Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! O que vocês estão achando da história? Acho que ela é uma das que tem mais emoções desde o início. Nesse capítulo teremos um pouco mais da fofura de Tony. Espero de verdade que gostem. E eu quero agradecer pelos comentários no capítulo passado a Mikaelly Tessaro Lucas, Suh Souza, EnigmaticPerfection e alefe. Vocês me inspiraram demais a escrever. Muito obrigada! Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO III — REVELAÇÃO

Oliver me encarava sem reação. Seus bonitos olhos estavam arregalados, fixos em mim. A boca semiaberta, parecia ter dificuldade para se mover ou proferir qualquer palavra. Eu sentia suas mãos grandes e calorosas tremerem. Ou talvez fossem as minhas. Era difícil dizer, enquanto eu me encontrava de joelhos diante dele, chorando em desespero. Ele era a única pessoa que poderia salvar meu filho. Ao mesmo tempo, eu não poderia julgar seu estado de choque.

Durante seis anos, mantive segredo de todos. Nem mesmo meus melhores amigos sabiam que Tony era filho de Oliver. E de repente, eu apareço em sua casa, revelo sobre a paternidade de meu menino, conto sobre a doença de Tony e finalizo implorando de joelhos para que ele concordasse em doar um pedaço de seu fígado para salvar a vida do filho que até alguns minutos atrás nem mesmo imaginava ter.

— Mamãe! — Tony desce do sofá e vem em minha direção, abraçando-me com o máximo de força que seus delicados braços conseguiam. — Não chora, mamãe.

Desvio o olhar de Oliver e solto suas mãos para acolher Tony. Eu já havia o preocupado demais nesses últimos dias. A doçura de meu filho consolava meu coração e ao mesmo tempo me destruía. Ele é apenas uma criança de cinco anos. Não era ele quem deveria estar me consolando e pedindo para que eu não chorasse. Talvez fosse a bênção da sua ingenuidade infantil, mas em momento algum ele deixou de sorri e de me confortar, afirmando estar bem, quando eu sabia que ele estava longe de estar bem.

— Desculpa, meu amor. — Sussurro em seu ouvido, apertando-o contra meu peito. Afundo meu rosto no topo de sua cabeça, inspirando aquele aroma suave vinda da criança. Seu coração batia rápido e seu corpo estava quente e acolhedor.

Vejo Oliver se levantar. Ele anda de um lado para o outro, completamente atordoado. De repente ele para de andar e nos encara. Correspondo ao olhar, em uma súplica muda para que ele atendesse ao meu desejo. Ele desvia o olhar para Tony e o encara intensamente. Isso só me faz apertar a criança ainda mais contra mim.

— Jenna! – Oliver grita de repente e não demora muito para que uma garota de estatura baixa, olhos grandes e negros como a noite. Seus longos cabelos cacheados eram bonitos e davam um charme único a jovem.

— Sim, Sr. Queen? – Responde a garota, encarando o dono da casa com atenção.

— Poderia por fazer trazer um copo de água com açúcar para a Dra. Felicity, um suco para Tony e um calmante para mim? – Pede Oliver e a empregada assente, deixando a sala em seguida. Ele suspira e se aproxima, cauteloso. Oliver então estende sua mão e dá um fraco sorriso. – Por que não se levanta? Está deixando Tony assustado.

— Oliver, por favor, eu...

— Eu entendo. – Afirma Oliver, interrompendo-me. Ele suspira e me encara, quase como se desculpasse. – Apenas me deixe absorver tudo. É muita informação para a minha cabeça. Então... vamos apenas nos acalmar e... bem, primeiro é melhor se sentar.

Concordo e me levanto com Tony em meus braços. Nesse momento, Jenna aparece na sala carregando uma bandeja com um suco para Tony, a água com açúcar e o um copo de água para Oliver tomar o calmante. Sento-me no sofá com Tony em meu colo e aceito o copo que a empregada oferece. Ela dá o suco a criança e entrega o calmante com o copo de água a Oliver, que o toma apressado. Jenna faz uma breve reverência com a bandeja contra o peito e deixa a sala.

Observo Oliver respirar fundo algumas vezes e nos encarar por alguns instantes antes de andar de um lado para o outro. Bebo a água com açúcar, tentando me manter paciente. Desvio o olhar para Tony e ele bebia o suco, com os olhos vidrados em Oliver. Eu não fazia ideia do que se passava na cabeça do garoto, mas ele parecia fascinado com o homem que parecia prestes a ter um ataque de nervos. Oliver então suspira e se senta de frente para nós, balançando as pernas freneticamente com os braços cruzados.

— Ele... ele é mesmo o meu... filho? — Sussurra, cauteloso.

— Sim. — Respondo, tentando manter a calma. Tony transita o olhar entre Oliver e eu de maneira curiosa, segurando o copo de suco com as duas mãos.

— Deus! — Murmura Oliver quase como um suspiro, passando as mãos pelo rosto e cabelos. Ele parecia perdido e eu não o culpava por isso. De fato, eram tantas as informações que eu havia jogado nele e sua mente deveria ter tantas outras perguntas para fazer. O rapaz me encara novamente, parecendo um pouco mais conformado. — Por que não me disse antes?

— E por que eu deveria dizer? A escolha de ser mãe foi minha. Eu escolhi criá-lo sozinha. Não havia motivos para contar a você que praticamente uma desconhecida tinha tido um filho seu. — Explico, dando de ombros.

— Ainda assim... — Sussurra o outro, frustrado.

— Eu não vim aqui pedir que assuma a paternidade de Tony, Oliver. Tudo o que eu preciso é de um doador para salvar a vida do meu filho. — Respondo e vejo um brilho de decepção se esboçar em seus olhos. — Você ainda é jovem. Tem vinte e quatro anos. Está no último ano da faculdade. E eu sei que tudo o que você menos quer e precisa é de uma responsabilidade tão grande quanto um filho. Então não se preocupe. Após a cirurgia, nós podemos simplesmente fingir que isso nunca aconteceu e...

— Não. — Nega Oliver de maneira firme. Sua expressão era séria e determinada ao mesmo tempo em que parecia furioso. Essa reação me pega de surpresa.

— O quê? — Pergunto, apreensiva.

— Você não pode simplesmente aparecer na minha casa, contando que eu sou o pai do seu filho e implorando uma doação de fígado para depois ir embora e fingir que nada aconteceu. Eu não sei que tipo de pessoa você acha que eu sou, mas eu não posso "simplesmente fingir que nada aconteceu". — Responde Oliver, levantando-se com a expressão intimidadora. — Eu posso ter muitos defeitos, Dra. Felicity, mas eu nunca, nunca mesmo, viraria as costas para o meu filho.

— O que você quer dizer com isso? — A cada minuto que passava, mais assustada eu ficava. Mesmo sabendo que deveria me sentir aliviada por sua declaração dando a entender que aceitaria ser o doador de Tony, eu temia que Oliver resolvesse tirar o meu filho de mim.

— Estou dizendo que eu vou doar uma parte do meu fígado a Tony, mas que também farei parte da vida dele. — Afirma com os olhos expressando uma determinação que me deixava completamente sem reação.

— Eu te disse que eu escolhi ser mãe e por...

— E eu estou dizendo que agora eu vou escolher ser o pai dele. — Oliver me interrompe com a sua voz grossa atingindo-me como adagas envenenadas no peito. Nesse instante, eu me levanto e abraço Tony com todas as minhas forças, nem me importando com o copo que ele deixou cair no chão pelo movimento brusco. Ele se quebra em diversos pedaços, provocando um alto barulho, mas eu não me importava. Estava completamente fora de mim.

— Eu não vou permitir que você o tire de mim! — Respondo, furiosa. — Ele é o meu filho!

Nosso filho! — Corrige Oliver com o tom de voz alterado. — E eu não disse em momento algum que eu iria tirá-lo de você. Eu estou dizendo que vou participar da criação dele. Se eu sou o pai dele, eu tenho direito a isso! Você o escondeu por todos esses anos. Não vou aceitar ficar longe dele agora que eu o conheci.

— Você só pode estar zombando de mim. — Rio, irritada. — O que você sabe em ser pai? Acha que é como brincar de casinha? Acredite em mim. Isso aqui não é brincadeira! Ser pai é ter todas as suas ações refletidas na vida da criança. Você não pode simplesmente decidir participar da criação dele e ir embora meses depois, porque não aguenta mais a pressão.

— E quem disse que eu pretendo ir embora? — Questiona Oliver e vejo toda a ira em seus olhos.

— Não briguem! — Exige Tony, em um grito choroso, colocando as mãos sobre os ouvidos. — Não pode brigar. É ruim!

Por alguns instantes, o silêncio toma conta do lugar. Nós encarávamos a criança, completamente envergonhados por termos sido repreendidos. Oliver suspira e me encara rendido. Não deveríamos brigar. Estamos falando de uma criança que está lutando para sobreviver. Ainda que eu odiasse isso, dessa vez, Tony precisa do pai.

— Desculpa, amigão. — Começa Oliver, acariciando a cabeça de Tony. O garoto nos encara desconfiado, mas tira as mãos das orelhas. — Você tem razão. É ruim brigar.

— Desculpa, meu amor. Nós não vamos mais brigar. — Respondo, encarando Oliver, que assente, concordando.

— Vocês prometem? — Questiona Tony, estendendo os dedinhos mindinhos para Oliver e eu, assim como eu havia ensinado certa vez. Seus olhos brilhavam em esperança e expectativa.

— Eu prometo. — Digo, entrelaçando meu dedo no dele e encostamos nossos dedões.

— Eu também prometo. — Afirma Oliver, repetindo os meus gestos.

Tony sorri com toda aquela doçura única dele e isso é o bastante para me acalmar. Desvio o olhar para Oliver, que parecia encantado com o filho. Observo o homem e consigo reconhecer todas as semelhanças entre Tony e Oliver. Os olhos azuis intensos expressam toda a alegria que sentem. Os narizes e as mandíbulas marcadas dos dois junto ao cabelo da mesma cor. A cada minuto que passava enquanto eu os encarava, mais parecidos eles se tornavam aos meus olhos. Até mesmo seus sorrisos eram idênticos.

— Obrigado, mamãe. Obrigado, papai. — Agradece Tony com seu sorriso angelical e olhos brilhantes.

Oliver arregala os olhos e arfa surpreso. Aos poucos, um sorriso começa a se abrir em seus lábios. Seus olhos também brilham e ele parecia emocionado. Como se isso não bastasse, Tony simplesmente decide se jogar na direção de Oliver, que o pega no colo no mesmo instante. Ao contrário do que eu imaginava, vê-los juntos não fez eu me sentir ameaçada. Na verdade, a felicidade presente nas feições de Oliver e Tony era... agradável. Eu me sentia bem e aliviada. Como se o peso que eu carrego há anos do segredo que tenho escondido de meu mentor e todas os meus amigos fosse tirado de minhas costas.

Como se estivesse hipnotizado, Tony leva as mãozinhas delicadas ao rosto do pai e acaricia a barba dele. Oliver fica completamente parado, como se tivesse com medo de assustar o garoto ou acabar o afastando. Tony então sorri e o abraça, encostando a cabeça no ombro do homem. Oliver me encara surpreso e eu acabo rindo, vendo-os se aconchegar um no outro. Era uma cena doce e tocante. Eu sabia que meu garotinho sempre teve vontade de ter um pai, mas somente nesse momento eu entendia o quanto seu desejo era intenso. A conexão entre os dois era impressionante. Uma ligação que eu nunca tinha visto antes.

E é então que ouço o barulho da porta da sala de estar se abrindo. Instintivamente, nós nos viramos para ver quem havia chegado. Reconheço então os pais de Oliver e a irmã mais nova dele, Thea. A garota abre um grande sorriso ao meu ver, mas logo parece estranhar ao notar Tony no colo de seu irmão. Meu mentor também parecia confuso e me encarava em um pedido mudo por respostas. Por fim, encontro os olhos severos e intimidantes de Moira Queen.

— Dra. Felicity! — Cumprimenta Thea, aproximando-se. Ela me puxa para um forte abraço e sorri com doçura assim que nos afastamos. — Que surpresa encontrar você aqui. E quem é esse rapazinho tão lindo?

— Oi Thea. Esse é o meu filho, Tony. — Respondo, sentindo meu estômago se embrulhar de ansiedade. Viro-me então para o casal que me observava com atenção. — Como vão Dr. Robert e Sra. Queen?

— Olá, Felicity. Aconteceu alguma coisa? Não deveria estar em casa depois de ter passado tanto tempo no hospital como acompanhante de Anthony? — Questiona meu chefe, colocado o smorking sobre o encosto do sofá. Moira continuava a encarar o filho e Tony com uma expressão séria e analítica.

Desvio meu olhar para encarar Oliver, que estava tão sério quanto eu. Tony continuava a abraçar o pescoço do pai, sem demonstrar qualquer intenção de soltar. Thea brinca com ele, fazendo cócegas em sua barriga. Tony dá aquela gargalhada contagiante e se encolhe contra Oliver, na tentativa de se proteger. Assim como sempre acontece, meu filho estava bastante tímido com a presença da garota e dos pais de Oliver.

— Eu vim... — Começo, mas minha voz sai mais baixa do que deveria. Respiro fundo e me recomponho. — Eu vim conversar com Oliver, Dr. Robert.

— Com Oliver? O que você tinha para conversar com o meu filho? — Pergunta a Sra. Queen, manifestando-se pela primeira vez desde que chegou.

— Eu...

— É melhor todos nós nos sentarmos. — Oliver intervém e me encara, quase como se dissesse que cuidaria de tudo. Suspiro e decido acreditar nele. Ele então dá um passo e acaba chutando um caco de vidro. — Vamos para a sala de jantar.

— Aconteceu alguma coisa? Vocês estão tão sérios. — Comenta Thea, preocupada.

— O que está acontecendo? — Insiste a Sra. Queen, visivelmente incomodada.

— Eu vou pedir para a Jenna limpar a sala. Venham comigo. — Pede Oliver, despertando a curiosidade e a desconfiança dos pais.

— Quem são eles, papai? — Pergunta Tony, curioso, enquanto encara a família do pai.

E nesse instante, sinto o ar ser sugado de dentro de mim. Os olhos de Thea parecem dobrar de tamanho. O Dr. Robert me encara confuso e a exigência por respostas em seu olhar se torna ainda mais intensa. Mas é Moira que parecia realmente assustada. A mulher abre e fecha a boca várias vezes, procurando palavras, mas não consegue dizer nada. Oliver e eu nos encaramos em um misto de preocupação e medo.

— Você falou papai? — Pergunta Thea, forçando uma risada. Provavelmente era sua forma de amenizar o clima. — Você não quis dizer titio?

— Não. Ele é o meu papai. — Insiste Tony, sorrindo docemente, antes de se virar para Oliver e o encarar com expectativas. — Não é, papai?

— É... filho. — Responde Oliver com cautela.

— Uau... — Sussurra Thea, alternando o olhar entre Oliver, Tony e eu. — Por essa eu não esperava.

— Filho? — Repete Moira, aproximando-se atordoada. Ao ficar de frente a Tony, a mulher o encara por alguns instantes e arfa. — Como você teve coragem de trair a Laurel, Oliver?

— Eu não trai a Laurel, mãe. — Nega Oliver, suspirando.

— Como não? Esse garoto deve ter uns três para quatro anos! Você e Laurel estão juntos há dez anos! Por Deus! — A cada instante que passava, mais nervosa Moira ficava. Ela me encara furiosa. — Como você teve a coragem de...

— Felicity e Oliver não dormiram juntos. Quer dizer, pelo menos não para ter o garoto. — O Dr. Robert interrompe a mulher, chamando a atenção da família. — Anthony tem cinco anos e ele foi concebido por uma fertilização in vitro.

— O... quê? — Questiona Moira, perdida.

— É isso mesmo que o meu pai disse, mãe. Felicity e eu nunca... bom, nós nunca nem conversamos direito até hoje. Quem dirá dormirmos juntos. — Fala Oliver, suspirando. Ele me encara brevemente e volta a observar os pais.

— E como foi que você se tornou pai do filho da Dra. Felicity? Desde quando você é doador de sêmen? — Pergunta Thea, encarando o irmão com desconfiança.

— É isso que eu também quero entender. — Concorda meu chefe com seriedade.

—Por que não vamos nos sentar na sala de estar? Lá, a Dra. Felicity vai explicar tudo. — Responde Oliver, saindo com Tony em seus braços.

Com expressões divididas entre choque, surpresa e confusão, os pais e a irmã de Oliver seguem o rapaz. Respiro fundo, tentando manter a calma. Já não havia sido fácil criar coragem para contar a Oliver sobre a paternidade de Tony e agora eu precisava enfrentar a família do rapaz e os possíveis olhares de decepção do meu mentor. Assim, sigo a família pelos corredores da enorme casa dos pais de Oliver.

Depois de informar a empregada sobre os cacos de vidro que estavam espalhados pela sala de estar, Oliver se senta na elegante mesa de dez lugares com Tony em seu colo. Ele nem mesmo parecia disposto a se afastar do menino e pela forma como meu adorável filho agia, o sentimento deveria ser recíproco. Todos nos acomodamos da melhor forma possível e logo eu sou o alvo da atenção da família.

— E então? Poderia explicar o que está acontecendo? — Questiona o Dr. Robert, encarando-me com intensidade.

— Tudo bem. Eu vou explicar tudo, mas peço que não me interrompam enquanto isso. Eu vou tirar todas as dúvidas de vocês depois. Apenas me deixem contar tudo.

Eu estava nervosa. Talvez, até mais do que quando contei a Oliver. Respiro fundo e, ao ver que ninguém me interromperia, começo a narrar desde o exame que fiz com Mirela, onde foi constatado que eu estava com Adenomiose, até o momento em que houve a confusão das trocas de materiais. Também relato sobre as condições de saúde de Tony, explicando o por quê de ter aparecido apenas agora. Como eu havia pedido, todos permaneceram quietos, atentos a minha explicação.

— E é isso. Confesso que eu não planejava contar a vocês sobre a paternidade de Tony. O meu plano era criá-lo como se não soubesse quem era o pai dele. E mesmo depois que decidi pedir a ajudar de Oliver para ser o doador, eu estava determinada a me manter longe. Depois da cirurgia, nós iríamos agir como se isso não tivesse acontecido e eu iria embora com Tony...

— O quê?! — Exclama Thea, Moira e o Dr. Robert, sem acreditar em minhas palavras.

— Isso não vai acontecer. Não se preocupem. — Afirma Oliver, acomodando Tony em uma posição mais confortável para o garoto, que lutava fortemente contra o sono. — Eu disse a ela que quero assumir a paternidade.

— Bom, ainda precisamos conversar sobre isso. — Respondo, incerta.

— Sobre isso não tem conversa. Eu não pretendo tirar a guarda dele e nem o afastar de você, mas quero recuperar o tempo perdido e participar da vida dele, assumindo meu papel como pai. — Insiste Oliver e, de repente, sinto de quem Tony havia puxado a teimosia. Apesar de doce e amoroso, meu menino se torna bastante inflexível quando coloca alguma coisa na cabeça.

— Agora tudo faz sentido. — Comenta o Dr. Robert, rindo com incredulidade. — O tipo sanguíneo, as manias tão semelhantes a de Oliver, a mesma marca de nascença... Tudo sempre esteve diante de mim e eu jamais consegui imaginar que na verdade eu estava diante de meu neto. Deus! Eu sou avô! Eu tenho um neto!

Dr. Robert sorria como se tivesse acabado de ganhar um prêmio bilionário. Seus olhos azuis como o do filho e do neto brilhavam como diamantes. Ele mais parecia uma criança encarando-me com animação. Nem mesmo parecia o profissional sério e discreto que eu conheço. Naquele momento, meu chefe e mentor alternava o olhar entre Tony e todos os presentes na sala de jantar. Ele realmente estava feliz.

— Marca de nascença? — Questiona Thea tão animada quanto o pai. Ela me encara como uma criança querendo doce. — Eu posso ver?

— Tudo bem. — Concordo, surpresa. Eu jamais pensei que eles aceitariam tão bem a situação como naquele momento.

— Ei, amigão, deixa eu mostrar a nossa marca de nascença para a tia Thea. — Fala Oliver com Tony, que assente, sonolento e se levanta no colo do pai. Oliver vira a criança de costas para os pais e a irmã, erguendo a camiseta de Tony.

— É... é a mesma marca. — Sussurra Moira, levantando-se da cadeira onde estava para tocar na marca. Ela e a filha encaravam com atenção a marca em forma de coração nas costas de Tony. Ela então me encara e arfa. — Ele é realmente o meu... neto?

— Sim. — Respondo, temerosa. Até agora, as emoções esboçadas por Thea e pelo Dr. Robert havia sido de aprovação, mas eu não sabia o que esperar de Moira Queen. A mulher encara o filho e suspira. Ela parecia dividida sobre o que pensar.

— Eu...

— Você é a minha vovó? — Pergunta Tony, virando-se para encarar Moira. Ela parece surpresa com a pergunta e se aproxima para encarar a criança.

— Bom, parece que sim. — Responde Moira e, no mesmo instante, Tony a abraça. Moira arregala os olhos e fica sem reação por alguns instantes, antes de corresponder ao abraço de maneira desajeitada. Ela sorri contida encarando a criança e acaricia sua cabeça, antes de se voltar para o filho com seriedade. — Você tem certeza que vai ser capaz de assumir essa responsabilidade?

— Sim. Eu tenho certeza. — Afirma Oliver com determinação. Moira suspira mais uma vez e Tony se afasta, encarando a loira com curiosidade. Ela sorri gentilmente e acaricia as bochechas do neto. — Olha, mãe, eu sei que é muita responsabilidade...

— Mais do que você imagina, Oliver. — Interrompe a mulher, desviando o olhar para me encarar. — Criar uma criança requer muito mais do que boa vontade. Você terá que abrir mão de muitas coisas e o colocar sempre em primeiro lugar na sua vida. Terá que ser paciente e saber o momento certo de corrigir e dizer não, mesmo quando tudo o que você mais deseja é dizer sim.

— Eu posso aprender. — Oliver insiste, voltando a abraçar Tony. — Mãe, ele é meu filho. Como eu poderia dar as costas para ele quando ele mais precisa de mim?

— Eu sei, Oliver. Não estou dizendo para..

— Deixe-o, Moira. — Dr. Robert interrompe a esposa, levantando-se para ficar ao lado dela. Ele encara o filho e o neto com um sorriso discreto. — Vamos dar o nosso voto de confiança. Felicity é uma mãe incrível. Ela e Anthony pode ser o que ele precisava para amadurecer de vez.

— Confie em mim. — Pede Oliver com seriedade. Moira suspira e assente, dando-se por vencida. Ela então se vira para mim e me encara com intensidade.

— Isso não era o que eu esperava para o meu filho. — Começa a mulher com sinceridade.

— Mãe! — Thea a repreende, dando um olhar decepcionado.

— Está tudo bem, Thea. Eu entendo como sua mãe se sente. — Respondo, tranquilizando a garota. — Ela só quer o melhor para vocês.

— Sim. — Concorda Moira, suspirando. — E é por isso que eu entendo os seus motivos também. No entanto, você precisa se preparar. Nossa família se tornou o centro das atenções recentemente. Com os escândalos envolvendo o casamento de Aaron Moon e Brooke Taylor, todos passaram a investigar a nossa família e o hospital. Vocês terão que lidar com a interferência da mídia e...

— E com a cobra que meu irmão insiste em chamar de namorada. — Completa Thea, que recebe um olhar repreendedor de Oliver. — O quê? Eu estou falando a verdade. Todos aqui sabem que a insuportável da Laurel não vai aceitar bem essa história. Boa sorte em lidar com os ataques dela.

— Não se preocupe, Sra. Queen. — Respondo com firmeza. — Eu farei o que for preciso para garantir a vida e a segurança de Tony. Não importa quem seja, eu não permitirei que machuquem o meu filho.

Notas finais
Tony Smoak: https://i.pinimg.com/564x/17/f0/86/17f08614e0e1e12252bcbd3531e2a0f8.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Mentiras de Maio - Livro V: https://fanfiction.com.br/historia/789983/Mentiras_de_Maio/