Minha Não. Nossa Família.
10 Eu tenho uma arma, rapaz.
Notas iniciais
É no entardecer em um quarto de hospital que ele abre os olhos. O sol alaranjado entrava pelas frestas da persiana que cobria a janela pequena do seu quarto estranho. Seu corpo inteiro doía de forma aleatória, alguns lugares formigavam, as palmas das suas mãos coçavam, suas juntas estavam travadas. Foi engraçado quando seus dedos dos pés demoraram alguns segundos para reagir quando ele fez menção de movê-los. Porém, quando ele espreguiçou-se na cama, fazendo a perna se esticar mais, uma dor lancinante de cãibra seguiu pelo músculo da sua panturrilha direita.
Os batimentos do seu coração fizeram o bip da máquina do lado sua cama soar ininterruptamente alarmante. O xerife John Stilisnki enrolou-se na cama entrando em posição fetal, trazendo sua perna para junto do peito, e massageou o músculo na esperança de aliviar a dor. Quando os espasmos do músculo acalmaram, ele testou esticar a perna, mas a dor voltou novamente, fazendo seu corpo nem ao menos perceber que os últimos pontos que costuravam a pele rompida da sua coxa se romperam fazendo pequenas manchas de sangue mancharem a camisola de hospital.
“Merda! Merda! Merda!” John choramingou desolado pela dor no músculo.
“John? Você está bem?” A voz de Melissa MacCall fez John imergir dos seus pensamentos. Logo depois vieram mãos suaves na sua panturrilha, dando a pressão certa no músculo comprimido, não fazendo a dor passar, mas a deixando mais tolerável, possibilitando que a sua perna ficasse estirada na cama novamente. “Aliviou?” Perguntou suave.
John acenou afirmativamente. Alguns segundos depois, seu batimento cardíaco tinha finalmente estabilizado. “Onde está Stiles?” Foi a única coisa que veio na sua mente. Para ele, o ataque dos lobos tinha acontecido na noite anterior. Ele ainda se sentia perdido quando ficou um pouco envergonhado por ter a enfermeira, e antes de tudo Melissa, ainda segurando a sua perna fazendo ligeiras pressões ao longo dela.
“Stiles está bem, John. Ele teve de sair hoje, pois é a final do campeonato de lacrosse.” Melissa informou.
“A final?” John perguntou espantado. “Por quanto tempo... Eu...”
“Você ficou em coma por três semanas.” Melissa podia compreende r a aparência de desolação que o rosto despontava. “Mas não há mais nenhum risco a se temer... Inicialmente o coma tinha sido induzido, por possíveis lesões cerebrais, mas quando a dosagem foi suspendida uma semana depois, você ainda não mostrava sinais de querer voltar do coma...”
“Stiles?” John pediu novamente.
“Eu posso chamá-lo aqui, John. Não se preocupe.” Melissa sorriu. A mulher ajudou o xerife a sentar-se na cama e após uma rápida alongada na perna o deixar em pé. Após alguns vacilos, John finalmente conseguiu dar um passo para além da cama. Quando ele chegou no meio do quarto, uma leve brisa passou pela persiana invadindo o quarto e trouxe uma nova onda de um odor desagradável que já estava presente no quarto. Melissa também sentiu e encrespou os lábios em reação. “É cervo morto que foi deixado hoje de manhã na sua janela. Como é muito pesado, vão ser precisos dois homens para movê-lo” Ela explicou, mas com uma expressão estranha que John não conseguiu identificar. “Desde que te transferiram para este quarto que é perto da reserva da floresta, algum animal quase todas as noites joga animais mortos debaixo da sua janela...”
“Debaixo da minha janela? Animais mortos? Já conseguiram identificar que animal é esse?”
“É um lobo...” Melissa tossiu e olhou em direção a porta. “Não há nada se preocupar... Mas então, você quer dar uma caminhada?” Ela perguntou com um ruga entre as sobrancelhas, mas logo em seguida pareceu aliviada quando John acenou aceitando deixar o assunto do tal lobo de lado. “Tentarei deixar você a par da situação...”
“Sim, obrigado.” O xerife sorriu.
Nos dez minutos que ele caminhou pelo hospital com Melissa, ele tomou conhecimento sobre o vice-delegado estar atuando de uma boa maneira, que não havia mais tido ataques de animais e que Beacon Hills tinha voltado a ser a cidade pacata de sempre. Infelizmente, Stiles não atendia o celular e nem muito menos Scott. Deixando John tendo que aturar até altas horas da noite as felicitações de aparentemente todos os funcionários do hospital. Ok, ele era o xerife e um bom homem, mas ele só queria descansar um pouquinho mais...
Quando John acordou novamente, já era tarde do outro dia e Stiles tinha acabado de sair. Ele almoçou no hospital ainda esperando que ele acordasse, porém teve de voltar para a escola. John ficou chateado por segundos os suficientes até receber a noticia de que ele estaria recebendo alta naquela mesma tarde e poderia ver quem quisesse. Então, às 16 horas, 25 minutos e 39 segundos ele conseguiu passar pela porta da frente do hospital com destino a sua casa. A sensação de não estar saindo pelo lado de trás e em um carro funerário revigorando a sua alma.
Apesar da recomendação do seu médico, John não foi para casa repousar. Ele não poderia ficar mais um minuto dentro do hospital, ou sentado dentro de casa... Tanta coisa a se resolver e tantas explicações do que realmente aconteceu naquela noite que ele provavelmente estava sentindo um gostinho do que era ter o deficit de atenção de Stiles...
Ele lentamente foi caminhando pelas ruas da cidade, sendo sempre cumprimentado por todos. Ele sorriu quando avistou o vice-delegado saindo do cartório principal que ficava a quatro quadras do hospital e a uma da delegacia, o que explicava o porquê não haver nenhum carro da policia por perto, pois assim como John, o seu vice gostava de caminhar... Eles conversaram amenidades sobre a situação da delegacia e sobre o lançamento de um concurso para a preparação de novos policiais. Poucos minutos depois, distraído pela conversa, John vê de relance Derek Hale acompanhado do menino Lahey saindo do cartório. Seus olhos quase voltaram a encontrar o do vice-delegado quando finalmente a situação é processada no seu cérebro. Aquilo era no mínimo intrigante.
“Xerife.” Derek cumprimentou polidamente, porém, ao invés de seguir o caminho para mais perto da rua e logo mais perto de John, Derek projetou o corpo na direção paralela, levando Isaac a atrapalhar-se momentaneamente, mas logo seguindo a nova direção.
“Isaac?” O xerife perguntou intrigado ao vê-los juntos. Ele era o xerife, ele podia interrogar pessoas por atividades suspeitas.
“Senhor.” Isaac respondeu com a cabeça abaixada e girou o corpo voltando a ficar em frente ao xerife. Ele voltou a erguê-la com uma expressão de expectativa que não conseguia disfarçar. Ele estava a um passo atrás do Derek que ainda estava meio de lado para frente de John.
“Onde você está morando?” O conhecimento que o menino não estava morando na casa que morava com seu pai antes da morte dele, o tinha preocupado assim que tinha descoberto que ele estava tendo um tipo de amizade bastante intima com seu filho. O episodio da cama cheia de adolescentes ainda assolava a mente do xerife.
“Eu...”
“Ele está morando comigo, senhor.” Respondeu Derek rapidamente.
“Na casa Hale? A sua casa que está 80% carbonizada?” O xerife cruzou os braços no peito e arqueou uma sobrancelha.
“Eu...” Isaac começou, mas mordeu o lábio inferior sem saber como continuar a frase. Ele estava falando com um policial treinado, e tudo o que ele dissesse poderia ser levado contra ele mais tarde.
“Nós estamos dormindo em um anexo externo da casa senhor. Ele ainda está em condições razoáveis.” Derek falou seguro, mas John sabia ler a linguagem corporal do ex-suspeito de assassinato o suficiente para perceber que ele estava nervoso e permanecendo em posição defensiva. Definitivamente não havia anexo externo naquela casa.
“E qual é o seu envolvimento com Derek Hale?” John foi direto ao ponto, só deixando de encarar a mirada insegura do menino Isaac quando o seu vice-delegado deu uma desculpa qualquer para seguir seu caminho, que ele não registrou, e respondeu automaticamente uma despedida.
“Eu me tornei o responsável legal por ele, xerife.” Derek explicou e olhou para Isaac quando a expressão de John continuava interrogatória e incrédula. “Tenho 24 anos, senhor. E ele não tem nenhum parente mais próximo do que na segunda linha de avós paternos. Como amigo dele, eu me responsabilizei como seu tutor até ele se tornar 18.”
John pareceu refletir por alguns momentos. Ele realmente não esperava que o Badboy obscuro da cidade, que só usa roupas de couro, dirige um carro esportivo e que tem com um passado nebuloso como o dele, pudesse se tornar um tutor legal de alguém.
“E antes que o senhor pergunte, eu estava aqui para dar entrada ao processo de demolição da minha casa. Também requisitei na prefeitura a planta original, para fazer a reconstrução assim que possível.”
“Bom.” Foi tudo o que John respondeu após alguns momentos ainda avaliando o último sobrevivente da família Hale, com um suspiro não afetado por emoção e voltou o olhar para Isaac. “Você viu Stiles, hoje?”
“Sim, senhor.” Isaac respondeu e ficando visivelmente mais relaxado ao deixar de ser o foco da conversa. “Ele está na escola nesse momento... Eu tive que sair, pois tivemos que vir no cartório pegar uma cópia da procuração que Derek tem como meu titular.”
“Então, foi recente?” John perguntou e logo emendou quando o menino pareceu não compreender. “Derek como seu tutor.”
“Sim, foi... Eu não tinha nenhum responsável legal por mim e como eu acabei reprovando esse ano...”
“Isso realmente não é uma boa noticia. Espero que você possa se estabilizar. Não é correto negligenciar sues estudos apesar de saber que você passou por muita coisa...”
“Eu cuidarei disso senhor.”
“Então, nos vemos por aí. E Isaac, caso você se encontrar com Stiles diga a ele que estou na delegacia.”
“Sim, senhor.”
~*~
John estava distraído tentando fazer formas geométricas com a massa das panquecas quando Stiles chegou em casa. Passos próximo da cozinha e em seguida o chamado do filho foi o que fizeram John virar na direção da porta e encará-lo.
“Pai?” A voz chorosa de Stiles fez o coração de John martelar no seu peito.
“Meu menino.” John suspirou inaudível, pois estava emocionalmente abalado para conseguir falar algo enquanto abraçava Stiles, seu filho. Seu menino. Ele sabia que estava tudo bem com Stiles, porém, ele precisava sentir isso. Aquela noite ainda apavorava seus pensamentos... Ele não poderia pensar em perdê-lo ou imaginá-lo gravemente ferido e sem ninguém para ajudá-lo. Ele demorou a dormir após acordado recordando que ele tinha desmaiado, deixando seu filho desprotegido. Ele tinha sido fraco... Ele poderia ter perdido seu único filho. Sua esposa já tinha falecido há mais de 10 anos, mas a solidão ainda o atormentava. Pensar em perder Stiles então... Ele era tudo o que tinha lhe restado. As lágrimas quentes no seu ombro o fizeram saber que o sentimento era recíproco.
“Você está bem mesmo?” Stiles perguntou após uma longa respiração para controlar as lágrimas, seus dedos já estavam doendo por passarem tanto tempo agarrados a roupa do seu pai. Apesar disso, ele ainda não tinha deixado seu pai sair do seu abraço. Ele só não pôde relutar quando a massa das panquecas começou a ficar escura e um cheiro de queimado inundar a cozinha.
“Tudo em perfeita ordem.” John afirmou sorrindo sincero e bagunçou os cabelos de Stiles, que já estavam bastante crescidos por sinal, e foi verificar os danos nas panquecas. “Desistiu do estilo buzz?” Perguntou se referindo ao estilo e corte militar que o filho matinha desde pequeno, quando sua mãe havia sofrido a perda de cabelos durante as sessões de quimo. Talvez, finalmente, Stiles estava conseguindo deixar as lembranças tristes no passado.
“Eu acho que crescido está ficando legal...” Stiles sorriu dando de ombros e passou a mão pelos fios que cada dia ficavam mais compridos. Na verdade, ele só tinha ficado distraído quanto ao tempo de corte do cabelo. Porém, ele também não estaria admitindo que só tivesse decidido deixar crescer e eventualmente fazer um corte para modelar e definir um corte só depois de Derek ter elogiado seu cabelo. Afinal, Derek o tinha chamado de bonito. E no mesmo dia, quando ele estava de quatro na cama com Derek o preenchendo vigorosamente por trás, ele sentiu Derek puxar sua cabeça, gentil, mas com um toque de brutalidade, pelos seus cabelos. A mão grande agarrando os fios lisos, fazendo o aperto ter uma sensação de comando. Por isso não se importou quando sua cabeça pendeu para trás, inclinando para o lado para aliviar a tensão. Seus lábios se partiram pela surpresa do movimento, deixando sua boca aberta e convidativa para aceitar de bom grado o beijo molhado do outro.
Ele definitivamente entendeu esse lance de ter “algo para puxar” agora.
Mas Stiles estava no mesmo cômodo que seu pai. E ele estava neste momento parando de pensar na forma como ele transava com Derek.
A qualquer momento.
“Stiles, feche a boca. Você está quase babando.”
Ele não duvidou.
“Então, pai... Estava me lembrando agora que amanhã terá uma reunião dos pais sobre o desempenho dos alunos pelo primeiro ano do High School.”
“Dos alunos? Você não quer dizer: sobre o seu comportamento?”
“De qualquer forma pai... Vai ser totalmente compreensível se o senhor não for.”
“Oh acredite, eu faço questão de ir.”
“Como seu eu não já soubesse.” Stiles crispou os lábios e coçou o queixo. “Eu só vou me atrasar um pouco, mas estarei chegando a tempo para ter uma linda conversa com o professor Harris ou o caluniador do Finstock.”
“Vai fazer o quê?”
“Só tenho que resolver algumas coisas...”.
“Tipo o quê?”
“Sabe aquele tipo de coisa que muda a sua vida que são retangulares? Não... Tudo bem, digo, não há para se preocupar aqui. É só... Coisas...”.
“Só não me faça ter que ficar lá sem sua incrível campainha tendo que escutar todos os seus professores reclamarem sobre você.”
“Como disse, caluniadores. Eu não irei faltar, pois bem, este sou eu: Stiles prometendo.” Stiles girou a mão no ar fazendo referência s sua pessoa.
Acontece que Stiles prometendo não fazer algo, era a mesma coisa que ele assinar um contrato lavrado em cartório que ele definitivamente estaria fazendo. E esse na sua frente era seu pai. Seu pai, amargamente conhecia esse fato.
Stiles prometeu não subir naquela árvore. Stiles prometeu não brincar de esconde-esconde no cemitério. Stiles tinha prometido não roubar o cortador de grama do Sr. Fronz, novamente. Stiles tinha prometido que quando a sua vida sexual começasse ele usaria camisinhas...
Seu pai, tirando o último fato, sabia que ele tinha conseguido realizar todos os fatos em menos de uma hora depois de ter prometido não realizá-los. Com exceção do último fato, claro, da conversa constrangedora de doenças sexualmente transmissíveis aos 13 anos de idade até a sua perda com um lobisomem aos 18, foram cinco anos. Porém lobisomens não carregam nenhum tipo de doença, a não ser a licantropia, mas isso seu pai também não precisa saber... E ele ainda estava ganhando coragem para explicar ao seu pai que na verdade ele tinha uma ridícula probabilidade de chegar de fato a pôr uma camisinha na vida, pois aparentemente que o ele mais gostava era na verdade colocar a camisinha no seu namorado... Não Jesus, ele não estaria dizendo isso ao seu pai.
"... de qualquer maneira."
"Hãn?"
"Estava dizendo que só faltam cinco dias para o seu aniversário e que poderíamos ir almoçar na June's como sempre fazemos..."
"Oh! Seria ótimo, pai." Stiles sorriu culpado pelos seus pensamentos e detalhes da sua vida que estava constantemente escondendo seu pai. "Eu tinha me dado conta que já estávamos no final do ano. Mas só cinco dias? Passou voando..."
"Pois então... Algum outro plano fora nosso almoço? Não me importaria se você convidasse seus amigos para vir também."
"Não, não... Vamos fazer apenas nós dois." Stiles respondeu sincero, afinal, almoçar no June's era tradição dos Stilinski de se comemorar um aniversário. E ele só queria trazer Derek na forma de namorado, não de amigo. "Eu vou comemorar com eles" 'Ele' Stiles corrigiu mentalmente "apenas a noite. Sem problemas, certo?"
"Sim, sim..."
~*~
É simples, se você pensar direito. Professor: atrás da mesa com folhas e cardemos a mão com os registros do aluno. Pais:próximos da mesa, mostrando, ou fingindo muito bem, que estão interessados no que o professor em questão, que está atrás da mesa com as ditas folhas e cardemos a mão, estão detalhando sobre os registros dos alunos,os que sempre ficam mais afastados da mesa com uma expressão sempre de desinteresse, nervosismo, vergonha ou medo... Tudo ao mesmo tempo, nessa ou não necessariamente ordem.
A questão então se resume aopor que. Por que Stiles estava sentado ao lado de Derek Hale na linha que se presumia ser a dos pais.
Um professora pequena mas corpulenta na casa dos 50, que por mais que ele tentasse, ele não lembrava o nome, estava conversando com Stiles e Derek como ele já a vira conversando consigo uma meia dúzia de vezes. Ou seja, numa conversa professor/pai. Na equação, também poderia ser incluído o menino Lahey que neste momento estava encolhido na cadeira mais afastada do birô com uma expressão claramente envergonhada.
"... dos últimos dois meses." John conseguiu pegar quando se aproximou mais da sala. Como ele estava mais preocupado em escutar, ele deu uma última olhada pelo vidro da porta antes de se abaixar e colar o ouvido na porta. Derek estava com uma expressão mais séria que o habitual, porém confusão e a vergonha eram claras na expressão dele. Por outro lado, o seu filho estava sério e conversava com a professora com autonomia de um pai preocupado e responsável pelo estudo do seu filho. "E infelizmente não há mais como recuperar..."
"Eu entendo." A voz de Stiles veio estranhamente suave. "Mas nós vamos ficar de olho para que isso não ocorra novamente."
"Tenho certeza... Então estamos entendidos, não é rapazinho? Sem mais faltas e mais responsabilidades com as atividades pedidas. Espero que seus responsáveis tomem conta disso, pois um histórico ruim prejudica as entrevistas de universidade."
Stiles e Derek eram os responsáveis por Isaac?
Stiles, um adolescente a cinco dias de completar 19 anos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, sendo responsável por outro adolescente de 18 anos de idade.
E com Derek Hale.
"Pai?"
"Stiles." John murmurou incrédulo. Em meio aos seus pensamentos, John não viu o momento em que Stiles abriu a porta e encarou estático o pai meio agachado, provavelmente escutando através da parede o que acontecia dentro da sala. "Derek." O xerife empertigou-se e cerrou os olhos para o adulto que estava parado atrás do seu filho. “Stiles.” John repetiu ácido quando voltou a encarar os rosto do filho que tinha uam expressão de 'ops!'.
“Ora, Xerife. Ainda bem que já chegou, assim já podemos começar agora mesmo.” John olhou para a professora que se meteu na fresta da porta, empurrando Derek, Isaac e Stiles para a fora da sala. John se afastou um pouco mais, dando espaço para eles passarem. Isaac ficou atrás de Derek, enquanto este ficava do lado de Stiles.
“Mas vejo que a senhora já estava conversando com meu filho.”
“Oh sim, seu filho é um amor. Tão preocupado com o afilhado do seu noivo!” A professora sorriu carismática e deu tapinhas no ombro de Stiles que ainda estava parado de frente pra o seu pai.
“Sim, ele é completamente responsável e confiável.” John inclinou o rosto para o lado enquanto cruzava os pulsos nas costas. “Então ele te contou que ele está noivo?”
“Pai...”
“Fiquei surpresa, também. Todo mundo sabia da queda que o menino Stilisnki tinha pela Lydia Martin, e quando ele me contou agora que estava noivo de Derek que também foi meu aluno... Ah, me senti tão velha!”
“Imagine, a senhora inda está jovem.”
“Você não diria isso se visse minhas panturrilhas...”
“Oh não, não é necessário.” John piscou escondendo o medo aparente do seu rosto. “Mas nós podemos conversar sobre o meu filho agora. Se o noivo dele me permite.”
“Senhor.” Derek falou altivo, mas com a cabeça abaixada. “Eu e Isaac estamos indo para casa, então-“
“Não.” John cantarolou suave com um sorriso cínico. “Não, você não está. Fique um pouco mais. Eu, você e Stiles precisamos conversar sobre algumas novidades.”
“Pai...” Stiles tentou mais uma vez mordendo o lábio inferior tão forte que estavam esbranquiçados.
“Filho.” John respirou rasamente. “Acho que devemos entrar...”
~*~
Após a rápida reunião com a Sra. Richardson, John segurou suavemente no pulso de Stiles e o levou, sem uma única palavra, em direção à viatura. Derek e Isaac estavam encostados no camaro quando viram os dois saírem pela porta da escola. O xerife parou de frente para os dois rapazes e sem soltar o pulso de Stiles, ele pediu para Derek o seguir até a sua casa e que Isaac poderia ir para sabe-se lá aonde ele iria, já que de fato não existia merda nenhuma de anexo de casa, obrigado por informar.
John sentou-se na poltrona-do-papai enquanto acompanhou sonoramente a chegada de Derek. Stiles afundou no canto do sofá quando a campainha tocou. John sorriu largo mais sem mostrar os dentes e foi abrir a porta para Derek.
Então, sentado no lado oposto do sofá que seu filho estava sentado, estava Derek Hale. O aparentemente noivo do seu filho.
"Então, vamos brincar, ou melhor praticar algo muito comum que as pessoas normalmente fazem e que por algum motivo você resolveu pular. Eu posso começar dizendo por exemplo que meu nome é John, sou orgulhosamente o xerife desta cidade, tenho meu porte legal de arma em todos os estados desta nação e sou infelizmente pai de um garoto chamado Stiles." John mirou os olhos de Derek. "E você?"
"Ele é-"
"Deixe o rapaz se apresentar, Stiles." John cortou.
"Meu nome é Derek Hale, estou estudando uma possibilidade emprego no Mattley's e estou reformando a casa que era dos meus pais." Derek puxou o ar pelo nariz rapidamente, mas só o deixou mais nervoso. John assistiu o rapaz voltar a endireitar a posição da coluna e volveu a mirada avaliativa do xerife. "Estou trabalhando para construir um futuro melhor e eu pedi, o seu filho para se tornar o meu companheiro."
"Hah." John arqueou as sobrancelhas.
"E ele aceitou?"
"Aceitou sim, senhor."
"Bom..." John suspirou. "Então, Genim Stilinski está namorando? Oh, não. Parece que ele já está um passo além. Ele está noivo. Noivo?"
"Bem, então-"
"Ninguém está falando com você ainda, filho."
"Mas sério, pai. Isso foi apenas um desculpa. Nós ainda somos namorados."
"Por favor, Stiles, fique calado." John pediu sem tirar os olhos de do Derek.
"Sei que seu filho tem penas 18 anos, mas estamos passando por varias situações em que posso ver que já estamos obtendo maturidade. E que se tudo puder transcorrer neste caminho, não vejo motivos para não estabelecer um relacionamento mais sério e dar um passo adiante. Então, noivado será sim algo em jogo, senhor." Derek manteve a voz contida e baixa, porém, falando firme mostrando a John que ele realmente acreditava na suas palavras.
“Maturidade?” John riu. “Vocês podem achar que sou um pouco burro ou cego, mas eu observo as coisas. Apesar de não questionar, Stiles, eu observo os passos que você dá na sua vida. Mas a única coisa que posso dizer é que maturidade é diferente de querer brincar de casinha.”
“Eu não estou brincando de casinha, pai!” Stiles colocou todo desprezo que conseguiu na palavra casinha. Mesmo que ele não pudesse explicar a real situação a seu pai, talvez essa situação não aparentasse ser tão infantil como seu pai estava pontuando.
“Oh, não? Compras semanais, com alimentos que poderiam suprir um pequeno exército. Harriet da drogaria mencionou os absorventes e camisinhas que você compra Stiles. O que eu achei bastante engraçado, vendo agora, posso achar ainda mais... Oh sim filho, eu acho que você sabe que fofoqueiros sempre gostam de ter um assunto para comentar. Porque você é gay, não?”
“Sobre isso, eu ainda-“
“Retórico, filho. Eu já devia ter desconfiado...Tanto tempo apaixonado por apenas uma garota. Deve ter restado bastante tempo para namorar meninos não?”
“Não! Isso o senhor vai ter que me escutar.” Stiles falou rápido. “Derek é o primeiro, pai. O primeiro de tudo, se é que me entende... Mas sério, pai. Eu tenho tanta certeza sobre isso. Eu quero ficar com Derek.”
“Então você deveria começar me contando sobre isso, filho.”
“Eu estava tentando contar...”
“Não me lembro disso.”
“Digo, arrumando coragem para contar.” Stiles mordeu a parte interna das bochechas fazendo uma careta. “Eu nunca tive tanta certeza sobre algo, pai.”
“Então, você quer dizer que ama o cara que você acusou de assassinar a própria irmã?”
“Sobre isso-“
“Foi apenas um mal intendido na época, senhor.” Derek interveio fazendo os dois Stilinski voltarem a notar a presença de Derek na sala.
“Então, como esse desentendido começou a se dissipar? Há quanto tempo vocês estão nessa relação?”
“Vai completar sete meses.”
“SETE?” John irritou-se consigo mesmo por não ter percebido os sinais no seu filho. "Sete meses..." Suspirou enquanto esfregava a palma da mão esquerda pelo rosto, tentando retirar o cansaço e talvez a confusão mental, e depois a apoiou no queixo e o cotovelo no braço da poltrona. Era Stiles tão bom em esconder ou era ele que não queria notar nenhuma mudança? “Eu já mencionei que sou o xerife, certo?”
“Sim, senhor.” Derek afirmou rápido.
“E que eu tenho posse de arma de fogo?”
“Sim.”
“Então, Sr. Hale, fique informado desde já que se você pensar em fazer qualquer mal ao meu filho, eu tenho armas e sei como usá-las.”
"..."
"..."
"Ótimo, estamos os três entendidos."
~*~
John riu amargo com o copo de rum na mão. Quando John aceitou completamente o relacionamento deles e por uma noite deixou que eles tivessem a casa para eles, ele não achou que estaria permitindo seu filho a estar de joelhos no chão da sala fazendo um sexo oral no seu namorado. Em parte... Porque John não era preconceituoso. Mas uma coisa era ver o seu filho com o bigulinho de outro cara na boca e outra é supor que eles faziam isso, mas de fato nunca chegar a ver.
Acontece que ele viu.
Oh Deus, que mal ele fez ao mundo?
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