Million Dollar Man

9 Capítulo 9 - Balancing


Notas iniciais
Sabe aqueles capítulos que você imagina a cena mais não consegue descrever como ela realmente acontece na sua cabeça? Então... (É até por isso que ele está pequeno) Eu imaginei a situação e chorei - sem sacanagem, sou sensível quando se trata de situações que envolvem amigos e família - daí terminei de escrever e fui ler e a única coisa que eu disse foi: "broxante". Whatever, tentem imaginar, vai ficar melhor que o capítulo.

Uma dica: Como a história Delena se desenvolve beeeeeeem devagar e vocês estão tendo que ter paciência, tem uma música que "explica" o relacionamento deles, eu até falei para a Anne Salvatore na resposta do comentário dela, é Open Your Eyes do Snow Patrol :3

EEEI LEITORES FANTASMAS RS COMO VOCÊS ESTÃO E PORQUE NÃO COMENTAM? GOSTARIA DE SABER RSRS

Passei através da porta em direção a sala com meus pensamentos trabalhando em alta velocidade. Respirei fundo não uma, mas três vezes antes de ser capaz de erguer a cabeça e encarar todos os presentes na sala. Por mais que fosse uma cena calma e familiar, eu podia sentir a tensão em minhas veias deixando-me alerta.

April, a irmã mais nova de Damon, acomodava-se confortavelmente no sofá enquanto descansava a cabeça no colo de seu irmão. Edna encontrava-se recostada na madeira que dava sustentação ao móvel falando calmamente com seus filhos como se fossem duas crianças.

Sentei-me no outro sofá o mais distante possível e voltei a encarar o chão límpido de madeira. Soltei um suspiro pesado e voltei a pensar no que faria – para onde iria – uma vez que Matt estava chateado – com razão – comigo. Cruzei os braços e deixei que meus cabelos caíssem formando uma cortina ao redor de meu rosto delimitando-me um espaço de privacidade.

Meu corpo inteiro ainda estava dolorido e o remédio que Damon havia me dado não parecia fazer efeito nenhum. Qualquer movimento, até mesmo o de respirar, proporcionava-me dor em minhas costelas. Puxei a almofada ao meu lado e a abracei apoiando meu queixo na parte superior procurando uma posição confortável.

Não havia notado que a sala estava em silencio até perceber que alguém se sentara ao meu lado. Não precisava olhar para saber que era Damon, mas mesmo assim o fiz e não me enganei. Sua expressão vacilava era a calmaria e a preocupação de maneira que fazia com que eu me sentisse importante.

Não apenas uma pessoa importante. Uma pessoa importante para ele. Meu cérebro buscava respostas do porquê o pequeno fato causava-me tal sensação de segurança. Cheguei a conclusão de talvez seja porque além de Matt, minha mãe e meus irmãos, minha existência não significava nada para ninguém.

–O que houve? – sua voz era calma e macia, podendo até mesmo ser comparada com veludo.

–Nada – respondi sem mesmo pensar.

–Você está tensa – não foi uma pergunta.

–Não posso ficar aqui Damon – disse por fim.

–Por que não? – franziu o cenho.

–Não é certo – murmurei – Quem sou eu para ficar na sua casa invadindo sua privacidade não sei quantas horas por dia quando mal nos conhecemos? — disse sem fazer contado visual.

–Elena eu já disse que não me importo, muito pelo contrario, quero que você fique – disse exageradamente devagar como se eu tivesse alguma dificuldade para entender o que estava dizendo. E realmente tinha.

–Isso não muda nada – protestei.


–Muda muita coisa – continuou usando seu tom calmo – Mas, se você não quiser ficar – pausa – pode ir, contando que não vá para Coney Island. — podia sentir a autoridade no fim de sua sentença.

–Você brigou com Stefan, aposto que ele saiu num estado pior que seu. – umedeci os lábios — não acho que ele vá querer fazer alguma coisa comigo – mentir não era um de meus talentos.

–Stefan está no hospital – fez uma careta – não vou deixar você voltar para lá.

Hospital? Senti um arrepio descer por minha espinha. Agora sabia porque deveria ter medo dele.

–Mas... – não tinha mais argumentos.

–Por favor, — odiava quando ele usava seus olhos como poder de persuasão – pelo menos até você resolver seus problemas com o Matt, fica.

Não respondi, cerrei os lábios e desviei o olhar. Podia sentir minhas bochechas se aquecendo à medida que percebia que era o centro das atenções da sala. Ajeitei meu cabelo e suspirei sentindo-me derrotada.

–Posso ligar para minha mãe? — sussurrei.

–Não precisa pedir – relaxou sua postura – você sabe onde é o escritório.

Era isso que eu precisava. Edna era uma pessoa muito boa – aparentemente – logo não queria desapontá-la. Antes de fazer a ligação procuraria pelo endereço de sua clínica como havia prometido.

E assim eu fiz, e não fora nada difícil. Estava praticamente estampado na contracapa da agenda ao lado do telefone e para minha surpresa era apenas a dois quarteirões de distancia dali. Anotei numa folha destinada a recados e a destaquei do bloquinho amarelo guardando-a em meu bolso em seguida.

Bati os pés enquanto contava de um à dez buscando coragem para ligar para casa. Depois de muito hesitar, disquei o número e ouvi o som da chamada sobre o eco de meus batimentos cardíacos.

–Alô?

–Jer? – sentei-me na cadeira sentindo minhas pernas tremerem.

–Oi – disse soltando um suspiro aliviado ao reconhecer minha voz.

–Você está bem? – perguntei tamborilando os dedos na mesa de madeira.

–Aham – pausa – e você? Onde está?

–Estou bem, não precisa se preocupar. Estou na casa de um amigo – cerrei os lábios.

–O mesmo amigo que não é Matt e que mamãe está preocupada, hm – disse com ironia.

–Está tudo bem mesmo, Damon só quer me ajudar – sussurrei.

–Ok – podia ouvir o som de sua respiração contra o telefone. – Vou chamar a Miranda.

–Olha o respeito moleque, ela é sua mãe – dei uma pausa – deixa ela ouvir você a chamando pelo nome – o alertei reprimindo uma risada.

–Vai dormir Elena – ele disse rindo.

Escutei o som de vozes e passos misturados com a TV sempre ligada em algum desenho. Estranhei o fato de Jeremy estar em casa até perceber que era sábado. Apoiei meus cotovelos sobre a mesa de madeira e sustentei minha cabeça esperando uma resposta do outro lado da linha.

–Oi – a voz calorosa de minha mãe ecoou em meus ouvidos.

–Oi mãe – não pude evitar um sorriso. – Como estão as coisas por aí?

–Ótimas, eu acho – ouvi o som de uma porta se abrindo e se fechando.

Sábado. Sábado Elena.

–Meu pai está aí? – perguntei temerosa.

–Acabou de sair – continuou tranqüila.

Suspirei de alívio.

–Tenho boas notícias inclusive – acrescentou.

–Estou precisando de boas notícias – murmurei.

–Daqui a quinze dias seu pai viaja – pausa – a previsão é de que ele fique uma semana em Seattle com seu, hm... Com John.

Ignorei o fato de John está metido na situação.

–Uma semana? – não podia conter minha animação.

–Pode ficar aqui se quiser, e se não se importar acho melhor você esperar até lá para sair com a Maggie – jurava que ela estava sorrindo.

–Eu vou sim, e espero com certeza – comecei a roer minhas unhas.

–E você está bem Elena? – sua voz mudou um pouco.

–Sim – menti.

–Não foi o que o Matt me contou – murmurou.

Filho da puta.

–O que ele te contou? – minha animação começava a se dissipar.

–Depois a gente conversa sobre isso – disse séria.

Ótimo. Era exatamente tudo que eu precisava.

–E onde você está? – quis saber.

–Na casa de um amigo – murmurei.

–Sei – usou seu tom seco.

–Mãe, depois a gente conversa sobre isso – passei a mão por meus cabelos.

Não era do feitio de Matt fazer esse tipo de coisa. Já estive em situações muito piores e ele nunca abriu a boca nem para desabafar com um cachorro de rua. Alguma coisa me dizia que as coisas não melhorariam nem tão cedo e a conversa com minha mãe incluiria meu futuro desvio da renda para alugar uma casa.

–Se cuida – disse e desligou o telefone antes que eu pudesse me despedir.

Não sabia se era uma impressão ou se realmente todo mundo estava, de algum modo, com raiva de mim. Odiava mais ainda o fato de que qualquer coisa me fazia chorar. Funguei e pisquei mais vezes do que realmente era necessário forçando as lágrimas a fazerem o caminho de volta.

Você já esteve sozinha antes.– Meu inconsciente lembrou-me.

De fato. No ano anterior logo depois do início das férias de verão quando descobri que estava grávida. Matt estava na Califórnia com sua família e não tinha permissão para ir em casa. Tive que esperar pelo menos um mês até que Matt voltasse e conversasse com a minha mãe – o que não foi nada agradável, até essa época meu pai não tinha idéia do que eu fazia quando estava fora de casa, para ele eu era apenas uma drogada como minha mãe.

Pensar no assunto fez com que meu estomago se revirasse de nervoso. Minhas mãos tremiam involuntariamente de nervoso e quanto mais eu forçava meu cérebro a encontrar uma saída, mais perdida eu parecia estar. Estar naquela casa não parecia mais um lugar agradável se eu parasse para pensar pelo lado de que tudo que eu mais precisava naquele momento era de algo que me derrubasse e deixasse-me apagada por horas.

Não percebi que meu esforço para não chorar era em vão até que os sons de meus soluços puxaram-me de volta para a realidade. Sequei meu rosto e esfreguei meus olhos, mas não foi o suficiente para que eu me recuperasse. Deitei a cabeça na mesa e mordi minha mão na intenção de conter minha vontade de gritar.

Deixei que o tempo passasse esperando meu emocional voltar ao controle. Minha blusa estava completamente encharcada e minhas mãos ainda tremiam, só com uma intensidade maior. O fato de ter uma foto de Damon junto de sua família sobre a mesa de seu escritório não ajudava em nada.

Mordi meus lábios cortados sentindo uma crise se arrastar em minha direção. Para minha infelicidade não havia nada pontiagudo ou que causasse estrago qualquer para distrair-me da abstinência. Deixei o pensamento lógico de lado e cravei minhas unhas em meus próprios braços deixando grandes arranhões pintados com manchas de sangue.

A agonia que sentia por dentro foi substituída pela dos arranhões que aumentavam à medida que os golpeava sem pensar duas vezes. O som de meu choro começou a me assustar. Não fazia idéia do tempo que estava ali dentro, mas torcia para que não fosse o suficiente para Damon vir me procurar.

Ouvi passos se aproximando da porta e o meu desespero apenas de multiplicou. Tentei pela segunda vez parar de chorar, mas a tentativa só vez com que mais lágrimas transbordassem de meus olhos. Mal conseguia enxergar, todo o cômodo parecia embaçado e fora de foco, logo, quando a porta se abriu se não fosse pela voz, nunca teria descoberto quem era.

–Elena! – gritou meu nome num ato de espanto.

–Me deixa sozinha, por favor – disse em meio aos soluços.

Ignorando meu pedido, Damon se aproximou de mim e ajoelhou-se ao lado da cadeira. Em seguida, a girou fazendo com que eu ficasse de frente para ele. Não me restava nada a não ser pedir.

–Deixa eu ir embora, Damon – implorei, minha voz estava tão embargada devido ao choro que mal era possível entender – me deixa ir – chorei.

–Não – disse com entonação de pergunta – Não. – soou mais firme – Sei exatamente o que você vai fazer se sair daqui nesse estado.

–Você não sabe de nada – gritei entre dentes deixando a raiva me consumir – E não interessa o que eu vou fazer, eu só preciso ir embora.

–Eu preciso que você se acalme – Damon disse segurando minhas mãos – Não vou deixar você sair daqui para estragar sua vida.

–Você chama isso de vida? – coloquei-me de pé e fui em direção a porta, porém ele era mais rápido e segurou-me pelo braço.

–Calma – olhou diretamente em meus olhos. Naquele momento o poder que eles exerciam sobre mim eram completamente nulos.

–Você me pede para ficar calma porque você tem uma família! – gritei dando-lhe uma tapa para que ele soltasse meu braço – Você pede isso porque existem pessoas que se importam com você – minha voz cada vez ficava mais alta, ignorei a dor em minha garganta e continuei a despejar verdades – Já passou pela sua cabeça de que eu não tenho lugar para ficar? Que eu não tenho absolutamente nada e que tenho que fazer isso porque coloco as pessoas que eu amo em primeiro lugar? – a frase saiu entrecortada.

–Elena – sua expressão era ilegível – por favor, se acalma. – deu um passo na minha direção.

–Como? – balbuciei.

–Você tem uma família, Elena – disse suavemente – você ama sua irmã e eu tenho certeza de que ela também te ama. Sua mãe também te ama – pausa – muito. – ele soltou um suspiro pesado e, com a ponta dos dedos, secou as lágrimas de meu rosto. – Eu me importo com você. Matt se importa e foi por isso que ele brigou com você – minha respiração começou a voltar para seu ritmo normal – Você pode ficar aqui, eu já disse. Se você for para casa, sua mãe não vai te negar nada, assim como Matt mesmo brigado com você não negaria. – respirou fundo – não chore, por favor, eu só quero te ajudar.

–Você não pode me ajudar – murmurei e encarei o chão.

–O que te faz pensar que passei minha vida inteira no bem bom?

Pisquei algumas vezes e voltei a encará-lo, desta vez vendo seu rosto com clareza.

–Eu sei o que você está sentindo – funguei corando ao sentir sua mão acariciar minha bochecha – ou pelo menos acho que sei. Essa sua idade é confusa, ainda mais para você e... Por mais que você aparente ser uma mulher durona, eu sei que você ainda é uma menina cheia sonhos e tenho certeza de que ainda lhe resta alguma inocência.

Suas palavras caíram como uma balde de água gelada. Voltei a chorar com o dobro de intensidade e sem hesitar lhe abracei assim como ele havia feito comigo no dia anterior.

–Eu quero a minha mãe – solucei.

–Quer que eu te leve para casa? – perguntou rapidamente enquanto alisava meus cabelos.

–Eu não posso ir para lá – pigarreei – meu pai está lá, e...

–Ele vai entender, eu posso falar com ele – suas palavras de conforto não estavam me ajudando.

–Não, não, não – respirei fundo – ele não vai entender.

–Quer que eu vá buscar sua mãe? – sussurrou.

Estremeci. Ele buscaria Miranda porque eu queria vê-la.

–Ela não viria, meu pai não iria deixar – nem eu entendia o que eu estava falando.

–Respira – ele me afastou e fez com que eu olhasse diretamente em seus olhos. Fiz o que me foi dito e fechei os olhos por curto instante – Lava o rosto e bebe uma água. Ou se preferir água com açúcar, é só pedir a Dorothea. – Damon desviou o olhar para a porta. Edna me encarava com uma expressão cautelosa, a mão estendida como se estivesse preparada para ajudar caso fosse preciso. Odiei-me por ser tão sensível. – Vou ligar para sua mãe, — o interrompi.

–Não, — funguei – não precisa. Ele revirou os olhos me ignorando.

–Vou ligar para sua mãe, enquanto isso você se acalma — sacudi a cabeça positivamente – Te empresto a minha mãe também, se quiser – ele abriu um sorriso tímido e se afastou caçando o celular no bolso.

Edna ainda me encarava. Assim que Damon saiu de seu escritório, ela avançou em minha direção. Corei fortemente e encarei o chão sem saber o que dizer ou como agir.

–O que houve? – perguntou com a voz doce franzindo o cenho.

–Nada – minha voz era quase inaudível.

–Se não quiser falar, está tudo bem, eu não sou o Damon – abriu um sorriso fraco.

–Parece que todo mundo tirou o dia para brigar comigo – dei de ombros.

Ela assentiu e esperou um longo minuto antes de perguntar:

–Quer alguma coisa?

–Acho que vou beber um pouco de água – minha garganta estava muito seca.

–Vá lavar o rosto, vou pegar para você – disse e saiu do cômodo.

Sem dizer nada, fui até o banheiro do quarto de Damon uma vez que não sabia onde era o outro lavei meu rosto e meu braço sentindo a ardência onde se encontravam os arranhões. Prendi meu cabelo e voltei para a sala. Os olhos azuis e curiosos de April analisavam-me a distancia. Abri um sorriso tímido e sentei-me ao seu lado no sofá.

Enquanto ela tinha atenção no livro em suas mãos, observei seu rosto. Assim como Damon, April era milimetricamente perfeita. Desde os lábios rosados aos cílios espessos que davam mais ênfase na cor de seus olhos. Pensar na beleza da mãe deles fez com que eu me sentisse como um nada.

Edna voltou com um copo de água e uma bandeja com vários pedaços de chocolate. Devagar, ela pôs a bandeja sobre uma almofada e tirou o livro da mão de April marcando a página antes de fechá-lo.

–Divirtam-se – abriu um sorriso largo.

–Cadê o Damon? — franzi o cenho.

–Foi buscar sua mãe – disse despreocupadamente e se sentou ao meu lado se desfrutando do chocolate.

Notas finais
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