Minha Herança é Vingança

1 Minha Herança é Vingança


Parte 1: Sexo e Sangue
Esse conto se passa no antigo oeste, uma terra sem lei onde os homens eram homens.
Clint é um homem marcado, apesar de jovem e belo seus olhos carregam o peso de uma dívida a ser paga com sangue, vestido inteiramente de preto ele olha para cima, a lua cheia ostenta seu brilho sobre o saloon, local onde dois assassinos foram aliviar suas necessidades carnais. Clint espera por eles.
Anthony e Charlie dividem a mesma prostituta, Tifanny, uma morena de seios perfeitos que geme ensandecida encaixada entre os dois comparsas: Anthony deitado com a prostituta sobre ele, recebendo o outro cliente por trás. A velocidade constante e firme chacoalha seus seios, hora chupados, hora agarrados.
Ao final da gozada a profissional se desencaixa deitando nua na cama, Anthony veste sua calça, seguido pelas botas e sai do quarto seminu “vou mijar” despreocupado atravessa o saloon. Os clientes, em sua maioria bêbados e foragidos, o ignoram.
O banheiro fica do lado de fora, a porta quebrada obriga o criminoso a urinar com a bunda voltada para a lua.
Clint acompanha Anthony com os olhos, assim que o criminoso entra no banheiro para se aliviar o homem de preto caminha em sua direção, ao aproximar-se saca a arma.
— Vire-se – diz o cawboy de preto.
— Não vê que estou ocupado.
— Vire-se agora, Anthony.
— Puta que o Pariu, vá procurar uma puta e me deixe em paz!
Assim que Anthony se vira e ele encara Clint sua expressão muda, não que o tenha reconhecido, mas algo na expressão daquele o assusta, mais especificamente seus olhos, os olhos de um assassino.
— Por que? O que eu te fiz?
— Você se lembra de Bill o Seleiro?
Anthony respira fundo, fazia vinte anos, mas ele se lembrava. Os dois homens se encaram, nenhum ousa mover as pupilas. O criminoso tenta sacar, mas é baleado por Clint que assiste em silêncio seu algoz cair sobre a fossa, em seguida atira mais duas vezes, certificando-se da morte.
O homem de negro coloca sua arma no coldre e entra na Saloon. Uma vez dentro as pessoas espiam curiosas, mas volta a se embebedar e beijar as prostitutas. Clint está calmo, apenas como um profissional acostumado a caçar pode estar, ele atenta a tudo e a todos, cautelosamente sobe as escadas.
No andar de cima aproxima-se do quarto onde os amigos se divertiam até pouco tempo. Charlie estava de pé contra a parede de arma em punho. Depois de ouvir os tiros e não ter resposta de seu companheiro o criminoso preparou para uma emboscada.
Clint fica de pé na frente da porta semiaberta, ele olha para os lados, não encontra ninguém, volta a olha para a fresta deixada pela porta, tem uma bela visão: Tifanny nua, a morena se acomoda na cama exibindo os seios, seu ventre nú, mas deixa a fenda desejada oculta. Clint levanta seu chapéu, olha novamente para o quarto e atira contra a parede.
Charlie espera o momento certo para dar o bote, ele vê Tifanny dando o sinal de que o estranho estava lá, engatilha sua arma quando ouve um tiro. A bala do revolver de Clint atravessa a parede acertando as costas do criminoso que cai no chão, Clint atira mais duas vezes, assim ter certeza de sua obra.
O cowboy entra no quarto e chuta o cadáver, mantendo a calma o pistoeiro recarrega seu revolver, mais seis balas prontas para o uso. Sem olhar para a prostituta ele pergunta:
— Está livre?
— Você matou meus clientes, que morreram sem me pagar.
Clint joga uma bolsa de couro cheia de moedas sobre a garota, que confere assustada com o valor.
— Pertencia ao primeiro homem.
— Tem mais que o suficiente.
— Ele provavelmente roubou de alguém que matou. Chamava-se Anthony, esse aos meus pés é Charlie, o cascavel. Ele deve ter uma igual, se não se importar de pegar dinheiro de um morto é seu, caso contrário será de quem achar primeiro.
— Charlie Cascavel?
— Ele ganhou esse apelido por ser um dos criminosos mais traiçoeiro do estado.
— Amigos seus?
Clint sorri com a ironia — "Não, eu os vi apenas uma vez, foi suficiente".
— Perguntou se eu estava livre.
— E você respondeu que sim.
Clint joga seu chapéu sobre uma cadeira em seguida sobe na cama abrindo as pernas da garota com seus pés, posicionando-se entre os membros inferiores da morena, suas mãos sobem pela cintura, chegando aos seios suculentos, os quais ele acaricia para depois apertar com força, a moça geme para depois sorrir.


Parte 2: Vinte Anos Atrás
Clint, um jovem de 13 anos tenta montar um potro e “tentar” é o verbo certo, seu pai, Bill o seleiro, conhecido por fazer as melhores selas do Texas assiste rindo.
— Homens atravessam o estado a procura de minhas selas e não consigo ensinar meu filho a montar.
— Fique vendo pai, serei o caçador de recompensas mais temido do Oeste.
— Prefiro ter um filho criador de porcos, assim você vai ter uma vida mais longa.
Os dois são interrompidos pelo som de três cavalos. Pierce, temido assaltante de trens, vinha a frente de seus dois comparsas Charlie e Anthony.
— Entre Clint – Bill grita para o filho – não importa o que aconteça fique dentro da casa.
— Mas pai...
— Agora!
Clint não se lembrava de ter visto o pai tão furioso e trata de obedece-lo, o velho Bill se arma com sua espingarda postando-se de pé na entrada do pasto, onde espera pelos três homens, uma semana atrás eles eram quatro e essa diferença matemática o preocupa.
— O que querem?
— É assim que recebe seus clientes? – Pierce não esconde a ironia em sua voz.
— Onde está o Merda de Touro?
— Está morto – Charlie responde com ódio na voz.
— Sinto muito pelo seu irmão.
Os três homens descem do cavalo e lentamente cercam Bill que perde a mira, como não podia atirar em todos decide por focar no chefe.
— O que aconteceu?
— O que aconteceu? O que aconteceu? O que aconteceu? Merda de Touro caiu do cavalo.
— É por isso que o chamavam de Merda de Touro, foi onde caiu na primeira vez em que montou a cavalo.
— Foi — Pierce acende um cigarro, enquanto levanta lentamente o lhar para o seleiro, por detrás desse gesto simples um desejo de matar é revelado.
— O que querem?
— Merda de Touro caiu do cavalo – Pierce repete – essa é uma forma de falar. Outra forma de falar é enquanto estava cavalgando atrás de um trem Merda de ouro caiu do cavalo. Outra forma de contar a mesma história é a sela de Merda de Touro se soltou e ele morreu.
— Não tenho culpa se aquele idiota não sabia selar um cavalo.
— Não house falar assim do meu irmão.
Bill aponta sua espingarda para Charlie, esse foi seu erro, Pierce se adiante desarmando o velho.
O seleiro se vê cercado, a morte era certa. O que não poderia ficar pior fica, Anthony volta de sua casa arrastando Clint com sua arma apontada para a cabeça do garoto.
— O meu filho não, por favor.
— Depende de você velho – Pierce sobe novamente no cavalo.
Uma hora depois os três criminosos penduram Bill pelo pescoço no galho de uma árvore, era um enforcamento comum, com uma exceção. Ao invés de um cadafalso era Clint quem sustentava o corpo de seu pai.
Bill esta pendurado em uma árvore pelo pescoço, seus pés apoiados nos ombros de Clint, o sol do meio dia do deserto texano enfraquece o garoto. Pierce assistia o sofrimento de pai e filho e quando teve certeza de que Bill morreria montou em seu cavalo e rumou ao por do sol, seguido por seus homens.
Clint aguentou o peso do pai por mais duas horas, desidratado até suas lágrimas secaram quando suas pernas fraquejam, seu pai, em um último suspiro lhe diz “Eu te amo filho, espero que um dia possa me perdoar”. Clint cai de joelhos no chão de terra desmaiando sob a sombra de seu pai enforcado.


Parte 3: Um Teto não familiar
Minutos depois um homem já idoso aproxima-se onde Vê pai e filho. Não se sabe por que o cowboy sentiu pena do garoto desmaiado, mas ele desceu do cavalo, deitou Clint em seu colo e lhe deu água, o suficiente para ver se o garoto estava vivo.
Horas depois Clint acorda em uma cama improvisada, ainda ensonado sussurra: “um teto não familiar”, logo se lembra da morte do pai e levanta assustado, o cowboy assiste calmamente enquanto fuma, os dois se olham.
— Agradeça.
— O que?
— Eu salvei sua vida, agradeça.
— Meu pai?
— Morreu.
— Então por que me salvou, preferia estar morto.
O homem saca sua arma apontando para o rapaz, que recua assustado “ele realmente vai fazer isso?” pensa, seus olhos se arregalam, os dentes rangem, o suor brota por sua testa, os olhos se fecham, é quando o homem fala.
— Você mente, seu corpo diz que quer viver. Agora agradeça.
— Obrigado por me salvar... e obrigado pela cama.
— De nada – ele guarda seu revolver – agora me conte o que aconteceu.
Clint narra o ocorrido, o jovem não oculta nenhum detalhe, ao contrário é minucioso em todas as passagens, descreve Pierce e seus homens, contra sobre Merda de Touro e sobre o “julgamento” de seu pai.
— Conheci Bill o seleiro, ele me fez muitas selas, nenhuma delas nunca quebrou.
— As selas do meu pai nunca quebravam.
— Pierce, Anthony e Charlie cometeram um erro.
— Sim, mataram meu pai por algo que ele não fez.
— Não! O erro foi ter deixado você viver.
— O que!?
— Quando se mata alguém não se deixa ninguém para clamar vingança. Agora durma, começamos logo cedo.
Clint não entendeu, mas estava cansado demais para questionar, além disso estava em uma situação que não podia reclamar, ele logo adormece sob o olhar cuidadoso daquele estranho sem nome.
No dia seguinte Clint é acordado com um banho de água gelada. O garoto pula da cama, seu salvador resmunga algo como “venha comigo” e sai da cabana.
Minutos depois Clint sai da cabana, os dois homens estão isolados, sem nenhum sinal de vida por quilómetros apenas dois cavalos selados, um fosso de água e o deserto do Texas. O garoto estranha um dos equinos, ao aproximar-se reconhece o animal que tentara montar na presença do pai.
— As selas também são do seu pai.
— Você roubou?
— Mortos não andam a cavalo.
— Quem é você?
— Eu não tenho nome. Nunca conheci meus pais, ninguém me criou ou me deu um nome, fui crescendo em um prostíbulo, nunca fui batizado tive vinte mães e nenhuma. Por anos fui o caçador de recompensas mais cruel do Oeste, fazia questão de torturar meus alvos antes de mata-los e requerer minha recompensa.
— Por que?
— Negócios, ajuda a pegar criminosos se esses tiverem medo de você. Ninguém gosta da ideia de ser esfolado vivo e jogado sobre um formigueiro.
O homem sorri com a lembrança agradável, Clint é um passo para trás e começa a pensar se eve sorte ou azar.
— Você disse que começaríamos hoje, começar o que?
— Seu treinamento – sem nome acende um cigarro – sou um bastardo que só sabe trepar com prostitutas e matar, a única coisa que posso fazer para ajuda-lo é torna-lo um assassino tão bom quanto eu para vingar-se.
Clint começa a chorar, o que irrita sem nome “pelo amor de Deus” ele aproxima-se do garoto que tenta enxugar suas lágrimas.
— No dia em que meu pai morreu eu disse que gostaria de ser um matador profissional, ele era contra... agora isso...
Antes que pudesse terminar ele é esbofeteado por sem nome que ergue seu pupilo pelo colarinho, olhando-o nos olhos, sua frieza dá lugar a fúria.
— Não se atreva a dizer isso, se quer odiar alguém odeie Pierce e seus homens, seu ódio é sua motivação, a vingança será sua herança.
Nos próximos dias Clint passou por uma verdadeira tortura: ele aprendeu a celar um cavalo, cavalgar, sacar rápido sua arma e aperfeiçoou sua mira, sempre que errava (o que acontecia com frequência) sem nome sacava seu revolver e atirava no chão. Cada vez que o erro se repetia os tiros chegavam mais perto.
Outra tarefa de Clint foi buscar bebidas para seu cuidador, como sem nome se recusava a pagar sua conta Clint precisava correr mais rápido que os donos dos Saloons, que também tentavam mata-lo com porretes e pedras, as vezes atiravam nele.
Sem nome vai para a cidade apenas para frequentar prostíbulos, esses sim ele pagava, “nunca dê calote em uma puta, ela pode cortar o que é seu” demorou um pouco para o jovem entender, e quando compreendeu ficou apavorado, o que adiou sua maturidade sexual em alguns anos.


Parte 4: Por Um Punhado de Dólares
Os anos passaram, sem nome faleceu. Clint fez uma sepultura ao lado de sua casa, o agora adulto ficou conhecido como matador, por ter sido treinado por sem nome criou a reputação de cruel, mas eficiente. Sempe trajar roupas pretas o ajudou a ser reconhecido, assim sua fama o precedia.
Vinte anos depois da morte de seu pai, Clint aproxima-se de uma pequena cidade, trazendo três panfletos de recompensa. Jack quatro dedos e seus dois irmãos costumavam usar o local como ponto de descanso.
A entrada da cidade é uma ampla praça, cuja melhor vista vinha de um bordel. Clint sorri enquanto caminha ao parque de diversões dos adultos.
O lugar é um misto de taberna com puteiro Clint não chama a atenção, “os locais estão acostumados a assassinos e forasteiros”. Senta-se no bar e pede uma dose de whisky, enquanto olha em volta, tudo está como deve ser: jogadores de pôquer trapaciando, bêbados caídos no chão, algumas prostitutas exibindo o corpo.
— A sua saúde “sem nome” – entorna a bebida em um único gole, pedindo mais.
Uma dama da noite aproxima-se, particularmente linda e sedutora, dona de um par seios gigantescos senta-se ao seu lado se inclinando para o cowboy.
— Cuidado para não tombar para frente.
— Não quer vê-los mais de perto?
Clint toma mais uma dose e vira-se para a prostituta, apalpando seus seios , a moça morde o lábio inferior demonstrando prazer ou simplesmento engabelando o pistoleiro, ele não se interessa pela verdade.
— Vamos para cima Cowboy, estou livre nesse momento.
E assim se fez, minutos depois a prostituta entra no quarto rebolando, Clint fecha a porta com o pé, ferozmente ele a agarra jogano-a na cama, com a mesma força a vira e a puxa pelas pernas, abrindo o vestido.
Sabendo que tem pouco tempo ele despe a mulher, encaixando-se entre suas pernas a comendo com estocadas rápidas e violentas, os seios gigantes chacoalham, enquanto ela geme de prazer ou para enganar seu cliente e exigir mais dinheiro, a verdade não importa.
Enquanto Clint se diverte Jacky quatro dedos e seus dois irmãos chegam na cidade a cavalo. Os três homens param na frente do bordel sorridentes por ser a primeiro coisa que enchergam após tanto tempo na estrada.
— Vamos partir amanhã com a luz do sol – diz quatro dedos – sem muita bebedeira.
O plano de Clint deu certo, ele joga a prostituta na cama, virada para cima, com reflexos de felino pega seu rifle e apoia a arma nos enormes seios da moça, sem se importar com o que ela pensa o pistoleiro faz mira em quatro dedos e dispara.
A bala atinge Jacky entre os olhos, o bandido cai morto antes de saber o que aconteceu, seus dois irmãos pulam dos cavalos sem saber de onde veio o tiro; Clint recarrega seu rifle, ainda apoiado nos seios da moça e atira novamente. O coice a arma é absorvido pelas camadas de gordura das mamas da garota que reclama, mas decide ficar em silêncio.
A bala atinge o segundo irmão que cai morto com o peito perfurado, o terceiro finalmente percebe de onde vinham os tiros, corre para se esconder mas tem sua perna alvejada. Enquanto cai no chão sangrando e indefeso Clint dá o tiro de misericórdia.
Dentro do quarto o matador levanta-se e guarda o rifle nas costas, ele pega dois dólares e paga a prostituta, que massageava os seios doloridos.
— Se serve de consolo foi o melhor apoio que tive.
Sem ouvir a resposta, que foi mal educada, ele sai do quarto caminhando tranquilamente pelo saloon, o qual atravessa imponente e vai à praça principal, onde coloca o cadáver de cada bandido sobre um cavalo, amarra os corpos, prende o animal a sua montaria e reboca os criminosos para receber sua recompensa, os outros dois cavalos também foram rebocados e seriam vendidos aumentando seu lucro.
Parte 5: Um Homem Mau
Fim do interlúdio, voltamos aos dias atuais, Clint cavalga sob densa chuva, seus olhos vidrados na vingança, o destino Small Valley uma pequena cidade onde encontraria Pierce que segundo suas fontes ele vivia no anonimato. Ao entrar na cidade seu coração acelera, em breve teria vingança por seu pai.
O cowboy apeia seu cavalo e entra no saloon. Bebidas, mulherese jogos por todo o lado, mas havia algo de diferente no local, parecia excessivamente limpo e ordeiro. Ua rápida olhada em volta ele destacava-se por estar molhado e armado.
— Em que posso ajuda-lo? – um barman sorridente vestido em um terno impecável posta-se ante o forasteiro molhado e sujo pela lama.
— Vou precisar de um quarto para duas ou três noites e um jantar quente.
— Muito bem, são cinco dólares adiantados, o banho é por conta da casa.
— Banho?
Clint cheira debaixo de seu braço fazendo uma careta logo sua atenção é desviada por uma estalajadeir que serve como guia mostrando o lugar, além de bonita a moça se mostra excessivamente sorridente.
Uma vez sozinho o assassino bloqueia a porta de seu quarto com uma cadeira, tira a roupa suja e deita-se na cama, ansioso pelo dia seguinte.
Ao nascer do sol o prefeito sobe no palanquecentral e faz um discurso sobre o progresso, ferrovias e um tempo de paz. Sua esposa e filhos o acompanhavam. A multidão que se reuniu para ouvi-lo. Clint assistia tudo de longe, ele é o único a conhecer a verdadeira identidade do prefeito, Pierce o assassino de seu pai.
— O prefeito Martin é um homem a frente do seu tempo.
Clint olha para quem falou aquelas palavras e reconhece a estalajadeira da noite anterior.
— Você mostrou meu quarto ontem a noite?
— Glory-Anne, muito prazer em finalmente conhece-lo estranho.
— Clint – ele se encanta com o olhar puro daque mulher – Prefeito Martin, você disse?
— Sim, ele chegou a essa cidade quinze anos atrás, nem sei se dá para chamar de cidade, era um buraco repleto de criminosos. O prefeito afugentou todos, construiu uma delegacia e um bar. Um de frente para o outro.
— Sutil.
— Funcionou, desde então a ordem foi se instalando e os poucos baderneiros que chegavam eram logo expulsos.
— Um bom atirador.
— Não, de certo ele teve que recorrer a violência, mas foi por pouco tempo. O prefeito chegou com uma boa herança e bons estudos, nos ensinou sobre prosperidade e cultura, sua terceira obra foi uma biblioteca. Ele contratou bons pistoleiros para serem homens da lei, exigindo o respeito e boa educação de todos em nossa cidadezinha.
— E a cidade renasceu – Clint completa a frase de Glory-Anne fixando o olhar no rosto do assassino de seu pai.
— O prefeito Martin é o homem mais honrado e bondoso que conheço. Ele é incapaz de fazer mal a quem não mereça e mesmo para aqueles que merecem o prefeito dá um prato de sopa e os manda embora com algum dinheiro — os olhos da estalajadeira denunciam o fogo da paixão — ele está sempre disposto a ajudar os necessitados. Nessa cidade ninguém passa fome ou passa frio.
Pierce/Martin termina seu discurso, desce calmo do palanque seguido de sua família, Clint o mira a distância, tentando gravar seu comportamento, quem o cerca, possíveis destinos e mais importante quantos homens o cercam.
— Ainda não acredita em mim?
— Desculpe Glory-Anne, mas duvido que exista alguém assim.
— Eu vou provar, seu bufão arrogante!
A moça agarra a mão de Clint e o arrasta pela multidão até Pierce/Martin, o matador fica apavorado e se aquele homem o reconhece? Seria o fim de sua vingança, o fim de sua vida.
— Prefeito Martin – Glory-Anne corria animada arrastando o homem de preto pela mão – prefeito Martin, por favor espere.
Pierce/Martin a ouve o olha gentilmente para a garota.
— Glorry-Anne, minha querida, em que posso ajuda-la?
— Em algo muito importante! Esse cavalheiro, Clint se não me engano, não acredita que o senhor possa ser o melhor prefeito do país. Por favor trate de convence-lo.
— Clint? Muito prazer, me chame de Martin.
Ele estende sua mão para o rapaz que reluta em comprimentar o assassino de seu pai, mas acaba se forçando, mantendo assim seu disfarce.
O prefeito tem um aperto de mão firme e um sorriso bondoso, de nada lembra Pierce o líder de um grupo de assaltantes e matadores.
— Por favor ignore os excessos de Glory-Anne. Ela é uma entusiasta do meu governo.
— Devo dizer que não é comum um prefeito conhecer os nomes dos moradores de sua cidade, não fora da época das eleições.
Pierce/Martin ri da provocação, concordando com o forasteiro “temos um desconfiado por aqui”.
— O passado não trás boas lembranças — o olhar de clint torna-se sombrio e ressentido, seu sorriso revela o prazer em matar.
— Por isso chama-se passado, todos temos algo que nos atormenta, devemos deixar para trás. No passado.
— Não se ele voltar para cobrar o seu preço.
— Ouça meu rapaz, eu não sei o que aconteceu com você, mas preciso superar. É possível ser uma nova pessoa. Só o que precisa é de uma chance e pessoas que o aceitem. Por que não fica por algum tempo, quem sabe se renove e se case com uma bela moça como Glory-Anne.
A garota fica vermelha, Clint percebe que estava tomado pelas emoções e se controla pedindo desculpas Pierce/Martin acena com a cabeça e se despede.
Oassassino de preto encontra-se só ao lado da bela estalajadeira que pula de alegria por ter sido vista como mulher, porém nem a mulher mais bonita do mundo atrairia a atenção de Clint que observa as costas do prefeito se afastando, eis que as palavras de sem nome lhe vem a cabeça: "Sou apenas um bastardo que só sabe trepar com prostitutas e matar".
Naquela noite Clint senta-se em uma cadeira a frente da estalagem, bebendo a luz do luar, Glory-Anne aproxima-se dele sentando-se com delicadeza. Seu sorriso ilumina a escuridão e acelera o coração de Clint.
— No que está pensando Cowboy?
— No futuro e no passado.
— Parece complicado.
— Você não faz ideia. O futuro de alguém pode ser determinado por um evento isolado?
— Acredito que cada um de nós faz sua escolha.
— Mesmo se esse evento teha deixado marcas impossíveis de se superar?
— O que aconteceu?
— Quer mesmo saber?
Ela faz que sim com a cabeça, mantendo um olhar determinado, por algum motivo Clint sente que pode confiar parcialmente seu segredo a ela.
— Meu pai foi morto muitos anos atrás, eu fui criado por um matador de aluguel que me fazia roubar bebidas e limpar sua casa, além de conseguir dinheiro independente do mérito.
— Parece um homem terrível.
— Não, ele eraduro mas me amou... a sua maneira, ele me ensinou tudo que sei sobre jogos, mulheres e minha profissão.
— Já parou para pensar que você está na profissão errada? Você é um matador, mas nada de bom pode vir da violência.
Clint olha em volta pensando: "Ah, se você soubesse que a cidade que tanto ama só existe por causa de roubos e assassinatos" — ele volta o olhar para a bela Glory-Anne e continua o diálogo:
— Eu passei minha vida com um ideal, algo que faria com que eu superasse o que me aconteceu, mas de repente é como se nada mais fizesse entido. Ao mesmo tempo não posso deixar para trás, não posso ignorar.
— Algumas coisas precisam ser resolvidas – Glory-Anne encara Clint – o passado não diz quem nós somo, mas sim o que nós fizemos. Você tem que ser o homem que você é Clint. Só assim vai ser livre.
A moça encosta sua cabeça no ombro do matador, que volta a olhar a lua, algo em seu olhar mudou, ele tenta digerir a decisão tomada.
Horas depois, perto do sol nascer Clint encontra-se parado na porta da casa do prefeito segurando um machado com as duas mãos, ele aperta a ferramenta como alguém segura seu bem mais precioso.
Um passo para frente, é impossível voltar atrás. Ele tem um palpite e acerta a porta estava destrancada, todos na cidade respeitavam muito Pierce/Martin para entrar em sua casa sem permissão, a civilidade o ajuda.
Dentro da luxuosa casa o homem de preto caminha sorrateiro até o andar superior, onde abre uma porta. É o quarto de um dos filhos, aproxima-se da cama do menino, vê o sono dos incentes, sua sombra recobre o pequeno anjo e com um movimento brusco Clint abre a cabeça do garoto com o machado, nenhum dos dois sentiu nada.
Em seguida vai ao quarto da filha, Clint pensa que ela é a princesinha de Pierce, imagina quantas vezes o prefeito chegou cansado em casa e se alegrou ao brincarcom ela, a doce cena faz o golpe do machado ficar mais pesado. O sangue da garota respinga no rosto sem expressão do assassino. É quando ouve o som de alguém no corredor.
A primeira dama da cidade caminha apressana na direção do quarto dos filhos, ela acredita ter ouvido um ruído e não quis acordar seu marido.
Clint deixa a porta do quarto da menina entreaberta e posiciona-se ao lado, contra a parede e com o machado nas mãos, uma coisa que ele sabe é esperar. A mãe entra apressada e vê o corpo de sua filha desmembrado, antes que possa registrar o ocorrido, pensar ou até mesmo gritar é atingida no abdomem pelo machado.
A mulher cai de joelhos em um grito surdo, lágrimas lhe escorrem dos olhos, sangue respinda da boca manchando o assoalho de madeira. Com um segundo golpe Clint decapta a mulher.
Naquela manhã a cidade só falava da tragédia na casa prefeito. Quando o sol nasceu ele iluminou a cabeça das duas crianças e da mulher fincadas no centro da praça. Clint assiste de seu quarto a comossão das pessoas, um sorriso brota em seu rosto quando vê Pierce cair de joelhos chorando.
Pierce/Martin manteve-se recluso em seu gabinete, em sua memória o bilhete encontrado junto ao corpo sua esposa, escrito com sangue. Um desafio marcado ao por do sol.
Glory-Anne passa o dia chorando pela tragédia porém um terrivel presentimento toma conta de seu ser, ela começa a juntar as peças: como Clint olhava para o prefeito, sua história triste e suas palavras: "Algumas coisas precisam ser resolvidas. O passado não diz quem nós somo, mas sim o que nós fizemos. Você tem que ser o homem que você é Clint. Só assim vai ser livre.". Ela chora.
Por um decreto do prefeito dodos devem entrar em suas casas as cinco da tarde, assim as sete horas, Pierce/Martin espera pelo assassino de sua família.
Ao horizonte um homem de preto cavalga até a praça a uma distância média do prefeito e começa a falar:
— Vinte anos atrás você, Charlie Cascavel e Anyhony mataram o meu pai, Bill o seleiro.
— Aquele garoto – Pierce fala para si mesmo – não tem um dia que eu não pense no que aconteceu com aquele garoto.
— Ele cresceu e veio atrás de sua vingança.
— Por que? Se queria sua vingança bastava vir a mim. Por que matou minha família.
— Eu procurei por um assassino e encontrei um homem bom e gentil, não fazia sentido me vinga de Martin, precisava fazer você voltar a ser o homem de vinte anos atrás.
— Você é um monstro — sua voz sai tremida de dor e desespero.
— É... ações trazem consequencias.
Os dois homens olham-se com ódio, cada um dá um passo para frente, seus dedos tocam o revolver, outro passo e o coldre é aberto. A lua atinge seu ápice iluminando os dois homens que sacam suas armas e atiram. Ambos caem no chão.
A luz da lua recobre a cidade, Glory-Anne, que assistiu a cena atônita não tem forças para enxugar suas lágrimas, os dois homens estão caídos. Clint levanta-se com dificuldade, seu braço esquerdo foi ferido. Uma vez de pé mira sua arma para o corpo de Pierce estirado no cão e dispara mais duas vezes.
O homem de negro passa cambaleando ao lado de Glory-Anne, a garota encontra-se em choque. Clint para ao lado dela, ele olha para baixo esperando que a moça fale, mas ela só gagueja.
— Não vou pedir que me perdoe, pois eu não perdoei Pierce pelo que ele me fez.
— Você destruiu nossas vidas, destruiu essa cidade.
— Estou indo, se algum dia quiser vingança me procure.
Alguns passos a frente Clint monta em seu cavalo e segue rumo ao horizonte escuro.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!