Minha Amiga Imaginária
2 Limusine Branca
Notas iniciais
Bem, esse capítulo, como eu disse, está maior! Mas não vai aparecer a Alex ainda. Sorry se queriam que ela aparecesse (no próximo). Também queria colocar ela nesse capítulo, mas depois de muito pensar, sabia que não ia dar certo. Em compensação, prometo atualizar o mais rápido possível!
Eu mudei a classificação para +16 só por precaução, não que vá aparecer cenas indecentes, mas caso apareça alguma, vocês já estão avisados. Obrigada a todos que comentaram e também obrigada pelas favoritações.
Beijinhos! Aproveitem o capítulo.
-Não esquece as calças! – Falei á ele, apontando para a calça jeans que ele ainda não tinha colocado na mala.
-Não vou esquecer! – Exclamou convencido.
-Ué, vai saber, você se esqueceu de mim. – O provoquei.
Desde ontem, quando meu pai me deu a “maravilhosa notícia” de que EU, Kevin Brown, um gatão de primeira categoria, ficaria em casa nas férias de verão, enquanto o meu pai, um chatonildo de primeira categoria, ia aproveitar as férias com um cara que eu nunca ouvi falar, mas provavelmente ele já deveria ter me falado alguma coisa sobre esse cara, e é claro, eu não prestei atenção como sempre, fazer o quê? Tenho compromissos, tipo assistir televisão.
-Kevin, para com isso. Já discutimos. VOCÊ NÃO VAI! – Falou daquele jeito esquisito, separando e destacando bem as sílabas das palavras. Ignorou-me completamente e continuou socando as roupas dentro da mala.
-Isso não faz o menor sentido. Por que eu tenho que ficar aqui? Por que eu não posso ir com você ver as gatas da praia? – Ele me fulminou com o olhar e logo depois, saiu do quarto. Fiquei sem entender e esperei ali, parado por alguns segundos, até que ele voltou novamente me entregando um papel. Olhei e vi que era minha ultima prova de matemática, a nota era de 6,5. Para pegar aquela prova ele teve que ir ao meu quarto, estava prestes a lhe dar uma bronca por ter ido ao meu “canto particular”, pois eu deixei bem claro que o meu quarto é altamente... PARTICULAR, mas ele continuava me encarando com aquele olhar sombrio e obscuro que só ele sabia fazer, então ignorei aquela possibilidade deu dar uma bronca nele (eu sei, estranho o filho dar uma bronca no pai, e não vice versa).
-Por pouco não ficou para recuperação. Encerrou o ano com nota vermelha! – A essa altura, aquela testa branca de albino que ele tinha, já não era mais branca, era vermelha (assim como a nota da minha prova).
-Ei, você acabou de dizer que eu NÃO fiquei para recuperação, então isso quer dizer que não é nota vermelha. Quer dizer que eu posso ir pra praia? – Indaguei com a maior cara de pau. Sabia que ele não ia ceder, mas que mal custava ser implicante? Quem sabe se eu o provocasse tanto, chegasse um ponto em que ele desistisse.
-Hm... Deixa-me pensar... – Ele olhou para o teto e esfregou o queixo, como se realmente estivesse pensando no assunto – É CLARO QUE NÃO! – Gritou. Definitivamente ele não estava pensando no assunto – A garota não tem onde ficar, essa era a única opção que sobrou para o Jason. – Ah é, aquele carinha de quem ele tanto falava (tecnicamente eu não sei se ele falou tanto assim, eu só ouvi uma vez quando eu engasguei com o meu cereal colorido) era esse tal de Jason, eu esqueci o nome dele facilmente, tudo culpa da televisão. Esse tal de Jason é pai da... Hm. Esqueci o nome dela. Realmente tenho que parar de assistir televisão.
-Ainda não entendi por que ela tem que vir aqui, pai! Mas que saco! Poxa vida, um dia antes de você ir viajar você me diz que eu vou ter que cuidar de uma garota e ainda por cima você vai estar em uma praia se divertindo.
-Um dia antes? – Ele franziu o cenho. – Kevin, eu estou te falando isso desde o mês passado. – Paralisei, eu realmente precisava parar de assistir TV. Espera um pouco, eu já disse isso! – Falei mais de mil vezes na época de provas, deixei uma mensagem no seu celular. Eu até grudei um bilhete no aquário do peixe no seu quarto. E você teria visto se limpasse o aquário.
Ergui as sobrancelhas.
-Tem que limpar? – Indaguei. Ele bufou impaciente, fechando o zíper da mala, ele saiu do quarto, descendo escada á baixo. Como ele conseguiu fechar aquele treco ambulante cheio de roupas bagunçadas que ele chamava de Mala de viagem?
Eu o segui e parei a porta quase aberta, com a mão.
-Pai, você é albino, sabe que se ficar muito no sol pode dar câncer? – Fingi-me de preocupado. Assim como eu, meu pai era exageradamente branco e loiro, exceto que eu tinha olhos verdes escuros e ele, olhos castanho claro. Ele ignorou o que eu falei e disse:
-Limusine branca! – Exclamou me deixando confuso.
-Quê? – Ele empurrou a porta tirando minha mão da frente, para assim poder passar por ela.
-Ela vai vir com o mordomo em uma limusine branca. Só para avisar para você ter certeza de que é ela chegando. – Terminou de dizer.
-Ela é rica? – Perguntei. Pra chegar em uma limusine branca igualzinha a da Barbie Girl, ela tinha que ser muito rica. Ai, mais essa! Eu teria que tomar conta de uma pirralhinha riquinha e exibida?
-Jason é rico. Como você acha que ele tem uma casa na praia? – É. Aquilo fazia sentido, não tinha parado para pensar. Que diferença fazia aquilo, afinal? Se o pai dela é rico, ela é rica. DEEEERRRR!
-Hum... Tá! – Tentei evitar a cara de ironia que insistia em se formar na minha cara.
-Não traga ninguém, não quero saber de festas ou de trazer garotas aqui pra casa! – Me avisou. Ele deu bastante destaque em “trazer garotas aqui em casa”. Uma vez eu marquei uma festa quando eu ainda estava no primeiro ano do colégio, mas foi ideia do babaca do meu amigo, Leonard. Agora imagine a cara que meu pai fez quando viu duas garotas no sofá ao meu lado, com roupas curtíssimas e decotadas, e Sheila Parks – a garota mais gata da escola, e minha futura namorada – sentada no meu colo, e eu, obviamente, paquerando ela e jogando o meu “charme encantador”. Ele me deixou de castigo por uma semana, e ainda disse que estava cedo de mais para eu acabar com a minha virgindade. Dá pra acreditar? Eu só estava paquerando, não estava a fim de nada sério (ainda).
Não queria ter “A conversa” com o meu pai outra vez, então ignorei e me despedi com um abraço. Mas que saco, por que eu tinha que ser tão azarado? E como se não bastasse, ele disse que ia ligar quando pudesse. Ligar quando pudesse? Aff, ele quer acabar com a minha vida! Passaram-se alguns minutos e a campainha tocou, achei que fosse a pestinha que tinha chegado, mas não, era o idiota mais idiota do mundo.
-E aí mano? – Falou daquele jeito todo esquisitinho, que ele dizia que era maneiro, fazendo um gesto estranho com a mão, indicando “Rock in Roll”.
-Retardado. – Debochei dele, sem qualquer ânimo. E ele estranhou. Ele não estranhou eu debochar dele, aquilo era totalmente comum, ele estranhou foi minha falta de ânimo.
-Nossa você está em um ótimo dia, hein! – Revirou os olhos.
-Pois é, Leo. Pois é!
-O que houve? – Perguntou entrando e sentando no sofá, já indo ligar a TV. Dava pra ver que ele era um folgado. Leonard era o meu melhor amigo desde a 6° série, um folgado magricelo e idiota, mas ainda assim, triste dizer, mas, ainda assim meu melhor amigo!
-Meu pai foi viajar e vai ficar em uma casa na praia de um amigo ricaço dele. E eu, vou ficar aqui! Ele teve a cara de pau de me deixar aqui e eu nem vou poder dar festas maneiras nem nada do tipo, ele disse que eu vou ter que ficar com a filha dele.
No mesmo instante, Leo desviou o olhar de Criminal Minds, na televisão, e se concentrou no que eu tinha dito. Logo abriu um sorriso ridículo e pulou no sofá.
-ÔPA! Ficar? Sortudo você, hein? – Disse levantando a mão, pronto para me dar um toca aqui, quando eu recusei.
-Que sortudo o quê, rapaz?! A pestinha tem 14 anos e deve ser uma praga se for como meu pai a descreveu. – Ele logo abaixou a mão e desmanchou a cara feliz.
-Hm... Então você é um baita de um azarado – Fiz cara de desgosto com o jeito chato que ele tentava me animar. – Boa sorte pra você, não queria estar no seu lugar. Seu pai te meteu em uma furada hein? – Riu da minha desgraça. Eu logo me irritei. Resolvi protestar contra a tagarelice dele.
-Ô cara, da licença, se for pra você continuar falando desse jeito acho melhor você vazar daqui! – Apontei com o dedo indicador para a porta.
-Foi mal, foi mal! – Disse levantando as mãos em sinal de rendição. – E que tal se agente desse uma festa? – Propos. Tinha que ser o Leo!
-Tu é surdo, é? Meu pai disse – Pigarreei para imitar a voz grossa do meu pai –: Não quero saber de festas ou de trazer garotas aqui pra casa!
-E desde quando você escuta o seu pai? – Indagou levantando uma de suas sobrancelhas. Parei e pensei, eu ficaria na maior encrenca, mas Leo estava certo... Desde quando eu escuto o meu pai?
(...)
O clima já estava esquentando por ali. O som estava alto, o DJ aumentou ainda mais o som, e já era a terceira reclamação dos vizinhos. Aquilo estava bombando, até que... Ficou ainda melhor!
-Dança Comigo! – A convidei, estendendo minha mão para ela pegar. Usava roupas curtíssimas, com uma saia curta e uma blusa decotada. Eu já disse que ela vai ser minha futura namorada?
-Por que não? – Respondeu jogando os brilhantes cabelos negros para o lado. Sheila Parks, a garota mais linda do colégio estava dançando comigo. E quem disse que meu pai iria me matar? Afinal, ele tinha viajado e nada poderia dar errado.
Aquela música agitada parou e para substitui-la começou a tocar Nobody but you de Wonder Girls. Levei Sheila para o centro da sala, agora com os móveis afastados e grudados na parede para abrir o espaço e assim a galera poder dançar.
Para ser sincero, eu não estava dançando, só estava me mexendo e tentando fazer o possível para ficar mais perto dela. A única coisa que eu fazia era sair do lugar conforme o ritmo da música, e agarrar Sheila pela cintura, enquanto ela puxava meus cabelos fortemente, com os braços apoiados no meu ombro, acariciando meu pescoço. Podia jurar que faltava isso aqui, pra gente se beijar, mas é claro, como eu sou muito azarado, tinha que aparecer um babaca pra atrapalhar.
-O que você quer? – Perguntei o puxando com força pelo braço.
-Desculpa atrapalhar o lance com os pombinhos! – caçoou quando já tínhamos nos afastado de Sheila. Hoje eu ia matar alguém. – Bruce disse que o tio dele já está no trabalho e vai fazer uma entrega de toras daqui a uns quinze minutos.
Bruce era um veterano – assim como eu – o tio dele trabalhava com madeira. Entregava toras, também! Eu não gostava muito dele, por que era o ex-namorado da minha garota.
-E daí? – Já estava sem paciência, por favor, eu só queria voltar a dançar. Quer dizer, voltar para sala, por que dançar eu não sabia.
-E daí que é a nossa chance de “nos divertir” se é que me entende.
Olhei para a cara de babaca dele (a que ele sempre tinha) e depois dei uma olhadinha de relance para Sheila. Ah saquei agora, essa seria minha chance de impressiona-la!
(...)
-Você consegue, Kevin! – Gritou Sheila, que estava sentada dentro do carro Miata branco, de Bruce. Olhei para trás e dei uma piscadinha para ela com uma cara de quem sabia que conseguiria. Voltei minha atenção á estrada, aquele caminhão chegaria a qualquer momento.
Não poderia mentir dizendo que a energia que me dominou foi incrivelmente radical quando ouvi as rodas do veículo se aproximando um tanto longe da estrada. Para ser sincero, eu fiquei tímido e me veio um branco na mente, como se eu não soubesse como agir. Quando as rodas daquele treco ficaram a poucos metros de mim, parei de pensar e comecei a agir de verdade!
-PULEM! – Gritou Leo, se referindo á mim, Bruce, Austin – meu primo em quarto grau – e também á ele mesmo.
Quando dei por mim, todos já estavam no caminhão. Leo se agarrando nas toras um pouco acima do retrovisor, Austin agarrado á Leo, tremendo de medo. E Bruce, querendo se aparecer, estava tão em cima do caminhão, que quase o notava á um centímetro do vidro do para-brisa. Mal notei tudo isso, pois tive menos de um segundo para pular também. O veículo já estava se afastando, por isso tive que correr um pouco para alcança-lo, e logo pulei, segurando firme um pouco distante de onde estavam Leo e Austin. Senti farpas atravessando a minha pele e o cheiro de madeira estava insuportável. Tentei ficar sentado, enquanto escalava aqueles imensos troncos de madeira, pude ver Sheila e a galera dirigindo o carro Miata branco, para ir até lá na frente, onde estavam loucos para me ver esborrachar no chão. Sentei-me e relaxei em cima das toras, me perguntando se aquilo era mesmo seguro. Tudo estava bem – ou quase – quando então, percebo que não recolhi meus pés para cima da tora, e sim, os deixei suspensos bem em frente ao retrovisor do caminhão. Um motorista descontrolado e outro passageiro chinês – mas que só Deus sabe por que é que raios ele estava falando alemão – começaram a gritar pra sairmos imediatamente do caminhão. Bem, o motorista estava gritando mais ou menos isso, mas o carinha chinês (alemão, vai lá saber) estava gritando algo que nem a mitologia grega conseguia processar tão rapidamente (Mas o que quê a mitologia grega tem haver com isso, meu senhor?).
-Ferroo! Vamos sair daqui. – Gritou Leo de cima das toras. Obviamente ele correu feito uma menininha, mas tendo muito trabalho, já que tinha um retardado – também conhecido como meu primo em quarto grau – que estava agarrado na panturrilha do pobre coitado.
Eu disse mesmo “pobre coitado”? O que deu em mim? Ele que se vire.
Achei eles uns idiotas, que mal tinha dois homens nos xingando em línguas diferentes? Eu estava disposto a fazer de tudo para impressionar Sheila e não ia desistir até conseguir. Bem... Era isso o que eu pensava antes de (só por que eu sou muito azarado) aparecer do nada uma limusine branca bem em frente da onde eu estava.
-VAMOS NOS MANDAR DAQUI! – Gritei. Eu estava mesmo caçoando do meu amigo agora a pouco? Eu é que parecia um completo retardado agora. Para a minha sorte, ou azar, o caminhão já estava chegando onde o carro estava, mas não fazia a menor diferença, pois o caminhão não ia parar de qualquer jeito, a única diferença é que eu cairia na frente de todo mundo. A propósito...
DE QUEM FOI ESSA IDEIA DE JERICO, DE PULAR DE UM CAMINHÃO CHEIO DE TORAS? Ah, lembrei. Sabe agora a pouco quando eu disse que eu estava parecendo um retardado e que não tinha motivo para caçoar do meu amiguinho? Pois é, esqueça tudo! Leonard venceu o prêmio de idiota número um há muitos anos atrás.
Escutei o celular tocar no bolso da minha calça, não precisei nem ver o número na tela para saber que era o meu pai ligando para ver como eu estava. Desliguei na mesma hora e pulei imediatamente do caminhão assim que a limusine se afastou. Peguei o meu Corola preto e saí dali o mais rápido possível, tentando ignorar os comentários de todos dizendo que eu amarelei.
Pô vê se dão um tempo! Eu acabei de saltar de um caminhão. Falando nisso, vou ter que arranjar uns curativos lá em casa, acho que desloquei meu ombro. Está doendo pra caramba!
Ai meu Deus! Eu esqueci completamente. Quando eu saí de casa, ainda tinha gente lá fazendo festa! O que eu vou fazer? Espero que eu chegue antes da riquinha.
Por sorte, cheguei antes da limusine branca. Mas quando cheguei em casa, tive uma surpresa.
Não estava nada igual e nem parecido com o que eu achei que estaria...
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