Mind Games (interativa)
7 Capítulo 7 - Você sempre tem uma escolha...
Notas iniciais
– O que eu faço...– Pensa ele, ao se dirigir à caminhonete sem ao menos redigir uma palavra para a mãe. Ele joga a mochila sobre o banco do motorista e dá a partida. — Se eu apagar a memória de Carrie ela vai esquecer de tudo... De mim, de seus poderes... Mas se eu deixar ela assim e partir... Nós dois iríamos sofrer e ela poderia ser morta.
Ele faz uma curva e bate no volante, frustrado.
– Merda! O que eu faço?– Ele pensa nisso durante todo o percurso até a escola. E durante as três primeiras aulas ele mal fala com Carrie, e bloqueia suas tentativas de se comunicar por telepatia. Quando o sinal toca, indicando o fim da terceira aula, ele sai em disparada pelos corredores, e Carrie faz o melhor que pode para segui-lo.
– John, espera! — Grita ela, finalmente alcançando-o. — O que há de errado com você? Aconteceu alguma coisa.
– Carrie, esse não é realmente um bom momento. — Diz ele.
– Ao menos me diga o quê aconteceu. — Pede ela. — Foi algo que suas meias-irmãs disseram?
– Sim e não. — Responde ele. — Escute, simplesmente não posso falar sobre isso com você, é perigoso.
– Por quê? O que de mau poderia acontecer? — Pergunta ela, o olhar triste e abatido dele lhe responde a pergunta.
– É muita coisa.
– Tem haver com o motivo de ter se mudado? — Pergunta ela. — Tem haver com os X-Men?
– Pode, por favor, falar mais baixo. — Pede, olhando ao redor. — Olhe, eu sei que você quer saber o que aconteceu. Mas se eu te disser...
– Não confia em mim, é isso?
– Confio! Céus, como não haveria de confiar? — Responde, tocando a face dela. — Mas eu não quero te pôr em risco.
– Risco de quê? — Ela tira a mão dele de seu rosto e a segura. — Eu tenho o direito de saber.
– Eu sei. — Ele leva a mão livre à cabeça. – Mas em uma outra hora, pode ser? É muita coisa até para mim absorver.
– É uma promessa? — Pergunta ela.
– Uma promessa. — Ele sorri fracamente. — Palavra de escoteiro.
– Você já foi escoteiro? — Pergunta, com uma sobrancelha arqueada.
– Anh... Vamos almoçar? — Pergunta.
***
– Você quer carona? — Pergunta ele.
– Não, obrigada. Minha mãe vem me buscar hoje. — Responde ela. — Vamos almoçar e depois vamos para a lavanderia.
– Ok. Bem, tenha um bom dia. — Ele a abraça.
– Você também. — Eles se separam. — Até amanhã.
– Até. — Ele entra na caminhonete, e sorri para ela. O barulho do motor foi ficando cada vez mais distante conforme ele se distanciava.
***
Os dias seguintes foram comuns, até que John concordou em explicar tudo para ela no sábado. Combinaram de se encontrar no lago, á tarde.
– Vou te contar do começo. — Diz ele. — Existe uma sociedade secreta elitista chamada Hellfire Club. Ela tem dois lados, o negro e o branco.
– Como no xadrez?
– Sim, exatamente como no xadrez. — Responde ele. — Cada lado tem um rei e uma rainha, que lideram o lado. Além de bispos, cavalos e torres, que seriam os comandantes, oficiais, entre outros. Ela é considerada um grupo criminoso. Por causa de algumas ações de ambos os lados. — Ele respira fundo. — Minha mãe lidera o lado branco, junto com Magneto.
– Quer dizer que sua mãe é uma criminosa?
– Ela se redimiu. — Diz ele. — Mas até então ela... Fez bastante coisa. Nem todo mutante nasce bom. Nem todo mutante é bom. Ela tinha uma escola para mutantes, como a do Professor X. — Diz ele. — Mas depois do acidente em Genosha, a grande maioria dos estudantes dela morreu. A partir dali ela começou a trabalhar com os X-Men, depois com a S.H.I.E.L.D e... Com o meu pai. Mas Sebastian Shaw, o rei negro, guardou ressentimentos da saída de minha mãe do crime. O lado branco avançou, enquanto o lado negro regrediu. Muitos outros mutantes fizeram parte da organização. Warren e Betty, por exemplo.
– Quem?
– Você os conhece das minhas histórias como Anjo e Psylocke. — Diz ele. -Shaw vem perseguindo meus pais desde então. Separou meus pais, matou meu pai. Pensávamos que ele tinha morrido, mas... — Ela põe a mão em seu ombro. — Ele está vivo e está nos procurando. E eu tenho medo de que se ele não nos achar... Ele virá atrás de você também.
– Suas irmãs vieram falar sobre isso? — Pergunta ela.
– Sim. Ele está formando um exército. — Ele a olha, cabisbaixo. — Isso me leva ao próximo tópico.
– O quê.
– Eu vou partir em uma semana. — Diz ele. O olhar dela exprime espanto, tristeza, raiva e indignação.
– Não! — Os olhos dela começam á lacrimejar. — Você não pode ir!
– Carrie... — Ele a envolve com os braços, mas ela dá socos em seu ombro. — Eu sei que está chateada, mas estou fazendo isso para te proteger.
– Você não precisa me proteger, eu não tenho medo! — Grita. — Por favor, não me deixe sozinha de novo.
– Carrie...
– Chega de viver com medo. — Diz ela. — Você nem sabe se esse... Shaw sabe onde você está.
– Eu não posso correr esse risco.
– Mas...
– Eu sei. Você tem boas intenções, mas me deixe ir. — Diz. — Você estará sozinha, mas estará segura.
– Como me separar de você pode me proteger? Você é a pessoa com quem eu me sinto mais segura.
– Carrie, acredite em mim quando eu te digo... — Ele a segura pelos ombros. – Eu simplesmente não tenho escolha...
– Você sempre tem uma escolha! — Grita. — Foi você quem me disse isso, lembra? Ou foi mais uma de suas mentiras?
– Eu tenho que fazer o que é certo. — Ela se desvencilha de seus braços, e se distancia dele com passos firmes. — Você não sabe o quanto eu quero ficar.
– Então fique! — Ela se vira para ele, o vidro da caminhonete se estilhaça. — Lute contra esse maníaco ou seja lá o que ele for.
– Carrie... Se acalme.
– Me acalmar? Você ainda tem a coragem de pedir que eu me acalme? — Os cacos de vidro voam em círculos em volta dela, impedindo ele de se aproximar.
– Eu não posso pôr você em perigo! — Grita ele. Ela se ergue alguns centímetros no ar. — Shaw iria te torturar e te matar se ele te encontrasse!
– Eu não ligo! — A voz dela soa amplificada. — Você não pode me deixar!
– Eu tenho que fazer isso...
– Por quê?!
– Porque eu te amo. — Os cacos de vidro param no ar e caem, se estilhaçando mais ainda no chão. Ela pousa delicadamente no chão, de joelhos. Ela abraça o próprio corpo, lágrimas rolam pelo seu rosto. Ele se aproxima calmamente, e a abraça.
– Eu te odeio. — Sussurra, e de um sussurro se transforma em um grito. — Eu te odeio!
– Ótimo. — Ele sorri, tristemente. — Então não vai lhe doer tanto quando eu me apagar da sua memória.
Ela olha para ele, com os olhos arregalados e vermelhos. Ele segura firmemente em suas têmporas e faz o que deve ser feito. Carrie adormece, e ele a toma nos braços.
***
Margaret abre a porta e rapidamente é surpreendida quando John apaga suas memórias dele. Ele a leva até o sofá, e depois volta para a caminhonete buscar Carrie. Ele a leva para cima, e a coloca em sua cama. Ele se agacha, passa a mão pelos seus cabelos e afaga seu rosto.
– Adeus, White. — Sussurra. — Espero que algum dia você possa me perdoar.
Ele sai silenciosamente da residência White, e entra novamente na caminhonete.
***
O som da porta se fechando detrás dele o atinge com indiferença. Sua mãe vem da cozinha, com um olhar de preocupação estampado no rosto.
– O quê aconteceu? — Pergunta ela. Ele a responde com um longo momento de silêncio. Ela tenta, em vão, ler sua mente. — Por que está me bloqueando?
– Você conseguiu o que queria. — Diz, secamente. — Agora aguente as consequências.
– O quê... — Ela se aproxima dele, e acaricia seu rosto. Sua mão toca um corte. — O que é isso?
Ele põe a mão sobre o machucado e se lembra dos cacos de vidro. Sua mão volta manchada de sangue, mas ele age com indiferença.
– Nada. — Diz. — É melhor você apagar a memória do resto da cidade, já que vamos partir. E para deixar claro, não vou para a escola essa semana.
– Jonathan. — Ele sobe as escadas para seu quarto. — Jonathan!
Ela o segue, ele acena com uma mão, e um cano estoura, ele usa a água que saía para criar uma fina barreira de gelo que se forma no meio corredor. Isso a detém por um segundo, mas ela se transforma em sua forma de diamante e atravessa o gelo como se fosse manteiga. Ele fecha a porta do quarto, e congela a maçaneta.
– Você sabe que eu posso atravessar isso tão facilmente quanto posso levantar um dedo. Mas seria uma pena destruir uma porta de carvalho tão bonita.- Diz ela. O som da maçaneta girando a faz retornar à sua forma natural. Ela entra, e se senta na cama, junto com John. — Eu sei que você está triste. E eu também adoraria dizer que vai passar rápido, que tudo vai ficar bem... Mas você está muito grande para minhas ilusões.
– Eu não queria ter feito isso.
– Nem sempre o que é certo parece o correto. — Ela o abraça. — O que importa é que você teve a coragem de fazer o que é certo, como seu pai fez.
– Eu só quero que isso acabe. -Ele apóia a cabeça no ombro da mãe.
– Eu também. — Diz, acariciando seus cabelos. — Mas, por enquanto não temos escolha.
– Você sempre tem uma escolha. — Sussurra ele para si mesmo. Ele fecha os olhos.
– Avisarei Psylocke que você mudou de ideia mais rápido que o previsto. — Ela se levanta. — Pedirei para ela vir com Illyana amanhã e trazer as Stepford, para apagarmos nossos rastros mais rapidamente.
– Ok. — Ele se deita. — Gostaria de ficar sozinho agora.
– Claro, meu filho. — Ela se abaixa para dar-lhe um beijo na testa. — Eu te amo.
– Também te amo mãe. — Ela sai do quarto e fecha a porta suavemente. Desce as escadas e vai em direção à uma pequena saleta que era seu escritório.
– Psylocke. — Ela a chama, mentalmente.
– Emma? O que houve? Algo de ruim aconteceu?– Pergunta, preocupada.
– Sim e não. — Responde.
– O que quer dizer?
– Se lembra de Carrie?
– A mutante nível cinco que Jonathan mencionou?– Fala. — Sim, eu me lembro.
– Resumidamente, Jonathan se convenceu de que apagar a memória dela seria o melhor jeito de mantê-la segura. - Ela faz uma pausa. – Quero que venha com Illyana e as Stepford amanhã ao anoitecer. Voltaremos para o Instituto.
– Ele se convenceu ou foi convencido? Eu te conheço, Emma...– Indaga ela. — E eu sei que você quer protegê-lo. Eu mesma o treinei como se fosse meu filho. Também me preocupo com ele. Mas o garoto está certo em uma coisa. Cedo ou tarde Shaw vai bater à sua porta. Vocês só estão adiando uma guerra entre o lado negro e o lado branco.
– Mais um motivo para voltarmos. — Diz ela.– Se ele vier bater em nossa porta, que seja na porta do Instituto.
– Apenas pense nisso, Emma.– Diz ela. — Avisarei Magik. Nós nos veremos amanhã.
A ligação mental cai. Emma se senta na cadeira de seu escritório. Hoje havia sido um dia cheio.
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