágrimas.

Apenas a soltei e me virei em direção ao banheiro. Eu me sentia estranha, era como se não fosse mais eu que comandasse meus movimentos.

Enquanto me despia o vomito vinha a boca e voltava. Tente imaginar uma menina cuja altura era de 1,60cm que não é considerada alta e o manequim era 42. Eu nunca tive muito hormônio, então não tinha seios grandes e nem quadris largos, mas para compensar meus braços eram da mesma grossura que minhas coxas gordas e minha barriga era enorme e mole. Pensando bem, não tente imaginar não.

"Seria tão fácil se eu pudesse apenas passar a faca e arrancar toda essa gordura."

Eu me sentia revoltada, era uma raiva incontrolável.

Enquanto eu me lavava, reparei que havia um barbeador na prateleira. Meus pensamentos ficaram escuro, meu rosto enrijeceu. Não se passou muito tempo e quando percebi já havia feito. O chão que antes era branco, agora estava vermelho.

"Certo, agora só preciso me secar e me trocar."

Era incrível como aquilo não doía. Como havia dito antes, parecia que não era mas eu que estava ali. Mas outra pessoa.

Sem fazer nenhum curativo eu apenas me sequei e me troquei. Coloquei calça de moletom, sempre confortável.

— Isa, vou dormir. A comida está feita, lave os pratos antes de ir deitar.

— Ok mãe! — gritei.

Ela foi se deitar e eu fui para cozinha.

Ver todas aquelas comidas, sentir o cheiro do macarrão recém cozido, do frango bem temperado e bem frito me deu raiva. Queria pegar tudo aquilo e simplesmente jogar no lixo.

"Se eu não comer, minha mãe vai estranhar". — percebi

Então peguei um prato, coloquei toda quantidade de comida que eu comeria normalmente, oque não era pouco, e despejei no vaso sanitário já dando descarga.

Lavei os pratos e fui para o computador pesquisar mais sobre como eu iria conseguir enganar aquela fome. Meu estomago ardia.

— Tomar 5 copos de água gelada? Isso é fácil. — falei comigo mesma.

Fui até a cozinha e bebi. Não era a intenção, mas antes de beber o ultimo copo o vômito foi inevitável. Corri para o banheiro, quase não deu tempo de colocar toda aquela comida para fora. Vi toda aquela comida nojenta saindo de mim e me senti tão bem, tão leve.

Era como se eu tivesse ganhado mais uma chance, como se eu tivesse conseguido corrigir um erro. Um erro que eu não iria cometer novamente.