Million Dollar Man

26 Capítulo 26 - All Fall Down


Notas iniciais
Bruna, muito, muito, muito obrigada pela recomendação e por toda essa ajuda que você me deu com esse capítulo, caso não fosse por ti não estaria postando ♥
Não tenho muito o que dizer, só que os capítulos que tendiam ser grandes vão ficar ainda maiores porque quero adiantar a história agora nas férias, espero que não me xinguem, haha
Espero que gostem! :3 E ah sim, músicas para o capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=fk1Q9y6VVy0&list=PLdVF5tWBi1o8vPYPTKZdRrd7jAjxFnwi2&index=2 e http://www.youtube.com/watch?v=QwkgUF9tHRk&list=PLdVF5tWBi1o8vPYPTKZdRrd7jAjxFnwi2

O ar fresco soprava na direção contrária a que Damon dirigia em alta velocidade sem pudor. Não havia trânsito, éramos apenas nós e mais três carros atravessando a ponte que separava a movimentada ilha do resto da cidade. Meus longos cabelos castanhos eram jogados para trás devido a intensidade do vento. Vestia uma de minhas blusas preferidas sem alças na cor creme juntamente com um micro short jeans de lavagem escura. Damon tinha um dos braços ao meu redor de maneira acolhedora enquanto meus dedos estavam entrelaçados nos seus.

O trajeto em si fora um evento silencioso, nenhum de nós falou muito, somente alguns comentários aleatórios sobre algo que nos chamava atenção. O relógio marcava precisamente quatro horas quando ele estacionou o carro em frente a casa desbotada. Recebi um doce beijo casto nos lábios e pulei do banco do carona fugindo da eletricidade irradiada por meu moreno.

–Vou apanhar April no shopping e deixá-la em casa, dentro de alguns minutos estarei de volta – disse antes que eu fechasse a porta.

–Não demore – sorri e caminhei em passos largos em direção a escada de madeira.

–Jer? – chamei encarando o vazio no corredor. Não houve nenhuma resposta. – Mãe? – o ranger da porta de seu quarto ecoou quebrando o silêncio.

–Elena – seu rosto apossou-se de uma máscara de surpresa. – Não esperava que você viesse aqui hoje.

–Matt disse que você tinha algo a me contar – mordi o lábio – e de um jeito ou de outro, viria buscar Maggie. Estou gostando de tê-la por perto.

–O que Matt disse? – fechou a cara.

–Nada além de que você depois conversaria comigo – dei uma pausa – Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo? – perguntei desconfiada indo ao seu encontro. Dei-lhe um breve abraço e me afastei para analisar.

Sua postura entregava que ele havia ficado, no mínimo, duas noites sem dormir. Seus olhos azuis eram destacados por profundas olheiras arroxeadas enquanto seus cabelos desleixados eram domados num coque improvisado. Minhas intuições me alertavam que a notícia que estava por vir não me agradaria em nada.

–Quer comer alguma coisa? – Miranda perguntou desconversando.

–Mãe – suspirei. – Não, acabei de almoçar.

–Ok, — respirou fundo e abriu um meio sorriso amarelo. -Eu tenho que te atualizar das coisas – disse Miranda a meia voz. Depois de soltar um suspiro pesado, sentou-se no sofá e me encarou com seus olhos cansados.

–Onde está Jeremy? – perguntei introduzindo o assunto. Cerrei os lábios e cruzei os braços tentando não demonstrar meu nervosismo.

–É exatamente sobre isso que temos que conversar – ela umedeceu seus lábios e gesticulou para que eu me sentasse ao seu lado. Assim que eu o fiz, seus braços me envolveram num abraço apertado de tirar o fôlego; sua aproximação apenas confirmou minha intuição de que o que estava por vir não me agradaria.

– Ele não está porque ele foi morar com Grayson, Elena – disse sem fazer contado visual – Ele ou Maggie teriam que ir e... Acho que você conhece seu irmão, Margareth não ficaria bem sem mim e... – respirou fundo parecendo travar uma grande luta contra suas lágrimas.

–Como assim? – o desespero tomou conta de mim – Ele foi embora? – um misto de confusão e desespero deixou meu corpo alerta – Por que ele foi embora? Grayson mora aqui, ele não tem que sair daqui para ficar com ele, a senhora não deveria ter deixado isso, é insanidade. – eu precisava do meu irmão perto de mim, não que eu fosse a melhor irmã do mundo no quesito proteção, mas a idéia de tê-lo longe dos cuidados de minha mãe me parecia absurda.

–Primeiro me escuta – seus olhos estavam ligeiramente marejados – Antes que você comece a se culpar pelo que estou prestes a dizer preciso lhe falar algumas coisas – sua voz me parecia fraca – Isso não tem nada a ver contigo, ok? Não quero que você saia daqui e se culpe como se você fosse o núcleo do problema, aliás, você nunca foi motivo de nenhuma de nossas brigas – ela não precisava continuar para que eu soubesse do que se tratava; eu apenas torcia para que estivesse vivendo um pesadelo. Lágrimas mornas escorreram por meu rosto borrando minha maquiagem – Nunca, nunca, foi por causa de você.

–Nunca? – ri sem nenhum vestígio de humor – sempre que eu pisava nessa casa pouco faltava para ele te bater – chorei – Seja o que for que tenha acontecido, foi por vocês discordarem em tudo quando o assunto era eu – funguei. Não podia me abalar na sua frente, sabia o que aquilo lhe causava e não podia lhe fazer sofrer mais.

–Filha, não é bem assim – suspirou e passou a mão por meus cabelos afagando meu rosto em seguida numa tentativa em vão de me acalmar – Sim, nós não concordávamos em muita coisa quando se tratava de você, mas isso não quer dizer que você seja responsável pelo que aconteceu.

–O que aconteceu, afinal? – perguntei já irritada com a voz embargada.

–Grayson pediu o divórcio – disse pausadamente como se tivesse sérios problemas de interpretação – Coisa que eu mesma já deveria ter feito há muito tempo.

Não consegui dizer nada, o que eu mais temia aconteceu. Entreguei-me ao choro de maneira humilhante. Não podia ser verdade, aquilo não podia estar acontecendo, não quando tudo parecia começar a encontrar seus próprios eixos. Tudo dava a entender que Miranda resolveria tudo com uma conversa – e assim eu tinha esperança que se procedesse, Grayson continuaria sem olhar diretamente em meus olhos, mas pelo menos admitiria que eu vivesse sob o mesmo teto que ele.

Obviamente as coisas não poderiam dar certo em dois ângulos diferentes, já era demais John ter voltado de vez e ainda disposto a ser presente em minha vida para recuperar todo o tempo perdido. Talvez, o simples fato de meu relacionamento com Damon ter completado uma semana com apenas uma briga já fosse o suficiente para que o resto começasse a desandar, afinal, a vida em jogo era a minha, qualquer coisa de ruim que pudesse acontecer, aconteceria quando eu menos esperasse.



Meu mundo havia desabado. De tudo eu havia passado e superado, mas não sabia se conseguiria lidar com os danos por mim causados na vida de meus pais. Lembranças dos dois juntos com os dedos entrelaçados em inúmeras situações diferentes fizerem meu coração virar pó em questão de segundos. Destruir uma vida, a minha própria, era uma missão fácil demais e talvez não fosse o suficiente para aquietar todo o ódio que guardava em meu peito, pensei com desgosto. Todo o carinho que eu cresci vendo, admirando, cobiçando um dia poder ter para mim fora por água baixo e eu era o principal motivo.

–Onde está Maggie? – perguntei desorientada esfregando meus olhos para limpar minha visão.

–Com Jenna, ela está na cidade desde que soube do ocorrido – cerrou os lábios – mais cedo ela veio aqui, disse que quer te ver.

–Agora não, eu... – não sabia o que dizer – eu vou para casa – pensei no que havia dito – Não, eu vou ficar no apartamento com Damon, desculpa eu não quero ficar aqui, mãe – coloquei-me de pé preparando-me para sair. Todo o meu dia que começara de maneira melhor impossível estava arruinado.

–Não vai esperar Damon vir de buscar? – vê-la naquele estado quebrava meu coração em pedaços mínimos. – Não quer ficar para ver sua tia? – seu rosto refletia a angustia que ela tanto tentava esconder.

–Eu preciso ficar sozinha, eu – enxuguei minhas lágrimas com as costas de minha mão e continuei: — tem muita coisa acontecendo, acredite, é demais para mim, não que eu não entenda, eu só preciso pensar um pouco. Não faz uma semana que ouvi tudo aquilo de Grayson, e para ser sincera, não engoli nem metade e depois minha conversa com Matt que acabou gerando uma briga entre eu e Damon... Eu não quero ter uma recaída depois de dois meses afastada das...

–Eu entendo, eu entendo – Miranda disse gesticulando – Leve o tempo que quiser para digerir toda essa informação, eu só precisava lhe contar antes que você soubesse por outra pessoa e acabasse com raiva de mim, coisa que já aconteceu antes.

–E... – pensei por um instante me assegurando de que era aquilo que eu realmente pretendia – Depois eu queria conversar com a senhora sobre Damon e eu, não acho que você vai gostar de saber, mas também não estou me sentindo bem escondendo isso.

–Já imagino o que seja, mas tudo bem, você é quem sabe – abriu um fraco sorriso – Quando estiver se sentindo, volte para nós conversarmos melhor, ok? Quando sua tia chegar aqui, vou ligar para marcar um dia para vocês saírem – assenti e a puxei para um demorado abraço. – Eu te amo tanto.

–Eu também te amo, mãe – suspirei e lhe dei um beijo no alto da testa.


Sai de casa como um furacão, não fazia idéia do que estava se passando em minha cabeça sequer conseguia controlar minhas lágrimas. Pensei em ligar para Damon pedindo para que ele me buscasse, mas de fato precisava de algum tempo sozinha. Andei e andei até finalmente estar isolada num canto do ônibus lotado com o rosto entre as mãos. O que eu havia feito com minha própria família? Os mesmos que nunca me negaram nada, muito pelo contrário, abriram mão de muita coisa para me dar conforto.

O espaço que me encontrava pouco importava, assim que desci no ponto mais próximo ao apartamento de Damon precisei pensar mais do que o de costume para que meus músculos reagissem aos meus estímulos. Encarei o chão e continuei andando desviando do fluxo de pessoas caminhando às pressas provavelmente em destino aos seus próprios trabalhos.

–Carmen? – uma voz masculina interrompeu meus devaneios. Um calafrio desceu por minha espinha; continuei a caminhar e aumentei o ritmo de meus passos. Ele chamou novamente, tanto tempo sem ser chamada por aquele nome que eu podia facilmente ignorá-lo. – Estou falando com você.

–Acho que você me confundiu com alguém – disse com a voz falha sem ter coragem de olhar para trás, um reconhecimento não seria agradável.

–Reconheço sua postura de longe – aproximou-se de mim, contrariando meus estímulos, minhas pernas travaram impedindo-me de continuar andando. – Quando tempo.

Puta merda. Elijah.

–Elijah – sussurrei dando um passo para trás.

Acho que me confundiu com alguém – riu sarcasticamente – Como você acha que eu te confundiria com alguém?

–Olha, — minha respiração estava acelerada – não importa o que você esteja pensando, eu não faço mais isso, meu nome nem sequer é Carmen. – atropelei minhas próprias palavras e respirei fundo tentando me acalmar.

–Sinto falta das surras – riu – sinto falta de lhe dar palmadas – ergueu uma sobrancelha. Ele não havia mudando nada, nem mesmo parecia ter trocado seu terno preto sempre colado demais em seu corpo malhado. Meu estomago se revirou de nervoso no mesmo instante que meus joelhos vacilaram — Não aceito esse não faço mais isso como resposta.

–Mas essa é minha resposta final, agrade você ou não – disse com mais autoridade e pus-me a andar outra vez. Elijah puxou meu braço fortemente fazendo com que eu soltasse um gemido de dor. E eu pensara que meu dia não poderia ficar pior; depois de tanta coisa que não conseguia entender como não levava a sério o ditado popular que dizia que a palavra tem poder.

Contorci-me em seus braços lutando contra seu aperto. Eu não era a única ali naquela rua, por Deus, porque ninguém tomava uma atitude? Não era perceptível que eu não queria aquilo? Tentei por mais uma vez esquivar-me, porém apenas deduzi conseguir um belo hematoma em meu braço esquerdo.

–Me solta, por favor – implorei num sussurro urgente olhando aflita a minha volta – Eu já disse que não faço mais esse tipo de coisa, me deixa ir, seu meu namorado me ver contigo você vai estar metido em sérios problemas... – ele não me deixou terminar.

–Ele não precisa ver, acho que você conhece o endereço da minha casa – riu – Ou até mesmo meu carro, está logo ali – ele apontou para a esquina no estremo sul do quarteirão – Só vai demorar alguns minutinhos – com um rápido movimento ele puxou minha cintura para perto de si e consegui soltar meus braços usando-os então para manter certa distancia entre nós – Prometo que pago o dobro ou até mesmo o triplo e veja só a vantagem, Stefan nunca saberá e você não vai ter que dividir seus lucros.

–Não, não – o empurrei – Eu não vou fazer isso, se quiser, Stefan continua com seus negócios, vá pedir seus serviços a ele e não para mim.

–Ué, não precisa mais de dinheiro? – disse com desdém. – Arrumou alguém para te bancar? Pensando bem, o que está fazendo por aqui?

–Não te interessa – disse incisiva – agora se você me permite, tenho mais o que fazer – dei dois passos adiante sem pensar em olhar para trás.

–Só não pense que eu vou deixar isso assim – sua voz de dissipou com a distância.

Abri a porta do apartamento de uma só vez e fiquei secretamente satisfeita por Dorothea não estar por perto. As lágrimas voltaram a lavar meu rosto enquanto andava em direção ao quarto. Tirei minhas sandálias e segui para o banheiro onde encarei meu reflexo no banheiro. A maquiagem manchava minha pele morena e grudava os fios de cabelo em minha bochecha; encostei-me na parede e entreguei-me ao choro que fiz muito para segurar desde o momento que recebera a notícia.

Deixei que meu corpo deslizasse contra a parede gélida do banho à medida que perdia aos poucos minhas forças. Abracei meu peito tentando controlar os soluços que atrapalhavam o ritmo constante de minha respiração acelerada. Nojo, era exatamente o que sentia, e agora esse sentimento se espalhava por minhas veias não se limitando apenas ao meu emocional, todo meu corpo parecia imundo. O tempo parecia estagnado, pareciam horas e ao mesmo tempo mero segundos, nada se alterava; meu peito doía piorando a situação de minha cabeça agravada por meu choro. Calculei mentalmente o tempo que Damon levaria para voltar de sua casa e notar que eu já não estava mais com Miranda para só então me telefonar. Se tivesse sorte, não demoraria muito.

Fitei o vazio deixando o ódio próprio me preencher. O que eu estava pensando, afinal? Até onde eu deixaria as pessoas que eu amava se machucarem buscando meu bem? Até onde os meus erros roubariam de mim minhas felicidades momentâneas? Não havia nada que pudesse ser feito para mudar o modo com que escolhi ajudar minha família, e se talvez houvesse, talvez não mudaria pelo simples fato de vê-los bem por certo tempo. Aquele era o preço, ser reconhecida e humilhada por homens que já pagaram para ter meu corpo em todos os lugares. Ser xingada e comparada ao pior que se pode ser sem ao menos conhecer os motivos por trás de minha escolha. Não faria diferença alguma, fazendo ou não pelo bem de alguém, eu continuaria sendo vista como uma adolescente revoltada que saiu de casa para se drogar e vender o corpo.

Meu celular tocou em meu bolso e ignorei-o até a ligação cair. Acabei por fazer o mesmo durante mais duas vezes até juntar forças para raciocinar que poderia ser quem eu precisava naquele momento. Saquei o celular de meu bolso e confirmei minha suspeita; disquei o número por mim já decorado e comprimi o aparelho contra minha orelha.

–Dentro de quinze minutos estarei na porta de sua casa para te buscar – atendeu no primeiro toque.

–Onde você está? – pigarreei. Não era uma boa idéia falar com ele naquele estado. Tarde demais, pensei – Já estou na sua casa, não precisa ir me buscar.

–O que houve? Porque não atendeu ao telefone? – sua voz repentinamente mudou da doçura para a tensão – Não chore, por favor, aconteceu alguma coisa contigo?

–Vai demorar? – funguei e finquei minhas unhas na palma de minha mão — Eu precisava de... – ele me interrompeu.

–Estou a duas quadras de distância, — houve um barulho no trânsito que interrompeu momentaneamente nossa conversa – só não faça nenhuma besteira.

Desliguei e deixei o aparelho jogado no chão. Fechei os olhos e respirei fundo diversas vezes numa falha tentativa de amenizar o choro, a única coisa que consegui foi trazer de volta os malditos soluços. Eu não queria acreditar naquilo; parte de mim se recusava a aceitar aquilo como verdade. Talvez fosse só um pesadelo, uma fraca voz sussurrava em meu inconsciente dando-me falsas esperanças. Já não bastava toda a situação envolvendo meus pais, eu precisava encontrar com Elijah para me sentir ainda pior. Morrer realmente me faria muito bem, sobre isso não me restavam dúvidas, até mesmo aqueles que se importavam agradeceriam a Deus por saber que não estava fazendo algo para lhes envergonhar.

Passado mais alguns minutos, o ranger da porta principal me pareceu a luz depois de uma noite conturbada repleta de pesadelos. Incapaz de me mover, esperei que ele procurasse por mim enquanto concentrava-me em recompor minha expressão. Os passos se aproximaram e desisti sabendo que meu auto-controle iria pelos ares assim que ele entrassem no meu campo de visão. Encolhi minhas pernas e apoiei meu queixo em meu joelho abraçando minhas pernas em seguida.

–Ah, meu anjo – Damon caminhou em minha direção passos largos cruzando o espaço entre nós em questão de segundos. Seus braços me envolveram impetuosamente roubando todo o oxigênio de meus pulmões e ao mesmo tempo fazendo com que meu coração em pedaços se regenerasse. Enterrei a cabeça no vão de seu pescoço e fechei os olhos sentindo suas mãos acariciarem toda extensão de minhas costas. Suspirei em alívio e o abracei com o dobro de intensidade. – O que houve? Sua mãe está tão preocupada contigo, você saiu sem nervosa e... – parou na metade da frase para se afastar, cedo demais. Damon pegou um pedaço de lenço e limpou a maquiagem borrada de meu rosto fazendo-me suspirar ao sentir seu toque. – Vai me contar o que houve?

–O que sempre acontece – comecei deixando minha raiva fluir – Quando acho que tudo está bem as conseqüências de minhas burradas aparecem para me estapearem e me lembrarem que nunca vou conseguir ser feliz tendo essa carga pesada como passado – chorei – Cansei disso, e se parasse só por aí e eu sofresse sozinha estava tudo bem, mas todo mundo a minha volta acaba afundando no mesmo buraco que eu – ele secou minhas lágrimas com a ponta dos dedos e fez um delicioso carinho em minha bochecha – Não quero isso, chega, já causei problema de mais, eu... – o choro impediu que eu continuasse. – Preciso tanto de ti – sussurrei e esforcei-me para ficar de pé cobiçando estar em seus braços.

–Não precisa chorar, ok? – era possível ver a preocupação refletida em seus olhos azuis. Damon sentou-se na beira da banheira e soltou um longo suspiro antes de continuar – Estou bem aqui, meu amor – dei um passo em falso em sua direção — vem cá – puxou-me para seu colo e aninhou-me em seus braços de maneira acolhedora. Invés de cessar, meus soluços se duplicaram roubando-me todo o ar que me restava. – Elena você está me assustando, quer, por favor, me contar exatamente o que aconteceu.

–Grayson foi embora – comecei pela parte que seria mais fácil para ele – ele... – foi preciso uma pausa para respirar – pediu divórcio e ainda levou Jer consigo – seus braços se apertaram a minha volta como se ele quisesse me dizer que continuava ali comigo – É minha culpa, Damon, meus pais sempre foram felizes, sempre agiram como um casal apaixonado, sempre amparando um ao outro e eu simplesmente destruí isso – deitei a cabeça em seu ombro e passei meu braço esquerdo a sua volta prendendo-me a ele – Como se isso já não fosse o bastante para acabar com meu dia, eu tenho que encontrar um dos filhos da puta do bordel para jogar na minha cara que sou uma vagabunda... – mais uma vez ele me interrompeu.

–Não, não e não. Não é culpa sua, Elena, para de se tratar assim. Tenho certeza de que se eles se separaram foi por motivos que você nunca saberá e não por causa de coisas que você fez, e se eles brigavam por sua causa só significam que os dois te amam e não porque você seja um problema para eles. – ao mesmo tempo em que doce sua voz estava repleta de convicção. – E sobre as coisas que ele falou para ti, ele ainda vai querer seu perdão, tu sabes melhor que ninguém que nós falamos coisas pelas quais nos arrependemos depois quando estamos nervosos. – Damon fez uma pausa para que eu digerisse em silêncio o que ele falava – Você não é uma vagabunda, e eu acho muito bom eu não saber quem falou isso caso você não tenha gostado do que eu fiz com Stefan. O fato de você ter um passado na prostituição não diminui nem um pouco quem você é ou seu caráter, e não é a primeira vez que te digo isso, muito pelo contrário, nenhuma garota da sua idade teria a mesma maturidade que ti, nenhuma delas teriam a mesma coragem ou sequer seriam fortes o suficiente para agüentar metade do que você passou com a mesma responsabilidade nas costas.

–Mas... – funguei. Tentei formular uma sentença coerente, mas meu estado mental ainda não era favorável – Tudo bem, eu acho que posso lidar com a separação de Grayson e Miranda, agora, o fato de você pensar dessa forma não vai mudar o jeito que todos olham para mim Damon. Sempre vou ser a adolescente problemática, sempre vou encontrar homens na rua que vão me oferecer dinheiro na esperança de eu vá para a cama com eles como hoje mais cedo, podem se passar meses ou até mesmo anos, vou ser sempre reconhecida como aquela puta que era paga para dar prazer, como aquela que transou com o marido de outra... Consegue me imaginar trabalhando em algum lugar que não seja sua empresa? Porque sinceramente eu não vejo ninguém confiando em mim depois de saber pelo menos metade do que eu passei. Ninguém quer saber o que eu passei, eles não se importam, Grayson tem toda a razão de se envergonhar de mim vivendo num mundo onde aparência é tudo. E... Não só ele, pense pelo lado de Matt, quantas vezes eu não o meti em confusão por precisar de ajuda? Miranda também, muitas vezes tentava acalmar os rumores e só ela acaba machucada. Já parou para pensar se isso acontecer com você? Minha família não tem nada, eu digo, posses, dinheiro, empresa, nada, se, por acaso, a mídia souber que você sustenta uma prostitua e dorme na mesma cama que ela...- aquelas palavras machucavam mais a mim mesma do que transmitiam o que eu realmente queria dizer – Eu não posso sujar seu nome e muito menos colocar literalmente sua conta em risco.

–Sabe por que você não consegue se vê do mesmo jeito que eu te vejo? – ele não deu brecha para que eu respondesse – Porque você se preocupa demais com o julgamento de pessoas que não te conhecem, cabe a ti montar uma barreira que separe o que você era há dois meses e o que você agora para mostrar a todos que você não é mais aquela mulher, e, sinceramente, não estaria apostando tanto em você se não tivesse certeza de seu potencial e de sua inteligência, só você não vê isso. Grayson não tem razão e nem motivos para se envergonhar de você, muito pelo contrário, nesse ponto ele está sendo muito hipócrita, quero que ele conte nos dedos quais garotas de quinze anos largariam o conforto de casa pensando no bem-estar dos pais. Matt, Miranda, até mesmo Caroline que esteve na mesma situação que você, se eles fazem o que fazem por você só reafirma tudo que já lhe disse, eles se orgulham de você, vêem o que você passou com olhos completamente diferentes e acima de tudo querem o seu bem, Elena – aos poucos, o choro diminuiu dando lugar a uma sensação de segurança inabalável – Eu me orgulho de ti, sabia disso, meu anjo? Com dezessete anos você é o que muita mulher da minha idade nunca vai ser. Pelo amor de Deus, nem pense nisso, não me importo com o rumo da empresa, dinheiro é apenas dinheiro e não pode ser colocado na frente da felicidade e do bem-estar de alguém, principalmente se esse alguém for você. – meus ossos derreteram deixando meus membros flácidos. Não esqueceria seu breve discurso nem tão cedo, quem sabe até nunca. – E por favor, não use prostituta para se referir a si mesma, faço questão de te lembrar que te tirei de lá, mesmo que a força – abri um breve sorriso e acabei por ganhar um beijo casto nos lábios como resposta – Daqui a três anos, quando você estiver terminando sua faculdade e arrumando o emprego de seus sonhos, eu quero que você lembre que eu te disse isso e veja que todos que pisaram em você vão continuar no mesmo lugar julgando a vida alheia.

–Ah, Damon – joguei meus braços envolta de seu pescoço e enrolei meus dedos em seus fios negros. Eu o amava tanto que chegava doer. Nem mesmo Matt em dez anos de amizade fizera tanto por mim quanto ele em apenas um mês. Deveria para ele até o resto de minha vida e mesmo assim não via como aquela divida poderia ser paga. Damon distribuiu beijos por todo meu rosto até que por fim selou seus lábios nos meus emaranhando suas mãos no caos de meus cabelos.

Um beijo intenso teve inicio e rapidamente procurei por uma posição favorável em seu colo. Minha boca devorava a sua enquanto minhas mãos sedentas sentiam o calor exalado por sua pele sob a roupa. Instantaneamente, Damon livrou-se de minha blusa e passou a explorar meu tronco com toques repletos de volúpia que faziam meu corpo inteiro se sacudir em tremores provenientes do desejo carnal ali presente. Um gemido longo escapou por meus lábios quando os seus deixaram os meus e passaram a salpicar chupões por meu pescoço e seios. Equilibrei-me e tentei despejar em meus atos toda a carga sentimental despertada por nossa recente conversa.

–Aqui não – sussurrou roçando seus lábios no meu numa tentativa de me provocar. Antes que eu protestasse, estava de pé com comprimida contra a parede sentindo cada parte de seu corpo me tocar. Desabotoei botão por botão de sua camisa com os dedos trêmulos e a joguei no chão junto com a peça. Sua boca estava outra vez contra a minha movendo-se de maneira doce e voraz procurando por uma satisfação que estava inalcançável para nós. Com uma extrema facilidade e sem quebrar o contado de nossos lábios, Damon ergueu-me e prendeu minhas pernas em sua cintura.

Já com os batimentos acelerados, fui deitada em sua cama e logo senti um frenesi crescer e tomar frente de meus sentidos. Ainda de pé, Damon livrou-se de sua calça e sapatos largando-os jogados em meio ao quarto sem dar muita importância aos mesmos. E lá estava ele de novo, me beijando avidamente provocando-me coisas que nem sequer sabia ser capaz de sentir. Sua língua brincava com a minha fazendo movimentos que mais pareciam de uma dança sensual repleta de erotismo. Por mais que meus instintos gritassem para que eu reagisse e correspondesse as suas precisas caricias, todo meu corpo implorava por uma rendição. Queria que ele tocasse cada nervo meu e despertasse aquele desejo insaciável e delicioso como só ele era capaz de fazer. Fechei os olhos e voltei toda minha atenção para a sensação de ter seu corpo completamente nu roçando contra minha pele morna, seus lábios úmidos distribuindo beijos equivalentes a choques elétricos responsáveis por toda adrenalina despejada em minha corrente sanguínea.

–Damon? – perguntei usando de minha manha para possivelmente conseguir o que queria. – Você pode deixar essa história de dominador de lado só por hoje?

–Como quiser – deu uma sutil mordida na parte exposta de meu busto. – A propósito, depois vamos ter uma conversa civilizada sobre isso – apoiou-se sobre os cotovelos e beijou meus ombros nus fazendo uma trilha até meu pescoço deixando-me completamente arrepiada.

Agarrei-me aos lençóis e desliguei todo o pensamento racional que ainda poderia haver em mim. O que sentia ali extrapolava todos os limites da luxúria, os tremores e minha respiração alteradas nada proviam de simples prazeres. A paixão que sentia dilatava minhas veias e tornava um simples afago num turbilhão de sensações inimagináveis. Sua boca movendo-se, desta vez, lenta e provocante contra a minha enquanto me contentava em memorizar a textura de sua pele e o perfume de seu cabelo que misturados, era o suficiente para me anestesiar por completo. Carinho, sim, era disso que eu mais precisava. Nenhuma de minhas paranóias relacionadas a minha insegurança poderiam interferir naquele momento, nem mesmo meu orgulho.

Ele desceu minha calça deixando que seus dedos roçassem em minha coxa deixando para trás um lastro em chamas. Abri as pernas e arqueei meu corpo de encontro ao seu querendo nada mais do que senti-lo dentro de mim. Inesperadamente, ele se sentou no centro de sua cama e puxou-me por minhas pernas de modo com que eu me encaixasse perfeitamente nele. Comecei outro beijo enquanto ele posicionava sua ereção em minha entrada sem querer prolongar o momento.

Deitei a cabeça no vão de seu pescoço e continuei permitindo que ele conduzisse. Segurei sua mão firmemente e fechei os olhos sentido sua profunda penetração. Finquei as unhas nas suas e deixei que um gemido escapasse por meus lábios que foram rapidamente calados pelos seus num beijo repleto de volúpia. Seus movimentos lentos eram como uma lenta e deliciosa tortura aparentemente sem fim, em outra ocasião protestaria e imploraria por mais, mas, estar ali à mercê de sua vontade parecia tal coisa um crime.

Entreguei-me a uma avalanche de prazer não muito depois dele, deitei mole ao seu lado inalando o conhecido perfume de seu pescoço. Distribuí beijos por toda extensão de seu peito nu até que o cansaço momentâneo me vencesse. Suas mãos alisavam a lateral de meu corpo carinhosamente apagando os maus momentos do dia. Suspirei alto e fechei os olhos focando somente nas sensações provenientes de seus leves toques que se estendiam de meus braços as minhas coxas. Beijei sua mão enquanto aninhava-me confortavelmente em seu peito.

–Está se sentindo melhor? – perguntou num sussurro. Apenas assenti. – Então, hm, o que você acha de me fazer companhia enquanto serei obrigado a cozinhar o jantar para minha mãe que chegará dentro de algumas horas?

–Você? Cozinhar? – não reprimi uma risada. – Invés de pedir para eu te fazer companhia pode ir direto ao ponto e peça que eu cozinhe para você – sentei-me no seu colo e ajeitei-me de maneira que me permitisse ter uma visão privilegiava de meu rosto.

–Não, apenas quero sua companhia – riu – ao contrário do que você pensa, sei me virar muito bem na cozinha.

–Bom saber disso, não sei porque fui para a cozinha na ultima folga de Dorothea. De agora em diante você cozinha para nós e não eu. – avisei.

–Como quiser, Srta. Gilbert – disse abrindo um largo sorriso malicioso. Beijei seus lábios rapidamente antes de afagar seu rosto.

Eu te amo – sussurrei ainda sentada em seu colo com as mãos acariciando seu rosto – Eu sei que é cedo e estou tão assustada quanto você ao me ouvir dizer isso – corei fortemente – e também não espero uma resposta, só estou dizendo como eu me sinto agora – dei um beijo casto em seus lábios – Eu te amo, muito – suspirei – dizer isso significa muito para mim.

Seus olhos arderam de uma forma diferente, coisa que momentaneamente me preocupou. Um fraco sorriso se espalhou por seus lábios iluminando a beleza por mim tão adorada de seu rosto. Em seguida, seus lábios estavam contra os meus tirando todo meu fôlego.

Notas finais
E aí o que acharam? Será que o Damon vai dizer o que a Elena quer ouvir num futuro próximo ou...? E, hm, vocês estão com saudades da Kath? :3 Comentem e recomendem! :D Qualquer coisa, é só me gritar no twitter! (@like1american ou @delenapride)
E, seria muito pedir que vocês desse uma olhada na minha fic nova? Por favorzinho C: http://fanfiction.com.br/historia/385852/When_Youre_Gone/