Notas iniciais
Desculpem pela demora, sei que da última vez prometi não demorar tanto, mas aconteceram imprevistos. Vou tentar não demorar tanto para postar daqui para frente, mas acho que só vou poder postar nos finais de semana. Bem, não vou mais tomar o tempo de vocês.
Bjs com Gloss! Aproveitem ;D

-Onde eu vou dormir? – A ruiva perguntou subindo as escadas, com suas malas recém-pegas da sala de estar.

-No quarto de hóspedes. – Respondi. E logo desviei o olhar para Amanda Clark de Revenge no canal Sony. Ouvi os passos dela subindo as escadas, mas logo parou, não liguei, apenas quando ela começou a falar.

-Kevin... – Olhei para ela. Ela sabe meu nome? Não me lembro de ter dito à ela. Ou disse? Indaguei à mim mesmo – Vou dormir um pouco no quarto. Então... Posso demorar a voltar aqui, tudo bem?

-Que seja ruiva! – Ignorei. Pude sentir que ela bufou e revirou os olhos enquanto subia as escadas.

Passaram-se cerca de 10 minutos. Me surpreendeu o silêncio que ela conseguia fazer. Fala sério, a garota ficou tagarelando durante meia hora, sei lá sobre o que, e de repente, do nada ela fica em silêncio. Vá entender.

O silêncio deixou de existir durante um segundo, pois ouvi um barulho vindo da cozinha. Aquelas risadas outra vez, os passos rápidos... Não conseguia ver quem era, mas surgiam desenhos em minha mente, era Alex, ela estava correndo e sorrindo. O que ela estava fazendo ali naquele gramado? Abri os olhos e vi que estava em casa, não saí do lugar, e aquela visão de Alex não passou de um devaneio que durou menos de quatro segundos. Sacudi minha cabeça, com medo de que aquilo voltasse a tomar conta de mim, eu não queria, não suportaria de jeito algum a viver como vivia antes, não aguentaria enlouquecer outra vez. Mas o agora me obrigou a prestar atenção no que estava acontecendo, um barulho de vaso quebrado, flores espalhadas pelo chão e a água passando pelo vão do piso. Meus passos lentos se tornaram rápidos e em um único passo me vi na cozinha, meus olhos se direcionaram à pia e ao vaso azul da dinastia Ming cheio de flores rosadas, mas ele não estava quebrado, estava tudo no lugar, ali não havia ninguém, o barulho acabou-se e só estava eu e meus pensamentos. Será que eu estava louco? De onde vinham estas visões, essas espécies de trailers bagunçados em minha mente, e o mais importante... Como desapareciam?

-Muito engraçado! – Gritei. Foi a única coisa que passou por minha mente para dizer, para me convencer de que eu não estava louco. – Se acha que pode me assustar com esse seu truquezinho, peste, você está muito enganada!

Sem nenhuma reação, sem nenhuma deixa. Resolvi subir as escadas, lentamente. No ultimo degrau me dei de cara com a porta semifechada do meu quarto, o espaço aberto dava pra ver o porta-retratos em cima da minha escrivaninha, lembrei-me dos bons tempos. Obriguei-me a subir o ultimo degrau e a virar para a direita, onde estava a porta roxa com as letras diferentes umas das outras recortadas de uma revista, que formavam a frase “Bem-vindo hóspede”. Como se aquela peste fosse bem vinda aqui.

Esforçando-me muito para ser bem educado, resolvi fazer uma coisa bem cavalheira, tipo bater na porta.

-Ruiva! Você tá aí, criatura? – Meu pai tinha razão, às vezes algumas pessoas podem deixar outras bem educadas.

Bati outra vez, mas não houve resposta, então eu abri de uma vez.

Olhei em volta, meu Deus! Ela não fez isso. Ela não fez isso. E... O que mesmo? Ah é, ela não fez isso!

A janela estava aberta, o vento batia na cortina alaranjada que esvoaçava para dentro do quarto, típico da cena do Peter Pan. Pena que a ruiva não serve para ser uma boa Wendy. Qual Peter Pan iria querer levar ela para a Terra Do Nunca? A menos que fosse a terra do nunca mais quero te ver. Ou nunca mais use pente, por que para ter um cabelo igual ao dela, acho que esse é o mais adequado. Espera, o que eu estou falando? Eu tenho que achar a garota, meu pai vai me matar se souber que ela fugiu, já estou até imaginando a cara dele. Se ele descobrir, dessa vez vai ser a Terra Do Nunca Mais Veja A Luz Do Dia, com letra maiúscula.

Desci as escadas e saí correndo rua a fora. Mas onde eu a procuraria? Onde ela poderia estar? Eu nem tenho ideia de onde ela iria e... Espera um pouco... A conversa que nós tivemos! É isso. O que ela disse mesmo?

Manhattan. Mas que droga!”

Do que você está falando?”

“Eu só esperava que ele me mandasse para um lugar mais descente”.

Ai não! Será que ela voltou para Londres? Péssima escolha, quer dizer, não é hora para criticar outro país, mas... Ah tá, ok. O que eu faço?

Peguei meu carro e fui até o aeroporto que fica há 20 minutos daqui, é o mais próximo. Entrei e dei uma olhada, ela não estava lá, e acredite, eu saberia reconhecer um poodle ruivo em meio à multidão. Rodeei o lugar e não a encontrei. Ela não poderia ter ido tão longe. Saí de lá de dentro, e logo que tomei ar fresco, lá estava ela. Correndo, porém logo parou, não sei se foi por me ver ou por não poder atravessar a rua devido ao transito. Ela me encarou de um jeito que me fez envergonhar-me da minha tentativa de assusta-la, ela não esboçou nenhum pouco de medo, apenas deu um sorrisinho torto, desafiando-me. Dei uma rápida olhada em suas calças jeans largas, e em suas botas marrons folgadas, sua blusa preta com o nome de uma banda de rock, e por fim, em suas mãos, o que me surpreendeu não ter nenhuma mala ou bagagem.

Quando os carros passaram e deu sinal vermelho, eu saí correndo atrás dela. Ela começou a correr em direção a uma praça pública, ficou bem mais difícil eu tentar pega-la, pois aquele local estava cheio de pombos voando e me impedindo de enxerga-la direito. Até que, finalmente, os pássaros saíram do caminho. Aconcheguei meus pés nos meus tênis All Stars e corri ainda mais rápido, daria certo se a criatura não tivesse desaparecido completamente. Não via ela em lugar algum, espera um pouco... Avistei-a atrás de uma pedra no chão olhando de esgueira para ver se eu estava por ali. Dei a volta de mansinho para ela não me ver e quando cheguei do outro lado da pedra pretendia dar um susto nela e pega-la antes que pudesse fugir, mas ela me viu e se assustou.

Preparei-me para pegar em seu braço para impedir que ela fugisse, mas quando ela ia começar a correr, viu que seu pé estava preso na junção da pedra fixa no chão e uma menor ao lado dela. Quando seus olhos encontraram os meus, ela começou a gritar alto, pedindo socorro. Nisso, eu revirei os olhos e me ajoelhei pegando em seu tornozelo e desprendendo seu pé. Ela me olhou por um segundo antes de sair correndo em disparada, dessa vez, parando de gritar. Correu uns dez passos e depois, de repente, parou. Ficou parada de costas, enquanto eu aguardava uma reação. Então ela foi virando-se devagar. Começou a caminhar em direção a mim. Saí de cima da pedra com um olhar superior, esperando as suas explicações.

-Acho que não começamos bem. – Disse ela. Levantei as sobrancelhas. – E... O que você acha de nós tentarmos nos dar bem? – Propôs. Abri um sorriso.

-É claro! Sabe, eu acho você uma garota bem legal! – Exclamei.

-Sério? – Sorriu esperançosa. Sorri para ela.

-NÃO! – Gritei. Em um movimento rápido a puxei e a coloquei em meu ombro esquerdo, a ouvindo gritar no meu ouvido e dar socos nas minhas costas.

-Me Larga! NÃO! Me larga seu miserável, idiota.

-Nossa! Essa magoou – Ironizei.

Tentei me concentrar na garota, mas a praça pública é o lugar ideal para se encontrar gatinhas. Principalmente aquela loira que já estava de saída, acenou pra mim sendo retribuída por um sorriso charmoso pertencente a mim. E... Nisso a ruiva aproveitou para me dar um chute no estomago e se desprender de mim, saiu correndo, e óbvio, tentei persegui-la. Corríamos muito rápido, e foi nessa hora que percebi que devia parar de tomar Coca-Cola. Pude ver que a ruiva já estava cansada, aproveitei esta oportunidade para correr mais rápido e, felizmente, consegui alcança-la quando íamos atravessar a rua. Parei quando cheguei até ela e agarrei o seu braço, e quando ela me viu, se assustou, e tentou se desprender de mim novamente. Mas ela não viu que naquele mesmo instante estava passando um carro.

O barulho de todas as pessoas em nossa volta foi calado pelo barulho do freio do carro daquele motorista. Uma distancia de um centímetro para a ruiva e o carro de tocarem. E meus olhos arregalaram-se quando vi a menina tropeçar no asfalto esburacado, e, devido ao susto, desmaiar caindo de boca no chão. Seus cabelos ruivos espalhados pelo seu rosto.

O que eu faço agora?

Acho melhor eu deixar para pensar nisso no hospital.

Ou na delegacia, quem sabe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.