Minha Não. Nossa Família.
14 Scott | Isaac - A minha (in)segurança
Extra 02 – Scott | Isaac — A minha (in)segurança é o que nos mantêm juntos.
Não, não foi culpa dele.
Não exclusivamente, exatamente e/ou unicamente culpa dele...
“Vários acontecimentos pequenos e despercebidos culminaram nisso.” ele diria se alguém chegasse a realmente a perguntar. Mas não, ninguém chegaria a perguntar, pois a primeira coisa que fazem é apenas jogar na sua cara o quanto ele deveria se sentir culpado e ferrado.
Scott desligou o telefone após conversar com Stiles e encarou a parede do seu quarto enquanto pensava pela quinquagésima vez naquele dia sobre tudo a gravidez de Allison. Um dos “entretanto” nessa história toda era que de fato ele não se sentia culpado e ferrado por tudo o que aconteceu, em grande parte ele só conseguia se sentir feliz. Porque com um filho os ligando, a probabilidade deles se separarem por conflitos de família ou classe genética agora era drasticamente reduzida.
Ele deixou sua mente imaginar como seria ter sua própria família até passar a se concentrar no som do carro de Allison que estava se aproximando da sua casa. Ele queria poder contar para todo mundo e cada vez que contasse as pessoas pudessem os apoiá-los. Mas ele sabia que não seria fácil, pois se até mesmo Stiles tinha reagido assim, quem dirá então como reagirá a sua mãe... Ele suspirou profundamente enquanto saia do seu quarto e descia para a sala para abrir a porta para sua namorada.
“Oi.” Allison cumprimentou baixinho ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha e sorriu com os lábios comprimidos.
“Oi.” Scott respondeu sorrindo enquanto aproveitava para aspirar o perfume que se desprendia de Allison. Mas antes de qualquer coisa ele logo abriu mais a porta da sala dando passagem para Allison, que entrou com passos incertos olhando para os cômodos adjacentes por algum sinal da presença de Melissa.
“Sua mãe já chegou?”
“Não, ainda não. Ela me disse que chegaria em 10 minutos.”
“Ok.” Allison acenou e baixou os olhos vendo seus dedos ficarem ainda mais esbranquiçados pela força que estavam fazendo; como sua mão estava quase escorrendo de suor, e para evitar o tique nervoso que já estava se instalando, ela agarrou firmemente a alça da bolsa a levando para frente do seu corpo.
Scott sentiu o nervosismo de Allison correr pelo corpo dela e fez com ele mesmo espelhasse o sentimento. Ele fechou a porta e se contendo para não agir muito rápido para não assustá-la, lentamente a abraçou por trás, deixando suas mãos pousarem no ventre da menina.
“Eu fiquei preocupado que não pude te ver na escola hoje.” Scott confessou enquanto tentava ainda mais reter o cheiro dela na sua mente, que se tornara o seu vicio desde a primeira vez que o sentira. Mesmo sabendo o que os outros diziam, que Allison não a companheira ideal para o seu lobo, e como o seu cheiro não se encachava como o de John com o de Sarah ou como cada vez mais o de Stiles se encachava com o de Derek, era no seu coração em que Allison se encaixava com ele.
Allison suspirou com uma repentina vontade de chorar. A cada minuto que passava aquela gravidez ficava mais real e assustadora.
“Tudo vai ficar bem.” Scott sussurrou tentando acalmar tanto a Allison quanto a si mesmo.
E Allison já estava saturada de escutar falar aquilo porque não, não estava e ela precisava dizer e fazer com que ele entendesse.
“Não vai!” Allison disse entredentes enquanto desvencilhava-se de Scott. “Não vai e você sabe disso! Eu sou uma caçadora, Scott! E você sabe disso! Isso não vai acabar nada bem!” Ela disse apontando para a própria barriga.
“All...” Scott a chamou pelo apelido, sentindo seu coração ficar do tamanho de uma azeitona ao se confrontar com todo o medo e raiva dela.
“Quando nós conseguimos voltar a ficar juntos, quando meu pai nos aceitou, você sabia disso. Você sabia que eu nunca deixaria de ser uma caçadora e que eu queria seguir com a minha família. Porque eu tenho orgulho deles, e acredito que eles fazem algo bom para o mundo.”
“Bom? Eles caçam lobisomens!”
“Lobisomens são monstros, Scott. Eles não se preocupam com humanos e nos encaram como qualquer animal.”
“Mas eu sou um lobisomem!” Scott se defendeu. “Você acha que eu sou um monstro?”
“Você sabe que não é disso que eu estou falando. Vocês são exceção. Mas você sabe que a maioria não é como vocês, Scott. Há muitos monstros que se declamam superiores e eu estou sendo treinada para matá-los. Como você acha que eu serei vista quando a minha família descobri que estou carregando um... Um...”
“Um monstro? É isso que você vai dizer?” Scott perguntou com raiva, seus olhos ardendo.
“Não! Droga... Inferno!” Allison correu para se sentar no sofá da sala do lado deixando toda a sua frustração cair junto das suas lágrimas pesadas. Ela acabou levando inconscientemente uma mão para a sua barriga enquanto a outra tentava tampar os soluços.
“All...” Scott chamou se ajoelhando enfrente a menina sentada no sofá. “Eu sei que não vais ser fácil, ok? Mas eu vou lutar por você e por nosso bebê. Mas por mais que nosso bebê possa nascer lobisomem, sua família não vai te desamparar. Seu pai nunca faria isso com você.”
“Eu...” Allison tentou responder, mas não conseguia balbuciar nada além de pequenos barulhos de frustração e raiva.
“Você confia em mim?” Scott perguntou calmo, pois ele acreditava nas suas palavras. Ele podia defender e lutar por Allison e pelo seu filho que viria. “Você confia em mim?” Ele repetiu quando Allison não deu nenhum sinal de que responderia a sua pergunta.
“Sim.” Allison respondeu fracamente enquanto era envolta pelo calor do abraço de Scott, que acabou se sentando do seu lado no sofá a trazendo para apoiar a cabeça no ombro dele. E assim permaneceu por longos minutos, apenas abraçado escutando deixando a calma e a esperança sobrepor a raiva e a tristeza.
“Scott?” A voz de Melissa veio da sala seguida pelo barulho das chaves sendo lançadas conta a mesinha de vidro do lado da porta. Melissa parou na soleira da porta por alguns segundos e depois seguiu para na sala quando Scott a chamou avisando que eles estavam lá. Assim que ela pôs os olhos no seu filho e em Allison ela sabia que algo não estava certo. “Allison?” Ela chamou preocupada apressando o passo para chegar até o sofá, pois ao ver o rosto pequeno e delicado de Allison, avermelhado e levemente inchado, com as bochechas molhadas ela rapidamente pode deduzir que ela esteve chorando.
E minutos depois, Melissa teve que ter muito autocontrole para segurar suas lágrimas, porque por mais um filho fosse uma das melhores coisas que pudessem acontecer com um casal, ela sabia por experiência própria que iria demorar a eles poderem retomar com os planos futuros. Pois agora tudo seria baseado a cerca das necessidades do bebe. Ela sabia disso, pois foi no final da sua adolescência que ela ficou grávida de Scott e viu todos os seus planos serem colocados para escanteio, porque não havia como ela conciliar a tarefa de ser mãe e a faculdade de medicina. E quando o homem que prometeu acompanhá-la para o resto da vida a abandonou...
“Vocês irão criá-lo juntos, certo?” Ela perguntou para ter certeza.
“Nem que eu tenha que brigar com deus e o mundo para isso...” Scott respondeu enquanto segurava firme a mão esquerda de Allison enquanto Melissa segurava a esquerda, passando pelo gesto toda a força que conseguisse.
–
“Oooou! Eu já entendi ok?” Scott reclamou enquanto massageava a sua cabeça. Não é porque ele era um lobisomem que ele era imune a dor, principalmente quando três outros lobisomens lhe davam tapas na cabeça, após já ter recebido dois da sua mãe.
“Mas é bom reforçar, seu idiota.” Erica respondeu com uma voz nada amigável.
“Como!?” Jackson perguntou chamando a atenção de Scott. “Eu só quero um motivo plausível para isso ter acontecido.”
“Eu não vou dizer a você.” Scott respondeu com as bochechas ardendo em brasa e virou o rosto para a janela tentando ignorar Jackson. Ele estava sentado no canto da mesa de quatro lugares de uma lanchonete onde foram jantar. Como a casa de Derek, a casa do pack, estava indisponível no momento eles estavam pegando o habito de pelo menos fazerem as refeições juntos.
“Então nós vamos continuar te chamando de idiota.” Jackson riu fazendo um movimento como se fosse dar outra tapa em Scott que recuou assustado protegendo a cabeça.
“Cadê o Danny?” Scott perguntou tentando mudar de assunto.
“Não vale apelar pra o Danny agora, Scott. Você continua sendo um retardado.” Jackson voltou a sorrir enviesado e passou o braço no apoio da cadeira que Erica estava sentada do seu lado. Como só estavam ele, Erica Isaac e Scott, eles resolverem sentar em uma mesa pequena até os outros chegarem.
“Agora eu estou curiosa. Vamos Scott, me dê um motivo para eu não concordar com Jackson.” Erica perguntou cruzando os braços.
“Não.” Scott fungou voltando a virar o rosto. Mas após alguns segundos de ter de ficar sobre a mira de Jackson e Erica ele acabou desistindo. “Minhas unhas rasgaram a... A cami... A camisinha e eu não percebi, ok? Eu não tinha realmente visto, eu só vi quando eu fui tirar...” Scott confessou. “Foi totalmente por acidente e vocês ainda ficam colocando culpa em mim!”
“Coitado.” Erica zombou. “Não vou sentir pena de você, papai... Mas de qualquer forma, você sabe: Blá, blá, blá, nós vamos estar aqui para te ajudar, porque nós somos seu pack e blá...”
“Só porque você é bom de luta.” Jackson não pode deixar de falar antes de a garçonete deixar o cardápio.
“O que tanto você olha para esse celular, Isaac?” Erica perguntou com uma careta de curiosidade. Porque desde que eles chegaram à lanchonete, Isaac não tinha falado nada e não parava de mexer no celular.
“Nada...” Isaac respondeu mordendo o lábio inferior. Mesmo depois de responder e escutar o som de irritação que Erica soltou, ao reconhecer a sua mentira, ele ainda não tinha tirado os olhos da tela do celular. Mas antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Lydia e Allison entraram na lanchonete e já vinham em sua direção.
“Eu me recuso a jantar nessa lanchonete.” Foi a primeira coisa que Lydia disse ao se aproximar da mesa, parando do lado de Isaac.
“Lydia, nós só viemos para essa lanchonete porque você disse que essa era a única que você iria. Porque todos concordamos que não aguentamos mais comer Thai ou Chinesa.” Erica falou enfadada com a mão no queixo.
“Eu vou ficar aqui.” Isaac avisou em um tom convicto enquanto olhava para Lydia e depois baixando novamente a cabeça para olhar para o celular.
“Eu não sabia que hoje era a noite do ‘Coma o quanto puder’.” Lydia reclamou enquanto olhava para a lanchonete lotada, aparentemente com toda a população obesa de Beacon Hills, tinha ido para a lanchonete e aparentemente quanto mais comiam mais barulhentos do que o inferno eles iam ficando.
“Então vamos pedir para viagem, comemos em algum ouro lugar.” Jackson sugeriu dando de ombros.
“Você só está aceitando porque você também não quer ficar aqui. Como Danny não está aqui, você quer ir correndo para os braços dele, admita.” Erica cutucou.
“Eu nã-” Jackson começou a se defender quando parou para observar Isaac que tinha deixando soltado uma gargalhada mal contida. Em verdade, todos pararam para olhar Isaac que tinha sentido o clima diferente do ambiente e rapidamente ajeitou a postura, e suas bochechas em poucos segundos ficaram vermelhas vendo que todos o olhavam.
“Ok, que merda está acontecendo com você e seu celular?” Erica pergunta irritada avançando para tomar o celular da mão de Isaac que recua no mesmo instante. “Me deixa ver!” Ela birrou.
“Não.” Isaac falou como se aquilo fosse a cosia mais obvia do mundo.
“Então, eu vou ter que pegar de você.” Erica avisou.
“Você não vai conseguir.” Isaac retrucou sorrindo enviesado. “Eu sou mais ágil.”
“Minhas bolas que é! Me dê esse celular!” Erica tentou novamente mas Isaac conseguiu estender a mão o máximo que conseguiu fazendo Erica não ter chance de alcança-lo a não ser que se ela levantasse da cadeira.
“O celular é meu, barbie. E eu não vou te dar.” Isaac não teve a chance de mostrar seu sorriso provocativo pego de surpresa pelo soco, de uma força bastante significativa, alinhado a suas costelas, soltando ao invés disso uma golfada de ar e uma interjeição de pura descrença. E ele quase quase ficou desprevenido para a próxima investida de Erica para pegar o celular.
“Eu vou moer a sua cara caso você não me dê o celular.”
“Barbie psicótica.”
Lydia bufou estreitando os olhos para a cena. “Meu deus! Eu nunca pensei que eu ia dizer isso, mas como eu sinto falta de Stiles...” E em um movimento rápido, ela agarrou o celular da mão de Isaac que se viu traído, por já estar distraído tentando desviar das investidas de Erica.
“Lydia!” Isaac gemeu frustrado sem nenhum avanço para tentar recuperar o celular. Sempre haveria uma possibilidade dele machucá-la caso ficasse com raiva e tentando agarrar a força algo da humana. Mesmo se ele só estivesse tentando pegar de volta o celular dele.
“Ouch!” Lydia riu enquanto mordia os lábios. Ela continuou segurando o celular na altura dos olhos enquanto olhou de lado para Isaac com um adorável bico nos lábios enquanto Erica suspirava irritada por não estar vendo o celular. “Bom, era mais fácil ter dito que você estava trocando mensagem com o Sammuel, ao invés desse escândalo todo.” Lydia sorriu enquanto entregava o celular de volta para Isaac voltando a ficar com a expressão de indiferente.
Jackson pigarreou chamando a atenção e Isaac. “Sammuel, hein... Quem diria, Isaac.” Ele falou com uma expressão pensativa provocando o avermelhamento ainda maior no rosto de Isaac.
“Ok, ok! Nós só estávamos conversando. Só que mal há?” Isaac fechou a cara e guardou o celular no bolso. Ele olhou para Erica que portava um sorriso com dentes demais para o gosto de Isaac. “O que foi? Algum problema?”
“Nenhum...” Erica respondeu ainda com a mesma expressão irritante, na opinião de Isaac.
“De qualquer forma, eu quis ficar aqui porque ele disse que está vindo para cá daqui a alguns minutos. Ele não sabia de... De Derek. E quando ele chegou perto da casa e sentiu o cheiro ele ligou para mim e eu respondi que nós estávamos aqui. Por isso se formos sair temos que esperar por ele.” Isaac explicou . “Vamos pedir para viagem?”
“Não mude de assunto.” Erica provocou.
“Eu não estou mudando de assunto.” Isaac respondeu estreitando os olhos e cruzando os braços.
“Vamos fazer o pedido, esperá-lo e depois iremos comer em outro lugar, ok para todo mundo?” Lydia anunciou sem esperar resposta para até mesmo sua pergunta e puxou o braço de Erica e Allison, seguindo para o balcão abarrotado de gente. Scott que ainda não tinha tido oportunidade de chegar perto de Allison ainda tentou reclamar, mas Lydia apenas o fitou por dois segundos enquanto continuava a puxar Allison.
Em pouco mais de cinco minutos depois, as meninas ainda na fila para o caixa, Sam estava se aproximando da quando viu Scott e Erica pela janela da lanchonete e os cumprimentou ligeiramente. Ele acelerou o passo e quase trombou coma mulher que saia da loja. Ele deu uma rápida desculpa e quando entrou a primeira coisa que fez foi procurar pelos olhos de Isaac que estavam na sua direção.
“Hei!” Sam cumprimentou a todos sorrindo e mordeu a língua para evitar falar qualquer coisa quando olhou para Isaac e viu as bochechas tão avermelhadas como provavelmente as suas deviam estar.
“Então, qual a sua intenção de vir aqui, além de querer se agarrar com Isaac?” Jackson perguntou com uma expressão séria, não precisando virar o rosto para ver o olhar mortal que Isaac lhe lançava. Apenas o cheiro de vergonha, raiva e excitação que nublou ambiente já o deu uma boa imagem para temer com 1% do seu cérebro.
“Jackson.” Isaac sibilou entre dentes, mas mudou rapidamente de expressão ao escutar a risada nervosa de Sam.
“Eu não sei porque você não gosta de mim, Jackson.” Sam falou coçando o queixo. “Eu acho que isso tudo é inveja.” Ele completou arqueando as sobrancelhas enquanto coçava o queixo.
“Eu não tenho inveja de pirralhos.” Jackson pontuou não parecendo ofendido em nada.
“Sam!” Erica chamou enquanto vinha na direção da mesa e o puxou para um abraço. “Mas ‘tá bonito, arrumado, perfumado... Até parece que veio para um encontro.”
“Ok, já chega.” Isaac ameaçou e bufou estressado. “Sammuel veio conversar com Derek, se vocês não escutaram o que eu disse.”
“Na verdade... Eu já estava vindo para cá quando meu pai pediu para trazer um aviso.” Sam respondeu sério e olhou ao redor, como se estudasse o lugar onde estava e observou as sacolas que estavam sendo passadas para as mãos de Scott e Jackson. “Vocês estão indo para algum lugar?”
“Nós estávamos pensando em comer em outro lugar. Ou até mesmo na mesa do parque perto da casa de Isaac.” Scott contou o que eles tinham pensado e olhou para Lydia que maneou a cabeça sem se opor a ideia ou aceitá-la. O que acabou com todo mundo acatando e levantando-se para irem para a pracinha do parque.
Scott olhou para Allison quando se levantou da mesa, e viu a menina dispensar a companhia de Lydia e o esperar. E assim que se pôs a caminhar ao lado dela, ele levou sua mão livre, a outra estava segurando uma das sacolas, e segurou gentilmente a mão suave.
“Você contou para eles?” Allison perguntou sem muito esforço para falar baixo.
“Contei.” Scott acena e depois ri quando volta a falar. “Eu acho que vou ter usar um capacete da próxima vez que eu for contar a mais alguém...”
“Tapas?” Ela riu, mas sem perceber apertou mais firma a mão de Scott contra a sua.
“Aparentemente eles precisam me mostrar fisicamente o quanto eu estou ferrado. Todo mundo fez questão de me bater.” Scott respondeu, mas logo em seguida percebeu o mau uso das suas palavras. “Digo, não ‘ferrado’... Essa é a última coisa que pode descrever como eu estou me sentindo, vo-”
“Eu entendi, Scott.” Allison interrompeu sorrindo com uma expressão suave. Entretanto, seu sorriso não chegava aos seus olhos e nem muito menos era como ela estava se sentindo.
“Tudo o que eu mais quero é poder fa-”
“Nós conversamos sobre isso depois.” Allison cortou novamente, não saindo de todo brusco, mas decido o suficiente para dar o assunto como encerrado. Ela olhava para o chão ou para o pack que saia da lanchonete, menos para Scott, que não tirou os olhos das mãos enlaçadas que eles ainda mantinham. Após alguns segundos do silêncio desconfortável, ela ajustou a postura enquanto suspirava profundamente, e fazendo sua linguagem corporal mostrar que tudo estava bem entre eles, pois o problema não é eles.
Pensando em ‘eles’, Allison passou a observar Isaac e Sam que iam andando mais afastados de todos. Ela não tinha nenhum pensamento formado em relação ao que Sam poderia significar par Isaac, mas eles formavam pelo menos um belo par de amigos...
~
Quando eles saíram da lanchonete, Sam olhou de lado e sorriu para Isaac que prontamente retribuiu o sorriso.
“Você não tinha me avisado que viria.” Isaac falou baixo, mesmo sabendo que quem mais o atormentaria estava escutando a conversa. “Digo, antes...”
“Eu queria fazer uma supressa.” Sam confessou encolhendo os ombros ao passo que Isaac arqueou uma sobrancelha sem saber se acreditava muito.
“Surpresa!” Sam saudou levantando os braços sorrindo.
Isaac gargalhou levando uma mão para tampar os olhos, feliz.
“Eu deveria vir mais vezes eu sei. Eu quero vir mais vezes... Mas estamos quase no final do bimestre e Beacon Hills não é lá tão perto...” Sam disse abaixando as mãos, as levando diretamente para o bolso da frente da calça jeans. A blusa de algodão vermelha com mangas compridas, encolhida até a altura do cotovelo, franziu-se na frente quando ele voltou a encolher os ombros. O ambiente recebendo pequenas ondas de vergonha e timidez mescladas com a excitação característica por estarem na presença um do outro.
Desde novembro do ano passado, há seis meses trás, eles vinham conversando bastante via facebook, e por celular quando a saudade da voz do outro aumentava de mais, mesmo nenhum dos dois admitindo o sentimento ao arranjar sempre uma desculpa para ligar. E isso de certo modo era espelhado na relação que eles estavam construindo, porque até agora nenhum dos dois tinham dado algum passo significativo, ou realmente expor o que estava sentindo... Às vezes Isaac queria que tivesse acontecido como o que aconteceu com Derek e Stiles, porque era tão certo a relação deles que não houve duvida no inicio de que era isso mesmo o que eles queriam. Apesar de Stiles ser um pouco mais novo todos os fatos do passado os fizeram capazes de assumir a relação. Mas Isaac ainda se atinha aos xingamentos do seu pai que vinham em sua mente, quando ele pensava em Sam, na forma como seria abraçá-lo, ou beijá-lo. Ou apenas ficar sentado no mesmo sofá que ele... A forma como seu pai chamava os homossexuais de doentes que eles deveriam ser castigados e que se ‘Isaac já não fosse tão inútil como ele era, se ele descobrisse que ele era bixa não seria uma surpresa de fato. Porque ele nunca poderia sentir orgulho de um pedaço de lixo de qualquer forma’.
“Isaac?” Sam chamou preocupado segurando firme a mão de Isaac que tremia sob a sua. Ele levou sua outra mão ao rosto dele e viu os olhos azuis tão tristes que seu coração sentiu uma pontada. “Isaac, tudo bem?” Ele insistiu.
“Não... Eu só... Preciso pensar um pouco.” Isaac respondeu indeciso, não sabendo se afastava-se ou aproximava-se de Sam. Mas o toque na sua mão e no seu rosto eram tão reconfortantes e necessários para o bem da sua sanidade que ele decidiu apenas ficar parado fitando os olhos preocupados de Sam. E Isaac não pensou duas vezes ao enlaçar os braços na cintura de Sam o puxando para um abraço, deixando uma pequena risada escapar quando os fios finos e loiros de Sam roçaram na sua orelha fazendo leves cócegas na pele sensível.
“ ‘Bora ficara qui mais um tempo e depois vamos para o parque se encontra com eles...” A voz de Sam vinha suave de encontro a sua orelha, a mão macia ainda segurando o seu rosto enquanto a outra fazia o aperto do abraço ser ainda mais intenso, ao passar pelos ombros o trazendo mais para perto.
Isaac pode apenas acenar, sem muita condição física para conseguir fazer sua voz sair sem falhar. Eles ficaram mais alguns segundos sentindo o calor e o cheiro do outro dentro do casulo que eles formaram ao redor deles com o abraço.
“Você vai passar a noite aqui?” Isaac perguntou depois de limpar a garganta, como se a testasse antes. Suavemente desfazendo o abraço.
“Na verdade não. Eu... Eu queria apenas fazer uma visita, porque eu vou passar duas semanas numa viajem da escola e eu queria te ver uma vez antes de ir.” Sam confessa com um sorriso tímido.
“Sem nenhuma chance?” Isaac ainda pergunta inclinando a cabeça de lado e mordendo o lábio inferior.
“Infelizmente não.” Sam responde com as sobrancelhas arqueadas com uma expressão apologética. “Mas, de fato eu tinha que dar um recado para Derek. Ele está em que fase da temporada de acasalamento dele?”
“Ainda está na metade.”
“Então sem chance para mim...” Sam esfregou a testa enquanto pensava numa solução. “Eu posso te dar o recado, mas talvez Derek receba um pouco atrasado... Meu pai não sabia que ele estava nesse período, talvez se soubesse podia ter dado temo de adiar.”
“Adiar o quê?” Isaac perguntou curioso.
Eles ainda estavam na frente da lanchonete, apesar de um pouco mais afastados, dentro da área do estacionamento. Sam olhou para os lados, procurando uma possível ameaça ou apenas alguém, Isaac supôs enquanto esperava ele responder. Sam o puxou até a parte mais distante do estacionamento, e encostou-se em uma árvore convidando Isaac a ficar ao seu lado. Mas Isaac apenas ignorou e se manteve de frente para Sam.
“Semana passada, meu pai recebeu uma carta com um pedido de desculpas de Charlton Wood-Hills.” Sam falou pausadamente esperando que Isaac gravasse a informação e continuou em seguida. “Charlton, é o Alpha de um dos mais antigos e poderoso packs dos Estados Unidos. O cara além de ter várias gerações da família ele ainda sai se aliando com lobisomens conhecidos por serem fortes mesmo apesar de não terem um pack. Eu sei de histórias que o cara já chegou a matar o pack de uma mulher para que ela se juntasse a ele...”
Isaac deve ter feito alguma careta porque Sam logo emendou. “Mas é assim que funciona. Somos lobisomens, Isaac, nós temos instintos que você por ter passado muito tempo como humano não pode e talvez nem sei se vai chegar algum dia a compreender. No nosso mundo a única razão que usamos é em estratégias de luta, mas mesmo assim suplantadas pelo instinto selvagem.”
“E seu pai recebeu uma carta dele.” Isaac tentou acompanhar.
“Sim, então, nossa família assim como os Hales, é bastante antiga também. A questão foi que ele disse que iria nos fazer uma visita daqui a uma semana... O cara comanda um pack de mais de 50 pessoas e várias empresas e ele vai vir nos visitar.” Sam pontuava exageradamente a palavras visitar todas as vezes.
“Foi então que meu pai foi tentar colher algumas informações a cerca e descobriu que aquele pack que fez a maior bagunça por aqui, era meio que controlado por ele, não sei por dinheiro ou algum outro motivo... Mas aí a questão que foi a mando do Charlton que eles vieram parar aqui em Beacon Hills.” Sam parou quase dramaticamente esperando a reação de Isaac que se mantinha sério escutando o que Sam dizia. “O recado que meu pai mandou dar é que Derek esteja preparado de todas as formas possíveis para a vista dele.”
“Preparado para o quê?”
“Não sabemos o que esperar dele, Isaac. Não sabemos a intenção com que ele está vindo para cá.”
“Mas nós não somos os inimigos dele, certo? Digo, pelo que você disse ele tem apenas um pack grande e poderoso. Eu não vejo o porque dele querer se meter em assuntos que já passaram há mais de um ano." Isaac questionou.
“Cara, eu...”
“Mas sério, há algum perigo eminente coma a vinda dele? Como você estava falando sobre isso de instintos lobos e tal, ele poderia ver algo que o ameace aqui?”
“Eu- Meu pai teme que sim, Isaac. Ainda há muitas pontas soltas nessa história toda, e meu pai está com medo que talvez ele venha para apará-las.” Sam respirou pesadamente apoiando a sua cabeça contra o tronco da árvore e percebeu que a árvores era inclinada ao ponto em que mesmo embaixo dela ele ainda podia ver o céu. Que escuro e sem estrelas; tão escuro que era quase como se ele ainda estivesse de olhos fechados. Mas naquele momento o céu ainda parecia algo feliz, comparado aos ânimos da sua família... Fazia dias que todos estavam tensos dentro da sua casa, apenas na escola e nas conversas que ele tinha com Isaac é que ele conseguia distrair sua mente disso.
Quando aquele inferno iria acabar?
“Então só me diga isso, Sam. Eles não são nossos inimigos, certo?” Isaac pergunta pondo a mão no ombro de Sam tentando chamar a atenção dele para si. Mas o outro ainda mantinha o rosto inclinado para o céu.
"Enquanto nós não tivermos nada que eles queiram, sim, eles não são nossos inimigos." Sam respondeu fechando os olhos.
Fale com o autor