Million Dollar Man

7 Capítulo 7 - Consequences


Notas iniciais
Eu sei que o dia era quinta e etc, não precisa me matar ou tomar qualquer atitude radical, estava passando mal e minha mãe não me deixou chegar perto do computador --'

Obrigada Ina, Luar e vampirelover pelas recomendações ♥ MUITO obrigada mesmo ♥

Na boa? O capítulo está uma merda, não ficou do jeito que eu queria só que não estou com paciência e tempo para escrever de novo.

–Stefan, para – minha voz soou fraca devido ao nó que se formava em minha garganta – por favor. – implorei fechando os olhos tentando ignorar a pontada de dor que se formava em minha nuca onde ele havia puxado meus fios.

Ele afrouxou seu aperto assim que as portas do elevador se abriram. O lugar onde sua mão estava encontrava-se vermelho vivo e latejava. A cada segundo que se passava minha respiração parecia mais insuficiente em relação aos meus batimentos cardíacos. Tropecei várias vezes em meu próprio pé tentando acompanhar o ritmo de seus passos.

Foi o centro das atenções dos olhares curiosos que se encontravam no saguão. Abaixei a cabeça sentindo a humilhação dominar meus sentidos. Já do lado de fora, fui arrastada por meus próprios cabelos até seu carro. Reprimi a vontade de gritar e chorar focando a atenção em minhas mãos tremulas. Stefan não dirigiu uma palavra sequer a mim, seus olhos estavam presos ao trânsito e por várias vezes ele resmungou xingando várias coisas que o impediam de andar.

Metade do caminho e não só minhas mãos, mas todo o meu corpo tremia. Tentei me prender a idéia de que Damon havia me dito que não deixaria que ele me batesse – mesmo que ele já tenha dado a amostra do que ele pretendia fazer. Pensar no assunto fez com que meu estomago se revirasse e ao mesmo tempo arrependi-me de ter comigo no café da manhã.

Quando consegui manter meus pensamentos distantes da realidade e do medo, notei que já estávamos em Coney Island, uma esquina antes de nosso destino final. Meu desespero voltou em dobro e antes que eu pudesse compor uma máscara de coragem, meus olhos se umedeceram fazendo-me parecer fraca e humilhada.

Por mais que essa fosse a realidade, não deixaria aquilo transparecer.

–Vá para o quarto agora – disse com aspereza.

Ainda tremula, fiz um enorme esforço para consegui sair do carro e fazer o que foi me dito. Não havia ninguém naquele lugar – exceto por mim e Stefan. Isso só fez com que o ar se tornasse rarefeito entre as quatro paredes envoltas da escada. O que quer que ele fizesse comigo, não teria ninguém para testemunhá-lo ou impedi-lo.

Entrei para o quarto e tranquei a porta debilmente atrás de mim sabendo que aquilo era em vão. Sentei-me na cadeira e senti as lágrimas mornas lavaram meu rosto. As sequei e funguei tentando engolir o choro. Contei de um à dez mentalmente até ouvir o som de passos pesados se aproximar da porta.

–Não é muito inteligente de sua parte trancar a porta – ele riu usando seu tom ameaçador. – Abra, Elena.

Se você não abrir vai ser pior – meu inconsciente alertou-me.

Destranquei a porta e sentei de novo na cadeira já com a vista parcialmente escura. Ótimo, pensei, hora maravilhosa para ter suas crises de anemia. Finquei minhas unhas na madeira para não cair ao ouvir o som da porta se chocar com a parede devido a violência que Stefan usara para abri-la.

–Onde você estava? – perguntou com a voz calma, porém repleta de autoridade.

–Com Damon – minha voz estava fraca e sem vida, precisei pigarrear para que pudesse sair audível.

–Desde segunda? – arqueou uma sobrancelha – Preciso te lembrar que dia é hoje?

–Eu sei que é quinta – engoli a seco e encarei o chão não o deixando ver minha expressão.

–Sabe quantas pessoas procuraram por você? – gritou. Encolhi-me na cadeira. – Sabe quanto dinheiro eu perdi?

–D-Desculpa – gaguejei.

–Quantas vezes você já presenciou a Caroline apanhar por sumir por mais de 24 horas? – gritou ainda mais alto o que causou o meu total descontrole emocional.

–Eu não queria ficar, Stefan, mas... – defendi-me – Damon disse que tinha falado com você.

–E falou – deu de ombros – Não justifica. – Stefan abriu um sorriso largo – Não precisa me olhar desse jeito, Damon só deixou que eu trouxesse você depois que eu prometesse que não encostaria um dedo em você.

Respirei fundo e suspirei em seguida de alívio. Naquele momento eu beijaria Damon de tão grata que me sentia.

Coloquei-me de pé já pensando para onde eu iria. Ajeitei meu cabelo e contornei Stefan indo em direção a porta. Repentinamente, ele pegou meu braço o segurando com força impedindo-me de continuar.

–Não disse que você podia ir – sussurrou em meu ouvido. Ouvi o som da fivela se seu cinto se abrindo.

Ah não. Não. Não. Não. Não.

–E eu disse que não encostaria um dedo em você – pausa. Em seguida senti o peso do couro com força em minhas pernas.

Um grito agudo escapou por meus lábios. Não satisfeito, Stefan agarrou meu braço e me jogou contra parede e em seguida me golpeou-me novamente com o cinto, desta vez, na altura de meu estomago. A dor e a agonia eram mais altos que os gritos que faziam meus próprios ouvidos doerem.

–Para! Por favor! – gritei desesperada em meus aos soluços causados por minhas lágrimas impertinentes. – Stefan para!

Por um momento preferi que ele tivesse me obrigado a transar com ele.

Ele não me deu ouvidos. Depois de levar mais de dez golpes, sentia-me entorpecida e dormente. Minha pele latejava por baixo das roupas compridas de agasalho e minha boca sangrava devido a um corte no meu lábio inferior causado por um de seus golpes. Meus tremores eram mais freqüentes, agora não só de medo, mas também de dor e frio uma vez que estava no chão.

Stefan deixou-me sozinha no quarto, não conseguia ouvir nenhum som a não ser pelo barulho do trânsito do lado de fora da janela. Fiquei de pé depois de enfrentar certa dificuldade para levantar e arrastei-me até o canto do cômodo onde estavam minhas coisas. Peguei meu celular e enfiei no bolso, joguei meus documentos e dinheiro dentro da minha única bolsa e saí sem me olhar no espelho – não queria me assustar ou ter uma crise.

O céu estava mais escuro do que o comum, mesmo para aquela época do ano. O vento proporcionava-me dor nos ossos e na ponta do nariz. Meus dentes batiam e minhas orelhas pareciam estar congeladas. A pior parte era que eu não fazia a menor idéia de onde ir.

Caminhei até o beco onde costumava me isolar e sentei-me encolhida. Minha cabeça doía e girava fazendo com que as paredes se posicionassem em ângulos errados. Apenas percebi que ainda estava chorando quando o som de meu choro alarmou-me. Abracei minhas pernas e escondi minha mão por baixo da manga do casaco achando por fim uma posição confortável no frio.

–Elena? – uma voz extremamente familiar me sobressaltou.

Ergui a cabeça e pude ver os cabelos loiros e os olhos azuis preocupados vindo em minha direção.

–Matt – disse com a voz rouca e fui incapaz de me levantar. – Onde você foi ontem? Eu fui até sua casa e... – ele me interrompeu.

–O que houve? – ao julgar por sua expressão meu rosto estava tão mal quanto pensava.

–Stefan – só o nome bastava.

Sua expressão mudou bruscamente.

–E você diz que ele é uma boa pessoa! – berrou.

Não era o tipo de conversa que eu precisava agora.

–Agora não Matt, por favor – implorei.

–Agora não Elena? Quantas vezes você vai deixar ele fazer o que quiser com você? – fechou a cara – Primeiro ele fez você acreditar que serve para isso, depois te coloca em uma depressão profunda à ponto de você tentar suicídio todo santo dia, nada satisfeito ele te engravida e faz você abortar – suas palavras eram jogas em cima de mim a mesma velocidade que uma metralhadora dispara balas contra um alvo, nesse caso, eu – Quantas vezes ele já não te bateu por coisas fúteis? Quantas vezes ele te obrigou a transar com ele? Quantas vezes ele tirou sangue de você porque você não fez o que ele pediu?

–Para – pedi agarrando meus cabelos pelas raízes num ato de puro desespero e agonia.

Ouvir aquilo podia ser comparado a um banho de sal depois daquela surra. Não precisava de nada nem ninguém para me lembrar do que ele já havia feito de ruim para mim, eu sabia que a lista era grande e continuava a crescendo a cada dia. Mas não podia negar que ele havia me ajudado quando eu não tinha onde procurar ajuda.

–Estou cansado de ver você desse jeito – suavizou sua voz – Você é inteligente demais para viver assim Elena. – suspirou – Olhe para si mesma. Olha o que você está fazendo com você mesma.

–Eu não queria isso, você sabe – chorei. As lágrimas salgadas causavam ardência no corte em minha boca.

–Mas continua assim porque quer – revidou dando um passo para trás – Desculpa, não consigo ficar perto de você enquanto você mesma se trata como lixo.

Disse e virou as costas deixando-me sozinha outra vez.

–Matt! – gritei, em vão, pois ele já estava longe demais para me ouvir.

Aquilo foi a gota d’água. Não se passava do meio dia e o dia já estava daquele jeito, eu não queria saber como terminaria ele. Talvez um pouco melhor, se contar pelo fato de que Damon por mais irritante e mandão que fosse não me deixaria sentir frio durante toda a noite.

Deitei-me no concreto congelado cedendo a dor em minha espinha. Sabia muito bem que terminaria resfriada ou com pneumonia, mas no momento não importava. Não podia ir para casa naquele estado, acabaria por assustar Maggie e deixar Miranda mais preocupada do que já andava. Jeremy não entenderia e provavelmente viria atrás de uma explicação de Stefan.

Chacoalhei a cabeça livrando-me da idéia. Isso estava longe de cogitação, eu longe já era problema demais.

Os minutos se arrastavam lentamente trazendo com eles mais dor e frio. Minha sensação de fraqueza aumentava a medida que o dia escurecia antes do tempo devido as nuvens escuras sob a cidade. Desmaiar talvez fosse uma boa idéia diante de minha situação.

–Não me lembro de ter te deixado sair de lá – a surpresa em ouvir a voz de Stefan fez com que eu abrisse os olhos imediatamente. – Anda, levanta.

Se eu conseguisse, talvez.

Apoiei-me na parede e depois no chão para tentar ficar de pé, mas meu corpo parecia pesado e mole demais. Meus músculos não respondiam meus comandos e minha cabeça parecia só servir para sentir dor. Stefan puxou-me brutalmente e sustentou meu corpo já que minhas forças não eram suficientes para isso.

–Por culpa de seu mau comportamento, você está toda marcada – sua voz era de reprovação. – Logo, por mais uma noite você me dará prejuízo.

Prejuízo significava que eu não seria obrigada a ficar lá. Não sendo obrigada a ficar lá eu poderia escapulir para algum lugar. Uma luz no fim do túnel, quem sabe.

–É sua obrigação arrumar todo o salão antes das seis – disse incisivo e começou a andar arrastando-me. – Devo-lhe informar que só lhe restam uma hora.

Assim que saímos do beco para rua, olhares curiosos fuzilaram minhas costas. Pensei em gritar e pedir ajuda para um estranho qualquer, mas ao mesmo tempo pensei no que Stefan poderia fazer comigo depois. Estremeci.

Meus pés vacilaram no mesmo momento que minha visão escureceu completamente. Apoiei-me em Stefan e respirei fundo recuperando o foco. Só faltava mais um quarteirão até seu motel nojento. Talvez eu sobreviva, pensei.

À medida que nos aproximávamos notei que havia um carro estacionado na vaga em frente ao Mermaid Motel. Forcei um pouco os olhos e reconheci o logo da Porsche e a placa – repreendi-me mentalmente por já ter decorado a mesma. Uma onda de alívio me inundou de tal maneira que me surpreendeu. Stefan resmungou ao meu lado e aumentou seus passos e o aperto em meu braço.

–Se você abrir a boca para contar qualquer coisa para ele eu te dou outra surra, ok? – murmurou segundos antes de abrir a porta. Apenas assenti.

Katherine estava atrás do balcão como de costume. Vestia roupas das melhores lojas que se podiam imaginar e tinha o cabelo feito. Sua maquiagem era delicada e seus cabelos caiam em cachos pesados até sua cintura. Ela me encarou com cara de nojo e rapidamente desviei o olhar para Damon, sentado no sofá puído ao meu lado direito.

Seus olhos varreram meu corpo e depois pousaram o em meu rosto com uma expressão ilegível. Stefan soltou meu braço de imediato e fui obrigada a me segurar na parede para não cair. Esfreguei meus olhos livrando-me das lágrimas e vi Stefan sair de meu campo de visão levando Katherine com si.

–Diz para mim que não foi ele que fez isso – perguntou colocando-se de pé num salto.

Sacudi a cabeça negativamente torcendo para que as lágrimas não transbordassem.

–Não minta para mim – disse aproximando-se de mim. Funguei e sacudi a cabeça novamente, dessa vez sentindo meu rosto ser lavado gentilmente por minhas lágrimas.

–Ele vai fazer isso de novo se souber que você sabe – chorei e me segurei no sofá para não cair.

–Elena – ele me puxou para perto de si e secou meu rosto com a ponta dos dedos. – Ele não vai fazer nada com você.

–Não minta para mim você – minha intenção era dizer a frase carregada de ironia, mas o máximo que consegui foi parecer uma criança fazendo manha.

–Você está congelando – repreendeu – sua boca está roxa.

–Talvez porque eu tenha apanhado – ergui uma sobrancelha. Damon me ignorou e tirou seu casaco e fez com que eu vestisse por cima de minha roupa.

–Vá para o carro e me espere lá – ordenou. – Eu vou falar com Stefan.

–Não, não, por favor – falar com o Stefan só pioraria minha situação.

–Elena seu rosto está vermelho e sua boca cortada, eu não quero imaginar como você está cheia de hematomas – suspirou – vai pro carro.

–Não – funguei – Estou tonta – admiti.

–Bateu a cabeça? – perguntou lançando-me um olhar preocupado.

Assenti e encarei o chão.

–Comeu alguma coisa depois do café da manhã? – cerrou os lábios.

Fiz que não com a cabeça.

–Você não tem jeito – bufou – Vem cá – disse e me ergueu do chão com extrema facilidade.

–Damon! – exclamei. – Não precisa, me põem no chão, eu vou andando. – protestei.

–Se quisesse ir andando não me avisasse que estava tonta – disse abrindo a porta ainda me carregando como um bebê. – Quer deitar? – perguntou percorrendo o curto espaço entre a porta e seu carro.

–Aham – sussurrei.

Damon abriu a porta de trás do carro e colocou-me deitada no banco. O cheiro e o calor do couro fizeram com que eu me sentisse completamente confortável. Suspirei e ouvi a porta do veiculo se fechar. Preparei-me mentalmente para os próximos minutos sozinha ali correndo o risco de Stefan descer e me bater novamente.

Para minha surpresa, Damon abriu a porta do motorista e deu partida no carro. Encolhi-me no banco de trás e fechei os olhos tentei relaxar. A temperatura do meu corpo aos poucos foi se estabilizando e a medida que isso acontecia permiti-me levar pela sensação de moleza.


–Elena? – Damon sussurrou meu nome.


–Hm – resmunguei ainda de olhos fechados. Ele riu.

Senti o chacoalhar de seus passos e abri os olhos repentinamente. Ele estava me carregando por sua sala em direção ao seu quarto. Reclamaria se tivesse estruturas para isso.

–Quer tomar um banho antes de comer alguma coisa? – perguntou sentando-me em sua cama.

Assenti. Era estranho admitir, mas tudo havia me deixado faminta.

Passei a mão por meu cabelo e esfreguei os olhos na tentativa de ficar mais acordada. Damon riu de mim outra vez. O ignorei e suspirei encarando o chão de madeira. Tirei as botas de meus pés e estiquei os dedos aliviada.

–Como está sua cabeça? – Damon passou a mão por meu rosto de maneira carinhosa. Afastei-me surpresa por sua aproximação. – Desculpa – disse rapidamente.

–Dolorida – suspirei.

–Dorothea já providenciou umas roupas para você, tem um pijama no banheiro – disse calmamente – depois disso a gente conversa.

–Obrigada – murmurei.

–Não precisa agradecer – disse e me deixou sozinha do quarto.

Levantei cuidadosamente certificando-me que meu equilíbrio voltara. Caminhei até o banheiro e tomei um longo e relaxante banho quente. Vesti o grosso pijama de moletom e coloquei as meias para aquecer meus pés. Prendi meu cabelo num coque e pela primeira vez olhei-me no espelho.

Meus olhos estavam inchados e fundos. Meus lábios pareciam ter duplicado de tamanho, o corte por mais que pequeno, dava uma tonalidade roxa ao meu lábio inferior. Passei a língua sobre o local e fechei os olhos ao sentir a ardência.

Não tive coragem de olhar o resto do meu corpo, simplesmente deixei o banheiro e fui até a sala onde Damon me esperava. Sente-me no sofá ao seu lado e entrelacei meus dedos sobre meu colo procurando as palavras para lhe contar antes que ele começasse com suas perguntas.

–Comer primeiro – disse assim que abri a boca para falar. Assenti e o segui até a mesa de jantar.

Comi duas panquecas de queijo e depois devorei um pedaço de torta de chocolate. Bebi um copo duplo do suco de laranja que me fora servido e cruzei os braços reprimindo a vontade de vomitar. Eu sabia que aquilo era psicológico, só precisava de algo que mantivesse minha cabeça ocupada.

–Quer mais alguma coisa? – perguntou colocando-se de pé.

Sacudi a cabeça negativamente e caminhei lentamente até o sofá. Tomei a liberdade de pegar uma almofada e a abraçar enquanto meus pensamentos tornavam o momento mais difícil do que já era.

–Ele disse que você só me deixou ir com ele porque prometeu para você que não encostaria o dedo em mim – sussurrei.

–Parece que eu não posso mais acreditar no meu melhor amigo – deu de ombros – Continua.

–Ele não encostou o dedo em mim, não literalmente – encolhi os ombros ganhando uma pontada de dor desconfortável.

–O que ele usou para bater em você? – perguntou sério, seu tom já estava um tanto nervoso.

–Deixa para lá Damon, não quero estragar a amizade com ele – sacudi a cabeça franzindo o cenho.

–O que ele usou Elena? – perguntou novamente ficando mais irritado.

– Um cinto – senti minhas bochechas ficarem vermelhas. A expressão de Damon vacilou.

–Cadê?

–O que? – perguntei confusa.

–As marcas, cadê as marcas – ele perguntou nervoso. Nem eu havia visto ainda.

Ergui a calça até a altura do joelho e deixei a mostra uma série de manchas arroxeadas que se formavam em minha panturrilha. Engoli a seco e tapei minha perna sentindo-me mal por ver aquilo.

–Desculpa, é culpa minha – ele passou a mão por seus cabelos. – Não devia ter deixado você ir.

–Não é culpa sua, não tem nada a ver com você – murmurei. – Damon?

–Hm?

–Posso ficar aqui essa noite? – sabia qual seria a resposta.

–Você está com febre ou bateu a cabeça com muita força? – franziu o cenho.

Apenas o encarei. Ele riu.

–Claro, Anjo – abriu um sorriso largo.

Anjo. Senti um arrepio descer por minha espinha.

–Quer avisar alguém que você está aqui? – perguntou e relaxou sua postura no sofá.

–Não.

–Nem Matt?

–Nós brigamos – disse baixo demais.

Damon se aproximou de mim com os olhos azuis intensos e preocupados.

–Quer falar sobre isso? – sussurrou.


Talvez eu me arrependesse depois, mas no momento alguém para me escutar era tudo que eu precisava.


–Ele foi me procurar hoje – comecei. – Eu estava no mesmo lugar onde você me encontrou... – ele me interrompeu.

–Você estava... – não o deixei terminar.

–Não – mordi o lábio e me arrependi amargamente disso – Ele perguntou o que tinha acontecido, e eu disse que foi o Stefan... – minha voz começou a ficar embargada – Ele disse que estava cansado de me ver sendo tratada como lixo e foi embora.

Não queria e nem devia, mas estava chorando outra vez. Pensar que no fundo ele tinha razão não ajudava em nada meu sentimento de solidão. Sequei meu rosto e funguei afastando os pensamentos ruins.

Sem dizer uma palavra, Damon passou os braços a minha volta e me envolveu em um abraço apertado. Hesitei, mas depois de um longo minuto o abracei de volta e deixei que minhas lágrimas arruinassem sua camisa. Suas mãos acariciavam meus cabelos lentamente dando-me uma estranha sensação de segurança.

–Calma – sussurrou mantendo minha cabeça deitada na base de seu pescoço – vai ficar tudo bem.

–Não, não vai – balbuciei – Stefan vai me dar outra surra assim que eu aparecer e eu não tenho mais ninguém.

–Vou tentar não levar isso para o lado pessoal – senti uma pontada de ironia em sua frase.

–Sem indiretas – choraminguei.

–Foi uma direta, Elena – disse e pousou a mão que antes estava em meu cabelo em meu braço ainda fazendo leves caricias. – Você e Matt vão se acertar, vocês só precisam de um tempo.

–Ele está certo, e – comecei, mas fui interrompida.

–Isso não vem ao caso agora – murmurou. – Não precisa chorar. – pausa – Vou pegar um advil para você, ok?

Apenas assenti e me desvencilhei de seu abraço. Sequei as lágrimas de meu rosto e endireitei minha postura. Em seguida, fiquei de pé e segui Damon até metade do caminho até a cozinha.

–Pode ir deitar, eu sei que você está exausta – abriu um sorriso torto – eu já levo o remédio.

Abri um meio sorriso tímido e segui em direção ao seu quarto sem maiores discussões.

Notas finais
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