Mil Faces
2 Garota Perdida.
Notas iniciais

"Você nunca vai cruzar os oceano se não tiver coragem de perder a costa de vista."
Anos antes...
A sala ampla do castelo, estava povoada com os membros da realeza Volturi. Os que estavam presentes, ouviam as palavras de Aro com atenção. Julgando os argumentos do mestre, com a intensão de definir se tudo aquilo não era mais uma de suas paranoias.
—Eu estou dizendo... Híbridos representam perigo para nossa natureza. Eles podem viver e se alimentar entre humanos. Eles não brilham no sol... Eles podem facilmente declarar guerra contra nossas regras; já que eles são de uma espécie diferente... Precisamos fazer algo em relação a isso.— o homem de olhar sombrio, cabelos longos pretos e pele translúcida falou.
—E o que sugere que façamos, Aro? — Caius questionou querendo ver até onde as teorias de conspiração de Aro iam.
—Criaremos uma arma. Uma precaução. Uma máquina de matar. — ele anunciou dando uma de suas risadas peculiares.
—E o que seria essa máquina? — dessa vez Marcus perguntou.
—Uma híbrida. Mais forte que todos os outros... Irei pedir para que os guardas procurem por mulheres fortes da região. Ela irá gerar uma criança com meus genes e com o DNA de todos os meus melhores guardas. — ele contou seu plano.
—Nem um ser humano poderá resistir a tamanha força — Caius discordou, mostrando sua opinião.
—Tenho certeza que o projeto dará certo, meu caro... Em todo caso, se não der, não me incomodarei em descartar o fracasso e continuar tentando.—ele disse decidido.
—Supondo que sua ideia tenha sucesso... E se um dia sua criação se voltar contra você? —Marcus questionou, achando aquela possibilidade coerente.
—Moldaremos uma criatura obediente, destinada a ser controlada pelos Volturi. — Aro realmente pensou em tudo.
—Não acredito que criatura com tamanho poder será facilmente controlada. — Marcus alegou.
—Não seja negativo, Marcus.— Aro pediu cinicamente.
—Seu ego o deixa cego, Aro. Não vê que as probabilidades de dar errado são muito maiores do que as chances de dar certo?! —o outro disse com tédio.
—Não querendo que isso soe como um descaso, mas já soando... Eu obviamente não pedi a opinião de vocês. Só os comuniquei sobre uma decisão que já foi tomada. — Aro disse e após isso chamou seus fieis guardas, querendo colocar seu plano em ação.
[...]
E o plano deu certo.
De primeira, uma linda menina nasceu, após a morte de sua mãe no parto —que havia sido sequestrada pelos Volturi algum tempo antes.— Recebeu o nome de “Isabella” por Aro gostar de como ele soava imponente. A criança frágil ficou aos cuidados de uma humana, que fazia o essencial por ela. Desde sua primeira semana de vida, a criatura foi exposta a vários procedimentos. Aro continuava inserindo sangue de seus guardas no organismo dela. O mesmo queria que a parte humana dela morresse e assim aconteceu. E só o que restou foi sua parte vampira.
A pequena Isabella cresceu admirando seu pai e se considerando a princesa daquele reino. Se sentia sortuda por morar numa fortaleza como aquela e mesmo não entendendo —pois era muito inocente. — se considerava especial pelos experimentos que ocorriam com ela e pelos extensos treinamentos que a mesma fazia com Alec.
Seu crescimento foi interrompido quando a mesma completou 18 anos. Bella tornou-se uma linda mulher e foi nesse momento que seus questionamentos começaram, em relação a sua vida. As consequências pelas experiências começaram a aparecer aos poucos, quando a mesma se sentiu tentada a consumir o sangue de seu único amigo Alec, e quando a garota rejeitou sangue humano. Mesmo sendo treinada, acabou sendo controlada por seus poderes, e aquilo assustou seus superiores.
—Eu estou com medo, Alec. — Bella confidenciou enquanto os dois caminhavam em direção a sala de seu pai. Que os esperava para uma reunião, na qual ele queria informações sobre os ocorridos recentes com ela.
—Se acalme.Tenho certeza que seu pai só está preocupado. —Alec tentou disfarçar sua evidente falta de esperança de que Aro realmente estivesse preocupado.
—Como se eu não conhecesse ele. Sei que só está querendo me tranquilizar. Sabe tanto quanto eu o quão severo meu pai consegue ser. —ela disse abaixando sua cabeça. Alec parou o percurso e ergueu o queixo dela, delicadamente, fazendo com que a mesma o olhasse nos olhos.
—Você é uma Volturi. Os Volturis nunca abaixam a cabeça para ninguém. Lembra o que eu disse no nosso último treinamento? —ele questionou calmamente. Bella assentiu.
—Eu sou uma Volturi. Eu sou superior. Eu sou mais forte do que qualquer membro desse castelo. Eu não devo temê-los. Eles devem me temer. —Bella repetiu o que ele disse, mesmo não entendo o sentido daquilo. Ela não sabia que Alec estava lhe preparando para o pior, que ele sabia o que estava por vir.
—Não importa o que aconteça lá dentro... Quero que saiba que sempre terá minha ajuda. —ele garantiu eBella o surpreendeu com um abraço. Um vampiro como ele não estava acostumado com aquele tipo de carinho, mas desde que se aproximou de Bella, começou a se sentir estranhamente... Humano. Apesar de tudo, Bella era pura. Ela tinha algo bom. Não tinha mortes nas costas e ainda acreditava no bem. De alguma forma a mesma ainda não havia sido corrompida pelo mundo em que viviam. Mas ele sabia que esse dia chegaria e que não faltaria muito.
Se separaram e seguiram seu caminho. Alec abriu os enormes portões da sala do trono onde o conselho estavareunido. Juntos adentraram o cômodo. Bella ergueu sua postura, enquanto caminhava em direção ao seu pai.
—Que bom que veio, minha doce Bella. —Aro disse se levantando, acariciando o rosto de sua filha.
—Admito que estou curiosa sobre o motivo para ter me chamado. —ela disse tentando fazer com que sua voz soasse decente.
—Tomei conhecimento de alguns fatos... Fiquei sabendo que você tem demonstrado ter gostos bastante peculiares, em relação ao sangue de seus semelhantes. —ele praticamente sussurrou essas palavras.
—Eu não definiria isso como um “gosto” Digamos que meu organismo se acostumou com o veneno vampiresco, após anos de injeções, e agora ele depende dele. —ela explicou tentando arranjar uma forma daquilo não parecer preocupante.
—Isso quer dizer que você... Minha própria filha. Sente-se tentada a tomar o sangue de sua família? —ele questionou se fazendo de incrédulo.
—Eu posso me controlar pai. Eu garanto. —ela afirmou quase desesperada.
—Não é que eu não confie em você querida... Mas eu preciso de um teste. —Aro anunciou.
—Um teste? —ela perguntou sem entender.
—Você lutará com 10 dos meus melhores vampiros,deixando-se guiar por seus instintos, se conseguir resistir a sua fúria e a vontade de se alimentar deles, saberei que você consegue se controlar. — ele explicou.
—Isso é loucura Aro. Bella não aguentará lutar com 10 guardas. —Alec que até então estava calado, por fim se manifestou.
—Acho que está subestimando minha filha, Alec. E não é que como se ela tivesse opções, se Bella não concordar será mandada para as masmorras agora mesmo. —ele decretou, fazendo sua filha, sentisse enojada. —Se acomodem em seus lugares, o show irá começar. — Aro disse teatralmente.
Bella foi para o centro do salão e observou os 10 guardas chegarem para a luta. Seu interior se revirava de medo, apesar de ter tido treinamentos, ela nunca lutou de verdade. Um moreno alto a encarou de maneira debochada, como se dissesse que seria fácil derruba-la. Quando o mesmo se aproximou, Bella deu um passo para trás, completamente assustada e naquele momento de distração, um outro guarda deu-lhe um golpe forte jogando Bella contra uma parede, fazendo-a rachar.
Bella se levantou tonta. Apenas para não se atacada outra vez.Deu voltas em torno do salão, desviando de seus agressores.
Ela estava lutando, mas não com que eles. Estava lutando para não entregar-se aos seus instintos, sabia que se fizesse isso tudo estaria perdido.
Recebeu um soco na cara e aquilo foi mais do que o suficiente para finalmente tira-la do sério. Pegou o primeiro guarda que a atacou, pelo pescoço e o ergueu no ar, o jogando contra as pilastras. Quando o mesmo ia se levantar, Bella pisou em seu braço e se agachou, se aproximando do pescoço dele, pois sua garganta estava queimando.Só percebeu o que estava prestes a fazer, quando ouviu a voz de Alec pedindo para que ela se controlasse. Então mesmo hesitante, arrancou sua cabeça. Se levantou recompondo-se e partiu para o próximo, a qual derrubou facilmente. Assim fez com mais setes depois.
Estava tão distraída com sua vitória, que nem percebeu que um ainda estava de pé. E esse que restou, a agarrou pelo pescoço, dando a entender que arrancaria sua cabeça ali mesmo. Foi naquele momento que a primeira tatuagem apareceu. Deslizando-se pela extensão de seu braço até chegar no seu pulso.Sem muito esforço fez com que correntes elétricas escapassem de suas mãos, dando um choque no último guarda, fazendo o mesmo cair de joelhos na sua frente. Ela tentou resistir, mas ele estava tão perto. Não foram necessários mais dois segundos, para que suas presas se cravassem no pescoço dele, sugando todo seu veneno, quando o dissecou, largou seu corpo. Observando todos os outros mortos em seguida, sentindo-se estranha.
Passou a mão por seus lábios, encontrando sangue nos dedos. Notou tarde demais, que a escuridão havia chegado nela. Ela era um monstro.
—Você matou 10 guardas meus, sem se esforçar muito... Você é realmente um perigo para nós. Me sinto um tolo em admitir, mas Caius estava certo. Você acabou se virando contra mim. —Aro anunciou se aproximando de sua filha.
—Pai... Eu não estou contra você... Eu nunca quis ser assim... Foram as experiências... Talvez se você não tivesse ficado tão obcecado em me fazer ser forte... Talvez eu fosse uma vampira normal. —ela tentou se defender, ainda abalada pelo que tinha acabado de acontecer.
—Criança tola. Acha mesmo que eu tive tanto trabalho em te criar para que você fosse uma vampira normal? Eu queria que você fosse o orgulho dos Volturi. Mas você acabou se transformando na vergonha. Você é um erro... E sabe o que fazemos com os erros querida? Nós os aniquilamos. —ele foi cruel.
—Eu sou sua filha... Não pode fazer isso comigo. —ela negou desesperada.
—Você é só uma criação. Posso arranjar uma melhor do que você em dois segundos... Mas não serei tão cruel, em respeito ao sangue que nos une, não lhe matarei imediatamente, por enquanto apenas a manterei no calabouço... E não ouse fazer nada no caminho até lá, pois se fizer, não levarei mais nada em consideração.—Aro anunciou e logo após isso guardas do lado de fora apareceram para leva-la. Ela enviou um olhar de súplica para Alec, que apenas lhe mandou um sorriso triste e abaixou a cabeça. Mesmo naquele momento ela quis repetir o que ele lhe disse sobre um Volturi nunca abaixar a cabeça.
[...]
Presa no calabouço do castelo, a jovem Bella, abraçava seu próprio corpo. Recordando-se do que acabara de fazer. Ela havia matado alguém e mesmo que fossem criaturas impiedosas, não mereciam esse destino, não pelas mãos dela. Estava sozinha naquele breu, apenas acompanhada por seus pensamentos, se perguntando se realmente aquele seria seu fim.
Surpreendeu-se quando com sua audição de vampira, ouviu passos. Levantou-se rapidamente e sorriu ao ver que quem veio em seu socorro era Alec. Sorriu por saber que não havia sido abandonada por ele. O mesmo abria os cadeados de sua cela com maestria, querendo liberta-la o mais rápido possível.
Quando o fez, Bella pulou em seus braços. Agradecida por ele estar ali. Ele a afastou e encarou aqueles olhos que tanto amava.
—Você tem pouco tempo para fugir...D arei um jeito de parecer que você conseguiu escapar porque matou um dos guardas da entrada. —ele anunciou colocando uma capa por cima dela. Bella o olhou assustada.
—Fugir? Para onde? —ela indagou.
—Há um mundo enorme lá fora, Bella. O universo não se resume somente a esse castelo, como você acha. —ele disse acariciando a bochecha dela carinhosamente.
—Achei que quando fosse conhecer esse mundo, seria com você. Estaríamos em uma missão juntos e eu me sentiria feliz somente por estar ao seu lado. —ela confidenciou, fazendo Alec encostar sua testa na dela.
—Acredite não haveria momento mais feliz em minha vida... Mas entre minha felicidade e sua vida, eu escolho sua vida. —Alec falou e Bella o olhou intensamente. Ela não sabia que ele gostava tanto assim dela. Mas naquele momento, não permitiu-se questionar ele sobre aquilo. Naquele momento ela deveria fugir, para um dia ter uma chance real de dar a Alec a felicidade dele; com ela viva.
—Como farei para que os guardas não me vejam? —ela indagou.
—Tenho uma teoria... Seus poderes são derivados do sangue daqueles que foram injetados em você. Hoje a primeira tatuagem apareceu e o poder que ela liberou foi de Thor. Ele eletrocuta as pessoas... Lembro-me de um vampira, chamada Gisela... Ela podia mudar sua aparência de acordo com seu desejo... Você pode fazer isso também. Você tem o sangue dela no organismo.—Alec contou o que sabia.
—Não conseguirei fazer isso. —Bella negou.
—Só precisa se concentrar. A primeira tatuagem apareceu porque você precisava daquele poder. Você precisa desse agora. —ele disse firme. Bella assentiu, confiando em suas palavras e então fez o que ele disse. Logo mais uma tatuagem apareceu, dessa vez em seu pescoço. E segundo sua vontade, seus cabelos adquiram um tom ruivo alaranjado, e seus olhos ficaram verdes.
—Sabia que você conseguiria... Agora você precisa ir. —Alec disse não querendo enfrentar a dor de uma despedida. Bella concordou tão desolada quanto ele. E caminhou rumo a saída, mas após dois passos. Virou-se e encarou a única pessoa que realmente sempre cuidou dela. Alec a olhou também, querendo saber porquê ela ainda não havia ido.
Bella girou seus calcanhares, e caminhou até Alec, decidida. Sem mais delongas, colou seus lábios nos dele. O beijando de uma forma intensa, mas ainda sim carinhosa. Alec a puxou pela cintura, retribuindo a caricia.
Se separaram e Bella o olhou mais uma vez. Não se arrependendo daquilo.
—Isso não é uma despedida Alec. Eu voltarei para você. Porque eu te amo. Você é meu primeiro amor e não importa quantos séculos se passem, meu coração sempre baterá por você. Eu voltarei e Aro irá pagar. Porque eu sou superior a eles. Eles devem me temer, não eu a eles. —ela anunciou e Alec a olhou com orgulho. O estranho sentimento que um nutria pelo outro, era assim, nunca precisou de palavras, nem de declarações. Ambos sabiam que se amavam e isso era o suficiente.
—A parti daqui você terá que assumir mil faces... E eu garanto que amarei cada uma delas. —ele disse firme.
—Mesmo se a escuridão por fim me acolher? —ela questionou.
—A escuridão será sua única garantia de sobrevivência agora. Eu quero que me prometa, que não importa o que você terá que fazer, por cima de quem terá que passar, você irá sobreviver. —ele praticamente ordenou.
—Eu prometo. — ela sentia a mudança acontecer dentro de si. Ela sabia que dali para frente era a sua sobrevivência em primeiro lugar. Ela teve o exemplo disso, dentro de sua própria casa.
—Eu serei a máquina que eles queriam que eu fosse.
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