Notas iniciais
Espero que essa história atenda as expectativas da pessoa presenteada.

Setembro de 1887

Uma cidade aparentemente pacata, mas que escondia perfeitamente seu lado hostil. Essa era a minha visão com relação ao espaço onde vivi quando criança. Todos trabalhavam incessantemente e cada dia era como se fosse o último, a fome assolava...

Eu, Himuro, era apenas um de muitos que lutavam pela sobrevivência em um mundo nada justo. Como órfão estava a mercê das circunstâncias e disputava a comida disponível com mães em desespero e animais famintos. Seria errôneo pensar que estou preso a isso? Se acreditar verdadeiramente que estou, então, provavelmente continuará na mesma. “Planta o que colhe” é o que fiz muito, literalmente. A plantação de arroz foi meu sustento, principalmente no mês d a colheita, tal procedimento era possível de ser realizado quando a área estivesse totalmente seca, e para controlar as inundações da região, usávamos pequenas comportas para o fluir das águas. Isso foi tão comum. A cada ano, a cada estação, a espera ansiosa pela safra, essa que não chegava, pois estávamos presos ao sonho onde todos pudessem se saciar e viverem na paz.

No período das vacas gordas sempre ocorria o que todos esperavam e a fartura não deixava que a fome assolasse a região. Porém, isso mudou com um evento inesperado, a verdadeira razão por estarmos sempre na miséria e nunca “Colhíamos o que plantávamos”. Era comum sermos atacados por mercenários de passagem, mas daquela vez foi algo pior que isso a princípio não entendi muito bem, mas toda a cidade estava em chamas, todo nosso esforço e suor foram transformados em cinzas, as quais estarão impregnadas em mim para sempre. Hoje tenho melhores fundamentos para discernir o que venho a descrever. Meu destino obviamente mudou, penso ainda se foi ruim ou não, mas escapar das circunstâncias foi extremamente difícil, talvez até hoje possa estar atado a elas.

A nobreza foi a principal responsável por aquele ataque. Seu objetivo? Criar um novo plano urbanístico para aquela área, pois devido a sua localização na fronteira do país, ela serviria muito bem para o comércio e outras finalidades ocultas. Quando houve a invasão, de imediato corri em direção a um casebre, o qual meu esconderijo secreto, o melhor a meu ver, mas instantaneamente fui encontrado e me pegaram com força. Imagino quantos exercícios eles fizeram para chegar àquelas formas. Colocaram-me em um saco e minha visão já não identificava o que estava a ocorrer. Algum momento depois, sons de trompetes e gritaria me surpreenderam. Então tudo isso significava vitória para eles? Atacar um povo totalmente pobre e desamparado, que sequer teve estruturas necessárias para lutar de igual para igual. A raiva me consumiu e o único pensamento que percorreu minha mente foi o quão ousado eram.

Não sei ao certo quanto tempo levou o percurso de minha antiga cidade para o novo lugar ao qual fui despejado. Por estar dentro do saco, nada consegui ver do caminho que percorremos em comboio. Assim, quando senti o chão frio de pedra sob mim, tive tempo apenas de olhar ao redor e repara as altas paredes que me cercavam, antes dos soldados me agarrarem para conduzir-me sem a menor delicadeza para outro lugar daquela prisão.

Após me algemarem, de imediato tentaram trocar minhas roupas. Debati-me ante ao ato e foram necessários ao menos dois guardas para segurar-me. Apesar de minhas antigas vestes não serem tão boas, não queria aceitar nada provindo desse reino que me mostrou uma das piores visões que eu poderia ter nessa vida. Estava ainda no pequeno embate com meus captores, quando ouvi alguns passos e senti um cheiro adocicado no ar, quem me fez parar com os movimentos bruscos? Quem poderia ser? Instantaneamente me virei para averiguar e deparei-me com um menino um pouco mais alto que eu. Não, bem mais alto que eu, com certeza, mas que aparentava estar na mesma faixa etária que a minha. Ele tinha cabelos longos, que iam quase até os ombros, e estava segurando uma espécie de doce, não recordo muito bem. Em meu íntimo me perguntava “o que um menino tão bem vestido e que com certeza era rico, fazia perambulando pelos corredores dos prisioneiros?”.

No momento em que esse pensamento cruzou minha mente, arregalei os olhos ao perceber que ele apontava em direção a mim e dizia “Quero que ele me sirva”. Tal frase me demonstrou a tamanha petulância que provém desses meninos ricos. O rancor de ser submetido a esse tipo de situação me frustrava, e meu desejo era voltar para a minha liberdade de antes. Porém, sem que tivesse algum tempo para sair de meu transe, fui prontamente arrancado daquela cela e arrastado por um novo caminho. Eu ainda estava de correntes enquanto andava talvez por estar próximo de um menino rico, eles tinham que ser cautelosos. Havia razão nisso, porque naquele instante minha vontade era de sair em disparada, mas não seria uma atitude muito inteligente.

Algumas serventes me direcionaram para um quarto, totalmente decorado com artigos em ouro e detalhes lembrando folhas e flores. O achei muito belo, pois me lembrava dos campos aos quais corria felizmente e de pronto comecei a chorar, estava sendo difícil controlar todas as emoções, tudo sucedia tão rápido... Nesse meio tempo, uma das serventes me ofereceu um lenço, também muito delicado e com detalhes do brasão feitos com fios de ouro, e a partir disso me veio ideias que poderiam me salvar.

“Sabia que você é muito sortudo?” outra servente me saltou uma dessas.

“Porque eu seria?” indaguei já um pouco mais calmo do choro.

“Você irá ser o servente próximo do jovem amo, isso é um sonho!”.

“Jovem amo?”.

“Sim o menino ao qual você estava acompanhando. Poderá estar bem próximo a ele e fazer tudo que lhe pedir” falou com grande exaltação.

Subitamente me questionei no que seria bom atender pedidos mimados de uma criança. Não que eu não o entendesse, pois apesar de tudo somos praticamente da mesma idade, creio, mas guardei a pergunta para mim. As serventes, então, me levaram até um quarto onde havia todos os aparatos para se tomar um bom banho. Ali começaram minha seção de higiene, cortaram meu cabelo e vestiram-me com roupas novas, que para os empregados do reino, era uma blusa branca com um colete por cima, no qual ao lado esquerdo continha o brasão real, uma fita vermelha enrolava pelo pescoço embaixo da gola da blusa terminava atada com um grande laço, uma bermuda cor caqui e sapatos pretos.

Presentemente, estou aqui, em frente à porta que me leva ao quarto do jovem amo. Estou um pouco nervoso, não negarei, afinal não imaginava tamanha importância que obteria nesse lugar, e tão subitamente. Abri a porta e vi uma cena peculiar, toda a habitação estava repleta de doces ou itens que lembrassem algo adocicado, além de muitos brinquedos espalhados. Era uma zona total. Lembrava-me o parque de atrações que ia as escondidas ver as apresentações teatrais feitas pelos próprios moradores da minha cidade. De imediato, deixando essa comparação de lado, comecei a organizar todos aqueles objetos sobre o chão, porém fui impedido com uma puxada no braço.

“Não mexa nisso!”, vociferou o jovem amo, “Você só deve fazer o que eu disser.”.

Esse último comentário me desequilibrou e, sem pensar duas vezes, saltei sobre ele, levando-o ao chão.

“Até parece que vou fazer o que um menino mimado como você quer” retruquei puxando a gola de sua camisa.

Depois de um tempo em silêncio, “Não gosto de violência, então pode sair de cima?”.

Aquele pedido me pegou desprevenido. Como uma pessoa que antes me puxou com fúria por mexer em suas coisas me diz que não gosta de violência? Percebi na mesma que estava tratando com uma pessoa bem difícil. Recuperando-me do choque que essa dualidade de pensamentos me causou, sai de cima do jovem e sentei-me ao seu lado, com as pernas cruzadas e observei ele fazer o mesmo.

Por longos minutos ele apenas me observou de canto de olho, enquanto rodava um doce qualquer entre os lábios.

“Quantos anos você tem?”, a pergunta repentina, como tudo o que parecia vir daquele jovem, quebrou o silêncio que havia se instaurado no local. Perguntei-me para que ele necessitava saber daquela informação, mas ao observar o rosto me observando atentamente, senti minha raiva ser levemente aplacada.

“Tenho 10 anos e você?”.

“ Uau, então você é mais velho que eu? Tenho 9.” falou com exaltação. Não é como se isso fizesse muita diferença, ele me vencia bem mais em altura.

Depois de muita conversa, ele me revelou que seu sonho era viajar pelo mundo e conhecer pessoas novas, pois vivia sempre sob proteção e não podia sair livremente pela cidade, sendo que em seu tempo livre se escondia nos corredores dos prisioneiros, nos galpões, e até na cozinha. Ele pensava que já que não podia conhecer o mundo afora daqueles muros, ao menos que pudesse absorver ao máximo as informações provenientes dos serventes. Eu, de certa forma, o admirei naquele momento. Prejulguei-o pelo seu aspecto antes de conhecê-lo. Sentindo-me mal ao constata-me daquilo, e para saldar, revelei um sonho meu também, como uma forma de desculpa inconsciente.

“Quero virar Rei!” declarei com a voz um pouco baixa. Para minha surpresa e o outro bem surpreso também saltou até mim, abraçando-me.

“ Então tenho uma ótima ideia! Você vira Rei e assim poderei me aventurar pelo mundo como bem quiser.” A frase de pensamentos simples me surpreendeu, realmente estava tratando com apenas um menino.

Talvez, minha vida ali, servindo ao jovem amo, não fosse de todo o mal. Quem sabe, agora, eu sinta que o mundo tenha mais chances para mim.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Abril de 1894

Observo do lado de fora da janela os brotos que estão a desabrochar graciosamente, a primavera me traz lembranças, sensações de paz e tranquilidade. Muita coisa se passou nos anos que se seguiram a minha chegada a este lugar e guardo cada momento, sejam eles bons ou ruins. Viver aqui me possibilitou grandes conquistas, mesmo que as causas que me levaram a morar no palácio não tenham sido nada boas. Agora, mais do que observar as flores ou relembrar do tempo que passei até então, tenho um grande problema em minhas mãos. Assim, com um suspiro, me aproximo da grande cama de colunas no meio do quarto e debruçando-me gentilmente sobre o colchão, peço incessantemente para que certo alguém acorde logo...

“Jovem Amo, acorde!” gritei, por fim perdendo a paciência, em direção à cama onde o outro estava totalmente enrolado. Respirando fundo, segui para os pés do móvel e então puxei ligeiramente as cobertas que antes ocultavam a figura que estava sobre a cama. Tive que conter um riso ao ver que o mesmo se encontrava todo desarrumado, com os cabelos bagunçados embolados parecendo um pequeno ninho sobre a cabeça e os braços longos envolvendo as pernas de encontro ao tronco, assumindo uma posição fetal. Sim, apesar da aparência esse é o futuro Rei de nossa nação. Seu nome? Murasakibara Atsushi. “ Um futuro Rei não deveria estar desse jeito. Já está na hora do almoço e você tem visitas.” Disse sem conter um sorriso em meus lábios.

Prontamente, a figura que antes estava toda embolada, pulou da cama e se aproximou de onde eu me encontrava com uma expectativa visível em sua face. “ — Quem é essa visita?”

“ — Se não estou enganado é aquele conselheiro do Rei...Merêa de Novgorod” – respondi enquanto voltava a deixar os lençóis sobre a cama e me seguia para onde havia deixado as roupas do jovem amo.

“ Não quero sair daqui, odeio esse homem...” falou perturbado e instantaneamente se jogou no chão batendo pernas e braços.

“Respirei fundo e pensei comigo mesmo que alguém de 16 anos, devia ser mais maduro. Mas, com prudência, encaminhei-me para onde ele se encontrava e me abaixei, aproximando meu rosto do seu e tocando ligeiramente em sua testa, enquanto que com minhas mãos segurei em sua face e o fiz me observar. “ Você deve ir até lá, tenha calma...”

Assim, acalmando o rapaz, fiz com que ele se levantasse e se vestisse, se arrumando para recepcionar o convidado que chegava. Apesar de relutante, Murasakibara executava as necessidades, talve, acredito eu, em grande parte para não me colocar em encrencas, pois ele sabia melhor do que ninguém que quando um dever que me era instruído não era cumprido devido a um capricho dele, eu não ficaria livre da punição. Logo após ficar pronto, nos direcionamos até a sala onde a recepção era feita e nos apresentamos para Novgorod.

“Prazer em conhecê-lo, sou Himuro Tatsuya, servente pessoal do jovem amo” então percebi que Atsushi não estava reagindo à situação e o cutuquei levemente com o cotovelo tentando chamar sua atenção,” “- Fala alguma coisa”, sussurrei.

“Como bem deve saber, sou Murasakibara Atsushi que não pretende nem um pouco ser Rei”, e nesse instante saiu correndo sem rumo.

“Atsushi, esperaaaaaa”, já ofegante o puxei, impedindo que continuasse a correr, “ -O que você fez? Não pode ser um futuro Rei se sair toda vez que for tentar falar com alguém”.

“ -Não suporto aquele cara, você tem que acreditar em mim, antes de que você chegasse eu vi...eu vi uma coisa cruel e ele foi o responsável por isso.”.

“Acalme-se Atsushi, o que realmente aconteceu?”.

“Sabe a Sara, uma das serventes? Eu o vi violentando-a em seu quarto quando aqui estava hospedado e me senti frustrado por não ter- sido capaz de ajudá-la — . Foi horrível e ele olhou para a porta , onde eu estava. Chegamos a trocar olhares, — e ele me viu, com certeza até hoje se lembra disso. Não quero voltar a encará-lo, por favor Tatsuya, não me peça para revê-lo!” , e saiu tristemente em direção a um bosque próximo, cheio de rosas vermelhas, aquele lugar era encantador, gostava de refletir ali, quem sabe poderia acalmá-lo de alguma forma.”

“Himuro, ainda bem que te encontrei. Preciso que faça um favor para mim....” chegou uma servente correndo em minha direção, era Sara, sim a mesma pessoa do ocorrido que Atsushi me contou.

“Claro que sim, o que queres?”, respondi gentilmente.

“Quero que você troque os lençóis dos novos hóspedes”, me pediu com as mãos unidas e piscando o olho direito.

“ Sem problemas, quem seriam esses hóspedes?”.

“ O conselheiro do Rei, o Merêa de Novgorod e seus serventes.” .

Fiquei perplexo, como Atsushi reagiria a essa situação? E Sara? Ela havia sido vítima desse homem, justamente por isso ela deveria estar me pedindo esse favor. Encontro-me em uma má situação, como se não já tivesse passado pelo suficiente.

Fui diretamente para os quartos escolhidos para receber o conselheiro e seus serventes, eram dos melhores quartos, tinha inclusive banheira térmica. Depois de organizar todo o ambiente e trocar os lençóis estava seguindo em direção ao meu quarto, quando presenciei o conselheiro colocando algo vermelho em algum vidro e entregando o mesmo para uma das serventes. O que deveria ser aquilo? Aproximei-me mais para que pudesse ouvir algo a respeito, e apesar de baixo consegui atentar para algumas frases:

“ — Esse é o remédio do Rei, ele não pode sequer sonhar que tenha algum veneno aí, que na verdade é mercúrio puro” .

Sentei-me e ao mesmo tempo tampando minha boca com as mãos incrédulo com o que acabara de ouvir. O conselheiro quer envenenar o Rei? O primeiro pensamento que me ocorreu foi que tinha que avisar Atsushi. Porém, quando me levantei senti alguém me puxando e reconheci o conselheiro segurando firmemente meu braço, sorrindo maliciosamente.

“ — Então o Rei admite que seus serventes espreitem as conversas alheias?” .

“ Que irônico tentar me amedrontar falando tais coisas!”.

“ Pelo visto você escutou algo que não lhe diz respeito”, apertou-me forte contra ele, envolvendo seus braços em minha cintura e tentando me forçar um beijo, “ Que gracinha, como imaginei você é bem atrativo, lhe mostrarei algumas coisas interessantes que sei fazer de melhor”, e sussurrou logo em seguida “ ...em meu quarto” .

Alguns de seus serventes me amarraram com uma corda devido a minha insistência, de algum modo teria que sair daquela situação, não fazia ideia de como poderia escapar, aqueles lençóis que eu havia preparado há instantes atrás foram ferozmente rasgados para serem amarrados em volta do meu corpo, queria muito usá-los como corda de escape se a situação me permitisse. Antes disso, Novgorod ordenou que eu tirasse todas as minhas vestes, hesitei um pouco e com teimosia insistir para que me tirasse dali, sem sucesso. Então se aproximou pacientemente e ordenou para que o servente me segurasse enquanto desabotoava minha camisa. Nesse momento senti uma repulsa enorme, aquelas mãos me transmitiam cada vez mais a sensação de nojo, desgosto, enojo e quaisquer sinônimos disso. Não aguentaria por muito mais tempo.

“Pelo visto o seu ‘filho’ está querendo se apresentar”, dizia enquanto direcionava sua mão até o meu falo e massageava com movimentos circulares, e brutalmente me levou até a banheira, fez com que me ajoelhasse em frente a ela e mergulhou minha cabeça dentro e tirava em uma sequência de quatro em quatro minutos, ela estava muito gelada, isso se tornou insuportável. Posteriormente, jogou-me inteiramente na banheira e começou a rapidamente tirar as roupas que faltavam, pegou os lençóis rasgados e atou minhas mãos, pedindo para que um de seus serventes lhe trouxesse algo cortante e deu-se inicio às sucessões de cortes pelo meu peitoral, fazendo com que a água se transformasse de transparente para a reconhecível cor vermelha, enquanto isso direcionava suas mãos até meu pescoço e apertando-o com certa força, mas não o suficiente para me estrangular.

Repentinamente, tirou-me da banheira e logo em seguida me deitou na cama, levando-me em seus braços, até quando esse homem vai continuar com isso? Quero que acabe logo, desse modo não saberei como encarar Atsushi, me sinto tão inútil. Já na cama, fez com que abrisse minhas pernas então pegou uma vela que se encontrava em uma mesa próxima e começou a derretê-la nas minhas regiões pubianas, essa sensação é medonha, isso é muito torturante.

“Acho que se corpo aprecia esse tipo de coisa, TAT-SU-YA”, comentou o conselheiro e chamou meu nome compassadamente. Como se atreve, quero destruí-lo. Após longas sessões de impiedosas torturas fui “liberado”, pois antes disso fui avisado para que não contasse a ninguém e que se caso vazasse o Atsushi estaria em grande risco, estou fazendo isso pelo Atsushi apenas, ele é a única pessoa que me importo aqui, e seguir andando pelos corredores desequilibrado e sem rumo.

Ambos estavam desacreditados, Atsushi agora sabe que o conselheiro está se hospedando no palácio e de todas as formas tentou convencer o pai a tirá-lo e nada deram ouvidos a ele, e eu de certa forma sem poder ajudar, novamente penso como minha inutilidade é tamanha... ”Atsushi...como está o seu pai?” , perguntei nebuloso.

“ Porque me pergunta? “ .

“ Ele não está bem, eu soube que ele finge isso perto de você, mas ele não está bem. Atsushiiiiii, por favor ajude o Rei!”.

“ Calma Tatsuya, por que está tão aflito?”, perguntou duvidoso.

“- Não posso dizer, não posso...”, retruquei chorando desolado abraçado a Atsushi. Que bom, que apesar de tudo conseguia me tranquilizar mesmo que um pouco. Apenas com ele podia sentir um calor inigualável, isso me confortava, queria mais disso.

“Tatsuya, acalme-se, sei que aquele conselheiro não é nada confiável e que deve ter alguma participação no que está acontecendo com meu pai, bem provável que eu não querendo o trono e também não tendo idade suficiente para substituir meu pai ele queira de alguma forma me eliminar e ao Rei.”

De alguma forma Atsushi me transmitia segurança, ele sim poderia facilmente governar esse lugar. Se em certas situações ele não me vem com ideias totalmente desconexas.

“Tatsuya, vamos fugir? Abandonemos a todos e seguiremos nosso próprio caminho conhecendo o mundo!”, prontamente, bati em sua face para o acordar do transe.

”- Você sabe muito bem que não podemos fazer isso, certo? Vamos encontrar uma forma de salvar seu pai!”, era isso que eu queria acreditar quando tivemos no dia seguinte a notícia de que o Rei havia morrido.

Pensei a quanto tempo “ o conselheiro já devia estar lhe dando esse medicamento, meus pêsames, Vossa Majestade morreu...” não é como se tivesse sido totalmente afetado, sei bem que ele foi o responsável pelo ataque em minha vila, mas por outro lado eles me acolheram, poderia ter sido vendido, vítima de pessoas piores que o conselheiro Novgorod, pensar nisso me faz perceber o quanto Atsushi me mudou, buscava sempre por vingança e essa convivência me fez conhecer que existem sim pessoas boas que servem a esse lugar.

“Meus pêsames, Vossa Majestade”, gritou o conselheiro entrando no quarto onde o Rei estava deitado e com esparro continuou, “Pelo visto um jovem amo ficou sem pai e como sei que ele não pretende ser um Rei, eu conselheiro real, posso gentilmente ser por você.”, aproximou-se de Atsushi colocando-lhe o indicador sob seu queixo , levantando-o.

“Como se eu fosse deixar!”, vociferou Atsushi. Porém, sem se intimidar, o conselheiro prosseguiu.

“ A não ser que queira que continue fazendo esses tipos de coisas com essa pessoa a qual se importa tanto” se direcionou até mim e abriu minha camisa violentamente, mostrando os corte que havia feito.

“Quando foi isso??? Seu filho da puta, não te perdoarei por tocar no Tatsuya!”. Observei os movimentos de Atsushi e, no momento em que ia em direção ao conselheiro eu o impedi, segurando-o.

“-Por favor, Atsushi, não tenha ódio, sou contra a violência.” Disse enquanto tentava deter o avanço do maior em direção ao conselheiro. Não soube precisar o momento em que senti algo afiado introduzindo em meu corpo, mas logo percebi que era uma adaga, perfurando meu estômago. Senti o sangue vazando do ferimento e logo em seguida cai em direção ao solo, segurando o sangramento com uma das mãos. Rapidamente minha vista se turvou e as imagens ao meu redor ficaram difíceis de serem distinguidas, pude perceber meu corpo ser levantado e notei que Atsushi me carregava, provavelmente me levando até alguém que pudesse me curar. Sim, aquela adaga estava envenenada. Não sei ao certo se a intenção do conselheiro era usá-la em Atsushi, mas fiquei feliz de ter sido eu-

Atsushi se algum dia você encontrar esse diário, espero que não chore não se lamente – Estarei sempre com você, lhe vigiando. Aproveite para ir ao meu bosque preferido observar na próxima primavera as belas flores desabrocharem, esse é meu último pedido, pense em mim...

Dezembro de 1898

Por mais que eu leia isso, não poderei evitar Tatsuya. Por que teve de acontecer com você? E mesmo assim agora não é primavera, olho para a janela e não vejo sequer uma flor viva... Quero você ao meu lado, Tatsuya, desculpe-me, mas não pude fazer nada do que me pediste. Tornei-me Rei, e devido a sua insistência tentei ao máximo realizar seu desejo Tatsuya. Então volte, volte, por favor... Ainda sofro, ainda me lamento, quero me aventurar com você nesse mundo...é só o que eu te peço.

Nesse momento o frio me assola-...te perdi e me perdi.

Notas finais
Foi feito muito na pressa para atender ao prazo imposto pelo desafio, então, desculpem-me se houver algo desconexo.
No futuro, se possível tentarei uma continuação mais explicativa desse universo.
Espero que tenham gostado~ E comentem, isso me ajuda bastante.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.