Minha Doce Menina.
87 Descoberta.
Estava muito nervosa, andava de um lado para o outro sem conseguir pensar em como deveria começar. Ele apenas a olhava e sorria. Sua mulher era linda, em todos os aspectos. Levantou-se e a abraçou, fazendo com que ela se sentisse segura.
- Eu não sei se vou conseguir... – Ela disse nervosa.
- Acalme-se minha querida e tudo se resolverá. – Ele acariciava seus cabelos.
- Se ao menos você estivesse lá comigo...
- Já sabe que não devo, afinal vocês são os pais de Natsumi. Não eu. Vocês devem resolver esta situação.
- Sim, eu sei. Mas é que... – Ela suspirou. – Eu gostaria que você fosse o pai da minha filha. – Ele sorriu um pouco e beijou a testa da humana. Continuou assim por muito tempo, até que sentiu o cheiro de Raiden se aproximar.
- Ele está vindo. – Ela ficou tensa sobre seu abraço e depois o soltou.
- Vamos acabar com isto de uma vez. – E se dirigiu em direção à porta. Antes de sair, virou-se para ele. – Não vai me desejar boa sorte?
- Você saberá como proceder. – Ele respondeu e ela enfim saiu do quarto.
A porta foi aberta para Raiden e logo seus olhares se cruzaram. Ele pôde perceber que o coração dela estava acelerado e pela forma como seus olhos estavam abertos, ela estava nervosa.
- Vamos direto ao que interessa, já que é para isso que você veio até aqui. – Ela disse impedindo qualquer tipo de outro assunto entre ambos. – Kori.
- Sim senhora. — Disse a empregada youkai.
- Chame Natsumi, por favor.
- Sim senhora. – A empregada se retirou e os minutos que se seguiram somente com antigo casal na sala foram tensos.
Ela não olharia em seus olhos, muito menos começaria qualquer conversa. Então achou melhor voltar a fazer o que fazia em seu quarto: andar de um lado a outro. Ele continuava a observando e se ela ainda fosse sua mulher, ele a abraçaria e beijaria sua testa, mas por seu cheiro, o youkai pôde deduzir que Yosuke já havia feito isto.
Não demorou muito para que Natsumi chegasse e o desespero tomou mais uma vez conta de Akiyo. Ao ver a filha se aproximar e sorrir ela perdeu todas as palavras que havia ensaiado para dizer e tudo ao seu redor pareceu girar. Não tinha um apoio, não tinha uma ajuda e se viu perdida. Iria se desesperar, mas sentiu um toque em seu braço. Olhou para trás e encontrou os olhos vermelhos de Raiden bem próximos aos seus e se o coração já estava acelerado, agora havia perdido o controle.
- Acalme-se. Tudo correrá bem. – Ele disse em um tom baixo para reconfortá-la.
Seis anos após sua separação e aquele toque ainda era quente e reconfortante. Aquela voz ainda lhe causava o alvoroço de borboletas em seu estômago. Os olhos vermelhos do youkai tinham um poder inenarrável sobre si e ela se perdeu naquela imensidão rubra. Ela não sabia como, mas ele conseguia acalmá-la de uma maneira inacreditável.
— Raiden! – A voz de Natsumi quebrou o contato visual de ambos, pois estes direcionaram seu olhar a hanyo. Ela correu até o youkai que a pegou no colo.
- Como você está minha pequena? – Ele perguntou sorrindo.
- Muito bem Raiden e você?
- Estou bem. – E um sorriu para o outro.
Akiyo olhava aquela cena em silêncio. Ela tanto quis que isto acontecesse, lutou tanto para que se realizasse e agora que via tudo que sonhou acontecer, sentia seu coração não mais pular no peito. Era bom ver a filha em um relacionamento com o pai, mas ela queria ter visto sendo sua esposa.
Mas a vida é traiçoeira e, na maioria das vezes, não concede o que se espera. Esta realidade era a de Akiyo e ela aprendeu a aceitar. Aprendeu a viver sem ele.
- Filha. – Chamou a humana e Natsumi logo a olhou. – Raiden e eu precisamos conversar com você.
- Mamãe a senhora vai brigar comigo? Eu só deixei um pouquinho da comida... – Ela disse fazendo bico.
- Não meu amor. Não vou brigar com você. Venha aqui. – Ela estendeu os braços e Raiden colocou a filha no chão. Akiyo sentou-se no sofá e segurou as duas mãos da menina. Os olhos mel, fixos nos olhos vermelhos.
- O que foi mamãe? – Perguntou a menina séria.
- Natsumi, se lembra do que a mamãe lhe contou sobre minha vida antes de você nascer? – Começou Akiyo.
- Lembro. – Ela disse ainda séria.
- Lembra-se que a mamãe disse que um dia amou muito um youkai e desse amor nasceu você?
- Lembro mamãe. – Ela confirmou aflita.
- Então meu amor a sua mamãe fez uma coisa muito feia para seu pai e como ele ficou triste comigo eu fui embora. Mas ele não sabia para onde eu havia ido, então ele nunca te encontrou.
- Eu já sei mamãe.
- Mas agora filha, nós estamos morando bem perto dele e ele quer que você saiba quem ele é.
- Meu papai... Está perto de mim?
- Sim meu amor. – Akiyo respondeu.
- E quem ele é mamãe? — Agora não cabia mais a Akiyo falar, então ela apenas olhou para Raiden.
- Sou eu Natsumi. – A pequena se virou para ele. – Eu sou o seu pai.
Um longo silêncio se fez e Natsumi reagiu totalmente diferente do esperado. Ela ficou séria e pensativa. Olhou para baixo e pareceu questionar-se sobre algo. Akiyo ficou ainda mais nervosa, não sabia o que se passava pela mente da filha.
- Raiden. – Ela o chamou e ele já estava com os olhos fixos nela. – Porque você não me quis?!
- Natsumi... – Ele tentou falar.
- Não foi nada disso filha. – Akiyo interferiu. – Seu pai sempre te amou muito. Sempre pensou em você e nunca quis te abandonar. Ele só não sabia onde você estava.
- Natsumi. – A pequena o olhou e ele se aproximou dela. – Mesmo que eu não estivesse por perto, não houve um só dia em que eu não pensei em você ou em sua mãe. Não sabia onde estava e por ser um dos generais de Sesshoumaru-sama não podia sair em viagens longas para caçadas, mas agora é diferente. Eu sei quem você é e você já sabe quem eu sou. Eu te amo filha e te amei desde o dia em que você chutou a minha mão enquanto estava na barriga de sua mãe.
Akiyo não pôde conter o espanto ao ouvir estas palavras. As lágrimas tomaram seus olhos e lhe escaparam. As palavras de Raiden tocaram profundamente seu coração e ela jamais imaginou que ele havia se preocupado ou mesmo pensado em sua filha. Ela sentiu em seu coração que ele seria um bom pai.
- Porque está chorando mamãe? – Perguntou a hanyo e neste instante os olhos de Raiden cruzaram-se com os olhos dela.
- Nada filha. – Ela continuou olhando o youkai. — Só estou muito feliz por finalmente você conhecer seu pai. – Ela agora sorriu e alisou os cabelos da menina, olhando para a mesma.
Natsumi olhou para o pai e continuou assim por um bom tempo até que cedeu ao que seu coração tão jovem pedia. Aproximou-se dele e estendeu os braços para que ele lhe desse colo e assim ele fez. Pegou a pequenina e a abraçou fortemente. Fechou os olhos naquele momento ao sentir o calor da filha.
- Eu te amo minha pequena. – Akiyo se levantou neste momento e pousou sua mão as costas da menina.
- Eu também te amo minha estrelinha. – Natsumi então olhou para ela e soltou um de seus braços do pai para colocar na mãe. O antigo casal ficou assim, ligado pela filha.
- Agora eu tenho uma mamãe. – Ela beijou o rosto da humana. – E um papai. – Beijou o rosto do youkai.
- E eu tenho a filha mais linda do mundo! – Exclamou Raiden jogando-a para o alto e fazendo com que ela gargalhasse. Akiyo não pôde deixar de observar a cena, ainda mantinha um sorriso enorme no rosto. Nem se deu conta de que fazia tal coisa, mas estava feliz pelo que esta presenciando.
*
Estava angustiada. Sentia a agonia em seu peito crescer cada vez mais. Foram necessários anos e anos de enganação para que ela se desse conta de que estava sozinha. O único amor de sua vida, agora dedicava-se a outra mulher. Seu atual marido amava a outra mulher. Seu filho amava a outra mulher e quem a amava? E quem se preocupava com ela?
Ninguém. Se morresse alguém se importaria? Se sumisse alguém a procuraria? Não. Mais uma vez a dor em seu peito aumentou e ela não pôde conter a vontade de chorar que lhe tomava. Solidão era o pior castigo que ela poderia sofrer.
- Mamãe? – Chamou o hanyo.
- Sim Kenichi. – Ela secou os olhos para que o filho não desconfiasse de seu choro.
- Papai já está me esperando... Porque está chorando? – Ele perguntou preocupado.
- Eu só sinto saudade da minha família filho, nada demais. – Ela se virou para o menino e se colocou frente a ele.
Ao ver os olhos da criança preocupados não pôde deixar de ceder às lágrimas. Ajoelhou-se e o abraçou apertado. Chorou tanto que as lágrimas molhavam a roupa do menino.
- Filho... Eu te amo. Eu te amo mais do que a mim mesma. – Ela chorava muito. – Você é tudo o que eu tenho. É a coisa mais valiosa da minha vida. – Ela apertou ainda mais o abraço e neste instante Yosuke adentrou o local.
Ficou preocupado ao ver a cena. Os olhos de Kenichi estavam confusos e quando olhou para o pai, este pôde perceber que ele não sabia o que se passava. Aproximou-se dela e a segurou pela cintura, fazendo com que ela se levantasse para mirar-lhe. As lágrimas ainda escorriam por seu rosto como cachoeiras.
- O que está acontecendo Nobuko? – Perguntou o youkai. Ela podia sentir a desconfiança em sua pergunta, podia sentir também a distância que ele tentava manter e sentiu agora a dor em seu peito aumentar. Como no dia anterior, esta se transferiu para o ombro e era tão intensa que fez com que suas pernas bambeassem.
- Deixe-me ficar com Kenichi hoje, por favor. – Ela dizia ainda entre o choro. O youkai olhou para o menino, que estava muito preocupado.
A verdade era que Kenichi amava e muito sua mãe mesmo que ela não fosse uma boa pessoa. Ele nunca a deixaria, muito menos quando ela chorava tanto. Ele gostava de quando ela sorria e o abraço que recebeu agora, fez seu coração aquecer por ela.
- Papai. – Disse Kenichi em um tom de pedido.
- Tudo bem. – Disse o youkai.
- Vamos mamãe. Vamos para o quarto. – Disse o pequeno hanyo.
Mas antes de ir, Nobuko olhou para Yosuke mais uma vez. Ele estava tão bem, tão feliz. Ela não tinha o direito de interferir em sua vida e muito menos tentar algo. Ele quis que ela fosse sua mulher novamente, mas ela preferiu a vingança e estava sofrendo as conseqüências.
- Obrigada Yosuke. – Disse sinceramente e juntamente com Kenichi se retirou do local.
O youkai olhava a mulher tendo os olhos em fendas, mesmo que seu olhar e seu choro parecessem sinceros, algo o levava a crer que aquilo era mais profundo. Mesmo assim decidiu não dar importância. Ela tinha marido, então ele era quem deveria preocupar-se com ela.
*
Já andavam há bastante tempo sem descansar. Como sempre o silêncio reinava entre eles, mas este não era incômodo. Pelo contrário, era comum. Sesshoumaru sempre fora assim e todos já estavam acostumados.
Mas como sempre Jaken estava aflito e queria saber para onde o youkai levava a eles. Andaram por uma mata densa e chegaram próximo a uma área escura por motivo de árvores gigantescas crescerem uma por cima das outras. Jaken ficou um pouco amedrontado, mas Hideaki ficou atento. Sentiu a presença de um youkai por perto.
- Enfim cumpriu sua palavra. – Iniciou Sesshoumaru, após parar para começar o diálogo.
- Tenho de obedecer às ordens do herdeiro de Inu no Taisho.
- Hum... Debochado como sempre.
- O que quer de mim, nobre senhor? – Perguntou o youkai.
- Quero que treine minha fêmea. Ela quer estar apta para a luta.
- Oh, quem diria?! Sesshoumaru-sama, o terrível e impiedoso youkai que odiava humanos e vivia para a luta está casado e ainda por cima com uma fêmea humana. Despertou-me a curiosidade de conhecê-la. Acaso ela é uma feiticeira Sesshoumaru?
Hideaki rangeu entre os dentes, não gostou da forma como o youkai se referiu a sua mãe.
- Oh, quem é esta pequena cria que está rangendo para mim? – Perguntou ainda o youkai na escuridão.
- Hideaki, meu herdeiro. – Respondeu Sesshoumaru.
- Ainda não acredito no que ouço. Sesshoumaru é marido e pai?! Você já a marcou?
- Mas que homem desrespeitoso! Não se esqueça com quem está falando! Ou Sesshoumaru-sama arrancará sua cabeça! – Gritou Jaken.
- Ainda com este velho verde?! – Direcionou a pergunta a Sesshoumaru. – Ele já nem se lembra de minha fala. – O youkai decidiu então se revelar.
Hideaki ficou atento e Sesshoumaru impassível como sempre. Até que calmamente, o youkai apareceu. Pela cor dos olhos que eram dourados, podia-se perceber que era um Inu youkai. Também possuía os cabelos platinados, mas não tinha qualquer outra semelhança com Sesshoumaru. Era tão alto e forte. Quando enfim estava sobre a luz, olhou para todos a sua frente e sorriu.
- Eu aceito o que me propôs primo.
- Ka... Ka... Ka... Ka… Ka… Kaname! – Exclamou Jaken.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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