Minha Vida é Você
1 Manhã.
O despertador tocou tirando-me de meus sonhos. Sonhei com nova escola e com os novos amigos, mas nada seria como nos sonhos mesmo, então levantei da cama lamentando ter que ir para a escola, estava tão frio. Minha mãe provavelmente já tinha saído para o trabalho, então não precisava me preocupar com café da manhã e toda aquela coisinha chata que minha mãe vivia falando todos os dias desde que as férias haviam começado. Graças a Deus as aulas começaram o ruim era que eu estava indo para um colégio novo, colégio de filhinhos de papai, riquinhos e metidos a besta, Af, não agüento esse tipo de pessoa, eu passo a ser chata mesmo.
Depois que terminei meu banho, vim para o quarto me vesti. O meu uniforme da escola não era dos piores, o meu antigo era bem pior, pode crer. Meu coração se partiu ao lembrar-se dos amigos que tive que deixar para trás. Essa hora eles devem estar todos se encontrando, se abraçando e eu aqui, nessa cidade chuvosa, fria, tensa. Que saudade do meu sol do Rio de Janeiro.
Coloquei meu uniforme e ainda não era a hora da escola. Então desci a pequena escada até o primeiro andar da casa e me olhei no grande espelho da sala de estar. Tentei fazer alguma coisa estranha no meu cabelo preto curto com a raiz rosa Pink. Não tinha jeito, esse fuá não tem jeito de manhã. Fiz um rabo de cavalo mostrando toda a parte rosa do cabelo e deixando o meu pescoço à mostra. Fui ao banheiro e peguei o lápis de olho e passei. Deixando-o bem negro. Até que deu a hora da escola e eu peguei minha mochila e meu casaco preto, lindo, cheio de estrelas coloridas e saí.
Quando saí, vi que da casa da frente saia um menino com o mesmo uniforme que eu. Quando ele começava a virar o rosto para me olhar, eu desviei o olhar e então continuei andando em frente, rumo ao ponto de ônibus. Peguei o primeiro táxi que passou, era muito melhor andar de táxi. Assim que cheguei à escola e quando saí do táxi todas as meninas loiras e lindas me encararam. Elas estavam todas juntas num canto e me olharam como se tivesse escrito na minha testa: OI, A ABERRAÇÃO CHEGOU.
Af, elas eram piores que eu imaginei em todos os segundos das férias. E então elas agiram como criancinhas de 1º série, começaram a cochichar coisas no ouvido uma das outras. Deprimente.
Olhei para o outro lado e os meninos estavam lá, eles também me olhavam, mas com um olhar de aprovação. Como se eu já fizesse parte dali. E do outro lado da rua, estavam umas pessoas estranhas. Usavam óculos enormes, cabelos partidos no meio e carregavam livros grossos nas mãos. Céus é só o primeiro dia de aula, o que eles estão estudando? Miséria.
Olhei para dentro do carro, encarando o motorista.
-Quando o senhor cobra para ficar aqui até que o sinal toque? — perguntei e ele riu. Ele era velho e tinha umas rugas estranha nas bochechas e na testa. Parecia o meu avô.
-Nada minha filha, pode entrar. — ele disse e eu entrei de novo no carro, fiquei ali até que o sinal bateu e eu tive que entrar.
-Obrigado. — eu disse ao motorista e ele apenas assentiu.
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