Million Dollar Man

24 Capítulo 24 - Everything Has Changed


Notas iniciais
Hey... Para postar na terça e o capítulo ficar superficial e chato, preferi demorar mais e passar tudo que eu tinha planejado para o papel e depois para o computador, espero que vocês não me matem haha
Sobre o tempo que pensei em ficar ausente daqui, bom, o pior já aconteceu e no momento só preciso de distrações, os capítulos já estão planejados e com "alguma" coisa escrita até o 30, então...
Espero que gostem :3

Margareth se remexia ao meu lado puxando-me de volta a consciência. Esfreguei os olhos antes de olhar a minha volta questionando-me o motivo de sua inquietação. A pele clara de suas bochechas estavam coradas e seus cachos dourados formavam uma cortina emoldurando seu rosto angelical. Sentei-me na cama e passei a ponta dos dedos por sua bochecha direita e soltei um suspiro de surpresa. Coloquei-me de pé num salto e, com todo o cuidado, a peguei ainda adormecida e segui para fora do quarto.

-Maggie – chamei-a enquanto acendia a luz da cozinha. – Acorda, meu anjo.

Ela choramingou algo e se contorceu em colo. A temperatura elevada de sua pele fazia com que gotas de suor brotassem em meu pescoço. Caminhei pelo cômodo e peguei um copo d’água para amenizar a tensão que agora invadia meu corpo dilatando minhas veias.

-Lena – sua voz rouca e sonolenta pareceu alta demais no ambiente silencioso. – minha cabeça está doendo.

-Vou procurar um remédio para você, ok? – disse já preocupada. Já não me faltava nada.

Deitei-a no sofá e voltei ao quarto onde peguei a manta que usei para cobri-la. Depois, fui direto as gavetas do banheiro onde os analgésicos poderiam estar guardados; ocorreu-me que talvez ali não tivesse medicamento infantil. Saquei o termômetro e fechei as gavetas do armário. Passei a mão por meu cabelo tentando arrumar um meio que não envolvesse acordar Damon. Voltei à sala com a colcha na mão e a puxei para o meu colo depois de enrolá-la na mesma.

Coloquei o termômetro em sua boca sem que ela fizesse muitas objeções. Abracei-a e deitei minha cabeça no sofá soltando um longo suspiro. Aquilo só podia ser um pesadelo; conhecia a pequena em meus braços bem demais para saber que se o mal estar não passasse ela começaria a chorar e pedir para que eu a levasse até minha mãe.

-Elena? – a familiar voz masculina fez com que eu automaticamente virasse a cabeça em sua direção.

-Oi – sussurrei.

-Aconteceu alguma coisa?- ele se aproximou sentando-se ao meu lado no sofá.

-Maggie está com febre – a preocupação era perceptível em minha voz.

Ele passou os dedos pelos cachos de minha pequena e em seguida acariciou a lateral de meu corpo. Damon a pegou e a aninhou em seus braços tirando o peso de meus braços já ligeiramente dormentes. Suspirei e deitei a cabeça no sofá.

-Ela passou por muita coisa, Elena – disse calmamente – Ela só tem cinco anos, pense em como as coisas estão sendo para ela.

Pensar por aquele lado fez com que meu estomago se revirasse. Retirei o termômetro e o coloquei sobre a mesa de centro bem a minha frente. Estava sendo difícil para mim, não queria imaginar como estava sendo para ela; ter seus pais brigando feito cão e gato praticamente vinte quatro horas por dia sendo que o motivo era sua meia irmã.

-Faça alguns mimos amanha, dê uma atenção extra e a distraia, se a febre não passar, eu peço minha mãe para te indicar um pediatra – sussurrou.

-Ok – concordei e preparei-me para me colocar de pé.

Voltei para o quarto com Damon aos meus calcanhares trazendo com si Maggie já meio sonolenta. Invés de assumir o mesmo lugar que antes, deitei-me na ponta deixando Margareth entre nós. Abracei meu travesseiro e fiquei vagando entre o sono e a consciência até o dia clarear.

-Elena? – resmunguei algo com resposta com uma enorme preguiça de abrir os olhos. Sua risada arrepiou meus pelos de uma maneira deliciosa.

-Oi – respondi repleta de manha.

-Estou esperando você levantar para poder te apresentar meu escritório – abriu meu sorriso favorito.

Espreguicei-me e fiz um grande esforço para conseguir levantar da cama uma vez que o cansaço fazia meu corpo duplicar seu peso. Marchei para o banheiro arrastando meus pés e esfregando os olhos; despi-me sem me dar o trabalho de me olhar no espelho poupando Damon de uma desculpa para deixar aquilo para outro dia. Entrei debaixo da água morna e esperei que a mesma retirasse os resquícios da noite mal dormida de meu rosto.

Quando saí, percebi que não havia separado nenhuma roupa para vestir. Com um gemido de frustração, saí do banheiro enrolada numa toalha clara. Damon estava sentado na cama, seu olhar devorou meu corpo enquanto um sorriso extremamente malicioso espalhava-se por seu rosto.

-Pedi para que trouxessem suas roupas para cá – disse despreocupadamente – estão do lado esquerdo do meu guarda roupas.

-Hmm – meu rosto de aqueceu – Eu tenho uma gaveta no seu guarda roupa?

-Não – ele riu – você tem metade dele.

O normal seria apenas uma gaveta, mas não havia nada de comum em nosso relacionamento. Sem hesitar, caminhei até as portas duplas e procurei por algo descente para vestir. Seus olhos queimavam minhas costas enquanto eu movia os cabides com roupas extravagantes demais que nunca havia visto antes.

-Pode me dar licença para que me vestir? – perguntei com a maior gentileza possível.

-Como se eu já não tivesse te visto nua – gargalhou.

-É diferente – ergui uma sobrancelha corando; fiquei grata por ele não poder ver meu rosto.

-Ah sim, claro – continuou rindo – Há mais luz aqui e posso ver seu corpo com mais clareza.

-Damon! – protestei.

-Você é linda – disse sério – e não vou sair.

Escolhi um conjunto de lingerie na cor vermelha e voltei a encarar as intermináveis opções a minha frente. Peguei um vestido bege de seda e o vesti sem olhar diretamente para Damon, que não tirava os olhos de meu corpo seminu. Calcei a primeira sandália que vi e parei diante do espelho para cobrir meu rosto com uma leve camada de maquiagem.

-Vou esperar você na sala – disse ele me abraçando por trás – antes que eu ponha em prática meus planos.

-Onde está Maggie? – perguntei receosa de que seu mal estar não tivesse passado.

-Na escola – ele riu – e eu estou atrasado – acrescentou.

-Ok, não vou demorar – Damon roçou os lábios em meu pescoço desnudo e plantou um beijo em minha bochecha antes de deixar o quarto.

Terminei de me arrumar em questão de segundos, meu cabelo estava um caos, logo me limitei a prendê-lo em um rabo de cavalo. Sai do quarto procurando por meu celular, mas no fim das contas concluí que não faria muita diferença deixá-lo para trás.

-O que quer comer? – perguntou Dorothea assim que me sentei a bancada.

-Na verdade, vou beber só um chá – fiz uma careta.

Ela sorriu e se virou para preparar o que eu havia pedido; sequer tive que falar minhas preferências, ao que parecia, ela já havia decorado boa parte. Depois que terminei o chá, encontrei Damon me esperando andando de um lado para o outro falando ao telefone.

-Quando você for trabalhar, eu escolho o que você vai vestir – disse impondo certa autoridade.

Ergui uma sobrancelha, mas não questionei.

As duas horas seguintes voaram. Fui apresentada a todos seus empregados e uma enorme sala cuja tinha uma entrada estratégica para a sua; não pude deixar de ficar secretamente satisfeita com aquilo, podia ver milhares de minhas fantasias sexuais se realizando sob a mesa de carvalho. Abri um meio sorriso malicioso e foquei no que Damon me explicava.

Acabei por ficar trabalhando, e devia admitir que a sensação de estar fazendo aquilo de uma maneira digna era simplesmente maravilhosa. Havia uma crescente pilha de papéis recém colocados em minha mesa, teria de analisá-las e resolver tudo que estaria em meu alcance deixando para Damon apenas o que para mim fosse impossível – tarefa que, a princípio, estava sendo fácil demais. Suspirei satisfeita e concentrei-me no meu mais novo passatempo.

Já estava a caminho de minha casa quando dei conta de que não havia comido nada durante o café, por sorte chegaria em cima da hora do almoço, mesmo que fosse indelicado Miranda adoraria a oportunidade para uma de suas longas conversas. Damon parecia estar se divertindo com a idéia de ficar com Margareth, antes mesmo que fosse necessário lembrá-lo, ele já estava a caminho para buscá-la na escola.

-Matt está querendo falar contigo desde o dia que Caroline veio para cá – Miranda disse antes mesmo que eu entrasse. Revirei os olhos e a abracei já me preparando para dar meia volta e caminhar até a casa de Matt.

Respirei fundo mais vezes do que era do necessário enquanto avançava em passos largos no tão familiar trajeto. Adentrei o jardim sem muitas cerimônias e toquei a campanhinha três vezes – velho habito que lhe informava claramente quem estava do outro lado da porta. Para minha surpresa, quem abriu a porta fora Caroline.

-Elena! – ela jogou seus braços a minha volta. Não éramos tão intimas a esse ponto, porém com o rumo das coisas não podia negar que havia me apegado demais a ela.

-Caroline – abri um sorriso carinhoso.

-Achei que você não fosse aparecer mais – disse fazendo um muxoxo.

-Acredite ou não – murmurei enquanto entrava na casa – estava trabalhando.

-Acredito – ela riu – e fico feliz por você ter conseguido um emprego, as coisas não estão lá muito fáceis para o meu lado.

-É uma questão de tempo, — tentei encorajá-la – e... Conseguiu alguma notícia de seus pais?

-Sim – respirou fundo aparentemente aliviada – ao que parece, eles estavam viajando e chegaram nesse fim de semana, estou procurando um emprego justamente para conseguir dinheiro para minha passagem.

-Ah – seria egoísta de minha parte não oferecer as passagens simplesmente por querer sua companhia por mais tempo. – Não precisa eu posso te ajudar com isso.

-Não, não, não – disse rapidamente. – Você já fez demais. Deixa que eu me viro sozinha.

-Mas você não precisa trabalhar para isso, até porque você vai ter que largar o emprego para ir embora e... – dei uma pequena pausa – não vai fazer falta.

-Não sei, ainda acho que você já fez demais – ela fez uma careta – vou pensar sobre isso.

Entramos no quarto de Matt e meio segundo foi o suficiente para que ele me envolvesse em seus braços cumpridos. Caroline se sentou a cama e começou a folhear um livro que estava sob a escrivaninha. Empoleirei-me na cadeira giratória e cruzei as pernas esperando que ele começasse a dizer o que tanto o queria.

-Carr, você poderia nos deixar a sós? – Matt pediu num sussurro enquanto mexia em seus fios dourados se mostrando ansioso com o que tinha a me dizer.

-Claro – ela respondeu prontamente e se colocou de pé para deixar o quarto.

Sentei-me na beira de sua cama ainda sem fazer e dei tapinha no lugar vago ao meu lado indicando para que ele se sentasse. Assim que ele o fez, relaxei minha postura e soltei um suspiro alto enquanto cruzava as pernas a procura de uma posição confortável.

-Você está diferente – ele começou. Seus olhos azuis celestes me analisavam desde a ponta dos pés até meu ultimo fio de cabelo. Um meio sorriso brincou em seus lábios e suas bochechas assumiram um tom rosado — Você fica muito mais bonita sem roupas vulgares, se quer saber.

-Obrigada – abri um largo sorriso.

-É bom te ver assim – desviou o olhar ficando meio distante – sóbria e sem nenhuma marca de hematoma.

Cerrei os lábios. De fato, comparado ao que eu há alguns meses, eu parecia uma pessoa completamente diferente. Desde roupas caras e cabelo feito à minha postura diante de outro alguém, sempre com modos seguindo devidamente as normas de etiqueta. Eu mal havia notado tamanha mudança, acontecera de maneira tão natural que sentia como se sempre me comportasse daquela maneira.

-Pule essa parte – disse ficando um pouco impaciente – O que você quer tanto falar comigo?

-Primeiro lhe devo desculpas por ter te deixado sozinho aquela dia – Matt evitava fazer qualquer contado visual – Estava meio chateado com as notícias que recebi de minha irmã e acabei descontando em cima de você.

-Não tem problema – cerrei os lábios; depois de todo aquele tempo realmente não tinha. – Não precisa se desculpar.

-Precisa sim, porque por um momento eu a vi na mesma situação que ela, — ele estava falando sobre Vickie, o que me deixou desconfiada, ela era um assunto no qual nunca conversávamos pelo fato de que ela era a razão para meus ex-colegas de classe saberem o que fazia nas horas vagas. Matt passou a mão mais uma vez por seus cabelos desalinhando-os.

-O que houve? – perguntei meio receosa.

-Esse assunto consome muito tempo – assenti; não era uma novidade – e tenho para mim que não vai te agradar saber que automaticamente me lembrei de você depois de vê-la naquele estado. – pausa. Naquele estado. Com sua maneira de dizer, já podia esperar coisas ótimas. – Vou direito ao ponto.

Se sua intenção era me deixar extremamente curiosa, seu objetivo havia sido alcançado, faltando pouco para roer minhas unhas.

-Quando Damon veio aqui poucos dias antes da viagem... – eu o interrompi.

-Ele veio aqui? – apenas me lembrava de Damon bancando o herói ao me buscar em Coney Island, porém ele nem entrara em minha casa quando finalmente me deixou sob os cuidados de minha mãe.

-Sim, um dia depois que Caroline saiu do bordel – continuou sem dar importância às rugas de expressão vincadas em minha testa. Aquela pequena omissão estava me incomodando mais do que deveria. – Enfim, quando ele veio aqui para saber o motivo de nós ainda estarmos brigados – senti uma pontada de raiva surgir em meu organismo. Lembrava-me claramente de pedir para que Damon não se metesse nisso; já bastava solucionar grande parte de meus problemas. – Ele me disse que você estava triste e me chamou de imaturo por ter deixado você deixado sozinha naquela situação – minha boca estava entreaberta em choque – Ele estava certo, porém isso não vem ao caso, — suspirou. – Damon me contou que vocês estão juntos – enrijeci. Não gostei do lado que a conversa estava tomando e gostei menos ainda do fato de Damon ter mentido.

-Nós ainda não estávamos juntos quando ele veio aqui, mas continue – senti a obrigação de dizer.

-Bom... Isso não é algo que seja novidade para mim, só estava esperando o momento certo para te contar – deu uma grande pausa para respirar – Não acho que agora seja o momento, mas não quero me arrepender depois por não te contar isso.

-Matt – ao julgar pela cor de suas bochechas tinha absoluta certeza do que ele estava prestes a dizer.

-Da para vê que você está feliz junto com ele, mas – o resultado da soma da raiva pela infantilidade de Damon e da noticia previsível de Matt era o sangue borbulhando em minhas veias. – é justo que eu diga para você o mesmo que disse para ele.

Respirei fundo e entrelacei meus dedos um nos outros e pousei a mão sobre meu colo.

-Nunca olhei para você só como uma amiga – sussurrou com o rosto em chamas – e você sabe disso. Não quero que você se afaste de mim por causa disso, vou continuar te respeitando como sempre fiz, só achei que você deveria saber — abaixou a cabeça – e não estou falando isso porque tenho a intenção de tentar algo, amar alguém implica querer vê-la feliz, e se sua felicidade é ao lado de Damon é isso que importa.

-Não quero te magoar – sussurrei – Eu também te amo, Matt – minha voz ardeu em sinceridade. – Muito. E tenho certeza que não preciso dizer que faria qualquer coisa para te vez feliz porque se você não sabe disso, é um idiota – ele abriu um meio sorriso – sabe que eu me preocupo contigo e que na maioria das vezes você foi a única pessoa que realmente estava lá para mim – suspirei – Queria que esse amor fosse mais. Queria olhar para você e ver mais que um irmão, mas...

Ele me parecia tão frágil. Sua expressão moldava uma máscara de uma decepção já esperada; não pude evitar de me sentir culpada, mesmo que fosse algo idiota, eu não tinha a menor culpa por meus sentimentos não serem recíprocos. Não sabia exatamente o que fazer ou dizer; não podia magoá-lo e não queria que ele se afastasse de mim por conta de nossas divergências, havia passado momentos horríveis longe dele e, mesmo que eu tivesse Damon, sempre iria precisar de seus conselhos e do aconchego de seu abraço.

-Vem cá – sussurrei sentindo a necessidade de confortá-lo em meus braços como não fazia há muito tempo. Estendi as mãos e o puxei para perto; Matt deitou sua cabeça em meu ombro e me envolveu em um abraço apertado. – Senti falta disso – disse baixinho.

-Eu também — deu uma breve risada.

-Você vai ficar chateado comigo? – perguntei meio insegura.

-Óbvio que não – bufou.

-Queria que as coisas fossem diferentes, mas – fechei os olhos – Damon entrou na minha vida de maneira tão repentina e – meu corpo inteiro tremia pelo simples fato de estar dizendo aquilo em voz alta – mesmo que eu odeie admitir isso, foi inevitável me apaixonar por ele – sentia o calor exalando de meu rosto – sei que ainda vou me machucar muito por causa disso, mas eu não tive escolha – estava com medo de encarar sua reação após minha declaração.

-Eu entendo – sua voz era tranqüilizadora – não precisa ficar se lamentando ou desculpando.

-Estou interrompendo alguma coisa? – Caroline se esgueirou pela porta entreaberta.

-Não – Matt respondeu de imediato.

-Elena, John está te esperando lá fora – disse a meia voz.

Assim que passei pela porta de madeira que limitava a casa, dei de cara com o homem que, depois de anos, passou a ser um completo estranho para mim. Automaticamente, abracei meu corpo e encarei o chão sentindo-me completamente desorientada.

-Elena – John pronunciou meu nome e eu pensei duas vezes antes de erguer a cabeça e o encarar – Miranda pediu para que você fosse almoçar conosco, e... – ele desviou o olhar e assim como eu há alguns segundos atrás, encarou o chão – se você quiser, nós podemos conversar.

Assenti. Seria melhor saber daquilo antes que se tornasse uma bola de neve.

Enrolei meus dedos em meus cabelos e caminhei ao seu lado de volta a familiar casa digerindo toda a informação que havia recebido. Não conseguia me ver mais confusa, mesmo que já esperasse tudo aquilo o comportamento de Damon me pegara totalmente desprevenida; a raiva misturava-se com irritação em meu interior fazendo com que eu trincasse meus dentes sem ao menos perceber.

-Vou no mercado comprar umas coisas – Miranda disse puxando-me de volta a realidade – o almoço está na mesa, não vou interromper o assunto de vocês.

Hesitei e segui a até a cozinha onde sentei no lugar de costume. John sentou-se no assento a minha frente e passou meio minuto encarando o nada escolhendo que palavras iria usar.

-Eu sei que você deve estar achando estranha minha aproximação – começou – e eu entendo perfeitamente.

Não sabia exatamente o que responder, apenas sacudi a cabeça positivamente e debrucei-me sobre a mesa escondendo parcialmente meu rosto. Não dava para esconder minha desconfiança, anos sem ao menos fazer uma ligação e repentinamente ele volta querendo um meio de participar de minha vida.

-E antes que você erga sua guarda, quero deixar bem claro que não estou aqui para te julgar – analisei sua expressão ao dizer aquilo — Agora que eu posso me sinto na obrigação de fazer algo por você.

-Não precisa – minha voz era pouco mais alta que um mero sussurro.

-Você é minha filha – pausa – por quinze anos eu ignorei esse fato e tudo que eu quero agora é consertar isso – pausa – não sei se você entende, mas... Talvez ter deixado você com Grayson não tenha sido minha melhor decisão.

Pensei em dizer que inicialmente foi a melhor coisa que ele já havia feito, mas tinha plena consciência das coisas pelas quais ele havia passos nos últimos anos que ele viveu em Seattle e não queria que ele se sentisse ainda mais culpado. Cerrei os lábios.

-Entendo sim – disse da mesma forma.

-Andei conversando com Miranda e pelo que ela me disse, — ele riu sem nenhum motivo aparente – você não é a pessoa mais fácil do mundo de se lidar, caso eu queria fazer algo para você, primeiramente eu tenho que ganhar sua confiança.

De fato, mas não responderia aquilo. Apenas abri um meio sorriso amarelo.

-Comprei uma casa perto daqui – tentei não parecer surpresa – vendi tudo que eu tinha em Seattle e resolvi voltar. – respirou fundo – pedi transferência para cá e para minha sorte, consegui de primeira. – seus olhos azuis olhavam fixamente para os meus – Minha intenção era que você fosse morar comigo, mas não quero apressar nada. Quando você se sentir à vontade, saiba que tem um quarto esperando por você.

-Obrigada? – soou com uma pergunta desajeitada. Ele riu.

-Não precisa me agradecer por estar fazendo algo que faz parte de minha obrigação, Elena – suavizou sua voz. – Tem muita coisa acontecendo, e sabendo do que sua mãe tem para te contar não me sinto no direito de te pressionar com mais informação – assenti. Não sabia se agüentaria mais problemas na família por minha causa; não consiga sequer imaginar o que seria daquela vez. –Bom, o recado está dado, o que você precisar, o mais idiota que seja, pode falar comigo, ok?

-Ok – sorri meio sem jeito.

Servimos nossa comida e almoçamos em silêncio. Sabia que quando voltasse ao apartamento de Damon teríamos uma bela discussão, não sabia eu se era pela minha conversa com Matt ou se era pela conversa sobre a Katherine que me fora prometida; ambas tinham grandes potenciais de gerar discórdia. Olhei no relógio pendurado sob o armário, meia hora até que ele chegasse, e caso meus cálculos estivessem corretos, Maggie estaria dormindo.

(...)

Coloquei Margareth na enorme cama de casal e saí do quarto pisando duro. A raiva que antes não passava de um pequeno incomodo agora dominava todos os meus sentidos deixando-me ligeiramente cega. Encarei Damon com sua expressão tranqüila e cerrei os dentes reprimindo a crescente vontade de golpeá-lo.

-Estou esperando você começar a falar – disse com azedume.

-Isso não é algo que eu vá te contar de qualquer jeito – suspirou. Tive a impressão de que ele falava sobre o assunto Katherine que ficamos de discutir. – Senta.

Continuei imóvel, parada ao lado do sofá da sala de estar enquanto ele mantinha certa distância.

-O que você acha de me contar sobre a sua ida a casa de Matt – arqueei uma sobrancelha com desdém.

-Eu disse que conversaria com ele sobre a briga de vocês. – disse despreocupadamente.

-Não. – trinquei os dentes – Você perguntou se eu queria que você falasse com ele e eu respondi que não.

-Não estava pedindo sua autorização –sua voz estava repleta de autoridade – estava querendo sua aprovação, com ou sem ela tomaria uma atitude.

A adrenalina do momento me consumiu por completo depois de suas palavras.

-Porra, eu pedi para você não se meter nisso – grunhi – é um problema meu, e não é algo que eu precise da sua ajuda.

-Eu fiz o que era melhor para você – disse sem se deixar se abalar.

-O melhor para mim? – ri com deboche – Sair daqui para ir à puta que pariu e falar milhares de merdas para o meu amigo sem ao menos saber dos móvitos dele é o melhor para mim?

-E por acaso têm motivos que possam justificar o que ele fez? – ergueu seu tom de voz. – Elena você estava coberta de hematomas, na rua sem ter aonde ir e você me pede para pensar nos motivos dele?

-Não existe nenhuma lei que o obrigue a me ajudar sempre – pausa – Ele faz o que quer e se naquele momento ele não estava bem para isso, eu entendo, diferentemente de você.

-Você acha que eu estava bem no dia em que fui te buscar? – tirou seu paletó grafite e o jogou sobre o sofá – Passei o dia todo em reuniões, além de cansado estava há mais de dez horas sem comer nada e não deixei de ir lá, porque você precisava – me encolhi – Fora que, uma semana atrás você estava morrendo de raiva dele por ter te deixado sozinha naquele estado – replicou.

-Não me lembro de ter dito que estava com raiva dele, muito pelo contrário – cerrei o punho – estava triste por estar afastada dele.

-Pense no que você acabou dizer – gritou – Se você realmente estava triste, porque então está fazendo cena?

-Eu estou fazendo cena? – perguntei incrédula com sua exaltação – O fato de eu estar triste não te dá o direito de se meter em minha vida e muito menos te dá o direito para falar sobre um relacionamento que até então não existia.

Esperei que ele respondesse, mas o silêncio ecoou por todo o cômodo sendo interrompido apenas pelo som de nossas respirações descompassadas. Fechei os olhos e respirei fundo tentando recuperar o foco de nossa conversa.

-Nós combinamos de não contar para ninguém, Damon – murmurei – pelo menos até nosso relacionamento se tornar mais sério. E, você ainda fez isso quando nem estávamos juntos ainda.

-Se você, pelo menos, soubesse o que ele falou para mim, pensaria duas ou mais vezes antes de me atacar desse jeito – disse de maneira suave, porém seu nervosismo continuava sendo aparente.

-Se eu soubesse que ele falou para você que gosta de mim? – ergui uma de minhas sobrancelhas – Não é uma novidade; sempre soube disso – provoquei. Damon fechou a cara e cerrou os punhos como se preparasse para uma briga. Em parte, aquilo era verdade, desde nosso termino desconfia que seus sentimentos estivessem intactos – E também não vejo isso como um problema.

-Você pode não ver como um problema, mas eu vejo – ao julgar por sua expressão, ele estava completamente desarmado.

Engoli a seco. Damon estava com ciúmes como claramente aparentava ou... Minha cabeça girou em confusão.

-Damon, não há motivos para isso ser um problema – apressei-me para dizer – Matt é meu amigo.

-Eu também era seu amigo – arqueou uma sobrancelha formando uma expressão extremamente sexy. – e por mundo menos tempo – respondeu friamente. Aquilo confirmou minhas suspeitas sobre o ciúme; podia-se dizer que agora a situação estava um tanto engraçada, mesmo considerando o fato de que eu ainda estava irritada com o acontecido.

-Eu o tenho como um irmão – suspirei.

-Ok, diga o que quiser, não vou pedir desculpas pelo que eu disse – caminhou em direção a bancada no extremo norte da sala de estar e serviu uma bebida escura numa taça de cristal. – Nem para ele, e muito menos para você – seus olhos analisaram-me de cima a baixo – Tenho absoluta certeza de que você conhecesse o meu lado possessivo, e se não, está conhecendo agora.

Fechei agora. Pedir desculpas para mim era o de menos; seu comportamento para com Matt fora completamente infantil e inadmissível, não cabia a ele criticar seus atos, de longe, apenas eu poderia criar um julgamento, uma vez que era eu a vítima da história. Encarar o fato de que ele era possessivo não seria lá a coisa mais fácil do mundo, principalmente se eu levasse em conta de que eu era igualmente ciumenta e possessiva.

-É melhor pararmos por aqui – tentei relaxar minha postura. – Não quero brigar contigo.

-Se você parar pensar foi o nosso tempo recorde sem brigar – havia uma ironia implícita em seu meio sorriso.

-Que seja – revirei os olhos ignorando o fato de que odiava quando eu fazia aquilo – Agora é sua vez de me falar sobre a Katherine.

Ele parou apoiando-se na beira do sofá do lado oposto ao que eu me encontrava. Cruzei os braços e formei uma falsa máscara de tranqüilidade para esconder o medo que sentia dos danos que aquela mulher podia trazer ao nosso namoro.

-Vou pular a parte que eu não gosto muito de coisas convencionais, até porque acredito que você saiba disso – Damon desabotoou os dois primeiros botões de sua camisa azul que realçava o tom de cor de seus olhos fazendo-me conter a vontade de morder os lábios.

-Ah sim, claro – fingi não dar importância.

-Você também sabe que Katherine e eu não somos namorados, caso fosse assim não estaria namorando contigo – ergueu uma sobrancelha – nosso relacionamento se baseia em sexo.

Aquela informação caiu sobre mim como uma balde d’água gelada.

-Você está me dizendo que enquanto não está comigo está transando com ela? – minha voz soou áspera e agressiva.

-Não, ainda não tive tempo para isso – deu de ombros.

-Você ainda não teve tempo para isso, que ótimo – eu ri segurando o impulso de deixar as lágrimas rolarem. Eu sabia que iria me decepcionar, só não imaginava que seria tão rápido.

-Mas não é do jeito que você pensa – deu um longo passo em minha direção deixando para trás a taça vazia – não temos absolutamente nada.

-Sexo não é alguma coisa? – perguntei entre dentes.

-Aí é que está – abriu seu sorriso malicioso que era capaz de inebriar meus pensamentos mesmo estando eu revoltada com ele – você deve acrescentar a este fato que não gosto de coisas convencionais.

-Bigamia é mais convencional do que pensa, — recuei um passo percebendo a intenção de uma maior aproximação em seus olhos.

-Não estou falando de bigamia, meu anjo – riu – realmente, isso é muito comum. Estou falando de minha obsessão por estar no poder.

-O que? Vai dizer que ela é paga para satisfazer suas vontades na cama? – as probabilidades eram grandes.

-Sim – respondeu, seus olhos em chamas.

Aquilo foi o suficiente para desestabilizar todo meu emocional. Fazia todo o sentido seu envolvimento com ela, o jeito que ela se vestia quando estava junto dele e os mimos que recebia nos dias que freqüentava seu apartamento. Um nó se formou em minha garganta; àquela altura sentia dó de Charlotte.

-E me tirou do bordel para quê? – o fuzilei. – Não era mais fácil pagar para ter sexo me deixando lá?

-Não repita isso – disse com rispidez.

-Desculpa se estou sendo sincera – dei de ombros; minha voz subindo duas oitavas devido ao choro preso em minha garganta.

-Não, Elena – seus olhos diretamente para os meus – Não quero você lá, quero ser o único a tocar em você – seus dedos passaram por minha bochecha. – E não pago ela para ter qualquer sexo. Eu a pago para que ela me deixar no controle, sem reclamar de nada.

-Está me dizendo que você é um dominador? – minha voz soou estrangulada devido a surpresa que senti ao somar todos os fatos.

-Não, isso você já sabia – ele riu descaradamente – estou dizendo que te quero como minha submissa para que eu possa descartar Katherine.

Notas finais
Comentem (vou estar respondendo as perguntas de vocês, hmm) e recomendem! ;) 20 comentários para o próximo.