Minha Vizinha
2 Cap 2 - O primeiro beijo...
Notas iniciais
Eu e Victória saímos do restaurante ás pressas e seguimos para casa;segundo ela nós havíamos sido vitimas de um assalto e quem conseguiu identificar o autor foi nossa vizinha.No momento em que a mais velha me notificou isto eu fiquei chocada;nossa vizinha não era muito de aparecer.
Sua casa era silenciosa durante todo o dia e a noite só se conseguia escutar o barulho dos grilos em seu quintal.Mais estranho que isto era ela conseguir prender um ladrão na nossa casa.De fato,muito estranho.
Minha irmã estacionou o carro com certa urgência e saiu do carro ás pressas para identificar o rapaz que tentara um furto,e a surpresa foi grande naquele momento.
—Jack? — Victória perguntava enquanto o rapaz tentava-se explicar a policia.Não sabia que eles se conheciam e,segundo o rapaz,toda aquela confusão não fizera parte de um mal entendido.Jack conhecia Vic.Eles se conheciam e eu não precisava me preocupar com um maniaco querendo roubar minha casa.
—Vic,explica para eles que você me convidou aqui — O rapaz implorava em meio aos choros e soluços constantes.Ele estava tão assustado quanto minha irmã.Por mim,jogavam ele na cadeia!
—Está tudo bem — Vic dizia aos policiais — Ele é meu amigo e veio fazer um trabalho aqui — Ela dava continuidade a sua explicação e o rapaz se aliviava.Depois de retirarem a queixa,os guardas liberaram o garoto e ele e minha irmã puderam fazer seu ''trabalho'' em paz.Com toda certeza eles não fariam um trabalho escolar;com toda certeza.
Subi as escadas e fui até meu quarto,e liguei uma boa musica para relaxar.Meus nervos estavam a flor da pele e a unica coisa que eu conseguira fazer naquele instante era pensar.Caminhei sem rumo por um tempo no quarto espaçoso e finalmente me estabeleci quieta observando a janela que dava vista para casa da minha vizinha.
Pus meus braços sob uma parte da janela e meu queixo sobre os mesmos,deixando meu rosto de apoiar em ambos.O movimento da casa era pouco e só ouvia-se o delicado barulho que os grilos fazem durante a noite.Decidi sair do quarto.Precisava de um pouco de ar.
Desci as escadas vagarosamente e encarei a semblante espantoso de minha mãe que acabara de chegar do trabalho,obviamente ela sabia do suposto ''arrombamento''.
— O que aconteceu Gessica?Ele roubou algo? — Ela perguntou repetidas vezes e mantinha suas expressões espantosas,sem motivo algum é claro.
—Nada,a vizinha viu um rapaz tentando pular o muro e chamou a polícia.Ele era amigo da Vic,foi tudo um grande mal entendido — Sentei minha mãe em uma cadeira para que ela pudesse respirar melhor e se acalmar,pois ela estava em um estado crítico.
—Ah sim,e vocês estão bem,não estão? — Ela arregalou os olhos e tentou procurar Victória no espaço que ela tinha no seu campo de visão.
—Nós estamos bem,a Vic tá lá em cima com o tal carinha — Fiz menção a minha irmã e apontei os dedos para cima,indicando sua localização.
—Vá agradecer a vizinha,por mim — Ela pedia e eu como uma boa filha,não negara.
Andei depressa até a parte de fora da casa e fiquei na calçada,esperando a coragem para bater na casa da tão quieta vizinha.Pensei um pouco em quais palavras usar,em como me referir a sua pessoa;mas tudo aconteceu tão depressa!Antes mesmo que eu pudesse bater em sua porta ela saiu,carregando um saco pequeno de lixo,e logo eu a abordei.
— Com licença senhora,vim agradecer-te pelo favor que fizeste hoje por mim e minha família — Fiz o possível para me manter calma e não gaguejar,mas ela percebera minha aflição.
—Aquilo?Não foi nada.Apenas um favor.Você está bem? — Ela perguntava enquanto suas belas mãos seguravam o saco de lixo.
—Sim,estou.Me dê isto.Uma moça tão boa não deve tocar neste tipo de coisa — Eu tomei por completo o saco de suas mãos e o joguei na lixeira que havia bem perto de nós.
—Uau!Que educada!Não quer entrar? — Ela perguntava fazendo menção a sua casa e apontando delicadamente para a porta de sua casa.
—Não sei...talvez seja melhor eu voltar para casa— Dei um passo para trás mas ela foi adiante.Pegou meu braço com delicadeza e insistiu para que eu fosse com ela até sua casa.
—Ah,por favor,são só uns minutinhos... — Ela insista com a maior cara de pidona do mundo e eu,como fraca mortal,não resisti.Segui a tentação até sua casa.
A casa parecia ser bem arrumada pelo lado de fora,janelas bem limpas decoradas com cortinas delicadas e coloridas.Não era do tipo ''casarão'' mas era uma casa bem arrumada e limpa.
Tudo muito bem decorado deixava a casa aconchegante e perfeita de se morar,apesar de ser pequena.Saí dos devaneios quando a delicada moça ofereceu-me um copo de refrigerante;ela me daria alguma bebida alcoólica,mas como sou menor de idade insisti em beber o que ela me oferecera depois.
—É nova por aqui? — Eu perguntei enquanto levava o copo até a boca e dava várias goladas do mesmo.
—Digamos que sim,estou aqui há um mês e meio. — Ela dizia apoiando-se na pia,quase sentando na mesma.Somente naquele instante eu percebi o quanto instigante ela era.Cabelos castanhos com pontas mais claras que o resto do cabelo;olhos verdes apaixonantes;boca lisa e perfeita;corpo divino,digno de louvor e doce jeito gentil.Ela não devia passar dos 19 anos.
— Meus pais morreram em um acidente e eles eram a unica família que eu tinha;desde então decidi morar aqui.É muito mais sossegado que LA — Ela completava com grande sorriso no rosto,quase não sendo atingida pelo fato de seus pais terem morrido.
—Eu sinto muito... — Eu dizia enquanto me aproximava dela,passando minha mão sobre seu braço delicado e liso.
—Não sinta,é muito melhor — Ela ria com graça infantil,me deixando um tanto quanto sem graça.
—É melhor eu ir...você sabe,minha mãe é uma fera — Rimos juntas e ela encarou o chão por um tempo,pensativa.Comecei a me afastar,partindo em direção a casa,então ela segurou minha mão.
—Fica mais um tempo,só até eu tomar coragem para fazer algo — Suplicava em um quase gemido de dor a mais velha
—Se você insiste,eu fico,mas só alguns minutos — Fiz ela sorrir novamente e ficar mais próxima de mim.
—Posso fazer algo com você? — Ela perguntou tensa,ainda segurando minhas mãos.Sua voz era suave,como eu diria não àquilo?Senhor!
—Pode sim — Sorri de canto e senti ela se aproximar delicadamente e em câmera lenta de mim.Seus olhos brilhavam e sua mão foi parar,surpreendente,na minha nuca.
Nossos lábios se colaram em um beijo ardente e os corpos já estavam unidos graças ao seu outro braço,que segurava minha cintura.Nós havíamos nos beijado.Saí do estado de transe e pude me afastar do seu calor,desta vez com a desculpa de que ouvira minha mãe me chamar.
—Desculpa,acho que minha mãe está me chamando —Eu desfiz nosso beijo e mantive certa distancia,mas não o suficiente para que ela tirasse suas mãos de mim.Ela nem me conhecia,por quê me beijar?
—Ah sim — Ela dizia um tanto quanto tristonha.Tirou suas mãos de mim com delicadeza e deixou-me ir,apenas mandando-me tomar cuidado comigo mesma.O que será que esta garota está aprontando?
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