Million Dollar Man

6 Capítulo 6 - Stefan


O vento gélido batia contra a janela do carro de modo que deixava o vidro ligeiramente embaçado. Usava o casaco de Damon por cima do vestido na tentativa de deixar meu corpo aquecido. Meus cabelos caiam ao lado de meu rosto formando uma cortina que escondia minha expressão vazia de Damon.

Estávamos dentro do carro seguindo para o lado mais calmo de Manhattan – já no início da ponte que separava a ilha do restante de Nova York. Encarava o asfalto com os pensamentos distante esperando impacientemente o momento em Damon me perguntaria para onde eu estava indo. Um sorriso torto brincava em seus lábios rosados dando um ar brincalhão ao seu rosto pálido no escuro.

–Vai para Coney Island? – ele perguntou depois de um longo momento em silêncio.

–Não – mordi o lábio e cruzei as pernas cogitando sua reação quando dissesse que iria para casa de Matt.

–Para onde então? – arqueou uma sobrancelha.

–Vou para casa de um amigo meu – dei ênfase no amigo.

–E onde esse seu amigo mora? – perguntou olhando-me de esguelha.

–No Queens – tentei relaxar minha postura.

–Devia saber que você não teria ido para casa naquele dia – comentou.

Ignorei-o e encarei meus pés. Recostei-me no banco e relaxei prendendo meus pensamentos no conforto que sentia quando estava perto de Matt. De longe, via como se fosse mais como uma família do que como melhor amigo, principalmente se julgar pelo fato de que usava e abusada de sua casa e suas coisas como se as mesmas fossem minhas.

Soltei um suspiro pesado e voltei minha atenção para Damon. Seus olhos azuis cinzentos estavam opacos devido a falta de claridade. Deixei que meu olhar varresse seu rosto procurando memorizar seus traços milimetricamente perfeitos. Seus lábios ainda moldavam um sorriso malicioso enquanto sua atenção estava no transito. Mordi o lábio desejando poder levar as mãos em seus cabelos negros e macios – imaginar a sensação de poder tocá-lo fez com que um arrepio percorresse toda minha espinha.

Fechei a cara e xinguei-me mentalmente. Estava completamente proibida de pensar nele daquela forma – seja ela qual for. Odiava ter que seguir ordens e ter a mão soando de nervoso pela presença de uma pessoa. Não deixaria que isso acontecesse, ainda mais com Damon, principalmente por ser o Damon.

Os minutos de arrastavam lentamente deixando-me cada vez mais tensa e inquieta. Já era difícil ficar perto dele dentro de quatro paredes, mas não era nada comparado a estar com ele dentro de um carro com todas as janelas fechadas. Meus instintos gritavam para mim para que eu corresse e me alertavam que a qualquer momento ele poderia pular em cima de mim e me comer – em qualquer sentido da palavra.

–Onde, exatamente, seu amigo mora? – Damon perguntou fazendo com que eu deixasse meus devaneios de lado.

Precisei olhar a minha volta para que pudesse me situar. Depois de um breve minuto de reconhecimento, disse em meio a um suspiro:

–Primeira rua à esquerda, — pausa – quarta casa à direita.

Ele apenas assentiu e diminuiu a velocidade do carro à medida que fazia a curva na esquina da rua. Meu coração começou se acelerar depois de uma rápida olhada para a familiar casa de Matt.

Todas as luzes estavam apagadas.

Damon mal havia terminado de parar o carro e eu já havia pulado para fora sentido o vento frio junto com leves flocos de neve soprando contra meu rosto. Praticamente corri cortando o percurso da calçada até a escada de madeira da casa. Parei por um instante tentando identificar algum som dentro da casa.

Nada.

Fui até a janela de Matt e esfreguei o vidro embaçado na esperança de que conseguisse olhar através dele. Nada além do escuro. O desespero se plantou dentro de mim dominando todos os meus sentidos.

Puta merda. O que eu iria fazer?

Damon estava encostado no carro observando-me com curiosidade. Eu tinha total certeza de que ele não me deixaria passar a noite na rua. Talvez fosse até capaz de me pegar pelo cabelo e me arrastar a pé até seu apartamento. Choraminguei e apoiei-me contra a parede revestida por madeira.

Talvez eu possa ficar parada na porta esperando Damon ir embora. – pensei mesmo sabendo que era em vão.

Permiti-me odiar Matt por um segundo. Xinguei-o de vários nomes infantis e sem cabimento tentando ver o motivo de sua ausência. Geralmente quando ele passava a noite fora com sua família, me avisava com antecedência para que situações como essa não acontecessem.

–Só vou embora quando você entrar, se é o que está se perguntando – Damon disse aproximando-se de mim até não estar mais sob o tempo ruim.

–Não precisa esperar – tentei construir uma desculpa boa e coerente antes que precisasse fazer uso da mesma.

–Sim, precisa – disse abrindo um breve sorriso. Ele apoiou-se na parede ao meu lado e soltou um suspiro pesado.

–Vou ter que esperar eles chegarem, e... – comecei, mas fui interrompida:

–Hm, imaginei – soltou uma breve risada.

Não sabia se já podia sentir alívio por sua reação ou se deveria aproveitar para correr enquanto tinha tempo.

–Então... – murmurei – pode ir. – incentivei.

Uma rápida troca de olhares e ele agarrou meu braço. Antes que eu protestasse, ele estava me arrastando gentilmente de volta para o carro.

Sabia que terminaria assim – ou parecido.

–Damon me larga – disse entre dentes contorcendo-me para livrar-me de seu aperto.

–Você não vai ficar esperando ninguém, — disse com autoridade – não vou deixar.

Não vou deixar.

–Desde quando você me deixa ou não deixa fazer alguma coisa? – questionei irritada.

–Desde quando percebi que você não tem maturidade para se cuidar – respondeu com um sorriso debochado.

Cerrei o punho e preparei-me para dar um soco em sua mandíbula como troco de sua acusação.

–Jogo baseball, tenho reflexos rápidos – segurou meu braço ainda no ar – não tente fazer isso de novo.

Diria “seu pedido é uma ordem” se ele já não levasse isso muito a sério.

–É só você me deixar ir – abri um sorriso largo.

–Têm noção de que você pode adoecer ficando exposta ao tempo a noite inteira? – perguntou sério.

–Nossa e você fala isso como se eu fosse uma criança de seis anos! – puxei meu braço e comecei a bater os pés.

–Então pare de agir como uma – disse com a voz cortante.

–Você quer mandar em mim e eu que ajo como uma criança – estava controlando mais uma vez a vontade de quebrar seus dentes e fazer com que ele engolisse um por um junto com suas ordens.

–Não mandaria em você se você tivesse juízo – suspirou e voltou a me rebocar para o carro.

–Damon eu não vou voltar para sua casa! – protestei travando as pernas tornando mais difícil me locomover.

–Ok – ele me soltou – Quer que eu pague um hotel para você ficar?

O que?!

–Claro que não! – praticamente gritei exasperada.

–Para onde você vai? – sua voz estava calma, mas sua expressão dizia ao contrário.

–Não sei – respirei fundo – Talvez Stefan me deixe ficar lá... – menti.

–Hoje seria o ultimo lugar que você iria – arqueou uma sobrancelha.

–Ah sim, ok – disse por fim gesticulando com as mãos – Vou me virar.

–Fique você sabendo que tenho uma reunião amanhã ao meio dia, o que significa que não vou ter tempo para procurar você em todos os becos em Coney Island – pausa – E nem vou ter tempo para cuidar de uma drogada inconsciente, logo... – suspirou.

Senti minha expressão mudar bruscamente. Sabia que havia sido seguida. E ele sabia exatamente onde eu estaria se passasse a noite sozinha. Uma estranha sensação indescritível vez com que o sangue pulsasse mais rapidamente por minhas veias.

–Entra no carro – disse com a voz suave.

Hesitei, mas fiz o que ele disse encolhendo-me no calor proporcionado pelo aquecedor do carro. Tomei certa liberdade e livrei meus pés da sandália sentindo um alívio instantâneo. Ouvi o barulho da porta se fechar e fiquei com medo de olhar. Cruzei os braços não pretendendo baixar a guarda.

–Desculpa ocupar seu tempo – comecei – Mas não pedi para que você cuidasse de mim.

–Não seja mal agradecida Elena, é falta de educação. – abriu um sorriso largo que prendeu minha atenção.

–A parte em que eu agradeci não estava com ironia – suspirei.

–Ah sim, não há de quê. – respondeu inclinando a cabeça em minha direção.

Minha cabeça parecia uma estar em uma densa tempestade. Nada fazia sentido. Podia-se dizer que estava pior do que meus pensamentos quando bêbada – não que eu lembrasse deles para comparar. Fixei minha atenção no movimento noturno da rua para não surtar com meus próprios complexos enquanto sentia o olhar de Damon ardendo em meu rosto.

–Quem é esse seu amigo? – perguntou com a voz tomada de curiosidade depois de um longo minuto de silêncio.

–Matt?

–Matt?

Eu ri.

–Meu melhor e único amigo – disse e ri outra vez de como minhas palavras soaram antiquadas.

–Ah sim – senti que ele estava dando uma brecha para que eu continuasse falando.

–Nos conhecemos desde a pré-escola e depois que eu deixei tudo para trás ele foi o único que não me virou as costas – suspirei.

–Já gostei dele – Damon deu de ombros.

Senti minhas bochechas ficarem rosadas.

–Então você vem sempre para cá quando precisa? – tentei não ver suas perguntas como um incomodo.

Sacudi a cabeça positivamente.

–Já faço da casa dele a minha – abri um fraco sorriso.

–Sabe que pode abusar da minha quando quiser, — disse despreocupadamente.

–É diferente, eu o conheço a mais de dez anos – cruzei meus braços esquentando meu corpo.

–Mas não muda o fato de que você pode se sentir em casa quando estiver lá – tirou uma das mãos do volante e passou em seus cabelos.

–Ok – sim eu tentaria.

Tentaria?

Limitamo-nos a uma breve conversa sobre livros depois disso. A promessa de que haveria um cômodo que me convenceria a ficar lá de boa vontade ficou entalada em minha garganta. Em questão de vinte minutos, estávamos de volta ao centro de Manhattan.

Dessa vez pude ver claramente o caminho até seu espaçoso apartamento. Ficava no andar mais alto de um prédio empresarial – julguei que seria sua empresa. Sobre a porta estava escrito em aço McClain’s Enterprises Inc. Desci do carro assim que ele abriu sua porta para entregar a chave a um de seus empregados.

Damon conduziu-me até o elevador e clicou no ícone do ultimo andar. Permaneci em silêncio encarando os nós de meus dedos após estalá-los um por um. Arrumei meu cabelo antes de sair do elevador e o segui até a única porta grandiosa do andar.

–Quer alguma coisa? – perguntou assim que passei pela porta.

–Não – sussurrei.

–Não sei porque eu pergunto – revirou os olhos.

–Nem eu – arqueei uma sobrancelha – Não revire os olhos.

Ele riu e acendeu as luzes ao passar por cada cômodo em direção a uma área que era desconhecida para mim. Calculei meus passos no escuro tentando não acertar meu nariz no chão. Depois de subir uma escada, Damon abriu uma porta larga e puxou-me para dentro acendendo a luz em seguida.

–Divirta-se – disse ele com um sorriso na voz.

Puta merda.

Não era possível ver a cor da parede do cômodo – todas elas estavam sob estantes repleta de livros dos mais variados gêneros. Minha boca se abriu em choque. Talvez eu devesse ter dito minha paixão por livros antes. Minha vontade era sair correndo pela sala abraçando e sentindo o perfume de cada livro em cada estante e ler todos simultaneamente.

Forcei minhas pernas a andarem e fui até a prateleira mais perto. Com a ponta dos dedos toquei as capas bem conservadas dos clássicos da literatura.

–O Pequeno Príncipe! – exclamei sentindo uma nostalgia tomar meus sentidos.

–Meu preferido desde os seis – ele riu pegando o livro da estante.

–O meu perdeu a capa de tanto que eu li – fiz uma careta – Minha mãe ainda lê para Margareth antes de dormir.

–Margareth?

–Minha irmã – dei de ombros.

Meus olhos continuavam a vasculhar a estante.

–O Príncipe? Hamlet? Dom Quixote? – eu realmente estava surpresa.

–Achavam que eu era gay durante a adolescência por gostar tanto de ler. – fechou a cara.

Eu ri alto.

–Sempre fui a estranha da classe, sou acostumada com essas coisas – suspirei.

–Estranha da classe? – franziu o cenho.

Minha atenção não estava presa na conversa, e sim na lista crescente de livros que sempre sonhei ter.

–Notas altas, queridinha dos professores, derivados – dei uma pausa – eu sei que é estranho ouvir isso.

–Não, sempre achei você uma mulher inteligente – abriu um sorriso largo fazendo com que minhas bochechas ganhassem um tom cor-de-rosa.

–Você leu David Copperfield do Charles Dickens? – pensei em abraçar ele por ter algo em comum comigo assim como eu fazia quando tinha meus doze anos.

–Aham – ele passou a mão por seus cabelos.

–Orgulho e Preconceito, hm – meus olhos analisaram o título impresso na capa. – Gosta de literatura inglesa? – era uma pergunta idiota a julgar pelos livros que ali estavam.

–Minha preferida, parcialmente – sussurrou.

–Parcialmente?

–Gosto de um pouco de tudo – deu de ombros. – Elena?

–Hm? – peguei o exemplar surrado de “E o Vento Levou...” e abri cuidadosamente.

–Já são duas horas da manhã – observou.

Não respondi, continuei a folhear o livro. Havia várias anotações ao decorrer das páginas e as mesmas prendiam mais minha atenção do que o conteúdo do livro propriamente dito.

–Ok, vamos dormir – ele disse puxando o livro da minha mão.

–Não! – sem chances de dormir agora. No mínimo teria que ler metade daqueles livros para acalmar o ritmo de meus neurônios.

Ele riu e segurou meus braços para que eu não pegasse o livro outra vez.

–Damon eu quero ficar aqui, deixa, por favor – implorei agarrando-me a porta.

–Você não queria vir – ele ainda estava rindo.

–Agora eu quero – estava praticamente pendurada na porta. Aquilo me lembrava os desenhos que assisti durante a infância. – Venho aqui todos os dias se quiser, pago até aluguel – fui vencida por sua força.

–Bom saber – ele fechou a porta – A filha de Dorothea está dormindo no quarto de hóspedes, logo... – breve pausa e uma nova luz fora acesa – você dorme no meu quarto e eu durmo na sala.

–E você cheira – fechei a cara – claro que não vou dormir no seu quarto.

–Alguma coisa errada com o meu quarto? – perguntou como se eu o tivesse ofendido – Não gosta de azul?

Ah sim, eu já havia dormido em seu quarto. Não gostei nada da idéia.

–Nada contra – defendi-me. – Mas não vou tirar o seu conforto.

–Elena, — disse ignorando completamente o que eu havia dito – você dorme no meu quarto e eu na sala. Afinal, deixar você na sala corre o risco de você escapulir antes do amanhecer.

–Não vou escapulir, eu prometo – estava cansada demais para fazer algo do tipo.

–Mesmo? – arqueou uma sobrancelha.

Pareci convencê-lo. Depois de arrastar dois cobertores e travesseiros para o sofá da sala, aceitei a oferta tentadora de um copo duplo de chocolate quente e tomei outro banho. Foi obrigada a vestir uma camiseta de Damon para que eu tivesse roupa para sair pela manhã – o único problema é que cabia folgadamente, três de mim dentro da roupa.

Escondi-me debaixo das cobertas sentindo o calor do aquecedor depois de ter todas as luzes apagadas. Abracei o travesseiro e deixei que meus pensamentos vagassem por coisas abstratas até que fosse carregada pelo cansaço.

Não havia luz alguma quando acordei. A princípio pensei que ainda era madrugada, mas o murmúrio de vozes era constante no cômodo ao lado. Sentei-me e analisei a minha volta. Senti a raiva preencher meu corpo. Eu não estava no sofá. Estava esparramada na enorme cama de Damon.

Deslizei meus pés para fora da colcha sentindo o golpe do ar gélido nos meus dedos. Coloquei meu cabelo por trás da orelha e segui até o banheiro depois de arrumar a cama. Havia uma muda de roupa – que não era a minha – sobre a pia junta com uma bota de couro que me parecia calorosa.

Escovei os dentes com a escova que se encontrava junto com a toalha que usara no dia anterior e entrei para o banho em seguida. Quando terminei, vesti a roupa e penteei meu cabelo cuidadosamente até que os mesmos caíssem esticados e sem graça até a altura de minha cintura.

–Bom dia – Damon disse assim que saí do banheiro para o quarto.

–Achei que eu fosse dormir no sofá – disse seca.

–Acontece que eu não consegui dormir com seus dentes batendo – ótima desculpa. Revirei os olhos.

–Não... – eu o interrompi.

–Não precisa falar, sei que isso te irrita, só faço para você ter noção de que você também me irrita – abri um sorriso largo.

–Ok, chega – ele disse e se sentou na cama – Primeiro você não ter permissão de fazer a cama quando dormir aqui.

–O que?!

–Tenho empregados para isso e você é visita – pausa – Segundo, esperei você dormir para te trazer para cá caso contrário teria que te amarrar. – abri a boca para argumentar, mas ele se apressou em continuar – Terceiro estava te esperando para tomar café, e não diga que está sem fome.

–Eu tenho escolha? – sabia a resposta.

–Sobre o café da manhã, não.

Saí pisando duro até a mesa onde o banquete matinal era servido. Sentei-me na mesma cadeira que o dia anterior e limitei-me a beber um copo de leite. Damon praticamente enfiou em minha boca e fez com que eu mastigasse uma maça – sem exageros, é claro.

Assim que terminei, debrucei-me sobre a mesa apoiando meu peso sob os cotovelos. Soltei um suspiro pesado e observei Damon enquanto ele comia seus biscoitos de chocolate acompanhados de leite feito uma criança.

–Sr. Salvatore? – Dorothea chamou timidamente.

–Hm?

–A Srta. Katherine acabou de chegar – pausa – Stefan está esperando para conversar com o senhor.

Katherine?

–Já estou indo, obrigada – respondeu tranquilamente.

Fiquei completamente paralisada. Stefan. Stefan estava ali. Ele ia me dar uma surra, já fazia três dias que eu não lhe dava satisfação ou se quer aparecia em Coney Island. Finquei minhas unhas em meus próprios braços num ato de nervosismo. Ah, puta merda.

–Damon eu tenho que ir – minha voz saiu aguda e estranha de mais.

–Calma – ele deixou seu café da manhã de lado.

–Não, ele vai me bater de novo – comecei a ficar desesperada – eu preciso ir embora ou ele vai me machucar.

–Elena – disse com firmeza – ele não vai fazer nada com você.

Respirei fundo tentando diminuir o ritmo de minha respiração.

–Vou falar com ele, você espera aqui – disse calmamente e se levantou.

Acho que seria capaz de implorar para que ele não me deixasse sozinha. Olhei sobre o ombro, mas eles não estavam dentro de meu campo de visão. Levantei-me da cadeira e bebi um copo de água procurando por coragem de sair dali.

–Você – por um momento achei que Damon falava comigo. Katherine, esposa de Stefan, estava do outro lado da enorme sala lançando-me um olhar mortal. – Vá para o quarto. Troque suas roupas e espere por mim.

–Sim Sr. Salvatore – murmurou e desapareceu de vista.

–Elena? – olhei automaticamente.

–Hm?

–Stefan vai te levar de volta – pausa. Seu olhar expressava tranqüilidade, mas a mesma fugia de mim à medida que meu coração batia – à noite vou te buscar.

–Buscar?

–Sim, quero conversar com você – ele olhou para Stefan e depois para mim.

Apenas assenti.

–Elena – reconheci a voz de imediato. Seu tempo de correr acabou.

–Bom, se vocês me dão licença – Damon saiu da sala em direção ao lado do apartamento que eu não conhecia.

Passei direto por ele em direção a porta tentando não parecer apavorada. Stefan fechou a porta atrás de mim e me segui em passos largos até estar ao meu lado. Senti o peso da sua mão em meus cabelos os puxando fortemente.

–Ai! – protestei.

–Docinho – disse com ternura. Arfei depois que ele puxou meu cabelo pela segunda vez. – Eu já te disse que não é para você sumir assim.

Notas finais
Comentem, por favor - a opinião de vocês é importante. qualquer coisa, @weadorenian/@welovedemetria