Estressante. Fora a única palavra capaz de descrever o dia de Dulce e Christopher, que embora quisessem demonstrar qualquer afeto em publico sabiam perfeitamente que não poderiam se dar ao luxo de tais ações, até porque à alguns dias atrás ambos juravam se odiar eternamente . Em casa Alexandra e Victor já os aguardavam para um almoço em “família”, situação um tanto constrangedora para Dulce, que embora se esforçasse ao máximo para implicar Christopher como em seu cotidiano não era tão impossível se notar a diferença entre ambos, mas que passaram despercebidos aos olhos ocupados de seus pais. Um trabalho escolar de química fora necessário para separa-los o restante da tarde.

O relógio marcava vinte três horas e dezessete minutos, horário provável para seu “pais” estarem já em um sono bastante profundo , momento propicio para uma visitinha ao quarto do “irmão”. Nenhuma claridade poderia vir do quarto de Dulce para escassear qualquer suspeita que poderia levar a descoberta de seus planos, uma última ajeitada em seu microvestido e uma olhada confundível ao espelho que refletia algo negro. Dois passos para o lado esquerdo a levaria porta de saída, a ruiva só não contava com o pé de sua cama por lhe importunar com uma intensa e incomodante batida em seu dedo menor do pé. Gemer de dor não era a opção cabível naquele momento, fechar os olhos e contar até três foi o necessário para voltar a encoraja-la novamente. Era instigante aquele contra caso as escondidas, a ruiva se sentia a quarta integrante, das “três espiãs demais”, embora não estava por salvar o mundo, teria de ter todas as habilidades que o trio oferecia.

Ucker: Vc tá se sentindo bem?(indagou observando Dulce entrar em seu quarto)

Dul: Não(franziu o cenho) Quer dizer eu acho que não, por que?(roçou discretamente a porta a sua fechadura)

Ucker: Sei lá(deu os ombros desligando a tv de seu quarto)Tá meio pálida.(se levantou indo de encontro a mesma)

Dul: De certo, porque não foi vc quem teve de se esconder de seus pais.(cruzou os braços com uma ironia escoando por todo o quarto)

Ucker: A claro(“roubou” um selinho da mesma) E simplesmente vir ao quarto de seu “irmão” é se esconder dos meus pais?!(arqueou uma das sobrancelhas)

Dul: Na circunstancias que nos encontramos , sim.(concluiu satisfeita com um sorriso bobo em seus lábios)

Ucker: Então acho que vc não vai se importar se eu não te contar sobre uma coisin..(foi interrompido)

Dul: Ain conta logo(fez bico , se recordando do fato)

Ucker: Vc está me saindo uma ótima curiosa(sorriu divertido pincelando a ponta do nariz da ruiva) Não será tão fácil conter essas informações assim, mocinha(cruzou os braços)

Dul: É impressão minha ou vc está me chantageando senhor Uckermann?(deu um passo atrás se distanciando de Christopher)

Ucker: Eu não diria isso(deu os ombros) Mas vamos direto ao ponto,(fingiu pensar por alguns impercebíveis segundos)a cada palavra dita dez beijos, ok!?(deu uma piscadela para a mesma)

Dul: Mas isso é uma extorsão.(negou com a cabeça, buscando guardar seu sorriso)

Ucker: Mas as informações que tenho em mãos são de grande importância a sua pessoa(concluiu prestativo)

Dul: Então primeiro as informações e em seguida o pagamento.(cruzou os braços com os olhos mareados pelo desejo, já supondo que a tal “informação” que Christopher continha era algo um tanto dispensado ao seus tímpanos)

Ucker: Nada disso(negou cm a cabeça) Metade do pagamento terá de ser feito antes do meu trabalho.

Dul: E como saberei a quantia a ser paga?(arqueou uma das sobrancelhas se aproximando do mesmo)

Ucker: Bom, com meus cálculos serão setenta beijos.(concluiu com um sorriso malicioso a lhe encobrir)Mas garanto a satisfação do cliente(Deu uma piscadela para a mesma) Principalmente sobre o assunto “mãe biológica)

O sorriso divertido que caia sobre o semblante de Dulce se transformou em impercebíveis segundos em uma confusa e séria audácia, controlado por um arrepio impermeável de sua vertebra . Apenas de pensar em alguma descoberta sobre sua mãe alguns “sintomas” contraditórios lhe passava a mente e ao seu físico.

Ucker: Que foi?!(acariciando levemente a face da ruiva)Se preferir eu não digo nada do que sei.(deu um carinhoso beijo, lento e calmo, buscando passar todas aquelas sensações a sua “irmã” , após notar que a pegou um tanto desprevenida com tal assunto)

Dul: (engoliu a seco , rolando seus olhos para que não permitisse a saída de nenhuma lágrima a seu rosto) Vc sabe quem é?(indagou receosa, se sentando na cama do mesmo)

Um estrondo de alguma porta se abrir parecia ser ouvido do lado exterior do quarto. Porta..se abrir.. Óh céus! Alexandra e Victor, Concluiu Dulce desnorteadamente em seus pensamentos.