Minha Não. Nossa Família.

15 Entre carrapichos, um trevo de quatro folhas.


“Você pode segurar uma pra mim? Meus braços já estão doendo.” Stiles reclamou em um sussurro.

Derek inclinou-se sobre Stiles, que estava deitado na pequena cama o seu lado, e pegou o pequeno embrulho rosa dos seus braços enquanto depositava um suave beijo na têmpora do seu companheiro. Mas antes de se afastar completamente, Stiles inclinou o rosto e tocou os seus lábios com os dele, a caricia do beijo fazendo ambos suspirarem.

Mas aliviado da dormência dos seus braços, foi então que Stiles olhou feio para Derek que mesmo perto de si, mantinha-se com a cabeça baixa e inclinada para o lado.

“Pode parar de esconder essas lágrimas, Derek? Não tem ninguém aqui além de nós.” Stiles falou suave e estendeu a sua recente livre mão para enxugar uma lágrima da bochecha de Derek.

“Quais lágrimas?” Derek perguntou com a voz grolada e meio rouca pelo choro contido enquanto afugentava a mão de Stiles do seu rosto com sua mão livre. “Você está imaginando coisas...”

“Derek?” Stiles chamou com um tom de preocupação.

“Hum?” Derek por sua vez não cedeu a Stiles e continuou com o rosto baixo, e rapidamente enxugou as lágrimas do seu rosto com uma mão.

“Eu acho que você deve ter bebido bastante água, porque ela está começando a vazar pelos seus olhos. Porque se isso não são lágrimas... Eu tenho pena de você quando você for tomar demais a min-”

“Consegue calar a boca?” Derek ameaçou, mas a pose séria quebrou-se quando ele fungou e novas lágrimas rolaram pelo seu rosto. Foi difícil conter o sorriso.

Para ambos.

“Você ainda não entendeu que é impossível?” Stiles perguntou com uma expressão incrédula.

“O sonho de um homem nunca morre.”


Nove meses antes...



“Me responda.” Derek ordenou num tom provocativo enquanto voltava a aproximar-se, depositando um leve beijo na base da coluna antes de deleitar-se ao provar a pele leitosa de Stiles através da carícia suave da sua língua. Entre pequenos beijos e curtas lambidas, ele deixou sua língua correr sobre a pele até parar novamente sobre a entrada do menino, que Derek estimulava para torná-la relaxada; ao passo irônico de que a cada estímulo ele só conseguia provocá-la ainda mais, fazendo-a contrair-se em torno de si mesma. Entretanto, ele não conseguia deixar de estimulá-la ou provocá-la sabendo que o poderoso anel de músculo não cederia facilmente até que se encontrasse completamente preenchida por seu falo. “Eu posso ficar a noite inteira aqui, Stiles.”



‘Responder o quê?’ Stiles pensou irritado e confuso.Sua mente completamente bêbada com o calor dos toques e o cheiro dominante de Derek a sua volta. Há quatro dias ele vinha experimentando os seus sentidos mais apurados influenciados pelos hormônios lobisomens que ele estava recebendo do Alpha através do vinculo da temporada de acasalamento. Quando ele lembrou-se de perguntar, Derek confessou que não sabia se o efeito ia durar ou não, mas se durasse quem seria Stiles para se abster? As partes boas de ser lobisomem sem ter de uivar na lua cheia uma vez no mês? Ótimo!



Stiles suspirou quando sentiu o ‘hum?’ do questionamento persistente de Derek reverberar pela sua pele o fazendo distrair-se dos seus pensamentos. ‘O que você quer?’ A perguntou flutuou na mente dele, mas sinceramente Stiles não lembrava se foi realmente isso ou não... Derrotado ele acabou respondendo, tudo intenso demais para que ele pudesse pensar racionalmente sobre algo.



"A sua língua..." Stiles murmurou mordendo os lábios e quase gemeu quando olhou por cima do seu ombro esquerdo e vislumbrou a expressão de luxúria e fome de Derek. Ainda sem poder se mexer inteiramente, pelo aperto dele em seu quadril, Stiles apoiou ambas as mãos no chão e alavancou-se, ficando realmente de quatro no chão. Bom, em algum momento que não seria o de agora, Stiles iria se preocupar em ficar envergonhado.

Por um instante, Derek considerou fazer Stiles voltar a ficar na antiga posição, sendo erguido no chão apenas pelo aperto em seus quadris, mas tê-lo apoiado nos quatro membros, daria um melhor acesso para onde ele quisesse. Porém, ainda sim, ele ainda não deixou suas mãos soltarem o aperto firme nos quadris estreitos, mantendo-o ainda próximo a si, sobre o controle dos movimentos do corpo tão vulnerável e entregue a si que o deixava no limite do seu próprio autocontrole.

Foi então que Derek acabou percebendo que a nova posição deu-lhe uma visão perfeita de bunda de Stiles: a curva discreta dos quadris, as bolas de um tom levemente avermelhado, anexadas ao períneo suave, o pequeno esfíncter rosado, molhado e exposto como se o convidasse... Ele pressionou gentilmente seus lábios contra o fim da coluna de Stiles, mais uma vez, antes de levar suas mãos a agarrarem as bochechas da bunda do menino, separando-as, deixando-o mais exposto para seu deleite.

Naquele momento não era apenas a sua fase de calor, era o seu próprio desejo nutrido por Stiles. Da forma como ele queria aquela pequena cavidade aberta para ele, como queria ela contraindo-se ao toque da sua língua, até o anseio de fazer Stiles implorar por ele.

Cuidadosamente, Derek deixou sua respiração quente resvalar pela pele anteriormente molhada de saliva, e sorriu quando Stiles não conseguiu mais sustentar a mirada dele e abaixou a cabeça, tremendo com a sensação. Ele amava o quanto sensível Stiles era, a forma como o garoto gemia e tremia sob suas provocações, o corpo desistindo de qualquer amarra e entregando-se completamente a ele, e por mais que ele desse, ele sempre implorava por mais. Com um grunhido baixo de aviso, ele se inclinou para pressionar sua língua contra o períneo, aproveitando a sensação da pele macia contra a sua língua, o cheiro único de pura masculinidade de Stiles inundando seus sentidos. Ele chegou a dar uma pequena sugada em uma das bolas antes de lentamente levar sua língua até a entrada fazendo pequenos movimentos circulares antes de sugar a pele, fazendo soar um barulhoso ‘pop’ ao soltá-la.

"Der..." Stiles grunhiu quando se viu sem forças nos braços para continuar se apoiando, e quando desistiu de vez, ele apoiou os antebraços, os cruzando na sua frente para pode apoiar a sua testa. Dentro do casulo dos seus braços, ele aproveitou para abafar gemidos humilhantemente desesperados no cobertor.

"Eu quero ouvir você." Derek protestou mordendo uma das polpas macias, conseguindo arrancar algo próximo de um latido de Stiles.

"Morra... Esperando!" Stiles grunhiu sem se dar por vencido. Derek passou a distribuir pequenas mordidas, intercalando às longas e molhadas lambidas. "Derek!" Stiles tentou soar como uma ordem para ‘você pode pelo amor do bom deus, me foder logo?’, mas tudo o que deixou os seus lábios foi gemido desesperado.

"Então me diga."

"O quê?!"

Seria pedir de mais se Stiles pudesse jogar um tijolo na cabeça de Derek neste exato momento? Ou fazê-lo engolir o maldito de tijolo até ele parar de falar?

Mas ao invés de demonstrar a sua frustração, Stiles rosnou sua resposta. "Vá se foder." Provocando outro 'hum' a vibrar sobre a sua pele. "Eu só quero que você me foda nesse exato momento ou eu mesmo vou te foder até você sentir meu pau cutucando a sua garganta!"

"Sério?" Derek pergunta com um sorriso provocante.

"Ainda está valendo o que eu disse. Vá se foder." Stiles falou mais irritado, seus sentidos confusos e urgentes demais para perder tempo conversando... "Qual o seu problema afinal? Você quer ou não quer?" Stiles falou, mesmo se sentindo o maior dos piegas.

Derek deixou um pequeno sorriso desenhar os seus lábios. Se Stiles pudesse saber como ele realmente estava se sentindo naquele momento... O seu sorriso foi aos pouco se desfazendo, sua expressão ficando mais séria ao passo que algo parecia mudar no ambiente, o deixando mais pesado e difícil de respirar. "Eu te quero tanto que estou a ponto de enlouquecer...” Ele queria manter o sorriso e parecer provocativo quando respondeu, mas sua voz presa na garganta só conseguiu sussurrá-la. Ele mordeu o seu lábio inferior quando levou o polegar para enterrar-se dentro da cavidade molhada, brincando com o músculo que se contraia pela invasão.

"Você sabe que dia é hoje?" Derek perguntou no mesmo tom de voz, grave e baixo. O polegar ainda brincando com a entrada. "Scott te avisou de manhã, hoje é lua cheia. E a única coisa que eu quero fazer desde que a lua tocou o céu é te marcar e te inundar com a minha semente para que por onde você andar, você ainda possa a sentir vazando de dentro de você ao ponto de quando eu quiser te comer a qualquer momento você ainda vai estar molhado. Qualquer pessoa que chegar perto de você saberá que você é meu."

Stiles ralhou incoerentemente uma resposta. Ele estava desesperado por um toque mais profundo e intenso que fizesse o calor na sua pele parar de arder. "Por favor, Derek... Faça isso parar." Stiles pediu esperando que Derek entendesse o que ele queria dizer.

"Eu não posso, Stiles." Derek disse distribuindo pequenos beijos nos globos macios, aproveitando apenas o cheiro inebriante de Stiles.

Porém, para Stiles, a cada beijo o anseio inexplicável e incontrolável por contato ao invés de aliviar piorava ainda mais. Ele podia sentir seu corpo febril formigando ao contato de cada poro do corpo de Derek.

"Pode! Você pode!" Stiles choramingou. "Dê-me qualquer coisa... Eu preciso de você!" Ele se conteve em parar de falar, mas Derek ainda podia escutar ele repetindo apenas um "qualquer coisa" baixinho por diversas vezes até quando ele sentiu Derek voltar a realmente lambê-lo. Ele concentrou os redemoinhos de sua língua sobre a pequena abertura, lambendo sem empurrar para dentro até que a pele estava brilhando, molhada e escorregadia, e Derek empurrou sua língua dentro, provocando um impulso do músculo de Stiles, que gemeu e levou se quadril de encontro a Derek, pedindo por mais.

"Foda-se." Stiles choramingou fracamente até que algo pareceu estalar no seu cérebro. Se Derek estava querendo provocá-lo, Stiles tinha uma ótima carta na manga: o lobo de Derek. Não havia nada como apelar para o lado selvagem do licantropo que sempre sucumbia quando o assunto era os desejos do seu companheiro. “Derek, por favor... Marque-me, mostre que eu sou seu e de mais ninguém... Me foda, Derek.”

As palavras mal tinham saído quando a língua de Derek deixou seu corpo seguido de um rosnado ameaçador. As mãos pesadas escorreram dos quadris alisando a pele até chegar na curva da cintura segurando forte apele macia para depois largarem o seu corpo. Ainda esperando pelo contato das mãos voltarem, Stiles fez uma dançinha da vitória mentalmente quando segundos depois ele ouviu o som de uma tampa sendo aberta atrás dele e ele não precisava olhar para trás para saber que era. O segundo som foi de pequenos estalados, um som molhado que ele sabia que era Derek acariciando seu próprio pênis com lubrificante, o deixando da forma como Stiles gostava de ser fodido. Apesar de já saber o que Derek estava fazendo, ele não pôde deixar de tremer surpreso quando dois dedos entraram, empurrando o lubrificante frio o mais profundo que os dedos dele conseguiam chegar.

"Derek!" Ele ofegou quando os dedos tocaram direto sobre sua próstata.

"Estou aqui." Derek afirmou com um último impulso de seus dedos e os guiando para fora da cavidade recém-lubrificada até o seu próprio pênis, fazendo-o deslizar entre as bochechas até alinhar-se com a entrada pronta para recebê-lo, a glande beijando suavemente a cavidade ansiosa.

Stiles sentiu a mão de Derek escorregar pelo seu quadril parando plana no seu abdômen, a poucos centímetros do seu pênis, provocando um leve murmurinho de antecipação na sua barriga antes de ter toda a sua atenção focada no impulso firme do pau de Derek contra a sua entrada. Pele quente e lubrificada deslizando sobre o seu interior, penetrando-o lenta e intensamente.

"Stiles!" Derek gemeu mordendo os lábios. Cada célula do seu corpo vibrando em contentamento com as ondas deliciosas de calor que envolvia o seu pênis.

Stiles ofegou e arqueou as costas, empurrando-se de volta contra o comprimento rígido que o penetrava abrindo-o e partindo-o ao meio. O comprimento perfeito que a muito ele já conhecia e que se encaixava em seu corpo. Ele queria mais, precisava de mais movimento, mas Derek continuava parado atrás de si, apenas estando lá, dentro dele. As respirações profundas, claramente esperando para o corpo Stiles ajustar-se.

"Eu já estou pronto." Stiles prometeu convicto. "Por favor, eu-"

Mas Derek não o deixou continuar a falar, o interrompendo física e psiquicamente de falar no momento em que ele puxou o comprimento duro de seu pênis completamente para fora, fazendo Stiles gemer e tentar empurrar de volta para obtê-lo de volta para dentro. Uma risada baixa encheu o quarto por apenas um segundo antes de Derek achar que já era o suficiente tendo certeza que não machucaria seu companheiro, ele o penetrou de uma vez só. A pressão intensa do falo deslizando pela cavidade levou o menino a quase cair para frente com o movimento enquanto um grito masculino e gutural emergia voluptuosamente dos lábios rosados dele fazendo o prazer explodir pelo seu corpo.

Derek criou um ritmo forte com estocadas profundas que logo o deixaram soluçando de prazer. Stiles tentou erguer-se para ficar de quatro novamente, mas uma grande mão aterrissou em seu ombro, segurando-o de volta para baixo facilmente, enquanto o outro braço apoiava-se na curva da cintura. O barulho de pele contra pele preenchendo o quarto misturado ao gemido de ambos.

Derek balbuciava incoerente o nome de Stiles enquanto suas estocadas se tornavam erráticas, o ritmo intenso e rápido de mais para um humano, sua visão turva focada no local onde seu pau enterrava-se em Stiles. E foi em um dos movimentos em que ele se afastava, retirando seu pênis para então voltar a estocar dentro de Stiles, que ambos perceberam que o nó já estava começando a se formar, fazendo a retirada enviar uma onda de dor pela contração inesperada dos músculos internos do menino.

Então Stiles foi acometido pela forte lembrança de como é ser atado por longos minutos ao seu companheiro e aquilo foi quase demais para ele.

“Stiles.” Derek chamou. “Eu vou... Eu vou...”

“Vá pelo amor dos Deuses!” Stiles riu desesperado enquanto enxugava o suor da testa com a palma da sua mão e limpava no lençol de algodão fino que já estava molhado do seu suor.

Segundos depois, Stiles agradeceu por eles estarem em uma casa que não tinha nenhum vizinho próximo, pois se alguém tivesse chegado a ouvir o alarmantemente alto gemido que deixou seus lábios, não haveria pessoa casta que não deduzisse o que Stiles estava fazendo. Pois era impossível conseguir conter-se quando ele tinha Derek tão fundo dentro de si, o preenchendo de uma forma que o nó atritando avidamente sobre sua próstata já sensível era apenas um bônus, a cereja no final do bolo.

E logo após o seu escandaloso gemido, o quarto foi inundado pelas ondas agudas e graves do uivo de Derek ao chegar ao orgasmo, derramando-se dentro do seu companheiro e assim clamando-o mais um vez.

“Jesus... Tão bom! Oh, porra! Tãão bom!” Stiles gemeu antes de expelir em fortes jatos o seu esperma quente, pintando o lençol. Derek por sua vez, pintava as paredes do seu interior o enchendo com o sêmen que daqui a alguns minutos estaria escorrendo no meio das suas pernas.

Derek enlaçou a cintura de Stiles e o ergueu, deixando ambos sentados de joelho no colchão fofo. A mente de ambos nublados pela sensação de relaxamento que os abraçava no momento de torpor pós-orgasmo.

Stiles murmurou, recostando-se contra Derek, saboreando o calor sólido do corpo do homem.

“Como?” Derek perguntou por não ter intendido o que Stiles falou.

"Nós vamos dormir aqui?" Stiles resmungou minutos após, quando suas pálpebras estavam muito pesadas para continuarem abertas. E seu corpo sem um pingo de se mover, mesmo depois dos seus joelhos começarem a arder. E sua mente relaxando ainda mais pelo fato de que as ondas de calor tinham amenizado e não votariam a ensandecê-los por algumas horas. Horas que provavelmente eles passariam dormindo para repor as energias.

"Durma." Derek disse suavemente e deu um beijo no topo da cabeça dele. "Eu levo você para a cama mais tarde.”

“Como uma maldita criança.” Stiles reclamou com os olhos já fechados.

“Veja por esse lado se quiser...” Derek respondeu com um sorriso, a voz ainda suave.

“Uma maldita noiva sendo carregada? Ok, eu prefiro ficar com o papel da criança... O que faz de você um pedófolo.”

“Pedófilo.”

“Então...” Stiles sorriu e fechou os olhos, à deriva com os sons das árvores e da respiração profunda de Derek.

~*~


“Stiles.” Derek sussurrou novamente enquanto tinha o rosto completamente acomodado na curva do pescoço de Stiles, aproveitando para tentar reter todo o calor que conseguisse do corpo para conseguir passar mais da metade do dia sem poder fica com ele. “Stiles, não faça isso ser mais difícil do que já é.”



“Hum?” Stiles relutantemente abriu os olhos, confuso.



“Já são 06hs e 40 da manhã, seu pai chega daqui a meia hora.” Derek avisou a meia voz enquanto prendia Stiles ainda mais firme em seu abraço.


“Derek!” Stiles espalmou as mãos nos ombros de Derek para tentar empurrar a tonelada de músculos do seu namorado de cima dele, mas foi sem sucesso algum. “Eu coloquei o despertador para às 06hs!” Stiles ralhou totalmente desperto. Só a ida até a sua casa eram 20 minutos!

“Você que não acordou...”

“Você disse que ia me acordar caso eu não acordasse!” Stiles reclamou e finalmente conseguiu que Derek saísse de cima de si e pulou do colchão.

Antes que Stiles caísse desequilibrado pela tontura do movimento repentino, Derek o amparou por apenas segundos antes de voltar a ser empurrado novamente.

“Cadê a minha cueca?!” Stiles gritou estressado quando não conseguia achá-la em lugar nenhum da sala. E não foi surpresa quando a encontrou quase rasgada ao meio. “Lógico! Derek, três segundos pra você: roupas. Vai pegar pra mim!”

“Você sabe que- ”

“Derek!” Stiles gritou enquanto corria para a escada indo direto para o quarto pegar alguma roupa ele mesmo, porque dependendo de Derek... Ele não sairia nunca. E nem o ar frio da manhã fazendo arrepios na sua pele nua o distraiu do objetivo de ir logo para casa. Ou até mesmo as suas genitálias balançando alegremente enquanto ele pulava os degraus da escada. Isso eram apenas coisas que ele adicionava para a lista de “Para sentir vergonha disso em outros momentos”.

Roupas limpas e chave na ignição, Stiles já estava pronto para ir. Ignorando completamente o fato de ele ainda ter o corpo coberto de vestígios de uma noite de sexo e nada no estomago além de pizzas de horas que na verdade, nem eram mais pizzas há certo tempo... Enfim.

“Uma hora da tarde e tendo certeza que ninguém vai te ver ok?” Stiles gritou quando Derek parou na varanda e o olhou com uma expressão de cachorro abandonado. Oh Meu Deus! Era como se Derek estivesse sendo dispensado pelo primeiro namorado!

Assim que Stiles chegou em casa ele fez de tudo para parecer que ele havia passado os dois dias sem a presença do seu pai naquela casa. O que se resumia em fazer bagunça. Livros em cima do sofá e da mesa de jantar, o lixo estava em outros lugares que não a lixeira e roupas sujas em lugares aleatórios. Agora sim, parecia uma casa deixada nas mãos de um homem recém-saído da fase de adolescência.

O que não era completamente verdade. Stiles gostava de organização e limpeza, e sabe deus porque ele se sentia bem quando a casa de Derek – e dele – estava limpa e arrumada com ajuda dos betas.

Stiles fechou a porta do seu quarto quando escutou o carro patrulha do seu pai estacionando na frente da casa. E ele já estava completamente sob os lençóis com a agua salpicada no rosto e pescoço quando seu pai entrou no seu quarto.

“Stiles?” A voz do seu pai mostrou a confusão de voltar de viagem e ver seu filho em casa em pleno dia de aula.

“Pai...” Stiles gemeu com um careta, comprimindo os lábios. Ele teria de ser cuidadoso para seu ao desconfiar. Ele era o pior mentiroso da história do universo e seu pai um policial treinado... Por isso ele usou a febre e o suor que a falta de contato prolongada com Derek o estava causando como o único fato verídico que ele tinha.

John aproximou-se a passos lentos do seu filho e ajoelhou-se ao lado da cama, ficando na mesma altura do menino. “Tudo bem?” Ele perguntou ainda receoso.

“Nada bem... Nada bem, pai.” Stiles confessou. Verdade.

“É melhor chamar algum médico? Ou você acha que é só um resfriado ou coisa do tipo?” John perguntou enquanto Stiles deitava de lado na cama, o encarando. Ele estava levemente mais magro e um pouco pálido, mas tirando isso e o suor que cobria o rosto dele, ele parecia bem. “Você já comeu alguma coisa hoje?”

“Ainda não...” Stiles levou a mão até a barriga com uma careta.

“Você quer que eu...” Ele coçou a cabeça com a testa franzida e olhou atentamente para Stiles. “Que eu faça alguma coisa e traga para você?”

“Eu agradeceria.” Stiles respondeu com um sorriso de apenas um comprimir de lábios. A solução para o seu problema com mentiras era basicamente evitar seu pai... Mas na verdade é melhor passar um tempo com ele até antes de Derek chegar. Pensando nisso, Stiles levantou-se devagar e levou o seu edredom a cobrir seus ombros os segurando na frente. “Vamos lá para baixo.” Ele sorriu.

Às 14h00 da tarde, quando ele estava quase desmaiando no sofá, completamente ensopado de suor e tonto, ele mesmo assim conseguiu convenceu seu pai a ir trabalhar. Argumentando que sim, ele poderia se cuidar sozinho. Assim que ele se foi, em um piscar de olhos Derek estava em cima dele no sofá.

O calor, meu deus, o calor. O calor que o tinha deixado fraco o dia inteiro, parecia ter-se multiplicado com o contato da pele sobre pele. Porém, agora ele era tão bom, que ele praticamente viu estrelas quando o sentiu.

“Stiles.” Derek rosnou o clamando ali mesmo no sofá.

Já era de noite quando seu pai voltou e Stiles estava um pouco distraído soltando grunhidos necessitados e ajoelhado no banheiro para ter percebido o momento que seu pai entrou em casa. E acabou se assustando quando batidas na porta ecoarem nas paredes do banheiro.

“Stiles?” John perguntou ao escutar os barulhos estranhos que seu filho estava fazendo.

“Pai.” Stiles respondeu surpreso, retirando o pênis de Derek da boca e viu Derek ficar totalmente pálido; ele provavelmente estava no mesmo estado de palidez. “Bom trabalho para um lobisomem.” Stiles pensou irritado, Derek deveria ter percebido a chegada do seu pai... E pensando rápido em uma forma de tirar eu pai dali ele perguntou. “O senhor pode pegar um copo de água para mim?”

Silêncio.

“Você está bem?”

“Passando mau...” Stiles falou a meia voz enquanto mordia os lábios tentando sentir se seu pai tinha engolido a mentira.

“Só água?”

“Só!”

“Ok, já volto...” John afastou-se da porta e logo em seguida eles ouviram os passos pesados e apressados do seu pai no corredor.

“Eu não posso ir embora e te deixar aqui, Stiles.”

“Você tem de ir!”

Derek gemeu frustrado enquanto indicava com a cabeça que não, ele não podia ir embora.

“Fique no meu closet. Você fica escondido e com o focinho nas minhas roupas.” Stiles sugeriu mesmo sabendo que Derek ficaria nada confortável pelo tamanho do seu corpo tentando caber no minúsculo espaço do seu closet. “E nada de se aliviar lá dentro!” Ameaçou irritado imaginando Derek querer marcar o cheiro dele nas roupas de Stiles da pior. Maneira. Possível.

Derek abriu a porta e correu para o quarto de Stiles, ainda pelado.

...

“Stiles, eu sei que você tem todo o direito de reclamar quando está doente... Mas isso... Seja lá o que você estava fazendo não é reclamar...” Após se recusar a jantar e passar um tempo assistindo TV com seu pai, Stiles subiu para o quarto para conseguir aliviar o calor... Ele já estava quase conseguindo, Derek e ele nem tinham chegado a sentar na cama quando seu pai abriu a porta vendo Stiles em pé do lado da cama com a expressão confusa com a coberta pelos seus ombros, não cobrindo nada da nudez do menino. Principalmente a sua ereção.

“Stiles, me diga que Derek não está aqui.” John falou sério, olhando para o seu filho que tentou se cobrir o mais rápido que conseguiu.

“Pai, o senhor não pode entrar no quarto do seu filho de maior idade na hora que o senhor quer não... O senhor já pensou o que eu poderia estar fazendo? Só fazendo comigo mesmo... Eu vou ficar traumatizado pelo resto da vida! Toda a vez que eu ficar excitado agora... Oh meu Deus, pai! Claro que Derek não está aqui... Ele não seria uma pessoa muito feliz beijando minha boca suja de vomito agora... Urgh! Isso é nojento até mesmo para você John Stilinski! Mas que vergonha –” Stiles tagarelou enquanto fazia o lençol que Derek tinha passado por cima dos seus ombros, encobrindo o seu pênis ainda ereto.

“Stiles.” John interrompeu semicerrando os olhos enquanto ainda encarava o filho. “Adolescentes dormiam, e ainda dormem, amontoados na sua cama. Eu já consegui descobri todos os seus segredos sujos...”

“E o senhor acha isso legal? Espere até chegarem as contas da minha terapeuta!”

“Se eu procurá-lo, eu irei encontrá-lo?”

“Quem?” Stiles perguntou se jogando na cama de costas para o seu pai, e se encolheu em posição fetal com o cobertor embalado seu corpo. “Eu já mencionei a parte em que ele não está aqui?” Stiles voltou a falar, a voz abafada pelo travesseiro. “Eu acho que é só uma febre, mas é que minhas pernas estão doendo, além disso, eu não acho que uma pessoa com desidratação poderia fazer sexo. Pelo menos é o que dizem, quando você soa muito e tem toda a parte da desitradatação e... E sem sexo... Sexo principalmente ruim quando se está quase morrendo. Até mesmo o batman já cons-”

“Stiles.”

“Não, pai! O Derek esta na casa dele e eu estou aqui sofrendo.”

“Stiles, se eu olhar embaixo da cama?”

“Não”

“No closet?”

“Não.”

“Então, vamos lá para baixo assistir um pouco de TV... Você sabe, eu senti saudades do meu filho, se você me entende, e eu gostaria de passar um pouco de tempo com ele... Não seja tão egoísta.” John argumentou em um tom ameno e um pouco alto de mais para uma conversa entre duas pessoas próximas.

“Com quem você esta falando, pai?”

“Com Derek.”

“Derek não está aqui, pai.”

“Ok, então vamos lá para baixo...”

“Eu estou meio doente se o senhor não percebeu. Vou ficar me recuperando no quarto... Quer saber? Se eu piorar é por sua culpa.”

Stiles levantou-se irritado da cama enquanto descia as escadas, sentando no sofá. Ele tentou se reconfortar que era apenas por hoje, amanhã após a ida ao hospital ele já conseguiria passar os dois próximos dias com Derek tranquilamente...

Só uma hora depois ele percebeu que ainda estava pelado.

“Eu falei que eu não estava legal, pai.” Stiles murmurou deitado na cama de hospital. Ele apesar de tudo estava recebendo de fato uma intravenosa com soro, mas isso não fazia mal a ninguém e ajudava na dramatização. “Mas pode ir trabalhar. Eu vou ficar bem.”

“Vou tirar uma licença por hoje.” John falou enquanto se sentava na cadeira ao lado da cama de Stiles. Mas foi impedido por Stiles no meio do processo.

“Não, vai não. Os cidadãos de Beacon Hills precisam do senhor. Melissa te liga quando eu receber o diagnostico, ok?”

“Stiles...” John tentou preocupado.

“É sério, pode ir.” Stiles sorriu fraco olhando para o seu pai. E perdeu o momento em que Derek entrou no quarto.

“Você está bem, Stiles?” Derek perguntou se ajoelhando no lado oposto da cama que John estava. Stiles olhou para o seu companheiro e sua cara de criança abandonada e rolou os olhos para a reação exagerada dele.

“Derek.” John cumprimentou e viu o namorado do seu filho por os dois pês no chão e se erguer. E não pela primeira vez, ele notou o quanto apesar de quase terem a mesma altura, Derek era uma construção sólida de músculos, exalando dominação. O que não o intimidava. “Eu irei trabalhar, e vou deixar você na responsabilidade de cuidar de Stiles.”

Derek sentiu seus olhos arregalarem de surpresa. Ele estava pronto para no mínimo meia hora de argumentos...

“John.” Derek cumprimentou. Os lábios comprimidos e a expressão séria enquanto estendia a mão para cumprimentar o pai do seu companheiro.

“Se cuide, não faça nenhuma besteira.” John alertou Stiles inclinando-se em cima do menino para depositar o beijo na testa dele.

Atrás dele, Derek grunhiu baixo sem se controlar totalmente. E só relaxou quando John deixou o quarto do hospital, com mais uma despedida para ambos e fechou a porta.

Derek pôde sentir que ele não era o único que se sentiu envergonhado naquele quarto.

“Desculpe-me.” Derek disse enquanto voltava a se ajoelhar ao lado da cama do menino que estava se sentando nela, deixando Derek com a cabeça apoiada nos joelhos de Stiles.

“Não sinta.” Stiles sussurrou acariciando os cabelos macios de Derek. “Eu só espero que um dia eu possa contar a ele a verdade.”

“Um dia.” Derek concordou olhando diretamente nos olhos dele e depois voltou a apoiar a bochecha na perna do menino até que alguns minutos depois ele se pôs de pé segundos antes de Melissa abrir a porta trazendo uma pequena bandeja em mãos.

“Olá, pombinhos.” Melissa cumprimentou provocativa. Apesar de não gostar nada, nada, nada, do que eles estavam fazendo com John, ela sabia melhor do que ninguém do que como era difícil descobrir toda a verdade sobre o mundo dos lobisomens de uma forma abrupta. Ela entrou no quarto com um pequeno lanche saudável para Stiles antes que eles saíssem do hospital. Entretanto, eles teriam de escolher uma forma suave de como contar a verdade para John e parar de ter de mentir para tudo...

“Não tem coca-cola?” Stiles perguntou com uma careta no rosto ao cheirar o copo de chá-gelado e depois olhou para as pequenas bolachas integrais.

“Coma e depois eu te libero para ir para casa.” Melissa propôs.

“Má.” Stiles sussurrou com o olhar franzido para a sua pequena bandeja e vendo que tinha uma maçã também. “Obrigado, Melissa.” Stiles respondeu no mesmo instante que sentiu a dor de um chute na canela e um olhar de Derek.

Meilssa riu. “Ok, vocês tem de ser discretos ao sair, pois caso quando voltar, John pergunte para saber de que horas vocês foram.” Ela esperou ambos acenaram para deixar o quarto com um leve aceno de mão. “Se cuidem.”

“Urgh! Chá!” Stiles reclamou tampando o nariz enquanto ignorava o resto da bandeja e pegava apenas a pequena maçã. Stiles torceu os lábios novamente quando Derek pegou o copo abriu para ele mesmo tomar. Foi então que algo estalou na sua mente. Com tantas coisas acontecendo ele tinha esquecido completamente... “Derek, desde quando você começou a beber chá?”

“Hãn?”

“Na quinta-feira.” Stiles respondeu como se explicasse tudo. “E agora... Você nunca toma chá.” Perguntou curioso. Mas quando ele realmente olhou para Derek, ele estava com uma expressão bastante séria e o encarou por vários e tortuosos segundos. “Então?” Stiles tentou. Ele tinha feito apenas pergunta; uma coisa banal que qualquer outra pessoa poderia ter perguntado... Por que o clima estranho?

A reação de Derek ficou ainda mais estranha quando ele suavemente puxou a bandeja que estava apoiada na cama do lado de Stiles e sentou do lado dele na cama. Ele colocou o copo de volta em cima da bandeja e pareceu pensar o que fazer com as mãos até decidiu por enlaçá-las.

“Derek?” Stiles chamou questionativo.

Mais de um minuto e várias respirações se passaram até que Derek falasse algo.

“Você se lembra de quando eu expliquei que havia um período de acasalamento e que tudo seria mais intenso para um Alpha... E que os lobos Alphas podiam chegar a engravidar quando se tem um companheiro e esse companheiro não é capaz de reprodução...?”

Stiles franziu o cenho. O que era isso agora? Sim, de fato ele tinha lembrado a todo o momento — em que sua mente não estava muito ocupada com sexo ou com o sexo que ele estaria para ter — que toda aquela fase de acasalamento poderia resultar em um Derek grávido. Stiles acenou indicando para Derek continuar a falar.

“Semana passada eu procurei Dr. Deaton.” Derek começou e olhou para Stiles, que sustentou o olhar do seu companheiro Alpha. “Ele pesquisou e conseguiu uma espécie de wolf-bane que é bastante prejudicial quando lobos em períodos gestação são expostas a ela, causando em quase todo os casos a perda do seu filhote. E Stiles, eu pensei muito e vi que não estamos preparados para ter um filho neste momento, e como encontrei esta forma de prevenção...”

Derek parou um pouco para ver se Stiles queria dizer algo, mas ele se tinha não se pronunciou. Então, ele voltou a falar.

“Eu aceitei uma pequena muda desta erva e a tomei como um chá. É muito provável que nós não vamos ter que se preocupar em ter filhotes por algum tempo.”

Stiles encarava o seu companheiro com a boca seca e os olhos queimando.

“Você poderá... Depois...” Stiles gesticulou tentando dar o sentido de ‘mais tarde’.

“Sim.” Derek afirmou enquanto trazia Stiles para seu abraço. “Um dia, quando nós estivermos preparados nós poderemos sim. Mas até lá, podemos seguir nossas vidas, até que o momento certo chegue.”

“Então, você não vai me trocar por uma mulher, não é?” Stiles verbalizou exatamente a frase que o atormentou quase desde o inicio da relação deles.

“Eu não vou responder a isso...”.

“Derek!”

“Você é o meu companheiro, Stiles. É tudo o que eu preciso.” Derek afirmou enquanto aspirava a pele macia de Stiles, saborosa aos seus sentidos. “Você é especial.” Derek afirmar de uma forma quase tímida enquanto depositava suaves beijos no rosto de Stiles. Beijando as pintinhas do rosto do menino.

Especial até de mais, Stiles pensaria um mês depois. Mas naquele momento ele só pôde agradecer aos Deuses por sua vida ter tomado esse rumo.

~*~


“Não, eu não vou bater. Você que bata.”



“Você sabe que ele vai nos escutar no momento em que sairmos da estrada, né?”



“Mas você que bate.”


“Se eles estiverem pelados fazendo na varanda... Ninguém vai precisar bater a porta.”

“Urgh! Sammuel, por favor, cala a boca.”

“Então você que bate. Você é o beta do cara!” Sam falou indignado olhando para Scott e depois voltando para olhar para a estrada, a casa de Derek já estava a vista.

“E o melhor amigo do companheiro dele... E é por isso que eu ainda quero pensar que Stiles não faz sexo.” Scott confessou com um muxoxo. Imaginar que Stiles fazia sexo com Derek... Seu pequeno amigo Stiles, que ele conhecia desde pequeno... Tomando banho juntos... Era nojento.

Segundos depois, Sam já estava estacionando o carro emprestado de Jackson na frente da casa. Vários momentos de tensão divertida, ao imaginar onde Derek e Stiles estariam, depois, eles saíram do crro e seguiram em direção da casa.

“‘Tá com algum problema, Sam?” Scott perguntou já sem paciência pelo passo de lesma em que Sammuel fazia ao seu lado, fazendo com que ele parasse para esperá-lo a cada três passos.

“Eu já falei. Nós temos que fazer Derek saber quem somos e depois se acostumar com minha presença. Senão, ele se sentirá ameaçado pela presença de outro lobisomem que não é do Pack dele... Bom, eu que não quero um Alpha estraçalhando minhas tripas. Isaac, meu pai e eu gostamos de onde elas estão...”

E mal Sam tinha terminado de falar, Derek abriu a porta da casa, com nada além de cuecas samba-canção. Fazendo Sam e Scott soltarem um gemido e desgosto ao ver o volume que despontava dela.

“O que vocês querem?” Derek perguntou desconfiado, mas cumprimentou Sam com um ligeiro aceno de cabeça.

“Eu vim trazer um recado.” Sam falou também acenando e logo emendou. “Desculpe Derek, eu não sabia que você estava nessa temporada... Sou acostumado com a dos meus pais, e que são bem mais cedo...” Sam falou com um sorriso de desculpas.

“Scott?”

“Eu vim acompanhar...” Scott respondeu dando de ombros.

“Scott!” Uma quarta voz surgiu por trás da porta, bloqueada pelo corpo do Alpha. “Derek, me deixe passar!”

“Não.”

“Derek... Não se atreva a-”

“Sammuel.” Derek cortou. “Pode dar o recado agora?”

“Então...” Sam começou, mas distraído com um Stiles tentando se espremer pelas brechas da porta para tentar passar por ela. “Eu temo que o assunto seja um pouco mais complicado, e eu acho que seria bom que Stiles soubesse também...”

Derek franziu o cenho, mas moveu o corpo para o lado permitindo que Stiles passasse pela porta. E fez um gesto para que Sam continuasse.

“Obrigado, pela consideração, Sam!” Stiles falou com um tom formal fazendo cara feia para Derek. Mas logo deixou Sam falar.

“Há dois dias nós recebemos uma carta de Charlton Wood-Hills.” Sam começou e esperou Derek tomar conhecimento da delicadeza do assunto. “E ele à meias palavras deu a entender que por meios de ‘infelizes ações sem planejamento’ por parte dele, houveram os ‘desentendimentos’ que houveram aqui... Sim, ele chamou a morte de sete humanos e de Boyd de ‘desentendimentos’.” Sam parou de falar e analisou a expressão de Derek que cada segundo passava a ficar mais severa. “E disse que dois após a próxima lua cheia ele virá fazer uma ‘visita’.”

“Foi culpa desse tal de Charlton Wood-Hills que tudo aquilo aconteceu?” Stiles perguntou.

“É o que ele deu a entender.”

“E porque ele está vindo para cá?”

“Meu pai acha que é uma visita de reconhecimento. Para se certificar que nós não possamos causar problemas para ele depois...”

“Mas se ele não tivesse falado nada, nunca saberíamos que teria sido ele.” Stiles falou sem conseguir entender o porquê.

“Nós não. Mas os outros sim...” Sam respondeu. “Se o mesmo ataque que aconteceu aqui, tivesse acontecido em uma cidade com um Pack mais tradicional, tudo teria sido bastante diferente. Nós lobisomens, somos bastante territorialistas, como você deve ter percebido.” Sammuel falou sério, mas acabou sorrindo para Stiles que tinha o rosto incendiado.

“Há mais alguma coisa que eu preciso saber?” Derek perguntou por fim.

“Ele virá para Beacon Hills, onde houveram a maior parte dos ‘desentendimentos’ e aproveitar para encontrar o ‘menino’ Hale.”

“Mais alguma coisa?” Derek grunhiu.

“Por enquanto só. Meu pai queria que você soubesse antes que ele viesse para cá. Agora ele está viajando, mas quando ele voltar e três dias antes do dia marcado nós todos vamos vir e poderemos montar algum plano.”

“Plano?” Scott que até agora tinha apenas observado perguntou. ‘Porque eles precisariam de um plano para uma visita de reconhecimento?’

Sam olhou entre Scott e Derek até suspirar pesadamente. “Charlton é o Alpha de um dos packs mais tradicionalistas da América. O território dele é tão grande, que Alphas de packs menores vivem e trabalham para ele e sobe as ordens dele.” Sam respondeu mostrando nada além de repulsa nas suas palavras. “Ele tem princípios bastante distorcidos, se você quer saber.”

“O cara é um megalomaníaco, então.” Stiles respondeu enquanto tentava juntar as peças que Sam dava para tentar entender o que poderia vir a acontecer. “Ele pode nos ver como ameaça?” Ele perguntou descrente.

“Ele mataria a todos nós antes que pudéssemos nos defender.” Derek respondeu, olhando atentamente para Stiles que ainda estava ao seu lado. “Quando estive em Nova Iorque, eu e Laura tivemos que nos submetermos em estar sobe as ordens dele. Ou era isso ou caso fossemos identificados como lobisomens sem ter nos apresentado a ele, seriamos mortos antes que pudéssemos falar alguma coisa.”

“Derek...” Stiles deu um passo para ficar mais próximo a Derek, que o impediu de continuar a falar.

“Mas não foi de todo ruim. Ele oferece segurança e terra para você possa correr em dias de lua cheia. O que mais poderíamos querer?” Derek respondeu com um tom amargo mesmo sem demonstrar nenhuma expressão. “Porém, tudo é controlado por ele. Onde você trabalha, quanto ganha, cerimônias de ligação...”

“E ele está vindo para Beacon Hills.” Stiles falou como se tentasse fazer ele mesmo acreditar em suas palavras.

~*~


Stiles e Derek permaneceram vários minutos que se estenderam por horas, apenas deitados na cama com a televisão ligada em um canal aleatório. Após a saída de Sam e Scott, Derek mal falou. E quando falava era apenas para responder perguntas como “quer mais uma colher de molho?” ou “onde está o controle?”. Qualquer coisa que envolvesse Nova Iorque, ou Charlton Wood-Hills ou lobisomens era enfaticamente ignorado. Até que na manhã seguinte Stiles explodiu com seus nervos à flor da pele. Ele repetiu a perguntava que fazia a Derek pela terceira vez quando mirou e socou com o máximo de força que conseguiu o estomago do licantropo, que arregalou os olhos surpreso.



“Eu estou falando com você.” Stiles sibilou. “E eu espero respeito o suficiente para que você me responda. Eu não estou aqui de enfeite e se eu me zangar mais do que já estou eu vou embora, Derek.” Stiles por segundos perdeu o controle da sua voz, deixando-a mais aguda quase gritando. Porém, respirou fundo e continuou. “Porque eu não sei se você se lembra quem está falando com você... Mas eu sou seu igual nessa história e não vai ser eu que vou te tratar com pena e pisando em ovos quando eu falar assuntos como a sua irmã e o tempo que vocês passaram juntos em Nova Iorque.”



Stiles levantou-se da cama e desligou a TV antes de entrar no banheiro, sem voltar a olhar para o outro uma única vez. Alguns minutos depois, quando ele voltou para o quarto, Derek estava sentado do lado dele na cama e olhou para Stiles enquanto ele se aproximava.


“Pensou no que eu disse?” Stiles perguntou mais calmo enquanto estudava a expressão culpada de Derek.

“Me desculpe.”

“Não tenho o que te desculpar, eu quero que você confie em mim, Derek.”

“Eu confio, Stiles. É só que às vezes eu não consigo ser como você e dizer tudo o que eu quero.”

“Eu não quero você seja como eu, Derek.” Stiles disse e depois sorriu doce e brincalhão. “Por deus! Deus me livre! O mundo não suportaria outro Stiles...” Ele sorria enquanto se aproximava da cama, mas aos poucos o sorriso foi sendo substituída por uma expressão séria e firme. “Eu quero apenas que você compartilhe comigo algo. Qualquer coisa... Só para me deixar seguro para saber que você está bem. Você consegue me entender, Derek?” Stiles perguntou se ajoelhando do lado da cama.

Então, Derek contou. Contou do quanto era solitário. Ele e Laura sozinhos. Como foi o primeiro ano em que eles não conseguiam nem ao menos olhar na cara um do outro por ser de mais, por trazer dor de mais. E como foi o segundo ano, quando eles começaram a se firmar mais um no outro e reconhecer que agora eram apenas eles. E como foi no decorrer dos próximos quando Derek, quatro anos depois teve seu primeiro relacionamento, que durou uma semana. E os outros que seguiram eram de uma noite apenas. Um sexo sem rosto, sem sentimentos e emoção. Apenas corpos que ele dominava e manipulava e que não havia possibilidade para criar expectativas, mentiras. E como ele largou a faculdade de engenharia mecânica e depois a de elétrica, e depois a de psicologia. Como ele não tinha nada estável na sua vida a não ser sua irmã.

Stiles escutou tudo calado, apenas se concentrando nas palavras e nas emoções de Derek. E depois segurando o corpo do seu companheiro nos seus braços e depois o possuindo com todo o calor e amor que podia exalar. Porque eles estavam juntos agora, eles construíriam um futuro. Pois, já chega de passado. Promete?

~*~

Prometo.

~*~

Com o final do período de acasalamento, a vida enfim voltou a ser normal.

Ou o que eles podiam chamar de normal...

Apesar de Stiles sempre passar todo o tempo possível na casa de Derek, ele sempre passava a maior parte do seu tempo livre com o seu pai. Conversando e brincando, tentando manter vivo o laço que eles compartilhavam.

.Na quarta-feira da semana seguinte, todos os móveis já haviam sido entregues quando finalmente Stiles conseguiu se ver livre de Lydia. A divinissima mestre decoradora suprema do universo, não deixou que colocassem um copo num armário sem ter o seu aval. Ou pior ainda foi quando ela tentou organizar a gaveta de cuecas de Derek, e a de Isaac... Então... Lydia conseguiu ser bastante estressante para quase todo mundo que iria morar na casa.

Ou qualquer outra pessoa naquela semana.

Sério. Deus perdoe a TPM...

Mas entre trancos e Lydias, nessa quarta-feira quando tudo finalmente estava arrumado, todos foram convidados para uma noite de pizza e álbuns de fotografias de Scott e Stiles pequenos e pelados correndo pelos quintais. Os álbuns discretos com poucas fotos de Isaac e Erica. Os exuberantes books fotográficos de Lydia e Jackson... E o momento suave quando Derek trouxe o único álbum da família dele, onde a última foto era a do aniversário dele de 15 anos, onde toda a família sorria no dia luminoso de churrasco no quintal. E o fato de que todos tinham os olhos fechados só fazia a foto ficar mais cômica e alegre... Nem mesmo a presença de Kate ao lado de Derek conseguia ofuscar a luz da foto. E após essa foto, só havia mais uma de Derek e Laura, no dia em que Derek tinha passado no primeiro vestibular. Fora essa, Derek nunca mais tinha tirado nenhuma foto.

Bom, até agora. Pois assim que Stiles colocou as mãos na máquina de Jackson, foram tantas fotos que ele teve de esvaziar dois cartões de memória para caber toda e poder satisfazer a sua vontade!

Na última foto da noite, quando todos já estavam com as bochechas doloridas de rir e conversa. As barrigas cheias de pizzas e a mente quase nublada de sono. Stiles colocou a câmera em cima da televisão e ativou o click automático, para possibilitar que todos saíssem na mesma foto. De modo natural, cada um assumiu sua posição, John e Melissa no centro da foto, com Isaac, Danny e Jackson sentados. Lydia e Allison em pé do lado esquerdo, com Scott sentado no pé de All, e Stiles e Derek do lado direito. Mas antes da foto, nos últimos momentos, Stiles anotou o nome de Boyd em um pequeno papel, o colocando na frente do peito, quando Derek passou os braços ao redor dele fazendo assim com que ambos segurassem o papel com as duas mãos. Quando a luz vermelha piscou pela quinta vez, todos se concentraram na câmera sorrindo.

A família completa.