Minha amiga Mercedes

1 Um presente para a Sinhá


Notas iniciais
Era verão de 1840. As vestes eram muito bem cuidadas, sim sinhô. Os vestidos tinham suas prendas como exigia a estação. As moças adoravam mostrar suas saboneteiras, e dizia a lenda que eram suficientes para agarrar um bom marido e livrar-se do dote. Os fazendeiros adoravam as festas e bailes, só assim suas filhas encontrariam um bom marido e só assim os seus filhos poderiam fazer negócios enquanto tomavam um bom vinho. Naquele ano calorento, uma fazenda em Mississipi abrigava uma família bem disposta, mas sem filhos. Dona Anastácia perdera os ultimos três sem maiores explicações e sua última tentativa aos 40 anos rendeu-lhe 7 meses de gestação. O doutor da família seu Miguel Aracas avisou de imediato que não haveria leite, mesmo que o costume fosse que a ama amamentasse. A preocupação a tomara, pois a senhora não possuía nenhuma escrava com menos de 50 anos, já que seu marido não se contentaria com uma rapariga com os seus 20. Era necessário, portanto, comprar uma escrava com leite e de preferência fértil para alimentar seu primeiro herdeiro, e não haveria cerimonia quanto a isso, a escrava logo estaria catando algodão para não atiçar o senhor da casa, David Harbas. A compra sucedida vinha com um porém, uma menina que ainda amamentava e que futuramente poderia render um bom dinheiro.

Anastácia Midleton, solteira e sem muitas expectativas casou-se aos 17 anos e mudara o seu nome para Anastácia Harbas. Sua beleza era indescutível, mas a do seu marido era no mínimo questionável. O amor não seleva casamentos, mas a necessidade e a herança eram motivos o suficiente para o casamento. David Harbas conseguiu além de uma mulher jovem com quase metade de sua idade, conseguiu também a fazenda de seu sogro que já estava perto do túmulo.

Os anos passaram e quase 30 anos depois, o senhor da casa já não tinha sua esposa como amante, apenas como um status. Tinha em cada Estado da grande américa uma amante para contar história, e não fazia questão de esconder sua desaventuras de sua esposa, que envelhecera com a crueldade do abandono. Ele alegaria sem precisar de explicações, que os motivos das traições era que a sua amada mulher não poderia lhe dar filhos. Naquela época era o suficiente para qualquer homem aventurar-se nos braços de uma mulher, mas é sabido que o senhor em questão aventurou quando a senhora tinha ainda seus 18 anos.

A três gestações ocorreram quando a senhora tinha seus 20, 30 e 35 anos. Todas não vingaram o suficiente para que mostrasse a sua habilidade de fazer filhos homens. Todos os abortos por ironia ou não, aconteciam quando o senhor gerava uns bastardos em alguma prostituta qualquer dos cabarés do sul. Não precisa frisar que a culpa recaia para Anastácia que sabia que apenas era um ventre sem muitas expectativas. Aos 40 anos, fazia dois anos que o seu leito não era recheado pelo desejo de seu marido, mas aos 57 anos já não se aventurava tanto quanto antes e finalmente poderia fazer papel de marido exempla.

A noite estava bem fria quando David entrou sem cerimônia no quarto de sua esposa. Não houve ali nem beijos nem carícias, apenas a penetração inevitável de sua vontade. E essa vontade terminou fecundando em menos de 2 minutos uma nova vida. A notícia se deu no dia 4 de março, quando as regras atrasaram, mas a dúvida persistiu até algum centímentro na cintura aumentar. Anastácia estava grávida e era sua função permitir o seu sucesso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.