Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu com mais um capítulo para vocês. O que estão achando da história? Espero que estejam se divertindo. Muito obrigada Suh Souza, Fatyph22, Mikaelly Tessaro Lucas, EnigmaticPerfection, Kaiala de Jesus e alefe pelos comentários maravilhosos no capítulo passado. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO VIII — CIRURGIA

O dia da cirurgia finalmente havia chegado. Eu estava nervoso e com medo. Mesmo depois de ter todos os resultados em mãos, afirmando que eu estava apto a doar uma parte do meu fígado a Tony e ter a garantia de meu pai de que tudo daria certo, ainda tinha aquela voz incomoda em meu ouvido, que temia pela operação. O futuro do meu filho depende de mim e esse peso que carrego em meu coração parece se tornar cada vez maior a cada minuto que passava.

Respiro fundo e olho pela janela do quarto, vendo o dia brilhar intensamente. Eu já estava usando aquela roupa horrível de hospital e esperava pela chegada de Tony com Felicity. Depois de ouvir as últimas orientações de meu pai, nós receberemos as anestesias e seguiremos para a sala de cirurgia. Pelo que eu sabia, esse tipo de operação leva de 10 a 12 horas, porque além da retirada de parte do fígado do doador, ainda há a retirada do fígado de Tony e a colocação do fígado sadio no lugar do fígado doente.

A técnica envolve a utilização de microcirurgia, tendo em vista que os vasos sanguíneos são muito finos. Ao fim, Tony será levado a UTI onde deverá ficar internado umas duas semanas em observação. Quando for comprovado que seu corpo se adaptou ao novo fígado, ele poderá ir para casa, onde precisará ficar mais alguns dias de repouso absoluto até que os pontos tenham cicatrizado. Depois disso, ele terá que continuar fazendo exames com frequência e tomar alguns medicamentos para garantir o funcionamento total do novo órgão, mas já poderá ter uma vida normal, assim como qualquer outra criança.

Eu também precisarei ficar alguns dias no hospital em observação. Aparentemente, depois da cirurgia existem riscos que vão desde complicações simples, como infecção da ferida cirúrgica e demora para voltar ao trabalho, até o óbito. Felizmente, o fígado tem uma enorme capacidade de regeneração, então depois de garantir que a minha recuperação foi um sucesso, eu poderei voltar a viver minha vida normalmente.

— Adivinha quem chegou! — Desvio o olhar da janela para a porta, onde encontro Damon com um sorriso presunçoso no rosto, enquanto carrega um pequeno buquê de rosas amarelas. Reviro os olhos e acabo rindo. Eu me sentia aliviado por ele está aqui.

— Você demorou! — Resmungo e ele ri, aproximando-se. Ele me dá um forte abraço e deixa as flores no meu colo. — Para que isso?

— Eu li na internet que se você vai visitar alguém que fez uma cirurgia, deve levar presentes para mostrar que você se preocupa. — Responde, sentando-se na cadeira de visitante ao lado da minha cama.

— Muito atencioso. — Ironizo, colocando as flores sobre a mesinha onde estão os meus pertences.

— E onde está a sua mãe? — Pergunta Damon, encarando-me com curiosidade. — Pensei que ela ficaria te fazendo companhia até a hora da cirurgia.

— Ela queria, mas um dos anestesistas ficou doente e ela precisou substituir. E eu prefiro assim. Mesmo sendo médica, ela falta me enlouquecer com seus cuidados exagerados. — Respondo e ele ri, divertindo-se com o meu sofrimento. — É por isso que eu disse para você vir mais cedo.

— Se eu soubesse que ela ia trabalhar, tinha ficado no lugar dela como acompanhante desde ontem. Devia ter me avisado quando eu te deixei no hospital ontem à noite. — Damon me lança um olhar repreendedor e eu dou de ombros.

Eu estava internado no hospital desde ontem em observação. Meu pai e os outros médicos que irão participar da cirurgia precisavam garantir que eu estava realmente bem para realizar a retirada de uma parte do meu fígado. Eu tinha direito a um acompanhante e é claro que minha mãe não permitiu que fosse outra pessoa além dela, mesmo eu preferindo Damon para me fazer companhia. De todas as pessoas do mundo que conseguem me deixar mais nervoso que o normal, minha mãe está em disparado no topo da lista.

Moira Queen é o tipo de mãe paranoica que acha que eu vou fazer alguma besteira a qualquer momento. O mesmo vale para Damon, que ela também tem como um filho, já que fomos criados juntos. Tudo bem que a gente sempre aprontou muito, mas às vezes a superproteção dela conseguia ultrapassar os limites.

— Ela só soube de madrugada e você sabe que ela jamais teria deixado você ficar no lugar dela. Minha mãe ainda nos ver como crianças de dez anos. — Reclamo e ele suspira, concordando.

— E como está se sentindo? Nervoso? — Questiona meu melhor amigo, preocupado.

— Como se eu estivesse prestes a pular de um avião sem paraquedas. — Confesso, suspirando. — Estou preocupado que meu fígado não seja bom o bastante para Tony. Passei a noite em claro, me condenando por ter bebido tanto nos últimos anos. Também estou preocupado com a recuperação dele. Tony já tem a saúde frágil e essa cirurgia é bastante delicada.

— Uau, eu estou diante do pai do ano. — Brinca Damon e eu lanço um olhar repreendedor. Ele ri e se acomoda melhor na poltrona de acompanhante. — Não se preocupe, irmão. É o seu pai e o tio Malcolm que farão a cirurgia. Tio Robert é o melhor cirurgião pediátrico do país e o tio Malcolm é um grande hepatologista. A equipe inteira que vai participar dessa cirurgia são pessoas de confiança. Vai dar tudo certo. Você é a pessoa mais sortuda que eu conheço e o Tony é uma criança muito forte. Eu tenho certeza de que logo nós estaremos marcando passeios família e eu ficarei jogando na sua cara o quanto você está perdendo tempo com a bruxa da Laurel, quando poderia estar formando uma linda família com Tony e a dra. Felicity.

— Você não perde a chance de me encher o saco, não é? — Digo e ele me lança aquele olhar convencido. Rio e suspiro, sentindo-me mais calmo. Mesmo sendo um idiota na maior parte do tempo, ele sempre sabia o que dizer para fazer eu me sentir melhor. — Obrigado, Damon.

— Não precisa agradecer. Nós somos uma família, não importa o que aconteça. — Declara o outro, sorrindo com sinceridade. Assinto, concordando. — E falando da bruxa, onde ela está?

— Ela disse que viria depois da cirurgia. Parece que ela conseguiu um caso grande e virá no fim do dia com o Tommy. — Respondo, dando de ombros. Não era como se eu quisesse ela aqui. Tudo o que eu menos precisava era ouvir as reclamações de Laurel.

— Tommy... — Fala Damon, pensativo. — Parece que ele ainda gosta dela.

— Você acha? — Pergunto, desinteressado.

— Isso não te incomoda? — Questiona Damon, encarando-me com curiosidade. — A possibilidade de um dos seus melhores amigos gostar da sua "namorada". Isso não te deixa nenhum pouco enciumado? Nada?

— Eu não sei. — Digo, parando para pensar sobre isso. — Eu...

— E aqui temos mais uma prova que esse seu relacionamento com a Laurel é ridículo. Você só está com ela, porque tem medo de viver um amor tão intenso e ela acabar indo embora como aconteceu com a Sara.

— Isso... não é verdade. — Digo, desviando o olhar. Eu

— Oliver, você nem consegue negar isso olhando para mim. Eu te conheço, irmão. Você precisa...

— Chegamos! — Anuncia Thea, entrando no quarto acompanhada de Austin, Barry, Ben, Sam, Beth e Elena. Sorrio ao ver os membros da família Barton reunidos e sinto um alívio pela conversa incômoda ter sido interrompida. Eu não queria entrar naquele assunto. Não queria lembrar de Sara e de todo o sofrimento daquela época.

— Quem convidou a estranha? — Pergunta Damon, assim que Elena aparece.

— Achei que fosse proibida a entrada de animais nos hospitais. — Retruca Elena, lançando um olhar nada amigável para Damon. — O que você está fazendo aqui, cria de satanás?

— Não comecem vocês dois. — Resmungo, revirando os olhos.

— Isso é amor, Oliver. Deveria estar acostumado. — Provoca Austin, sorrindo malicioso.

— Cala a boca, Austin! — Respondem Damon e Elena ao mesmo tempo. O loiro ri e levanta as mãos em sinal de redenção.

— Eles até mesmo falam ao mesmo tempo. Que fofo. — Destaca Barry, que se encolhe ao ter os olhares ameaçadores de Damon e Elena sobre si. — Eu estou brincando, galera. Calma.

— Não acredito que todos vocês vieram. — Comento, ignorando a briga infantil de sempre de Damon e Elena.

— Nancy também está presente. — Fala Beth, virando o tablet que segurava para que eu visse a garota que mora em Chicago. — Não podíamos perder a chance de ver você se tornando um adulto responsável.

— Engraçadinha. — Ironizo e Beth ri, dando de ombros, antes de me entregar o tablet.

Oi Oliver! Como você está? — Cumprimenta Nancy, sorrindo animada. Vejo um brilho triste em seus olhos. — Eu queria estar ai com vocês.

— Oi Nancy. Eu estou bem. Você precisa vir. Nós nos vimos no casamento de Aaron e Brooke, mas já estou com saudade. — Respondo e ela suspira.

Eu vou tentar visitá-los no início de setembro. Vai ser o campeonato de natação de Mike. Inclusive, ainda é difícil de acreditar na coincidência. O seu filho é o melhor amigo da minha irmã mais nova. Ela sempre me falou do Tony, mas nunca imaginei que você fosse o pai dele. — Comenta Nancy, rindo.

— Eu nunca imaginei que o Oliver seria pai de uma forma tão puritana. — Comenta Barry e todos acabam rindo.

Eu nunca imaginei que ele seria pai primeiro do que eu, que foi a primeira da família Barton a se casar. — Relembra Nancy, bem-humorada. Era bom ver que ela já conseguia falar no assunto sobre filhos sem parecer tão melancólica. Ela passou por um tempo bem complicado no meio do ano passado com a perda de seu bebê e acabou se afastando de todos, lidando com a forte depressão que a atingiu. — Meus parabéns, papai.

— Não é querendo me gabar, mas o meu filho é lindo e mais inteligente que todos vocês aqui. Inclusive você, Barry! — Comento, sem esconder o meu orgulho.

— Uau! O que a paternidade não faz com as pessoas. Eles começam a perder a noção da realidade. — Provoca Sam, dando aquele sorriso desafiador.

— Meu sobrinho é lindo demais, gente. É a criança mais doce e inteligente que eu já conheci. — Fala Thea com o ar sonhador.

— Você finalmente achou um coleguinha para ficar brincando com você, Thea. — Dessa vez é Ben que provoca. Ela lança um olhar nada amigável para o primo, que começa a rir. Mesmo sendo a mais nova da família, Thea odeia ser tratada como criança, então os mais novos dos primos sempre aproveitam a chance para tirá-la do sério.

— Para, Ben. Ela vai chorar. — Continua Barry e dessa vez ele recebe um forte tapa no ombro, fazendo com que ele se encolhesse, rindo.

— Vocês são tão idiotas. Deveriam crescer. — Resmunga minha irmã mais nova, cruzando os braços e fazendo bico. Todos nós nos encaramos e começamos a rir, fazendo com que ela ficasse ainda mais irritada. Era adorável.

— Mas falado sério, eu conheço Tony desde que ele nasceu. Minha mãe e Felicity são amigas há anos e eu sempre passei muito tempo com ele. Ben também brincava algumas vezes com Tony, mas nunca passou pela nossa cabeça que ele pudesse ser seu filho, Oliver. — Comenta Austin, surpreso.

— E depois que descobrimos que ele é seu filho, eu me sinto patético ao lembrar de todas as semelhanças. Ele é a sua cara quando criança. Até mesmo as manias são as mesmas. — Relembra Ben, pensativo. — Ele ama verde, odeia cenouras e é fissurado com histórias de super-herói.

— Ele é mesmo o meu filho. — Afirmo, sentindo-me orgulhoso por saber que ele tem tantas características minhas, mesmo que não tenha sido criado por mim nesses últimos anos.

— Agora eu tenho que far os créditos ao Tony. Quer dizer, eu achei que era surpreendente o fato do filho da Felicity ser filho do Oliver também, mas ver nossos avós chorarem quando ele os abraçou foi ainda mais chocante. — Confessa Austin, relembrando a noite do jantar.

— Eu quase não acreditei quando a Ally me contou. — Comenta Elena, pensativa. — Quem diria que Richard Queen e Marta Allen Queen podiam chorar.

— Foi surreal. Se eu não estivesse lá, jamais teria acreditado. — Fala Damon e Austin, Barry, Thea e eu concordamos. Ainda era surpreendente pensar na coincidência de Tony ser tão parecido com o meu tio que morreu antes mesmo do meu pai nascer.

— A vovó Marta mostrou a foto do Anthony Queen depois do jantar e era incrível a semelhança com o Tony. Foi assustador. — Barry parece arrepiar ao relembrar o fato. — Eu nunca acreditei muito em reencarnação, mas sério, ele era praticamente idêntico ao filho do Oliver. Acho que só a boca e o nariz são diferença, mas o resto é igual.

A coincidência dos nomes e da idade também é impressionante. Quando a Thea me mandou a foto do Anthony, eu fiquei em choque. Na mesma hora eu me arrepiei. — Conta Nancy, respirando fundo, quase como se estivesse se recuperando do susto.

— Mas agora seus avós devem estar muito felizes, Oliver. Damon nos disse que a reação deles foi melhor do que esperávamos. — Conta Beth, encarando-me com um sorriso amável. — Mesmo que essa situação seja muito estranha.

— Eu estou aliviado, na verdade. Confesso que fiquei com medo do que meus avós poderiam fazer. Ainda que eu saiba que eles jamais machucariam uma criança, eles sempre foram tão... tão... tão Richard e Marta Queen, que eu não sabia o que eles poderiam fazer. — Respondo e Austin suspira e se aproxima, desanimado.

— Eu sei bem como você se sente. — Confessa, dando um triste sorriso.

— Problemas na sua relação com a Ally? — Pergunto, preocupado.

— Não. Eu só... — Austin suspira mais uma vez.

— Ele não para de se sentir culpado pelo que aconteceu com o pai dela e pela invasão de privacidade da mídia. — Responde Ben, passando o braço por cima do ombro de Austin.

— Mesmo a gente falando que não é culpa dele, ele insiste em se culpar. — Resmunga Barry, parecendo irritado.

— Austin, eu já falei...

Antes que Elena continuasse a sua bronca em Austin, ela é interrompida pela entrada de Felicity, meu pai e Tony no quarto. Os médicos nos encaram surpresos e preciso segurar o riso, já sabendo que a bronca viria. O máximo de pessoas que podiam ficar no quarto como visita são duas pessoas. Naquele momento tinham oito.

— Oi papai! — Cumprimenta Tony, sorrindo animado. — Nós estamos usando a mesma roupa.

— Oi filho. É verdade. Hoje estamos iguais. — Respondo e ele dá aquele sorriso doce, que faz todas as garotas da sala se derreterem. — Fala oi para suas tias e tios.

— Oi titias e titios. O papai vai fazer eu ficar bom. Ele é um super-herói! — Comenta Tony e mais uma vez sinto aquele orgulho dentro de mim.

Encaro Felicity, que sorria nervosa, mas visivelmente animada. De alguma forma, eu entendia o que ela estava sentindo. Seus olhos verdes exibiam toda aquela ansiedade pela cirurgia, a expectativa de ver o filho saudável e todo aquele nervosismo por não saber como será o procedimento. Eu sabia que ela queria participar da operação, mas por medidas de segurança, apenas a equipe médica, que não era pequena, poderia estar presente.

Enquanto mantínhamos aquela troca de olhares significativas, na minha tentativa de passar alguma tranquilidade para Felicity, meus primos comentavam animados sobre a fofura de Tony e era quase impossível entender o que todos diziam. Até mesmo Nancy participava da discussão, ocasionando em uma algazarra que divertia Tony. E eu me sentia feliz em saber que minha família tem tanto carinho pela criança.

— Já chega! O que está acontecendo aqui? Vocês sabem que não pode ficar tantas pessoas no quarto justamente por causa da confusão que dá várias pessoas falando e o estresse que dão aos outros pacientes. — Repreende meu pai, fazendo todos se encararem e segura riso.

Oi tio Robert! — Cumprimenta Nancy e eu viro o tablet para mostrar a garota. — Tony! Oi, garoto!

— Nancy! — Grita Tony, animado.

— Nancy, querida. Como você está? — Meu pai sorri ao ver a garota.

Estou bem. Nós resolvemos reunir a família Barton para desejar boa sorte ao Oliver e ao Tony. Estamos ansiosos e torcendo uma boa recuperação para os dois. — Responde Nancy, sorrindo para o garoto que já vestia a roupa de hospital e acenava animado. — Mas acho que já está a hora de desligar. Oliver, boa sorte. Vai dar tudo certo. Eu já falei que assim que é para o Damon me manter informada. Quando você já puder falar e estiver se recuperado de todo o pós-operatório, a gente faz vídeo chamada de novo.

— Obrigado, pandinha. — Agradeço, chamando-a pelo apelido que eu usava com ela quando criança. Ela sorri e acena em despedida antes de desligar. Entrego o tablet para Beth. — Bom, chegou a hora, pessoal. Obrigado por terem vindo.

— Ficaremos aqui até a cirurgia acabar na torcida por vocês. — Afirma Sam, parecendo um pouco nervosa. Ela não gostava muito de pensar em cirurgias. Foi em uma que a mãe dela e de Beth morreram, desde então ela se tornou bastante sensível a qualquer procedimento cirúrgico.

— Obrigado, Sammy, mas não precisa. A cirurgia vai demorar. O Damon vai ficar, então ele avisa vocês quando tudo terminar. — Digo e Damon me encara com falsa expressão de ofensa.

— E eu não tenho poder de escolha não? Acha que é assim? — Pergunta Damon, cruzando os braços e erguendo a sobrancelha.

— Sim. Eu sou sua prioridade. — Brinco e ele bufa, mas acaba rindo.

— Infelizmente, eu vou ficar. Vocês podem ir. Eu aviso assim que a cirurgia acabar. São de dez a doze horas. — Informa Damon, levantando-se da poltrona de acompanhante. — Certo, tio Robert?

— Sim. — Concorda meu pai, dando um sorriso divertido.

— Eu não sei se confio no demônio, mas tudo bem. — Resmunga Elena e Damon bufa, ignorando a garota. — Bom, nós já vamos então. Estaremos rezando para que a cirurgia de vocês seja tranquila, Oliver.

— Obrigado, Elena. — Respondo, enquanto ela deixa um beijo em minha testa. Trocamos sorrisos e ela se afasta. Encaro todos os meus primos e minha irmã, emocionado. Eu realmente me sentia muito melhor depois da visita de todos. — Obrigado por terem vindo, pessoal.

E logo estou sendo alvo de vários abraços e desejos de boa sorte. Despeço-me de meus primos, novamente em meio a muitos escândalos. Infelizmente, minha família parece desconhecer o significado de silêncio e calmaria, o que não é de se estranhar, tendo em vista que o nosso exemplo e responsável por nós é o excêntrico Clint Barton.

— Eles são tão animados. — Comenta Felicity, acomodando Tony na cama ao lado da minha.

— Eles me levam a loucura, isso sim. Se você os acha animados agora que já são adultos, imagine quando eles eram crianças. Tinham tanta energia que somente Clint conseguia dar conta de cuidar de todos eles ao mesmo tempo. — Responde meu pai, nostálgico.

— Sinto falta daquela época. — Comento, relembrando dos acampamentos que ocorriam na casa do tio Clint. Ele reunia todas as crianças da família e nos fazia gastar toda a nossa energia com treinamentos dignos de filmes de ação. Ele sempre testava nossa inteligência, força física e resistência. — Os acampamentos do tio Clint eram os melhores.

— Acampamento, papai? — Pergunta Tony com curiosidade. Sorrio e balanço a cabeça, concordando. — Nós podemos acampar também?

— Claro. Assim que você se recuperar, iremos fazer um acampamento. — Prometo e vejo seus olhos brilharem de ansiedade.

— Você, a mamãe e eu? — Questiona, esperançoso. Desvio o olhar da criança para Felicity, que parece surpresa com a proposta.

— Meu amor... — Felicity começa, parecendo querer negar a ideia.

— Claro, filho. Podemos ir você, eu e a mamãe. Faremos um acampamento super divertido. — Respondo e Tony sorri ainda mais animado. Vejo meu pai sorri discreto e Felicity parece deslocada, sem saber o que dizer.

— Eu não sei se isso é uma boa ideia. — Começa Felicity com cautela. — Quer dizer, podemos fazer um outro programa juntos. O que vocês acham?

Tio Malcolm aparece no quarto com a equipe que participaria da cirurgia, impedindo que a conversa continuasse. Eles então passaram a explicar como seria o procedimento, os riscos que correríamos e como seria o pós-operatório. Meu pai então nos examina pela última vez, aferindo pressão, temperatura corporal, glicemia e batimentos cardíacos. Quando eles confirmam que tanto Tony quanto eu estamos prontos para realizar a cirurgia, minha mãe é chamada para aplicar a anestesia e os sedativos.

— É agora, filho. — Avisa minha mãe, sorrindo preocupada, enquanto aplica a anestesia em minha veia. — Em breve nos veremos.

— Até mais, campeão. — Despeço-me de Tony, que segurava a mão de Felicity e acena em despedida, já com a anestesia fazendo efeito em si. Sorrio para a loira, que corresponde com doçura, e fecho os olhos ao sentir uma grande dormência no corpo e um sono incontrolável. — Voltaremos logo, Felicity.

— Estarei esperando por vocês. — Ouço Felicity falar suavemente. Por algum motivo, suas palavras me trazem conforto ao meu coração. Não consigo mais pensar em nada. Meu corpo estava fraco e pesado. Suspiro e me entrego ao sono, perdendo a consciência de vez.

Notas finais
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