Notas iniciais
Surpresos? lol Presente de Natal atrasado! o/ Muito bom vê-los novamente após tanto tempo! Ah, e se acalmem! O início não está errado não... Ele só não irá fazer muito sentido agora. Mas é isso... Divirtam-se!

O calor estava insuportável. A chuva que havia caído durante a madrugada evaporava em ondas quase sufocantes de vapor, fazendo o ar ficar úmido e quente. O couro que cobria seu corpo, tratado pelas anciãs da tribo, grudavam na pele e acumulavam seu suor o faziam querer se jogar no rio e passar o dia inteiro submerso na água.

Tudo parecia tranquilo até que ao longe, abafado pela mata densa, ecoou o uivado longo e desesperado do berrante. Logo depois veio um gritou em alerta fazendo todos pararem o que estavam fazendo para prestar atenção na voz conhecida de um dos guardiões da tribo. Pânico estourando na veias, o suor escorrendo pelo clima e pelo batimento descontrolado do coração, todos tentavam suprimir o medo e reagir o mais rápido possível.

“Ataque! Ataque!” Greenbarg gritava no topo dos seus pulmões enquanto corria por entre as árvores. Ele corria contra o tempo em busca de segundos de vantagem.

Porém, nada que corresse por duas pernas podia ter sido rápido o bastante. Dezenas dos homens invasores já tinham passado pelos primeiros guardiões e dominavam a clareira da tribo, entrando nas tendas, atacavam cada homem corajoso o suficiente para tentasse proteger sua família e sua moradia.

Alguns segundos depois, Greenbarg já estava no chão atingido por um lança.

~*~

“Nós conseguimos!” Thissac gritou enquanto ainda sentia seu corpo vibrar com a vitória de ter conquistado um território tão bom quanto esse. Perto do mar, não muito distante de uma nascente de rio e quase escondido por morros. O sangue alheio que ainda escorria por suas mãos e cobriam seu corpo eram apenas um preço a pagar.

“Eles devem ainda estar chocados.” Snogy comentou olhando para vários homens sobreviventes que eram mantidos amordaçados. Mas os homens baixavam o rosto assim que e viam sendo encarados por ele. Não só por sua altura e porte como também por ser um dos poucos de pele escura, ele era temido assim que visto. “Eu acho que essa foi uma das melhores lutas que tivemos.”

“Fortes como touros e silenciosos como uma lança!” Thissac disse com orgulho olhando para os seus companheiros de tribo. Snogy e Hermia, os mais próximos de si, só fizeram rir da reação animada dele ao conseguir conquistar sua primeira vitória. Após passar anos sofrendo com os maus-tratos do seu pai, ele finalmente tinha encontrado seu lugar junto ao melhor grupo tanto de caça quanto de luta da sua tribo.

“O que faremos agora, Drych?” Cobweb perguntou tentando esconder a sua própria animação. Assim como Thissac, essa tinha sido sua primeira luta de conquista de território e ela tinha saído vitoriosa! Quando Quince chegasse ela faria questão de contar toda a história! Mas ainda se contendo para não deixar sua alegria ficar tão evidente, ela esperou pela resposta de Drych. O maior guerreiro da tribo dos morros do norte e irmão.

“Devemos terminar de reunir todas as mulheres e crianças.” Drych disse sério, mas logo deixou nascer um sorriso sardônico nos lábios e um olhar que deixava completamente transparente as más intenções por trás dos seus pensamentos. “Depois que a tribo remanescente for dividida, eu quero que os nossos guerreiros tenham diversão.”

E não demorou muito para que toda a tribo recém conquistada fosse dividida e um grupo de mulheres fosse apresentado para o entretenimento dos novos líderes. Por Drych ele tinha simplesmente terminado o seu dia ali, colocado os vigias em seus postos e ido descansar. Mas tudo fazia parte apenas de uma demonstração de poder. Quem tinha mais força e resistência tinha o direito de comer e se divertir. Os derrotados apenas assistiram eles comerem suas caças, beberem suas bebidas e deitarem com suas mulheres.

As dançarinas para a apresentação estavam vestidas com couro fino e tecidos de fibras trançadas, adornadas com conchas e flores. Suavemente elas começaram a dançar ao som de tambores e suas próprias vozes melodiosas. Todas as mulheres apesar de seus movimentos treinados para seduzir um homem, traziam feições carregadas de medo escondidas atrás de languidos olhos. Das cinco dançarinas, apenas uma cobria quase todo o seu rosto e corpo, deixando visível apenas seus olhos e parte de seus braços e cintura que brilhavam em um marfim corado por sol.

Todos da tribo de Drych ainda estavam com suas roupas de batalha.­ Couros resistente amarrados firmemente nos antebraços e punhos, um colete de pele cobrindo seu torso e uma calça curta na altura da coxa para não atrapalhar na agilidade para correr. Assim como Drych, vários apenas bebiam quietamente aproveitando o momento de descanso. Porém, assim que a segunda dança terminou, Puck puxou uma das dançarinas pelos cabelos a fazendo cair no chão desorientada. Com uma risada medonha ele fez a mulher sentar-se em seu colo e passando a sussurrar no ouvido dela. Os homens de caráter grotesco e semelhantes ao de Puck, gritavam e riam da mulher, que ela começou a chorar a ser discretamente apalpada nos seus lugares íntimos na frente das duas tribos.

Antes que mais homens pudessem fazer o mesmo, Drych parou a dança e fez Puck sair da roda, ordenando que se ele quisesse copular, que copulasse em outro lugar. Amedrontadas, as dançarinas pararam de dançar se aglomerando mais ao centro e para longe dos homens da roda. Para a sua surpresa, elas deliberadamente se prostraram de joelhos no chão esperando por mais uma ordem do chefe dos guerreiros.

Todas menos uma. Suas peças de couro claro eram pintados de carmim e seus olhos castanhos cor-de-ouro que brilhavam ao sol do entardecer. Lentamente, com os olhos fixos no seu, ela finalmente se ajoelhou.

“Eu só direi isso apenas uma vez, e vai sofrer consequências quem quiser me desafiar. Esta terra agora pertence a tribo de Talia a Loba. Ela é quem vocês vão chamara de líder agora. E eu o segundo filho da tribo, serei o chefe de vocês.Drych disse fazendo o choro de várias mulheres e o rosnado dos homens nascer.

Mas logo que a música foi obrigada a voltar a tocar, a tribo rendida voltou a ficar silenciosa e observadora para com qualquer movimento que os seus invasores faziam. Os invasores, entretanto, pareciam se divertirem ainda mais, enchendo o estomago de carne de veado e vinho.

“Escolha uma, chefe!” Um dos companheiros de Puck gritou na sua direção e vários gritaram concordando com sugestão. “Devem ser mais folgadas que um traseiro de égua mas devem servir para algo...” Outro falou com a voz arrastada pelo liquido vermelho e fez Dyrch ter uma ânsia de vômito.

Levantando-se do pedaço de tronco que ele estava sentado, Drych marchou até parar de frente da dançarina mais próxima a sua mão, a puxando pelo braço e a carregando para longe do clareira e pátio principal.

“Chefe!” Snogy gritou chamando atenção do chefe e de todos ao seu redor. Drych logo se virou para olhar para o seu segundo em comando.

“Ajeite todos para a noite.” Ele respondeu. “Eu irei para a minha tenda e não quero ser incomodado.” Ele informou e esperou o aceno de reconhecimento antes de voltar a andar.

&&&&

Ainda faltavam quinze minutos para às dez da manhã quando uma caminhonete esportiva cinza estacionou na garagem dos Stilinski. Sem surpresa alguma, Derek tinha chegado antes da hora combinada. O primeiro e único a sair da casa foi o Stilinski pai, que ainda da soleira da porta, de braços cruzados e sobrancelhas arqueadas observou Derek sair do carro recém-comprado.

“Eu acho que o camaro chamava muita atenção...” Derek respondeu a pergunta implícita e lutou contra a vontade de voltar e se esconder dentro do carro ao se sentir exposto diante do olhar avaliativo do sogro. Sogro. Derek ainda teria um longo caminho para se acostumar com a ideia de que havia mais uma adição definitiva no pack e que era ninguém menos do que o Sheriff que o tinha prendido por duas vezes seguidas.

“Boa escolha...” John respondeu com um aceno. “Mais seguro.”

“Sim...” Derek concordou e não deixou de imaginar o que o sheriff estaria pensando sobre o motivo que a caminhonete seria mais segura. Principalmente quando o motivo de ele ter trocado o camaro, que era a sua assinatura por onde quer que passasse pela cidade por anos, pela caminhonete esportiva é que ele não tinha achado cadeirinhas de segurança para bebês para camaros... Mas para dizer isso a John, ele teria de mencionar que a cadeirinha seria para o bebê do qual Stiles está esperando. Logo, dizer cara a cara que o filho único dele está grávido. Grávido.

Já fazia uma semana desde que John tinha descoberto toda a verdade sobre o mundo sobrenatural da cidade que ele protegia. E após isso, ele ainda não tinha se encontrado nem com Stiles nem com o sheriff na esperança de dar um pouco de privacidade e o tempo para pensar que Stiles o tinha pedido.

John desencostou-se da porta e moveu o corpo para o lado, abrindo ainda mais a porta da frente, oferecendo caminho para Derek.

“Ele já está pronto?” Derek perguntou ao escutar apenas o som alto vindo do quarto de Stiles. E demorou alguns segundos até reconhecer que Allison e Lydia também estavam com Stiles.

“Provavelmente não.” John respondeu olhando para o relógio no braço. “Quer ir chamá-lo ou...?”

“Não, eu... Eu posso esperar.” Derek respondeu quase como um sussurro, enfiando as mãos nos bolsos da calça jeans.

“Vou chamá-lo, então.” John avisou já saindo da sala em direção à escada.

Derek riu ao escutar um alto e irritado ‘Genim Stilinski’ fazendo Stiles finalmente se calar. Stiles logicamente nunca poderia deixar de agir na sua forma Stiles de ser, por mais que se tentassem... Até mesmo sheriff que já tinha passado anos lidando, acabava perdendo a paciência de vez em quando. Mas não demorou muito até ele escutar Stiles avisar que ainda iria tomar banho antes de ir. Prevendo que demoraria vários minutos até que Stiles estivesse pronto, Derek decidiu por ir sentar no sofá da sala e tentou relaxar um pouco e pensar em como seria o dia.

Suportar uma semana sem falar ou ver Stiles já estava o fazendo perder o pouco controle que ele tinha e o deixando irritado na maior parte do tempo. Na noite anterior ele não tinha conseguido dormir, passando a noite inteira correndo pelo perímetro da floresta em patrulha constante... Não era nada fácil para um Alpha saber que seu companheiro e o seu primogênito estava a apenas alguns minutos de distância e que mesmo assim não poderia ter contato era torturante. Mas por mais que doesse, ele daria Stiles o tempo que ele pediu.

“Derek!” Allison e Lydia o cumprimentaram quando terminaram de descer as escadas. Derek distraído não tinha nem sentido a aproximação delas, mas mesmo assim ele respondeu com um aceno e um pequeno sorriso. Ambas as meninas sorriram e acenaram de volta, até saírem da casa. Segundos depois elas já estavam dando partida no carro.

Suspirando, Derek voltou a se apoiar no encosto do sofá olhando ao redor.

Como conseguir confortar alguém que tudo daria certo se nem ao menos ele tinha noção de como seria o futuro? Ele conseguia entender a relutância de Stiles de acreditar que tudo não passava de uma ilusão... Mas como Derek sempre esteve exposto ao mundo sobrenatural durante toda a sua vida, ele já tinha visto tanta coisa sem explicação que ele nem chegou a duvidar que o cheiro de Stiles pudesse passar apenas por um engano. E bem no fundo ele desejava que realmente fosse verdade. Pois só a ideia de que a união deles pudesse ser tão forte ao ponto de estimular a criação de uma outra vida concebida em Stiles, fazia seu peito se encher de orgulho e seus olhos lacrimejarem ao mesmo tempo. Seu lobo estava constantemente uivando de orgulho pelo companheiro deles ser tão forte e especial.

Por enquanto, porém, ele teria de se concentrar em arranjar uma forma de fazer Stiles entender isso. Não era questão de papéis de liderança ou de que Stiles seria considerado numa posição inferior na relação por ter concebido o filho deles... Eles são e sempre serão iguais e codependentes. E de uma coisa Derek estava decidido, ele faria de tudo para manter Stiles ao seu lado e feliz por tudo no mundo.

~*~

“Impossível.” Lydia respondeu sem tirar os olhos da revista que estava folheando.

“Mas você nem olhou!” Stiles protestou saindo da frente do espelho e pondo-se de frente à amiga que estava sentada na cama ainda folheando a revista. “Lyda!”

Lydia levantou a cabeça e olhou para o abdômen de Stiles por alguns segundos antes de voltar a folhear a revista. “Eu estou olhando e a resposta ainda é não.”

“Allison!” Stiles voltou-se para a outra amiga que estava sentada do lado oposto, na cadeira do computador.

“Eu tenho que concordar com a Lydia, Stiles. Eu acho que ainda não está mostrando.” Allison respondeu coma careta de desculpas e assim como Lydia logo voltou a folhear a revista que estava olhando.

“Ainda não está mostrando...” Stiles imitou com a voz fina da amiga e voltou a ficar de frente ao espelho apoiado em cima da cômoda. Ele estava com uma camiseta azul marinho de algodão fininho, e apenas um par de sambas-canção branco estampada com âncoras coloridas. Mas não se engane de pensar que ele estava com tão pouca roupa por estar confortável suficiente com suas amigas, mas sim porque ele já estava na terceira troca de blusa até então todas tinham ficado coladas no abdômen. Definitivamente ele não teria problema nenhum se uma das duas meninas assumisse a verdade e o chamasse de gordo.

A situação estava ficando tão séria que ele estava seriamente pensando em tirar todas as blusas para fora das gavetas e enfiar em um saco preto lacrado qualquer uma que o fizesse lembrar que seu estomago já não estava tão reto quanto antes. Ou pior ainda, que pudesse mostrar o quão ele ficaria mais redondo com o passar dos dias!

Tudo bem que ele não era lá tão reto ou como se ele tivesse um tanquinho retinho de fazer babar como o de Derek... Mas ele tinha suas qualidades, oras! E anos de lacrosse o tinha dado uns bons músculos, obrigado.

Por coincidência, enquanto seus neurônios ainda lutavam para largar a visão do corpo de Derek nu da sua mente, no meio de várias blusas, ele viu por relance a devassa blusa de listras azuis e laranja. Stiles não conseguiu conter o sorriso ao pegar na blusa novamente depois de tanto tempo e lembrar-se de Miguel.

“Stiles?” Lydia chamou visivelmente preocupada com estado mental do amigo após escutar Stiles gargalhar em frente ao espelho. Mas logo sentiu um sorriso desenhando-se nos seus próprios lábios contagiada quando Stiles olhou para ela como um sorriso que ia de um molar ao outro e mais radiante do que ela tinha visto durante a semana inteira em que Stiles e Derek tinham ficado separados. Ele acabou levando a blusa para frente da boca para se impedir de rir alto novamente enquanto Lydia continuava o encarando.

“Pode voltar a criticar o bom gosto da editora da revista, Lyds.” Stiles acenou um ‘xô’ com a mão desmerecendo a atenção da amiga. Logo voltando para sua tarefa de separar as blusas. A blusa listrada, entretanto, ainda pressionada contra seus lábios.

“Primeiro: se eu estou lendo essa revista é porque há algum bom gosto nela. E segundo: você deveria estar me agradecendo, afinal sou eu que estou garantindo que o seu bebê não morra de frio após nascer e não ter uma roupa decente pra vestir.” Lydia retorquiu como se ofendida. Mas Stiles conhecia o jogo de lavagem cerebral dela bem demais para se deixar cair nele.

“Primeiro.” Stiles usou o mesmo tom da amiga. “Eu não pedi sua ajuda. E segundo: eu não pedi a sua ajuda. E eu ainda posso te dar um terceiro: desista dessa ideia de chá de bebê. Só por cima do meu cadáver eu vou fazer uma.” Stiles disse batendo no peito.

“Mas um chá de bebê vai ser ótimo, Stiles!” Allison defendeu a ideia de Lydia pela enésima vez.

“Só por cima do meu cadáver!” Stiles respondeu solenemente e logo voltou a organizar suas blusas no closet.

“Sti-” Allison tentou começar.

“E se eu morrer.” Stiles frisou. “Serão vocês duas que irão ter que lidar com um Alpha irritado.” Stiles soltou um beijinho para Lydia, que rolou os olhos irritada pela teimosia dele. E como se Stiles nunca tivesse falado, voltou a procurar por peças de enxoval na seção infantil da revista.

Ok, talvez... Só talvez... Ele estivesse exagerando um pouquinho sobre as blusas ficarem apertadas já que se ele realmente estivesse grávido como essas pessoas de má índole estavam dizendo da sua pessoa, ele só estaria com um mês e meio... O que não daria para mostrar muita coisa de acordo com o que ele leu na internet. Stiles, porém, evitava ficar pensando no assunto. O era impossível, já que todos a sua volta parecendo fazer questão de o lembrar disso 24 horas por dia!

Alguns minutos depois, preenchidos com boa música, Three For Tomorrow que se diga, enquanto Lydia e Allison discutiam sobre peças de enxoval, Stiles estava confortavelmente sentado no chão, já começando a separar a última pilha de roupa quando seu pai entrou no quarto chamando atenção dos três ocupantes.

“Stiles-” O Sherif começou mas-

“I'm on a hunt, hunt for your chemicals!” Stiles berrou o refrão de Hunt Hunt Hunt que tinha começado no exato momento que seu pai entrou no quarto.

“Stiles!” John mal teve tempo de dizer quando-

“I've got the lust, lust for the criminal in you!” Stiles acompanhou docemente com a voz de Maika.

“...”

“Trust, trust me 'cause I'll be honest!”

“Ok, eu tenho mais o que fazer.” O Sheriff disse andando diretamente para as caixinhas de som as desligando ao som de:

“You think you got it all but-”

“Genim Stilinski.” John repreendeu irritado o suficiente para chegar a usar o nome completo do filho.

“Tão sem graça…” Stiles reclamou e nem escondeu o sorriso quando ganhou um olhar de impaciência seguido de um rolar de olhos, pela terceira vez no mesmo dia. Um para cada pessoa que ele tinha se encontrado... Em algum lugar no mundo ele provavelmente poderia ganhar um troféu por isso. “Diga-me pois, caríssimo pai, o que desejas ao reunir-se em tão bondosa companhia?”

“Eu só vim avisar que Derek já chegou.” John disse e olhou para as duas meninas no quarto. “Você vão para Deaton com Stiles e Derek?”

“Não!” Stiles disse rápido e desesperado demais fazendo o três olharem para ele curiosos pela reação. “Quer dizer, eu já vou com Derek... E vai que sei lá... Haja alguma má noticia e...” Stiles tentou desconversar coçando o pescoço.

“Não vamos não...” Allison respondeu com um sorriso de lado. “Stiles já deixou bem claro que se alguém tentar acompanhá-lo irá sofrer a ira de um Stilinski.”

“Fique certa disso.” Stiles ameaçou e levantou-se organizando a última pilha de roupas na prateleira. “Diga a Derek que eu vou tomar banho e depois eu desço.” Ele disse para o pai e se virou para olhar para as duas amigas que começavam a arrumar as coisas para irem embora. Pegando uma troca de roupas ele rumou ao banheiro para se preparar para um longo dia.

~*~

Respirando fundo Stiles tentou abrir a porta do seu quarto novamente, mas acabou mordendo a mão antes que ela encostasse na maçaneta. Ele sabia que estava soando frio e que suas mãos estavam tremendo levemente mesmo depois de vários minutos tentando se acalmar... E era tão frustrante o fato de ele não conseguir se acalmar! Tudo ficava passando pela sua cabeça a fazendo girar e entrar em uma repetição infinita de possibilidades.

Tentando se acalmar e não pensar em mais nada ele abriu a porta e correu para fora antes que ele voltasse. Sim, ele era patético, o processe. E só quando seus dois pés estavam fora do quarto, Stiles parou e respirou novamente rindo da sua própria idiotice. Coragem, homem!

Quando ele começou a andar para a escada, ele escutou a porta do quarto do seu pai se abrir. Lembrando de se despedir do seu pai, Stiles parou de andar e virou-se dando de cara com o seu pai, que o olhava com um sorriso e uma expressão reconfortante. Sorrindo de volta, ele encurtou a distância e foi abraçá-lo.

“Você confia em mim?” O sheriff perguntou fazendo Stiles sem saber o que responder.

“Sim...?” Stiles acabou respondeu achando estranho a pergunta do pai que o ainda abraçava.

“Então acredite quando eu digo que tudo vai dar certo, ok?” Ele disse com um sorriso quando viu Stiles fazer uma careta. “Derek foi te esperar no carro. Desça logo para não se atrasar... E ah, Stiles, não se esqueça de me trazer boas notícias.” John pediu e empurrou Stiles em direção da escada fazendo o menino quase tropeçar nos próprios pés.

“Ok...” Stiles respondeu ainda confuso, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa ele ganhou a porta do quarto sendo fechada na sua cara.

Assim que saiu de casa, Stiles olhou ao redor procurando por Derek, o encontrando apoiado na porta de passageiro de um carro que ele nunca tinha visto antes. A expressão do rosto dele estava fechada e tão compenetrada que o único indicio que mostrou perceber que Stiles tinha saído da casa foram as sobrancelhas se arqueando como se ele estivesse surpreso. Uma semana inteira sem ver ou falar com Derek e ele já se sentindo como se tivesse passado séculos sem ver o Alpha. Sorrindo quase timidamente, Stiles andou até o carro parando ao lado de Derek. O Alpha parecia ainda tão deleitável para os olhos quanto nunca.

E sem mostrar emoção alguma, Derek abriu a porta do carro para Stiles. Continuando sério como se tivesse que ficar atento a cada passo que Stiles dava... Ou era o que parecia já que em nenhum momento os olhos de Derek chegaram a encarar nada que não fosse o chão ou os pés de Stiles. Se ele não tivesse aberto a porta, pareceria que ele não tinha nem se quer notado a presença do outro parado ao seu lado.

Sentindo sua teimosia aflorar, Stiles permaneceu parado do lado de Derek até que o Alpha tivesse pelo menos a decência de olhar para ele.

“Stiles.” Derek disse como se fosse um cumprimento decente e se afastou um pouco mais para dar mais espaço para Stiles entrar.

E para o assombro do adolescente, mesmo depois de Derek ter falado com ele, os olhos deles ainda não tinham nem se encontrado em nenhum momento. Ao invés de entrar no carro, Stiles continuou parado e olhou diretamente para Derek.

A expressão de Derek ficou mais séria e quase angustiada a medida que o tempo passava. Stiles tentava imaginar o que ele poderia estar pensando agora enquanto o esperava entrar no carro... Muito provavelmente que Stiles estava desistindo de ir com ele... E mais um longo minuto se passou até que Derek agisse, e quando ele abriu a boca para falar, pela cara que ele estava fazendo, Stiles já podia escutar algum pedido de desculpas ou alguma coisa absurda vindo pela frente. E antes que isso acontecesse, Stiles se aproximou o suficiente para Derek tirasse os olhos do chão e fosse obrigado a finalmente o encarar. Tentando não rir da cara de filhotinho rejeitado de Derek, para não causar a impressão errada, claro, Stiles inclinou-se e encostou seus lábios nos de Derek, em um beijo.

A textura macia dos lábios Derek o distraiu por alguns segundos até perceber o quão seco os lábios deles estavam. Levando a pontinha da sua língua até o lábio superior de Derek, Stiles fez o Alpha partir os lábios, deixando-os mais convidativos para o beijo com gosto de café e saudade que se seguiu. A língua quente e úmida dançando com sua em um movimento constante, brincando e reexplorando lentamente ao ponto de fazer seu coração desacelerar por alguns segundos enquanto ele era derretido em um único beijo.

“Você está sério demais, Derek.” Stiles disse ainda meio bêbado com beijo, ele sentia seus lábios quentes e hipersensíveis ecoando o movimento dos de Derek sobre os dele. E abriu um sorriso brilhante quando pode ver o efeito do beijo através da expressão entorpecida do rosto de Derek. Sorrindo ainda mais, dessa vez mais sardônico que nunca, Stiles levou seus polegares para cada canto da boca de Derek, os repuxando para os lados; desenhando um sorriso.

“Isstiles!” Derek tentou protestar, mas ao abrir a boca, os dedos de Stiles entraram e se fincaram entre os primeiros molares impedindo que ele pronunciasse qualquer coisa entendível por não poder mais fechar a boca! Vendo a situação que se encontrava, Derek tentou, mas não conseguiu deixar de sorrir contrariado. Ele planejou sua vingança e no mesmo momento já tentou morder um dos polegares de Stiles, fazendo o menino gargalhar e soltar um longo “Eca!” quando no meio do processo de sorrir e não poder fechar a boca, um fio de baba escorreu pela boca de Derek.

Se olhar matasse, Stiles estaria caindo durinho no chão nesse momento. Mas a visão de Derek era adorável demais! Os olhos cerrados e as sobrancelhas trabalhando em conjunto para formar uma poderosa arma de ameaça a Stiles enquanto a boca era presa em um sorriso trocho.

“Hey!” Stiles protestou quando Derek finalmente mordeu pra valer um de seus dedos. Mesmo assim Stiles continuou com os dois polegares presos no canto da boca do namorado.

“Eu sou a única pessoa autorizada e ficar com cara de sofrimento hoje.” Stiles disse tentando soar sério, mas era quase impossível. “Prometa!”

Frometer o quê?” Derek perguntou com um olhar assassino.

“Que você vai me comprar no mínimo um quilo de batata frita quando sairmos daqui.”

“Hãn?!” Derek perguntou confuso pela súbita mudança de assunto.

“Ou é isso ou você vai ter que prometer tentar desafiar todas as forças do universo e ficar o dia inteiro sem fazer cara feia.” Stiles disse mordendo maniacamente os lábios para não rir. “Prometa!”

Eu frometo ompar um quilo de atata fita.”

“Oh que orgulho do meu bebê.” Stiles provocou e finalmente libertou Derek da brincadeira/castigo o abraçando em seguida antes que ele pudesse escapar.

Relutante Derek se deixou relaxar pela primeira vez em duas semanas ao ser abraçado. O calor e o cheiro do corpo de Stiles fazendo maravilhas para o seu sistema nervoso.

“Desculpa.” Derek pediu baixinho, envergonhado.

“Pelo o quê?” Stiles perguntou confuso.

“Eu tentei me controlar para te dar espaço, mas acabei tentando te ignorar... O que tornou tudo pior.” Explicou.

“Obrigado.” Stiles respondeu depois de alguns segundos igualmente relaxando sob o contato confortante do corpo de Derek. “Obrigado por me entender e me dar esse tempo que eu te pedi.”

“Eu nunca te forçaria a-”

“Acredite, eu sei.” Stiles interrompeu e sorriu ao sentir em seu próprio peito o coração de Derek acelerar. “Quando essa bagunça toda terminar, nós teremos muito para conversar.”

“Ok.” Derek acabou concordando e abraçou Stiles ainda mais forte.

“Se já estamos entendidos, então você já pode me levar para a sala do veterinário...”

“Ele é formado em medicina veterinária e enfermagem, Stiles.” Derek repetiu irritado pela décima vez, mas ainda sim sem soltar o outro. “Esse é o único motivo que eu concordei em te levar para lá... Você poderia tentar dar um pouquinho de crédito pra ele...”

“E porque ele tem um clínica veterinária ao invés de uma normal?” Stiles perguntou desconfiado e aproveitou para se soltar de Derek e entrou no carro logo procurando os botões do ar-condicionado. O dia estava uma merda de quente e úmido.

Não querendo deixar o momento passar, Derek aproveitou para entrar no carro logo e ir para Deaton antes que Stiles pudesse querer implicar e não querer ir.

Stiles por sua vez estava distraído o suficiente e nem chegou a pensar em não querer mais ir. Ele ligou o rádio, abriu as janelas e acendeu o cinzeiro antes de bater no painel descontando a frustração de não achar o maldito botão que ligava o ar-condicionado!

“Você foi domesticado em um circo e seu pai nunca te contou por pena.” Derek disse seriamente enquanto apertava o pequeno botão que tinha de estar ligado para poder o painel de ajuste do ar-condicionado funcionar. Tudo bem que até ele tinha demorado a entender o funcionamento do pequeno botão, mas nada custava provocar um Stiles.

“Olha quem fala.” Stiles respondeu enquanto pressionava o rosto contra o painel gelado ignorando Derek completamente. “Devem ter te treinado em um canil.” Porque provocar um lobisomem com qualquer coisa relacionada a cachorros já rendia uma dor de cotovelo.

“Olha se foi eu,” Derek começou irônico. “quem teve contato com lixo tóxico e ao invés de ter super poderes, conseguiu um mal funcionamento no cérebro.”

“ADDH não é mal funcionamento do cérebro!” Stiles se defendeu. “E super poderes é completamente independente de ter caído em um lixo tóxico ou não. E estou ofendido por sua visão de mundo.”

“Só porque o batman não é um super-herói de verdade...”

“Retire o que você disse.” Stiles ameaçou.

“Não?” Derek provocou.

“O batman não tem poderes e mesmo assim é um dos mais respeitados pela história de vida dele!” Stiles defendeu. “Isso é falta de amor! Quando foram te dar a primeira mamadeira eles te deram suco de limão tão azedo que tua cara nunca voltou a normal e derreteu todos os arco-íris do seu coração.” Stiles disse seriamente. “Portanto, não se sacrifique e tente ser engraçado. Só de olhar para as suas sobrancelhas sua capacidade de fazer humor é reduzida em 80%.”

“Qual o problema com minhas sobrancelha?” Derek perguntou arqueando a sobrancelhas. E assim que percebeu, as fez voltarem a ficarem quietinhas no canto certo. “Se eu chegasse, por exemplo,” Ele começou e tentou esconder o seu rosto para que Stiles não pudesse ver o seu sorriso, e aproveitou uma manobra no volante para cobrir sua boca com um ombro e tentar não rir antes mesmo de provocar o outro. “a fazer piadas com a sua bunda, eu aposto que-”

“Não ouse mencionar a minha bunda nessa discussão.” Stiles ameaçou.

“Nem discussão isso é.” Derek rebateu.

“Vá em frente então, se você incluir a minha bunda na jogada, eu incluo Derek Jr.” Stiles incrementou a sua ameaça. “Eu poderia passar a manhã inteira falando sobre ele...”

“Não comece.” Foi a vez de Derek ameaçar, mas ele sabia que já era tarde demais...

“Ok... Uma pena, já que eu comecei a lembrar de umas piadas interessantes que eu tinha escutado das meninas por aí... Por exemplo, tem uma que era mais ou menos assim: O pau de Derek deve ser tão grande, mais tão grande que quando ele fica ereto ele-”

“Eu negocio uma semana de batata frita entregue todos os dias.” Derek propôs antes que saísse mais alguma palavra da boca de Stiles.

“Eu acho que estamos começando a nos entender.” Stiles respondeu sorrindo e fazendo sua dancinha da vitória.

&&&&

Sem soltar o pulso da dançarina, Drych a levou até a sua recém estendida tenda, que por ser o chefe, ele tinha o privilégio de ter uma tenda somente para si enquanto os outros integrantes da sua tribo não se adequavam ao tipo de moradia que era feita nesta nova tribo. Sua tenda era simples, apenas algumas estacas amarradas com palha trançada e cobertas com couro de animais. Antes de entrar na tenda, ele pegou um graveto longo e cutucou uma pequena fogueira que tinha em frente, fazendo o fogo crepitar e passar a consumir a madeira que ainda não tinha sido queimada. A luz amarelada da pequena fogueira teria de bastar para clarear o lugar que escurecia rapidamente e bastar para aquecer sua noite.

“Qual o seu nome?” Drych perguntou quando finalmente soltou o braço da mulher, a fazendo se sentar no meio da cama feita de pelos de ursos e lobos estendidos no centro da tenda.

“Meu nome é Ally.” A voz fazia

“Eu quero que você preste atenção, Ally.” Drych disse com sua voz desprovida de qualquer emoção. “Você vai dormir nesta tenda esta noite, mas irá dormir o mais longe que a minha cama sobre este chão deixa. Não quero que se aproxime de mim. E acima de tudo, se eu não falar com você, você não fala. Você não está aqui para que eu tenha que escutar a sua voz.”

Olhando uma única vez para os olhos que agora se estreitavam em sua direção. Sem estar disposto a continuar a conversa Drych virou-se lentamente, voltando para o ar frio da noite e deixando a dançarina para trás.

“Chefe Drych.” Uma voz surgiu atrás de si tentado chamar a sua atenção, minutos depois que ele tinha saído da tenda. Após perceber que ele nunca tinha escutado essa voz, ele decidiu por ignorá-la completamente e continuou remexendo a fogueira, mas parou no mesmo instante em que uma mão pousou suavemente sobre seu braço. Seus músculos se contraíram involuntariamente ao ser tocado. “Chefe Drych, por favor...”

“Quem é você e o que você está fazendo aqui?” Dyrch perguntou secamente.

“Alguns me chamam de Star. Mas tenho outros nomes...” A voz da mulher era abafada.

O guerreiro virou-se lentamente e avaliou a mulher a sua frente. Era a mesma dançarina que havia dançado na apresentação principal. Seu rosto assim como seu corpo era coberto mais castamente do que ele tinha visto qualquer outra na sua vida, um couro fino carmim que cobria seus cabelos e cruzava seu rosto davam uma aparência geral de burca. Apenas sua cintura, braços e panturrilhas ficavam a mostra.

“Por favor, Chefe Drych, me use para aquecer você hoje. Ally não é uma mulher experiente, não chegando a completar dois ciclo estrais ainda.” A voz suave disse enquanto a mão igualmente suave alisava seu braço desenhado por músculos de incontáveis lutas e caças. “Não sirvo para satisfazer seus desejos?”

“Você não conseguiu entender o que eu disse?” Drych sibilou não contendo o desprezo em sua voz. “Eu disse claramente que não queria ser incomodado. E mesmo assim eu estou aqui olhando para você.”

Drych estava a ponto de perder a cabeça, enojado pela mulher que oferecia seu corpo para o líder da tribo que tinha acabado de dominar a dela, quando seus olhos se fixaram ao sinuosos movimento do braço da mulher: flexionado na altura da cintura, o braço se movia lentamente. Sem querer arriscar nenhum momento, Drych contorceu-se para o lado e agarrou forte o braço da mulher que gritou no mesmo momento.

Forçando-se a se manter a apoiado no chão, Drych resistiu a tentativa de rasteira da mulher que tentava retomar o controle do braço que ele prendia. Frustrada, ela tenta socar seu rosto com o braço livre, mas Drych ainda era mais forte e ágil o suficiente para que ela pudesse em u ma única tentativa imobilizar ambos os braços.

Com mais atenção ele pode ver claramente: na mão do braço que ela manteve escondido, estava uma lança polida e afiada que apontava em sua direção.

“Achou que conseguiria me atacar?” Drych perguntou debochado causando a ira disfarçada e domesticada dela entrar em combustão e queimar nos olhos castanhos.

Drych fortificou o seu aperto no pulso que segurava a lança até que em um rosnado de agonia, ela desistiu e não conseguiu mais aguentar a pressão excruciante, deixando a lança cair no chão com um baque surdo. Só então foi que ele finalmente aliviou a pressão do pulso da dançarina.

“Quem mandou você até aqui?” O guerreiro inqueriu. A dançarina mantinha seus olhos abaixados sem encontrar com os seus e parecia completamente maleável diante seus braços presos. E ao invés de abaixar as suas guardas, a reação dela teve o efeito contrário, ele ficou muito mais alerta aos movimentos e sons ao seu redor.

Sem receber nenhuma resposta, ele passou a ser mais agressivo. Buscando ser o mais eficaz possível, rapidamente ele soltou um dos pulsos e levou sua mão livre ao pescoço dela, e logo depois, se aproveitando da sua mão larga, ele envolveu o outro pulso que estava livre, deixando ambos os pulsos presos por uma única mão sua.

“Ninguém me mandou!” Enfurecida, ela gritou o máximo que conseguia ao ter sua garganta sufocada. E no mesmo instante, ele percebeu que tinha algo bastante errado na voz dela... Antes o que parecia ser a voz abafada pelo couro, agora não tinha como não perceber que a voz parecia com a de...

A mão que estava no pescoço largou o aperto, fazendo com que ela puxasse uma respiração desesperada em busca de ar. Mas as intenções do guerreiro se mostraram claras no momento em que ela sentiu seus ornamento sereem arrancado do seu corpo de forma bruta e sem piedade nenhuma se machucasse ou não.

A voz não só parecia com a de um menino, ela era realmente de um. O corpo magro, quase desprovido de músculos quando coberto tinha sido o suficiente para enganá-lo e ser disfarçado como mulher.

“Quem te mandou?!” Drych questionou mais uma vez e dessa vez não teve piedade nenhuma ao jogar o menino no chão coberto de pelos de animais e avançar em cima dele, prendendo-o ao chão.

Olhos castanhos brilharam com o fogo que iluminava parcamente. Preso e imobilizado abaixo de si, o corpo vibrava com um ódio que era tão denso que ele podia sentir como se fosse uma segunda pele onde corriam raios que pareciam queimar quem tocasse.

“Ninguém me mandou!” Ele gritou. “Foi eu quem quis te matar pessoalmente.”

&&&&

“Bom dia, Derek... Stiles...” Deaton cumprimentou com um dos seus sorrisos. “Por um momento pensei que vocês não viriam mais...” Ele disse parecendo preocupado.

“Minha culpa.” Stiles confessou mesmo sabendo que os outros dois homens sabiam que ele não sentia um pingo de culpa.

Assim que Derek e Stiles passaram pela pequena porta da recepção da clínica, Deaton retraçou a linha do mountain ash que tinha sido rompida para a entrada Derek. Apesar de saber que era por precaução, Stiles não gostava nada nada de ver a linha de proteção naquele momento. Pois ele sabia o efeito quase depressivo que o lobisomem sentia ao estar dentro dos limites de um escudo de mountain ash. Mas antes de continuar andando, Stiles ainda virou para trás e viu o exato momento em que Deaton lançou um pedido de desculpas mudo para o Alpha que apenas acenou a cabeça.

Entrar sala de cirurgia ainda dava arrepios na espinha de Stiles. Lembrar de Derek com o braço baleado e literalmente apodrecendo pelo veneno da bala já era ruim. E ter de lembrar que ainda por cima ele esteve prestes a cortar o dito braço fora ainda o dava ânsia de vômito...

“Se lembra quando eu quase cortei seu braço aqui, Derek?” Stiles perguntou docemente. “Tão romântico nossas primeiras lembranças... É quase como se elas fossem nossos primeiros encontros...”

“A única coisa que eu consigo lembrar daquela noite é do meu antebraço quase ser mutilado do meu braço.” Derek respondeu com a cara fechada ao se lembrar da dor...

“Tão insensível...” Stiles suspirou e passou a observar distraidamente Deaton fazer as últimas arrumações na sala para dar espaço para o pequeno aparelho de ultrassom que estava no canto da sala e colocá-lo ao lado de uma maca que estava no lugar da mesa. “O que eu vou dizer para os nossos netos?”

“Netos?” Derek perguntou incrédulo, mas foi salvo da ‘Viagem ao Mundo Temático de Stiles Stilinski’ pelo apito suave da máquina que chamou a atenção de ambos.

­“Eu acho que á estamos prontos para começar.” Deaton disse com outro sorriso e gesticulou para Stiles deitar na maca.

“Certeza?” Stiles perguntou enquanto coçava a cabeça. “Não tem nada faltando? Alguma... Peça? Atualização do software...?”

“Tenho plena certeza.” Deaton assegurou enquanto andava até parar atrás de Stiles para então delicadamente o conduzir até a maca ignorando todas as tentativas de protestos e persuasões.

“Derek!” Stiles rogou como sua última tentativa para escapar do exame enquanto deitava na maca a contragosto. “Ele usa essa coisa em animais doentes!”

“Eu tenho quase certeza eu ele limpa após usá-la.” Derek respondeu com um suspiro. Ele nem tentou disfarçar que as mãos que ele colocava sobre Stiles era para conforto do outro e não para restringi-lo e ele não conseguir fugir tão facilmente...

“Stiles.” A voz de Deaton soou calma. “Eu quero que você relembre algumas coisas antes de começarmos, pode ser?”

“Tanto faz.” Stiles disse ainda persistindo na birra.

“Ok.” Deaton respondeu resignado. “Esse instrumento que eu tenho tem uma baixa qualidade comparada as máquinas profissionais para acompanhamentos de pré-natal. Mas eu ainda consigo obter em torno de 90% de precisão, o que serve para um acompanhamento básico, mas não é suficiente para diagnósticos que precisem de precisão.”

“Você está sendo pessimista.” Stiles reclamou.

“Não estou sendo pessimista. Mas nós teremos de arranjar uma forma de ter acesso a algum equipamento profissional para o teste de Translucência Nucal que vai tirar todas as dúvidas para má formações ou não.” Deaton explicou. “Mas ainda temos um mês pela frente para resolvermos isso. Por enquanto-”

“Temos que descobrir se eu estou grávido ou não.” Stiles disse solenemente.

“Eu achei que você já estaria certo que você está mesmo carregando um bebê...” Deaton disse apontando para a o pequeno volume coberto pela camiseta. “Suba a blusa até a altura do tórax.” Ele pediu pacientemente.

Mas assim que escutou o pedido de Deaton, Stiles tratou de cruzar os braços por cima do abdômen, cobrindo a visão de Deaton. Ele até tentou reclamar quando Derek segurou ambos os braços e os pôs estirados de cada lado do seu corpo. Stiles apenas fungou irritado, mas também não impediu que Derek levantasse a blusa e descesse um pouco o cós da calça.

“Agora é só relaxar que é só alguns segundos até... – Oh, já podemos ver!” Deaton disse sorrindo e ambos garotos olharam para a tela do aparelho, onde um pequeno feijão aparecia brilhante. “Stiles, Derek conheçam o seu bebê.”

“...” Stiles estava de boca aberta olhando para a máquina como se sua vida dependesse disso. “A não ser que eu tenha um buraco negro no meio do meu estomago...”

“Bom, como você não tem um útero, eu não posso nem chegar a chutar aonde a placenta pode estar enraizada... Mas esse buraco negro é definitivamente uma placenta.” Deaton respondeu distraído mais interessado em observar a largura anormal da placenta para uma gravidez de apenas 7 semanas... Mesmo essa gravidez sendo uma masculina que ele nunca tinha presenciado na vida. Saindo da lateral da barriga, lugar onde primeiro ele conseguiu capturar uma imagem nítida, ele andou um pouquinho até chegar no topo da barriga. A imagem que se tornava mais clara a cada momento fez os três ocupantes da sala arregalarem os olhos. Não tinha como se confundir... Stiles estava grávido de gêmeos.

“Isso foi inesperado...” Deaton murmurou surpreso depois de um longo tempo em que nem mesmo os pais dos dois fetos que apareciam na ultrassom não conseguiam nada para dizer.

“Maldito esperma lobisomem!!”

Um grito pôde ser escutado por quem passava em frente a clínica veterinária.

Não é preciso muito para adivinharmos quem tinha gritado ao topo de seus pulmões...

“Oh meu deus... Oh meu deus... Derek, seu filho de uma puta!” Stiles xingou sem acreditar no que estava vendo. “Não apenas um... Mas dois! Dois! Como é que nós vamos conseguir cuidar de dois bebês ao mesmo tempo!?”

“Stiles...” Derek até tentou mas...

“Cala a boca!” Stiles gritou se esticando para tampar a boca de Derek. “Deaton, tem como fazer impressão dessa imagem?” Ele perguntou maniacamente dando tempo de Deaton apenas afirmar que sim e congelar a imagem na tela antes de ele pular para fora da maca e correr para o banheiro da clínica... Só saindo de lá quando só restava nada mais do que bile no seu estomago.

“Stiles?” Derek chamou baixinho através da porta fechada do banheiro. “Precisa de alguma coisa?”

“Água.” Stiles pediu com uma careta, abrindo a porta.

“O enjoo já passou?” Perguntou preocupado passando a palma de suas mãos pelo pescoço, braços, rosto... Qualquer pedaço da pele de Stiles que ele podia alcançar ao tentar de uma maneira bastante primitiva acalmar o menino e o seu lobo, assegurando-se que o companheiro dele estava bem.

“Já sim.” Stiles respondeu enquanto se encolhia no peito de Derek, buscando conforto nos braços dele, respirando o cheiro masculino e intoxicante que o acalmava. Após Deaton trazer um copo, ele bebeu devagarzinho água, deixando seu estomago se acostumar com o volume aos poucos.

“Você já sabe que a gravidez só irá durar 7 meses?” Deaton perguntou olhando de relance o casal que passava a sentar na maca enquanto o aguardava ir terminar o processo de impressão da imagem da máquina.

“Dois meses a menos!” Stiles pareceu despertar do seu estado letárgico pela notícia. Mas sua expressão mudou de repente como se tivessem jogado um balde de água fria na sua cabeça. “Mas eles vão nascer bebês humanos, certo?” Ele perguntou aterrorizado pela ideia de que poderiam sair lobinhos de dentro da sua barriga. Só a ideia merecia um enorme NÃO.

“Sim, serão bebês humanos.” Deaton assegurou sorrindo e andou em direção aos dois meninos entregando o envelope com quatro pequenas fotos. “Eu falei com Melissa e ela pediu que se possível você passasse hoje nos hospital antes das 13:00 para recolher uma amostra do seu sangue para ver como estão suas taxas.”

“Hum... Okay.” Stiles respondeu distraído brincando com o envelope das fotos. Um silêncio desconfortável se instalou até que Stiles falasse novamente. “Sobre a pesquisa que você disse que estava fazendo... Você já conseguiu achar algo sobre gravidez masculina?”

“Na verdade... Sim.” Deaton respondeu com um suspiro puxando uma cadeira para sentar em frente aos dois. “Mas nos dois casos que eu pesquisei, ambos partiram de feitiços realizados por eles mesmos para que pudessem criar uma família com o companheiro deles.”

“Então quer dizer que inconscientemente eu literalmente me enfeiticei para poder ficar grávido?” Stiles zombou sarcástico.

“Sim.” Deaton concordou fazendo Stiles arregalar os olhos.

Continua...

Notas finais
Ah, então... Desculpas pelo atraso? Ç_Ç Sorry. Ç_Ç Minha musa inspiradora não estava comigo por esses meses que estive só... Ç_Ç Bom, mas há noticias boas! A segunda parte está quase chegando aí... Num piscar de olho!