Quando ainda se está freqüentado o ensino médio, a melhor coisa que pode acontecer é que qualquer motivo lhe poupe de passar horas encarcerado em uma sala com um professor ditando formulas ou regras que nunca farão parte de seu futuro. Por isso, que sediar a competição interestadual acabou sendo algo maravilhoso para as dezenas de alunos-atletas do Willian Mckinley. Era incrível! Ainda mais com o jogo de classificação para a segunda etapa do Campeonato Estadual de Futebol Americano sendo realizado em Lima naquela sexta-feira. A situação só não era mais perfeita pela falta de entusiasmo do restante dos estudantes em apoiar o Glee Club nas Regionais no sábado. Bom, não se pode ter o mundo aos seus pés de uma hora para outra, certo? O mesmo apito decretaria a largada. E ele estava em uma raia similar para a disputa dos cem metros. O destino só poderia estar sacaneando com ele mais uma vez. Apesar das coincidências, nenhuma recuperação milagrosa ocorreu com o velocista. A fisioterapeuta liberou o paciente para as provas de natação após comprovar que seria benéfico para a reabilitação. Então, ele havia sido inscrito nos cem metros e no revezamento 4x100. Mesmo empolgado apenas por participar, Daniel não ocultava a falta que as pistas lhe causavam. O arbitro apita e ele limpa a mente e cai na água. Sam imita a ação do amigo. Na verdade, o loiro era o favorito. Com o talento ofuscado pela experiência e liderança de Finn nos gramados, era bom sentir-se privilegiado de novo. Rory sabia que havia engolido mais de dois quilos de areia nas últimas horas. Os olhos ardiam com o sol dilacerante e o incomodo pela areia excessiva. É, ignorar a recomendação do capitão Nathan Scott e levar as mãos aos olhos tinha sido estupidez. Agora, ele mal enxergava a pista de atletismo. Harmony nota o desespero na expressão do irlandês e despeja metade de sua garrafa de água em seu rosto. Passado o susto, o namorado agradece e intenção e se dirige para a cancha de saltos. Adam solta mais uma bobagem e o primo não tira os olhos da jogadora da equipe adversária. É, defender o ridículo time masculino de vôlei não era tão ruim. Noah Puckerman gargalha do ponto perdido pelas garotas do Willian Mckinley e sabe que Santana lhe encheria de porradas se flagrasse a piada. Ele dá de ombros e estica as pernas na arquibancada. Há um mês, o professor de educação física comentou que a participação na modalidade poderia render créditos extras e uma semana sem aula. Palavras mágicas para o bad boy do pedaço. Por isso, ele, o primo e Mike Chang observavam a estréia das meninas na competição regional. Na seqüência, eles entrariam em quadra sem a menor preocupação com o resultado. O importante é competir, não é? “Nós deveríamos ter achado algum esporte”. Era a quinta vez que Rachel lia o mesmo recado enviado por Kurt. Apenas os dois se mantiveram fora do campeonato e eram os únicos do Glee Club obrigados a freqüentar as aulas naquela semana. A judia bufa, amassa o papel e tenta se concentrar na chatíssima aula de biologia. Não adianta, o cunhado tinha razão. Até mesmo Blaine e Artie estavam contentes por terem se encaixado bem na equipe de xadrez. Ela ignora os exercícios repassados pela professora e implora mentalmente para que o sinal soasse. Queria chegar a tempo de assistir os últimos lances da partida de vôlei feminino e conferir a exibição masculina. Estava mais do que decidida a faltar as classes restantes e torcer pelos amigos. Afinal, a dupla já estava praticamente garantida na faculdade dos sonhos em Nova Iorque. Rostos avermelhados pela exposição de horas no sol, cabelos e roupas encharcadas e muitos bocejos. Após o segundo dia esportivo, Will reflete que a coincidência das competições não favoreceria em nada o desempenho do New Directions. Os adolescentes estavam esgotados e mesmo Mike e Brittany precisaram de inúmeras repetições para acertar a coreografia. Contudo, o problema se agravava com a descoberta da chantagem de Sebastian. A discussão de táticas e até a ameaça de Finn em quebrar a cara do novo líder dos Warbles só serviam para desviar a atenção do grupo. A cabeça de Daniel latejava após o dia exaustivo e a tagarelice dos colegas não diminuía o incomodo. Irritado, o brasileiro interrompe a discussão Finchel e dispara: _ Por que nós não fazemos o mesmo? Digo... Uma montagem bizarra dele? Fala sério, o Artie é expert em edição de imagens e pode comprometer o cara! – a frase silencia a sala para alivio coletivo. _ Graças à Deus... Eu consigo ouvir os meus pensamentos denovo! Obrigada por isso, Cachinhos... E essa não foi uma ideia ruim! – apóia Santana. Com o ímpeto dos adolescentes totalmente desvirtuado, o professor de espanhol encerra o ensaio e suplica para que se concentrassem nos campeonatos e nos preparativos para o sábado. A quarta-feira é recebida com a primeira medalha de ouro conquistada pela equipe da casa. Nathan, Adam, Sam e Daniel faturam o primeiro lugar no revezamento 4x100 na piscina, o loiro ainda subiria ao pódio nas finais dos 100 e 200 metros costas, enquanto que o atletismo concederia mais primeiras colocações para o Willian Mckinley no salto e nas provas de resistência. As garotas lamentam a desclassificação do vôlei nas quartas-de-final e Tina passa a se dedicar inteiramente a cobertura do evento esportivo para o jornal do colégio. O carioca e o hippie ainda conquistam boas marcas e se garantem na final dos duzentos metros rasos, enquanto o restante dos rapazes fazia treinos extras para a partida de futebol americano da sexta-feira. Faltando poucas horas para o duelo dos Titans, Will acha mais adequado conversar francamente do que repassar as coreografias e canções. Os acontecimentos da véspera caíram como uma bomba no animo de boa parte de seus estudantes. Kurt era o mais afetado pela manobra estúpida de David Karofsky. _ Eu quero que vocês me prometam que não importa o quão estiverem tristes, desesperançosos ou solitários, vocês vão imaginar todas as experiências maravilhosas que terão pela frente. Porque sempre há uma saída, entenderam? – orienta o maestro. Harmony solicita a palavra – Você não precisa fazer isso, Harmony. _ Não, é um bom sinal... Falar sobre isso é bom, faz parte do processo que a senhorita Pillsbury desenvolveu... Honestamente, não funciona assim, senhor Schue. Há um momento em que todo o redor desaparece... – os olhares se fixam na menina, Rory reforça o aperto na mão da namorada – A única coisa que sobra é essa voz na cabeça que fica repetindo que não há saída. Então, uma dor absurda parece que vai te sufocar e não dá mais pra raciocinar. No meio dessa loucura, nada mais importa. O único desejo é que a dor desapareça... Então, algo ou alguém surge e esse momento acaba... Porque é só um segundo de escuridão em milhares de dias, sabem? E agora... To prestes a participar de duas competições regionais, conheci os melhores e mais malucos amigos do mundo e ainda tive sorte de começar a namorar um leprechaun. – a garota limpa as lágrimas e recebe como conforto um beijo carinhoso do duende. _ Acho que a Harmony está tentando dizer que todo mundo tem algo que pode levar ao limite. Mas, nada como um dia após o outro, não é? – a menina concorda – Eu nem quero pensar no que poderia ter sido da minha vida se tivesse mesmo virado um contador. Não teria conhecido vocês profundamente, não teria dado uma chance a Emma ou a essa família doida que acabamos formando, não é Daniel? – o brasileiro sorri largamente – Então, quero que pensem em algo que querem fazer. Grandes planos. _ Quero ser alguém realizado o bastante para evitar que a minha família passe por coisas como... Perder a sua casa. – confessa Sam. _ Quero estar de pé algum dia para poder caminhar com os meus filhos. – idealiza Artie. _ Pode parecer estranho, mas, eu quero me formar no colégio e... Talvez, entrar em alguma faculdade... Dar algum orgulho para minha mãe, sabem? – relata Puck. _ Quero me graduar em Yale como a melhor aluna da minha turma. – Quinn revela a preferência pela instituição e é abraçada pelo namorado. _ Yale, então?! Ok... Eu quero correr cem metros em menos de dez segundos. – era inédito. Daniel acabara de falar em voz alta que almejava se tornar atleta profissional. _ Eu quero ver o dia em que a minha avó voltará a me amar. – relata Santana. _ Eu também... Sonho com o dia em que o meu pai voltará a me olhar nos olhos. – a confidencia de Harmony cala os amigos momentaneamente. _ Eu... Eu quero reparar os meus erros e ser alguém digno de ser chamado de seu amigo. – a confissão do hippie arranca um sorriso sincero da sua antecessora. _ Estou ansioso para a minha primeira dança no Carnegie Hall. – ressalta o asiático. _ E eu... Bem, quero ser mesmo um leprechaun... E trazer sorte às pessoas que me rodeiam... Especialmente, nas Regionais. – brinca Rory. Outros pedidos são assumidos pelos adolescentes e o maestro se sente mais orgulhoso do que nunca ao notar a consolidação não de seu coral, mas, da família que criaram em três anos de convívio. Contudo, ele não poderia ocultar a realização ao escutar o afilhado dizendo com todas as letras o seu maior desejo. Ser um atleta. Em cima da hora, os jogadores de futebol se despedem e correm para os vestiários e para coroar o bom humor do brasileiro, o quarterback titular lhe intima a se juntar ao time. Pela tranqüilidade, a treinadora Beiste poupa seus jogadores e Finn é substituído por Sam, que carrega a equipe para a próxima etapa do Campeonato Estadual. Agora, restava apenas detonar nas Regionais e carimbar o passaporte para as Nacionais. O anuncio de casamento surpresa na iminência da entrada para a apresentação do New Directions era totalmente o estilo de Rachel Berry. Por isso, ele riu. Daniel foi o primeiro a abraçar a principal solista do coral após o convite, que soou quase como intimação, e desejar felicidade ao futuro casal. Contudo, ele poderia notar a expressão de desacordo da namorada e deu de ombros. Os amigos seguem o exemplo e parabenizam os noivos, enquanto o corredor se limita a abraçar a loira. Blaine lhe encara e começa o último de suas estrofes. O carioca avista a fisioterapeuta na platéia e calcula o tamanho da bronca que recebia pela longa seqüência. Rebecca havia liberado dois saltos, não quatro acrobacias consecutivas. Ele dá de ombros novamente e escuta o instante em que a voz da latina faz coro ao garoto. Quatro palavras e quatro acrobacias. Alto, alto, mais alto. Fogo. Ao apoiar o joelho após o terceiro pulo, o estalo é totalmente audível e a dor dilacerante. Mais um impulso e o mortal chutado arranca aplausos da platéia e a surpresa genuína na expressão do antigo arquiinimigo. Ele quase se desequilibra pela pressão latente nos joelhos e leva alguns segundos a mais do que o previsto para dar continuidade a coreografia. Rachel cantarola seu trecho, mira o garoto rapidamente e troca olhares significativos com Quinn. Algo estava muito errado. Os pares se formam e ele sussurra a loira que estava bem. Ela não acredita em nenhuma palavra e a velocidade com ele que se retira do palco para o segundo número é a prova disto. Mercedes lidera apresentação de Stronger e as garotas são ovacionadas. Enquanto as meninas cantavam no palco, os garotos aparecem repentinamente nos camarotes e fazem coro ao solo da pequena notável. A euforia pela excelente apresentação é ofuscada pelas reclamações de dores por parte do brasileiro. Daniel se joga no sofá e o inchaço no joelho preocupa os amigos de tal forma que a primeira ação de Harmony é buscar pela mãe, que aplica o maior sermão dos dezoito anos de vida do Ligeirinho. _ Você me garantiu que seria apenas um pulo, garoto! Você poderia ter rompido o ligamento denovo! – o professor também engrossa a bronca – Quero você na piscina logo após a premiação! Pelo menos, meia hora de exercícios! _ Ah, Rebecca! Eu tenho compromisso daqui a pouco... Não pode esperar pela segunda? _ Eu posso, não tenho certeza se a musculatura do seu joelho pode. Assim que esfriar, você mal vai conseguir apoiar o pé no chão. Então, estamos entendidos? O rapaz concorda a contragosto e ainda é repreendido pela namorada e a melhor amiga. Mercedes é quase mais assustadora do que Rebecca e os integrantes gargalham com a ameaça da negra se o seu homem não seguisse a risca as indicações da fisioterapeuta. Pela severidade no timbre da blackdiva, Sam nem se incomodou ao ser preterido. O loiro nunca se importou pela namorada insistir em chamar o amigo daquela forma e se a braveza fosse reservada a ele, melhor ainda. O quarterback reserva estava satisfeito em ser quem era, sem meias denominações. Atleta, irmão, namorado, trabalhador e filho. Sem a adição do sem-teto. A vida era ótima em Lima e comemorar o bicampeonato das Regionais sorrindo junto aos amigos não tinha preço. É, quem diria que 365 dias atrás a família Evans estava a beira da ruína e agora, planejando a mudança para uma casa mais aconchegante a três quadras da residência dos Jones? Realmente, não havia o menor problema se Mercedes gostava de chamar Daniel de seu homem e Quinn de sua irmã, desde que mantivessem as mãos entrelaçadas as suas. O convite de Sue Silvester é tão inacreditável quanto as suas palavras de admirá-la. Mais insano do que isso apenas a vontade indestrutível de Finn e Rachel se casarem antes mesmo de terminarem o segundo grau. O pensamento não é mais tão bizarro ao relembrar que teria feito a mesma coisa se não houvesse empecilhos. A ideia de ter se tornado esposa do estrangeiro aos 16 anos ainda aparecia em sua memória, com a sutil distinção de não lhe provocar mais lágrimas. O sorriso fraco é suspenso ao esbarrar na solista nos corredores do colégio. _ Quando você estava cantando aquela música, estava cantando para o Finn e apenas para o Finn, não é? Exatamente como faz em todas as músicas. – a loira observa. _ É, pela mesma razão pela qual você não tira os olhos do Daniel desde que ele pisou nesta escola. – rebate a judia com o semblante mais brando. _ É, eu conheço essa sensação... Essa certeza de querer irremediavelmente juntar a sua história com outra pessoa. Por isso, eu gostaria de saber se é tarde demais para aceitar o seu convite para ser madrinha do seu casamento. O abraço sela a paz entre as garotas e a loira ainda escuta os elogios de Blaine e Kurt. Estar de volta as lideres de torcida resgatava parte de seu orgulho ferido. Curiosamente, a história Quinnel jamais esteve ligada ao seu tempo glorioso como capitã e garota mais popular da escola. Seu conceito de prioridades mudara radicalmente durante o namoro mais longo e o ciclo de reputação escolar não estava nem em seu top 10. O seu principal objetivo era organizar a vida e aproveitar os últimos respiros da rotina colegial antes de mergulhar no ambiente universitário. O único receio era o destino de seu relacionamento. Há poucos metros da piscina, ela avista o imigrante ajeitando a mochila nas costas e tentando controlar os revoltosos cachos. Pelo cabelo molhado, o rapaz deveria ter recém saído da sessão extra de fisioterapia. Logo, os olhares se encontram e ela ri com vontade da indiscreta checada do namorado em função do novo modelito. _ A treinadora Silvester me aceitou de volta. Como eu estou? _ Eu só pensar em... UAU! Já disse que adoro Sue Silvester? É sério! – ela estapeia o rapaz antes de beija-lo _ Ei, acabei de lembrar que você me deve um banho de piscina! – o brasileiro apanha a namorada no colo e ameaça joga-la na água. _ Não, Dan! Não, hoje não... Por favor! Eu vou me atrasar ainda mais para o casamento! _ Você vai, então? – ele a coloca no chão – Por que mudou de ideia? _ Por que eu sei que na mesma circunstancia, nada me impediria de casar contigo, estrangeiro. Então, não poderia contrariar a vontade da Rachel. _ Como eu poderia não te amar depois disso? – os braços envolvem a cintura dela – Então, isso facilita bastante a minha vida... Hum... O que você acharia de eu te fazer companhia em New Haven? Só pra esclarecer... Não vou só te seguir, to procurando faculdades que me ofereceram uma chance de verdade no atletismo... E a faculdade de New Haven é a minha predileta. Todo o semestre é realizada uma seletiva para compor as equipes esportivas... E os melhores recebem bolsas de estudos. Eu disse que você nunca mais sairia do meu abraço, branquinha. To tentando manter a minha promessa. _ Eu sempre vou apoiar as suas decisões, mas, New Haden seria fantástico! – ela enlaça o pescoço dele – Agora, preciso correr para casa... Tenho muita coisa para fazer até a cerimônia. Acho que vou acabar pegando o carro da minha mãe... Quer carona? _ Sério? Eu tinha combinado com o Adam, ele não sabe o caminho para o fórum e o Puck vai antes para evitar que o Finn tenha um surto. Mas, claro que eu vou contigo. _ Não precisa, Dan. Se você já combinou, não problema nenhum. Eu vou acabar saindo em cima da hora mesmo! Tenho que comprar um presente ainda! Nos encontramos lá! Daniel ainda protesta algumas vezes antes de ceder ao capricho da loira e se apressar para deixar a piscina. A contragosto, ele apanha a roupa que usou no casamento de Burt e Carole e espera pela carona do bendito hippie. Por sua vez, Quinn solicita o veiculo e a opinião de Judy Fabray para a escolha do presente mais adequado para Finchel. Tarefa complicada, contudo, que é efetuada de bom grado ao lado da mãe. Pela primeira vez, a filha havia lhe pedido ajuda desde que retornara para a casa após o drama da gravidez. É, o convívio melhorara consideravelmente desde o que a mulher passou a se acostumar com a presença do estrangeiro sobre o seu teto. Com as visitas freqüentes, a atual representante de vendas percebera que o genro não era tão desagradável como previa. Adam aparece no horário combinado e ele grita avisando aos padrinhos. Estou saindo de casa. Podemos passar ai, se quiser! Ele digita no celular, envia para a namorada e confere o horário. O hippie explica que precisou fazer uma volta de emergência para os pais e acabou demorando mais do que o esperado. Estou saindo da loja e indo direto. Nos vemos logo, beijos. No fórum, os adolescentes se remexiam entediados pela demora para o início do casamento civil, enquanto os pais dos noivos tramavam contra a união. De certa forma, o desejo para adiar o casamento seria atendido. Puck e Mike tem que segurar o quarterback por três vezes para não adentrar à sala ocupada pela pequena notável. Ver a prometida antes do casamento dá azar. Repetia Blaine irritantemente. A judia enviara torpedos questionando o paradeiro da madrinha e precisava aturar a singela briga de Mercedes e Tina para assumir a posição se comprovada a desistência de Quinn. O primo do bad boy para em um cruzamento e o carro apaga de repente. O brasileiro esbraveja e desce para checar o motor. Nada. O hippie tenta ligar novamente e o motor não responde. Ele espanca o volante e desliga o rádio com raiva. O imigrante olha e não concebe que se sujaria de graxa justo no dia em que pretendia agradar a namorada. Ele tira o terno, dobra as mangas e trata de ressuscitar o maldito veiculo. _ Reconheça, a Quinn não vai aparecer. E pelo visto, ela fez a cabeça do Ligeirinho também. – dispara a latina para desespero da noiva. _ Relaxa, Rach. Falei com o Dan agora a pouco e ele estava terminando de se arrumar. – Mercedes tenta tranqüilizar a amiga, que apanha o celular e escreve qualquer coisa. Adam gira a chave pela enésima vez e o motor ronca para seu alivio. O caroneiro entra resmungando pela sujeira nas mãos e o atraso descomunal. Rachel iria lhe matar! O motorista pisa fundo e alguns quilômetros são vencidos rapidamente. Daniel indica o caminho e ao pegar o desvio, o hippie é quase pego de surpresa e precisa frear repentinamente. O bonde do Mengão sem Freio ecoa pelo carro e o brasileiro sente a bronca de antemão. Ele respira mais calmo ao verificar a chamada de Puck. _ Onde diabos vocês se meteram? Rachel está quase enlouquecendo, porque a Quinn ainda não apareceu e o Finn ta surtando junto! _ Nós vamos nos atrasar, cara... O transito ta muito devagar, mas, a Quinn está mais adiantada... Deve ta chegando no fórum... – Adam avança com cuidado e cena avistada é caótica. O brasileiro emudece ao reconhecer os destroços do carro de sua sogra. As palavras pronunciadas não fazem sentido algum – O carro... Meu Deus! É... A Quinn! Daniel abre a porta com o veiculo em movimento e Adam se vê obrigado a estacionar de qualquer jeito. Ele escuta os gritos do primo, apanha o celular e dispara atrás do amigo. A situação é aterradora. Alguns curiosos acompanham o trabalho dos paramédicos, os automóveis batidos estão esquecidos, os socorristas pedem que as pessoas abram espaço e conduzem alguém para a ambulância e um oficial interpela Daniel. O hippie leva as mãos a cabeça em desespero e quase deixa o telefone se chocar contra o asfalto. Ele lembra do primo ainda na linha e tenta avisar sobre o ocorrido. _ Primo, é horrível... Não acredito... Nossa, a Quinn sofreu um acidente... É grave, cara. – ele grita para o brasileiro e Puck se apavora do outro lado com o fim da ligação.