Millennium Odyssey: Réquiem do Último Solstício
14 O ultimato da Pantalone
Èris pula para trás, desviando de um ataque de Nero. Ele joga uma de suas adagas nela, mas Èris se defende com suas duas espadas, jogando a arma para cima. Nero corre na direção dela. Èris põe suas espadas na frente do corpo para se defender. Quando chega perto, ele pega impulso nas espadas e rapidamente se joga para sua outra adaga. Nero se vira e joga uma de suas armas em Èris, acertando o ombro dela.
"Cavaleira !" — Kaito diz. Ele rapidamente põe duas pedras em suas luvas e cria uma parede de gelo.
Fiama enfia suas mãos na parede com força e a quebra. Ela agarra a mão de Kaito.
"Me solta, coisa esquisita !" — Kaito diz. Ele cria uma explosão que joga Fiama para trás.
Nenhum dano é causado à Fiama. Nero se aproxima dela.
Kaito se aproxima de Èris. "Você tá legal, cavaleira ?" — Ele põe outra pedra em uma de suas luvas.
Èris tira a adaga de seu ombro e a joga no chão. "Dói, mas eu tô bem."
Kaito põe sua mão na ferida. Uma luz esverdeada começa a sair dela. "Sorte a sua de eu sempre ter uma dessas pedras de cura comigo."
"Eu não diria que vocês tiveram sorte." — Nero diz. "O que acha, Fiama ?"
Fiama permanece em silêncio.
"É, eu também acho. Então vamos lá !" — Nero diz. A gosma negra começa a escorrer dos braços dele.
Fiama corre na direção dos dois. Nero se ajoelha e enfia suas mãos no chão. Espinhos rígidos da gosma negra começam a ir violentamente na direção de Kaito e Èris. Kaito põe duas pedras em uma de suas luvas e cria uma parede de gelo. Os espinhos acertam a parede. Os dois começam a forçar. Fiama quebra um pedaço a parede e a atravessa. Ela vai na direção de Kaito.
Èris entra na frente e defende Kaito com suas espadas, mas é arrastada para trás. "Ugh… !" — Ela força, conseguindo parar. Èris empurra Fiama para trás. "Hah… Hah… Agora eu entendi sobre o que você estava falando."
"E eu não disse ? Ela é mais forte que a Luna !" — Kaito diz.
"Precisamos conseguir. É pelo bem de Fiore." — Èris diz.
Stella pula para trás. Um espinho de terra se forma, onde ela estava. Ela joga algumas cartas nesse espinho, mas ele se desfaz, desviando das cartas. "Ah, qual é ! Isso é injusto !"
Guido põe seu braço segurando a espada de madeira para fora e tenta atacar Stella, mas ela pula para cima e joga uma carta no chão, o explodindo. Guido é jogado contra uma árvore.
"Heh, não é tão intangível agora, né ?" — Stella diz, com um sorriso confiante em seu rosto. "Intangível é a palavra certa, né ? Pra falar a verdade, eu nem lembro o que isso significa."
Guido se recupera. "Uma pessoa que infringe nossas leis não possui direito de falar sobre justiça."
"Confia em mim, eu sou a certa da situação. E você vai entender logo." — Stella diz. "Agora, vê se fica quietinho, até lá."
"O único silêncio que acontecerá será quando eu perfurar sua garganta com minha espada." — Guido diz. Ele corre na direção de Stella.
"E eu sou a violenta da situação." — Stella diz. "Se não vai cooperar, então eu não vou ter piedade."
Guido se aproxima de Stella e a ataca com sua espada, mas ela pula para trás, desviando do ataque. Stella pega uma carta e avança na direção de Guido, que se esconde no chão. Ela acaba passando por onde ele estava. Stella joga uma carta no chão, que explode e joga Guido para cima. Ela joga algumas cartas em uma árvore, a derrubando. Stella pega impulso nessa árvore se joga para cima e joga uma carta em Guido. A carta explode, jogando ele no chão. A árvore cai na direção de Guido, que rapidamente se recupera e a corta ao meio. Ele se vira para trás e se defende de um ataque Stella. Guido a pega pela perna e joga Stella no chão com força. Ela tenta se recuperar, mas Guido dá uma cotovelada em sua cabeça, fazendo Stella cair no chão novamente.
Stella cospe sangue. "Gah !"
Um pedaço da terra se move, prendendo os braços e pernas de Stella e a levantando. A terra prende ela contra uma árvore e levanta a cabeça de Stella.
Guido aponta sua espada para o peito de Stella e prepara um golpe. "Aproveite seu último suspiro."
Cirius põe Yaldabaoth na frente de seu corpo, se defendendo de um ataque de Rita. Ele força, jogando ela para trás.
"Qual o problema ? Arde segurar sua arma ?" — Rita pergunta, zombando de Cirius. "Boa sorte tentando lutar com seu tato aguçado ! Ahahaha !"
"Tch. Que saco." — Cirius diz. "Mas ela tem razão. Só de segurar a Yaldabaoth com força, eu consigo sentir minhas mãos ardendo. Esse poder é mais irritante do que eu pensei…"
"Vai se arrepender de ter desafiado a madame Milena !" — Rita diz. Ela pula para trás. Rita faz um arco com seu sangue e começa a atirar flechas em Cirius.
Cirius corre na direção de Rita, cortando as flechas jogadas em sua direção. Quando chega perto, ele tenta atacá-la, mas Rita faz um escudo e se defende do ataque. A lâmina de Yaldabaoth fica preta e começa a atravessar o escudo. Cirius força, cortando o escudo. Rita desvia do ataque dele, cobre seu cotovelo com sangue e revida com uma cotovelada no pescoço de Cirius.
"Gah !" — Cirius diz, agonizando.
"Aposto que sua coluna inteira sentiu essa, não é ? Tem mais de onde isso veio !" — Rita diz. Ela junta suas mãos e soca a cabeça de Cirius. Enquanto Cirius está caindo, Rita dá uma joelhada no peito dele. Ela pega Cirius pelo cabelo e bate a cabeça dele no chão.
"…Ugh…" — Cirius diz, em dor.
"Esse é um gostinho da dor que criminosos sofrem por aqui." — Rita diz. "Eu diria 'vai se acostumando', mas você vai morrer. Então…" — Ela levanta sua mão.
Cirius se vira rapidamente e tenta atacar Rita, mas ela pula para trás, desviando do golpe. Ele se levanta com um pulo.
"Olha, eu tenho de admitir, você é bem mais persistente do que eu achei que seria." — Rita diz.
"...Dor… é um sentimento… que varia de pessoa… a pessoa… Além disso…" — Cirius diz, ofegante. Ele recupera seu fôlego e põe Yaldabaoth na frente de seu corpo. "…eu já sei como acabar como acabar com você."
"Se é dor que quer, é dor que vai ter. Foi você quem pediu isso, pivete !" — Rita diz. Ela faz uma espada e começa a se cortar. O sangue de Rita começa a escorrer para fora da ponte. "Você sabia que sangue e água se misturam bem rápido ? E, caso não tenha percebido, tem bastante água aqui."
De repente, água misturada com o sangue de Rita começa a subir pela ponte e se juntar em volta dela, fazendo uma grande armadura vermelha e uma espada. Ela bate sua grande mão na ponte, a quebrando. Os pedaços começam a ser sustentados por correntes de água, controladas por Rita.
Rita, dentro da armadura, pega essa espada. "Bem vindo ao seu pior pesadelo !"
"Se eu chegar perto o suficiente dela, vou conseguir usar minha nova técnica. Com isso, eu consigo vencer. O único problema é..." — Cirius pensa consigo mesmo. Ele olha para Yaldabaoth. Cirius segura sua espada mais forte e balança sua cabeça. "Agora não é hora de pensar em consequências ! Fiore depende de mim ! Eu vou com tudo. Só dessa vez."
"Qual o problema ? Está intimidado pelo meu poder ? Ou finalmente percebeu que esse será seu fim ?" — Rita pergunta. "Não se preocupe, só vai doer muito !"
Cirius respira fundo. Ele corre na direção de Rita, pulando pelos pedaços.
"Prepare-se para morrer !" — Rita diz.
Guido corre na direção de Stella, com sua espada apontada para o peito dela. Stella tenta se soltar da árvore, mas seus esforços são em vão.
Guido se aproxima de Stella. "Não inútil ! Seu fim aconteceu quando cruzou o caminho da madame ! Agora, morra pelos crimes que cometeu !" — Ele enfia sua espada no peito de Stella.
"Ugh- GAH !" — Stella grita, em dor. Sangue começa a escorrer pela boca dela.
"Peça desculpas pelo que fez com a madame Milena. Assim, talvez ela perdoe sua alma." — Guido diz.
"…Eu só tenho... uma coisa a dizer..." — Stella diz. Ela sorri.
Silêncio toma o local.
Guido permanece em silêncio, esperando a resposta. Stella não diz nada, então ele decide ir embora. "Uma alma dessas jamais será perdoada pela senhorita Milena." — Guido para de andar, quando um pássaro passa em sua frente. "M-Mas o quê !?" — Ele olha para trás, assustado.
Stella continua no mesmo lugar.
Guido olha em volta, desesperado. "O que é isso !? Por que eu não ouvi o bater de asas daquele pássaro !?" — Ele se vira para Stella. "O que fez comigo, sua bruxa ?!"
Stella não mexe um músculo.
"Me responda !" — Guido diz, bravo.
O sorriso de Stella fica maior. "Bem-vindo ao seu inferno."
Guido tenta entrar na terra, mas não consegue. "O-O que está acontecendo !?"
"Enquanto você estava batendo nela, eu escondi cartas e fiz uma barreira." — Stella diz. Ela aponta com sua cabeça para a frente.
Guido se vira. Stella está na frente dele. "Você !" — Ele tenta bater sua espada em Stella, mas não consegue.
"Barreira, esqueceu ?" — Stella pergunta. "Eu sou apenas uma projeção feita com cartas. Nenhum dano de verdade foi causado."
"Eu não vou ser derrotado por uma criminosa !" — Guido diz.
Muita terra começa a ir para todos os lados, dentro da barreira.
Stella vai embora. Ela acena. "Boa sorte com isso."
Guido se junta. "Volte aqui ! Lute com honra !"
"Eu não luto com honra. Luto com inteligência." — Stella diz. "A propósito, eu enchi essa projeção com cartas explosivas." — Ela começa a inchar.
"Não posso acreditar que fui vencido por uma criminosa…" — Guido diz, cabisbaixo. "…Perdão, madame Milena…"
Stella explode. A barreira se quebra. Guido é jogado contra uma árvore com força, a derrubando.
Stella põe a mão em seu peito. Um pouco de sangue escorre da boca dela. "…Embora eu ainda sinta um pouco da dor que a projeção sente…"
Passos rápidos podem ser ouvidos, se aproximando.
Luna pula de uma moita, em cima de Stella, derrubando as duas. "Luna achou Stella !"
"Ugh ! Luna !? O que está fazendo aqui !?" — Stella pergunta, surpresa.
"Luna ficou muito preocupada com Stella, então Luna deixou amigas e correu o máximo que Luna conseguia !" — Luna diz.
As duas se levantam. Elas começam a caminhar.
Stella dá um sorriso gentil. "Valeu, Luna. Mas eu estou bem. Bom, não tão bem. Aquele cara era forte pra caramba. Mas eu tô… bem."
Luna fica mais aliviada. "Ainda bem… Luna ficaria mal se alguma coisa ruim acontecesse com Stella…"
Stella vê uma colina com uma pedra. "Vamos até lá ? Eu meio que quero descansar um pouco."
Luna concorda com sua cabeça. As duas vão até a colina e se sentam na pedra. Elas têm uma visão da cidade inteira.
"Sabe, olhando assim, nem parece que é todos estão sendo controlados, e que isso tudo é obra de uma tirana." — Stella diz.
"Luna concorda. Fiore é uma cidade muuuito bonita e cheia de pessoas legais !" — Luna diz.
"Eu tenho sorte de vir de um lugar assim, não ?" — Stella diz. "São momentos como esses que eu me sinto orgulhosa de poder ajudar as pessoas do lugar onde eu nasci. Eu sinto que não estou sozinha. Me sinto parte de algo maior."
"Stella não está sozinha !" — Luna diz.
Stella dá uma leve risada. "Não quando você vem correndo pra mim toda hora que sente que estou em perigo."
"Luna só queria ajudar…" — Luna diz.
"Eu sei, Luna. E eu fico muito grata por isso." — Stella diz.
As duas ficam em silêncio, olhando a cidade. O vento sopra, jogando algumas pétalas cinzas por elas.
Stella respira fundo. "Sabe, Luna, eu posso nunca ter dito isso antes, mas…" — Ela engole seco. "…você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Antes, eu era meio… vazia ? Eu não sei. Só... não via motivo nenhum pra fazer nada. Não é como se alguém fosse prestar atenção em mim. Mas você era diferente. Ok, não lembrava quem eu era, mas, mesmo assim, me dava atenção toda vez que eu estava por perto."
"Como é que Luna não ia dar atenção pra Stella, quando Stella vivia tentando bater em Luna ?" — Luna pergunta.
Stella tosse, nervosa. "Detalhes. Enfim, ter você e os outros por perto é incrível. E eu só queria dizer o quão grata sou por ter me aturado por todo esse tempo."
"Não sei do que Stella está falando. Luna nunca reclamou e nunca vai reclamar de Stella. Stella é a melhor amiga de Luna." — Luna diz.
Stella se segura para não chorar. "Você também, Luna… Você também é minha melhor amiga…" — Ela encosta sua cabeça no ombro de Luna, que encosta sua cabeça na de Stella.
"Stella e Luna vão ser amiga pra sempre." — Luna diz.
"…Sim…" — Stella diz.
Cirius pula em um pedaço da ponte. Rita joga uma lança feita com seu sangue nesse pedaço, derrubando Cirius. Ele cobre sua espada com as chamas roxas e joga elas em uma corrente de água, a evaporando e fazendo o pedaço que ela estava segurando cair. Cirius cai rolando nesse pedaço, que é imediatamente levantado por outra corrente, e volta a correr na direção de Rita.
"O-O quê !?" — Rita pergunta, surpresa. "Grr ! A brincadeira acabou, pivete ! Diga adeus !" — Ela joga várias lanças para cima e bate em Cirius com sua espada.
Cirius, com muito esforço, consegue se segurar e aguentar o golpe, usando Yaldabaoth. Ele força, empurrando a grande espada para cima. As lanças começam a cair. Cirius cobre Yaldabaoth com suas chamas e as joga para cima, evaporando as lanças. Rita consegue pegar Cirius e o joga para cima.
Rita cria um arco com uma flecha e puxa a corda dele para trás com força. "Evapore, pivete !" — Ela solta a corda, lançando a flecha na direção de Cirius violentamente.
Cirius põe Yaldabaoth na frente de seu corpo e começa a se concentrar. A flecha chega mais perto. O fio da lâmina fica preto. Ele corta a flecha ao meio.
"I-Isso não é possível !" — Rita diz, em choque. "Não ! Eu não posso deixar que escape ! Nem que isso custe tudo que eu tiver !" — Ela põe os braços na frente do corpo.
Yaldabaoth encosta nos braços. Os dois começam a forçar.
"Nunca passará pela minha armadura !" — Rita diz.
"…Tudo ficará bem, em um instante..." — Cirius sussurra.
De repente, um leve brilho dourado cobre Yaldabaoth.
"Postrema Solstitium Requiem !" — Cirius diz.
Yaldabaoth facilmente corta os braços e começa a cortar a armadura de cima à baixo. Cirius aterrissa em uma plataforma. De repente, sua espada é jogada para trás, fazendo um corte em sua bochecha, e se finca com força no chão.
Cirius segura a sua mão em que Yaldabaoth estava, em uma mistura de dor e frustração. "…Como eu pensei… Ainda não funciona…"
A armadura começa a se desfazer.
Rita cai da armadura, no chão. "…Minha… armadura… impenetrável... Madame… Milena… Perdão…" — Ela desmaia.
Cirius pega Yaldabaoth. Há uma rachadura na espada. "…Isso ainda não é o suficiente… Eu não vou conseguir ganhar de Demiurges desse jeito..."
Fiama começa a desferir golpes pesados em Èris, que defende com suas espadas e é arrastada um pouco para trás com cada golpe. Ela empurra Fiama para trás e corre na direção dela. Quando chega perto, Èris vira sua espada ao contrário e faz um corte em Fiama, que pula para trás e desvia do golpe. A espada de Èris passa raspando pela mão de Fiama. Um rangido é ouvido, quando isso acontece.
"...Eh… ?" — Èris diz, confusa.
A parede de gelo se quebra. Kaito se joga para o lado, desviando dos espinhos de ferro.
"Heh, você é um maguinho fraco, hein." — Nero diz. Ele cobre seus braços com a gosma negra, faz duas lâminas e corre na direção de Kaito.
Kaito põe duas pedras em suas luvas, cobre suas mãos com água e congela ela, também fazendo duas lâminas. Ele se defende do ataque de Nero. "Eu ! Sou ! Um ! Alqui-mago !" — Kaito joga Nero para trás.
Nero dá de ombros. "Tanto faz. Vai ser um cadáver daqui uns minutos."
"Pra mim, já deu ! Cavaleira, exagera o quanto quiser ! Essa 'força especial' vai recuperar a consciência com uns hematomas a mais !" — Kaito diz, bravo. Ele corre na direção de Nero.
Èris solta um suspiro. "Era só o que me faltava…" — Ela pula para trás, desviando de um ataque de Fiama.
Kaito se aproxima de Nero e o ataca. Nero defende com as lâminas em seu braço. Uma das lâminas de gelo de Kaito se quebra.
"Como eu disse, fraco !" — Nero diz.
"Pronto. Agora eu posso lutar melhor." — Kaito diz. Ele encosta sua luva em uma pedra, a grudando na luva.
"Droga-" — Nero diz, sendo interrompido por Kaito, que cria uma explosão atrás de si mesmo, forçando mais sua lâmina.
A outra lâmina de Kaito também se quebra. Os estilhaços são jogados em Nero e fazem cortes no rosto dele.
Nero pula para trás e limpa o sangue. "Maldito… ! Isso não vai ficar assim !"
Èris se defende de um ataque de Fiama com suas espadas. Ela pensa consigo mesma. "Ugh… ! Isso é força demais ! Parece até... inumana !"
Fiama vira um pouco sua cabeça.
Èris nota a ação Fiama. "Cuidado-" — Antes que ela pudesse terminar, Fiama a joga para trás e corre na direção de Kaito.
Kaito se vira, mas acaba sendo segurado pelos braços por Fiama. "Ugh… ! Mas que droga… !"
"Valeu, Fiama." — Nero diz. "E agora ? Que truque vai fazer ?"
"O truque de enfiar a mão na sua cara !" — Kaito diz.
"Esse eu conheço bem. E se eu fizer esse truque em VOCÊ ?" — Nero pergunta. Ele bate suas lâminas em Kaito.
Uma barreira de luz se forma na frente de Kaito. As lâminas de Nero batem nela e ricocheteiam para trás. Èris aparece e rapidamente corta as mãos de Fiama fora, soltando Kaito. Nero e Fiama vão para trás.
"O que aconteceu com o 'não matar' !?" — Kaito pergunta, surpreso. "Ok, arrancar as mãos não conta como matar. Mas isso é exagero, cavaleira !"
"Seria exagero… contra uma pessoa." — Èris diz. Ela aponta para Fiama.
Não há nenhuma gota de sangue escorrendo das mãos de Fiama.
"Nero consegue controlar ferro grudado ao corpo dele." — Èris diz.
"T-Tá me dizendo que aquela coisa é só uma boneca !?" — Kaito pergunta, surpreso.
"Tch. Então vocês já sacaram ?" — Nero pergunta. "Isso não significa que ganharam !"
"Ele tem razão." — Èris diz. Ela põe suas espadas na frente de seu corpo, preparando um ataque.
Kaito põe a mão no ombro de Èris. "Muito pelo contrário."
"Eh ?" — Èris diz, confusa.
"Para pra pensar. Se esse cara só controla ferro grudado no corpo dele, como é que a boneca tá inteira ? De que jeito você gruda uma coisa no seu corpo, mas ainda consegue manter quase invisível ?" — Kaito pergunta.
"…Fios…" — Èris diz.
"Exatamente. E, se tem fio…" — Kaito diz. Ele estala os dedos.
Vários fios azuis aparecem em volta de Nero.
"M-Mas o quê !?" — Nero pergunta, surpreso.
"Eu coloquei aí só por precaução." — Kaito diz. Ele dá ombros. "Nunca se sabe, né."
"Isso ainda não muda nada !" — Nero diz.
As mãos de Fiama se formam novamente.
"Vamos, Fiama !" — Nero diz.
Kaito estrala seus punhos. "Aí, cavaleira. Como é que você ataca alguém que consegue se mexer para todos os lados ?"
"Simples: atacando todos os lados." — Èris diz.
Kaito dá um leve sorriso confiante. "A gente se entende. É por isso que eu te amo."
De repente, várias espadas de luz começam a aparecer nos fios de Kaito.
"Droga ! Fiama !" — Nero diz.
Fiama se aproxima de Nero. Um casulo de ferro se forma em volta deles.
"É como dizem: não existe força que pode parar o amor." — Èris diz. "A não ser, é claro, MUITAS espadas."
As espadas começam a se jogar no casulo. Pouco a pouco, buracos começam a aparecer.
"Como é que vocês dizem aqui mesmo ?" — Kaito pergunta. "Ah, é mesmo !" — Ele limpa sua garganta. "Arrivederci."
O casulo se quebra. Fiama abraça Nero. As espadas perfuram o corpo dela.
"PAREM !" — Nero grita. "Eu me rendo ! Sofro qualquer punição que a madame Milena queira me dar, mas parem de machucar a Fiama, por favor !"
As espadas param.
"Hmm… Não sei… Me parece meio suspeito, cavaleira." — Kaito diz.
"Que garantia temos de que não vai nos atacar ?" — Èris pergunta.
"Eu dou minha palavra como cidadão de Fiore." — Nero diz.
"Conhecendo o Marco, isso vale bastante." — Èris diz.
"Cara, qual é a da sua boneca esquisita ?" — Kaito pergunta.
"Eu não devo respostas a criminosos." — Nero diz.
Kaito limpa sua garganta. "Cavaleira."
"Ok, eu conto !" — Nero diz. "Só… não machuquem mais ela, por favor…"
Fiama começa a se levantar, fraca.
"Está tudo bem. Não precisa mais lutar agora." — Nero diz.
"Uh… Como assim ? Isso aí tem vontade própria ?" — Kaito pergunta, espantado.
"…Eu tenho medo de descobrir..." — Nero diz.
"Vocês dois têm um relacionamento forte. Eu consigo perceber isso." — Èris diz.
"Fiama e eu… íamos nos casar. Mas ela morreu em um acidente, dez anos atrás." — Nero diz.
"Você reviveu a mulher !?" — Kaito pergunta, surpreso. "Cara, desfaz isso aí ! Só dá problemas !"
"O quê- Não ! Eu não ia fazer um negócio desses nem ferrando !" — Nero diz. "Um dia, eu acordei e ela… tava lá, incapaz de falar, agir, pensar, ou fazer qualquer outra coisa…"
"Pobrezinho... Deve ter sentido tanta falta dela, que fez uma boneca inconscientemente..." — Èris diz, triste.
Kaito solta um suspiro. "Desencana, cara. Já era. Ela nunca mais vai voltar."
"Kaito ! Isso é insensível da sua parte-" — Èris diz, sendo interrompida por Kaito.
"Não existe um jeito de trazer alguém de volta que não envolva um sacrifício de ambas as partes." — Kaito diz. "Digamos que você traga a Fiama de volta. Vai colocar a alma dela aonde ? Em um pedaço de metal ? É isso que você quer ? Quer que ela seja aprisionada em um lugar contra a vontade dela ?"
"E-Eu..." — Nero diz, confuso.
Kaito põe as mãos nos bolsos de sua calça. "Tch. Faz o que quiser. Não tô nem aí." — Ele vira suas costas e vai embora. "Simbora, cavaleira. A gente já terminou o que tinha de fazer aqui." — Kaito aponta para o vitral com seu dedão.
Algumas bolhas vermelhas estão flutuando no céu.
"Kara conseguiu. Ainda bem…" — Èris diz, aliviada. Ela acompanha Kaito. "Ainda dói um pouco… ?"
"Só quando eu vejo gente assim." — Kaito diz. "Me lembra dela. E de quão patético eu fui."
"Você não é patético, e sabe disso !" — Èris diz.
"É, eu sei. Você continua comigo." — Kaito diz. "Claro, também tem o fato de eu ser extremamente atraente."
Nero se ajoelha e soca o chão, frustrado. "Droga ! Eu não consegui parar os dois…"
Fiama encosta sua mão na cabeça de Nero.
"Tá tudo bem… Se eu implorar bastante, acho que consigo fazer a madame Milena não te castigar." — Nero diz.
Kaito para de andar. Ele joga algo no chão, perto de Nero.
Nero pega o objeto, confuso. É um cristal de Melia. "Você é um criminoso ! Pra que eu vou querer isso ?"
Kaito volta a andar. Ele acena com sua mão. "Você arranjou um cara legal. Vê se não deixa ele escapar fácil, hein."
Fiama põe sua mão na cabeça de Nero.
Nero olha para Fiama. "Fiama..."
No coliseu. Milena está sentada em seu camarote. Algumas pessoas estão lutando contra bestas.
Milena põe a mão na frente de sua boca, graciosamente, e solta uma risada maléfica. "Ooohohohoho ! Não há nada melhor do que sofrimento alheio para lembrar de que EU sou a força maior."
Um guarda se aproxima de Milena e sussurra algo para ela.
Milena faz um sinal com sua mão, dispensando o guarda, que vai embora imediatamente. "Como se eu me importasse com esses meros serviçais. Era só uma questão de tempo até trocá-los mesmo. Não quero nada que me lembre aquele velho mentecapto."
Os gritos de dor dos gladiadores podem ser ouvidos.
Milena pega uma taça dourada com vinho e dá um gole. "Hah… Minha atividade favorita: aproveitar uma deliciosa bebida acompanhada do coro esplendoroso de gritos de sofrimento da minoria. Eu realmente sou a escolhida. Se não fosse, ELA não teria me dado controle sobre essa doença, ou a ideia genial das máscaras."
Os gritos ficam mais altos.
"Eh ? Isso não são gritos de dor…" — Milena diz, confusa. Ela olha para fora, deixa seu cálice cair e corre até uma sacada.
Há várias bolhas vermelhas pelo céu.
"Mas o quê ?! Kara, sua traidora !" — Milena diz, brava.
"MILENA !" — Uma voz familiar grita.
Milena olha para uma das paredes do coliseu. Cirius está em cima dela, com Yaldabaoth em mãos. "Ora, seu pirralho desgraçado ! Guardas ! O que estão esperando ?! Matem-no !"
Guardas por todos os lados apontam suas armas para Cirius e atiram. De repente, o escudo de Mira aparece. As balas batem no escudo e voltam para os guardas.
Mira está em outra parede. Ela está em outra parede. "Cheguei muito tarde ?"
"Chegou na hora certa." — Cirius diz.
Um lobo, no coliseu, pula em um homem.
Marco aparece e se joga no lobo, jogando a criatura contra uma parede. Ele põe suas presas para fora e ruge, amedrontando as outras bestas no local, que correm. Marco se vira para o homem. "Você está bem ?"
O homem concorda com sua cabeça, apavorado.
"Então vá embora daqui. E leve sua família inteira para fora de casa." — Marco diz.
O homem vai embora, correndo. Mais bestas entram no local.
"Não pensei que iriam desistir tão fácil." — Marco diz. Ele põe suas garras para fora. "Muito bem. Que venham !"
De repente, uma por uma, as bestas começam a cair.
Marco está rodeado por fios azuis e espadas de luz. "Eh ?"
Kaito e Èris entram no coliseu.
"Relaxa, tigrão. A gente tá aqui." — Kaito diz.
"Hoje, colocaremos um fim à tirania de Milena !" — Èris diz.
"Não se eu impedir !" — Uma voz familiar diz.
Èris puxa Kaito e Marco para trás. Um corte é feito no chão, onde eles estavam. Algo atinge as paredes em que Cirius e Mira estão, derrubando elas.
Um sorriso presunçoso cobre o rosto de Milena. Ela põe a mão na frente de sua boca graciosamente e dá uma risada maléfica. "Ooohohohoho ! Acham mesmo que podem vir à MINHA cidade e fazer o que quiserem ? Estão muito enganados !"
A poeira abaixa. Andreina está no meio do coliseu, segurando uma espada grande de luz apoiada em seu ombro.
"Colombina ! Ensine a esses meros arruaceiros o que acontece com aqueles que desobedecem minhas ordens !" — Milena diz.
Andreina tira a espada de seu ombro e a põe no chão, que treme um pouco, quando ela o faz. "Sim, madame Milena."
Cirius e Mira saem dos destroços.
"Ugh… Ainda bem que eu tenho um escudo…" — Mira diz.
"Eu também…" — Cirius diz.
"Se machucaram ?" — Èris pergunta.
"Tô inteirinho. Pensou rápido, hein cavaleira." — Kaito diz.
"Também não fui ferido. Muito obrigado, Èris." — Marco diz.
"Vocês me venceram uma vez, mas eu estava despreparada. Agora que sei o calibre de sua força…" — Andreina diz. Ela estrala seus punhos e seu pescoço. "…não preciso me conter."
Cirius solta um suspiro. "Era só o que me faltava…"
"Não vamos permitir que Milena continue controlando as pessoas !" — Èris diz.
"E eu não vou permitir que degradem a madame Milena !" — Andreina diz.
"Espere um momento !" — Uma voz familiar diz.
Luna, Stella e Galadriell chegam.
Andreina abaixa sua arma. "Já era hora de aparecer."
"Estou aqui, como prometido." — Galadriell diz. "Lembre-se de que prometeu não lutar contra ninguém, a não ser comigo, até uma de nós morrer. E você jamais iria manchar sua honra quebrando essa promessa, não é ?"
"Não me confunda com esses cavaleiros quaisquer que você enfrentou. Eu tenho minha honra e meu código de conduta." — Andreina diz. "Estava apenas esperando você chegar. Assim que terminar com você, irei acabar com todo o resto."
"Certo. Eu não tenho nenhuma objeção contra isso." — Galadriell diz.
"Luna e Stella vão te ajudar !" — Luna diz.
"Isso aí !" — Stella diz.
"Não. Isso é uma luta somente entre nós duas. Peço que fiquem de fora." — Galadriell diz.
"Para que não interfiram…" — Andreina diz. Ela estala seus dedos.
Gaiolas de luz prendem todos, menos Galadriell, e os levantam.
"Ei ! Que droga é essa ?!" — Cirius pergunta, bravo. Ele bate em sua gaiola com Yaldabaoth, mas nada acontece. "Eh… ?"
"Não adianta. São feitas com uma forte magia de luz. Sequer eu consigo quebrá-las." — Èris diz.
"Ótimo. Já não basta um relacionamento, agora eu tenho de ficar preso em uma gaiola também ?!" — Kaito pergunta, bravo.
"O que disse, amor ?" — Èris pergunta.
Kaito engole seco. "Brincadeira, amor~♥"
"Aw~♥" — Èris diz.
Galadriell pega Nebro. "Esse será nosso último confronto."
"Digo o mesmo. Espero que não se canse rápido, porque estive esperando por isso por um longo tempo." — Andreina diz. "Vamos começar !"
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