Million Dollar Man

10 Capítulo 10 - Changing


Notas iniciais
Gente, estou enroladíssima, e odeio admitir isso. Tive teste segunda, quinta, sexta, tive aula ontem e vou ter outro teste terça e por mais que eu escreva um pouquinho todo dia, eu tenho ficado exausta, espero que vocês entendam e não fiquem chateados com a demora - nem chateados por eu não ter tempo de responder todos os reviews de vocês ):

Sobre o capítulo, bem, ele é meio cansativo porque não tem muitos diálogos, é mais uma passagem de tempo e etc, mesmo assim espero que gostem :3

Seria pedir muito outra recomendação? Aw, eu >amo< tipo, amo mesmo o ler o que vocês acham da fic tão diretamente :3

A sala estava em silêncio, exceto pelo som de meus dentes mastigando o chocolate recheado com crocantes avelãs. Fazia um enorme esforço para manter meus pensamentos longe da expectativa de Damon trazer Miranda para que eu pudesse vê-la e abraçá-la. Recostei-me no sofá e cruzei os braços banindo esperanças e falsos indícios de felicidade de meu cérebro.

Permiti-me vagar em lembranças antigas – da época em que eu poderia me considerar uma pessoa feliz, digamos – fazendo com que um sorriso bobo brincasse involuntariamente em meus lábios esperando me distrair da atual situação.

Era uma terça-feira à tarde e meu estômago parecia estar prestes a saltar por minha boca devido ao nível de meu nervosismo. Meu coração dava sinais de que a qualquer minuto entraria em combustão caso eu não me acalmasse. Matt tinha suas mãos nas minhas tentando transmitir segurança. Em qualquer outro dia, aquilo teria funcionado perfeitamente bem.

“Sua mãe não vai brigar com você.” Disse-me com seu casual tom de brincadeira, mas no fundo podia sentir a mesma ansiedade prosperando em suas veias.

Era normal que naquela idade garotas arrumassem namorados e era isso que eu queria que meus pais entendessem. Sabia que Miranda adorava Matt, mas sabia se Grayson aprovaria a idéia de vê-lo comigo por mais tempo do que já ficávamos juntos.

Por outro lado queria que ela me dissesse que ele era meu melhor amigo e que aos quatorze anos é muito comum confundir tais sentimentos. Sacudi a cabeça negativamente enquanto avançava para o fim da rua monótona onde cresci até encontrar o gramado verde de meu quintal.

Para piorar um pouco o estado de meu nervosismo, meu pai e minha mãe, estavam ambos sentados na escada de madeira parecendo ter uma conversa feliz sobre o – ou a – novo bebê que estava à caminho. Assim que cheguei mais perto, ela ergueu a cabeça e me olhou diretamente nos olhos, o sorriso dissipando-se de seu rosto.

“Mãe?” chamei-a com a voz melosa. Era inevitável falar assim quando tinha uma notícia ruim para dar. Neste caso não era ruim, só a pegaria de surpresa. Minha atitude estava me pegando de surpresa. “Queria lhe contar uma coisa”.

Ao contrário do que eu imaginava – acima de tudo, ao contrário do que Matt imaginava – ela reagiu muito bem, mostrou-se até feliz diante da situação. Apenas pediu para que eu não contasse ao meu pai sobre nosso namoro porque segundo ela ele teria um ataque de “minha menininha cresceu” ou “não quero você namorando até completar sua maior idade”.

Ri de sua imitação ruim dos ataques de nervos de papai e prometi cumprir o que ela havia me dito.

Mais tarde, depois que todos já haviam ido se deitar, permiti-me pular a janela para que fosse de encontro a Matt, que estava radiante. Seus cabelos loiros estavam bagunçados e suas bochechas claras assumiram um tom de vermelho vivo assim que me aproximei.

Fui embalada em seu abraço de urso de maneira que perdi meu equilíbrio. Mesmo sabendo que talvez pudesse estar cometendo um erro, não me lembrava de ter sido tão feliz em toda minha vida. Eu o amava em muitas maneiras, mas não da mesma maneira que ele me amava.

Mas queria que aquilo mudasse. Não gostava nem um pouco da idéia de que se não fosse comigo, ele estaria com outra garota. Não gostava da idéia de que ele beijasse outra garota, principalmente se assim como eu, ela não tivesse beijado outra pessoa. Sabia como aquilo significava muito para mim e não queria que significasse a mesma coisa para outra pessoa. E acima de tudo, não queria que essa outra pessoa fosse uma das putinhas da escola que dariam de tudo para tirar proveito de seus olhos azuis.”

Como eu sentia falta daquilo. Sentia falta da inocência e mais ainda de Matt. Nem cinco meses depois já me via em Coney Island fazendo uma das coisas mais desprezíveis. E nem isso fez com que ele se afastasse de mim. Exceto agora que ele não escondia que me odiava daquele jeito.

O murmúrio crescente de vozes me puxou de volta a realidade. Desfiz a névoa que me impedia de enxergar o que quer que fosse a minha frente e olhei a minha volta. April levantara para atender a porta e Edna estava com a atenção voltada para mim. Respirei fundo e traguei saliva não querendo aparentar o estado nostálgico que me encontrava.

–Elena? – reconheci a voz de imediato antes mesmo que ela entrasse em meu campo de visão. Praticamente pulei do sofá e fui a seu encontro em passos largos. Senti meu coração disparar à medida que o espaço diminuía.

Joguei meus braços a sua volta e enterrei a cabeça em seu pescoço antes que Miranda pudesse dizer alguma coisa. Eu precisava daquilo mais do que qualquer coisa naquele momento. Sem hesitar, senti seus braços me envolverem fortemente fazendo o ar torna-se quase rarefeito.

–Mãe – sussurrei aliviada e a abracei com mais força. Fechei os olhos lutando contra as lágrimas teimosas que teimavam em me expor. Suas mãos afagavam meus cabelos transmitindo-me uma imensa sensação de conforto e segurança. Ouvi a voz de Damon ao fundo, mas não consegui identificar o que ele estava dizendo, apenas sabia lhe devia muito, agora mais que nunca.

Miranda me afastou – cedo demais. Enxuguei minhas lágrimas enquanto esfregava meus olhos. Funguei e pigarreei limpando minha garganta. Em primeiro momento, ela não disse nada, apenas colocou uma mexa de meu cabelo no lugar e acariciou meu rosto de forma carinhosa. Dei-lhe um beijo na testa e abracei novamente, dessa vez, de forma breve.

–Como você está? – perguntou num sussurro.

–Não sei – admiti.

Seus olhos analisaram meu corpo de cima a baixo. Abaixei a cabeça na tentativa de esconder minha vergonha. Pelo menos as roupas compridas cobriam a maior parte dos hematomas. Ela deslizou a mão por meus braços sobre os arranhões, esperei que ela dissesse alguma coisa, mas em vez disso, ela apenas soltou um suspiro pesado.

–Vou deixar vocês à sós – Damon disse mexendo nos cabelos.

–Damon – sussurrei.

–Hm?

Não disse nada, dei um passo e acabei com o espaço entre nós e o abracei fortemente. Minha reação o deixou extremamente sem graça, demorou para que ele me abraçasse de volta. Abri um fraco sorriso e depositei um rápido beijo em sua bochecha, que arderam em cor em seguida. Também corei, mas com menos intensidade. Afastei-me e sentei-me no sofá puxando minha mãe comigo.

Deitei em seu colo enquanto via Edna, April e Damon deixar a sala aos sussurros. Não conseguia acreditar que ele tinha atravessado a cidade apenas para trazê-la para mim. Outro sorriso iluminou meu rosto involuntariamente.

–Trouxe algumas roupas suas – disse ela puxando-me para mais perto enquanto alisava meus cabelos.

–Para que? – franzi o cenho.

–Conversei com Damon – ela suspirou – e eu realmente não sei porque já confio nele. – pausa – pelo menos enquanto você estiver aqui eu sei que você está bem.

–Isso é algum castigo? – resmunguei. Ela riu e deu um beijo na testa.

–Pelo menos não tenho que ficar tão preocupada – disse aliviada.



Ao contrário do que esperava, a rotina da casa não era irritante – não quando Damon não estava.

Damon disse que o quarto de hóspedes seria meu a partir daquele dia e sem minha permissão gastou mais do que devia com roupas exageradas para mim. Óbvio que reclamei, óbvio que discutimos, e é mais óbvio ainda que terminamos brigados.

April começou a visitar a casa com mais freqüência e acabei por descobrir que tínhamos muito em comum. Por várias vezes nos trancamos na biblioteca de Damon e só saímos quando o dia já estava amanhecendo ocupadas demais devorando livros para dormir.

Dorothea era um doce de pessoa e isso eu sempre desconfiara. Não tinha permissão para sair – só com Damon, o que nunca seria o caso. – logo passava várias horas ajudando-a a cuidar da arrumação e da cozinha. Todas as noites recebia um telefone demorado de Miranda querendo saber de cada detalhe de meu dia.

Matt ainda não parecia lembrar-se de minha existência.

Como grande alívio, não tinha mais que seguir as regras de Stefan. Finalmente consegui cortar meu cabelo e deixar de cacheá-los todos os dias. Minhas unhas estavam feitas e eu podia passar o dia inteiro com meu traje preferido: pijamas.

Depois de uma semana comecei a sentir-me como uma parasita. Damon disse que eu poderia trabalhar com ele na empresa, se quisesse, enquanto não decidia o que fazer. Stefan continuava internado, e até onde eu sabia havia passado por uma cirurgia para fazer reconstituição do nariz. Katherine aparecera diversas vezes em dias e horas específicas, e, a cada dia que se passava, ela me olhava com uma cara de maior desprezo.

No primeiro fim de semana, fui arrastada para um passeio em família onde conheci o pai de Damon, Robert. De longe me parecia um homem sério de negócios, porém depois de dois minutos sentada lado a lado com ele ouvi das melhores – piores – piadas do mundo e sou obrigada a admitir que nunca ri tanto em minha vida.

E naquele mesmo dia, quando minha mãe ligou, ela confirmou a viajem de Grayson e disse que estaria me esperando em casa. Marquei o passeio com Margareth para a próxima a semana que estaria em casa e avisei a Damon, que ficou estranhamente feliz com a novidade.

Parte de meu cérebro estava cogitando não voltar para Coney Island. Não queria magoar minha mãe – e por mais que odiasse admitir, não queria decepcionar Damon – de novo e tinha medo de que se Stefan estivesse lá acabasse por ganhar outra surra por ficar tanto tempo fora.

No início da segunda semana, arrumei um novo passatempo: ajudar April a estudar para a segunda prova do vestibular, já que ela havia perdido a primeira por estar viajando na Europa. A sensação de saber que me lembrava de tudo era extremamente reconfortante.

Assim como eu, ela estava adiantada um ano. Seu aniversário seria dali a duas semanas e Damon havia nos dado a obrigação de gastar seu dinheiro comprando roupas e coisas desnecessárias. Para ela era fácil demais, para mim nem tanto. Um pouco exagerado, digamos.

Sem minha autorização – ele não era do tipo que esperava a conscientização de ninguém para tomar uma atitude, Damon escreveu-me no vestibular fazendo com que nós trocássemos mais palavras amorosas. Não importava meus argumentos, ele estava certo de que era o dono da verdade e sabia o que era melhor para mim. “Ainda vai me agradecer por isso” disse com petulância terminando a discussão.

Não era algo que precisava me importar no momento, a prova seria dali a dois meses, o que significava que teria tempo o suficiente para relembrar tudo que era necessário. Não era minha intenção deixar que ele pagasse minha faculdade, mas isso era uma discussão que eu pouparia para depois, se fosse o caso.

Quando a quinta-feira chegou, eu mal conseguia dormir, já não me lembrava mais a ultima vez em que ficara em casa por mais de um dia. Sexta à tarde, Damon me levaria até em casa e me deixaria sobre os cuidados de minha mãe. Toda aquela super proteção estava começando a me deixar mimada, coisa que nunca fui.

Assim que entrei no carro, começamos uma discussão sobre controle. Eu sempre ganhava, mas dessa vez acabamos em uma conversa agradável que envolvia um pouco do passado dele.

Quando adolescente Damon não gostava de receber ordens, foi expulso de várias escolas – o que me surpreendeu muito. Depois de muita conversa com sua mãe, ele decidira aceitar as regras que lhe eram impostas com a condição de que um dia ele poderia impor suas próprias regras e controlar o que era dele.

E ele levava isso muito ao pé da letra. Ele só se esquecia do fato de que eu não era dele.

Edna não era uma médica como Damon havia dito. Bom, ela também é clínica geral, mas sua especialidade e paixão é psicologia. Aquilo explicava muita coisa, principalmente seu interesse em minhas visitas.

E as visitas estavam me fazendo muito bem, aliás. Não estava nem um pouco abalada por estar tanto tempo longe das drogas e bebidas. Simplesmente não via um motivo para querer usar qualquer das substancias para aliviar qualquer dor emocional – não havia dor emocional alguma, todas pareciam longe e isoladas em uma área proibida e bloqueada em meu cérebro.

–Lena! – Margareth correu em minha direção assim que desci do carro. Aninhei-a em meu colo a abraçando fortemente.

–Ah, meu anjo – suspirei.

Damon abriu um sorriso tímido e brincou com Maggie rapidamente antes de se virar para cumprimentar Miranda.

Não gostava nem um pouco da amizade dos dois, principalmente porque isso incluía falar de mim por minhas costas. Revirei os olhos e os ignorei passando direto para abraçar Jeremy.

Já com a minha bolsa em meu quarto, perdi o resto da tarde jogando com Jer e brincando com Maggie. À noite, ajudei Miranda com jantar e finalmente pude matar a verdadeira saudade de minha cama – mesmo tento que dividi-la com Jeremy e Margareth, que pareciam não querer me largar um segundo sequer.

No sábado pela manhã, logo depois do café, arrumei tudo que precisava para passar o dia fora com Maggie. Vesti minha calça jeans escura junto com minha blusa de mangas compridas vinho – ambas presentes de Damon – e calcei minha bota marrom escura favorita. Escovei meu cabelo e passei uma leve maquiagem antes de ajudar minha mãe arrumar minha irmã.

Saímos antes das 10hrs, rumo a Manhattan onde deixaria a pequena decidir o que faríamos no shopping. Maggie passou todo o trajeto agarrada em meu pescoço e dizendo que eu era linda, era simplesmente impossível não rir a tendo por perto.

–Puxa vida, dia de sair com a irmã mais nova – uma voz familiar disse assim que atravessei as portas de vidro do shopping. Trinquei os dentes e ouvi a risada de April.

–Estava me seguindo, ou... – deixei a frase inacabada.

–Isso daria muito trabalho – abriu um sorriso torto – apenas liguei para sua mãe e ela disse que você estava vindo para cá.

–Manhattan não tem só esse shopping – fechei a cara.

–Ok, por esse lado foi sorte – deu de ombros – ou talvez porque eu consiga reconhecer mulheres bonitas de longe – pausa – essa roupa caiu perfeitamente bem em você.

O que cairia bem seria a minha mão na sua cara, que tal. Pensei ainda com os dentes trincados, não queria parecer uma pessoa violenta com Margareth por perto.

–Hey – April disse com um sorriso no rosto.

–Hey – lhe abracei e não pude deixar de sorrir também.

–Oi – ela disse para Maggie que rapidamente escondeu o rosto em meio aos meus cabelos. Eu ri.

–Espero que você não esteja sendo uma má influência para ela – Damon acariciou os cabelos loiros de Maggie – tão nova e tão difícil.

–Não sou difícil – Margareth disse usando sua voz soprano infantil sem olhar diretamente para Damon. Eu ri de novo. – Só não gosto de você.

April estava vermelha de tanto rir e eu não a culpava, estava num estado muito próximo do dela. Ouvi a risada de Maggie, o que só me fez rir mais ainda.

–Por que você não gosta de mim? – Damon franziu o cenho e suavizou os olhos fingindo tristeza.

–Porque sim – murmurou.

–Ok, chega – mal conseguia conter minha vontade de rir. – Maggie vai escolher o presente dela, vamos lanchar e...

–Comer pipoca – ela mesma acrescentou.

Revirei os olhos.

Assim que voltamos a andar, coloquei Margareth no chão. April andava ao lado dela e Damon manteve sua mão em minha cintura, pensei em dizer que aquilo incomodava, mas certamente só seria um incentivo para ele não a tirar de lá. April pareceu perceber e lançou-me um olhar curioso. Ah, sim, claro, era tudo que eu precisava no momento: dar impressão de que gostava dele.

Odiava Damon e isso não era novidade.

O pensamento fez com que eu sentisse borboletas em meu estômago. Sabia que não era verdade. Principalmente depois de todo esse tempo que passei junto com ele. Damon era sim de muitas formas irritante, possessivo, mandão e chato, mas por outro lado ele também era extremamente carinhoso, gentil, compreensivo e protetor.

Melhor dizendo: Odiava admitir que não odiava Damon e isso não era novidade.

E sua mão em minha cintura não estava me incomodando o tanto quando eu queria, estava me incomodando porque estava me deixando nervosa e insegura sem motivos, mas de longe até que estava gostando de sua proximidade. Ao perceber isso, soltei um suspiro de derrota. Não era o que eu planejava.

–Lena? – Maggie me chamou interrompendo a linha de meus pensamentos.

–Oi, meu anjo – respondi com doçura.

–Eu quero ir ao cinema – disse com a voz repleta de manha.

Não sabia exatamente se teria paciência para ir ao cinema. Respirei fundo, aquele não era meu passatempo preferido, adorava assistir filmes, mas em casa.

–Por que a gente não ver um filme em casa? – sugeri.

–Aaaaah não! – disse fazendo biquinho. Ela sabia que não conseguia lhe negar nada quando fazia aquilo.

–Quer ir comigo? – April a convidou.

Em um primeiro minuto ela pareceu desconfiada, mas depois sacudiu a cabeça timidamente.

–Comporte-se – avisei e deixei que ela fosse com April em direção as salas de cinema.

Pensando por outro lado, ficar sozinha com Damon não era a melhor idéia. A pior parte era que só havia notado isso quando April e Margareth estavam longe demais para que eu pudesse voltar atrás. Ficamos parados as encarando até as perder de vista e só então fomos em direção a praça de alimentação.

Sentemos em uma das mesas de frente a uma cafeteria. Apoiei meus cotovelos sobre a mesa e mexi em meus cabelos até que eles escondessem minhas bochechas coradas. Damon riu e se aproximou de mim sem dizer nada.

–Quer alguma coisa? – perguntou depois de um longo silêncio.

–Hm, não, obrigada – sussurrei.

–Vou deixar passar porque não tenho tido que forçar você a comer, você tem feito isso por vontade própria – deu de ombros.

Não respondi. Damon franziu o cenho.

–Ainda pretende voltar para Coney Island?

Sua pergunta me pegou de guarda baixa.

–Não sei – suspirei.

–Não sabe, ou... – ele também estava sussurrando.

–Não quero magoar minha mãe – comecei, dei uma rápida espiada em seu rosto e pude notar seus olhos me fitando intensamente – mas por outro lado, não vejo outro jeito de ajudar... – cerrei os lábios.

–Ajudar?

–Minha mãe não pode trabalhar por causa da Margareth, o que o meu pai ganha não é suficiente para nós cinco e... – suspirei – não é obrigado a saber disso.

–Mas eu quero – murmurou.

–Eu não tinha como arrumar um emprego porque só tinha quinze anos, tecnicamente eu só poderia trabalhar com dezesseis, e... – dei uma pausa – eles precisam disso, não é uma escolha minha.

Sua boca se abriu em surpresa e mais minutos em silêncio se passaram, mantive meus olhos fixos no movimento da loja ao meu lado esquerdo.

–E se... – ele recomeçou a falar – bom, eu já disse que você pode trabalhar comigo. Você diz o quanto você precisa e esse será o seu salário, pode ficar até mesmo com meu escritório se quiser e... – Damon parecia desorientado – não volta para lá, por favor, pensa nisso.

–Seria ótimo – concordei – Mas não sei se saberia me comportar e seria útil para te ajudar em alguma coisa – cerrei os lábios.

–Abra seus olhos, Elena – revirou os olhos – você é muito inteligente, não tem idéia de como. – breve pausa – e, além disso, você fará o que eu pedir e não vou julgar seu comportamento.

Arqueei uma sobrancelha.

–Sente prazer em mandar em mim? – perguntei com petulância deixando a seriedade da situação um pouco de lado.

–Sim – ele riu descaradamente.

–Já imaginava – dei de ombros.

–Então? – sabia que ele esperava uma resposta.

–Contando que não haja nenhuma ex-mulher sua envolvida em seu trabalho, posso considerar a proposta – apoiei meu queixo em minha mão virando-me para ele.

–O restaurante de Charlotte é meu, apenas a deixo mandar – ele riu.

–A parte que você mais gosta deixou nas mãos dela, que impressionante – disse com ironia.

Por um instante parei para pensar em sua idade. Franzi o cenho com curiosidade.

–Com quantos anos vocês se casaram? – mordi o lábio.

–Não morda o lábio. Eu tinha acabado de sair da faculdade, assim como ela, se não estou enganado tínhamos vinte e dois – disse tranquilamente.

–E já se separaram?

–Ela também não gosta da Katherine. – ele riu.

–Você já a namorava? – arregalei os olhos de surpresa.

Damon respirou fundo.

–Ela não é minha namorada, mas isso eu gostaria de conversar outra hora para não te assustar – usou seu tom calmo.

Assustar-me? O simples fato de ele ter dito isso me assustava. Se ela não era namorada era o que? Escrava? Pensando nos fatos não seria impossível.

–Achei que já havia saído de moda essa coisa de ter uma escrava sexual – blefei.

–Agora é algo mais secreto e interessante – piscou para mim. Engoli a seco.

Ele riu e mexeu com meu cabelo deixando o lado mais próximo dele de meu pescoço exposto. Um arrepio percorreu minha espinha em tempo recorde quando seus dedos tocaram minha nuca.

–Mas é sério – sua voz era mais baixa que um sussurro – promete que vai pensar?

–Sim – não fiz contado visual.

–Sim, você vai pensar, ou sim, você vai trabalhar comigo?

–Sim, eu vou trabalhar para você – não gostei de minha colocação. Odiava a idéia de submissão, principalmente se tratando dele.

Continuei:

–Mas... – respirei fundo e afastei-me um pouco me sentindo sufocada por sua proximidade. – não acho que Stefan vá aceitar a idéia.

–Ele não tem que aceitar nada – e o Damon autoritário estava de volta. Fazia duas semanas que não via sinal dele – até onde eu sei, ele não possuí nenhum poder judicial sobre você e essa parte eu me acerto com ele, não acho que ele vá querer outra surra.

Por mais que estivesse aliviada, não deixaria isso transparecer.

–Finalmente vou poder ter meu pai de volta – murmurei.

–E sua casa – pausa – e sua irmã, e seu irmão, e Matt...

–Matt ainda está com raiva de mim – fechei a cara.

–Não acho que ele ainda esteja com raiva de você – ele acariciou minha mão sobre a mesa. Pensei em me afastar, mas meu lado não racional falou mais alto. – O nome disso é orgulho.

–Tenho medo de ligar e ele não querer falar comigo – admiti.

–Quer que eu converse com ele? – sugeriu.

–Obrigada, mas não. É muito de sua parte fazer isso tudo por mim, mas não é certo você resolver todos os meus problemas. – expliquei.

–Não quero motivos para te encontrar inconsciente naquele beco imundo – revidou.

–Estou bem – defendi-me.

–Eu sei – relaxou um pouco a postura.

–Então pronto – cruzei as pernas.

–Promete para mim que vai falar se precisar de alguma coisa seja o que for? – Damon usava o poder que seus olhos tinham sobre mim.

Corei e assenti.

–Obrigada – sorriu.

–Obrigada você – encarei a mesa ao falar – estou bem porque você me ajudou. – suspirei – muito obrigada mesmo. – ele não respondeu, mas pude ouvir um som de sua risada ecoar por meus ouvidos enquanto ele se curvava e depositava um demorado beijo em minha testa.


Notas finais
Não deixem de comentar! ;)