O Sol nasceu absorvendo qualquer resquício de umidade que poderia aparecer. As rachaduras no solo e a mata rala traziam para Roberto o que ele já temia: o fim de sua prosperidade econômica. Lutara anos para manter sua terra produtiva, sempre com otimismo, mas agora via o fim de sua terra, e tal fim estava ligado ao seu.

O Coronel Ernesto Musaranho caminhava pela seca terra com seus capangas. Era impossível contar nos dedos a quantidade de vezes que ele visitara Roberto, sempre tentando comprar suas terras. Seu nome, Musaranho, fora lhe dado porque ele sempre se espreitou ao redor das fazendas, aguardando pelo declínio e assim colocando as mãos nelas. Suas feições, gordo e baixo, apenas comprovavam o seu espírito de pequeno rato.

Roberto podia ouvir de dentro de sua pequena casa as galopadas dos cavalos do Coronel, e já não hesitava. Ouviu a porta abrir e ainda assim não se levantou da cadeira da cozinha.

—Coronel Ernesto. -Disse o fazendeiro. -O que te traz aqui?

—Roberto do 'Mio'. -Respondeu Ernesto. -Já não é a primeira vez que eu e meus homem está aqui pra pegar tuas terra. Essa é a sua última chance de se entregar.

—Essa terra foi dada pelo meu paín -Disse Roberto. -E não é Coronel Musaranho que vai tirar ela de mim!

—A segunda chance já foi dada. -Grunhiu o Coronel. -Você é mais difícil do que eu pensava.

O Coronel sacou a arma e atirou em Roberto. A última coisa que o fazendeiro lembra ter visto foram seus campos de milho de volta ao retorno. A terra era tão fértil que o solo se transformara em um campo amarelo de tanto milho. Seu filho brincava em meio a plantação, enquanto sua mulher estava bela como sempre na cozinha. O céu estava mais azul nesse dia.

—Pedro... -Foram as últimas palavras de Roberto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.