Minha Não. Nossa Família.

1 Prólogo - Derek | Alma carbonizada


Notas iniciais
Essa fanfic é uma realidade alternativa e contém SPOILERS da segunda temporada.
A terceira temporada é quase completamente inteiramente e absolutamente AU.

Sobre esse capítulo: Alguns acontecimentos da vida de Derek antes, durante e depois do incêndio. E alguns pontos esclarecedores. :)

Derek sorriu ao reconhecer os cabelos loiros cor de mel entre a multidão de alunos que saia para o estacionamento da escola, nem chegando a conseguir sentir o cheiro dela ainda, mas já a conhecendo apenas pela tonalidade dos fios loiros, que ele só via o topo. Kate, ele suspirou e sentiu seu coração se aquecer por dentro.

Kate estava apoiada na SUV vermelha do pai dela, os braços cruzados na frente do corpo e a cabeça encostada na janela da porta. Assim que ela o viu e o reconheceu no meio dos outros alunos ela sorriu de volta. Diferente de Derek, seu sorriso era provocativo, quase sensual.

“Eu disse que arranjaria ele hoje para nós.” Kate disse com um moldando um sorriso debochado nos lábios e deu uma tapa de leve no capô, mostrando e confirmando que era o carro que ela tinha falado antes. “Nós podemos ir para um lugar bem mais distante na floresta e corrermos juntos...” Ela sugeriu.

Havia dois dias, no seu aniversário de 15, que Derek tinha confessado o seu segredo para Kate.

Ele não era bobo, tanto sua mãe quanto seu pai já tinham dado muitos avisos para Laura quando ela tinha começado a namorar. ‘Que por mais que você ame o seu namorado, você não pode contar nosso segredo a ele, a não ser que ele já tenha posto um anel de casamento no seu dedo e te ame o suficiente para que possa te aceitar’. E Derek tinha escutado isso toda a vez que Laura arranjava um namorado novo...

Mas Kate era diferente. Porque apesar deles só estarem se vendo a menos de dois meses, mas a paixão arrebatadora o suficiente para que no segundo dia após se conhecerem eles já estavam fazendo sexo como amantes. E além de ser humana, ela era mais velha. E ele ainda tinha mais certeza que essa diferença de idade entre eles não seria problema para quando eles fossem ficar juntos. Porque eles iriam ficar juntos e enfrentar todas as dificuldades e problemas juntos enquanto o relacionamento deles durasse. O que para Derek é o mesmo que dizer para o resto da vida.

Lobos só têm um companheiro de acasalamento durante toda a sua vida. E para os lobisomens, eles tinham o equivalente a uma alma gêmea, uma pessoa geneticamente tão compatível com você que tudo nessa pessoa conquistava a outra. Completando-se.

Derek tinha certeza que Kate era sua companheira.

Por isso, ele sabia que não era sem razão ou apressadamente que ele já estava fazendo a coisa certa ao contar para ela a parte mais importante da vida dele. Porque Kate seria e de certa forma já é uma das partes mais importantes da vida dele.

Apesar de tudo isso, ele não tinha apresentado Kate para a sua família ainda. Mesmo todos eles já saberem e estarem acostumados com o cheiro dela nas suas roupas e corpo. Ela tinha 18 anos e não ligava que Derek tinha apenas 15, mas ele não sabia o que sua família poderia achar. E ele não conseguiria ser forçado a terminar o relacionamento com ela. E tudo isso valeria o sermão que ele ouviria por já ter contado algo tão rigorosamente ocultado dos humanos... Mas Kate era diferente. Ele confiava nela.

“Eu vou ter que deixar Cora, Maggie e Jasper em casa antes, Kate.” Derek disse incerto. Ele sempre estava disponível para Kate a qualquer momento que ela chamasse, mas deixar de buscar sua irmã mais nova e seus dois primos na escola e os levar para casa, o deixou incerto. O compromisso com a família era algo que todos compartilhavam quase religiosamente.

“Eles podem ir sozinhos para casa, Der.” Kate fez um muxoxo descontente. “Vamos comigo!”

Derek pareceu pensar por alguns momentos antes de responder.

“Você poderia me dar uma carona e nós deixaríamos eles na minha casa e depois poderíamos ir...” Ele propôs.

“Humm..” Kate balançou a cabeça, parecendo pensar na proposta, e fazendo os cachos quicarem sobre os ombros. “Deixa para próxima semana então, Der. Hoje eu queria sair só com você...” Ela sorriu com malicia. “Nós poderíamos passar um bom tempo no banco de trás do carro.”

“Kate...”

“Nada de ma vai acontecer, Der. Não tem com o que se preocupar.” Kate falou mais uma vez puxando Derek para um beijo. O lobisomem suspirou ao se deixar ser convencido enquanto os lábios saborosos de Kate lambiam os seus.

Deus, ela era tão perfeita que Derek não conseguia nem acreditar. Ele tivera tanta sorte em encontrar um mulher como Kate que desse atenção para um adolescente estranho e socialmente inapto para as pessoas fora da família como ele.

Mas pensando na sua irmã e nos seus primos novamente, ele estava quase a ponto de quebrar o beijo quando ele sentiu Laura saindo do ginásio e vindo na direção do estacionamento. E como nem para a sua irmã mais velha ele tinha apresentado Kate ainda, Kate dizia que seria bom deixar para um momento certo e mostrar que eles realmente se amavam, ele quebrou o beijo para sair logo da escola antes que Laura os visse.

“Minha irmã está vindo.” Ele avisou e rapidamente eles entraram no carro. Mas ele ainda pode escutar o grito de Laura entre risadas dizendo que uma hora ela encontraria com Kate.

~*~

Nesse dia, na volta para casa, após uma tarde e noite inteira com Kate, correndo na sua forma meio-lobo e fazendo amor na floresta densa da reserva, foi a primeira vez que ele sentiu a essência do cheiro. Seus sentidos hipersensíveis nublaram e sua mente, a deixando quase em um estado de embriaguez.

Na volta para casa, eles pararam em um posto de combustível. Ele ficou sentado enquanto Kate saiu do carro para abastecer, deixando a porta aberta. Foi nesse momento que o cheiro, por uma brisa suave, desembrulhou-se pelo interior do carro que cheirava somente a sexo, Kate e ao pai de Kate.

Aquele momento pareceu que seu mundo parou de girar e todo o seu centro de gravidade foi reposto para fora de si. Para a criatura que produzia um cheiro tão acalentador e protetor.

Derek estava o que ele podia chamar de confuso. Ele estava muito confuso.

Com respirações profundas, ele procurou tentando achar alguma dica de quem era a pessoa.

O menino de grandes olhos castanhos estava parado perto do seu carro , do lado de uma das bombas de gasolina, enquanto reclamava com alguém fora do seu campo de visão o quanto infeliz ele estava com a bola que ele tinha ganhado da máquina de bolinhas de quicar. A voz saía monótona enquanto não parava de balbuciar palavras com falso descontentamento, pois na verdade ele emanava alegria.

Brilhantes olhos fixaram nos seus e segundos depois o garoto estava franzido os olhos na sua direção.

“O que foi qu-” O menino começou a dizer com uma cara desconfiada quando Kate imergiu no carro, tampando a visão entre ambos.

“Vamos?” Ela perguntou enquanto já fechava a porta e dava ignição no carro.

Derek apenas acenou com a cabeça. Ele não conseguia discernir o que aquilo tudo significava. O cheiro delicioso de Kate estava presente no carro, mas ele já estava acostumado com ele. Esse cheiro suave e intoxicante era novo aos seus sentidos. Mas... Tudo o que ele precisava era de Kate. Não valia a pena investigar esse cheiro.

Kate era tudo o que ele sonhara.

*.*.*

E de repente, esse cheiro parecia estar todos os lugares.

Na escola dos seus irmãos mais novos, ele está no shopping, no mercadinho, no parque... Até o ponto de que Derek se perguntava como ele nunca tinha percebido antes. De qualquer forma, não valia a pena investigar esse cheiro.

Kate era tudo o que ele sonhara.

*.*.*

Quando deputy* Stlinki veio buscar Derek e Laura na escola, Laura conversava animadamente sobre como ela teria de escolher em qual universidade ela iria, porque sinceramente? Ela iria ser aceita em todas e "Só uma delas poderia ganhar o privilégio de um Hale estudando nela..." Ambos os irmãos olharam confusos para o homem na frente deles que pedia para que eles o acompanhassem.

Ele cheirava a tristeza e nervosismo.

Tudo nele indicava o controle que ele fazia sobre sua emoções. E ainda sim, as ondas de amargura e resentimento eram tão fortes que faziam os estomago deles embrulharem.

Ao redor deles, todos que estavam próximos começaram a olhá-los acusatoriamente enquanto eles seguiam resignadamente atrás do deputy Stilisnki. Porém, antes deles chegarem a viatura que estava estacionada na lateral da escola, discreta o suficiente para que ninguém da escola pudesse notá-los ou ficar escutando, ele pediu para os dois irmãos sentarem num pequeno banquinho perto da grade para estacionar as bicicletas.

Derek e Laura se olharam mais uma vez enquanto esperavam por alguma coisa que mostrasse que aquilo tudo era apenas algo... Eles... Eles apenas esperavam pelo melhor.

E quando ele finalmente começou a falar, Derek não conseguiu acreditar. Ao seu lado, Laura espelhava seus sentimentos. Aquilo não podia ser real! Eles deviam estar apenas em um pesadelo tosco.

Não. Podia. Ser. Real.

Quando eles entraram na viatura, e escutaram a primeira das várias mensagens sobre a situação da casa Hale, eles não conseguiam mais soltar a mão um do outro, buscando a ancora da família para os seus lobos. Eles não podiam... Deuses...

Aquilo tinha que haver... Não podia estar acontecendo!

NÃO! Derek gritou internamente, enquanto sentia suas garras estenderem e perfurarem a carne da mão de Laura que permanecia imóvel ao seu lado.

“Derek, por favor...” Laura gemeu. “Derek...”

Mas Derek estava tão perdido, porque a casa da sua família estava completamente em chamas. Em chamas.

Céus!

Como ele queria conseguir conter seus olhos de arderem e seu coração de queimar-se por dentro.

“Vai ficar tudo bem, você vai ver. Eu aposto que todos estão salvos! E cobertos de poeira. Porque todo mundo sabe que quando se tem um incêndio você pode ficar a baixo da linha da fumaça e tudo pode ficar bem! Eu só espero que você não tenha muito problema com a poeira. Pode acreditar em mim, meu pai não vai deixar nada de ruim acontecer...” Uma voz suave trouxe Derek para fora da sua mente e ele percebeu que não estava nem mais na viatura e sim já estava sentado na cadeira acolchoada na sala do sheriff. Ele se concentrou para não deixar seu lobo se sobrepor e quando deu por si, ele encarava fixamente o dono da voz.

O menino a sua frente emanava uma onda de empatia tão forte e poderosa ao ponto em que a sua dor e raiva ou até seus próprios pensamentos foram esquecidos pelos momentos em que ele encarava os olhos cor de âmbar.

Mais tarde, quando Derek descobriu que não existia mais chance e que eles não sobreviveram. Que toda a sua família foi inescrupulosamente extinguida, com exceção de Peter, dele e Laura, ele não pôde culpar o menino. Não pelas suas promessas, que mesmo não cumpridas, o manteve são para os instantes em que ainda haviam esperança.

*.*.*

Deitado na sua cama de casal em Nova Iorque, ele tentava se lembrar dos traços doces de canela e frutas, de terra, do estranho toque metalizado...

Mas tantas eram as dúvidas que consumiam a sua parca sanidade. Aquele menino, que seu cheiro o perseguiu pela cidade inteira, estando em todos os lugares, e que ainda sim o destino o deixando encontrá-lo apenas uma vez... Como ele poderia estar agora? Já se faziam quatro anos, desde que ele tinha posto os pés em Beacon Hills. E mesmo assim, naquele dia infernal onde todo o seu mundo perfeito e ideal ruiu, ele podia lembrar precisamente do cheiro que estava no departamento do Sheriff, no hospital, e no cemitério perto de onde sua família foi enterrada...

Às vezes, ele se pegava sonhando acordado. Nesses momentos seu espírito entrava em um estado de paz tão sublime que ele desejava estar dentro dessa realidade alternativa. Onde seus pais estavam vivos e que de alguma forma ele poderia encontrar aquele menino novamente. As noites que eles poderiam ter assistindo filme, ou ficar deitados próximos um do outro apenas sentindo a presença e o cheiro dele. Ou apenas tê-lo visto crescer ao seu lado.

Às vezes, ele se pegava gargalhando sozinho no seu quarto. A garganta ardendo seca, enquanto as lágrimas escorriam quente pelas suas bochechas.

Tudo o que ele mais queria, pedia, clamava silenciosamente, ou gargalhante, ou aos gritos era que tudo pudesse ter sido diferente.

Mas o destino não se refaz por lágrimas derramadas.

Então aos poucos, tão lentamente que ele não sentiu, o cheiro se extinguiu e só sobrou a lembrança.

*.*.*

Pouco tempo depois até a lembrança se extinguiu e só sobrou a dor.

*.*.*

A dor porém, nunca se foi.

*.*.*

A primeira vez que ele o viu novamente, Derek não o reconheceu. Ele estava mais focado no cheiro do humano que passava pela transformação a sua frente. O mesmo que fora mordido pelo Alpha que matou sua irmã.

Neste momento de volta a Beacon Hills, Derek compreendeu meses depois, ele não conseguia reconhecer mais nada que o tivesse ligado a sua vida feliz do passado.

Nem o cheiro do seu então descoberto companheiro, ou até mesmo o cheiro do seu próprio tio Peter que cobria a floresta e que era responsável por tudo o que estava acontecendo. Derek não conseguia mais lembrar. Tanto tempo obstruindo suas lembranças que não tinha sobrado nada.

A segunda vez, a terceira vez... Durante todos os eventos que se sucederam ao longo do tempo, em nenhum momento Derek conseguia libertar-se da constante prisão que ele impôs a si mesmo. Às vezes, deitado em um dos móveis carbonizados na sua casa carbonizada era difícil não deixar que sua própria alma carbonizasse até só sobrasse o pó.

Mas aos poucos, de uma forma que ele menos esperou, e só veio perceber quando Jackson foi liberto da maldição do Kanima, de Peter ter pedido perdão e de Scott ter proposto uma união e aceitado ser seu Beta, alguma coisa dentro de si quebrou-se.

Ele finalmente parou de pensar. E apenas sentiu.

Como em uma respiração solta, ele deixou o peso das suas costas caírem. Com uma mão em cima do seu coração que pulsava estável, ele percebeu que não doía mais. Não doía respirar, ou saber que ele estava vivo enquanto sua família morta por sua culpa. Não doía sentir o cheiro de Stiles ao seu redor ajudando seu pack.

Stiles, o único humano que o intrigava. O menino que perdeu a mãe de forma traumática, que desde criança cuidava do seu pai no mesmo nível que o seu pai cuidava dele. Que ajudava a qualquer momento que fosse preciso, mesmo sem demonstrar inteiramente a sua preocupação. Que tinha um humor de péssima qualidade. E um cheiro... Um cheiro de vida.

Foi preciso mais de um ano para que finalmente ele admitisse que Stiles era o menino que povoou sua mente por anos. E foi preciso que outro Alpha ameaçasse diretamente a segurança dele, e deixando o seu cheiro impregnado na frente da casa de Stiles, que de uma forma repugnante misturou-se ao cheiro do menino para que sua prisão finalmente se partisse.