Minha Não. Nossa Família.

18 Você consegue sentí-lo, Derek?


Notas iniciais
E para vocês pensarem na mesma coisa: http://imgs.sapo.pt/gfx/431891.gif Eu imagino essa belezura como o carro do Charlton.

Derek conversava com Sarah e John sobre Nora, a companheira humana de um Alpha que viveu boa parte da sua vida sem ser questionada por nunca ter aceitado a mordida, e que o diário sobre sua vida estava nas mãos de Stiles agora, quando ele sentiu a onda de alerta cruzar seus sentidos. Mesmo antes que ele conseguisse ver ou ouvir algo, a magia e o poder de território o deixaram em alerta no momento em que algo estava cruzando a reserva. Sentindo a sua tensão, John parou o que dizia no meio da frase e tentou ler a linguagem corporal do licantropo e só levou poucos segundos para que mesmo um Alpha de outro território, e principalmente devido a ligação que ele tinha com Derek, descobrir o que estava acontecendo.

John levantou-se e uivou alto o suficiente para que apenas os ocupantes da casa escutarem onde quer que estivessem. Silêncio. Atentos. Território. E sem questionar ou hesitar, todos obedeceram as ordens e sem ruídos se concentraram na sala, os humanos sem saber o que já estava acontecendo, sendo guiados pelos lobos. Menos de um minuto depois, quando todos já estavam na sala, Derek observou cada um atentamente e abriu a porta da casa e deu dois passos curtos para a varanda. Ele não conseguiu conter o rosnado ao ver duas caminhonetes pretas entrarem no perímetro mais pessoal do seu território, a casa. Mais uma vez ele olhou para todos os lobos na sala e com apenas um curto olhar, chamou John e Peter para fora, deixando claro que todos deveriam ficar e aguardar dentro até a segunda ordem.

Parado na varanda, Derek lembrou-se da única pessoa que não estava seguro dentro da casa. E rogou a todos os deuses que o escutasse para que Stiles ainda estivesse em casa com o seu pai. O cheiro forte de Stiles não passaria despercebido quando ele chegasse, visto que ele teria de passar pelas caminhonetes.

“Scott.” Derek chamou o beta que franziu o cenho e deu um passo na sua direção, mas sem sair de dentro da sala. “Ligue para Stiles. Se ele ainda não saiu de casa, o mande esperar e vá com Isaac buscá-lo . E mesmo se ele já tiver saído, vá buscá-lo onde quer que ele esteja.” Derek disse com a voz controlada, ele sentiu o momento em que todos tomaram conhecimento ao sentir uma onda de pavor e nervosismo vindo do Pack, enquanto ao seu lado, John posicionou-se em alerta.

Peter o último a sair, já estava esticando o braço para fechar a porta principal quando Scott fez um som de descrença olhando para o telefone.

“O telefone dele está desligado.” Scott praguejou e tentou ligar para Stiles pela segunda vez, e pela terceira até que na quinta vez até desistiu.

“Vá atrás dele.” Derek respondeu quase no mesmo instante, com o cuidado de se manter calmo. “Não importa o que aconteça. Tente achá-lo antes que ele chegue aqui. Por favor.” Derek acrescentou mesmo que saísse em um tom de comando.

“Eu não sinto o cheiro de Alpha.” Peter diz olhando para Scott que mesmo atrás de paredes estava bastante consciente da presença dos outros lobisomens. “É pouco provável que eles interfiram na sua saída.” Ele ponderou e John acenou concordando.

“Saia por aqui.” Derek indicou se referindo a saída da frente da casa. “Porém, corte caminho pela reserva e só transforme e corra quando já estiver distante daqui. Porém, Scott... Ao invés de levar Allison para a casa de Stiles, você terá de trazê-la para cá.”

Scott pareceu pensar por alguns momentos avaliando a situação até que acenou concordando e junto com Isaac saíram pela porta da frente, mas ao invés de seguir em frente, eles dobraram à direita e seguiram na direção oposta da estrada principal, para fazer um caminho alternativo para chegar na estrada estadual, evitando as duas caminhonetes.

Na varanda, Peter apoiava-se relaxadamente em uma das pilastras da varanda, mas os olhos atentos não desviavam por um piscar das duas caminhonetes. “Sem dúvida alguma o Alpha não esteve nem dentro desses carros.”

“Mesmo assim...” John interpôs. “Eu ainda posso sentir o cheiro que esses betas trazem do Alpha.” Ele diz baixo e cuidadoso, no mesmo tom baixo de Peter, mesmo sabendo que os betas seriam capazes a escutar o que eles diziam. “Mas fora isso, nem um sinal dele... Você consegue sentí-lo, Derek?”

“Ele não está em nenhum lugar da reserva.” Derek respondeu. Os olhos vermelhos se fecharem por instantes em que ele puxava a respiração profunda, buscando por algo. Porém, ele não podia sentir nada do que ele já tinha sentido e John e Peter percebido. Ele ainda expirava silenciosamente quando deu mais alguns passos para fora da varanda. Sem tirar os olhos das duas caminhonetes ele desceu a pequena escada de três degraus e parou com sua forma humana alta e altiva.

“Se apresentem e digam por que estão aqui.” Derek disse calmo, mas autoritário o suficiente para impor seu status de Alpha. “Ou paguem pelas consequências, pois ainda não estão bem-vindos neste território.” Completou a declaração sem elevar um decibel do seu tom habitual. Ele podia escutar os corações fortes batendo no interior das duas caminhonetes, mas ele não podia de maneira alguma se deixar parecer ou até mesmo se sentir ameaçado. Se fosse preciso, ele lutaria. Lutaria pelo seu Pack.

Um por um, dez betas saíram; cinco de cada carro. Das várias características diferentes, eles tinham apenas algo em comum: o porte musculoso de um beta treinado para lutar e, visivelmente nos olhos obscuros, matar.

Os olhos tenazes e ameaçadores, porém, eram de fato a única ameaça que se sustentava. Pois pelos longos minutos que se sucederam, eles permaneceram na mesma postura que se puseram desde a saída dos carros. Os músculos beirando a relaxados, mas claramente em alerta. A mistura perfeita que só conseguiria elevar o nível de nervosismo do ‘ameaçado’.

“Isso?” Derek pôde escutar uma voz feminina que ele logo reconheceu como Mirabella falando da sala, a ironia despontando no tom de voz. “Isso?” Ela repetiu. “É o que eles têm para nos intimidar?”

“Mirabella.” John a repreendeu, mas já era tarde. A licantropa abriu a porta da casa e olhou para os betas posicionados próximos às duas caminhonetes.

“Onde está o seu Alpha?” A mulher inquiriu. A voz ao contrário da de Derek ou John, sem nenhuma contenção no volume.

“Ele logo estará aqui.” Um dos betas, mais próximos da casa, respondeu. Os braços cruzados na frente do corpo, o rosto de pele escura, porém, pareceu não ter movido um músculo quando falou. Os olhos brilharam dourados por um segundo antes de voltarem ao normal, mas suficientemente longo para que Mirabella respondesse a ameaça com um rosnado; a boca aberta pelas presas proeminentes. Mas antes que John se pusesse a conter a sua beta, ela mesmo se recompôs. E com uma olhada firme seguiu para dentro da casa, fechando a porta atrás de si.

~*~


“Hum... Na verdade não. Já chamei o carro do reboque... Na verdade, eu não chamei, foi meu pai. Mas foi como se fosse eu, já que foi a meu pedido. E eu tenho plena certeza que se eu tivesse ligado, eles demorariam ainda mais. Bem mais do que esses quarenta minutos... Mas ainda bem que foi... Meu pai... Bom, como eu estava dizendo... Eu não preciso de ajuda.” Stiles explicou com seu charme de hiena corriqueiro. E antes que pudesse falar mais alguma coisa, ele logo um emendou um: “Obrigado, de qualquer forma...” E acenou rapidamente para o homem em pé ao seu lado do carro, finalizando com um sorriso esticado demais para ser verdadeiro.

“Tem certeza? Eu tenho alguma experiência com motores, posso dar uma olhada nele para você.” O homem ofereceu a Stiles.

“De verdade. Minha menina já está bem traumatizada com pessoas estranhas a consertando... Nada pessoal.” Stiles desmereceu a oferta e sorriu novamente com a clara mensagem estampada de ‘Sério, obrigado. Não preciso da sua ajuda, poderia me deixar em paz?’. Mas ao invés de ter o resultado esperado, quando, com outro aceno e sorriso, virou-se no banco para sentar reto de frente ao volante, e esticou seu braço para puxar a porta e fechá-la, um braço musculoso a segurou no lugar. Stiles sentiu seu sangue gelar.

Com a voz presa na garganta, ele levantou a cabeça para a figura do homem ao seu lado e algo nos olhos negros o fez ter certeza que aquilo não era uma simples interação entre duas pessoas. E quando percebeu, ele viu-se travado no olhar selvagem e ameaçador que no mesmo instante em que surgiu, desapareceu, voltando a parecer quase... Humano.

Stiles sentiu sua mão suada deslizar pelo plástico liso da trava do carro, soltando a porta, e a guiou para o jeans grosso da sua calça. Soltando a respiração lentamente ele impediu que o choque de medo, que golpeou seu peito, pudesse se alastrar pelo resto do seu corpo. Ele não podia deixar-se intimidar logo de cara, apesar de... Tudo o que esse cara parecia e agia ser. Temer alguém só por ele ser malditamente alto e largo como uma parede pessoal de tijolos, não era racional... Mesmo sabendo que se ele se atrevesse a ficar em pé do lado do homem, ele não tinha a menor dúvida que ele teria que levantar a cabeça para olhar nos olhos de alguém que estava numa média de trinta centímetros mais alto que você.

Ainda com as duas mãos costuradas na sua calça, Stiles olhou mais uma vez para o homem ao seu lado que poderia rapidamente se passar por um homem normal. Ele vestia uma blusa simples verde musgo clara e uma calça preta escura que terminavam em uma bota masculina de couro. Um cara normal... Não um maníaco, ou serial killer ou lobisomem... Ou um lobisomem maníaco e serial killer. Porque Stiles tem Peter como referência, e no grau Peter de psicopatia de 10, esse cara tinha um 5. Porque quem no mundo real insistiria em ajudar alguém?

“Eu só tomei a preocupação do que poderia acontecer com alguém como você sozinho numa cidade não tão segura como Beacon Hills.” O homem ao seu lado falou mais sério do que das outras vezes, apesar de o dele rosto em si já sustentava uma aura de seriedade e maturidade mesmo quando sorriu na primeira vez para Stiles.

“Pfft! Beacon Hills é a cidade mais segura da Califórnia!” Stiles desmereceu novamente. “E sem falar que quando o carro do reboque chegar, ele vai me dar uma carona. Não precisa se preocupar com nada, caro cidadão.”

“O carro do reboque pode demorar muito a chegar.”

“E eu posso ir andando caso ele não chegue antes que eu morra de desidratação... Perdido e sozinho e desprotegido na grande e malvada cidade de Beacon Hills.” Stiles rolou os olhos, irritado.

“Eu não faria isso nas suas condições. Não é uma caminhada tão curta assim.”

Stiles olhou para o homem que segurava a porta do seu carro, apesar dele não fazer nem mais menção para fechá-la. E além disso, condições? Tudo bem que Stiles não é uma das pessoas mais atléticas, mas ele tem seus músculos ok? Anos treinando lacrosse e ajudando no treinamento de lobisomens dá para criar uma boa musculatura. ‘Não precisa sair desmerecendo as pessoas assim…’ Stiles pensou em um muxoxo.

“De qualquer forma... Eu não vou deixar meu Jeep sozinho no encosto de uma estrada.” Stiles disse dando de ombros.

“Então eu acho melhor te fazer companhia enquanto o reboque não chega. Nunca é de mais garantir a segurança de pessoas que necessitam.” O homem disse enquanto finalmente soltava a porta do Jeep, só que ao invés de fecha-la, ela a deixou totalmente aberta e se apoiou do lado do carro, cruzando os braços. Stiles só podia enxergar a sombra no asfalto e teria que por a cabeça para a fora para vê-lo.

“Bom.” Stiles disse com um tom irônico. “Eu sou o filho do Sherriff e tive muitas aulas de autodefesa se quiser saber... Acho que ele me treinou o suficientemente bem para conseguir pelo menos correr tempo.”

“Vejo… Mas nós sabemos que autodefesa é inútil contra determinados tipos de possíveis ameaças que nós estamos acostumados.”

Stiles arqueou uma sobrancelha com um olhar duvidoso e tentou descobrir algo pela sombra do homem do seu lado, mas a massa de músculo ainda estava parada. Porque possíveis ameaças que nós estamos acostumados significa: “criaturas sobrenaturais que se irritadas cortam sua garganta com os dentes” no dicionário Stilisnki-Hale 2013.

“Eu acho.” Stiles apontou o dedo para o outro, mesmo que ele não pudesse vê-lo. “Que nós estamos fugindo do assunto.”

“Que seria?” O homem perguntou com um tom curioso.

Stiles mordeu sua bochecha até o ponto que a dor o distraísse tempo suficiente para seu cérebro arranjar um filtro entre ele e sua boca e pudesse pensar em alguma coisa boa e racional para dizer. Qualquer coisa que ele pu-

O caminhão azul e branco do reboque municipal de Beacon Hills se aproximava na direção do Jeep de Stiles. E Stiles Stilisnki nunca tinha sido um homem muito crente em divindades espirituais... Mas depois dessa aparição no momento exato em que Stiles precisou, ele estaria acendendo uma vela assim que chegasse em casa.

“Stiles?” O motorista parou o caminhão ainda na estrada, paralelo ao Jeep, uma mão no volante e o outro braço apoiado na porta quando tirou a cabeça para fora do carro, sorrindo. “Precisando de alguma ajuda?”

“Não, obrigado... Parei aqui para apreciar a vista!” Stiles respondeu irônico, os braços cruzados tentando mostrar o quanto estava irritado com o atraso. Daneel apenas riu e voltou a guiar o caminhão posicionando-o para o reboque.

Antes de sair do carro, Stiles destravou o freio de mão, deixando o carro livre para ser manipulado pelos guinchos. E tentou não olhar ou procurar pela figura do homem, mesmo sentindo sua presença.

Daneel, o motorista que ele conhecia da mesma forma como ele acaba conhecendo todo mundo em Beacon Hills por causa do seu pai, checou algumas peças do Jeep e em menos de dois minutos depois, ele já estava sendo guinchado para cima da carroçaria do rebocador. Stiles aproveitando o momento encostou-se na porta do passageiro do caminhão, o mais longe possível do estranho e possível serial killer, tentando mais uma vez ligar seu telefone. Mas a bateria nunca conseguia aguentar até depois do momento em que ele conseguia captar algum sinal. Suspirando irritado, ele deu a volta pela parte da frente do caminhão e de olhos arregalados viu e ouviu Daneel e o psicopata rirem de uma piada que psicopata estava contando. A forma grande e ameaçadora de alguma forma tinha se tornado mais amigável e gesticulava abertamente com as mãos enquanto mantinha um sorriso nos lábios. Com uma rápida olhada para Stiles, ele se despediu de Daneel e foi para a sua caminhonete, fazendo Stiles se afundar em alivio mesmo ainda estando paralisado pela surpresa.

“Daneel!?” Stiles chamou alguns segundos depois tentando não demonstrar seus temores, quando de uma forma não natural ele continuou parado, olhando para onde o outro homem tinha saído para ir para o próprio carro. E então com um maneio de cabeça, Daneel voltou sorrindo para dentro do caminhão sem nem ao menos prestar atenção em Stiles que o chamava perplexo pela terceira vez.

“Até mais, Stiles!” Daneel falou ainda sorrindo e deu a partida, deixando um atônito Stiles para trás.

Stiles estava sonhando? Ele está sonhando, na verdade? Porque isso mais parece ser um daqueles malditos sonhos que é tão real que quando você acorda você leva um tempo para perceber que aquilo não era real. Bom, ele bem que poderia estar acordando agora...

“Vamos?” Veio uma voz grave e abafada, pelo som do motor da caminhonete, mas ainda sim clara e penetrante.

Stiles virou-se na direção da voz, a oposta da qual ele deveria estar seguindo junto e em segurança com seu Jeep, e viu o Senhor Tenho-cara-de-psicopata-e-provavelmente-sou-um parado ao seu lado com a porta do passageiro aberta.

O sol forte pareceu arder mais forte na pele clara de Stiles o fazendo sentir ainda mais consciente da onde ele estava. Porque agora, não havia mais uma esperança do carro do reboque chegar, ou de ele conseguir ligar para alguém. Tudo se resumia a andar a pé ou pegar uma carona com alguém estranho que nem da cidade é... Stiles podia ir a pé? Podia e pode. Mas Stiles ficaria livre para ir? Muito, mas muito provavelmente não. Por isso, respirando fundo e rezando aos deuses, Stiles finalmente cedeu e entrou na caminhonete. Contrariando todos os seus instintos que quase clamavam para que Stiles saísse nesse instante da presença do homem que tanto o intimidava. Ele ainda podia ver o rebocador seguindo na frente quando eles deram a partida e seguiram pela estrada.

Eles estavam se aproximando da trilha para a reserva, o caminho mais fácil para a casa de Derek, quando o homem ao seu lado, deu a seta e dobrou para na trilha sem uma palavra.

“Em qualquer forma...” Stiles suspirou alto e levou uma mão para massagear sua têmpora direita, prevendo uma dor de cabeça.

“Como?”

“Se você não me matar, eu com certeza serei morto.” Stiles riu deleitado com o quanto ele conseguia se foder em um simples dia.

“Seu companheiro arrancaria as próprias bolas antes de te matar.” O homem respondeu com a voz suave, quase como se tentasse consolá-lo... Em pouco segundos sua visão estava turva e ele sabia que estava soando frio. Stiles teve de morder novamente forte a sua bochecha na busca de manter-se calado ou tentar acalmar o galopar do seu ritmo cardíaco. “Poderia ser pior...” O homem voltou a falar com o mesmo tom.

“Como poderia ser pior?” Stiles pergunta no mesmo instante, a voz suave e contida de aflição. “Não, não me responda... Eu sinceramente não quero saber...” Ele emenda sem humor.

“O destino escolheu que nos encontrássemos agora.”

“É uma pena que eu não acredito em destino... Apenas em mais puro azar.” Stiles disse sorrindo maniacamente. Mas logo apos ter dito isso, Stiles percebeu que sim, muita coisa poderia ter sido pior... Sua imaginação criativa conseguiu caricaturar cenas perfeitas do quanto poderia ser pior... As cenas esfaqueavam sua mente violentamente ao passo que seu corpo congelava numa mistura de pânico e medo.

Do seu lado, Charlton sorriu.

~*~


“Sim, amanhã nós vamos estar com o orçamento pronto, senhor.” Daneel respondeu enquanto tentava conciliar o celular e a direção do volante com a empreitada de retirar o último cigarro da caixinha branca de papelão amassado.

“Você poderia me passar para o meu filho?”

“Ele não veio de carona, Sheriff.” Daneel estalou o pescoço começando a relaxar depois que deu o primeiro trago, esperando a nicotina percorrer seu corpo e fazer efeito. “Ele ficou na estrada.”

“Na estrada? Sozinho ou acompanhado?”

“Ele ficou com um amigo dele, um cara chamado Charlton...” Daneel respondeu e houve um silêncio mais longo até que o Sheriff voltasse a falar.

“Você conhece?”

“Eu nunca o tinha visto na cidade, mas ele disse que amigo de Stiles...”

“Você pode descrevê-lo?”

“A única coisa que posso usar para descrevê-lo é que o cara parecia um mamute, Senhor.” O rebocador riu com a comparação. “E como ele disse que iria levar Stiles, eu acho que um Range Rover preto que estava estacionado do outro lado da estrada era dele. E novamente, eu teria lembrado se eu já tivesse visto uma daquelas belezas aqui em-”

“E ele simplesmente ficou lá... Com esse homem?” O sheriff perguntou e Daneel franziu com o tom inesperadamente ríspido dele.

“Foi...” Ele respondeu dando de ombros confuso. Olhando pelo retrovisor, ele viu o mesmo 4x4 preto que estava estacionada pegando a trilha da reserva. “Eles acabaram de dobrar na trilha da reserva.”

“Na trilha da reserva?” A voz do Sheriff veio mais grave e Daneel começou a temer se a culpa iria cair para o seu lado... “Muito obrigado por ligar, Daneel.”

“De na-” Daneel começou a responder quando a linha caiu. Ótimo, se o filho do sheriff se metesse em problema ou alguma coisa acontecesse com ele, sobraria para o pobre do motorista de reboque... O único consolo que ele tinha era que Stiles estava com o Charlton, o homem realmente parecia boa pessoa.


####


"Eu posso não perceber o que está acontecendo aqui na visão exata de um lobisomem.” Stiles começou a dizer calmamente. “Mas você claramente está desafiando o Alpha, vulgo meu companheiro. Não que eu seja realmente algo de grande importância, mas... Se não fosse eu quem estivesse sendo levado de carona eu diria que a situação era hilariamente trágica e que não teria um final muito feliz...”

“Mas como isso está aocntecendo com você...” Charlton continuou para incentivar Stiles a continuar.

“Eu estou rezando pelo o melhor e que tudo será entendido apenas como uma simples coincisdência.” Stiles disse com os ombros curvados protetoramente para dentro. “O eu foi, não foi?” Stiles perguntou esperançoso e antes que o Alpha respondesse ele continuou quando lembrou de outra parte dos acontecimentos. “Aqueles elefantes nas outras duas caminhonetes, eram seus betas.” Stiles afirmou recebendo apenas um aceno de cabeça de Charlton.

“Então, veja você: vindo acompanhando de vários betas para o que? Uma visita de social? Não sei a quem você está querendo intimidar, mas nós estamos fortes e poderemos lutar pelo nosso território...” Stiles disse com a voz confiante. Os lobisomens do seu Pack poderiam sim lutar, ele por outro lado só esperava que sua dose de confiança não pudesse cair em um momento em que ele precisasse lutar... Logicamente Charlton não precisava saber disso. “E se seu plano,” Stiles continuou “é apenas sondar os nossos conhecimentos sobre a sua ligação com... Outro assuntos... Eu posso deixar perfeitamente claro que nós não estamos interessados em nada relacionado. Nós queremos apenas paz e sossego para a nossa cidade.”

Charlton voltou a sorrir de lado como se estivesse achando algo espetacularmente engraçado no discurso de Stiles.

“Você é um jovem astuto e leal para as responsabilidades do seu Pack.”

“Obrigado.” Stiles respondeu por reflexo, por um momento chegando até a estufar um pouco o peito... Mas logo virou o rosto para olhar para Charlton. “Como?”

“Mas também é um tolo se pensa que pode realmente prever e dar tão pouco aos meus objetivos aqui.” O Alpha respondeu neutro às reações de Stiles.

“Você sabe que eu não posso ser os dois ao mesmo tempo, certo?” O humano perguntou confuso se atendo ao fato que em menos de duas frases ele foi chamado de astuto e de tolo.

“De fato trouxe meus betas como precaução, mas apenas isso. Eu sou seu aliado nessa história se você conseguisse ver todos os acontecimentos por trás. Mas mesmo assim, eu ainda preciso saber o que aconteceu aqui da mesma forma como vocês irão me questionar o equivalente.” Charlton respondeu soando sincero. “Mas você ainda é considerado tolo se acha que poderia ir de frente aos meus betas.”

“Ora, por favor.” Stiles rolou os olhos na busca de algum humor. “Eu não poderia nem contra um bebê lobisomem se ele me atacasse... Mesmo que eles provavelmente devam ser umas coisas fofas. E eu realmente não conseguira nem ao menos detê-los de me abraçar ou de morder o meu calcanhar.”

“Não se preocupe, você logo irá descobrir.” Charlton falou seguro e não pela primeira vez e nem pela última, Stiles seu sentiu seu coração acelerar. Se ele já sabia da gravidez das Allison, o que mais ele sabia? Há quanto tempo ele estaria observando o pack?

“Por que você quis se encontrar aqui e não na cidade de John Fawler? Afinal foi para ele que você enviou a carta...” Stiles perguntou tentando sondar algumas informações.

“Eu queria saber como estava o pack Hale que depois de uma tragédia está conseguindo se reformar.”

“Como que interesse?” Stiles insistiu.

“Quando se é um lobisomem, prezamos por nossas alianças e preservação de território... Se a família Hale não fosse tão subserviente a existência dos caçadores eles nunca teriam sofrido tal ataque...” Charlton respondeu sério, mostrando o pensamento que Chris e John tinha dito, ele não acreditava na coexistência com caçadores. “E além disso,” Charlton continuou, dessa vez com um sorriso brincando nos lábios “Eu queria ver como estavam as habilidades de um pack que conseguiu derrotar seis Alphas experientes... E não é de admirar que eles tenham conseguido de uma forma tão rápida derrotá-los. Pessoas como você, são muito prezadas por suas habilidades...”

Habilidades?

“Pessoa com habilidades como as minha?” Stiles não conseguiu se impedir de falar. “Habilidades como...?”

“Ou você é bastante treinado para mentiras... Ou você não sabe.” Charlton olhou seriamente para ele, o cenho frisado montando uma expressão não familiar de confusão no rosto severo do Alpha.

Stiles arqueou uma sobrancelha.

“Eu voto na primeira opção.” Charlton disse sorrindo de lado e fazendo a curva para entrar na breve clareira que rodeava a casa Hale. Ele já conseguia ver Derek, Peter e John na varanda.

“Ótimo, se você não acredita em mim, não adianta eu falar qualquer coisa...” Stiles irritou-se e ficou em alerta para sair do carro assim que o Alpha o parasse.

"Você já praticou magia alguma vez?" Charlton perguntou quando estacionou carro e puxou o freio de mão, não abrindo a porta, ou vidro ou qualquer coisa. Apenas parou e olhou diretamente para Stiles.

"Você está falando sério?" Stiles perguntou perplexo encarando o homem que com uma expressão ilegível retirou o cinto de segurança e virou-se para Stiles.

“Podemos sair? Já o trouxe são e salvo para sua casa.” Charlton falou e com um piscar de olhos, seu rosto já se transformava em uma expressão amigável, com direito até a um sorriso. Stiles pensou em retrucar quando o Alpha se inclinou sobre ele para abrir a porta do passageiro, fazendo um arrepio correr na espinha do humano.

“Obrigado por me trazer direto para o meu abatedouro.” Stiles murmurou e saiu do carro. Ele estava tão frito, lascado, ferrado, fodido e mal pago que ele voltaria contente para dentro do carro e só voltaria alguns possíveis anos depois para que talvez pudesse fugir do sermão de Derek...

~*~


Sheriff John F. Stilinski não gosta de coisas inesperadas. Na sua vida, surpresas nunca vieram acompanhadas de boas notícias ou boas ações. A surpresa quando os pais de Aria, o amor da sua vida, não terem aceitado o casamento deles e ter sido preciso eles se mudarem para conseguirem viver em paz. Depois houve a surpresa do diagnostico do distúrbio que poderia prejudicar os estudos e uma parte da vida do seu filho. E então a pior surpresa da sua vida, quando foi descoberto o câncer na sua esposa e depois de um tempo extremamente curto a noticia da morte dela...

A surpresa de ataque de animais selvagens na delegacia, a surpresa de acordar e saber que esteve em coma por três semanas...

A surpresa de escutar que seu filho estava acompanhado de um cara que ele nunca tinha ouvido falar e que dirigia uma Range Rover preta. E a única dica que ele tinha era o fato dele estar seguindo para reserva. O que provavelmente estaria relacionado a Derek. Mas quando Stiles, pela manhã, tinha se despedido sem ter dito nada, apenas o abraçado brevemente e seguir para o Jeep enquanto ainda tinha duas waffles inteiras tentando descer pela mesma garganta...

Porém, John Stilinski sempre foi um homem precavido. Melhor averiguar algo suspeito do que receber uma surpresa depois.

Porque John Stlinski não gosta de surpresas.

~*~


Derek mais uma vez rogava que Stiles estivesse seguro e que tentava se assegurar que tudo ocorreria bem. Mesmo estando em desvantagem de números, ele não teria problema de lutar contra os betas ou Alpha Charlton mesmo sabendo que isso acarretaria consequências muito maiores em comparação ao universo de alianças entre os lobisomens.

O problema era o seu companheiro sozinho em algum lugar de Beacon Hills com outro Alpha em algum lugar de Beacon Hills.

Distraído com o pensamento sortido de possibilidades do que poderia estar acontecendo, Derek mal conseguiu se conter tempo suficiente antes das suas garras alongarem e seus olhos brilharem em vermelho. Ele podia sentir agora. A forma como outra Alpha entrava em seu território era algo que ele ainda estava tentando de acostumar. A sensação irracional de sede por sangue e conquista corria nas suas veias e se ele não tivesse uma âncora forte, ele não poderia se controlar antes de iniciar a caçada em busca do outro Alpha.

“Derek.” John chamou ao seu lado, com um tom calmo, ou tentando passar tranquilidade.

“Ele está se aproximando.” Derek diz e célula por célula, ele obriga seu corpo a assumir a forma completamente humana. Ele deveria mostrar controle.

“Ele está próximo?” Sarah perguntou de dentro da sala, onde todos após sentirem a mudança brusca nas emoções de Derek.

“Sim.” Foi tudo o que ele respondeu. Respirando fundo ele esperou.

A terceira caminhonete preta apareceu e diferente das duas outras que ficaram paradas no final da estrada, estacionou graciosamente na lateral da casa de Derek. Os betas, porém, em nenhum momento desviaram o olhar da casa para olhar para o carro que tinha acabado de chegar.

Alguns segundos se passaram até que a porta do motorista, seguida da do passageiro se abrisse.

Derek não conseguia acreditar que a segunda batida do coração dentro do carro era a de Stiles. Stiles...

Stiles...

“Stiles!” Derek chamou severo. Ele sabia que deveria ter alguma explicação, algum motivo... Mas ele não conseguia simplesmente se controlar a escutar a esperar. Ele desceu novamente as escadas da varanda e se pôs em frente a sua casa, esperando que Stiles viesse até ele.

“Derek!” Stiles cumprimentou, enquanto se aproximava, levantando uma mão e acenando para ele. A voz familiar estava com a voz vários tons acima do habitual. O menino continuou a se aproximar e quando estava apenas dois passos de distância de si ele parou e Derek estava abrindo a boca para falar quando Stiles gemeu alto, frustrado. “Você tinha razão, ok? Eu deveria tê-lo escuto, e eu prometo tentar com mais afinco te escutar nas próximas vezes.. Mesmo sendo muito difícil porque cara, você nunca se escutou quando você entra no estado todo Alpha-você-tem-de-me-obedecer e sincera-”

“Stiles.”

“-mente você que eu sou teimoso e é totalmente sua culpa porque você deveria insistir mais e-”

“Stiles!” Derek disse irritado fazendo o menino finalmente para de falar e tirar os olhos do chão e o encarar.

“Por favor, não me mate.” Stiles murmurou com um bico.

“Nós conversaremos isso depois... Outra hora.” Derek disse sério, mesmo achando o biquinho de Stiles a coisa mais fofa que ele tinha visto na vida. “Agora nós precisamos discutir coisas mais importantes.” Derek continuou, seu rosto rígido, lívido de nenhuma emoção. “Charlton, não lembro de tê-lo visto alguma vez.”

“Temo que não, Derek.” Charlton respondeu igualmente sério. “A última vez que tive contato com a sua família, Laura tinha acabado de nascer.” Charlton respondeu e olhou para John e Peter que estavam na varanda. “Eu sinto muito o que aconteceu na sua família, Peter. Eu sei que o tempo não será capaz de apagar a dor.”

“Nós temos que aprender a conviver com ela.” Peter diz sem se mover do lugar, apenas acenando levemente. “Hoje em dia, meu sobrinho e eu temos conseguido deixar o passado de lado e seguir em frente.”

“Vejo que sim.” Charlton confirmou e logo deixou seu olhar travar-se com o do Alpha Fawler. “Meu caro John Fawler, senti falta do seu pack nas comemorações de primavera desses dois últimos anos. Algo aconteceu para ter sua presença?”

“Charlton.” John cumprimentou polidamente, mas nada mais falou, sustentando o olhar até que Charlton pareceu desistir de obter uma resposta e voltou o sue olhar para Derek.

Stiles, que estava agora do lado direito de do Alpha, tinha se acalmado mais. As batidas do coração do humano ainda fortes, porém, menos aceleradas do que estavam quando ele chegou.

“Você enviou uma carta dizendo avisando da sua visita.” Derek começou. “E não deixou muito claro seus objetivos aqui.”

“Eu pensei que tinha deixado claro. Muitas coisas que aconteceram aqui envolvem uma cadeia de acontecimentos trágicos.” O Alpha respondeu. “E além do mais, eu fui impelido a fazer uma vista a outrora poderosa família Hale e que agora é liderada por um jovem inexperiente.”

“Não mais.” Peter interpôs, antes que Derek pudesse agir de alguma forma. “Não se reconstrói um pack de um dia para o outro da mesma forma como um Alpha nasce. Principalmente quando o Alpha batalhas suas própria lutas.” Peter conclui sua fala sarcástico.

“E é por isso que estou aqui.” Ele repetiu olhando entre Peter e Derek.

John se aproximou mais da pequena grade da varanda e perguntou estudiosamente, atentando-se às reações de Charlton. “Você assume que está relacionado a vinda do pack de Alphas para Beacon Hills?”

“Não diretamente.” Charlton respondeu, o queixo desafiadoramente levantado.

“E indiretamente falando...?” Stiles disse irônico, fazendo Derek rosnar. Stiles apenas o ignorou e voltou a fixar os olhos em Charlton que sorriu enviesado.

“Eles estavam descontrolados. Não conseguiram aceitar o destino que os tinha cruzado.” Charlton respondeu franco. Porém, poucas informações de mais para testar a validade da sua afirmação.

“Eles mataram pessoas inocentes.” Stiles sibilou entre dentes.

“Não posso me responsabilizar sobre.” Charlton disse com um gesto curto da mão direita. “Eles uma vez atendiam às minhas ordens, porém, eles sempre foram independes. O que eles fizeram aqui não pode ser inequivocamente recair sobre as minhas costas.”

Derek estreitou os olhos para o outro Alpha que logo acrescentou.

“Lastimo pela perca, porém, nada a mais pode ser feito.”

“Porém, como sabemos, a verdade sempre aparece em algum momento.” John disse e em um tom de conselho e Charlton apenas arqueou as sobrancelhas estudando o outro Alpha.

“Um dia descobriremos o real motivo da vida deles para cá.” Stiles afirmou convicto.

“Eu acho que você não gostaria de saber a verdade, Stiles.” Charlton sorriu ao dizer o nome pela primeira vez e continuou. “Vocês conseguiram tanto derrotá-lo como matá-los. Não vejo motivo que os levem a mexer ainda mais neste assunto.”

“Com medo que algo possa vir a tona?” Stiles perguntou. Ele estava bem consciente que a cada vez que falava, Derek reagia corporalmente nada feliz por ver a comunicação direta entre Stiles o outro Alpha.

“Vocês acham que eu viria até aqui se eu realmente estivesse preocupado a ter algo a esconder?” Charlton perguntou com um tom entediado. “Deucalion estava em busca de alguém, e eu não quis me envolver com. Ele estava enfraquecendo e precisava de alguém com um potencial energético suficiente para ajudar a curá-lo.”

“Mas você sabia que esteva o deixando livre para fazer o que bem entendesse.” John o acusou sob as linhas.

“Eu nunca comandei Deucalion.” Charlton responde ácido. O desprezo fazendo as linhas do rosto dele se encresparem.

“Fatos mostram o contrário.” John bateu de frente mais uma vez.

“Deucalion se auto destruiu em busca de poder e passou o resto da sua vida pagando o preço por isso.” Charlton aponta. “E em seus últimos atos de desespero sou eu quem levará a culpa? Estou eu sendo interpretado de maneira errada aqui? Eu realmente espero que não.”

“Até o momento em que você não esclarecer o que de fato a-” John desafiou-se a dizer olhando diretamente para Charlton que bruscamente o interrompeu.

“Eu tenho coisas muito importantes do que lutar contra o equilíbrio natural e ser prejudicado!” O Alpha rebateu, a voz alterada contrastando com o seu tom gélido do passado. “Eu apenas coloquei a segurança do meu pack em primeiro lugar.”

“Você ainda se atreve a chamar o seu império de pack?” John perguntou com a voz sutilmente preenchida de desprezo.

“Meu Pack.” Charlton frisou as duas palavras de forma a deixar claro que ele não estaria trazendo o assunto novamente. “Não há relação alguma com os lobos que atacaram a sua cidade.” E alguns segundos após, sua postura voltou a portar indiferença e viciosamente encarou os olhos que o observava. “E por mais que eu aprecie a conversa, há coisas que não cabem a mim falar mais sobre isso.”

“Desculpas não lhe caem bem...” Stiles disse irônico.

“Menino.” Charlton disse com desprezo dando um passo a frente. Derek instantaneamente rosnou e se pôs a frente de Stiles. Ao seu redor, os betas de Charlton e tanto Peter como John ficaram à beira da ação. Qualquer movimento avaliado apena suma vez para ser tratada uma reação. Ignorando os lobos a sua volta, Charlton apenas endireitou-se mais e como se olhasse por Derek, continuou. “Há coisas que você ainda não está preparado para descobrir. A única coisa que posso dizer é que as mesmas forças que atuam para a vida e cura atuam para a destruição.”

Stiles suspirando pesadamente, atreveu-se a sair de trás da parede de músculo de Derek e olhou atentamente para Charlton. Como humano ele não podia descobrir nada além do que a linguagem corporal podia indicar.

“Ou você acha,” Charlton continuou. “que você teria condições de portar uma criança, se não houvesse energia suficiente que pudesse alimentar sua 'pequena quebra' da ordem natural?”

Derek rosnou e tentou mais uma vez se por a frente de Stiles, porém, o humano forçou Derek a continuar onde estava, enlaçando um braço pela cintura dele.

Derek soube o momento em que Charlton percebeu que Stiles não sabia, quando o Alpha olhou entre os três lobos e sorrindo voltou seu olhar para Stiles que ainda tinha os olhos arregalados e vidrados nele. Ele quase podia escutar o cérebro de Stiles copiosamente tentando distinguir a informação.

“Nós poderíamos conversar de uma maneira mais apropriada?” Charlton sugeriu ignorando a reação de Stiles e olhando penas para Derek. “Não há porque de alerta, como você mesmo disse, todos os packs sempre estão consciente das ações dos outros. Poderíamos conversar mais calmamente ao invés de trocarmos suposições sublimadas ameaças.”

“Isso realmente está acontecendo?” Stiles perguntou aflito antes que alguém pudesse prosseguir e mudar o assunto. “Vocês fingiram que não escutaram, ou o quê? Isso é quase como-”

“Stiles.” Derek chamou.

“Você escutou o que ele disse?” Stiles respondeu irritado e confuso. O coração acelerado de forma frenética do menino chegava aos ouvidos de Derek como uma acusação.

“Eu escutei, Stiles.” Derek respondeu por fim.

“E que você entendeu o que ele quis dizer?” Stiles perguntou com as sobrancelhas erguidas. “Você não ficou com raiva? Confuso? Você simplesmente-”

“Stiles...” Derek tentou mais uma vez. O seu coração por outro lado, batia doloroso no peito.

“Não, é sério. Porque eu acho que eu escutei que ele disse que eu estava ‘portando’ uma criança! E isso para mim só pode significar que estou grávido? Essa palavra existe? gravido? ou-”

“Stiles.” Foi Peter quem chamou dessa vez, e Stiles ficou ainda mais perplexo.

Sarah abriu a porta da casa e com exceção de Stiles e Charlton ignoraram a saída dela.

“Estou falando sério aqui.” Stiles disse irritado com todos a sua volta. Ele mal conseguiu se impedir de olhar até mesmo para Sarah sem ser se sentindo traído. “Porque aparentemente eu fui a única pessoa que acho algo errado... Charlton, você poderia se explicar?” Stiles inqueriu sério.

Mas no momento em que Charlton olhou para Derek, com o sorriso que Derek já estava aprendendo a odiar, e o desafio a dizer algo antes que ele mesmo o dissesse a Stiles, um carro de patrulha da cidade surgiu no final da estrada e contornou as duas caminhonetes pretas; estacionando perto da casa.

Distraído com a vinda do pai de Stiles, Derek não pôde ver o momento exato em que Charlton rapidamente conseguiu se pôr em frente a Stiles. Tomando consciência apenas quando o outro Alpha levava a sua mão para tocar o ventre do humano, foi que Derek sentiu o rosnado selvagem lacerar a sua garganta. Com as garras estendidas e todo o seu corpo transformando em sua aparência de beta, Derek posicionou-se para atacar o Alpha, tentando calcular uma forma em que ele não pudesse chegar a machucar Stiles acidentalmente.

Derek, porém, nunca chegou a atacar o Alpha.

Pois no mesmo instante, em que Derek ia de frente para Charlton, um dos seus betas, saltou na sua direção. O Alpha Hale mais consciente e alerta, previu o movimento do beta e usou o próprio peso da caída do corpo para fincar suas garras no estômago do beta. Como ele previu, mesmo com sangue escorrendo pela boca, o beta rosnou e socou o rosto de Derek, fazendo o sangue saltar quando a pele do rosto foi cortada pelas garras afiadas.

Uivando pela dor e fúria, Derek avançou na direção do beta e com um único movimento, arrancou-lhe a cabeça. E no mesmo instante em que segurou a cabeça do beta em sua mãos, como se o contato o ferisse, Derek jogou a cabeça aos pés de Charlton; que sabiamente estava a vários passos de distância de Stiles.

"Policia de Beacon Hills!" A voz humana gritou, mas nenhum lobo deu-se o trabalho de prestar atenção no humano que apontava uma arma para Derek. Stiles porém, foi o único que prestou atenção ao seu pai que se aproximava da cena brutal.

"Pai!" Stiles gritou, mas foi tarde demais. O sheriff não teve como se defender do beta que com velocidade superior e inumana, chutou a arma da mão dele e com uma única mão envolveu a garganta de John, cravando as garras na pele fina do humano.