Minha Amiga Imaginária
3 Chocolate com Leite condensado
Notas iniciais
Pessoal, se tiverem alguma crítica ou quiserem que eu acrescente algo na história, por favor, sintam-se a vontade para me dizer. Espero que curtam esse capítulo :D
Queria perguntar... Será que está muito cedo para pedir recomendações? Quer dizer, é o terceiro capitulo, talvez esteja mesmo muito cedo, mas se acharem que eu mereço, eu ficaria muito feliz com suas recomendações!
Bjs.
Dei uma olhada á minha volta e estranhei quando não vi absolutamente ninguém! Tudo estava limpo. Quer dizer, quase, por que os copos de refrigerantes e os papeizinhos de Bombom no chão não fazem parte da palavra “limpo”. Como aquela cambada toda saiu daqui tão de pressa?
Ah, quer saber? QUE SE DANE!
Eu to cansado, pô! Dá um desconto. Eu também estou com fome, mas eu estava com muita preguiça pra ir até a cozinha pegar sorvete de pote. Meu pai diz que esse é um dos meus milhares problemas, tomar sorvete direto do pote, o que eu não entendo, quer dizer, é perda de tempo pegar uma colher e um potinho só pra por a droga do sorvete dentro e só depois tomar. Ah fala sério! Que tipo de ser-humano esquisito faz isso? Que tipo de ser-humano toma sorvete em um potinho e com uma colher quando se pode apenas pegar uma colher e lambuzar a cara? E que tipo de ser-humano toma refrigerante em um copo? Tipo assim, eu não faço isso há anos.
Fui direto pro sofá, por que estava mais perto do que a cozinha. Pois é, já deu pra ver que eu sou um cara bem inteligente! Eu só vou para o lugar onde está mais perto, assim eu economizo na minha energia e no movimento das minhas pernas, daí quando eu for bem velhinho, caduco e tiver cabelos brancos, quase morrendo, lá pra uns... Sei lá... Uns trinta anos de idade? Eu vou andar perfeitamente bem. Eu sei, sou muito inteligente (É sério, eu sou o mais inteligente da minha classe).
Liguei a TV, mas estava passando reportagens, e eu detestava reportagens. Em parte por que a maioria delas falava de acidentes, e meu pai me proibiu de ver acidentes desde os 11 anos de idade, pra evitar o meu “problema” com acidentes, mas quem tem um problema é o meu pai. Um pai normal colecionaria selos, moedas ou qualquer outra coisa menos vídeos de catástrofes. Meu pai tem uma coleção de vídeos de programação e reportagem de todos os tipos de tragédia, catástrofes ou acidentes. Ele até tem filmes do tipo: Titanic, Poseidon, 2012- O fim do mundo, 2019- O ano da extinção, etc... Resumindo, ele é completamente maluco! Mas ele sempre escondeu todos eles de mim, bom, pelo menos era isso o que eu pensava até ver o botãozinho do aparelho de vídeo, aceso. Apertei logo o botão do controle remoto para ver que filme esqueceram de tirar. E adivinha o que era? É claro, uma reportagem sobre um acidente.
Como eu não queria assistir a quarta temporada de Criminal Minds, outra vez, resolvi deixar aí mesmo.
Nessa reportagem falava sobre um dique que rompeu no norte de Nova Jersey no ano passado. A repórter esquisita começou a falar:
O provável rompimento de um dique no norte de Nova Jersey nesta terça-feira (30) alagou três cidades com 1,2 metros a 1,5 metros de água em consequência da passagem da tempestade Sandy, disseram autoridades à Reuters.
As cidades de Moonachie, Little Ferry e Carlstadt estavam debaixo d'água depois de o rio Hackensack inchar e ultrapassar suas barragens, afetando aproximadamente 2.000 moradores...
Cara, que coisa mais bizarra. Tipo assim... O que é um dique?
Ah sei, o sei que lá do não sei o que lá fez com que as barragens rompessem. Agora entendi.
Mas tipo assim... O que é uma barragem mesmo?
Por que é que a barragem ia romper, afinal? Não couberam todos os carros dentro dela? Daí como teve muitos carros a barragem não aguentou e explodiu.
Ah não, não... Espera. Isso daí não é barragem, isso é GARAGEM! Cara, eu devo ter batido minha cabeça com muita força quando pulei do caminhão.
Observei aquelas pessoas encharcadas sendo socorridas pelos reforços. Coitadas daquelas duas mulheres, mal conseguiam ficar juntas, pois a mais velha estava mais é querendo se salvar, também tinha um cara gorducho que gritava feito um retardado no meio daquilo tudo. Comecei a rir em disparada. Como meu pai podia achar aquilo tudo, trágico? Pra mim aquilo era comédia, isso sim.
Conforme eu ia ouvindo aquela moça com aquele rabo de cavalo, e aquela saia até na panturrilha, falar e falar e falar, mais eu ia fechando os olhos e apagando completamente.
(...)
Acordei com a baba no sofá. Limpei aquilo e tirei as melecas que haviam se formado no canto do meu olho. Não me chamem de nojento, todo mundo tem isso.
Espreguicei-me, mas obviamente, não levantei, fiquei sentado. Ah qual é?! Eu estava com preguiça de levantar, já expliquei isso.
Comecei a fechar os olhos novamente, e acredite, eu ia dormir de novo. Eu ia, mas não dormi, pois comecei a ouvir passos vindos em minha direção, abri os olhos imediatamente. Estranhamente eu não vi ninguém. Fechei os olhos de novo, até que... Comecei a ouvir outra vez. Abri os olhos novamente, dessa vez mais assustado do que antes. Mas não vi ninguém, apenas... Apenas... Olhei para a entrada aberta da cozinha, que na verdade não tinha uma porta que separava a sala da cozinha, mas elas não eram juntas, tinha apenas uma curva que as separavam. Olhei de relance para a cozinha e vi que havia passado uma sombra por ali.
–Tem alguém aqui? – Levantei-me imediatamente.
Vamos deixar claro: Eu não estava com medo!
Comecei a ouvir barulhos vindos de lá de dentro. E mais passos, mais ruídos e mais sombras, como se estivessem caminhando em silêncio. Pelas risadinhas, pude deduzir que fosse uma garota. Até que então, tudo aquilo parou, pois a porta da frente se abriu e fechou. E a garota que estava na cozinha, pareceu não estar mais. Fiquei confuso, confuso mesmo. Caminhei de costas, ainda olhando pra cozinha. Até que eu parei, por que bati em um palito.
Em um palito?
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHH!
Tampei minha própria boca pra parar de gritar. Só que o babaca continuava gritando.
–Para com isso, seu retardado! – Falei tampando a boca dele para ver se ele calava a boca! Quando eu vi que ele já estava mais calminho tirei minha mão para deixá-lo falar. Só que, tecnicamente, ele não “falou”.
–VOCÊ QUER ME MATAR DE SUSTO? – Gritou com a mão no peito. – O QUE TÁ FAZENDO AQUI? – Indagou bravo comigo. (Bravo? Imagina).
–ESSA É A MINHA CASA! – Tá bom, nessa agora eu quero bater nele. Isso era meio que... Qual é a palavra mesmo? Ah é: DEEEER.
–Ops! Hehe. É mesmo! Foi mal.
–Foi mal? Você invade a minha casa e só fala “foi mal”?
–É ué. Você quer o que, que eu me ajoelhe em seus pés? – Indagou dando uma breve risada pela sua piada nada engraçada.
–Fala logo o que você quer antes que eu mande você embora. – Ordenei. Pois é, eu ORDENEI. Está vendo como o que eu digo é importante?
–Bem, eu só queria me despedir.
–Despedir?
–É, é que eu estou indo embora agora. Não vou passar as férias aqui. Minha família quer ir para Connecticut. Estamos indo agora.
–Que saco! – Resmunguei.
–Ai que fofo! Está bravo por que não quer que eu vá embora? – Perguntou daquele jeito gay que ele tinha.
–Não, é que eu precisava de ajuda para arrumar essa bagunça e... AAAI! – Massageei meu braço onde Leo acabara de dar um tabefe com força. Quando sua expressão de raiva voltou para a expressão normal de sempre – Aquela meio idiota. Meio? – ele parou para observar a vista (Minha casa ‘quase’ completamente destruída).
–O que aconteceu aqui? – Perguntou.
–Eu sei lá. Cheguei aqui e toda aquela cambada tinha ido embora!
–E você não sabe o que aconteceu?
–Se eu soubesse já teria dito. – Respondi ironicamente, e cantarolando. Com toda a certeza, eu estava debochando da cara dele. Ele por sua vez, fez uma cara estupida revirando os olhos.
–Mas por que saiu daquele jeito lá na estrada? Nem esperou para a galera te segurar para não cair e se esparramar no chão quando descesse do caminhão. – Disse ele. Eu logo paralisei, virei e olhei pra ele com uma cara de quem ia matar alguém.
–O que? Eles iam pegar agente antes que caíssemos no chão? – Surtei. – Eu achei que nós pularíamos pra ver quem aguentava a barra de cair no chão em alto movimento e não se machucar. – Surtei mais ainda. Espera um pouco, homens também surtam certo?
Informação básica: Eu não sou gay!
–Agente falou isso antes de irmos pular, mas você foi à frente por que – ele pigarreou para imitar a minha voz – Eu sou o melhor e quero impressionar Sheila Parks. – Para a minha surpresa, ele não fez uma voz máscula de homem, altamente atraente, que eu obviamente tenho. Ele fez uma voz esquisita de idiota.
–Cara, na boa... Eu não falo desse jeito! – Disse.
–Hm, que seja! – Revirou os olhos. – Eu preciso ir. Te vejo na volta ás aulas.
–Tchau.
Nós nos despedimos com um toca aqui. E ele foi embora. Eu vou sentir falta daquele Mané!
Quando ele saiu, nem pensei duas vezes e fui logo para a cozinha. Sabe quando você está com fome e daí vai para a cozinha, e tudo o que espera encontrar é (obviamente) um fogão, uma geladeira, uma prateleira e um cara engravatado com uma arma na mão?
Espera um pouco...
UM CARA ENGRAVATADO COM UMA ARMA NA MÃO?
–Opa, opa, opa! – Fechei a geladeira e deixei aquela maravilhosa vista – do meu sorvete de chocolate com leite condensado – E me afastei do homem, ou melhor, dizendo: Daquele poste!
Fiz um gesto de vai-e-vem com as mãos, como que pedindo para ele se afastar – Mas cá entre nós, eu queria é sair correndo dali.
–Calma aí, parceiro! – Eu disse mesmo “Parceiro”? Onde eu achava que estava? No Tennessee?
O carinha engravatado levantou a mão com a arma para o alto (Para o alto e não para mim, faz todo o sentido) e deu um tiro no teto!
Um tiro no teto! Um tiro no teto! Um tiro no... Espera aí. O maluco deu um tiro no teto da minha cozinha?
–Por que você fez isso? — Gritei estranhando completamente a situação.
O carinha de terno e gravata abaixou a arma e colocou em um bolso dentro do terno. Ele não falou nada, apenas se retirou dali. Bom, não sei ele, mas eu prefiro que ele seja negro e não diga nada, do que ser um Chinês que fala alemão. Cara, que lance esquisito foi aquele!
Pois é, minha vida é completamente normal. Já deu pra perceber, não é?
Olhei para o teto e vi aquele enorme buraco. Cara, meu pai ia me matar. Tinha que arrumar aquilo, mas depois é claro. Agora eu to cansado. Já discutimos isso. Fui para a sala com a intensão de me esparramar no sofá, mas é claro, como o meu dia estava sendo maravilhoso (só para deixar claro, isso foi um baita de um sarcasmo) eu tive uma distração, ou melhor, uma irritação ao entrar na sala.
–Ai que fofinho! Esse é você? – A criatura ruiva apontou para mim na foto, era uma foto minha usando fraudas quando tinha dois anos de idade.
–Mas que diabos você está fazendo? – Gritei, correndo até ela e tomando a foto de sua mão.
–Ah você demorou para vir até aqui então eu resolvi ir olhando suas fotos de quando era pequeno. Aliás, que bom que perguntou por que faz tempo que eu queria te dizer que eu estou com fome, e a cozinha deve ficar ali. – Apontou para a passagem até a cozinha, ela se curvou um pouco para olhar bem para o local, até que voltou a sua antiga posição e olhou pra mim sorrindo – Vejo que já conheceu o Jerry, nosso mordomo. Não liga não, ele é mesmo daquele jeito, a propósito, que festão que você deu hein? Estava bombando, pena que o Jerry não me deixou aproveitar muito por que ele é muito chato e responsável, mas até que conheci uns gatinhos na festa, peguei o telefone de um deles. Acho melhor você arrumar essa bagunça toda logo, e boa sorte para concertar aquele buraco no corredor e... – Eu tive que interrompe-la por um instante, ela parecia disposta a falar mais, parando para relembrar, meu pai bem que tinha mencionado que ela era tagarela um dia desses.
–Espera um pouco. O buraco foi na cozinha e não no corredor. – A corrigi.
–Ah é, ele não te contou? Ele teve que fazer alguma coisa pra parar a festa. – Deu de ombros voltando a olhar as outras fotos que ainda estavam em sua mão. Arregalei os olhos.
–Não, não, não, não, não, não... – Eu ia repetindo essa mesma palavra enquanto me dirigia até o corredor, onde olhei para cima e vi o outro enorme buraco que havia se formado ao lado da escada de cima. – Não, não, não... – fiz o caminho de volta á sala, olhei bem para aquela criatura – NÃO! – Gritei. E assim eu encerro, senhoras e senhores, minha adorável apresentação dos meus admiráveis: Nãos! (um talento raro).
Ela olhou para mim com as sobrancelhas erguidas, com uma cara de “Que ridículo” e me ignorou, dizendo:
–Estou com fome!
–Aham. – Respondi olhando para o alto, pensando como eu faria para consertar aqueles buracos. Nossa, eu estava pensando! Devo ter batido a cabeça com muita força quando pulei do caminhão, com toda a certeza.
–Ei, eu estou com fome! – Tentou chamar minha atenção. E quem pode culpa-la? Todas querem chamar minha atenção. Tudo bem, eu sei que não foi nesse sentido que ela quis chamar minha atenção. Mas qual é, dá um tempo!
–O que? – Nem lembrava o que ela tinha perguntado.
–Aff, esquece. – Disse se levantando e agindo como se já fosse de casa. Dirigiu-se até a cozinha onde abriu a geladeira e já foi pegando o MEU sorvete de chocolate com leite condensado.
–Ei! Larga isso! – Ordenei. Viu? Eu ordenei. Minha palavra é mesmo poderosa. Bem, era isso o que eu achava, quando a ruiva (isso mesmo, ela é ruiva) me ignorou e tirou uma colher da gaveta. –Opa, opa garota. – Fui até ela e tomei o pote de sua mão. – Só eu posso tomar direto do pote!
–Eu estou morando aqui por enquanto então eu também tenho direito. – Resmungou pegando o pote da minha mão. Só agora eu parei para reparar nela. Aquelas quinhentas sardas na bochecha. Aquele cabelo cacheado e completamente emaranhado, tão ruivo que dava pra ver até no escuro. Acho que ela lembrava um pouco a Merida do filme Valente, exceto pelo corpinho pequeno e magrelo. E pelo rosto com uma cara de “não me desafie” uma cara de criancinha que estava prestes a fazer uma arte.
Tomei o sorvete da mão dela outra vez.
–Cai fora, Loiro! – Era um aviso, mas eu senti como se fosse uma ameaça – Eu cheguei primeiro.
–A casa é minha, quem decide isso sou eu e não você.
Começamos a puxar o sorvete de um lado para o outro, disputando pra ver quem ficava com ele, como eu era bem mais forte do que a sardenta, tomei o sorvete dela em menos de um segundo. Só que como sempre, o inesperado acontece comigo, ela pulou em cima de mim, derrubando nós dois no chão. Foi aí que meus olhos verdes encararam os verdes dela, com uma cara de “vai encarar?”. Ela saiu de cima de mim e pegou o sorvete, saindo correndo. Levantei-me e fui atrás dela, subi as escadas e a segui indo direto para o meu quarto. O meu quarto? Ah ela iria pagar caro por isso. O meu quarto é claramente particular. Quando fui entrar, ela quase fechou a porta na minha cara, mas eu segurei antes que ela se fechasse. E ficamos entre fecha e abre, fecha e abre. Até que eu abri a porta de uma vez, ela correu para um quanto do quarto. A segurei pelo braço e tentei pegar o pote de sorvete.
Eu já mencionei que eu sou muito azarado?
Ela viu uma corda em cima da minha escrivaninha, que eu usei para escalar em uma excursão da minha escola.
Imediatamente, pegou ela e saiu correndo para de baixo da cama. Tentei ir atrás dela, mas que culpa eu tenho se a garota é incrivelmente nanica e pequena? Eu não conseguia me enfiar de baixo da cama, eu era bem mais alto que ela.
A garota apareceu atrás de mim sem que eu percebesse e me... Ai que vergonha... Ela me amarrou no pé da cama. (Não seja ridículo, todos sabemos que a cama não tem pé, é óbvio que é o suporte que segura a cama). Eu não acredito no que eu vou dizer, mas ela me derrotou. Ela me derrotou?
Sabe, se um dia eu me imaginei preso em uma cama, foi por preguiça e não por que uma peste sardenta e ruiva me amarrou nela e pegou o meu “precioso” sorvete.
(...)
Cinco minutos depois...
–Você é sempre assim? – Perguntei vendo-a devorar a parte do chocolate.
Ela me olhou com um sorrisinho irritante. Falou:
–Ah, vá se acostumando.
Ah tá... Lembrei o nome dela agora!
Notas finais
Bjs, até breve...
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