Milagre De Ano Novo
18 The Second Hero's Things To Do List
Alfred acordou tranquilamente de manha, olhando para o garoto de cabelos azuis do seu lado. Sentou e não conseguiu deixar de sorrir. O ser ao seu lado era indescritivelmente fofo, do tipo que quase influenciava o subconsciente de alguém. Levantou.
Ele estava animado. Passou a quase correr pela casa procurando coisas para tomar no café e pensando no que faria naquele dia. Pensou em ir direto à casa de Francis para saber por que seu amigo inglês parecia tão mal no dia anterior. Mas não achou aquilo uma boa ideia. Não diziam eu não era bom se meter em briga de casal? Iria outro dia, eles podiam ainda estar brigando e não era bom ficar no meio de briga daqueles dois.
Resolveu ir visitar sua amada família. Iria vê-los depois de passar no orfanato onde ajudava. Gostaria de dar uma volta com o menino de cabelos azuis, talvez ver Mad... Se divertir.
“Lista de coisas a fazer o Herói 2#: Ver seu ajudante, usar sua identidade secreta para poder proteger e ver aqueles que ama, cuidar de seu novo...”
Como chamaria Power? Ele não podia ser um vilão (o “amável” Casal Fogo e Água ocupavam essa posição), um ajudante (o pequeno Sean já tinha esse lugar garantido, sem sombra de dúvida) e um personagem que fica sempre mudando de lado entre ser vilão e herói (sua querida Mad). Então o que seu novo amigo seria?
Pensou e pensou sem chegar a uma conclusão. O que faltava? Resolveu mudar um pouco a frase.
“Lista de coisas a fazer o Herói 2#: Ver seu ajudante, usar sua identidade secreta para poder proteger e ver aqueles que ele ama, cuidar de seu Power, ver se a Louca está seguindo o caminho do bem ou o do mal e descobrir o que os vilões fizeram de errado dessa vez.”
- Bom dia, Alfred...
A voz do de cabelos azuis era sonolenta demais, meio frágil. Ele parecia debilitado e Alfred não pode deixar de se preocupar.
- Bom dia, Power. Você tá bem?
- Só tenho que dar uma passada no hospital, sabe, para continuar... respirando sem sentir nenhuma dor ou problema.
Aquilo não pode deixar de assustar o aparentemente mais velho dos dois.
- Quer que eu te leve?
- Agradeceria se o fizesse...
Alfred sorriu carinhosamente.
- Só vou tomar café, ok?
- Tudo bem. Posso tomar um banho aqui? Acho que não tem água ainda no meu apartamento... ou um chuveiro...
- Fique a vontade.
Camel... eh... Power levantou, andando lentamente até o banheiro da casa do estadunidense, levemente perdido no meio daquele mundo de heróis.
Depois de algum tempinho ambos estavam prontos e Alfred carregava o novo amigo nas costas. Power estava pálido e aquilo deixava o estadunidense preocupado, mesmo que o outro dissesse ser algo normal.
Alfred sentia-se hiperativo naquele dia. Deixou o amigo no hospital e, mesmo estranhamente preocupado, resolveu não ficar por lá fazendo companhia ao garoto de cabelos azuis.
Foi ao orfanato, queria brincar com Sean, mas o pequenino estava estudando e foi “delicadamente” expulso de lá pela diretora. Sem se deixar abater por alguns empurrões , resolveu ir logo ver sua família.
A família ficou surpresa em ver o filho mais velho chegando. Mas, como era um dia de semana, eles não tiveram a sorte de ficar tanto tempo juntos quanto ficariam. Os adultos tinham que trabalhar e Matt ia para a faculdade, não podia perder os últimos dias antes da pausa para o natal. O menino fazia psicologia, mas não sabia se era realmente isso em que queria trabalhar.
O único Jones de férias aproveitou o dia para passear por sua cidade favorita. Não importava tudo que falavam daquele lugar, todos os defeitos, para ele era o melhor do mundo. Adorava o barulho dos carros, a poluição, as pessoas... até mesmo os irritantes turistas que sempre lhe deram nos nervos pareciam ser perfeitos.
Sentou num banco, aproveitando a vista, rindo sozinho. Ah, a vida parecia tão bela... ousou até assobiar os primeiros versos de “New York, New york”, caindo na gargalhada depois ao notar o tamanho de sua felicidade, ou idiotice, como preferir.
Passou o dia daquela maneira, se perdendo por ruas tão conhecidas. Nunca poderia chamar outro lugar de lar, pensou. Tinha que admitir, estava gostando de passar um tempo em Londres, mas não se sentia totalmente em casa por lá. Sua vida estava nos EUA, e sua alma pertencia à bela auto declamada “Capital do Mundo”.
--
Matthew Williams sempre foi um menino estudioso, do tipo bonzinho que não se incomodava em acordar para ir à escola ou perder seu tempo fazendo pesquisas e deveres. Mas ele não gostava da escola, ao contrario, aquele lugar era quase um pesadelo. E a faculdade não estava sendo muito diferente.
Desde que tinha ido para os EUA não era alguém muito visível. No começo ficava mais quieto por que tinha vergonha de seu sotaque, além de ser naturalmente tímido e calmo. Mas as coisas foram avançando até ele simplesmente não conseguir mais falar com ninguém.
Cresceu assim, ouvindo seu nome ser pulado nas chamadas, tendo professores se esquecendo de sua existência... Sozinho no meio da multidão. Até que um dia um menino notou que tinha um canadense estudando na escola.
Era o outro estrangeiro da escola. Um menino solitário, vindo da Rússia. Na época que se conheceram tinham cerca de 12 anos. Eram os mais... diferentes da escola. O russo, que atendia pelo nome de Ivan Braginski, era alto e tinha um olhar doce e inocente, como uma criança que tinha crescido demais. Mas ele tinha uma personalidade... difícil.
Ivan tinha ido morar nos EUA quando tinha seus quatro anos. Mas não crescera como um estadunidense normal. Sue tinha orgulho de seu sangue, ele só falava russo em casa e muitas vezes não era a pessoa mais agradável do universo. E o pequeno cresceu tendo que se virar e sofrendo com as “brincadeiras” dos outros meninos.
Depois o canadense descobriu que a mãe do menino tinha morrido numa confusão que o pai tinha arrumado com traficantes poderosos de sua terra e que por isso eles tinham fugido. Também soube que Ivan tinha uma irmã mais velha, que continuava morando no velho continente, e que o Senhor Braginski tinha se casado de novo e dado ao menino uma madrasta que o detestava e uma irmã mais nova que gostava demais dele... estranhamente demais
Ele tinha crescido sozinho, sem nenhuma atenção. Matt sentia pena do menino russo que em pouco tempo se tornou seu grande amigo. Ele sempre teve uma família amorosa e que o protegia e cuidava sempre. Realmente não sabia como o amigo se sentia.
Depois de ter conhecido Ivan sua vida na escola se tornou melhor e ao mesmo tempo pior. O russo era o tipo de pessoa bem... visível, contrapondo-se a invisibilidade canadense. Quando estavam juntos, os meninos vinham implicar com o maior e acabava sobrando para si também. E quando estava sozinho voltava a ser ninguém. Era dolorido e muitas vezes assustador, já que acabava vendo o lado “obscuro” de seu amigo euro-asiático quando este resolvia “brincar” com os outros meninos.
Mas era bom, sentia que existia, já que seu amado irmão também não lembrava muito dele na escola. Gostava de ter companhia para lanchar, alguém para conversar às vezes. Era agradável. Até que começaram os rumores...
Tinham se passado dois anos do dia que o russo tinha lhe dado um girassol e sentado do seu lado, perguntando por que um menino como ele chorava. Dois anos que eram amigos. As fofocas diziam que eles estavam juntos. Inventavam que os dois “estranhos” da escola eram um casal e passaram a notar o menino canadense, só para poder implicar mais ainda com ele. Virou algo comum ele chegar em casa e ter que se esconder com roupas grossas para que os pais não notassem seus machucados. Mas não conseguiu esconder do irmão.
Aquilo que falavam era mentira. Tinha se apegado a Ivan como seu único amigo naquela terra que não era sua, não sentia nada mais por ele. Alem disso, o amigo gostava de um chinês que Matt não sabia muita coisa sobre.
Alfred nunca tinha gostado de Ivan, muitas vezes eles brigavam e o irmão chegava com um belo olho roxo em casa, acompanhado por uma advertência. Então, quando o estadunidense descobriu que o irmão vinha apanhando na escola por causa do russo a coisa ficou mesmo feia.
Matt soluçava e gritava até sua garganta não conseguir mais forçar a voz, implorava para eles pararem. Não era ouvido. Alfred e Ivan desferiam tapas e socos, chutes que seriam capazes de quebrar ossos. Acabaram em uma delegacia e depois no hospital, passaram semanas internados lá. Com a confusão o nativo daquele lugar passou o resto do ano de castigo, que ele conseguiu se livrar facilmente algumas semanas depois. Mas Ivan não teve a mesma sorte.
Senhor Braginski não tinha ficado nada feliz com o problema que o filho tinha causado. Ivan não conseguiu passar muito tempo longe do hospital. O canadense ficou horrorizado ao saber que seu amigo tinha apanhado tanto do pai a ponto de entrar em coma. Sentiu-se extremamente culpado.
Aquela também foi a primeira vez que brigou sério com o irmão. Quando avisaram da noticia na escola o americano riu. Matt não conseguiu segurar sua raiva. Mesmo que Ivan não fosse seu amigo ele teria se irritado. Como Alfred pode ouvir que um de seus colegas de escola tinha sido espancado pelo pai ao ponto de quase morrer por causa de uma confusão na escola causada pelo próprio estadunidense? Acertou um tapa no rosto do irmão e, pela primeira vez, todos viram o canadense.
- Tenha um pouco de vergonha na cara, Alfred. Você arrumou essa confusão, se não quer se sentir culpado não sinta, mas não ria do sofrimento dos outros!
A agressão do mais novo foi revidada com força.
- Seu idiota! Eu tava tentando te defender!
Um soco, o canadense também era forte.
- Me defendeu da pessoa errada então! Você foi me defender da única pessoa que me deu um pingo de atenção nessa escola nos últimos anos, ao invés daqueles que me ignoram e depois resolveram me bater só por que eu tenho um amigo!
Eles gritavam enquanto machucavam um ao outro. Aqueles que olhavam resolveram não fazer nada. Eram irmãos... e a briga parecia ser séria.
- Aquele russo não serve para ser seu amigo irmão!
- Por quê? Por que ele é diferente de você?
Alfred não respondeu. Eles pararam de se bater e só se olhavam, olhos confusamente irritado no rosto marcado pela mão do irmão mais novo, um olhar raiva no rosto geralmente calmo do canadense que agora estava manchado pelo carmim do sangue que escorria de sua testa.
Nenhum dos dois nunca falou nada e o assunto Ivan tinha se tornado proibido entre eles. Aqueles dias se tornaram um tabu, mas sempre estiveram presentes na alma de ambos.
Ivan, quando saiu do hospital, foi expulso de casa. Não se podia causar problemas ao Senhor Braginski, nem que você fosse o único filho homem dele. Mas o russo se deu bem e depois de um tempo Matt ouviu noticias de que ele estava fora do país, feliz e perto do seu chinês misterioso.
Estava sozinho novamente. Invisível, inexistente. Mas sempre tinha um infeliz para lembrar as fofocas antigas e implicar com ele. Matt alterava seus dias na escola entre o fogo e a frigideira. No dia da formatura ele era o mais feliz em sair daquele lugar. E o que tinha as melhores notas também.
Na faculdade as coisas eram um pouco melhores, algumas pessoas se lembravam de sua existência, falavam e sorriam para si, mas sempre tinha aquele infeliz para implicar com o garoto quieto e muito inteligente.
E naquele dia o canadense estava feliz, afinal, seu irmão estava em casa. O estudante que gostava de implicar com ele (um invejoso, em minha opinião), achou que acabar com a felicidade do “nerd” seria divertido.
- Encontrou o namoradinho para estar tão feliz assim, viadinho?
Um suspiro, a voz de Matt era calma e baixa como sempre.
- Eu já te disse que não sou gay, Bob...
- Não é, viadinho? Tem certeza disso?
Os fios loiros do canadense foram puxados e o outro riu. Algumas pessoas reclamaram, afinal, estavam na sala de aula esperando o ultimo tempo de aula, já que o professor de história da psicologia sempre se atrasava. Uma confusão era a ultima coisa que queriam, já estavam cansados.
O aperto na cabeça do nosso querido estudante aumentou, começando a machuca-lo. Antes que as coisas piorassem o responsável por aquela turma chegou. O professor carregava grandes livros e já entrava falando alto e animadamente enquanto se encaminhava para sua mesa.
- Alô comunidade da turma!
Quando o homem chegou perto de sua mesa, logo após terminar sua frase, soltou ruidosamente seus livros pesados sobre aquela pobre superfície de madeira. O estrondo assustou alguns, incluindo o que segurava os cabelos de Matt, mas não era novidade para ninguém. O professor fazia aquilo toda aula, afinal.
-A hora é essa! Não dá mais tempo!
Alguns alunos riram. Geralmente o professor diria “Ainda dá tempo!”, mas tinham acabado de fazer as ultimas provas do período, não tinha mais volta.
O professor se aproximou do tal Bob, colocando a mão no ombro dele em um aperto firme, mas não muito forte.
- Solta ele e senta, animal.
- Ei professor, não sou animal!
O aluno se encaminhava para o seu lugar irritado, mas sem sentar, enquanto o mais velho ria.
- Vocês sabem que existem animais, vegetais e minerais. Você é um vegetal?
- Não.
- É um mineral?
- Não.
- Então é um animal, mané! Senta logo ai!
A turma riu novamente enquanto o encrenqueiro sentava com raiva. O professor sorriu para o canadense de um jeito carinhoso, bagunçou de leve seus cabelos e voltou para trás de sua mesa, começando sua aula que sempre era interrompida para que o mesmo contasse alguma piada sem graça, mas que muitas vezes arrancava algumas risadas dos alunos, que davam força para aquela ação.
No final da aula Matt conversava com aquele professor, que o elogiava por ter sido o melhor em sua prova e falava animadamente sobre algum projeto para melhorar a educação naquele lugar. A alegria dele era contagiante e, numa das poucas vezes, o canadense saiu de uma sala de aula mais feliz do que entrou.
Viu Alfred algumas ruas depois, quando andava para casa. Correu para perto do irmão, não conseguindo segurar um riso baixo.
--
Alfred não notou o tempo passar e logo era a hora que Matt deveria estar voltando para a casa. Resolveu tentar encontrar o irmão no caminho para irem comer algo, mas não sabia ao certo onde ficava a faculdade de seu irmão.
Caminhou perdido por um tempo, olhando para os lados, sentindo-se em casa. Se assustou muito ao sentir duas mãos em seus ombros e ouvir um “bu” dito atrás de si. Tinha pavor de fantasma, mas reconheceu a voz e logo começou a rir junto com seu irmão.
Tomaram sorvete e passaram o dia todo como crianças, correndo de um lado para o outro, Alfred animado e exagerado, muitas vezes acabando por se enrolar e fazer algo errado e Matthew, o único que parecia pensar ali, se divertia em concertar a bagunça do irmão.
- Como quando éramos pequenos, não é, irmão?
- Sim. Como quando éramos pequenos.
- Vai ser sempre assim?
- Claro!
Ambos riram e ficaram em silencio, até Alfred levantar.
- Eu, como grande herói que sou, nunca vou deixar de proteger meu irmãozinho!
- Você não cresce Alfred... E não precisa desse diminutivo, é só ... alguns dias mais velho que eu!
- Mas mesmo assim você meu irmãozinho! Irmãozinho pequenininho e fofinho!
Alfred apertou as bochechas do canadense, que simplesmente rodou os olhos e sorriu. Às vezes gostava daquele carinho.
Quando os pais chegaram em casa eles tiveram um típico jantar em família antes do filho mais velho ir para seu avião e voltar para a casa em Londres.
--
Estava de volta. Resolveu ir no hospital ver se Power estava lá e as recepcionistas não ficaram muito felizes com a vizita, considerando que levou cerca de meia hora para que ele conseguisse dizer que Power era o apelido que tinha dado para o garoto que se chamava Camel. Afinal, dizer “o cara de cabelo azul” seria fácil demais para o grande herói. E, no final, seu novo amigo nem estava lá mesmo...
Resolveu falar com Mad, queria saber direito o que ela estava tramando. Podia procurar o outro depois afinal.
Achou a garota saindo da casa do irmão. Ela parecia preocupada, mas o estadunidense não reparou isso de primeira. Era um péssimo leitor de atmosfera...
- Mad! O que você está tramando?
- Nesse momento nada... — a voz dela estava desanimada.
- E antes?
- Estava tramando que meu irmão e o Arthur fossem felizes para sempre, , que o Arthur virasse meu irmão de verdade, que você acabasse gostando do Camel e formassem um casal fofo e feliz...
- Espera, os dois brigaram mesmo? E... what? Fofo? Feliz? Casal?
- Sim. Pelo que eu entendi, o Francis acabou ficando com outra e o Arthur ficou bem magoado... Meu irmão tá muito culpado, tá mal... Acho que os dois tão né, cada um mal em seu canto...
Alfred pensou em rir. Aquilo era gay demais... mas viu que Mad falava sério e que era totalmente verdade. E logo a vontade de rir se transformou em raiva. Não conseguia imaginar alguém magoando seu Arthur sem ser tomado por aquele sentimento que o transformava tanto.
- Mad... sabe onde o Arthur tá?
- Não... ele se mudou, ainda não descobri o endereço novo. Parece que ele saiu daqui assim que descobriu, mesmo sem ter pra onde ir... Achei que ele estivesse na sua casa...
Aquilo aumentou a raiva do estadunidense. Imaginar Arthur andando por ai, triste e sozinho, sem ter um lugar certo para estar, foi algo de partir seu coração e em sua imaginação fértil já tinha imaginado mil e uma coisas que podiam ter acontecido com o inglês, incluindo encontros com extraterrestres e coias assim. Mas Arthur ter passado a noite sendo cuidado por um menino alado, cercado por fadas dentro de um relógio gigante não passou pela cabeça do garoto...
Ignorando as perguntas da amiga assustada Alfred foi até a porta do foguete, batendo com força e vendo Francis empalidecer ao ver seu rosto, possivelmente não muito amigável.
- Alfred...?
- Vai começar a tentar inventar desculpas ou eu já posso quebrar a sua cara?
Empurrou a porta para o outro sair da sua frente e entrou, puxando o francês pelo braço sem muita delicadeza.
- Alfred, o que você tá fazendo? Me solta!
Ele não soltou, só empurrou o francês para a parede, prendendo-o ali. Queria gritar com aquele homem, queria falar tanta coisa, mas ao mesmo tempo não queria dizer nada, não sabia dizer nada. Murmurou um palavrão, socando com força a parede do lado do loiro.
- Francis...
- Alfred... olha... eu não sei o que você tá pensando...
- Eu estou pensando que você magoou meu melhor amigo e que isso já é motivo o suficiente para me deixar com raiva e para que minha vontade de te bater seja incontrolável.
- Não foi minha intenção! Eu gosto dele mesmo!
Um soco realmente forte foi desferido no rosto do francês, que sentiu o gosto metálico do sangue inundar seus lábios. Se o estadunidense estivesse pensando não teria feito aquilo, mas tinha visto Arthur tão feliz no ultimo mês que não conseguiu se controlar.
- Alfred! Solta o meu irmão!
Madeleine tinha acabado de chegar correndo e segurar o braço do amigo. Não entendia muito bem o que estava acontecendo, não costumava a ver Alfred batendo nos outros assim, mesmo já tendo presenciado muitas brigas do estadunidense.
O francês manteve seus olhos fechados, esperando mais. Não estava em um momento muito bom, sentia-se merecedor de cada gota de ódio que brilhava nos olhos daquele estadunidense . Queria mais, como se a dor lavasse sua alma.
Alfred fez o que a amiga pediu. Gostava daquele francês, afinal, eram conhecidos de infância. Não lhe agradava machuca-lo, mas simplesmente não conseguiu se controlar. Era extremamente protetor com aqueles que amava.
- Vou dar um jeito nisso Alfred...
Os olhos azuis do estadunidense encontravam-se frios.
- Espero que de mesmo.
Saiu antes que fizesse algo errado. A vontade de gritar ainda estava presa em sua garganta, mas naquele momento queria descobrir onde Arthur estava. Mandou uma mensagem para o amigo pedindo o endereço novo e estava lá em vinte minutos.
- Alfred? Você não parece bem...
- Disse aquele que está com olheiras até a alma...
-... Entre.
Sentaram-se no sofá. Silêncio...
- O que veio fazer aqui...?
- Saber se você estava bem. E por que você não foi me procurar quando brigou com o Francis ou me contou tudo quando eu fui na casa de vocês.
- Você estava ocupado. E isso não é importante.
- Claro que é importante. Você deveria confiar em mim Arthur...
Mais silêncio. Alfred agora parecia triste pelo inglês não ter falado com ele.
- Desculpa.
- Não peça desculpa se vai fazer a mesma coisa no futuro...
- Você parece gente grande falando assim... Gosta tanto de Ets que foi abduzido por um?
- Arthur...
- Não me peça para mudar Alfred. Você me conhece há muito tempo para pedir isso.
Suspiro duplo. O estadunidense, depois de alguns segundos de silêncio, gargalhou. Ele era estranho...
- Vou passar a noite aqui Arthur! Festa para comemorar a casa nova! E para animar um inglês tristinho!
- NOOOOO!!!!!!
Arthur ainda tinha pesadelos com a ultima vez que Alfred tinha tentado anima-lo... Estremeceu. Alfred pulava pela sala, telefonando para varias coisas diferentes, pedindo filmes, comidas, qualquer coisa que viesse na sua cabeça. A noite seria longa...
- Por que eu não dei o endereço errado...
Notas finais
1- eu tinha planejado tudo certinho para terminar de postar essa fic amanha, mas imprevistos, infelizmente, acontecem. e dessa vez o imprevisto mexeu mesmo comigo... Meu prof de história morreu e eu realmente gostava muito dele. Sabe, nunca tinha experimentado essa sensação de perder alguém que eu realmente convivi e, mesmo não sendo ninguém da família e talz, realmente fiquei mal. Morte sempre pareceu tão distante para mim ai, completamente de repente, o cara que contava piadas ruins e me dava parabéns por ser boa na matéria dele, simplesmente morre, assim, do nada, no dia antes da véspera de natal... foi um choque, ele tava tão bem... Então eu não consegui escrever nada e esse capitulo foi minhas ultimas gotas de sangue, suor e lagrimas (literalmente os três). Estou me esforçando para conseguir terminar logo isso aqui, mas tá mesmo complicado... espero que entendam.
2- Eu possivelmente vou ter que sair do nyah em breve, mesmo sem querer. mas terminarei essa fic antes. Então, caso um dia no futuro próximo vocês procurem por isso aqui e não achem... sinto muito. Torçam para que eu consiga ficar.
Agora chega do meu drama! Espero que todos vocês tenham tido um natal maravilhoso, que o Finlândia tenha entregue muitos presentes na casa de vocês, que deus abençoe você e toda a sua família! Um feliz natal atrasado, mas muito sincero!
Ah, o cap novamente não está betado... um dia eu aprendo a escrever certo, mas até lá, avisem dos erros, plz!
Fale com o autor